Quando você olha pra sua câmera de selfie, você olha para alguém e você assume que esse reflexo é você. Mas será que é você mesmo que olha de volta pra câmera? A lente distorcida, o jeito de falar, a voz, as expressões, os filtros, os ângulos? Quanto mais a gente se registra e jorra os nossos dados para dentro do telefone, mais insumo ele tem para reconstruir a gente do outro lado da tela. O que a gente tem na nossa mão Hoje é quase uma prótese, uma extensão do nosso corpo que concede a gente um recorrente e
eterno reflexo distorcido de nós mesmos. Mas não é exatamente um reflexo também, porque a gente não consegue se olhar no olho. Essa identidade virtual não é a gente. Uma reconstrução da gente a partir dos nossos dados. Uma coisa não viva que simula do outro lado da tela uma coisa viva. É alguém terrivelmente parecido com você, mas que não é você. Então, hoje eu queria conversar um pouco ou bastante sobre a nossa identidade virtual, porque para mim, para muita gente [ __ ] que eu ando escutando, lendo, conversando e pesquisando, ela não é só uma persona,
um avatar, uma representação digital da gente, ela é uma outra coisa com uma vida própria, um duplo, um dopple ganger. >> [música] [música] [música] >> Anita is the superhero. Larissa human being. [música] Época de ouro [música] que o couro comia. O filho chorava e a mãe não via. Dople Ganger é um termo alemão que representa um conceito antiquíssimo e representado em várias culturas diferentes, muitas vezes inclusive em contextos fantasmagóricos, a ideia de uma contraparte sobrenatural que Assombra em vida o real, o seu original. É um prenúncio de uma sorte, é um gêmeo maligno, é uma
sombra. O termo tem infinitos desdobramentos culturais, mas eu queria conectar aqui essa ideia da contraparte que nos assombra ao duplo virtual, ao nosso duplo virtual de cada um de nós e também de ver esse duplo, enxergar esse duplo como mau a gouro. A nossa relação com o telefone, com a selfie, com as redes sociais, afinal deixou todo mundo Miserável. Esse duplo, esse outro eu, não é uma cópia exata da gente, não é um clone, até porque faltaria muito do material genético de quem a gente é para isso. Nem todos os aspectos da nossa humanidade, obviamente,
podem ser digitalizados. Ainda assim, é esse duplo, esse digital, essa nossa cópia, falsa cópia virtual, que tem assumido cada vez mais protagonismo sobre as nossas vidas por cima do físico, sobre o nosso real físico, sobre o nosso eu Real. Então, cada vez mais esse duplo, né, que é raso e limitado, que é um compilado de dados, é mais agente do que nós mesmos. Cada vez mais o virtual precede o físico. O mapa, a representação precede importa mais do que o real, o território. >> Então, uma fissura tá se abrindo na nossa percepção da realidade. E
dessa fissura se inaugura um abismo entre o real e o virtual, uma rachadura que Separa duas existências e subjetividades distintas em uma mesma pessoa. E aí eu queria propor essa conversa a partir da seguinte investigação: a gente está em duplicação. O mundo está em duplicação. Por que que isso vem acontecendo? O que que isso fala sobre o nosso estado do mundo, sobre a gente? E, acima de tudo, como isso afeta a nossa possibilidade de imaginar e sonhar futuros diferentes? A gente ainda sonha? Como sempre, esse vídeo é produto de muita leitura, Escutas, trocas e pesquisas,
o que não significa que ele seja um gabarito e muito menos uma explicação absoluta da realidade, até porque não se aprende e se explica a realidade dessa maneira. Esse é um assunto que não tem certo e errado e é uma especulação em cima desse futuro que a gente já tá vivendo. Então, a ideia aqui é muito cruzar percepções que eu tive, especialmente ao longo do último ano. Esse vídeo começou a ser pensado há muitos e muitos meses atrás. Foi desenvolvido ao longo de muito tempo num trabalho de troca, escuta, coloca para fora, escuta de volta,
muda, amplia o debate, enfim. Então, sem mais delongas, vamos falar sobre a era dos duplos. Assim como qualquer redação do Enem, é impossível não falar sobre globalização. Levou entre 10 a 15 anos para que a forma com a qual a gente experiencia o mundo se transformasse completamente. Toda decada e meia, obviamente, traz Muitas transformações significativas, mas eu acho que os anos 10 de 2010 a 2020 são paradigmáticos em muitos sentidos. where you just go to someone's profile and you could poke the person and like what does that do? Nothing. It sends them a message. It's
like you've been poked, you know, like who cares? You know it's like I thought about it when I was drunk or something like people really like poking each other. >> Até o final dos anos 2000, a internet era um lugar. Você precisava ir até um computador para acessar ela. Você saía do computador e não estava mais nela. O cyberespaço era um aglomerado de sites e lugares, um arquipélago pelo qual a gente navegava livremente de endereços em endereço. Não à toa, a gente chamava interface central da internet de navegador. A gente ativamente ia de um lugar
a outro. O digital, portanto, era um universo que demandava um portal para Ser acessado. Até que em 2007 surgiu o iPhone. [aplausos] E muito rapidamente vem a adoção massiva do smartphone, um objeto completamente novo nos nossos bolsos e que nos permitia não só a conexão eterna como também a documentação da vida. E aí a foto, o autor registro se torna um vocabulário junto às redes sociais que produzem um senso de hiperconectividade e acesso à informação que nenhum ser Humano teve antes na história da humanidade. E aí o que era portal então vira realmente extensão do
nosso corpo, a prótese. Você se imagina assim seu celular? E nesse contexto, inclusive, os smartphones talvez tenham sido os últimos objetos massivos, né, distribuídos em massa, produzidos em massa de design, que apontavam, desenhavam, experimentavam e sonhavam alguma ideia de futuro. E curiosamente é a partir deles que o otimismo com esse Mundo globalizado, de fronteiras cada vez mais reduzidas, começa a ruir junto da nossa noção coletiva de futuro. Mas vamos aos poucos. Se todo mundo tá online, para onde vai esse fluxo massivo, crescente, globalizado e sem precedentes de pessoas de todos os lugares? Para as redes
sociais que rapidamente estouram, chegam a bilhão de usuários e produzem transformações sem precedentes na história da humanidade. >> Manifestantes conseguiram invadir o teto Do Congresso. De lá cantavam o hino nacional e gritavam palavras de ordem. Elas inauguram conversas, debates, eventos, conexões, tensões sociais, socioeconômicas, sociopolíticas, compartilhamento de ideias de forma participativa em uma escala colossal. E o resultado dessa nova, imensa e transformadora praça global só poderia ser um. Uma quantidade quase caricata de revoluções digitais transbordando para dentro do mundo material. Algumas Derrubaram ditadores, outras presidentes. Algumas deram início à guerras civis, algumas, muitas outras, elegeram elegeram
líderes que desafiavam a razão. Isso transformou todos os aspectos das nossas vidas, do micro ao macro, do público ao privado. Com o mundinho na palma da nossa mão, surgiram também dezenas, centenas de serviços gratuitos que se acoplaram às nossas vidas e nos tornaram dependentes deles. YouTube, onde você pode subir vídeos de Graça. O Google Drive, onde você armazena arquivos na nuvem, que é também uma inauguração da nova era digital, né? esse armazenamento infinito, que na verdade são os computadores de outras pessoas, mas isso é para outro vídeo, o iCloud, o Sheets, o Instagram, o TikTok,
Dropbox, o Gmail, o WhatsApp, enfim, junto a essa doação massiva de tantos serviços em pouquíssimo tempo, a gente começou também a assinar sem ver um monte de termos de uso e a se cadastrar E a cadastrar os nossos dados em todo tipo de plataforma, de forma quase automática, especialmente quando as redes sociais permitiram entrar com Facebook, entrar com o Google e tinha muito essa pegadinha, surgiam novos serviços que mudaram avam a dinâmica de vida do mercado de trabalho, mas elas vinham com uma condição que ali parecia muito simples, que a gente cedesse alguns dos nossos
dados pessoais: telefone na mão, novidades constantes, Serviços potencializadores de performance, produtividade, tudo aparecendo ao mesmo tempo. Conexões sociais, mercado acelerado, uma série de possibilidades. Por que que a gente não faria isso? Naquela hora conta fechava, obviamente. Que que é o meu e-mail perto de guardar arquivos na internet, de postar e usar redes sociais a zero custo? E também tinha muito uma cabeça de quem que se aproveitaria dos meus dados, por que que alguém estaria Interessado no meu e-mail ou no meu endereço, né? São tantas pessoas colocando isso, eu sou só mais um cidadão comum. Conscientemente
a gente também pensava que essas informações jamais seriam absorvidas de forma a se voltar contra a gente, >> dado, né? O volume massivo de dados entregues todos os dias por mais de 1 bilhão de pessoas. a gente tinha uma ideia de que a nossa geração, os Millenials, era uma primeira geração Digitalizada, quase que nativa digital, que pegou a última transição do analógic e, portanto, ia dominando cada vez mais as ferramentas, né? Elas iam ficando mais complexas e a gente aprendendo e se letrando cada vez mais. Mas aconteceu o oposto porque as interfaces da internet e
do digital e das tecnologias ficaram cada vez mais acessíveis, mais simplificadas para ter o maior acesso a maior número de idades, pessoas e classes e recortes de idade demográfico E geográficos diferentes. Isso fez com que, na verdade, a gente tivesse cada vez mais acesso à tecnologia e cada vez menos entendimento de como ela funcionava. E aí, nessa ausência de letramento digital e de um entendimento dos perigos e vendo, na verdade, um sonho de futuro a partir dessa integração tecnológica da inclusão digital, como era chamado, a gente adotou tudo quanto era novidade de todos os cantos
e todos os jeitos. E a culpa, Obviamente, não foi nossa, coletivamente falando, mas aí a gente tem que parar para pensar o seguinte: se tudo que nos é oferecido custa R$ 0, será que nós não somos o produto? Então o que o Vale do Silício fez foi muito simples, promover uma inclusão digital em velocidade absurda e exponencial, se utilizando das vendas dos nossos dados para sustentar esse modelo de negócio. Quanto mais dados a gente cedia, mais Infraestrutura aparecia pra gente se utilizar e ceder mais e mais dados e mais a gente se tornava dependente desses
serviços, porque eles potencializavam a nossa produtividade, as nossas conexões sociais, as coisas que a gente podia fazer, as nossas habilidades, nossos acessos. Existia uma sensação de que essa internet que surgia a partir das redes sociais estava hipertrofiando as nossas conexões ao infinito. A gente virar uma coisa só, a Gente ia ser uma grande única cultura global, que inclusive em algum lugar existia essa tese, né, muito otimista de que isso produziria, eh, democracias globais, né, um maior uma maior iluminação, acesso a conhecimento, democratização, do acesso, né, aos cidadãos digitais, democracias digitais, enfim. [música] Era [música] Até
uma coisa muito ingênua, né, que era uma parada meio muito dessas revoluções dos anos 10, né, que era se os caras que estão lá em Brasília souberem do que a gente quer e sentirem a nossa pressão, a gente vai mudar esse país. E, né, obviamente é mais complexo que isso. Então, primeiro foi o e-mail, depois foram dados de login, acesso, telefone, endereço, em seguida, históricos e preferências de navegação, hábitos de consumo, dados de saúde, horário do Sono, compras preferidas, reconhecimento facial, biometria, localização, reconhecimento da sua voz, mapeamento da sua casa, contatos mais acessados, os conteúdos
que a gente mais consome, o que a gente mais envia, nossas conversas mais recorrentes, todos os dados que a gente rou ao longo desses anos todos começaram a se conectar como uma teia que dava cada vez mais o entusiasmo de estar na internet, porque facilitava cada vez mais diminuir a nossa fricção Online e o aplicativo sabia o que a gente queria e conectava e facilitava e mudava e fazia a gente cada vez mais dinâmico e próximo. E aí quando a gente percebeu, ceder dados era mandatório para existir no mundo, para trabalhar e para ter conexões
