E aí galera que curte engenharia clínica, hoje continuando o nosso programa "Engenharia Clínica em Dez Minutos" que pretende cobrir todo o corpo de conhecimentos dos profissionais de engenharia clínica com uma ênfase no Brasil lembrando que a nossa profissão é uma profissão mundial então é importante estarmos alinhados com as melhores práticas de engenharia clínica não só aqui no Brasil, mas ter um olhar para fora também. Então começando aqui nós vamos falar hoje sobre as radiações, as radiações ionizantes e não ionizantes e esse é um diagrama do espectro das radiações que a gente estudou no colégio, então é importante a gente fazer uma revisão para ter mais pertinência para abordar esse assunto e conversar com outros profissionais. Então nós estamos na parte 5 do nosso programa que é o Gerenciamento de Riscos e hoje a questão da segurança com as radiações.
Antes de continuar, vamos fazer uma revisão da aula anterior que foi a questão do gerenciamento de riscos e os aspectos legais. É um mercado regulado, a gente tem muitas leis que afetam o serviço de saúde e os profissionais de engenharia podem contribuir bastante com isso. Nós falamos das responsabilidades técnicas e das responsabilidades administrativas e é importante entender isso.
Existe uma responsabilidade administrativa associada com o trabalho de engenharia clínica e a gente precisa conhecer e saber como atuar nessas condições. Por que os profissionais de engenharia clínica são um recurso valioso não só para os hospitais, para a administração como também para os pacientes e falamos também de como os profissionais de engenharia clínica podem se relacionar com outros profissionais dentro do hospital. Por exemplo, os profissionais da CIPA, da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho, do Núcleo de Segurança do Paciente, Qualidade, enfim, procurando dentro da sua organização você vai encontrar como contribuir nas questões de gerenciamento de risco.
E também demos um o trabalho maior nas atividades periciais quer seja atuando por uma parte, por outra ou pelo juiz. É uma área de atuação que os profissionais de engenharia clínica podem contribuir e hoje nós vamos falar um pouquinho sobre a segurança contra as radiações. Então vamos falar rapidamente o que é uma radiação, o que é radiação ionizante, não ionizante, Os principais equipamentos que empregam radiações ionizantes e as principais fontes de radiações não ionizantes e, por fim, como que o profissional de engenharia clínica pode se inteirar e interagir nesse quesito de radiações.
Então primeiramente, uma radiação é uma onda eletromagnética porque ela é composta por um campo elétrico e um campo magnético, lembrando que esses dois campos são representados por um vetor e lembrando mais uma vez que o produto vetorial de dois vetores vai dar um outro vetor que é perpendicular ao plano formado pelos dois primeiros. Lembrar essa questão da matemática vetorial acaba ajudando quando você vai mergulhar e estudar mais profundamente a reconstrução da imagem. Então é isso aí, existem vários tipos de radiações e antes de avançar, vamos lembrar o que é ionização e porque que a radiação é chamada de ionizante.
Para lembrarmos disso, vamos passar pelos modelos atômicos. Começou lá com Dalton, passou por Thomson, passou pelo modelo de Rutherford e hoje o que está valendo são os postulados de Niels Bohr. O que que ele coloca?
Ele coloca que os elétrons orbitam em torno do núcleo em níveis de energia constante. Então, por exemplo, se vocês se lembrarem das camadas K, L, M, N enfim, são os locais, as órbitas onde os elétrons estão girando ao redor do núcleo e ali eles têm um nível de energia estável. Então, se uma substância, um átomo perde elétron, por exemplo, ele fica é carregado positivamente.
Então a gente diz que formou-se um íon. Por isso que existem algumas radiações que conseguem ionizar a matéria e outras radiações que não provocam esse tipo de efeito. O que é a radiação não ionizante?
São aquelas características de onda eletromagnética, mas que não ionizam a matéria. Então a gente pode observar aqui nesse gráfico que a partir do ultravioleta para esse lado você tem, por exemplo, o infravermelho, o microondas, as ondas de rádio até as ondas eletromagnéticas geradas pelas correntes elétricas nas torres de alta tensão. Então todo esse espectro de radiações a gente tem que conhecer dentro do hospital, onde elas estão, quais são as fontes de risco, avaliar a magnitude desse risco e propor as medidas de controle.
