[Música] Nós falamos sobre uma verdade que é inegociável e às vezes pode parecer um pouco contraditório do que eu vou te explicar agora, porque quando o seu cliente chega, ele chega com muitas dores. Se não houvesse dores, dificuldades, problemas, talvez ele não tivesse te procurando. E quando a pessoa ela tá dolorida, ela precisa ser percebida.
Ela precisa ser vista, ela precisa ser ouvida. Geralmente a pessoa tem uma necessidade profunda de ser tocada. Quando eu te digo tocada, não necessariamente tocada fisicamente, porque o toque físico é um ponto que a gente precisa prestar atenção, mas ela precisa ser tocada nas suas emoções, nos seus sentimentos.
Tudo aquilo que ela vive de desconforto lá fora, ela quer que seja suprido durante o atendimento. Então, se lá fora as pessoas não me ouvem, eu espero aqui que o profissional que tá me atendendo me escute. Se lá fora as pessoas não concordam comigo do jeito que eu sou, é claro que aqui a coisa que eu mais desejo é que o profissional que está me atendendo concorde comigo exatamente do jeito que eu sou.
Se lá fora eu tenho dificuldade de me expressar e a minha comunicação ela não é adequada, aqui eu espero que o profissional que se dispôs a me ajudar não me julgue por aquilo que eu não consigo. Não me não se afaste em função da minha agressividade. Não se irrite com a minha lentidão.
Não se apavore com a minha ansiedade, compreende? Então o cliente chega e lá no fundo, bem lá no fundo, naquele lugarzinho que ele não visitou, né, mas que está atuando naquilo que ele não vai te dizer, nas palavras que ele não vai eh liberar para que você compreenda as necessidades dele. No fundo, ele quer se sentir acolhido por você.
E acolhimento é uma atenção plena, um escutar atento, um toque na alma com palavras ou ou expressões, né? um acolhimento legítimo de tudo que ele traz, do que é perfeito e principalmente do que é imperfeito. Sabe, eu não sei como uma pessoa pode acolher o imperfeito do outro quando ela não acolheu em si a sua própria imperfeição.
Eu quero te dizer que um dos erros mais graves que eu cometi na minha vida foi passar um período muito grande da minha vida profissional, buscando os meus erros, tentando enxergar as minhas falhas, investigando o meu inconsciente para descobrir a minha podridão, como se eu vou chegar lá e vou consertar tudo que tá errado e aí vai dar certo. Mas um dos maiores avanços que eu tive foi ao perceber os pontos positivos e as minhas qualidades, os meus pontos de força. E a partir do momento que eu comecei a me sustentar naquilo que eu tinha de recurso e parar de ficar procurando, escavando e obsecada pelos meus problemas, foi quando eu me fortaleci e desenvolvi o melhor do meu potencial.
O que que eu estou deixando claro para você? Sim, o seu cliente chega aqui, nós precisamos identificar as dores dele. Mas nós não temos que ser caçadores de defeito.
Nós precisamos localizar os traumas e bloqueios que precisam ser curados, mas os traumas e bloqueios que ele vivenciou não torna ele um ser humano incompetente. Então você precisa encontrar dentro de você a sua força, os seus recursos, a sua competência. Você precisa acolher isso em você.
Você precisa concordar com a sua imperfeição. Você precisa reconhecer a sua imperfeição para conseguir suportar o seu cliente exatamente do jeito que ele é, exatamente com tudo que ele traz. Exatamente.
Inclusive quando ele não quiser mudar. Você não pode querer mais a cura do seu cliente do que ele mesmo quer. Você não pode desejar mais o resultado do seu cliente, mais do que ele mesmo quer.
Mirela, o que que você quer me dizer? Você diz que eu tenho que entregar a verdade. Sim, a verdade ela se revela.
A verdade ela se revela quando você aplica uma técnica de acesso de fato ao inconsciente, ela surge. A sua tarefa é só não desfazer isso. A sua tarefa é só não minimizar isso.
Compreende? Mas você não pode confundir franqueza com sinceridade. Muitos terapeutas eles falam que, ah, mas eu fui franco.
A franqueza ela envolve crueldade, sabe? É aquela informação que você entrega de uma maneira cruel. Seu cliente não precisa de franqueza, ele precisa de sinceridade.
E tudo isso que eu tô falando aqui, eh, eu sei que deve tá mexendo com você, porque eu falo de verdade, mas eu também falo de acolhimento. Às vezes o cliente não vai se sentir acolhido quando eu estou dizendo a verdade. E aí é que que você se engana.
Porque quando você fala o que precisa ser dito com amorosidade e firmeza é amorosidade. Não pense você que negar uma informação e deixar de entregá-la é amorosidade. Amorosidade é quem cuida.
E se no cuidado que você precisa ter com o cliente, você vai falar para ele o que ninguém falou até hoje, ninguém tá disposto a falar e é por isso que ele tá perdendo, ele pode até se sentir desconfortável, mas ele vai perceber o seu mamor mais cedo ou mais tarde. Ele vai acordar e entender assim, é, de fato, ela foi a única que falou isso para mim até hoje. Compreende?