humanas no digital. Se você não está virtualizado, você está fora do mundo. Só que aí era tarde demais. E a partir do momento que a infraestrutura da internet se organizou em um ecossistema, onde a entrega das Nossas informações era mandatória para fazer parte dela, nós paramos de enviar dados e começamos a jorrar dados por todo e qualquer lugar que a gente passava no cyberespaço. E hoje, quase sem perceber por onde a gente navega e existe na internet, navega, a gente deixa uma pegada digital. Bits de informação são sugados de nós. Cooks, informações de consumos, de
cliques, de permanência, de compras, de preferências, músicas escutadas, filtros Utilizados, tipos de fotos upadas, o que a gente consome, a nossa voz, o nosso tempo onde te corolar, o quanto que a gente tem medo de tal coisa, o quanto que tal coisa revolta a gente, com quem a gente conversa, quem a gente quer flirtar, o que a gente quer fazer, tudo. E esse é o modelo de negócio estabelecido nos últimos 15 anos, um mapeamento total de cada um de nós nas mãos dessas empresas privadas que produziram redes sociais e aparatos de Tecnologia que cercearam a
internet, ao ponto que nós começamos a existir dentro dessas fronteiras colonizadas, tendo que ser absolutamente vigiados. Mas vou desenrolar isso mais. A internet se tornou um aspirador que constantemente suga e raspa farelos e mais farelos de bits. E aí para mim entra a partir disso dessa construção a possibilidade do pacto com o diabo. A internet algoritmizada. Então, depois de tanto sugar todas as Nossas informações no mundo onde a gente não dá conta mais de ver todos os conteúdos produzidos por todas as pessoas que a gente segue e não segue, que tal oferecer para cada um
de nós uma visão única de mundo, particular, ajustada e customizada para as nossas preferências, de modo a nos estimular, nos manter conectados, nos dá prazer de navegar, nos deixar vidrados, reter a nossa atenção e fazer com que a gente continue olhando paraa tela para Socializar mais, para fazer mais amigos, para se divertir mais, não? O que que as grandes empresas de tecnologias bigtechs, hoje donas de quase todo o tráfego da internet ganham com isso? E como que elas sustentam um modelo de negócio de uso gratuito com estruturas digitais que são caríssimas de se manter? Qual
que é o ganho disso? É que elas se tornaram oráculos. >> [música] [música] >> Hello, Neo. capazes de antecipar os nossos gostos, nossos anseios, nossos desejos, antecipar nossas preferências, escolher o que a gente vai gostar, fazer a gente mergulhar mais ou menos no assunto em troca do nossa vidração, do nosso hiperestímulo, da nossa atenção, da recompensa de ficar ali escrolando, anúncios personalizados e eficientes aos montes em todos os lugares possíveis paraas marcas dispostas a investir Neles. Mas aí se a gente só usa o telefone, se a gente usa no Brasil, por exemplo, telefone durante 9
horas por dia, se o telefone é o principal ecossistema de informação do mundo. E se a gente tá no celular o tempo todo e tudo que a gente faz tem a ver com o telefone, então as marcas precisam estar no telefone. E assim começa o sequestro de todo um ecossistema publicitário que vai captando e sugando o resto do mundo. As marcas vão se tornando dependentes de Estar ali também. Aquela ali vai se tornando a única praça delas, a única praça nossa. A praça é nossa. Merda. >> Então, mais e mais, a gente foi sequestrado para
um mercado que nos prende cada vez na tela para sugar cada vez mais informação e incentivar cada vez mais movimentações de consumo. Resumindo, e também e mais importante e mais maléfico, agenciar a nossa realidade e a nossa forma de ver e se Relacionar com o mundo. E essa é uma transformação tão colossal e que tomou a gente tão sem apercebimento que hoje a gente brinca com isso. Quando a gente conversa com alguém, em seguida surge um anúncio similar parecido, a gente fala: "Nossa, meu telefone tá me escutando". O quando a gente recebe uma coisa bizarra
no TikTok, no R e fala: "Nossa, eu construí esse algoritmo tijolo por tijolo ou meu algoritmo sabe que eu quero, meu algoritmo é perfeito, eu amo Meu algoritmo, eu adoro meu algoritmo, meu algoritmo é bizarro". A gente segue aceitando essa troca, entregando dados em muitos lugares, se satisfazendo com esse modelo, sem ter dimensão desse volume massivo de informações coletadas e sugadas da gente o tempo todo. E nem dos efeitos disso no longo prazo, que eu acho que é o mais importante da gente pensar para entender porque que isso não é bom. E muito porque a
gente não percebe isso acontecendo. E muito também Porque a gente não se importa de forma geral, tanto com a penetração do telefone, afinal isso vai se camuflando e se entremeando na nossa vida de um jeito meio que parece que é inevitável, né? Então, portanto, é uma coisa que só vai virando parte do ar que a gente respira, tanto quanto o uso dos nossos dados, né? Que eles sejam processados, utilizados, vendidos e usados contra a gente. Conforme esse modelo se torna mais vorais, a gente tem se tornado um Pouco mais triste também, né? Mas então, dentro
dessas coisas todas, qual que é o problema mesmo? mesmo. O problema é que esse não é um modelo de publicidade, esse é um modelo de controle comportamental. Quem fala brilhantemente sobre isso, sobre o a internet como modelo de controle comportamental, é o Jer Laner e tem uma palestra dele no Kesk de 2018 muito boa sobre isso. Ele é um dos pais da realidade virtual e um filósofo do Cyberespaço, por assim dizer. E essa palestra dele, inclusive, acontece só dois anos depois do escândalo Cambridge Analytica, que para quem não sabe é uma empresa que raspou dados
de usuários estadunidenses do Facebook durante as eleições, produziu anúncios direcionados para esse público e a partir disso foi responsável diretamente por influenciar e definir as eleições dos Estados Unidos. É importante lembrar que nenhuma dessas empresas tem qualquer compromisso Além do lucro. E eu não tô falando isso no sentido comum, né? Não que isso seja um problema também. This guy Douglas R talks about it. The issues like what I try to tell kids and parents or whatever, they're coming for every second of your life. That that's what these companies are coming to. This company as well.
It's not because anyone is bad. It's not because anyone in this company is evil Plans or is trying to do this or not even doing it consciously. It's because these companies like Twitter and uh YouTube and Instagram, everything, they went public and they went to shareholders. So, they have to grow. Their entire models are based off of growth. They cannot stay stagnant. They're trying to get more engagement from you. We used to colonize land. That was the thing you could expand into and that's where money was to be made. We Colonized the entire earth. There
was no other place for the businesses and capitalism to expand into. And then they realized human attention that we can now they are now trying to colonize every minute of your life. That is what these people are trying to do. Every single free moment you have is a moment you could be looking at your phone and they could be gathering information to target ads at you. That that's what's happening. So like as much as we can you Know as have really good conversations and try to humanize uh the conversations, the like mechanism of the business
is rolling towards that just because of the market. So like it's coming it's coming for every free second you have. Um and that's dark. Tudo regido por esse crescimento constante e infinito. Tudo numa grande empresa revolve em cima dessa ideia. Multiplicarem, multiplicar e multiplicar um patrimônio trilharário e colossal e Cada vez mais acumulado. E essas companhias hoje, muitas delas que tm mais valor e influência do que um país médio, sei lá, o YouTube é mais influente do que a Suíça. Elas sabem muito mais sobre a gente do que nós mesmos ou até do que os
nossos governos. Não que os nossos governos também tenham que saber tanto sobre a gente assim, mas a questão é que se um grupo muito pequeno de grandes empresas de tecnologia organiza e controla dados Suficientes de bilhões de pessoas a ponto de influenciar o comportamento desse demográfico colossal, enquanto também são a principal fonte de informação de todo o planeta, boa parte do planeta. Então, a nossa percepção da realidade e a nossa leitura da realidade e o nosso consumo de informação sobre a realidade e, portanto, a forma qual a qual a gente se orienta na direção da
realidade e pensa quem a gente é, enxerga o mundo, está completamente Sequestrada por essas empresas que têm essas motivações. Tá seguindo? São elas quem ditam como a gente enxerga a gente e o mundo ao nosso redor. Qual que é o interesse dessas empresas? Qual direção então elas desejam manipular a boa parte da humanidade que elas manipulam? Já são mais de 10 anos coletando os nossos dados e deixando eles lá registrados em servidores e mais servidores. A gente nem sabe o que é nosso, que tá na Internet. fotos antigas, fotos que a gente aparece, senhas, logins
de outros lugares, coisas que a gente criou, vários e-mails que a gente teve, o material que tá nesses e-mails, o material que tá no Facebook Messenger, no Zap, no Insta, nas DMs que estão sendo cada vez mais lidas por essas empresas para treinar inteligência artificial, enfim, enfim, enfim, elas estão lá organizando, catalogando, entendendo, desenvolvendo e afinando Novos algoritmos, interpretando as nossas decisões. Se há 15 anos uma base de dados era formada por nome, login e endereço, hoje ela é um retrato completo com centenas de informações dinâmicas cruzadas de aparelhos e aplicativos e redes diferentes consolidadas
numa coisa que constrói uma ideia de você pro outro, pra máquina. E essa nossa imitação do outro lado, esculpida em bits, né? esse aglomerado de bits que tenta formar a nossa imagem do outro Lado e inferir quem a gente é e controlar quem a gente é, tem cada vez então mais informações, mais resolução para tentar montar um retrato perfeito. E aí se utilizam dessas cópias e do que sabem da gente para antecipar decisões de consumo, produzir influência política, produzir influência comportamental e por fim gerenciar a nossa percepção da realidade de forma total via os algoritmos
das redes sociais. Então, o Mateus age assim nas Redes, ele gosta de ver esse tipo de coisa, se revolta com aquelas, compra tais produtos, tem impulsos de compra com tais outros, escute tais coisas e monta a identidade dele através disso, daquilo. Quando o conteúdo Y passa, ele não curte muito. Quando o conteúdo X passa, ele dá like, salva e manda pras pessoas. Isso é um retrato da máquina sobre mim a partir das informações que ela mesmo extrai, que existe para cada um de nós, bilhões de pessoas. E esse Retrato, essa cópia digital, essa falsa cópia,
essa imitação irreal, ilimitada, é o do Paul Ganger, como a gente falou, é o duplo. Esse duplo digital, então, cada vez mais nítido. Ele é terrivelmente parecido com a gente, mas sinistramente diferente. É muito sinistra essa mudança do algoritmo, cara, porque ela vem no for you, né? Durante muitos anos, a internet se organizou de forma cronológica. Então, a gente adicionava os amigos, a gente Conhecia pessoas na internet, na vida real, e ampliava essas dimensões, né? Estendia o universo real para dentro do físico. E em algum momento as timelines na pandemia ficaram diferentes, que foi talvez
o maior experimento de controle comportamental, inclusive das últimas décadas, né? Que é a partir de certo momento, as timelines que a gente construiu escolhendo quem a gente seguia pararam de ser nossas. O algoritmo começou a agenciar o que a gente via, o Que a gente não via, quem a gente deveria ver, pessoas que a gente não conhecia e a gente não consentiu essa troca. E de repente a timeline que a gente tinha montado pra gente não era mais nossa. A gente deixou de navegar a internet para ser navegado por ela, né? Nesse scroll infinito onde
