Módulo 7 aula 8 Nessa aula vamos falar sobre discriminação. Nós estávamos falando sobre discriminações simples. Vamos dar aqui um exemplo para contextualizar e depois vamos para algumas relações um pouco mais complexas.
Então nós estávamos falando sobre discriminação, treino discriminativo na aula anterior e aqui a gente poderia pegar um exemplo. Eu quero ensinar uma criança a discriminar a figura de um cavalo. Então eu pego uma figura, mostro para criança, eu tenho uma figura de um cavalo nas mãos e eu pergunto para criança: o que é isso?
A criança diz cavalo. Vamos supor que ela discriminou corretamente e eu vou lá e reforço o comportamento dessa criança, faço um elogio, dou algum brinquedo, algum reforçador que foi pré-estabelecido. Agora um segundo exemplo, eu apresento a figura de um cachorro e pergunto: O que é isso?
E a criança responde: Cavalo. Nesse caso ela emitiu uma resposta incorreta. Então eu não reforço o comportamento.
Essa é a condição S-delta para a resposta cavalo. Agora vamos supor que eu mostro uma outra figura de um cavalo diferente do primeiro cavalo que eu apresentei, mas ainda é um cavalo. Então eu mostro e pergunto o que é isso?
E a criança diz cavalo. Aí eu reforço o comportamento dessa criança. Nessa situação eu percebo que a criança ainda não discrimina muito bem que um cachorro não é um cavalo.
Então eu preciso avançar no trem discriminativo, posso usar algumas ajudas, algumas dicas que nós ainda veremos depois. O importante aqui é perceber, por exemplo, que essa criança responde corretamente a uma figura de cavalo, mas também responde incorretamente com outra figura diferente de cavalo. Então essa criança generaliza, tem a categoria cavalo, é uma categoria que eu preciso ensinar.
Quando a gente vai ensinar discriminações simples, geralmente a gente não deve usar exemplos apenas do estímulo alvo. Eu deveria usar quatro, cinco figuras diferentes de cavalos para que a criança aprenda o que são cavalos, não apenas um cavalo específico. Mas aqui ainda temos uma discriminação simples.
Eu estou mostrando a figura, dando a instrução o que é isso, e a criança responde. Ela pode responder corretamente ou incorretamente e dependendo da resposta vai ou não ter consequências. Mas existe um outro tipo de discriminação que a gente chama de discriminação condicional ou também chamada de uma tarefa de match to sample, que é escolha de acordo com o modelo ou emparelhamento com o modelo.
Às vezes, como essa estratégia chamada de match to sample, a gente usa as letras MTS para falar dessa estratégia. Mas em português a gente chama de escolha de acordo com o modelo ou emparelhamento com o modelo. Nessa situação eu tenho um estímulo que a gente chama de estímulo condicional.
Então, além do estímulo discriminativo e do Sdelta, eu tenho um outro estímulo que, a depender da presença desse outro estímulo, nós vamos definir quais estímulos vão ser Sd e quais estímulos serão Sdelta. Então vamos pensar na seguinte situação. Eu tenho três figuras sobre a mesa.
Eu tenho a figura de um cachorro, a figura de um peixe e a figura de um cavalo. E eu quero que essa criança combine figuras idênticas, por isso que é a escolha de acordo com o modelo. E eu vou dar uma figura, já tem essas três figuras sobre a mesa, e eu vou apresentar uma quarta figura.
Essa quarta figura a gente vai chamar aqui nessa situação de estímulo condicional. Esse é o estímulo que serve de contexto para uma discriminação simples. Então a criança vai precisar fazer uma discriminação simples, como eu dei o exemplo lá de falar cavalo na presença do cavalo, mas nesse caso aqui a criança vai apontar para o estímulo igual ao meu estímulo modelo.
Então de novo, sobre a mesa eu tenho uma figura de um cachorro, de um peixe, de um cavalo e eu levanto uma quarta figura com um cavalo e eu digo para a criança: aponta o igual ou me mostra o igual, e a criança aponta o estímulo. Ela vai precisar fazer uma discriminação simples, mas o igual depende da figura que eu mostrei, da quarta figura, que é o estímulo condicional. Então existe um novo estímulo, um estímulo a mais agora, que a criança precisa olhar para saber qual é o igual e aí ela teria que apontar entre as três figuras que estão sobre a mesa, a figura do cavalo.
No entanto, se eu mudar a figura, agora eu mostro a figura do cachorro, o que passa a ser o estímulo discriminativo não é mais o cavalo, é o cachorro e por isso que a gente chama de discriminação condicional. A criança precisa fazer uma discriminação simples, mas a função de SD ou SDelta dos estímulos que estão sobre a mesa vai depender de qual é o estímulo condicional que eu mostrei para criança primeiro. Então esse é também chamado de estímulo modelo e os estímulos que estão sobre a mesa, esses estímulos que a criança vai precisar fazer uma discriminação simples, são chamados de estímulos de comparação, estímulos de modelo é o que eu mostro e os estímulos de comparação que estão sobre a mesa.
Há situações no ensino que a gente está fazendo aqui, de discriminação condicional, que a criança pode não observar o estímulo condicional, o que eu estou mostrando, e ela já tenta escolher um dos estímulos que está sobre a mesa. Então existe a exigência de uma resposta de observação. Eu como aplicador, poderia pedir à criança, por exemplo, para apontar, tocar na figura que eu estou mostrando, antes de olhar para as figuras que estão sobre a mesa.
