Guerra nuclear, Western distópico, retrofuturismo. - Abaixo o capitalismo? - Porque ele te faz perder o nariz.
Sim, nós finalmente assistimos Fallout, aquela série que todo mundo já comentou, já tem 500 vídeos na internet, você nem vai assistir esse aqui porque não interessa mais nada, a gente demorou para fazer, ah, car*lho. Como todo mundo já sabe, então, Fallout é uma série que se baseia em jogos de videogame, RPG, essas coisinhas feliz. Coisinha feliz, trouxe o fim do mundo, coisa feliz.
O primeiro jogo é de 1997. E eu joguei o 4, que é bem mais recente, e eu dei uma dropada porque eu não estava entendendo muita coisa, eu percebi que eu tinha que jogar os anteriores, e aí não deu tempo. Então, você já sacaram, nós vamos falar da série sem ter jogado muito os jogos, então não espere um estudo de comparação porque a gente não tem condições e também eu já dei um monte de vídeo, como eu já falei, tem um monte de vídeo sobre isso.
Então, a série vai falar sobre os acontecimentos após uma grande guerra nuclear, e tudo isso desencadeando uma timeline alternativa para a Terra. Que, basicamente, a brincadeira aqui é pensar uma espécie de futuro longínquo, porque a gente vai até o século XXIII, mas ainda com uma estética anos 50 do século XX. Porque no final da Segunda Guerra, a gente teve todo esse avanço em cima de tecnologias nucleares, e a brincadeira é, como seria se a tecnologia nuclear fosse a tecnologia dominante na nossa sociedade, e a partir daí a gente tem todas as consequências.
Mas também tem uma outra brincadeira, que é pensar como um estilo de vida também se torna duradouro. O que é meio impossível, porque se tem uma coisa que acontece na vida é que as coisas fluem, a moda muda, mas, enfim, aí vale pela brincadeira e também serve para dar uma série de comentários políticos, que é o que a gente vai desenvolver aqui. Porque a proposta de Fallout, ao ficar nesse eterno anos 50 do século XX, também serve para fazer uma série de comentários, uma série de cutucadas políticas, algumas até que podem incomodar muita gente.
A série, agora desse ano de 2024, foi produzida pela Amazon junto com a Bethesda, o estúdio que produziu os últimos três, quatro jogos do Fallout. E acho que essa altura você já deve ter visto uma série de comentários dizendo que é uma excelente adaptação do game. Mais uma vez, nós não jogamos, não temos como dizer isso.
Por enquanto uma obra única, vamos dizer assim, a série é muito boa. Sim, você não sente que está assistindo algo precisando de contexto, ela é autossuficiente. E além disso, tem uma coisa que até eu comentei aqui com a Thais, conforme a gente estava assistindo, que cai entre nós, eu não tenho muito saco para série, a Thais sabe.
E uma coisa que me incomoda muitas vezes em série é que eles enchem linguiça, está entendendo? Aquela merda daquela história cabia em 40 minutos e os caras fazem cinco temporadas. E uma maneira típica de encher uma boa de uma linguiça, e essa frase ficou estranha, é você colocar os personagens para falarem dos seus sentimentos.
Eu não suporto aquela cena típica que tem em série. Você está tão chateado pelo que você fez, Robert. Na verdade, quando eu penso em tudo o que aconteceu, eu só sinto uma dor, uma dor muito forte.
E eu vou lhe dizer uma coisa, Robert, está tudo bem, você poder ir cagar. Não, eu não posso. Então, esse é um dos motivos que eu acho que a série funciona, porque ela é muito dinâmica, ela vai direto ao ponto, ao mesmo tempo que ela não se apressa.
Eu acho que os personagens ganham tempo, eu acho que o universo tem uma sensação de imersão. Aliás, eu vi uma galera comentando isso no Twitter e eu concordo plenamente, mesmo eu tendo jogado tão pouco os jogos, uma coisa que Fallout sempre me interessou, olhando assim de longe, sem ter jogado muita coisa, é o quanto que os cenários, o ambiente contam a história, e a série sobre fazer isso também, ou seja, temos muito a sensação de que cada ambiente, cada lugar que chegamos, um pouco da história está sendo contada. Outro fator, e esse é mais malandragem, é que a série é bem cinematográfica dentro desse qualitativo genérico do que quer dizer cinematográfica.
Porque quando a gente pensa em cinematográfico, cinema tem muitos tipos, eu quero dizer o seguinte, eles trabalham muito planos gerais, então a gente vê aquele deserto, a gente vê aqueles lugares espaçosos e vazios. E mesmo quando são ambientes mais fechados, quando eles estão na cidade, lembra aquela cidadezinha que se formou e tal, cheia, parece que eles estão no meio de um lixão, de um ferro velho, mesmo assim é tudo muito amplo em termos de cobertura de imagem. A gente tem muito detalhe ali sendo inserido, porque o plano todo é muito bem aproveitado.
Ao mesmo tempo há um uso de closes, eu até acho que aqui eles não conseguiram ser ousados o suficiente, porque dá para ver que na hora de compor, na hora de pensar a decupagem, como que os planos, como é a história ia ser contada cinematograficamente falando, dá para ver que uma das referências foi o Western. E uma coisa que caracteriza, principalmente o Western, mas aí mais dos anos 70, muito dessa escola do Western espaguete, Sérgio Leone e companhia, é sempre esse jogo entre planos muito, muito abertos, assim que você vê as pessoas com uma silhueta lá no fundo e um close, mas não é um close qualquer, é um close fechado, corta a testa, corta o queixo, é fechado no rosto. E eu acho que a série pegou isso como referência, mas também não chegou a levar até as últimas consequências, mas enfim, está ali.