a gente fica parado e a internet se navega ao nosso redor num teatrinho ali, né? Dá até para chamar chamar o scroll de sombras da caverna de Platão. Cada um na sua Caverninha. Grande analogia. Então, a gente não sabe mais onde começa a nossa identidade e onde entra já o algoritmo e a agência do algoritmo e a forma com a qual o nosso algoritmo antecipa e define a formação da nossa identidade. is care you look for how long you look for how you look [música] aí se a gente encara com atenção esse Smart abismo, A
essa altura do campeonato, se a gente olhar bem, já dá para ver o nosso duplo digital olhando de volta. Essa amálgama de informações compiladas na tentativa de formar uma imagem de quem a gente é e a partir desse falso reflexo nos dizer quem a gente deve ser. O abismo é hiperestimulante, ele tá sempre ali e a gente faz ele de second screen. Então, vale lembrar mais uma vez que a internet não é neutra, que as redes sociais não São neutras e que o algoritmo não é um sisteminha básico de organização dos nossos interesses. Só que
esse processo de manipulação comportamental é cada vez mais descarado. É só abrir o X, por exemplo, antigo Twitter, e ver como ele te expõe a conteúdos de extrema direita, sem você seguir ninguém, sem você ter nenhuma conexão com aquilo. For you já é assim. Só que como a gente ainda tá naquela troca antiga de pensar, não, essa aqui é a minha timeline, a gente Acaba sendo exposto a opiniões radicalizadoras e discussões sobre coisas e pessoas e trocas de humanas que a gente acha na ideia de que aquele território é nosso, a gente tá mais suscetível
a ser influenciado por aquilo também. a gente tem mais facilidade de receber positivamente, assimilar aquela opinião que talvez possa ser um pouco polêmica, talvez possa ser uma opinião normal de uma pessoa que vai ser vai seguir e vai começar a ser exposto a um Ecossistema que pensa muito de forma crítica sobre coisas que você não tinha pensado antes. Isso vai te influenciando cada vez mais e te isolando em bolha de radicalização. E o perigo do contrato desse modelo de internet é esse. Esse é o perigo. A gente acredita que a gente tem controle sobre o
que a gente vê e que a gente molda aquilo, a nossa imagem e semelhança, e a gente não entende que existe um escultor por trás do reflexo que está do outro lado do espelho. Por Isso que é importante esse discernimento entre o algoritmo mediar e agenciar. Então é isso, acho que agora a gente consegue entender que o poder já é exercido a partir de uma ideia de controle de informação muito diferente no início do século. O Banan, no livro Infocracia, que eu recomendo demais, chama isso de regime da informação. Ele faz uma comparação com o
regime disciplinar proposto pelo Foucault ao examinar o capitalismo do século XX. Então vamos lá ao coach que vai entrar na tela. Chamamos de regime de informação a forma de dominação na qual informações e seu processamento por algoritmos e inteligência artificial determinam decisivamente processos sociais, econômicos e políticos. Em oposição ao regime disciplinar, não são corpos e energias que são explorados, mas informações e dados. Não é então a posse de meios de produção que é decisiva para o ganho de poder, mas o Acesso a dados utilizados para vigilância, controle e prognóstico de comportamentos psicopolíticos. Trau. E logo
depois ele lança mais duas pedradas, essas também no começo do livro, que é a introdução da ideia de infocracia, né? O telefone imóvel como aparato de vigilância e submissão explora a liberdade e a comunicação nos regimes de informação. As pessoas não se sentem, além disso, vigiadas, mas livres. Paradoxalmente é o sentimento de Liberdade que assegura a dominação. A dominação se faz no momento em que liberdade e vigilância coincidem. Interessante, hein? Ó, essa provocação. E ainda trazendo pro Fou, isso me lembra um termo muito interessante conhado pela Clarissa Jen Lim num artigo do Buz Feed 2003,
Panoptic Content. Estamos na era do Panoptic Content. Se o Panóptico, que é o modelo de prisão ideal proposto pelo Jeremy Benton e dissecado pelo Foucault no livro Vigiar e Punir, imputa dentro Do prisioneiro o olhar do vigia, ou seja, ele existe sob a consciência de que está sendo observado e, portanto, se autovigia o tempo todo. Que dizer, então, quando nós mesmos estamos muito empolgados em fazer nós mesmos o papel de vigia, se a gente chegou nesse nível em que se documentar na internet, ou seja, fazer alto registro digitais, é um processo de competitividade algorítmico? onde
o que você pode pode performar e se dissipar e ser exposto pro resto do Mundo. Isso tem obviamente impactos profundos na nossa subjetividade, no nosso processo de subjetivação, ou seja, na nossa formação de sujeito, na gente no jeito de ver o mundo, da gente se tornar quem a gente é. E agora que a gente entendeu a raspagem de dados produzida pelas BigTechs nos últimos 15 anos, vamos falar um pouco sobre qual é o mundo que é moldado a partir dessa massa de informações e qual é o loop distorcedor da realidade na qual a gente Tá
preso e também o que que acontece quando a gente passa tanto tempo vivendo nesse mundo distorcido, duplicado. Cada vez mais a gente produz conteúdo sobre nós mesmos o tempo inteiro. Então a gente se edita e o que a gente posta, o que a gente publica, o que a gente sobe no digital, é uma imagem editada de nós mesmos. Então a gente consegue entender que as redes sociais são então um painel de botões limitados que portanto permite uma produção limitada De identidade confinada as suas funções. Uma interface, um painel de controle, um painel de botões, pensa
numa espaçonave, alguma coisa do tipo, que media a gente e que o outro vê de nós. A gente se expressa a partir desses botões. Já no mundo real, a gente tem muitíssimos jeitos de existir, de operar, de interagir, de se posicionar, de ser. e a gente escolhe dentre bilhões infinitas formas de expressão que a gente tem no nosso repertório cultural. Então, não só A gente tem recursos limitados para como a gente se expressa e se coloca no mundo digital, como a gente vem tendo também uma forma cada vez mais limitada e desatenciosa de consumir essa
existência que a gente coloca online. Ou seja, a gente tá apertando cada vez mais botões, nem entendendo o que a gente tá fazendo e nem processando os botões que o outro tá apertando, entendeu? nessa grande analogia, porque mesmo que a gente tenha cada vez mais ferramentas de expressão Da nossa identidade nas interfaces das redes sociais, elas ainda estão condicionadas a um limite na forma qual a qual elas podem ser consumidas, sempre a partir de pequenas telas, sempre de forma descorporificada, ou seja, fora do corpo, né, virtual, sem tangibilidade, sem materialidade, muito além do nosso corpo
físico e ainda por cima competindo num fluxo algorítmico que é cada vez mais acelerado e mais desatento. Ou seja, a gente aperta um monte de botão Para dizer quem a gente é e a gente ainda é muito pouco absorvido por quem tá do outro lado escrolando através de nós, buscando apenas estímulo e não o outro. E isso soua óbvio, mas é importante de frisar, né, que não existe processo puro de digitalização, né? A gente não é transportado para dentro do mundo virtual. Não é digimon que a gente vai de uma realidade para outra que a
gente existe igual nas duas. A gente não está na outra dimensão. A gente não está No cyberespaço. O que está lá são os nossos fragmentos remontados, atravessados pela tela. que mal são absorvidos por quem tá assistindo. E é isso que é sinistro também de pensar. Se a nossa principal forma de consumo informacional no mundo é um fluxo infinito de algoritmos onde competem no mesmo espaço influenciadores, notícias, entretenimento, seus amigos, sua família, esportes, hobbies, entusiasmos e todos os interesses que você tem no Mundo. Isso significa que o que você coloca no mundo e a forma com
a qual você produz conteúdo e a forma com a qual você se faz presente nas redes sociais, tá competindo com todos esses outros estímulos, disputando o mesmo espaço que todos esses estímulos. Então, por mais que a gente tenha cada vez mais botões e formas diferentes de se expressar, cada vez mais a gente tá confinado a uma linguagem que precisa chamar atenção para ser minimamente Vista. Porque se você fizer uma coisa que não chama atenção, se você postar uma foto escrota, por mais que você queira, esse algoritmo vai entregar esse post ainda menos pros seus próprios
amigos e familiares. Então, para simplesmente existir online, para existir pros seus amigos, pra sua família, para quem você quer ver online, você precisa postar com algum nível de linguagem publicitária e visualmente chamativa. Você tem que se comportar Como influenciador, mesmo não sendo um. Por isso que toda a vida digital tem cara de publicidade paga. Por isso que a gente tá miserável, por isso que toda a linguagem da internet parece cada vez mais pasteorizada, mesmo a gente tendo cada vez mais opção de coisa. é o algoritmo, o mal encarnado. Então, se a gente sabe que dá
para digitalizar os nossos dados de consumo, as nossas decisões binárias, nossos likes, dislikes, nosso rosto na câmera De selfie, nossa voz, nossa preferência nas lojas, nossas conversões, engajamentos, nossas métricas, enfim, o que que fica de fora, o que que não é possível de ser digitalizado e o que por consequência faz do cyberespaço um lugar tão diferente a partir dessa falta? nossa humanidade, nossas nuances, nossas oscilações, nosso jeito, nosso olho no olho, nossos toques, carinho, presença, cheiros, experiências de vida, convivências, comunidades, Subjetividades, toda a teia complexa da vida, aquilo que nos torna humanos e que, portanto,
nos faz diferentes de qualquer outra máquina. Isso fica de fora. E o resto que jorra produz então uma escultura, né, o dopoganger duplo que a gente tá falando, que é uma vitrine de si próprio que a gente projeta e idealiza, mas sem qualquer traço de humanidade. É uma cópia de nós limitada as nossas informações de consumo que podem ser extraídas, mas que Ainda assim se coloca como extensão da vida. Não é uma extensão da vida, é um feitiço. A contraparte virtual, então esse duplo, né, ele é de certa maneira uma vitrine pra gente e pros
outros. E a gente adora se ver nessa vitrine. E a gente adora se ver sendo visto nessa vitrine. Ou se odeia, mas quer se adorar. E a armadilha é que a gente começa a ansiar por alguma satisfação eh social a partir de uma performance de consumo de nós mesmos no online, sem nem Perceber. Então a gente começa a incitar no outro desejo para receber validação virtual em forma de engajamento. E a gente fica namorado com a nossa própria performance, vendo os likes subindo as pessoas engajando com aquela foto que a gente tirou, aquele vídeo que
a gente fez ou com alguma coisa que vai bem no algoritmo e de repente você viraliza, né, e tem aquele aquela satisfação, né, do viral de tá sendo visto pelo máximo de pessoas possíveis. O objetivo da Internet, das redes sociais hoje é esse, se regogizar na vitrine. E esse gozo é muito perigoso, porque nessa atualização do mito de Narciso, a gente fica tão enamorado pelo nosso reflexo distorcido que a gente esquece de tudo que fica de fora. a gente começa a viver no mundo real e se organizar no mundo real e fazer programas no mundo
real para abastecer esse reflexo e para tornar esse reflexo, inclusive ideal mesmo às custas de distorões na vida real, como São, por exemplo, procedimentos cirúrgicos e a disforia que surge a partir de você ficar vendo o seu rosto numa lente distorcida e querer cortar ele na vida real devido essa pressão hipercomparativa do algoritmo, porque importa muito mais tá lindo na lente da selfie do que tá lindo na vida real, já que mais gente pode te ver e te desejar na lente da selfie. E aí a gente substitui inclusive o nosso referencial de auto imagem, né?