E essa resposta de olhar ou de ter uma resposta em direção ao estímulo modelo é chamada de resposta de observação. Essa resposta de observação, às vezes, é necessária para garantir que a criança olhou o estímulo modelo e agora ela vai olhar para os estímulos de comparação e vai fazer a discriminação corretamente. Então existe a relação com um outro estímulo, além do estímulo discriminativo.
Então novamente, os estímulos discriminatvos Sdelta, são essas figuras sobre a mesa e o estímulo que eu estou mostrando para dizer, olha, com esse aqui que você vai comparar, esse é o estímulo condicional, e essa é uma discriminação condicional. Aqui, nesse meu primeiro exemplo, eu estou falando de estímulos idênticos, mas nós também, às vezes, aprendemos a emparelhar estímulos não idênticos e isso é a base para a gente aprender várias coisas. Então, por exemplo, eu posso ensinar uma criança a emparelhar ou escolher de acordo com o modelo, números e quantidades.
Então eu poderia mostrar o número três para a criança e em cima da mesa eu ter três figuras representando, por exemplo, uma figura com três pontinhos, outra com quatro pontinhos e uma com um pontinho só. Aqui eu estou tentando ensinar a relação entre número e quantidade. Dependendo do número que eu mostro, a criança deverá apontar a quantidade que se refere àquele número que eu mostrei.
Então eu estou ensinando que quantidades diferentes vão seguir a números diferentes e eu teria o estímulo condicional, a resposta de observação, talvez tocar nesse número e depois tocar no cartão que tem a quantidade que se refere àquele número. Então aqui eu tenho novamente uma discriminação condicional. Com esse tipo de ensino, a gente pode fazer muitas coisas, a gente pode ensinar, por exemplo, a relação entre palavras e figuras.
Eu posso ensinar a relação entre maiúsculas e minúsculas. Quando a gente usa essa discriminação condicional, a gente geralmente está ensinando relações entre estímulos. Então esse tipo de ensino é muito importante e é comum que a gente use em sessões de ABA.
Algumas atividades que são ensinadas então, combinar figuras e objetos idênticos, palavras escritas com palavras faladas, palavras escritas com figuras. Nomear figuras e objetos. Categorizar itens.
Então eu posso ter itens diferentes, mas que são de uma mesma categoria. Por exemplo, peças de vestuário, partes do corpo, transporte, meios de transporte. Então a gente pode ensinar uma diversidade de repertórios que são necessários para os nossos clientes por meio de procedimentos de match to sample, MTS ou fazendo as discriminações condicionais.
Quais são alguns fatores que afetam o MTS? Habilidade de atentar é o primeiro. Então olhar para o material de ensino, olhar para a aplicadora, ouvir e seguir instruções verbais e sentar-se por curto dos períodos de tempo.
Eu não preciso fazer esse ensino durante um longo período de tempo, mas o cliente precisa ser capaz de sentar e atentar para esses estímulos por alguns segundos ou por alguns poucos minutos. As propriedades físicas do estímulo podem afetar o tamanho das figuras ou dos objetos, cores, formato, nitidez da imagem e instruções que sejam simples, claras e diretas. Quando eu estou ensinando, utilizando MTS, eu devo dar instruções que sejam bastante simples, não devo conversar muito, falar muito, porque isso pode ser mais confuso, mais difícil para o cliente.
A concorrência com outros estímulos, ou seja, distrações visuais, então se na mesa tem um monte de materiais, pode ser mais difícil para a criança ficar sob controle dos materiais de ensino. Distrações auditivas também podem atrapalhar, pessoas falando. É muito importante que a gente também consiga ensinar em situações em que há possibilidade de distrações auditivas, porque a criança deve ser capaz de aprender em qualquer contexto, mesmo quando tem outras pessoas, mas para algumas crianças é difícil começar a aprender em ambientes assim.
E alguns tipos de desconfortos também podem afetar, como uma iluminação muito forte ou muito fraca, temperatura muito alta ou muito baixa do ambiente. Tem um aspecto importante no ensino de discriminações condicionais que é o viés de posição. Eu dei o exemplo aqui colocando cartões sobre a mesa, mas se os meus cartões ficam sempre na mesma posição, um cliente pode aprender a fazer a escolha correta, apontar a figura correta por causa da posição que a figura está na mesa e não por causa da figura que está no cartão.
Então viés de posição é algo muito importante e isso é evitado, quando eu randomizo as posições dos estímulos. Eu altero as posições dos estímulos de modo que a posição não tenha nenhuma função ou significado especial. O que é importante, é que a criança precisa discriminar o conteúdo do cartão, a imagem que está no cartão pode ser uma imagem, uma palavra, mas o conteúdo do cartão.
Em um ensino assim, o ritmo do aplicador também pode afetar as tarefas de MTS. É muito importante apresentar as tentativas em um ritmo acelerado ou um ritmo constante, mas dando tempo para a criança tentar responder. Eu só não devo dar pausas muito longas entre uma tentativa de ensino e outra.
O nível de dificuldade da tarefa deve ser apropriado para aquele cliente. Uma tarefa muito difícil pode desmotivar o cliente e produzir um desempenho ruim. Então eu tenho que ter um procedimento que seja como um todo consistente, e que não vá reforçar uma resposta incorreta, porque isso poderá produzir efeitos no aprendizado, atrasar o aprendizado do meu cliente.
Então essa foi a discriminação condicional e o procedimento de emparelhamento com o modelo que nós também chamamos de MATCH TO SAMPLE ou MTS.