Até porque eles estavam bebendo em outras coisas. Então a gente vai aqui nesse vídeo repassar a sinopse, comentar um pouco da série, a gente vai liberar spoiler porque senão a gente não consegue aprofundar, senão fica aqueles papos assim do tipo, você lembra aquele personagem quando ele foi lá, bom, a gente não pode falar para o pessoal, mas é quando ele está fazendo aquela coisa que é aquela coisa que vai descambar na outra coisa, e quando ele descamba na outra coisa, cara, aí é uma coisa muito louca. Você está imitando um certo youtuber.
Tu fez igualzinho. Eu gosto dele, não é formal. Eu sei que você gosta dele, mas você fez igualzinho nesse outro youtuber aí.
O outro youtuber. . .
Mas também vai falar sobre questões políticas, sociológicas, estéticas que perpassam e fazem de Fallout não só uma franquia de games interessante, mas uma série muito boa de assistir. Mas antes de o mundo acabar, eu peço que você curta o vídeo se estiver curtindo, se inscreva caso esteja novo por aqui e compartilhe. Esse canal só pode falar do mundo explodindo no meio de uma guerra nuclear porque tem apoiadores.
Imaginando assim o mundo acabando e a galera mandando dinheiro para o cara fazer vídeo no YouTube, se bem que isso é uma boa imagem de utopia. Vai ter recompensas bem legais sendo apoiador, como lives aqui comigo, grupo de estudo, grupo no Telegram, sorteio de gibi e conteúdo exclusivo. E também seja membro aqui pelo YouTube por R$6,90 ao mês.
Isso vai te dar acesso à Sarjeta Flix e você também vai poder assistir as lives quinzenais com o Alexandre falando de filmes velhos que ninguém mais dá bola. Às vezes eu falo de lançamento também, esses dias eu falei de um filme que era só do ano passado, é um lançamento. Passou 15 dias e ninguém mais quer saber.
Então é só filme velho, mas às vezes é filme velho de três meses atrás. E às vezes é filme bem velho, eu estou afim de puxar cinema mudo. Isso é para ocupar uns cinco segundos do vídeo, já está indo para quase dois minutos.
Então Então vamos direto para o Fallout. A sinopse, Thaís! Estou me sentindo tão Choque de Cultura.
Então, se não ficou claro, o mundo acabou. E a história vai começar com a gente acompanhando a Lucy, uma mocinha muito serelepe, literalmente, acho que é o adjetivo que descreve ela, se candidatando para um casamento arranjado. Aliás, o pessoal no Twitter fez umas comparações dela com aquela guria do pica-pau, aquela pica-pau fêmea, não sei qual é o nome dela, do personagem.
Olha os olhos. - A Lúcia é interpretada pela Ella Purnell. .
. - Que está excelente. - Em que sentido, Alexandre?
- Em todos os sentidos, excelente. - Como tu é escroto, cara. .
. - Não, mas de verdade, ela está muito boa no papel. Ela está muito boa, ela passa com o olhar mesmo essa coisa meio boba, mas que ao mesmo tempo é muito atenta, sabe?
Porque vamos combinar, ela estava interpretando uma personagem que está no limite de virar uma personagem muito esterotipada e chata. Sim, ela está beirando a Mary Sue, no comecinho, sim. Porque ela se vira com qualquer circunstância, você diz?
Não, eu digo naquela primeira sequência antes de chegar o casamento e tal. De ela ser muito perfeita em tudo? Mas ela mesma fala no começo daquela entrevista que ela tem algumas falhas, que algumas coisas ela não é mais forte, não sei, não acho que seja isso.
O lance mais é de ser irritante mesmo. Porque personagens muito ingênuos e muito curiosos, para para pensar, é muito fácil de ficar, parece só na vida real, uma pessoa que está sempre te perguntando as coisas porque não entende e não entende, uma hora você fala, cala a boca, burro, cala a boca. Não é bem o meu conceito de pessoa irritante, o meu conceito de pessoa irritante está por outro lado, mas enfim.
Seja como for, é um personagem que tem que ter um tom, o roteiro ajuda, óbvio, mas a atuação também e ela segura muito bem e eu diria que é o personagem mais interessante junto com, vamos já emendar, com o necrótico. - Cooper Howard interpretado por Walter Goggins. Que também se mostrou um ator excelente, acho que a atuação dele está muito boa, aliás, eu acho que é o mais ator de todo mundo ali.
Sim, porque ele pega todos os trejeitos desses atores clássicos de Hollywood, sotaque. Ele tem uma cara também anos 50, claro, maquiagem faz milagre, mas ele tem uma cara que realmente você sente que está vendo um ator, um astro de Hollywood dos anos 50. Ele está muito ali deslocado no bom sentido, né?
Ele é o galã feio, aquele galão feio dos anos 50, porque assim, ele preenche todos os atributos do galão feio dos anos 50. - Ele tem uma testa. .
. - Proeminente. - Ele tem uma testa.
. . - Protuberante ou proeminente?
- Eu ia dizer protuberante. - Escolhe. Agora foi.
Ele é testudo! Ele tem olhos azuis, porque era uma coisa que tinha que ter, olhos claros encaixavam e ele é meio véio, ele tem a cara já meio rugada. Cara, sério, é um típico galão daquela época.
