O Jornal Nacional apresenta hoje a terceira e última reportagem da série sobre educação financeira. Welter Duarte mostra que nas escolas ela tem mudado a vida de alunos. Reserva financeira.
J vai falar sobre economizar. Aqui não tem bobeira, educação financeira. Nós gostamos mesmo é de estudar.
[Música] Teste gravando, gravando. Teste. Fui.
Fala galera, eu sou Mateus Alves, sou da zona norte do Rio de Janeiro. Reserva financeira nada mais é que um recurso. A pobreza não foi a única adversária de Mateus.
Ele nasceu com baixa visão por causa de uma catarata congênita, o que atrasou a alfabetização. Passou por quatro cirurgias, mas depois voou. Foi de estagiário a gerente de um banco e tá cursando economia.
Eu acredito que a minha missão hoje, por mais que seja mínima, é transformar a vida de outras pessoas através dos investimentos, através da educação financeira de um jeito simples. Missão que o Mateus vai cumprindo com o próprio exemplo. Eu comecei a criar boletos pros meus sonhos.
Por exemplo, eu tinha um sonho de comprar um carro. Eu peguei o valor desse veículo, dividi em 48 ou 60 vezes, é um exemplo, e aquele valor ali que deu, ao invés de eu me enfiar num financiamento e pagar muito mais caro, eu preferi eh trabalhar de forma extra para poder pagar aquilo ali. O dinheiro desse boleto do sonho ia direto para uma aplicação no banco.
Comprei o carro, tá ali embaixo. Ah, é? Ah, eu quero ver, quero ver o carro.
Deu certo. Então, quanto tempo você comprou? Deu certo?
Levou aí 4 anos. Você foi juntando e depois comprou a vista. Foi isso?
Sim. Sim. Sem pagar juros.
Sem pagar juros. O ponto de partida e os obstáculos. A educação financeira é um instrumento amplo que dá conhecimento pra gente se planejar, controlar gastos, criar uma reserva de emergência, se for possível, usar o crédito disponível no mercado de maneira equilibrada.
Mas onde e como aprender tudo isso? Na escola, diz a presidente do Todos, pela educação. A educação financeira, ela é amplamente amparada pela legislação brasileira.
também está prevista na base nacional como curricular, né, que dita os parâmetros curriculares de todo o país, está lá como um conteúdo transversal, ou seja, que pode ser trabalhado em diversas disciplinas. A disciplina mais óbvia é a matemática, mas ele também pode ser trabalhado, por exemplo, em língua portuguesa, porque em grande medida, saber fazer o planejamento financeiro, saber interpretar textos é muito importante. O Ministério da Educação não tem um levantamento do percentual de escolas que cumprem a determinação, mas há iniciativas como a da bolsa de valores B3 em parceria com a Secretaria de Tesouro Nacional.
Escolas públicas de todo o país participaram da primeira olimpíada de educação financeira. Os adolescentes aprenderam sobre orçamento familiar e investimentos e depois responderam às provas. A nossa premiação vai muito além de medalha.
Esse ano pude ter o orgulho de comprar meu próprio material escolar sem precisar da ajuda dos meus pais. É muito incrível. Aprendi a fazer listas, organizar o meu próprio dinheiro.
Então, aprender tudo isso na escola pode nos ajudar pra vida toda. [Aplausos] Pessoal, hoje a aula vai ser um pouquinho diferente. Vamos falar principalmente do nosso dia a dia do uso do dinheiro.
Esse é o professor Fábio, que dá aula de educação financeira para alunos de escolas municipais no Rio. Projeto que ele começou por conta própria 20 anos atrás. Quais são as causas das compras por impulso que vocês selecionaram?
Sonhos, ansiedade, raiva, tristeza, alegria. Legal. Agora, essas são as causas.
Geram consequências. Quais são as consequências disso? Prejuízos, dívidas, doenças, tristezas, problemas de relacionamentos.
Exatamente. Essas são as respostas que as crianças de 6 a 11 anos deram a partir de experiências em casa. Essas questões socioemocionais também elas estão debaixo desse guarda-chuva da educação financeira.
Aqui os alunos aprendem o que é o consumo consciente. Eu trouxe aqui para vocês hoje alguns encartes de mercado, onde aí tem vários produtos que a gente vai poder fazer uma uma pesquisa maneira de preço. Os alunos já terminaram a pesquisa.
Eles compararam os preços dos mesmos produtos em encartes de vários supermercados. Agora é sair da sala. A aula continua aqui agora na prática, na vida real.
Que tipo de produto a gente tá se concentrando hoje aqui? Limpeza, comida, muitas coisas que a gente usa no cotidiano, mais produtos do dia a dia. Tem que ver o preço, né?
É, tem que ficar de olho o preço. Luise, vocês pesquisaram o preço especificamente desse arroz já tem alguns dias, né? Aí a gente chegou aqui, o que que aconteceu?
O preço diminuiu quanto? R$ 6. Uma diferença, né?
Sim. Então, como é que a gente tem que fazer para ficar de olho em tudo? Ver nos sites que normalmente os mercados têm, nos encartes e até mesmo no próprio mercado.
Importante também saber calcular o preço do produto pelo peso da embalagem. Aqui eu tenho uma manteiga que tá custando R$ 28,99, tá? numa embalagem de 380 g.
Então, olha aí, ó, deu 7 centavos e um pouquinho. Agora vou multiplicar pela embalagem menor que tem 200 g. Olha ali, ó.
Deu R$ 15,25. O que que a gente nota aqui? Que ela tá com uma promoção de R$ 13,99.
Então, vale a pena levar a embalagem menor nesse caso. Além desse produto aqui, a embalagem menor ser mais vantajosa, tá acontecendo uma coisa aqui. O que que tá acontecendo?
Uma promoção. Qual é essa promoção? Leve quatro e três.
Leve quatro e pague três. Nessa promoção, cada embalagem tá saindo por quanto? R$,99.
Então, vale a pena levar essa promoção. Vai ficar mais barato pra gente, não é melhor? Sim.
estava vindo comprar algumas coisas na feira. Ela falou: "Vamos esperar chegar no final de feira". Aí a gente passou lá para comprar a melancia.
Aí o moço falou: "Ô, tem essa melancia aqui que tá equivalente a 3 kg, que tá valendo R$ 30, só que como é final de feira, vou fazer 25". Ele: "Não, tá muito caro, eu vou ali em outro lugar". Ele: "Não, não, não, eu faço aqui R$ 20 para você".
A pegou e ele fez cé muito caro. Eu acho que eu vou levar vocês para fazer compra comigo. Aproveita que a gente tá no mercado.
Me ajuda. Valeu. Débora foi uma das primeiras alunas de educação financeira do professor Fábio.
Agora são eles aí, ó. Você lembra, gente? Lá atrás você tá fazendo aquele projeto que a gente fez há 20 anos atrás.
Gente, exatamente. Agora aí galerinha, tudo bem? Todos esses esses ensinamentos me fizeram sim hoje uma pessoa bastante organizada, que tem noção do manejo desse dinheiro, de o que que vale a pena, o que que não vale, como que a gente faz para poupar aqui para lá na frente ter um resultado melhor, atingir um objetivo maior.
Tudo isso fez total diferença, sem dúvida. A educação ela precisa acompanhar a complexidade da economia, da sociedade. Então, a educação financeira para hoje é muito fundamental.
A educação financeira, ela acontece num contexto onde a vida acontece e você tem que ser o protagonista.