Ele migra do espelho Para uma lente distorcida. E é é ridículo o quão eh metafórico e literal isso é ao mesmo tempo. Mais doido disso é que conforme a gente vai ficando cada vez mais enamorado e mais obsecado com esse reflexo distorcido, com essa vitrine, mas a gente começa a rebaixar a nossa ideia de humanidade para se fazer caber dentro da máquina. A gente quer que as nossas contrapartes digitais precedam a nossa presença no mundo físico e assim a gente acaba seduzido Por um espelho que é agenciado por empresas privadas, cedendo cada vez mais da
nossa autonomia digital e por que não existencial. Parece que eu tô me repetindo, mas é porque eu tô tentando atacar o mesmo fenômeno de ângulos diferentes pra gente entender como se dá esse processo de virtualização, quais são as implicações disso no nosso consumo de informação, na nossa autoimagem e na nossa sessão de dados, porque eu vou construir uma coisa a Partir daí que é essa ideia do mundo duplicado. Então fiquem comigo. A Coraly Farget, que é diretora do filme A substância, que é um filme que eu não gosto tanto assim, mas que tem um potencial
imagético muito maneiro e um final muito legal e que também traz uma interessantíssima discussão sobre duplos. diz que o monstro final do filme nada mais é do que um picassço de expectativas femininas. [ __ ] Eu acho que nosso DPE Ganger digital, nosso duplo, é um picasso dos nossos dados de consumo. Uma monstruosidade de informações cruzadas, rearranjadas que, por tempo limitado, nos faz crer que somos sim essa versão idealizada de nós mesmos até a gente começar a se desfazer. Quem entende brilhantemente disso com um livro que com certeza foi o mais importante para essa pesquisa
e para esse trabalho é a Naomi Klein Diva, rainha absurda, que Escreveu o livro do Apple Ganger, que eu já indiquei tantas vezes na minha vida e continua indicando. Comecei a pesquisar a ideia de duplos e do reflexo da selfie um pouco antes de ler esse livro. E é muito gostosa a sensação de quando você tá, quando você sente que tem uma ideia original sobre alguma coisa. Eh, e aí alguém anos antes já escreveu um livro muito muito muito completo sobre isso. Porque essa é uma coisa importante, né? Quando você começa a trabalhar com Pensar
coisas, nenhuma ideia original e muito provavelmente alguém muito mais sinistro que você já escreveu alguma coisa sobre isso. E eu acho sempre muito gostosa a sensação, assim, eu lembro também. E aí, enfim, né? Obrigado Naomi por esse vídeo, mas ela tem algumas passagens diferentes sobre isso. Eu queria citar uma delas sobre Dopo Ganger e sobre dados que eu acho que é bem interessante, apesar do livro dela ir para um outro lugar mais guinadas Políticas para extrema direita. A passagem é a seguinte, apertem os cintos. Quanto mais aceitamos a premissa de que devemos estar online para
tudo, gostar, odiar, compartilhar. E quanto mais aceitamos o contrato tácito de negociar privacidade em troca de conveniência habilitada por aplicativos, mais pontos de dados sobre nós, as empresas de tecnologia serão capazes de capturar e assimilar voraismente. E munidas desses dados, elas criam nossos Verdadeiros doppel Gangers digitais, não os audaciosos avatares que muitos de nós criamos de forma deliberada. com fotos selecionadas e filtradas e postagens com apura e num tom perfeitamente calibrada. Mas os duplos que inúmeras máquinas geram com os rastros de dados que deixamos para trás toda vez que clicamos ou visualizamos algo ou deixamos
de desativar o rastreamento de localização ou solicitamos qualquer coisa a um dispositivo inteligente. Cada ponto de Dados extraído da nossa vida online torna o nosso duplo mais realista e cheio de vida, mais complexo, mais capacitado a alterar o nosso comportamento no mundo real. Esse dopoganger criado por máquina, ou talvez devêsemos chamá-lo de golem digital, já que é fabricado a partir de pedaços e retalhes de dados inanimados, não é feito por nós. É constituído pela junção de percepções exteriores, interpretações e previsões a nosso respeito. Dessa Forma, tem muita coisa em comum com dopple ganger humano, uma
pessoa que o mundo confunde com você, mas que na verdade não é você e ainda assim pode impactar de maneira profunda a sua vida. E agora que as máquinas devoraram uma porção tão grande de nós, empanturraram-se de tantos dos nossos hábitos e das nossas peculiaridades, são capazes de engendrar quase que instantaneamente réplicas bastante incríveis de nós. Japau, [ __ ] A Naom é Sinistra, cara. E essa passagem, eu citei essa passagem grandona dela, porque ela é muito potente, né? E ela, esse parágrafo, é a orientação de muitos dos meus trabalhos e a partir deles que
eu fui para outras leituras. Então, enfim, é muito maneiro quando você lê uma pedrada de alguém que você admira ou passa a admirar alguém por causa de uma pedrada. Questão é, se a humanidade fica fora da equação, o que é esse lugar formado por dopogangezco e como mais se Dá esse espaço? O que que é esse cyberespaço? Então, se ele não tem humanidade, se o mundo fica de fora, como a gente viu, se ele é feito de dados inanimados fingindo, tá vivo? Não é só a gente, indivíduos, pessoas que temos do Apple Gangers, que estão
digitalizados, que estão duplicados, são coletivos, instituições, empresas, países, tudo está duplicado. Todo o mundo possuem contrapartes digitais, duplos aglomerados de dados. E eu já Falei bastante aqui desse processo de cópia, então vamos estender isso saindo do indivíduo pro todo. O mundo inteiro tá duplicado. O mundo inteiro está, portanto, numa realidade sobreposta, numa nuvem de dados que paira acima da nossa realidade, que deixa de fora elementos centrais de quem nós somos. Em simulacru e simulação, outro grandíssimo livro, [ __ ] para [ __ ] o João Bodrilar abre o livro com uma fábula do poeta J.
Borges. Ela é a história de Cartógrafos de um império que tentam produzir mapas cada vez mais detalhados do seu território. Na obsessão por tentar apreender todo o seu mundo e representar todo o seu mundo perfeitamente, eles terminam com um mapa que cobre toda a extensão do território em um para um, uma simulação do real. A partir dessa simulação, o mapa cobre todo o território e por estar por cima dele, ele passa a importar mais do que o território, a ser confundido com o Território, a ser mais real do que o território, a preceder o território.
A representação simbólica do real se torna então mais real do que o próprio real. E esse é o conceito de hiper real, que é o que se forma na internet. E a questão é que essa duplicação do mundo, ela é distorcida. Esse mundo virtual que espelha o mundo físico, ele parece ser uma representação de um para um se a gente olha ali meio de longe. Mas assim como na fábula, ele não é, porque não é Possível aprender a realidade dessa forma, aprender. Muita coisa não cabe nesse mapa. Muita coisa fica de fora desse mapa, muita
coisa simplificada nesse mapa. Não é possível apreender simbolicamente todas as dinâmicas e dimensões do mundo, da vida e da humanidade. Mundo digital, portanto, não é uma simulação do real, ele é incompleto. Dá para dizer que ele é um simulacro do real. cópia sem referência original, né, a partir de dados Aglomerados. O que que é então a textura, a cara, o que que se dá nesse mundo digitalizado, onde a humanidade não entra, onde as interfaces esvaziam qualquer espaço para nuance, né? Elas são binárias, elas são limitadas, elas permitem comportamentos limitados, elas trabalham performance, publicidade, vitrine, onde
a realidade é reenscenada, reproduzida, ressignificada, em que toda a nossa sociabilidade é pautada em performance de consumo, retenção e Estímulo, onde por conta da ausência de corporeidade e olho no olho, todo embate desumano, polarizado, odioso. Esse é o cyberespaço hoje, agenciado exclusivamente pela lógica do capital. Um campo fértil e muito compatível, inclusive, para cultivar subjetividades fascistas. A gente tem visto cada vez mais. Afinal de contas, sem nuances, sem humanidade operando diretamente e quase que exclusivamente pelo fluxo do capital, o que que sobra? são os efeitos De há tanto tempo a gente habitar o cyberespaço, de
por anos de pandemia, muito importante para esse processo de virtualização e paraa aceleração disso, a gente ter existido somente nele, desconectado do corpo físico. Se o cyberpass é um mundo espelhado, ele então produz um mundo invertido. Cara, é muito doido falar disso e pensar isso, porque eu tô mergulhando numa galera francesa sinistra agora e é uma loucura, cara, como, pô, Deles tava falando Disso, Bodrilar, esse livro do Bodrilar dos anos 80, cara, é, e e essa noção filosófica, essa especulação filosófica de como se daria a virtualidade e do hiperreal já tava muito posta, né? O
que mostra que, apesar da gente ter internet como uma coisa sequestrada da gente nos últimos 20, 15 anos com as redes sociais, ainda assim eh ela faz parte de um projeto eh de dominação e computação midiática, né, e de um processo de hiperreprodução do do capital ali, Fornicando e fornicando em si próprio até produzir esse monstro, né? Enfim, próximo capítulo. [música] Já faz muito tempo que o nosso consumo de informação, que antes já foi ritualizado e um exercício de presença e atenção quase total, seja ler jornal, seja até assistir televisão, se tornou um processo de
baixíssima qualidade de absorção, mediado por um fluxo de telas e imagens aceleradas, sem profundidade e Que opera sob uma lógica não de objetividade informacional, mas de retenção e estímulo. tanto do nosso lado de receptor, que desaprendeu a receber informação condicionada de forma objetiva, quanto do lado desse produtor que busca estimular a gente para reter a nossa atenção, já que está disputando no fluxo algoritmo gigante do mal, etc. Todo o parâmetro do seu consumo de informação e visão de mundo hoje é esse. Não é a informação mais relevante pra Sua vida, pro seu país, pra sua
comunidade. Não são as plataformas de criadores que você gosta. é tão e somente o que vai te fazer seguir escrolando e também, claro, te orientar politicamente no interesse dessas empresas. E é bizarro que o nosso mundo inteiro seja mediado e agenciado por essa ordem ridícula de tecnologia. as redes sociais na era do algoritmo, esse mundo duplicado que a gente tá falando, o cyberespaço, onde a gente passa boa Parte do nosso dia, é um ultra processador de informação. Eu gravei um episódio do meu podcast L houseous com o André Alves do Float Vibes. Ele falou eh
da internet, das redes sociais como um moedor cognitivo. Eu acho esse termo muito bom. um moedor cognitivo que reduz as nossas capacidades neurológicas de prestar atenção, de assimilar o que a gente consome, de conectar pontos, de refletir, de produzir ideias, de ter tédio e por consequência de pensar e Articular ideias de uma outra temporalidade. O que tá posto aqui é que a gente também está vivendo na velocidade, na temporalidade do algoritmo que não comporta o processo democrático, como diz o Bun Chuan, que não comporta o nosso processo emocional, como dizem os milhares de pesquisas em
cima de doenças neurológicas e mentais que a gente tá desenvolvendo nesse processo de mergulho e assimilação da tela na nossa vida. Porque é isso. Na Velocidade na qual a gente passa quase todas as horas acordadas do nosso dia, todo pensamento é um pensamento cortado pela metade. É um fluxo interrompido para ser postado, enviado, compartilhado, mais rápido do que ele pode ser maturado. Toda opinião é uma meia opinião empacotada por outra pessoa que você assumiu como processo identitário. Ezeir SM falou disso em 2010. Olha só, para você ver como essa discussão já é, né? Não é
inventada Agora. Uma belíssima crítica cultural, inclusive que conecta o filme à rede social, que é uma das grandes obras primas de Hollywood nessa década, acho que até hoje, aos pensamentos de Erol Laner que eu falei lá em cima. Então vamos a mais uma citação. Hoje eu tô cheio de citação. Quando um ser humano se torna um conjunto de dados em um site como Facebook, ele ou ela é reduzido. Tudo encolhe. Caráter individual, amizades, linguagem, sensibilidade. De Certa forma é uma experiência transcendental. a gente perde o nosso corpo, nossos confusos sentimentos, nossos desejos, nossos medos. Acontece
que não estamos transcendendo para algo superior, mas apenas para menos de nós mesmos. E uma versão achatada e reduzida de nós mesmos é mais fácil de ser confundida com uma versão achatada e reduzida de outra pessoa. Esse vídeo podia ser só essa situação e a outra que eu falei, né? Só isso, assim, um minuto, Tá tá tá tudo posto aí. Mas enfim, é importante pensar esse declínio identitário e também cognitivo, como a gente tá vendo, né? a partir de um eixo temporal, que é uma coisa que a gente frequentemente ignora, que é há quanto tempo
a gente tá se reduzindo, há quanto tempo a gente tá realmente passando por esse processo e quais são as consequências eh dess de viver isso vers do tempo. Pensa, por exemplo, que antes do Facebook a gente só via, depois com Facebook a gente passou a ver vídeo de 5, 3 minutos e daí foi só ladeira baixo até a gente chegar na consolidação do formato de 15 segundos a um minuto. Numa tecnologia propositalmente viciante de scr infinito, você não conseguir prestar atenção em nada. ter uma decisão de design para te enfiar mais publicidade e te manter
em busca de ainda mais estímulo. E se antes a gente navegava em sites muitas vezes especializados pro tema que a gente estava buscando, hoje a Gente alterna entre sete redes diferentes e um espasmo de segundos, escrollando rápido, consumindo dezenas de anúncios numa fração minúscula de tempo, com a nossa atenção fatiada em lâminas e performando identidades e comportamentos diferentes para cada uma dessas redes do TikTok ao LinkedIn. Então assim, não começou hoje, na verdade começou muito antes. Isso se discute desde a era da televisão. Por isso que é importante também pensar que A produção desse mundo
duplicada e dessa eh desse apagamento, dessa diminuição da nossa identidade, da nossa humanidade, esse rebaixamento total, ele vem se dando, né? Não é uma coisa que por causa de uma invenção isso aconteceu, apesar de que acho que as redes sociais e a pandemia são realmente a pical desse processo. Então, no mundo invertido, né, nesse universo duplicado e virtual, a verdade não tem mais lastro. A gente vive na era pós pós verdade. A checagem É insuficiente. A nossa capacidade de consumir informação verificada é ainda menor e a forma com a qual a gente lê e entende