Inclusive, o andar, uma coisa que me pegou foi essa, ele tem um andar que é um andar meio sinuoso, até diria afeminado, mas não no sentido de dizer gay e tal. Não, é no sentido mesmo de que homens elegantes dos anos 50 podem ver que eles têm uma delicadeza nos gestos, eles têm um andar meio de gatos em meio. .
. Sim, ele pegou até os trejeitos de fumar daquela época. Sério, ele traz verdade para a história, ele traz muita verdade desse mundo anos 50 forever.
Inclusive, depois, quando ele vira o necrótico, quando ele vira o vilão, que não é bem o vilão, mas enfim, o anti-herói da história, porque por sua vez ele vai buscar uma série de outros trejeitos do Western. - Para virar o John Wayne zumbi do mal. Sim, a principal referência seria John Wayne, mas eu acho que também tem muito de Clint Eastwood ali.
Inclusive, até tem um momento na série que chamou a atenção, que é muito piadinha metalinguística, que é quando a Lucy, pela primeira vez, vai para o superfície e ela vê um feno passando, que é um clichê de filme de Western, os caras estão lá no duelo e passam um feno assim, e ela não sabe o que é, ela ficou olhando, tipo, é um bicho, o que é isso? Você chegou em um cenário de Western e você não conhece as coisas do cenário, que nojo, o que é isso? Inclusive, a existência dos necróticos, que são, explica aí, Thais, o que são.
Eles não são zumbis? Só que eles não são zumbis no sentido de comer carne humana, mas eles são. .
. É um personagem meio zumbificado, mas eles são basicamente. .
. - Pessoas que não morrem. - E que são, assim, por sequelas da guerra.
E aí, todos os danos que essa pessoa vai sofrendo com o passar do tempo ou com os ferimentos que ela sofre, fica, ela só não morre, então ela começa a se decompor, por isso que eles vão perdendo o nariz e tal, porque não morre. Eu sei que no game tem uma explicação um pouco mais complicada para a formação dos necróticos, tem a ver também com uma pandemia, mas eu não vou entrar nesse papo aqui, até porque o que eu estou afim mais de comentar é a simbologia do necrótico no meio desse universo do Fallout, eu acho que isso é um negócio muito rico e eu não vejo muita gente falar por aí. Eu já adianto o que quer dizer, se chama racismo, mas vamos segurar aqui que eu quero falar um pouco mais dos personagens.
E o terceiro que fecha a tríade de protagonistas é o Maximus, interpretado pelo Aaron Moten, que é um escudeiro da Irmandade de Aço. E que aqui, por sua vez, tem um outro referencial que é os medievalismos que o século XX reciclou. Eu até estava comentando isso com a Thaís antes de começar a gravar o vídeo.
Tanto o núcleo da Lucy quanto o núcleo do Cooper Howard são coisas que eram muito populares nos anos 50, a Lucy vive em um típico American way of life, o Cooper Howard do futuro é um personagem de Western, e Western era um gênero muito popular nos anos 50. Já esses medievalismos foram mais populares em outras décadas, anos 30, anos 80 também, quem viveu o pouquinho dos anos 80 vai lembrar da cacetada de filme de idade média, espada mágica, bruxa, feitiçaria. .
. Conan fez muito sucesso nessa época, ainda que Conan não seja medieval, mas também bebe tropos medievalistas. O sucesso de D&D na época.
A Irmandade de Aço é um grupo predominantemente religioso nas aparências, a função da Irmandade existir é de coletar relíquias, instrumentos tecnológicos pré-guerra. - Ou seja, é tipicamente a távola redonda. .
. - Indo atrás do Graal. Com cavaleiros, com uma lógica de cruzada, de guerra santa, mas como bem é demonstrado desde o início, é um bando de cuzão, é só isso que são.
O Máximus é um personagem que a Thaís não gostou, fala Thaís, revela o que você não gostou. - Eu só achei ele meio maçante. - Ele demora para engatar.
Depois mais para o final da série, ele vai te vencendo no cansaço, mas no começo só avança logo esse núcleo, porque vamos ver o que me interessa. Inclusive, no episódio que a gente mais gostou, a gente se deu conta que foi o único episódio que não tinha o núcleo do Máximus. Não foi o único episódio que a gente gostou, mas foi assim, cara, esse episódio está muito bom, e aí de repente, olha só, o Máximus não apareceu.
É porque no começo o Máximus é um personagem que eu acho que é meio monocromático, diferente dos outros que se mostraram mais, sei lá, mais. . .
Coloridos mesmo, eles tinham mais gradações de morais e tal, o Máximus é muito retilíneo. É o que o Máximus, desde o começo, é mostrado como invejoso, basicamente é isso, ele tem motivos para ter inveja, não é um invejoso de ser um canal invejoso. Não, ele está em uma função horrível, ele sofre bullying, ele tem que ficar cuidando dos cocô dos outros.
E ele se acha melhor do que os outros para poder ascender enquanto cavaleiro? Sim, ele se sente segregado, então essa inveja dele é bastante justificável, só que fica só nisso. A primeira metade da série o personagem é isso, ele é o invejoso, com motivos suficientes para ser invejoso, mas ele não é invejoso e é isso, e deu.
E aí tem tanta coisa acontecendo paralela à narrativa dele que daí você pensa, já entendi, vamos avançar a história dele? Vamos, por favor? E fazendo uma comparação com a Lucy, a Lucy também tem uma missão um tanto linear, ela é ingênua que está tendo que resgatar o pai nesse mundo inóspito, em peririr, pororó.