Antes de avançar, recomendamos aqui fortemente que vocês conheçam as diretrizes básicas de radioproteção que foram editadas pelos CNEN, que é a Comissão Nacional de Energia Nuclear, está na descrição link para você estudar e entender como que a gente pode ajudar ou se especializar nessa área de radioproteção. São várias unidades de medida que pretendem definir o que é uma dose e todas elas acabam relacionando a quantidade de energia absorvida pela matéria por unidade de massa dessa matéria. Então em termos práticos a unidade é joule por quilograma ou sievert, um joule por quilograma é um sievert.
Vamos lembrar o que é energia e potência. Então energia é a capacidade de realizar trabalho e potência é a velocidade com que esse trabalho é realizado. Lembrando que trabalho é força vezes distância.
Portanto, massa vezes aceleração vezes distância. A massa em quilograma, aceleração em metro por segundo ao quadrado. Esse pacotinho quilograma vezes metro por segundo ao quadrado em homenagem a Isaac Newton foi dado o nome de newton.
E Newton vezes metro em homenagem ao Joule, recebeu o nome de Joule. Então Joule é energia. Joule por segundo é Watt.
É importante se atentar para a questão da potência porque algumas avaliações são feitas em função da potência por unidade de área que chega no corpo. Watt por centímetro quadrado, vocês vão encontrar isso em várias aplicações médicas. Seguindo adiante, as principais fontes de radiação ionizante no hospital são os aparelhos de Raio-X, tanto fixo quanto móvel, lembrando que esses riscos são comuns aos trabalhadores, aos visitantes, aos acompanhantes e ao paciente.
Por isso exige uma interação da equipe de segurança do trabalho com o pessoal da engenharia clínica e os profissionais, os físicos médicos que hoje estão ocupando esse lugar no mercado. A gente vai falar um pouquinho mais na frente. A fluoroscopia, que é a imagem gerada por Raio-X em tempo real, a gente usa isso, existem aparelhos de Raio-X que fazem fluoroscopia.
O Arco Cirúrgico é um outro tipo de equipamento que trabalha nessa linha. O angiógrafo, que é um arco cirúrgico aumentado para fazer radiologia intervencionista, chamado de angiógrafo ou aparelho de hemodinâmica. O Tomógrafo Computadorizado que nada mais é que um Raio-X, utiliza radiação X também para a produção de imagens.
Tem um conjunto de radioisótopos que são elementos que tem uma atividade em termos de radiações importante que é utilizada para o diagnóstico o para a terapia. Por exemplo, a medicina nuclear onde a substância injetada no corpo humano e essa substância, dependendo dela, vai se alojar em partes do corpo humano onde a gente tem interesse em estudar. Os Radioimunoensaios são técnicas para detecção e quantificação de algumas substâncias, hormônios, por exemplo, células tumorais que você consegue medir a quantidade disso a partir da marcação dessa substância que a gente quer analisar.
A Braquiterapia, que é um procedimento terapêutico, você praticamente insere dentro do corpo humano o radioisótopo com a finalidade de interagir com células cancerígenas e fazer o procedimento terapêutico. Um outro muito conhecido em oncologia, o Acelerador Linear, que tem objetivo realmente de atingir células cancerígenas e produzir assim uma terapia que pode levar o paciente a se recuperar totalmente. E em radiação não ionizante a gente tem um grupo grande também, por exemplo, vermelho e infravermelho a gente usa no oxímetro de pulso.
A quantidade de vermelho e infravermelho que é absorvido pelo corpo humano, a gente consegue fazer uma correlação com a quantidade de hemoglobina ligada ao oxigênio e, portanto, informar ao profissional de assistência a saturação do paciente. A gente usa o infravermelho também para medir distâncias, existem réguas, trenas a laser. Nós temos aqui no próprio mouse o infravermelho, a gente usa o infravermelho para posicionamento do paciente, a gente vê isso no gantry de tomógrafo, no gantry de ressonância, na sala de radioterapia.