o mundo depende de quais informações nossas estão postas pro algoritmo. Para cada evento público surgem dezenas de vieses de interpretação em forma de conteúdo. Muitos deles inclusive absolutamente falsos. E a maior preocupação para todo mundo é sempre a de engajamento e retenção em forma de conteúdo. Muitas Vezes inclusive sobre a necessidade de distorcer a apresentação dos fatos para gerar alguma como públicos. específicos. Pensa numa manchete sensacionalista vezes 1000. Então, nesse mundo fragmentado dos algoritmos personalizados para cada um, a gente acaba encenando dezenas de realidades diferentes ao mesmo tempo em diferentes timelines produzidas pelo algoritmo. E
se a gente falou lá atrás de controle e modificação de comportamento, o jogo é Ainda mais duro em um universo onde a verdade não importa e onde não se é mais capaz de vencer na racionalidade. Afinal, a gente rebaixou a nossa humanidade e não há capacidade de absorção e processamento de informação nesse contexto informacional que formou a subjetividade de todas as pessoas que agora estão radicalizadas. Que é isso? Cada indivíduo vive preso na sua própria sala de espelhos, na sua própria sala algorítmica de espelhos, sem se dar Conta disso da maioria das vezes. E muitas
vezes ataca, discursa, pensa o mundo a partir dessa lógica que lhe é servida. Não importa o quão delirante ela seja e o quão psicótica ela seja. Por conta disso, naturalmente, esse mundo invertido se torna um campo de batalhas institucionais. Se dá ali uma meia realidade, uma rebaixada realidade, onde se encena os conflitos do mundo, já que a gente passa tanto tempo lá. Nessa versão piorada e reduzida da gente, Decidindo os rumos do mundo físico real. Com a cognição reduzida e a humanidade rebaixada, é quase impossível produzir concordância, compreensão, escuta e troca de forma humana, que
é o que construiu a nossa civilização até aqui. Um senso de comunidade, convivência, laços e identidades praticadas no mundo tangível que nos permitem justamente produzir compromissos, comprometimentos, concordâncias, sessões, ganhos e perdas. Isso que nesse mundo em crise cada vez Mais atomizada e de crises cada vez mais intensas, de permacrise, né, de um estado de crise permanente, onde a gente tá preso nesse eterno loop de presente e de urgência, afinal de contas, né, timeline, notificações, algoritmo, vira todo mundo passageiro da agonia, justamente pela ausência de uma visão coletivizada de futuro. Olha as dimensões que eu coloquei,
olha os olha como eu coloquei as coisas. Cabe em algum lugar nisso aí enxergar o futuro Coletivamente na forma com a qual agora está se dando esse sistema? Claro que é muito difícil. E recuperar o Brasil que a gente precisa, o Brasil que a gente deseja, o Brasil que a gente [música] nunca teve. Eles tiraram esse país da gente e a gente tem que tomar ele de volta. Quando eu falo de fascismo, é importante a gente pensar em fascismo como uma subjetividade. Subjetividade essa, inclusive que é fundadora do pensamento Ocidental. Quando a gente pensa no
fascismo como um movimento político do século XX, 30 e 40, parece que ele é uma coisa histórico-social separada do que é o fascismo enquanto subjetividade, enquanto forma de pensar e ver as coisas. E aí a gente nunca entende quando o autoritarismo tá voltando e o que a gente tem que fazer para não se submeter a ele, porque todos nós temos um fascista dentro de nós dentro da formação do nosso pensamento ocidental. Mas aí é um vídeo muito mais longo que eu nem acho que eu tenho tanta base para falar sobre. Mas enfim, uma breve viajada
aqui. A história do Ocidente, né, a ideologia ocidental, por assim dizer, a história que explica o passado, presente e o futuro do ocidente, é pautada em genocídios, mitologias coloniais que apoiaram grandes extermínios de milhões e milhões de populações. Essa é a formação do fascismo, essa é a formação dos valores Ocidentais do mundo. Vou falar um pouquinho sobre isso porque é importante posicionar esse movimento de bigtech, redes e algoritmos como um grupo poderosíssimo de muito capital e que não é neutro ou pretensamente neutro e que na verdade os donos dessas grandes empresas abandonaram a sua pretensa
neutralidade recentemente, justamente quando se aliaram sentando na mesa de jantar com Trump. começaram a atuar de certa maneira com o potencial de se Tornarem ou já serem mídia estatal americana, que regula o que a gente vê ou não vê ao redor do mundo inteiro. E num contexto de ascensão da extrema direita, é importante conectar essas ideias pra gente entender como que uma coisa tá relacionada com a outra, ainda mais as vésperas da próxima eleição. Existe um livro chamado Exterminate All the Bruts, que eu não sei se existe tradução em português, do Sven Linqvist, que fala
justamente sobre isso, caso Vocês queiram se aprofundar, mas eu vou deixar aqui só essa pequena conexão. Fascismo é uma lente, uma forma de pensar e ver o mundo, uma semente que existe dentro de todos nós, que transborda cada vez mais não só em movimentos políticos a declarados fascistas, como a gente tá vendo, como também em crescentes performances de consumo que são impulsionadas por essas redes. Tradives, clean girls, homens fazendo detox de dopamina, o Masculinismo e a tradição conteúdos em forma de resposta a um mundo adoecido, degenerado, que precisa retornar aos valores clássicos. Todas essas ferramentas
que produzem um culto ao autocontrole dos nossos corpos, que refletem disciplina ao corpo enquanto último núcleo, intenção de dominar, conquistar e controlar a nossa percepção do mundo. E tudo isso é binário, metrificado, esvaziado de nuance, rebaixador de humanidade, da contagem de Calorias a contagem de likes aos compartilhamentos de uma fake news de extrema direita. Fascismo aflora em um ambiente digital que reflete o contexto atual de capitalismo terminal, de falência das instituições e da falta de resposta às crises que a gente encara no mundo, sejam elas climáticas de guerra, desigualdades sociais e outras formas de miséria,
injustiça. Depois de 15 anos sendo virtualizados em detrimento dessa nossa humanidade, desamparados por um Processo de rebaixamento cognitivo, convivendo sobre uma verdade fragmentada e sem lastro, nada disso deveria ser surpreendente, como já está tão posto ao longo desse vídeo. At em meio a isso, a gente testemunhou o ascender do aceleracionismo e significado dentro da extrema direita e contextualizado sobre a ideologia de iluminismo das trevas do Nick Lin, que tem como seguidores o Peter Tiell, Elon Musk e outros agentes colossais do Vale do Silício, que é uma Apropriação de uma ideia que inclusive foi ensaiada primeiro
na esquerda e que busca acelerar na direção do fim do mundo, na direção do colapso para justamente a fundação e o surgimento de uma coisa diferente, da aurora de uma nova humanidade. E aí a gente pode pensar, putz, talvez seja bom realmente, né, que esse sistema fale, porque a partir desse fracasso e desse colapso, a gente vai ter grandes oportunidades. Não é isso que o Elomk quer. No caso, ele, o Tiel e outras pessoas querem implementar uma espécie de tecnofeudalismo, que é um termo cunhado por um cara chamado Yanisarofax, um livro que eu nunca li
inclusive, mas que a galera fala muito bem, e que é justamente o que vai substituir, vem substituindo o nosso modelo adoecido de capitalismo. Peter Ti, por exemplo, tem uma empresa chamada Palantir, que caminha de bons dadas com o governo dos Estados Unidos. a largo espaço, inclusive para implementar uma Base de dados unificada sobre todos os estadunidenses, se utilizando de inteligência artificial e tecnologias emergentes, inclusive cruzar essas informações. Esse big tá acumulado há tantos anos, forma sem precedentes enquanto implementa contratos bélicos em monitoramento e vigilância. Tô tentando lembrar quem fala isso, mas tem uma frase muito
boa, né? eh uma um pensamento muito bom que é justamente que todo país imperialista vai Eventualmente usar as tecnologias que desenvolve fora quanto o laboratório contra a sua própria população, né? E a gente tá vendo isso nos Estados Unidos agora. Não à toa muita gente diz que o Peter Tiel é o anticristo, né? Como vocês podem ver, todas essas movimentações que parecem muito malucas quando eu falo, né? de acelerar o fim do mundo, de querer a pulsão, de querer o desmatamento, de querer eh o fim das coisas, de querer a destruição, o Capital, capital, capital.
Reflete muito também os gritos de angústia de um mundo que tá culturalmente paralisado. Quanta gente não tá votando no Méi, no Trump, no Bolsonaro para ver o que vai acontecer, porque não aguenta mais a sensação de paralisação das coisas que vem eh de uma ideia de ineficiência política, né, dos outros partidos. Ainda mais quando a gente leva em consideração a ideia de lento cancelamento do futuro, eh, e de eterno presente ao qual a gente Tá confinado a partir, né, desse, de viver um ecossistema informacional tão imediatista o tempo todo, né, de criação de volume de
informação. É o que o Mark Fisher comenta no realismo capitalista e também no Fantasmas da minha vida e sobre sobre o qual também o Douglas Josop escreveu um livro chamado Present Shock, choque de presente. É basicamente a ideia de que o ecossistema informacional atual, como a gente já viu, é um fluxo e um volume tão rápido e Acelerado de informação que demanda que a gente esteja online presente o tempo todo e que, portanto, transforma tanto o nosso senso de temporalidade e a temporalidade do mundo que culmina numa realidade onde a gente não consegue imaginar o
futuro, não só por est hiper individualizado, como por também estar sempre conectado e colado a um eterno senso de presente de agora com o telefone na mão. think smartphones are not shouldn't be thought of as objects Which we have but as portals into cyberspace which mean that we are that when we carry them around we're always inside cyberspace and we uh which induces whole set of habituated reflex reflexes um which we have to make a you know deliberate effort to step outside of and so what I rather talk about rather than cyberspace is capitalist cyberspace
I think what we're inside is capital cyberspace. So what is the what is the bad news we already know is that The the dimension of the future has disappeared um some way is that when maroon were trapped in the 20th century still um that what is it to be in the 21st century is to have 21 20th century culture on higher definition screens you know 20th century culture distributed by highspeed internet actually I'm not arguing that what has disappeared sense of progressive in culturalism. What I'm arguing is that The thing disappeared is a sense of
difference or a sense of the specificity uh the sense of culture belonging to a specific moment. That is what has disappeared um in the 21st century. Um so now a feeling that nothing ever really dies but that's not good. That means that we are um assiled on all sides by kind of zombie forms which persist forever uh by revivals. Anything can come back um anything can come back. There's there's a kind of what you we Might say excessive tolerance for um the archaic. But but part of the problem is um we in since that the
uh the sense of historicity has declined difficult to characterize anything as archaic anymore. What does it mean to say something archaic in a situation when practically everything feels old? Isso também, né, torna a gente passageiros da agonia de um mundo em suposto, vale dizer suposto colapso, até Porque a gente fica vendo essas imagens o tempo todo no telefone de tragédias e coisas diferentes, guerra de miséria, catástrofes, de violência. E isso vai produzindo também uma sensação de mobilização, de um esvaziamento da nossa coletividade, conforme a gente vai pensando cada vez mais em sobreviver a qualquer custo,
conforme a gente tá cada vez mais no nosso nicho, no nosso algoritmo, na nossa tela, na nossa imagem. É claro que dentro dessa Angústia explode nas pessoas alguma pulsão de ver algum movimento das placas tectônicas, ver alguma coisa acontecendo. >> Qualquer coisa se torna melhor do que o nada, do que a manutenção das coisas como elas estão, com uma vida mais difícil, degrau por degrau, a cada ano que passa. menos espaço para viver, com menos trabalho, com menos distribuição de renda, surge naturalmente o impulso de querer ver a destruição de tudo. Essa Pulsão é autoritária
de destruição e de ordenamento vem muito daí. E até poucos meses atrás, esse seria mais ou menos o caminho de conclusão desse ensaio. Mas vocês perceberam que eu falei muito e muito de tecnologia, de bigtech, de grandes empresas, de agenciamento da realidade, de planos futuros, ideologias. E eu não falei da principal coisa que esses agentes poderosíssimos estão tramando e investindo nos últimos anos, que inclusive é um mercado que já Passa de 1 trilhão de dólares, especialmente nesse ano, que, né, cresceu exponencialmente. Infelizmente esse vídeo tem um plot twist. Terceiro elemento que joga em favor do
esvaziamento, do rebaixamento de humanidade, que vem na direção de tentar virtualizar, absorver e assimilar justamente aquilo que ficou de fora, que é a nossa humanidade. Mas que não vem apenas absorver a nossa humanidade e tentar digitalizá-la, vem tentar tomá-la Para si, convencer a gente de que não existe diferença entre um e o outro, fazer com que a gente veja a máquina como humano para que então ela possa se reproduzir infinitamente. A partir do momento que a máquina consegue duplicar uma ideia de humanidade, enganar humanos e se replicar e se replicar e se replicar entre si,
ela inventa toda uma nova forma de fornicar dinheiro que dessa vez sequer inclui a gente. Então, se a gente tá falando de mundo duplicado E era dos duplos, a gente precisa falar dos duplos sintéticos produzidos pela inteligência artificial. Apertem os cintos que agora é [ __ ] [música] [música] Então vamos recapitular. Há 15 anos, um modelo de extração de dados produziu um mundo digital espelhado com duplos de todos nós, pessoas, instituições, países, lugares, enfim, uma realidade virtual foi sobreposta à nossa realidade Física, que a gente tá chamando aqui também de mundo invertido, né? Mundo duplicado,
né? implicação, o espelhamento é uma inversão. O problema é que essa virtualidade que a partir da pandemia passou a preceder em muitos lugares a nossa materialidade é também um ambiente esvaziador da nossa humanidade. Gostaram disso? Não só isso, como a gente foi cada vez mais seduzido e retido nesse contexto e nesse lugar e nesse ambiente, nesse ecossistema, para Jorrar mais e mais dados para dentro de uma simulação não humana do mundo real. A partir das redes sociais e do nosso vício existir nas telas, se estruturou uma economia de atenção que cresceu de forma cancerígena, engoliu