Sim, mas o fato de a Lucy ser a personagem que está nos apresentando aquele mundo. . .
Faz com que a gente queira grudar nela, assim como também o personagem do Cooper Howard, que serve para nos mostrar a transição, como é que nós chegamos a esse mundo. Por isso que o Máximus fica com uma função injusta, porque ele não está ali para apresentar muita coisa sobre o universo que a gente está assistindo. Então parece que às vezes ele está só atrapalhando o time, sai, sai, é a parte mais interessante, eu quero ouvir, vamos, vamos, vamos, mas no final fecha esse triângulo, o encontro dos três personagens fica bacana, quando ele e a Lucy se juntam, as interações são boas.
É porque quando a Lucy se junta com o Máximus, meio que tu finalmente tem personagens que conseguem dialogar. Sim, porque com o Cooper Howard, esse é o do futuro, o necrótico é só um canalha fazendo comentários sacanas. Ele é o tempo todo ameaçador, ele só faz ameaças, ele não tem nenhum diálogo para além de ameaças.
Bom, então já que a gente falou que esse universo é muito interessante, vamos focar no universo mesmo. A série passa no ano de 2296. Esse futuro é resultado de uma guerra nuclear que eclodiu no ano de 2077, só que nem a pau que a gente fica com a sensação que é 2077, porque é tudo muito anos 50 do século XX.
E eu acho que agora a gente pode falar um pouco, aprofundar um pouco esse mundo cinquentista. Os anos 50 foi uma década bastante particular, porque ela é o começo do que a gente vai chamar de Guerra Fria. E aquele momento, logo na sequência da Segunda Guerra Mundial, com as bombas de Hiroshima e Nagasaki, fizeram da energia nuclear o grande tópico do momento, inclusive com uma série de promessas de futuro melhor ou mesmo pior.
Inclusive, os anos 50 nos Estados Unidos tiveram uma série de publicações de revistas, de matérias para jornais e tal, imaginando os mundos do amanhã. Era comum, inclusive, a ter exposições com novas tecnologias que, no fundo, eram extremamente bizarras, algumas até, inclusive, nada práticas e isso um pouco a série tira sarro até. Uma série de tecnologias ou modos de interagir com tecnologia que não são os mais práticos.
Bom, eles com aquele trabucão no pulso, eles iam achar muito engraçado a gente ter que ficar carregando o celular na mão o tempo todo. É, porque tem essa coisa irônica do tipo, é um trabuco, daí a gente nos dias de hoje vai dizer, caramba, que desajeitado, mas não precisa ter bolso, não precisa ter nada, está sempre ali contigo. Não tem como perder, não tem o risco de você fazer cocô e deixar cair na privada o celular, porque isso acontece, não acontece?
- Nunca aconteceu comigo, embora eu já escutei relatos. E os anos 50, por ser justamente o começo da Guerra Fria, também foi a década de perseguição aos comunistas, coisa que a série também brinca para um caramba, tipo a guerra está para eclodur, a gente está ali no ano de 1976, 1977, nos flashbacks do Cooper Howard, e o perigo são os comunistas, eternamente os comunistas. E mostra como que essa paranoia de comunista, que é uma coisa do passado, nem tem mais hoje em dia, nem tem maluco hoje querendo se eleger falando que está caçando comunista, essa paranoia de comunista servia para você basicamente colocar qualquer coisa que você não gostava na pecha de comunista.
Se o vizinho botava música alta antes de dormir, comunista. - É coisa de comunista isso. Inclusive, o Cooper Howard está lá no meio de umas gravações de um filme e vários artistas com quem ele trabalhava, porque desagradava o estúdio de alguma maneira.
- Eram comunistas. - Eram demitidos porque eram comunistas. - E isso de fato aconteceu, houve uma série de perseguições a artistas, muitos foram denunciados e a acusação era porque eles eram comunistas.
Inclusive foi uma maneira muito eficiente de se resolver com desafetos, inclusive aquelas reuniãozinhas que a gente vê ali do Cooper Howard, um pouco antes de ter a guerra mesmo com outros artistas, isso de fato aconteceu e eram artistas que muitas vezes estavam se reunindo para buscar sindicalização, por exemplo, mas isso era papo de comunista. E voltando para o mundo real, justamente para poder se contrapor à União Soviética nos anos 50, os Estados Unidos fizeram uma propaganda imensa do American Way of Life. Apesar do sonho americano não ser uma coisa dos anos 50, ele já vem até do século 19.
Na verdade, isso tem origem ainda na colonização, porque muita gente foi embora da Inglaterra, da Irlanda para os Estados Unidos, procurando se desvencilhar dos problemas que eles tinham em suas terras natais, então os Estados Unidos, a América representavam um novo começo. Sim, mas essa ideia de sonho americano, inclusive, como uma nação própria, mas a partir de ideais liberais, onde lá você pode crescer com a sua família e o Estado não vai se meter na sua vida, traça o suor do seu rosto, você pode fazer fortuna ou qualquer coisa assim, esses mitos de ascensão foram se consolidarem mesmo no século 19, mas pós grande depressão, crise de 1929, ele já foi usado. Então, na real, é um negócio que, vamos ser francos, os Estados Unidos recicla de época em época, até mesmo a campanha Make America Great Again é mais um teatrinho desses.
Porém, nos anos 50, de fato, esse American Way of Life foi muito patrocinado, muito divulgado, muito difundido e que, basicamente, é sempre a imagem de uma família branca com um casal de filhos, geralmente é sempre um menino e uma menina. - E um cachorrinho. Ah!
