meu nome é Carlos José Ferreira Guimarães eu tô com 60 anos e esse relato eu tive com 18 anos de idade eh eu moro num local que é basicamente uma província eh um distrito de eh do Estado do Rio de Janeiro que chama Niterói e na década de 80 haviam muito assim quase nenhuma motocicleta na na cidade então todos se conheciam e eu eu tinha essa moto e não podia levar a minha namorada pois a a mãe dela não deixava então nessa noite que aconteceu o acidente eu havia saído de carro e aí fiquei a
gente saiu e tal a gente namorou e tal e eu quando deixei ela em casa eu voltei para minha casa tava uma Lua cheia linda uma noite assim maravilhosa e aí eu olhei pra moto debaixo da capa era uma capa preta aí quando eu levantei assim aí eu sabe ela tava linda toda brilhosa era uma RD 350 preta linda linda coisa eu não aguentei peguei a chave tava na ignição eui quando eu liguei ela vou dar uma uma volta né E aí eu saí de casa fui até a praia e na volta eu comecei a
a sentir eu acelerei muito a moto numa reta E aí eu tive uma impressão de que eu havia saído da sincronia do tempo que eu deveria estar essa sincronia de tempo é como se fosse assim É como se eu tivesse eh passado por um uma outra dimensão eu não sei te explicar direito o que que é eu sei que aquilo me assustou e eu reduzir a velocidade da moto no que eu reduzi eu terminei de fazer a curva e veio uma reta E aí vinha um carro no sentido oposto esse carro tinha só um farol
aceso o outro tava queimado na época eram carros antigos eram eu lembro ainda consegui ver a marca dele era um doginho 1800 e tava cheio de gente dentro do carro naquela época não se usava is filme eu não imaginaria que ele faria daria um 360 na minha frente né eu tava uns 60 km/h eu batia acelerando porque eu não imaginei que o carro fosse entrar na na frente do do carro aqui eu tenho a cicatriz que é para que eu nunca mais esqueça eu tive uma fratura exposta esse braço aqui entrou pelo vidro lateral do
carro e eu dei um rolamento por cima do teto do carro agora no momento em que isto aconteceu foi no momento em que a coisa se dividiu o meu corpo rolou e foi parar atrás de uma árvore mas eu estava diante do carro e aí eu entrei num processo de confusão minha cabeça tava muito confusa e eu não sabia o que que tava acontecendo o carro saiu cantando pneu ele abandonou o local do acidente e aí eu olhei para baixo eu via a moto e eu tentava pegar a moto mas era como se a moto
fosse ficando distante distante e meu braço Eu tentava pegar a moto e eu não consegui não conseguia sentir a moto mas eu tinha a impressão que a minha mão passava pela moto e aí na árvore tinha uma árvore na frente eu vi alguém caído atrás da árvore E aí eu achei eu na hora eu fiquei assim pensando P Será que eu que tinha alguém na na garupa da minha moto falei não será que eu atropelei alguém sabe era uma confusão muito grande e aí de repente eu tava tentando ir até aquela pessoa mas eu não
conseguia sair do lugar eu eu tentava caminhar mas eu não saí do lugar aí aquele foi me dando aquele desespero aquela angústia E aí eu comecei a fazer assim assim e aí eu comecei a andar E aí quando eu vi eu tava mas eu não tava andando eu tava Como se eu tivesse me arr and pelo chão e aí quando eu vi aquela pessoa eu olhei assim e falei poxa igual a roupa que eu tava usando no que eu vi eu notei que era eu aquilo foi um choque muito grande aí eu olhei ainda Olhei
eu lembro de todos os detalhes porque é É como se você tivesse vivo é não é uma sensação você se vê e você sabe que que não tá ali é é muito confuso e o carro correndo arrancando se distanciando aí eu olhei para um lado Olhei pro outro não tinha ninguém naquele momento Ali era mais ou menos uma meite E aí de repente do nada era como se eu tivesse levado um tope e caí por cima de mim mesmo e aí nesse momento eu comecei a acordar mas eu sentia uma pressão muito forte na cabeça
eu não tava enxergando direito e não ouvia direito era era como se era como se é uma sensação muito estranha e aí eu comecei a me mexer tentei levantar mas eu não tinha força fui me ai E aí eu aos poucos eu fui levantando mas eu fui notando que tinha muito sangue caindo no chão eu olhava pro chão assim era muito sangue minha eu tava com uma blusa branca e uma calça azul era era uma calça de malha azul e a a camisa tava toda vermelha de sangue e aí eu comecei a ver sangue porque
