Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos, com alegria celebramos a solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, e o Evangelho que já há muito tempo nós proclamamos para esta solenidade é o das bodas de Caná.
Claro, porque, afinal, a história de Nossa Senhora Aparecida está muito unida a essa realidade do povo que reza, do povo que pede à Virgem, que, através de sua pequena imagem, intercede por nós e nos dá as graças de Deus. Agora, de forma bem concreta, como nós podemos viver este Evangelho? Em primeiríssimo lugar, uma coisa que todos notam, aquilo que a Virgem Maria diz no Evangelho aos criados, aos servos, na hora em que faltou vinho e estavam todos passando necessidade.
É o apontar para Jesus e dizer: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. A primeira coisa é o ato de fé, é ouvir Jesus, é ouvir a palavra de Nosso Senhor e verdadeiramente acolhê-la com fé para obedecer. É isto que, em primeiríssimo lugar, é a oração.
Quando nós vamos rezar, podemos e devemos pedir coisas a Deus; mas, sobretudo, quando nós vamos rezar, a primeira coisa que nós precisamos fazer é estar dispostos a ouvir Deus: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Ele, que é meu amigo, sabe de que eu mais preciso, e eu preciso estar em atitude de escuta, de realizar a palavra de Deus. Porque é nisso que a Virgem Santíssima é o nosso exemplo luminoso.
Ela disse ao anjo: “Faça-se em mim conforme a tua palavra”. Que coisa fantástica! “Fiat mihi”, “Faça-se em mim”, quer dizer, que a palavra de Deus me mude, que a palavra de Deus me transforme.
Então, nós precisamos ter uma vida de oração, imitando a Virgem Maria, isto é, vida de oração de quem está disposto a ouvir o que Jesus diz e fazer em nós, sobretudo, aquilo que Jesus quer que nós façamos. Essa transformação interior, o “Fiat mihi”, “Faça-se em mim”, “Fazei tudo o que Ele vos disser”, quer dizer: estejamos dispostos a mudar, e a mudar mesmo que isso comporte um trabalho que não entendemos. Confiemos em Deus!
Imaginemos e nos coloquemos no lugar daqueles criados que começaram, de repente, a encher aquelas talhas com água. Jesus disse: “Enchei as talhas com água”. Ora, não se enchem talhas assim; mas, de repente… Aquilo levou alguns minutos, comportou algum trabalho, pois, lembremos, não havia água encanada.
Como se enchiam talhas? Era necessário talvez, com um balde, pegá-la no poço e ir enchendo aquelas talhas trabalhosamente. Os criados obedeceram a Jesus na fé, sem saber qual seria o resultado daquilo.
Eles foram aceitando aquele trabalho. Nós também. Para nós sermos fiéis à nossa vocação, vocação de brasileiros, filhos de Nossa Senhora Aparecida, precisamos estar dispostos a ouvir a Palavra de Deus e mudar por dentro, mesmo que isso seja muito trabalhoso, mesmo que você olhe para si e diga: “Eu não entendo por que Deus está fazendo isso comigo.
Eu não entendo por que Deus está pedindo esses trabalhos, esse ‘parto’ em mim. Não entendo por que Deus, toda vez que vou rezar, me pede que eu mude alguma coisa, que eu seja diferente, que eu acolha a sua Palavra…”. Mas Ele é Deus bondoso, Ele nos ama, e o maior sinal de que Ele nos ama é que, para nós não nos assustarmos, Ele nos deu uma Mãe bendita, uma Mãe bondosa, e nós podemos nos jogar nos braços dela, dizendo: “Mãe, eu confio em vós.
Se vós dizeis que eu devo fazer isso, eu vou ouvir, eu vou obedecer”. Vamos lá, então! Sejamos fiéis à nossa vocação.
Peçamos à Virgem Santíssima Aparecida, nossa Padroeira, a graça de o nosso país mudar, sim; mas o país só irá mudar quando nós mudarmos, quando nós estivermos dispostos a nos colocar diante da Palavra de Deus e dizer: “Faça-se em mim conforme a tua palavra”. Eis aí. Que a Virgem interceda por nós e nos dê a graça de mudar, e mudar cada vez mais, até nos configurarmos ao seu Filho, Jesus.
Isso será o vinho novo, o vinho que brota para nos dar a força do amor e a realização da nossa vocação. Deus abençoe você. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Amém.