E um cachorrinho, vivendo em uma casa grande, ampla, dois pisos, com cerquinha branca, eu acho um detalhe fascinante, é que sempre tem cerquinha branca, os carros são grandes. . .
- São aqueles Cadillacs compridos. . .
- e que dão uma imagem de potência, são carros possantes. A vida comunitária de subúrbio também é uma coisa muito enfatizada, ou seja, é uma visão muito classe média de mundo e, claro, tem uma série de elementos de modernidade. Eletrodoméstico é um negócio que era muito difundido naquela época, então sempre tem aquelas imagens de mulheres muito felizes.
Com o seu aspirador de pó, com geladeira, com a sua máquina de lavar elétrica. Então, vocês já sacaram, o Fallout pega esse imaginário e reproduz. E tem uma coisa, agora vamos entrar em uma das coisas que eu achei mais fascinante nesse universo, eu comentei isso com a Thais logo que a gente começou a ver a série.
Logo no início, tem pessoas negras e pessoas brancas convivendo nos mesmos espaços, ali nos refúgios, que, aliás, a gente até não explicou e está explicando super bem nesse vídeo. Como sempre! Eu não sei por que você me traz aqui, se é só para deixar os vídeos mais confusos.
A guerra nuclear é iminente, então empresas estão tentando capitalizar em cima disso. E é aí que surgem esses grandes refúgios onde as pessoas vão lá e, de uma maneira bem capitalista, vão lá e compram a sua vaguinha no fim do mundo. - Esses Refúgios são construídos por uma empresa chamada Valt Tec e é lá que a Lucy, inclusive, passa.
. . É onde ela Nasce e passa toda a primeira parte da sua vida.
Voltando, então, para os anos 50, que eu queria fazer esse link, é o seguinte, logo que a gente começa a ver a série, tem pessoas brancas e negras nos mesmos espaços, na superfície, acho meio óbvio, mas também nos refúgios tinham, também tem pessoas negras nos refúgios. Então, nesse mundo cinquentista de Fallout, não tem mais segregação racial, porque vamos ser francos, se era para manter mesmo essa coisa nos anos 50, jamais ia ter pessoas negras nos refúgios. Só que daí vem o que eu acho genial, porque Fallout é uma crítica ao American Way of Life, porque isso está óbvio, está escraxado, eles esfregam na sua cara como se fosse uma salsicha podre.
E se o American Way of Life também era um período de profundo racismo institucionalizado, como é que a gente vai deslocar esse racismo? Como é que a gente vai trazer a integração de pessoas negras, mas falar ainda sobre racismo? E aí que entram os necróticos.
Se vocês forem ver, Fallout o que ele faz é um deslocamento muito inteligente do racismo para um outro espaço, não é mais a disputa entre brancos e negros, porque a série, inclusive, faz um deboche sobre essa integração em que está todo mundo feliz e de boa, mas o racismo perdura e agora ele vai perdurar diante de um outro tipo de gente, outro tipo, muitas aspas. E não só os necróticos, mas os mutados pela radiação também são olhados de maneira muito estranha. Exato, todo mundo que tem uma origem diferente, perceba o link com o racismo, é segregado.
E nesse ponto dá para avançar ainda mais no American Way of Life enquanto objeto de crítica de Fallout, porque não só o racismo está lá ainda presente, deslocado, mas presente, mas acima de tudo o que a série o tempo todo está falando é que esse American Way of Life só é possível na base de muita violência. Esse mundinho de famílias felizes com sua máquina de lavar e sua cerquinha branca só é possível porque tem violência, porque há guerra, porque há desigualdade, porque enquanto alguns estão vivendo no bem bom, muitos outros estão sendo explorados, estão sofrendo e isso é o arco da Lucy. Ela vive lá no mundinho dela de privilégios e quando ela sai, com certeza é um choque para ela as coisas que ela encontra, embora assim é um choque muito fascinado.
Sim, porque ela em parte é uma espécie de eterna adolescente que cresceu em uma redoma de vidro, agora que ela está conhecendo o mundo para fora da saia do pai, embora depois vai ser revelado que ela já tinha saído outra vez, que daí é a tragédia da família dela, mas enfim, ela está olhando para isso tudo como o mundo é mais vasto do que aquele meu refúgio chato onde meu primo quer me comer. - Literalmente, porque é mesmo. Não, literalmente não, ele não é canibal, o primo dela não é canibal, o primo dele é aquela.
- Não, eu sei. - Então, não é literalmente. É, bom, a gente tem que cuidar com as palavras porque tem canibalismo nessa série.
Então, para manter esse espírito dos anos 50 no futuro, Fallout é uma típica série retrofuturista, que bebe na estética do retrofuturismo, que a essa altura já está todo mundo falando sobre isso, então acho que só para pincelar mais uma vez, retrofuturismo é você brincar com histórias que se passam no futuro, mas que resgatam ou que mantêm algo que é do passado e é interessante como existe uma série de ficções que resgatam o passado e justamente o passado dos anos 50. E já virou uma certa norma do gênero retrofuturista de trazer os anos 50, ou esse futuro imaginado pelos anos 50. Os anos 40 também gera bastante coisa, existem até outros retrofuturismos na cultura pop que são mais sutis e o pessoal não se dá conta, por exemplo, a série dos anos 90 do Batman é retrofuturista, a gente acompanha tecnologia dos dias de hoje, mas o pessoal tem TV em preto e branco, as roupas são de estilo Art Déco.