isso tudo meu aqui ó aqui embaixo tudo isso aqui cortou por causa do vidro do carro que veio na minha cara minha cara inteira estava todo cortado meus dedos são todos eles ó são toda eu tenho tudo cortou cicatrizes ó em todos os os dedos tudo eu eu tava totalmente arrebentado ali só que dessa vez eu fui em direção à moto e abaixei para pegar a moto o meu braço direito pegou no banco traseiro mas o meu braço esquerdo não mexia eu tentava mexer e eu não conseguia mexer e aí eu fui tentando levantar a
moto porque eu queria atrás do cara porque que ele tinha fugido do acidente e aí eu eu vi o sangue caía em cima da moto mas com muita muita quantidade de sangue espirrava sangue assim pelo pescoço pela a minha mão aí quando fiz assim que levantei minha mão minha mão caiu para trás ficou só o osso para fora e o sangue espirrando aí é que eu comecei a entender o que que tinha acontecido aí eu peguei o braço Estiquei botei o osso para dentro apoiei ele aqui e fui em direção à árvore E aí foi
que começou a sequência outra vez eu eu lembro que eu encostei a cabeça na árvore assim de repente eu tava no meio da rua esperando alguém passar e aí eu olhava para mim na árvore eu tava apagado mas aí eu já tava consciente do que tava acontecendo a única coisa que passava na minha cabeça era assim meu Deus do céu o que que eu fiz comigo eu me ferrei E eu acabei com a oportunidade que eu tinha bom E aí eu orava orava para Deus para Jesus e aí eu voltava pro corpo e aí eu
sentia começava a sentir a dor e a dor era tão violenta e eu saía de novo e aí eu comecei a notar que tinham pessoas no meio da rua parada atrás do dos postes orando aquilo mas ninguém fazia nada e aí eu quando voltava para mim eu não via mais essas pessoas E aí eu gritava de dor gritava de dor só de lembrar eu enfim depois de 2 horas eu já não tinha mais força nenhuma eu desisti e aí foi quando eu saí mesmo e aí eu comecei a flutuar flutuar flutuar E aí eu eu
me olhava el cara de moto chegando que era um conhecido meu e quando ele me viu ele tentou me pegar botar na garupa dele mas eu eu tava desacordado eu não tinha como segurar ali e aí ele parou um cara que vinha na rua me colocou D no carro e me levou mas eu via isso acontecer do alto e aí a única coisa que eu Fazia era orar orar orar mas eu não via eu não via nenhuma luz eu não via nenhum espírito eu tava preso ali e e o carro quando começou a sair era
como se me rebass junto com o carro e aquela elasticidade a eu fui e voltei Eu quando vi quando eu abri o olho assim eu tava dentro do carro e aí eu fui pro hospital foram várias cirurgias acho que foi foi quando eu mais sofri na minha vida de dor é a pior dor que tem é a dor do osso pegando vento é horrível e eu era um cara muito rebelde naquela época eu tinha 18 anos eu era muito rebelde aquilo foi um divisor de águas aquilo mudou minha forma de ser de agir Aquilo me
fez me apegar mais a espiritualidade porque eu comecei eu vivi algo foi uma experiência empírica que eu não conheci ninguém nessa vida que tivesse tido uma experiência parecida comigo eu eu tento explicar eu tento falar com as pessoas tento mas eu realmente eu não eu acho que eu não não consigo fazer as pessoas imaginarem como foi aquilo aquilo durou mais de 2 horas foram Du horas de de desespero de E aí o que eu tiro dessa dessa história toda não adianta a gente ser jovem querer viver e e achar que a morte não chega que
nós somos super heróis e só a idade é que a madurece a gente e daí em diante eu passei a acreditar no no milagres de de Deus de Jesus porque realmente ele ele colocou a mão cima de mim a O médico disse que eu que eu havia perdido dois ter do sangue que eu tinha no meu corpo eu levei eu tive fazer muitas transfusões de sangue até eu operasse de novo ir no hospital Voltasse a ter Voltasse a a respirar eu me lembro o tempo inteiro só disso de eu sair me ver ver ver as
pessoas mas ninguém falava comigo ninguém olhava para mim e ali naquela enfermaria que era Hospital Público eu tinha a impressão que só uma uma pessoa que tava me vendo ali ele era um é era um um morador de rua que tava ali deitado na na maca e ele parecia tá me vendo porque ele falava com as pessoas apontando para mim mas eu tava deitado do lado [Música] dele bom essa é a história que eu tenho para contar nesse aqui ela é curta eu tentei sintetizar o máximo possível e eu que eu posso deixar para para
quem assistir aqui nunca desistem nunca desistam da vida a vida é a coisa mais preciosa que nós temos e se V