Então nós precisamos conhecer o comprimento de onda e os riscos envolvidos com essa radiação naquele comprimento de onda. O laser também é um outro exemplo que é usado em procedimentos cirúrgicos, tem uma série de aplicações, mas uma que me ocorre aqui agora é a função de cortar o tecido. O ultravioleta também é famoso, a gente usa em capela de fluxo laminar ou fluxo unidirecional em laboratório.
É importante entender que a potência da radiação ultravioleta decai ao longo do tempo dependendo da fonte que você está usando, então é importante medir, não é porque acende que tenha eficácia nessa questão de atuação como um biocida, certo? Em laboratório de análises clínicas também é utilizado essa capela, ela pode estar em laboratórios. Ele é indicada também como uma medida de controle no caso de tuberculose, utilizando pra ambientes que não tem o ser humano, existem algumas limitações, mas ela está presente aí no dia a dia em várias situações no ambiente hospitalar.
Um outro exemplo do Azul, que é usado para hiperbilirrubinemia, são os aparelhos de fototerapia, que são usados em neonatologia. A função dela é quebrar a bilirrubina e torná-la absorvível pelo corpo humano e daí eliminada. É utilizado naqueles tratamentos de icterícia.
O que mais que a gente tem? Temos também as ondas de rádio, WiFi, o próprio campo eletromagnético estático que é criado na ressonância nuclear magnética, é uma radiação não ionizante. No caso aqui a gente tem um outro risco, na realidade devido ao magnetismo criado pela corrente elétrica, mas de atrair materiais ferromagnéticos.
Ondas curtas e microondas são utilizadas para elevar a temperatura do tecido do corpo humano para fazer alguns tipos de terapia. Isso é muito comum nos serviços de fisioterapia dos hospitais. E o que mais que a gente tem aqui e separou na listinha?
O que nós podemos fazer para ajudar essa turma, os pacientes, os trabalhadores. Primeiro, eu recomendo muito que se faça uma aproximação entre CIPA e SESMT. Eles estão preocupados com a segurança e a saúde ocupacional.
Então identificar, ajudar contribuir a identificar, reconhecer, avaliar e propor medidas de controle desses riscos é um passo muito importante, uma vez que os profissionais de engenharia clínica estão muito mais próximos dos equipamentos médico- assistenciais do que os profissionais da da CIPA e do SESMT. Atuar em conjunto com os físicos médicos,. Isso já é uma realidade.
Depois que tivemos aquele acidente em Goiânia, muito emblemático. O país se organizou em torno desse problema e hoje já é uma realidade os físicos médicos dentro dos hospitais, dependendo do porte do hospital, do tipo de trabalho que ele faz, a gente tem físicos médicos dentro do hospital que cuidam não somente dos equipamentos novos, antes de liberar para o uso, como também os equipamentos que estão em uso, garantindo a proteção radiológica e principalmente a qualidade da imagem. A imagem que é oferecida para o profissional da assistência tem que estar bem definida para evitar erro de diagnóstico, por exemplo.
E há a possibilidade até de profissionais técnicos ou de nível superior ou de nível médio se especializarem nessa área de proteção radiológica e aí eu recomendo novamente a leitura CNEN-NE-3. 02, onde você vai ter uma panorâmica importante, geral, sobre esse tema. Eu queria aproveitar e recomendar aqui pra vocês um canal muito legal que uma física, uma colega nossa, a Ana Cláudia, que tem um canal no YouTube, a Academia de Radiologia para quem quiser mergulhar e se aprofundar, ali tem uma série de vídeos que vocês poderão se esbaldar e melhorar o vocabulário, equalizar o vocabulário para conversar com os diferentes profissionais que atuam nessa área.
No mais, estamos aqui na Escola de Engenharia Clínica no YouTube, falamos sobre as radiações e o papel dos profissionais da engenharia clínica e no próximo episódio dentro do gerenciamento de riscos, nós vamos falar sobre os testes em gases medicinais. Vamos abordar um pouco esse tema que é importante não só do ponto de vista econômico, mas do ponto de vista de segurança. É isso aí e no mais, muito obrigado pelo seu tempo!