Então, nós precisamos compreender claramente a dose, a medida daquilo que você entrega. Você não entrega pro seu cliente as informações que estão no inconsciente dele. Se tem uma dor profunda, você identificou a razão disso, tá lá no inconsciente, guardadinho.
Ao invés de você preparar o seu cliente para ele mergulhar, ele enxergar, você vai lá e fala, ele vai resistir e ele vai te criticar e vai aumentar totalmente a proteção que ele cria em torno dele para não enxergar o que precisa ser visto. Então, nós entregamos a verdade, mas não é dizendo no consciente dele aquilo que está no inconsciente. A gente entrega a verdade numa postura séria de quem não nega a realidade, numa postura comprometida com o resultado que vem do inconsciente.
Então, se você sabe que o que ele precisa tá no inconsciente dele, você vai usar os recursos técnicos que você está aprendendo aqui para que essa verdade venha. Então, tá lá no escuro, a verdade vem pra luz. Que que o cliente vai fazer?
Se ele tá na escuridão, a luz chegou, ele vai falar: "Oba, luz, já falei isso para você". Não, ele vai tentar fechar os olhos. Qual é a sua tarefa para que ele não negue a verdade?
você vai se manter de olhos abertos e vai dizer para ele: "Abra os olhos". É isso mesmo. É o que você está enxergando.
É isso mesmo que você vai enfrentar agora. É exatamente estato que a gente vai mudar. E eu tô aqui para fazer isso com você.
Quando ao invés de você fazer isso, você diz para ele: "Não, não é bem assim não, mas espera aí. Você tá deixando o seu cliente alejado, você tá favorecendo para que o seu cliente ele siga menos fortalecido e naturalmente você também vai entrar no mesmo movimento. Então, para concluir, eu quero que você compreenda que a amorosidade é entregar pro seu cliente o que ele precisa.
confiar que ele suporta, se tornar uma pessoa melhor e mais saudável todos os dias para fazer isso com compaixão, que o seu cliente chegou porque ele precisa de amor, de acolhimento, de atenção. E nada disso tem a ver com paparico, com omissão, com negligência. Eu quero te ajudar a perceber que a maior amorosidade que você pode entregar pro seu cliente é ajudar ele a ver o que ninguém teve coragem de ajudar.
É entregar para ele aquilo que ninguém teve coragem de entregar. Você já observou que às vezes tem uma pessoa que ela tem muita dificuldade de ouvir, muita. Isso é muito comum nos dias de hoje, onde as pessoas têm muito estímulos e etc.
A pessoa tem muita dificuldade de ouvir, fala demais. Aí você olha para aquela pessoa, a mulher dele não fala isso para ele, a mãe dele não fala isso para ele, os irmãos não falam isso para ele, os subordinados não falam isso para ele. Ele vive no engano.
Ele vive no engano. Aí imagina se ele vai pra terapia e tá lá falando, falando, falando, desabafando com você, falando, atrapalhando o processo terapêutico dele, tá te pagando caro por um resultado que ele precisa. Tá perdendo casamento, tá perdendo negócio, tá perdendo não sei o quê.
E ao invés de você colocar um limite nele durante a sessão, você deixa ele falar igual a todo mundo. E aí você se desconecta dele como todo mundo faz. Não, você precisa ser capaz de dizer: "Olha, fulano, olha, Beltrana, eu sei que você tem uma necessidade de conversar, você tem uma necessidade grande de dizer o que está acontecendo, mas talvez seja isso que esteja atrapalhando verdadeiramente a sua vida.
Porque quando você fala desse tanto, as pessoas se desconectam de você, as pessoas se distanciam de você e você não percebe porque você tá tão envolvido nos seus pensamentos e na sua fala que você vai falando, falando, falando e quem está na sua frente você não enxerga. Eu sou uma profissional, eu sou habilitada para passar por isso e eu preciso te mostrar, porque se eu não te mostrar isso, quem vai te mostrar? Mas eu quero que você perceba isso lá fora, porque talvez você esteja sendo inconveniente e você não está percebendo.
Compreende? Se não for você que essa pessoa contratou para resolver as dificuldades dela, quem vai ser? Mas você pode dizer isso com amorosidade.
Então você pode completar e eu estou aqui para te ajudar. É difícil dizer isso para você, mas é necessário. Vamos combinar de você se observar melhor durante essa semana.
Vamos combinar de você fazer um exercício. Talvez você possa perguntar para algumas pessoas como elas se sentem com a forma que você se comunica. Vai doer, vai ser difícil.
Eu sei que não é fácil estar ouvindo isso de mim agora, mas nós vamos conseguir. Nós vamos separar isso juntos. Compreendeu?
Então eu vou trazendo alguns exemplos aqui e eu espero verdadeiramente que esses exemplos sirvam para que você se lembre quando você tiver lá no seu consultório, né, decidindo eu falo ou não, eu ponho o limite ou não. E aí nós vamos falar sobre limites, OK? Você vai se lembrar de mim.
O limite é necessário e ele também é amor.