E eu acho engraçado também que existem muito, muito, muito futuros, mas que trazem coisas do imaginário medieval e isso não é considerado retrofuturismo. - Tipo? - Ah, não sei, tu vai ver em game, tem um monte de coisa assim.
- Mas são elementos retrofuturistas. - É que às vezes não é considerado parte da estética. - É que às vezes o retrofuturismo não é a principal ênfase de uma série, de uma franquia, mas de alguma maneira talvez possa se dizer que toda história que se passa no futuro alguma coisinha de retrofuturismo vai ter.
Inclusive, nos quadrinhos franco-belgas dos anos 80, houve uma série de ficções retrofuturistas e qual era a década que eles iam resgatar? Os anos 50. Só que, claro, os anos 50 no contexto francês e no contexto belga.
Só que eu estou trazendo esse exemplo que parece deslocado, é porque o resgate desses anos 50 francês e belga, que é feito na Europa, também está profundamente ligado com energia atômica. Então, os anos 50 foi essa época de sonho nuclear e um sonho que, obviamente, ia da m****. Lea, está dando m**** até ou a gente está com medo dessa p****?
Em 2024, a gente continua com medo de uma guerra nuclear. Esse retrofuturismo vai aparecer muito, principalmente, dentro dos refúgios. A gente vai ter uma emulação de vizinhança.
Na verdade, não é tanto. . .
é mais a questão do American Way of Life, que eles vão tentando persistir dentro dos refúgios, em que a gente tem a simulação da vizinhança, cada casinha tem o seu número, tem a sua caixinha de correio. A ideia de caixinha de correio, para mim, é genial. Você está em um refúgio e tem uma caixinha de correio na entrada do seu bunker.
E, dentro do bunker, tem simulações de pátio, de varanda, também uma coisa típica da arquitetura dos anos 50, TV em preto e branco, que também não podia faltar. E, na entrada das casinhas, dos alojamentos, tem cadeirinhas de praia, como se você fosse ficar sentado no meio de um corredor, que é ferro de cima e abaixo, para ficar olhando a vizinhança passar. Se fosse No Rio Grande do Sul, só voltava um chimarrão.
E, até mesmo, o jeito de falar esse retrofuturismo está muito presente. É uma educação, uma formalidade e um jeito de ser espirituoso que tinha nos filmes da época. - E sempre uma atitude de bem com a vida.
- É, o like que aparece como o principal mascote da série, que, inclusive, já logo no prólogo ganha um aspecto sinistro, porque o Cooper Howard fala para a filha: se você fizer assim e o cogumelo nuclear for menor que o seu dedo, você corre. E ela pergunta: e se for maior? Ele fala que não precisa nem correr.
E, daí, rola a detonação. Acho que é uma cena pesada para caramba. E a menina pergunta se é meu dedo ou o seu.
Sendo que o negócio é gigantesco. Está acontecendo ali na cara deles. Cara, que cena angustiante aquilo.
A Fallout te pega porque o prólogo já é um soco no estômago e só vai piorando. Cada vez mais esse mundo vai se mostrando bizarro. Se bem que, eu vou ser franco, quando chega lá pelo sexto, sétimo, oitavo episódio, a coisa já virou uma paródia.
Começa sombrio, começa pesado, só que vai ficando tão ridículo, tão absurdo, tão. . .
- Que ele dá a volta. Chega uma hora que você não se choca mais com aquilo que seria chocante. Por exemplo, eu achei que eles iam fazer, para doer, a cena do clímax da série, que é quando a Irmandade Asso promove um massacre naquela comunidade que estava vivendo bem, que, inclusive, não segregava os necróticos.
Aquela comunidade liderada pela mulher. . .
Como é o nome dela? - Lee Moldaver. E uma coisa que é mostrada na comunidade dela é que tem criança, enfim, eles estã vivendo, eles estão plantando, eles estão bem.
Então, eu jurei que eles iam mostrar eles chegando com bomba em criança. Iam mostrar a m*rda que e o noticiário nos dias de hoje! A gente está, nesse momento, volta e meia, esbarrando com imagem de criança m*orta.
Vou ter que censurar essa m*erda! Isso vai me deixando mais irritado, porque a gente tem que censurar o absurdo que está acontecendo agora, mas não pode falar no YouTube. Agora fiquei puto.
Vou embora. Voltei. Mas, enfim, o que quero dizer é que chegou nesse ponto, a série entrou na galhota.
Inclusive, o Cooper Howard virou o Batman, no final ele é o Batman, ele sabe as falhas de tudo, ele sabe como vencer, o que eu achei um pouquinho. . .
O que gera um furo de roteiro lá no início. Porque ele enfrentou o Maximus na armadura e passou trabalho. Embora ele estava com munição?
A gente estava na dúvida se a munição não tinha acabado naquela cena. Mas, mesmo assim, um personagem que passava dificuldades com um cara em uma armadura, depois. .
. - Ele consegue vencer cinco. Eu não sei quantos são, mas ele dá conta de todo mundo.
Ele evoluiu muito rápido, virou muito rápido o Batman. Outro topos que já comentamos aqui, que é muito presente, é o Western, o Velho Oeste. E uma coisa que vale a pena retomar nesse papo é o quanto o Western se presta muito para fazer estéticas distópicas.