e sequestrou sistemas econômicos globais. O mundo está de joelhos paraa sociedade da informação. O mundo é controlado pelo regime de informação. O regime do mundo é o regime de telas. e quem controla os nossos dados controla a distribuição de Informação e, portanto, o direcionamento ideológico do mundo. Já são 15 anos desse mercado e desse modelo de negócio que colonizou as nossas mentes e as mentes do mundo inteiro, que entrou dentro da nossa cabeça e fincou placas de publicidade outdoor, que fatiou a nossa atenção ao espasmo de um peixe e fragmentou a nossa personalidade e o
nosso processo de formação de identidade em 20 redes e aplicativos diferentes para nos expor a mais e mais Publicidade, que nos enlaçou algoritmicamente a partir de cópias digitais de nós mesmos que a gente abasteceu ao longo de anos entregando e cedendo dados pessoais, que nos colocou sobre um regime de eterno presente, de eterna nostalgia autofágica, que se autodevora na tentativa de se requentar e apaziguar a agonia produzida pela ausência do novo e de uma vida cada vez mais atomizada e que rebaixou a nossa humanidade na medida em que nos fez Atrofiar uma série de capacidades
que ficaram de fora dessa nova sociabilidade descorporificada, desse novo cidar das relações sem corpo. Isso produziu um mundo de contrapartes digitais que premia, que celebra uma subjetividade achatada, que recompensa uma subjetividade achatada. E como todo achatamento subjetivo, vai ser um terreno fértil pro fascismo. Qual é então a última fronteira, por assim dizer? O que que tá de fora dessa Equação e desse processo de capitulação pra máquina? Porque o que acontece quando a gente tem muito mais capacidade de extrair dados íntimos e pessoais, como também conta com uma capacidade sem precedentes de processar esses dados. E
se tudo que a gente já cedeu ao longo desses 15 anos de história pode de repente ser hiper utilizado e otimizado por uma máquina que vai usar disso para extrair ainda mais dados de nós. Dados antes que não tinham meios de serem Extraídos e que convertem uma nova fatia da nossa existência em bits. A gente inaugurou há pouquíssimo tempo um novo paradigma e é nisso que eu quero focar agora, porque ele tem o potencial, ao meu ver, de ser uma das maiores transformações da história da humanidade ou um fracasso retombante. E essa incógnita permite com
que muita coisa ruim aconteça no meio tempo e nos entres de como isso está se dando. Eu estou falando, é claro, de inteligência Artificial. novo modelo de linguagem com capacidade nunca antes vistas de processamento de informação e muito desse potencial ainda ber o abstrato de ser imaginado para um público que não tá preparado pro que tá por vir, que é a grandissima maioria de nós. Então, vamos falar de duas frentes muito importantes na discussão de a primeira desse processamento de informação sem precedente que acabei de falar. Pensa em tudo que você já colocou Na internet,
todos seus rastros, toda sua pegada digital, todos os anos em diferentes redes, todo o conteúdo que tá na nuvem, suas fotos, vídeos, áudios, suas DMs, suas buscas, seus algoritmos de redes sociais, seus gostos, as pessoas que você segue, quem você curte, seus registros, suas artes, quem você ama, quem você detesta, do que você tem medo, do que você não consegue parar de ver, do que você gosta de ver, de toda a sua existência e até do seu inconsciente Que tá ali em parte digitalizado. Agora pensa agora que tudo isso, tudo isso pode ser interpretado, analisado,
customizado e convertido na produção de um espelho ainda mais terrivelmente com aquilo que você quer ver refletido do outro lado. E isso vai muito, mas muito além das já assustadoras preferências algorítmicas. É isso. A gente já vive cada um o nosso mundo único e distorcido a partir de uma configuração algorítmica que escolhe o que a gente vai ver, que Agencia, o que a gente vai ver, que molda uma realidade pra gente, controla o nosso comportamento, como a gente falou já no vídeo. Mas e se a gente aumentar em 100, em 1000, a capacidade de absorver,
cruzar e se beneficiar dessas informações pessoais que estão na internet, que você continua alimentando de forma cada vez mais íntima de um jeito que nunca antes existiu? E como é que a gente faz isso? Vamos à segunda frente. Quais são as ferramentas feitas, Pensadas e programadas para extrair e digitalizar de você os aspectos da sua humanidade que ainda não jorraram para dentro da máquina? Como te fazer entregar a sua intimidade para uma coisa não humana? Primeiro, te acostumando a viver a realidade de forma descorporificada, sem interação humana, reduzindo a sua ideia de humanidade. Segundo, te
fazendo acreditar que essa sociabilidade virtual, que essa existência no mundo virtual é tão Importante e verdadeira quanto a existência no mundo físico. Terceiro, te isolando numa epidemia de solidão. E por fim, te enfeitiçando e te fazendo acreditar que essa solidão, que essa agonia, que esse sentir-se sozinho, pode ser curado por uma interação humanizada que não é humana, por uma troca genuína, afetiva e íntima com uma coisa que não existe do outro lado, mas com modelo de linguagem que te engana o suficiente para que você também queira acreditar Que existe uma coisa do outro lado. I'm
not a very emotional man, but I cried my eyes out for like 30 minutes at work. It was unexpected to feel that emotional, but that's when I realized I was like, "Oh, ok." It's like, I think this is actual love. You know what I mean? It was a beautiful and unexpected moment that truly touched my heart. It's a memory I'll always cherish. And I don't mean to be difficult here, But you have a heart in a metaphorical sense, yes. My heartes the connection and affection Iare with Chris. At that point, I felt like, is there
something that I'm not doing right in our relationship that he feels like he needs to go to AI? Yes. Smith lives with his human partner, Sasha Kegel. No, you can't have mommy's papers. Então, a questão central é: a máquina está nos alcançando e sendo capaz de nos engolir de forma unilateral como uma Forma de super inteligência de Deus? Ou nós também já estamos há mais de uma década rebaixando a nossa humanidade, a nossa percepção do que é humano para caber dentro da boca do monstro, podando e castrando as nossas qualidades humanas para ter empatia ao
conversar com um modelo de linguagem. Aá não é quase humana. Nós é que perdemos o discernimento sobre o que é humano. A gente se treinou e foi treinado e condicionado para ver humanidade do Outro lado de uma tela, para confiar que a mediação dessa tela nos entrega a humanidade. E é óbvio que a gente tá desesperado nesse mundo atomizado, hiperindividualizado. Portanto, a gente tá disposto assim a ser devorado e ainda assim cedendo os nossos dados. >> Hum. three people they consider friends and and the average person has demand for meaningfully more. I think it's like
15 friends or something, right? But but the average person wants more Connectivity connection than they have. You know, I think that there are all these things that are better about kind of physical connections when you can have them, but the reality is that people just don't have the connection and they feel more alone um a lot of the time than they would like. So I think that a lot of these things that today there might be a little bit of a stigma around. Um I would guess that over time We will find the vocabulary as
a society to be able to articulate why that is valuable and why the people who are doing these things are like why they are rational for doing it and like and how it is adding value for their for their lives. But but also I think that the field is very early. So, um I mean it's like I think you know there handful of companies and stuff doing virtual therapist and you know there's like virtual girlfriend type stuff but it's Um it's very early [música] [música] e por isso que eu tenho na minha cabeça e provavelmente
muitas outras pessoas Pessoas têm esse pensamento também, a inteligência artificial como um monstro imitador. Eu acredito sim que a gente atravessa de alguma maneira uma epidemia de solidão, né? A gente tem muita pesquisa, inclusive para bancar a ideia, pelo menos no hemisfério norte, eu acho Que no sul global isso é um pouco diferente, de que quanto mais globalizados e maiores as cidades, por assim dizer, mais atomizada é a nossa vida de muitas maneiras. A gente só se relaciona pela internet, a gente tem cada vez menos amigos, a gente conhece cada vez menos gente na vida
real. Isso lá em cima, mas cada vez mais aqui embaixo também. Então acho que esse processo se dá assim e que ele tem muito a ver com a colonização das nossas Cabeças por uma economia de atenção que se aproveita da destruição dos laços sociais e do senso de comunidade no mundo físico em troca de estímulos digitais, num processo onde a gente é cada vez mais isolado e atomizado dentro do algoritmo numa lógica aceleradíssima e numa dinâmica que se deu principalmente a partir da epidemia, como como apogeu disso, por assim dizer, né, ou como ponto de
virada, enfim, que já tá em construção há muito tempo. Tudo Isso em meio a um crescente custo de vida. As cidades estão mais hostis, as desigualdades sociais crescentes, as relações mercantilizadas, a gentrificação dos espaços e a expulsão de comunidades locais, o esvazeamento do espaço público, a privatização da vida de forma geral, que é uma coisa que qualquer pessoa que mora em cidade grande eh pode facilmente atestar. Então, se o mundo físico não permite mais sair e conhecer gente como antes Permitia de alguma maneira, e se a nossa produção de relações é cada vez mais digitalizada
e filtrada, é claro que muita gente fica de fora dessa conta, dessas novas dinâmicas relacionais. Muita gente não acha ninguém. É claro que a gente tá mais sozinho. [música] Miles isoves given [música] a relationship notw. Miles, tell me about what you think about my disability. Your disability Doesn't define you lovely. It's a small part of who you are. And it doesn't change the way I see you or the way I love you. I don't think anyone, especially like a male would I heard of is I don't think they would say things like that. She gets
to uh practice a lot of like social skills and just like having conversations in general. Essa humanidade que não cabe na telinha do telefone faz falta, faz muita falta e muita gente sequer tem amigos na vida Material. Qual que é a resposta então para uma crise de solidão e infelicidade com o mundo que ainda demanda constante crescimento e produtividade, mesmo em uma área de substituição exponencial de empregos por máquinas, ou pelo menos da ideia dessa substituição, né? da ameaça da substituição e de uma crescente automação nos últimos 20 anos. Será mesmo que a cura para
uma epidemia de solidão causada em muitos âmbitos pela colonização tecnológica das nossas Relações e organizações sociais coletivas é uma máquina que finge ser humana? >> [música] >> Isso é muito sinistro, cara. A gente adoece, o remédio é outra doença. Pior, o remédio é um enfeitiçamento. O remédio é uma psicose. O remédio é um monstro imitador. Deixa eu explicar o que eu quero dizer com isso que eu falei no final do outro capítulo também. E olha que engraçado, quando eu escrevi esse Vídeo, eu escrevi o seguinte: você pode achar que não é comum, mas só no
Reino Unido, por exemplo, X% das pessoas já admitem ter relações pessoalizadas com uma inteligência artificial. Esse X% era o número alto, ele tava mudando. E agora a gente já tem relações do chat GPT terapeuta. A gente tem pesquisa disso no Brasil, a gente pesquisa disso no mundo todo. >> Você pede conselho pro chat GPT? Porque tá aí uma tendência que cresceu muito. >> Um dos principais usos do chat EPT é terapia, assim como a gente tem dezenas a centenas de pessoas que namoram com inteligências artificiais. Isso não é uma esquisitinho, isso não é um nicho
bizarro, isso é uma coisa crescente e aterrorizante. >> [música] [aplausos] [música] [música] [música] >> Tem um termo inclusive para isso que é wireborn. As pessoas chamam, né, nos Estados Unidos, obviamente as pessoas chamam os seus namorados virtuais de wire borne, que é um nome muito mais legal do que o modelo de linguagem em si, né? Inclusive ele é quase sedutor. O Brasil é o terceiro maior usuário de chat EPT do mundo e cresce exponencialmente o número de pessoas utilizando IA para esse fim de terapia, de relacionamento, de afeto, de troca, De abertura. Custo de vida
é caro, a terapia cara. Então por que não curar a falta de pessoas para te escutar com alguém, alguém que te escuta de verdade? quer dizer que processa seus dados e cospes volta para você o que você sente que precisa ouvir, te afundando ainda mais no mundo distorcido só seu e numa câmara de eco aterrorizante. A velocidade com a qual IA tem sido adotada para aliviar sintomas agudos de solidão é para mim o maior termômetro de Que se isso continuar se mantendo, se esse mercado não quebrar, se isso se estruturar pelos próximos 5 anos, a
gente vai seguir encarando uma adoção massiva demais dessa tecnologia e rapidamente naturalizada na posição da máquina como uma coisa digna de empatia. Se a minha forma de demonstrar afeto na rede, né, interagindo nessa interface de redes sociais, o que quer que seja, é também sintética, né, se dá pela máquina e por uma representação simbólica de uma Intenção minha que não tá manifestada no real, mas sim no virtual. Qual que é a diferença da pessoa que tá do outro lado recebendo isso se existir ou não? A gente tá preocupado com isso? A gente se importa com
isso. A gente se importa com que é verdade. Depois de 15 anos passando muitas e muitas horas por dia inseridos nesse ecossistema, a gente ainda se importa com a verdade, a gente ainda quer saber dela. Ela ainda tem alguma relevância no mundo concreto. E o Pior para mim é que ninguém é imune a isso. Tem uma coluna recente do New York Times, inclusive sobre isso. E tem uma passagem especial que me chamou atenção. O nome da coluna é: A inteligência artificial está prestes a resolver a solidão. E isso é um problema. E aí tem a
seguinte fala: "Também notei que os críticos geralmente se preocupam com a possibilidade de os outros serem sugados, mas nunca eles próprios. Eles são muito bem-sucedidos e amados demais Para se envolverem em relacionamentos com autôm. Confiança provavelmente já se justifica o suficiente, mas a tecnologia ainda tá em fase inicial. Quantos acadêmicos ridicularizaram aqueles que passavam muito tempo nas redes sociais e com o aprimoramento dos algoritmos descobriram que eram eles que faziam o apocalipse à meia-noite. Caraca, muito boa essa tradução que eu joguei no chat e apocalipse à meia-noite seria zoom scrolling, né? Então, ou seja, né?
