Olá, esse é o Filosofia em Comum, o nosso canal de filosofia, todas as semanas vocês podem acompanhar aqui diversos vídeos sobre temas filosóficos, e o nosso tema de hoje é o tema da Banalidade do Mal Que é uma expressão que surge no livro chamado Eichmann em Jerusalém, escrito por Hannah Arendt, uma filósofa que entrou numa discussão com a tradição que discutiu o tema do mal na história da filosofia, e entre a ideia do Mal absoluto, que seria o mal maligno, e a ideia do Mal radical, como o mal que é inerente à própria potencialidade da liberdade humana, a Hannah Arendt levantou essa hipótese de um mal que se dá dentro de uma estrutura de banalidade; o que isso significa: significa que ha uma espécie de mal inerente ao sistema, mal que está ao alcance da mão de todos os cidadãos e cidadãs, e é desse tipo de mal que Adolf Eichmann e várias pessoas, é a esse tipo de mal que Eichmann e varias pessoas aderiram na época da Alemanha nazista. Eichmann era um altíssimo funcionário do regime nazista, do governo, e ele foi o responsável pela solução final, foi a Eichmann que, segundo consta, teve a ideia de colocar os judeus dentro de câmaras de gás e e transformar os corpos daquelas pessoas em fumaça, e isso era uma solução logística porque economizava armas e economizava munição e eliminava esses corpos, evitando também que se precisasse enterrar esses corpos. Então foi uma coisa terrível, uma tremenda atrocidade, e ele era um nesse sentido um assassino de gabinete, porque ele não foi uma pessoa que tivesse colocado em prática o projeto que ele mesmo, do qual ele mesmo foi o um dos principais autores.
E a questão que entra em jogo é justamente a ideia da banalidade: a banalidade diz respeito ao que é comum, ao que é normalizado, ao que se torna habitual, ao que se torna ordinário; vocês tão vendo uma paisagem aqui atrás de mim que talvez para vocês seja uma paisagem extraordinária porque ela não é habitual, para mim ela também não é habitual, mas é uma paisagem que para muita gente que mora aqui ao redor é uma paisagem muito habitual, muito simples, esse aqui é o Rio Sena em Paris, então é uma paisagem que já faz parte do seu dia a dia, então banal é aquilo que faz parte do dia a dia, aquilo que foi naturalizado, aquilo que é aceito, aquilo que é comum, aquilo que pode ser partilhado, aquilo que ninguém, ao que ninguém mais dá atenção justamente porque se tornou muito comum. Então os nossos olhos já não se espantam com aquilo que se tornou banal para nós. E Hannah Arendt tá levantando que o próprio mal pode se tornar banal, que pode perder o seu caráter extraordinário.
Isso é catastrófico, e é catastrófico para a comunidade humana, e quando ela fala disso, ela constrói isso analisando a figura de Eichmann justamente porque ele seria um cidadão que representaria essa potencialidade, à medida que, como funcionário do regime, ele se entregou de tal forma ao governo, ao estado, ao programa do qual ele participava, que ele foi capaz de dizer que ele não estava fazendo nada de errado, que ele sequer era responsável pelo que fazia porque afinal de contas o que ele fazia era obedecer ordens e que não havia nenhum problema em obedecer ordens. Então a banalidade do mal diz respeito a essa adesão do indivíduo a um regime, por exemplo, como o regime nazi-fascista, que matou milhões de pessoas, então aderir a esse regime, promover esse regime, atuar, ser funcionário, viver desse regime, colaborar com ele de maneira profissional e inclusive de maneira criativa, administrando esse tipo de estrutura, e tudo isso considerando que esse cidadão abdicou da sua própria autonomia, abdicou da sua própria liberdade, então nesse livro, nesse contexto, ao lançar também o conceito de banalidade do mal, a Hannah Arendt fala do vazio do pensamento, que uma das características principais de Eichmann era justamente que ele não refletia, ele não pensava, ele não conseguia estabelecer nexos entre a sua própria subjetividade e o todo, o regime ao qual ele servia ele não percebia que ele estava fazendo um mal terrível, é o mal que comprometia por ccompleto a sua própria pessoa e conspurcava por completo também a ideia de humanidade. E nesse sentido ele era um cidadão carente de pensamento, vazio de pensamento.
Ora, é muito importante que a gente lembre disso, a gente reflita sobre isso, considerando que vivemos numa época novamente em que o vazio do pensamento avança, e por isso refletir é fundamental, e por isso é também importante lembrar que o pensamento reflexivo é um grande inimigo do fascismo, e o fascismo busca justamente destruir o pensamento reflexivo. Nós vamos falar mais sobre esses temas relacionados ao fascismo, mas hoje vamos pensar. a banalidade do mal diz respeito ao mal que é ordinário, que se tornou acessível a todos, e que se tornou também inquestionado.
Bom, achco que temos muito assunto pela frente, eu deixo com vocês o meu abraço e minha gratidão, agradecendo evidentemente a todos que estão assistindo esses vídeos e estão acompanhando o nosso canal Filosofia em Comum. Um abraço e até a próxima!