A gente, inclusive, já falou aqui de Space Western, quando a gente analisou o Cowboy Bebob, aliás, a gente estava junto, o Western nos une. Mas também tem outras maneiras de você trabalhar com o Western e, no caso do Fallout, aqui é extremamente evidente. Aliás, o Western era tão pop nos anos 50 que os quadrinhos, que alguns dos principais quadrinhos que eram vendidos na época, eu só penso que eram superiores e não, eram gibis de faroeste.
Inclusive, quem era criança naquela época hoje está lendo o Tex, que são os anciões do mundo dos gibis. Você não pode falar muita coisa que você estava olhando com muita afeição para a estante do Tex da última vez que a gente foi na banca. - Vamos mudar de assunto.
- A idade está batendo. E uma coisa que qualquer estética Western traduz é o mundo da fronteira. -O mundo da fronteira da civilização.
- Sim, são várias das fronteiras, não só a fronteira no sentido geográfico. . .
- Territorial, é a fronteira de um modelo de civilização. Também a fronteira moral, por isso que os personagens muitas vezes são figuras ambíguas e, nesse sentido, em Fallout, o tempo todo a gente está falando de fronteira. É o mundo que vive nos abrigos, é o mundo da superfície, é os mais pobres, os mais ricos, são os humanos normais, os necróticos.
O tempo todo a gente está lidando com seres e situações fronteiriças, então faz todo o sentido você brincar com o Western nesse mundo de Fallout, inclusive amarrando com outro subgênero, que é o atompunk. Muita gente sempre lembra do cyberpunk, que de fato foi muito popular nos anos 80, 90, até hoje tem bastante produção cyberpunk. - Eu nunca nem tinha ouvido falar de atompunk.
Ela não é tão pop, mas basicamente a ideia é a mesma, enquanto o cyberpunk é um mundo de alta tecnologia e vida precária, mas com elementos eletrônicos, no caso do atompunk, mesma coisa, vida precária, alta tecnologia, só que com energia atômica. Inclusive, isso é mais um elemento da piada ao longo da história, que é o quanto as pessoas convivem com a radiação. Sabe o que me lembrou?
Eu acho que é no Robocop 2, olha só a referência, que tem um comercial no meio do filme, se eles brincam com a publicidade da época, e tem uma mulher passando um creme nojento no corpo, dizendo que essa é a maneira que você tem para se proteger da radiação solar, e aí no final vem o anúncio, quase não dá câncer. O mundo de Fallout é isso, as pessoas estão o tempo todo lidando com energia nuclear, o tempo todo elas estão sendo contaminadas e a gente banaliza, e aí pode pensar, caramba, ficção científica, viagem. Porra, cara, dá uma olhada no que você está comendo agora, pega a planta e a quantidade de agrotóxico que está embutido nessa porra que você está ingerindo.
Volta e meia também saem denúncias de água contaminada, água é essa que dá sua bica. Então sei lá, o atompunk desse mundo radioativo, não soa tão absurdo, de novo falando sobre a gente. Eu só estava pensando assim que me choca mais ali assistindo a dificuldade que eles têm para ter acesso a água encanada, e eu fui pensando, meu Deus, que sede, considerando que eles estão em um deserto o tempo inteiro, do que muitas outras coisas ali que aparecem.
- O canibalismo não te chocou? - Não. - Deu fome, inclusive?
- Com certeza, a gente pega ali, faz um foguinho na frigideira e está bom. - Põe um coentro, né? Põe um pouquinho de coentro, uma pimentinha do reino, uma pitadinha de sal e foi, churrasquinho.
O churrasco está garantido. - E eu sou bom de fazer churrasco, eu ia me virar bem nesse mundo. E agora a gente vai falar da parte que faz todo mundo querer virar socialista de verdade.
Ou eu diria, pelo menos, anticapitalista, torce o nariz para esses bilionários que querem salvar o mundo pelo Twitter. Porque a grande revelação ali na história é que o fim do mundo veio não porque os malditos comunistas atacaram ou nem mesmo porque o presidente dos Estados Unidos era um safado sem vergonha, no fundo foram as grandes empresas, elas resolveram que era mais lucrativo lidar com o fim do mundo. Porque eles estavam fazendo aqueles bunkers, fazendo aqueles refúgios, uma série de experimentações para a construção de sociedades em ambientes fechados e aí, de repente, começa a ter conversas de paz entre as nações em conflitos.
E o dinheiro todo que foi investido, meu irmão? Não dava para essas empresas voltarem atrás e eles perderem todo o investimento. - Então, o que acontece?
- Vamos nós fazer a guerra, vamos nós matar bilhões, causar um sofrimento sem fim. . .
- Porque as nossas ações não podem desvalorizar. E aí você fica pensando, às vezes, quando se fala essas histórias do tipo, mas é muito plano maquiavélico por causa de lucro, mas os caras têm a seu favor, a criogênia, eles se congelam e vão ocupando a terra dentro de uma determinada ordem para usufruir do bom e do melhor, que só serve para poucos. De novo o papo do quanto esse American Way of Life é violento, o quanto para existir um Estados Unidos que é a utopia tem que existir uma outra cacetada de países extremamente explorados.
A gente não pode esquecer que Fallout surge, o game surge em 97 e o que estava rolando nessa época? Bem, já tinha acabado a Guerra Fria e logo depois da queda do Muro de Berlim começa a Guerra do Golfo, uma guerra que os Estados Unidos se envolveu por causa de petróleo. Então, Fallout reproduz muito um certo desencanto, que, aliás, é uma temática bastante importante na série, é a questão de que a guerra nunca acaba e é uma guerra sempre por energia e pela garantia de que uns e não outros possam usufruir dela, no tanto que a Lee Moldaver, na série, está justamente em busca de uma energia limpa e acessível a todos, mas para os nossos riquinhos, não, para os nossos riquinhos ali melhor a guerra porque senão a gente vai perder dinheiro.