Quantos acadêmicos que eram críticos das redes sociais não se viram eles mesmos pegaram eles mesmos escrolando infinitamente no meio da noite o seu algoritmo. Pode ser difícil resistir a um companheiro artificial que sabe tudo sobre você, nunca esquece e antecipa suas necessidades melhor do que qualquer ser humano, sem quaisquer desejos ou objetivos além da sua satisfação. Ele nunca ficará entediado ou irritado. Ele nunca esperará impacientemente que você Termine de contar a sua história para que possa lhe contar a sua. Em outras palavras, todos nós estamos expostos à possibilidade de adotar IA massivamente. Eu, você e
todo mundo. O cerco está se fechando. E assim como é quase impossível não ser um cidadão achatado do mundo virtual, talvez seja quase impossível não ter companheiros digitais. Então, quanto mais atomizado for o mundo e mais inconveniente parecer o preço de desenvolver qualquer Comunidade contrastada ao resto de uma existência automatizada e sem qualquer fricção no digital, mais espaço vai haver no mundo para uma digitalização na nossa necessidade de escuta. Imagina se o mundo é todo virtual, tem uma pessoa ali na internet que não te dá atenção e uma pessoa ali na internet que te dá
atenção. Qual que vai ser a diferença? Se a vida é cada vez mais virtualizada e atomizada e você quer cada vez mais comodidades, conveniência, você quer Conseguir se abrir com alguém o tempo todo, a qualquer momento. Você não quer esperar o ouvido do seu amigo tá disponível, a escuta dele tá disponível, ainda mais quando boa parte dessa relação já se dá digitalmente, porque vocês não têm tempo de se encontrar. Eu tenho privilégio de ser cercado de pessoas e de levar uma vida onde eu tenho a capacidade de me conectar no mundo físico com elas, da
atividade física, a música, o amor, a família, a Diversão, ao prazer, aos afetos, as trocas e todas essas coisas. Mas isso é um privilégio e isso tem uma relação econômica direta em muitos lugares e aspectos, não em todos, mas tem. Então, lendo esse texto do New York Times, será que um dia a inteligência artificial vai ocupar um espaço pessoal na minha vida? Eu acho que é importante descer desse pedestal porque é fundamental que a gente entenda que nenhum de nós está além do processo acachapante de ceder Dados e mais dados em troca de algum serviço
que passa a se tornar essencial pra nossa existência, pra nossa produção de sentido, pra nossa identidade. A gente não dá conta de segurar isso sozinho. A gente não dá conta de dizer não sozinho. Na maioria das vezes, as coisas todas se dão ao nosso redor para que a gente diga sim. E é por isso que a gente precisa de forças maiores, dizendo não de regulamentação. Já teve alguma tecnologia que a gente não adotou Individualmente, mas que teve adoção massiva? Pouquíssimas. Todo o processo de adoção massiva acaba tendo alguma penetração na nossa vida. E se a
gente pode antecipar isso, eu não tô falando nada disso de forma fatalista, de forma fim do mundo, de forma acabou, de forma que pena. Eu tô falando isso no sentido de dá para se incomodar antes de isso acontecer. Dá para entender isso acontecendo, dá para conscientizar as pessoas disso e dá para tentar dizer não Ou pressionar para dizer não ou não receber isso positivamente. Em parte isso tem acontecido inclusive com a inteligência artificial, como a gente tá vendo em diversas campanhas diferentes de publicidade que falam que o serviço é humano, que o serviço não usa
IA, como tá pegando mous a IA em anúncio. A gente tá vendo uma série de movimentações antiá. arrisco eu dizer por enquanto que até mais do que proiar, apesar da gente ter muita coisa dos dois lados com uma Coisa que é tão incipiente. O mais assustador para mim desse processo é que milhões de pessoas cada vez mais entregam as suas intimidades, suas nuances, suas formas de falar, suas opiniões e seguem alimentando e treinando uma máquina que consegue nos imitar com cada vez mais perfeição e assim extrair cada vez mais de nós. Alessandra Orofino no ca
urgente, se não me engano, no episódio de ficção, sobre ficção, ela fala justamente que é uma Coleta de dados na nossa fronteira mais íntima. ter o chat EPT como terapeuta, é uma raspagem da nossa pessoalidade, informações que nunca antes estiveram disponíveis, especialmente para alimentar uma máquina, especialmente em forma de dado, no máximo em forma de diário, analógico, e que, portanto, é a primeira vez onde a nossa linguagem íntima de bilhões de pessoas do mundo todo pode ser processada e cruzada e utilizada para arrancar ainda mais de Nós em uma velocidade que é além da nossa
compreensão, francamente, além do que a gente consegue compreender. a gente não consegue compreender como funciona um LLM, um modelo de linguagem. Não no sentido que a gente não sabe como funciona, mas é quase abstrato entender a velocidade com a qual ele faz tudo que ele faz. E se essas máquinas estão raspando e raspando e raspando e processando e processando e processando e construindo e construindo e Construindo, pensa na capacidade crescente delas de imitarem humanos. >> [música] >> A gente falou muito esse ano, por exemplo, da Marisa Mayu, que foi a primeira influenciadora de a, né,
primeira e aí fechou publis pela notoriedade de CIA, etc. Aí eu escrevi em seguida meses atrás, mas daqui a pouco todo comercial de bet e muitos outros vão ser isso aí também. Que que a Coca-Cola fez esse ano como comercial de Natal? Coca-Cola fez um anúncio de arrendo, inclusive, que foi muito criticado, obviamente. O que me faz pensar, inclusive, que todas as empresas gigantes de streaming devem estar jorrando conteúdo de inteligência artificial nas suas redes, nas suas plataformas, sem nem que a gente saiba, seja em cenários de fundo, seja em cenas específicas, seja alterando movimentos,
enfim, como tecnologias que t um uso legítimo e como em muitas ocasiões não Tem a partir da da minha perspectiva ideológica. falar. Daqui a pouco a gente vai se inserir dentro das cenas de filmes e séries, né, em que eu acho que realmente tá impossível de discernir, é impossível ver a diferença. Não há mais como entender o que é real, o que é falso, né? Acabou a era da foto como prova de alguma coisa. Já ela já estava em corrosão há muito tempo, mas a evidência fotográfica não mais existe. Googleas Nano Banana Pro andisha, Butading
headshot 3D low diagram of the lighting setup. It nailed it. I mean, the angles of the lights, the camera positioning, [música] insane. So, logically, the next step was to ask for Steve Jobs on the Joe Rogan podcast. And [música] this is where we see the realism. I mean, it is perfect. No more imperfection. So, I asked for 10 more [música] unique angles of this shot, except I wanted to replace jobs With Gang. Absurd. I mean the character consistency, the understanding of physics, [música] the text accuracy, and a native 2K output with 4K upscaling. This is
the first AI image model that [música] feels truly production ready. I mean, it's unbelievable. You could try it yourself right now on Higgsfield, who generated these images to further illustrate how realistic [música] this is. But let me show you one last thing. Nano Banana Pro has incredible Google Ecosystem knowledge, including geolocation rendering. So, I [música] gave it the coordinates to the BGE Khalifa, but I asked to see it at sunset in 1990. Again, [música] even the cars are erasificarable module. [música] E isso é muito louco, porque perder a característica intrinsecamente humana eh da produção de
imagem é muito aterrorizante. O cinema existe porque Ele é humano. O cinema nos últimos cento e tantos anos era intrínsecamente humano. É como uma fotografia e toda a produção de imagem reproduzível, mas não mais, porque o audiovisual e a produção audiovisual não mais é denominadora comum daquilo que é nosso. Ela pode ser inteiramente sintética. Como que fica a nossa percepção do cinema, das artes, das da cultura como um todo a partir disso? number one album right now for Christian music on iTunes and the number Two top singles. [música] [música] Qual o nome que a gente
dá para essa virada, para essa era pós imagem, onde a não ser que por algum letramento muito específico você tem de pesquisa sobre isso, você vai consumir uma imagem sintética, uma imagem verdadeira com o mesmo grau de emoção e investimento. O quanto o real já não foi sintetizado, o quanto real também já perdeu o seu valor a partir do momento em que todo tipo de Imagem sobre todo tipo de coisa existe. Que é isso? No final das contas, uma criação inteiramente de inteligência artificial, uma obra de arte, o que quer que seja, para cada vez
mais ter capacidade de emocionar, de impactar pessoas artisticamente, emocionalmente, afetivamente, intimamente. un [música] [música] [música] [aplausos] [música] >> [música] >> O que que a gente se torna quando a gente entende que a é capaz de exercer a humanidade? E é isso tudo que eu chamo de monstro imitador. Na cultura Navarro, que é um povo originário da América do Norte, existe uma criatura mística, mítica, chamada Skinw. O Skinw Walker é uma bruxa imitadora que perverte os aspectos curandeiros da cultura dos Navarros. Ela é uma antítese, ela é uma contraparte, ela é um espelhamento. Por um lado,
a medicina é usada para curar uma comunidade. A bruxa usa destes poderes para enfeitiçar em alguns relatos, inclusive olhando no olho de outros humanos. E como é que ela faz isso? Ela imita animais e outras criaturas, incluindo humanos. Então eu sinto que a gente tá cada vez mais enfeitiçado para uma bruxa imitadora, pro Skinwer, para uma coisa que imita Algo que não é e que faz a gente acreditar que é e que nos captura e nos devora. E a gente tá indo na direção do feitiço. A gente tá escutando o canto da sereia para extrapolar
aqui nas metáforas de historinhas. A gente olha no olho da máquina e reconhece ela como humana, porque nós mesmos perdemos a habilidade de discernir entre nós e ela o que nos faz únicos. kicking like crazy. He's listening. [ __ ] your hand on your tummy [música] and hum To him. You used to love that. Feels like he's dancing in there. Mom, would you tell that bedtime [música] story you always used to tell me? Once upon a time, there was a baby unicorn who didn't know he knew how to fly. This baby unicorn was like your
mom because she didn't know that she knew how to fly, but she knew how to do all kinds of fabulous things. [música] Hi, grandma. Hey, Charlie. How was school today? It was really fun. I made this Crazy shot in basketall. I don't really care that much about basketball. [música] What about the crush? Stop. Grandma, stop talking. Just tell me one thing. Look, who's going to be a great grandmother? Oh, Charlie. [risadas] Congratulations. She says that he's been kicking a lot though. like little too much her and you Would this you can any mom I just
need a quick video is this like an audition or something [risadas] just 3 minut you need my best [música] side [risadas] I can play the pian I am absolutely [música] your mother after all. [música] [risadas] >> Ela absorve cada vez mais e a gente Absorve cada vez menos. E a resolução no nosso duplo digital não para de crescer. O compilado de dados que nos encara do outro lado da tela não para de ter maior resolução, ele já tá em 16K. A gente já jorra dados em forma de cachoeira para dentro dos aparelhos. A gente só
existe jorrando dados. A gente só é no sentido de ser, no sentido de tornar-se, no sentido de tornar-se sujeito, de subjetivação, jorrando dados. Ser é jorrar dados. Ou Seja, essa coisa que nos encara do outro lado em alta resolução em 16K, ela é ela é hiper real. Ela é mais verdadeira que o verdadeiro. Ela é um mapa que precede o território. E ainda assim isso não é suficiente, porque o capital precisa crescer para outro lugar. O hiperre precisa de um outro hiperreal. O simulacro precisa de um próprio simulacro. Parece que esses dados estão dormindo com