E a pá de cal é que tava surgindo uma sociedade, surgiu uma cidadezinha que se organizou, eles conseguiram criar legislações. Tava prosperando aquela cidade, aquele novo país. E o que aconteceu foi que o pessoal dos refúgios, o pessoal daquelas empresas que estava ali administrando a situação, eles foram lá e jogaram mais bomba em cima dessa nova cidade, porque eles têm que ser os detentores do poder para poder controlar o futuro ao seu favor.
Sim, basicamente o capitalismo capitalizou o futuro e esse futuro é mediante lucro, lucro de quem já lucra. É a manutenção de elites econômicas que tem as condições para se manter na elite, nem que seja administrando um futuro longínquo, ou seja, cada um ali vai sendo descongelado dentro de uma determinada fila e por séculos o mundo continua sendo controlado pela empresa que quer garantir o seu. E esse futuro é reservado também em escalas, porque as pessoas que estão sendo despertadas para administrar os refúgios são os baixos secretários, ou seja, os figurões, muito provavelmente, para eles está guardado a terra prometida.
Ou seja, a série do Fallout deixa muito claro o perigo de uma plutocracia, de um regime onde os ricos mandam e é por isso que eu sempre vou dizer de uma maneira muito delicada: acreditar em bilionário é papo de imbecil, acreditar que essa gente que vai nos guiar para o mundo melhor, eles vão garantir os deles, é óbvio, e a série não tem nem pudor em mostrar isso. Eu gostei assim que eles não deixaram assim, inclusive é ambíguo, mas tem um bilionário bom, não, juntou eles e eles só querem destruir com tudo e garantir o seu. Inclusive eles começam a discutir sobre como cada refúgio eles vão poder administrar do seu próprio jeito e aí já começam a falar de experiências macabras, é um bando de sádicos.
A pessoa com poder demais é perigosa e basicamente bilionários são perigosos porque eles têm poder demais. E a série não tem pudor, a série mostra isso, olha, se a gente deixar que a paz, que a saúde, que uma vida melhor seja garantida por lucro, não vai rolar. O que vai acontecer é que meia dúzia de pessoas vão garantir o seu e vão destruir todo o resto.
De outra forma o que a série está falando é o seguinte, se a sua vida hoje parece boa, é porque por enquanto ela é lucrativa para quem está no topo, mas basta ser lucrativo outra coisa no lugar que você vai ser varrido. E o que o Fallout mostra é isso, de repente ficou mais negócio, a guerra, em vez de ter gente comprando geladeira, vamos botar esse povo no bunker, o bunker é melhor. Claro que se a gente for em uma pegada mais realista, talvez seria realmente mais lucrativo, mais vantajoso, mas a ideia é brincar mesmo, o quanto pessoas que estão no topo começam inclusive a alimentar fetiches estranhos; Por exemplo, um cara que é muito rico pode comprar uma rede social só para ficar enchendo o saco, sabia disso?
- Não sabia, estou chocada. - Acontece bastante. Então, por tudo isso, Fallout é uma série muito interessante, com uma narrativa muito gostosa de assistir.
Eu e o Alexandre pegávamos para assistir às duas horas da madrugada, morrendo de sono e a gente ia até o final e querendo assistir mais. Então vamos assistir, se ainda não assistiram esse negócio. Eu sei que vocês vão dizer, vocês também tentam jogar os jogos e tal, vamos, não nada conta, o problema é tempo.
Eu precisaria ficar em um bunker para conseguir fazer tudo que eu queria. Horrível, não vou fazer mais. E só para acrescentar que a série termina com um gigantesco gancho, tendo sucesso certamente vai ter segunda temporada.
Então, muita coisa que ficou em aberto ou que não ficou muito bem explicado, provavelmente isso vai ser explicado nas próximas temporadas. E eu acho que está fazendo sucesso, porque pelo menos em termos de hype, de debate. .
. Fazia tempo que eu não via tanta gente falando de uma mesma série. Parece que agora a indústria cultural está acertando a adaptação de game.
Ano passado deu bastante assunto o The Last of Us, esse ano o Fallout, muita gente está falando que o próximo que tem que ser adaptado e que também pode gerar uma série excelente é o Bioshock, e sinceramente eu acho que a adaptação do Bioshock é questão de tempo. Mas falta eles acertarem também no joguinho de luta, o último filme do Mortal Kombat foi horrível. - Qual?
- Aquele. . .
Você até esqueceu. . .
Aquele que tem os fatalities, mas não tem história. O Mortal Kombat sem Mortal Kombat. Street Fighter também não tem um filme bom.
Está faltando no joguinho de luta, está faltando isso, fica aí a anotação. - E precisa falar igual ao choque de cultura? - É preciso sim, porque esse foi um momento que eu tenho aqui em exclusividade, que eu vi numa revista.
E fica a dica para vocês assistirem um outro vídeo aqui do canal Atomic Heart, que vai justamente falar o contrário, sobre a ascensão de uma sociedade socialista. E a brincadeira ali é justamente explorar o retrofuturismo sob a visão soviética. E siga a gente nas nossas outras redes sociais, TikTok, Twitter e Instagram.
Obrigado por assistir. Valeu, pessoal!