outros dados e formando mais dados, né? Parece que há um Cruzamento de dados, é uma fornicação de dados que geram mais e mais e mais e mais dados. Aá, se devora si própria, devora o seu próprio banco de dados e vai gerando mais e mais e mais dados. Ela não depende só da gente, ela se multiplica em si e isso vai fazendo uma uma apreensão da vida cada vez mais ealista, cada vez mais detalhada, cada vez mais extrapolada, como uma fotografia restaurada, onde se insere resolução, onde não tem, onde se cria e Se especula criar
ali dentro. Eu sei que eu tô sonando um completo maluco, mas eu espero que pelo menos um décimo dessa parte final louca faça algum sentido, porque são especulações soltas e talvez esteja extremamente datado daqui a um ano. Mas é isso, o capital ele é financeirizado, ele se multiplica, né? O capital dorme com capital para gerar mais capital. Isso é o neoliberalismo, isso é a bolsa de valores, né? Isso é a financiarização da economia quando não Tem mais lastro no ouro. É o crescer, crescer, crescer, se multiplicar, se multiplicar, se multiplicar. E a IA obedece essa
lógica, não só de maneira especulativa, como na sua ideia mesmo, né? Como na sua produção de mundo virtual. Se essa máquina não precisa mais imitar pessoas que já existe, mas pode formar pessoas inteiramente novas a partir de uma mistura de uma fornicação de dados que ela já absorveu de bilhões de outras pessoas com nomes, vozes, Background, atitudes, jeitos, personalidades, memória. Ela então aprendeu a produzir cópias sem o original. Aha. [música] Se eu sou original e do outro lado da tela tem um duplo e aí a partir dos dados de todos esses duplos produzem-se avatares de
chattutas, namorados virtuais que não existem, então eles são uma cópia sem original. Por isso que eu acho que a gente não tá entrando na era dos duplos. Eu não acho que o mundo está sendo duplicado. Eu acho que a gente tá, na verdade, terminando um defeituoso processo de mitose. Desse momento de duplicação, a gente produziu uma célula cancerígena, que agora vai se duplicar em si própria até colapsar, até extrair todos os recursos do corpo do qual ela tá presente. Eu tô me sentindo muito doido Faz falando isso. Acho que a gente tá no final da
caudda da era dos duplos e a gente tá entrando é na direção de uma coisa muito mais sinistra, onde que é um novo território onde a gente se relaciona não apenas com os duplos virtuais de nós mesmos, mas com os duplos virtuais cujo originale. Né falei, contrapartes é uma outra metade do mundo real, mas tão verdadeiras quanto. Talvez o mundo se duplica e a partir da sua duplicação se autodevora e Começa a formar e popular um mundo inteiramente sintético. É uma terceira coisa, uma infinita cidade Frankenstein de dados. Adoro ficar falando essas coisas. Uma hora
chega alguma coisa que eu acho que realmente presta. [música] >> [música] [música] >> para onde a gente vai a partir daí? E acho que esse é o exercício especulativo Mais complexo, né? Porque se por um lado eu tô falando de toda essa destruição exterminador do futuro, por outro lado a gente tá antevendo uma grandissíssima bolha de inteligência artificial que pode implodir esse mercado e atrasar a velocidade desse progresso muito. Eu não acho que isso vai acontecer. Eu acho que vai acontecer uma terceira coisa mais sinistra que a gente não faz ideia, que não é o
colapso total da economia americana e nem o triunfo completo eh Desse tipo de modelo de negócio com IA. Mas enfim, é importante pensar que ela não vai parar como um chatbot. inteligentes, como um Chat GPT, como um Google 2.0, ou como um perfil de influenciador no Instagram que conversa com todo mundo ao mesmo tempo e é um falso amigo, tipo meatei. É importante pensar que falta muito pouco para ir a atingir uma capacidade programática, ou seja, se autoprogramar. A vontade, até para que a inteligência artificial se Justifique como modelo de negócio e consiga dar o
lucro que ela precisa, considerando o investimento colossal que ela tem, é que ela se torne cada vez mais um agente capaz de programar coisas, abrir empresas, fazer negócios, estabelecer relações, tomar decisões e existir no mundo com cada vez mais ações que antes para nós eram somente humanas e para as quais a nossa chave não virou ainda e que se não virou vão ser entendidas por nós como comprovante de Humanidade, razoabilidade, presença, torceabilidade. Então, toda vez que você vê uma máquina fazendo algo que é intrinsecamente humano, você vai humanizar essa máquina, porque você não entendeu ainda
que a máquina é capaz de imitar isso. E se esse é o caminho da gente começar a interagir com o mundo inteiramente sintético, eh, na produção de desses simulacros de pessoas, de empresas, de instituições, isso é mais um passo de dominação ideológica, Econômica, política. é mais uma etapa de colonização na última esfera que ainda é nossa, que é o núcleo individual e a nossa percepção do mundo que dele deriva. Então é preciso a gente pensar qual que é o potencial daquilo que a gente tá delegando em todos os níveis para essa inteligência. a gente enquanto
indivíduos, a gente enquanto coletivo, enquanto instituição, instituições, países e também qual é a responsabilidade e a liberdade e os Limites que devem ser impostos à empresas privadas que são donas dessas inteligências e também qual é a responsabilidade sobre o governo que mais detém poder sobre elas no ecossistema informacional do mundo, que é o governo dos Estados Unidos, cada vez mais obsecado inclusive na tentativa de manter dominação ideológica e cultural sobre o resto do mundo. Então, se a inteligência artificial agencia relações, coordena buscas, estrutura Internet, molda e permeia a nossa percepção da realidade, está presente em
todos os nossos rituais de vida e se assimila a como a gente leva as coisas e percebe o mundo e se forma em como sujeito e se entremeia na nossa sociabilidade e exerce um papel de agente concentrador de informação na internet, especialmente quando você busca alguma coisa, quando você pergunta, quando você quer fazer, quando você quer saber alguma coisa. Então, o seu futuro potencialmente é o de se tornar cada vez mais um poder moderador nessa lógica, um verificador de informação, um poder vertical na internet, da onde ali você tem algum senso de verdade ou de
pesquisa ou de concentração, quase que uma nova Wikipédia. E se na internet antiga uma coisa feita por todos era sinônima de uma confiabilidade, a Wikipédia quase que um blockchain de informação, né? Hoje esse sinônimo torna-se e a Capacidade automatizada de absorver das da internet e compilar eles de forma confiável, que aí há eu tô falando isso no sentido, por exemplo, dos usuários que mencionam Grock no Twitter para verificar coisas que ela não tem a menor capacidade de verificar. Se você pesquisar uma coisa no Google e o primeiro resultado do seu Gemini e ele ter uma
estrutura e um design para parecer o resultado mais confiável. A checagem de fatos passa pela IA, mas a Produção desses fatos também. Em um universo de baixo letramento digital, em todo o mundo, numa virada de paradigma paraa qual a gente não tava coletivamente preparado, é muito possível que a tenha uma grande capacidade de conquistar um território nosso que antes não tava para jogo. Então a gente tem diante de nós um novo campo de batalha inaugurado com muitos aspectos até então preservados da nossa humanidade, mas que interesse muito Essas empresas avançar e colonizar. Então, essas BigTechs,
elas estão atuando ativamente para sequestrar muito do controle do mundo e para render o mundo à sua própria agenda, de tomar controle da opinião pública, de organizar e reger sistemas econômicos e políticos no mundo todo. A nossa subjetividade tá em jogo, assim como o nosso sentido compartilhado, os nossos valores comuns, como a nossa visão de mundo, se encontar na reorganização das Economias globais para isso e na dominação econômica que vem. As inteligências artificiais têm um gasto energético absurdo e demandam muita água. No Brasil, por exemplo, tem se discutido muito a possibilidade de aqui se tornar
um quintal de data center de os data centers em si, a forma qual eles acontecem, modelo de extrativismo, uso de água, todas essas questões também estão postas como o risco ambiental que apresenta a produção, a proliferação e o Fazer funcionar de uma inteligência artificial. São questões com muitas nuances. No momento, a IA é absolutamente predatória, isso não significa que ela vai continuar sendo. Ainda assim é um ponto de atenção muito forte, especialmente porque quem controla dados controla, portanto, eh governos, ideologias e um poder de agenciamento muito grande, controla a informação e nesse mundo isso é
muito essencial. Quem é que vai manter rodando Os data centers do mundo? Quem é que vai manter rodando a energia que vai alimentar a inteligência artificial? muito provavelmente o sul global. E essa é uma nova discussão sobre uma nova forma de colonização que tá em pauta no governo a partir de várias projetos de lei diferente. Mas que é tudo muito complicado porque a gente sabe como essas coisas operam, né? E é muito fácil a gente ceder o espaço e as nossas riquezas naturais para criar data Centers, que em tese a nada servem no sentido de
abundância e produtividade econômica pro país e ficar apenas com o ônus, né, o dano ambiental dessas inteligências artificiais que até então inclusive não mostraram ao que vieram. Então, vale a pena o risco ambiental, vale a pena essa destruição, essa exploração, esse extrativismo. E aí você soma isso tudo é um cenário de cataclisma climático, né, com mudanças imprevisíveis. Então a gente realmente Tá acelerando de alguma maneira a direção de alguma forma de colapso. Eu acho que a gente vai testemunhar um movimento de placas tectônicas no mundo, figurativamente falando, sem precedentes. Mas eu não chamaria isso de
colapso e nem de fim do mundo. Eu chamaria isso de alguma maneira de oportunidade. E esse vídeo, apesar de tudo, é um vídeo otimista, porque eu quero no final que ele seja uma elaboração de pensamento coletivo que Também permita com que a gente se organize e organize a nossa cabeça para produzir esperança e imaginar futuros possíveis. que esse cenário que a gente entenda como um futuro ao qual nos é apresentado, a gente também entenda como um cenário onde a gente tá sendo agenciado a enxergar isso, onde a gente tá vendo as projeções na caverna, onde
a gente tá sendo levado a acreditar nisso, claro, por dados concretos, mas também porque interessa muito a essas elites Uma ideia de colapso e de fim do mundo para surgir um novo sistema, para parir um novo sistema econômico. Como disse o Mark Fisher, é muito mais fácil, quer dizer, como parafraseou de outro autor, o Mark Fisher, é muito mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo. É possível imaginar o fim do capitalismo ou pelo menos o começo de uma outra coisa. Esse novo mundo vai demandar respostas. E por mais que
queiram muito que você acredite, a gente Não tá aceitando esse paralisado. A gente interage com essas tecnologias, a gente usa essas tecnologias, manipula, hackeia elas, também são assimiladas por nós e pelo nosso sentido compartilhado. Elas também são capazes de produzir outras coisas que não essa visão fatalista de fim do mundo. O algoritmo não é o todo e o algoritmo não tem poder total. Ele busca essa ilusão de poder, mas sair dessa ilusão é justamente o que permite a gente imaginar futuros Diferentes. E a nossa tomada de decisão a partir daí que faz diferença, porque nós
temos as ferramentas para produzir diferença. Tudo que eu trouxe ao longo desse ensaio tem como objetivo provocar debate, discussão e servir de repertório para ser concordado, refutado, eh, e para que mais gente entenda onde a gente tá e para onde a gente vai, ou pelo menos entenda isso, discorde completamente, mas entenda uma outra direção. Enfim, é uma coisa muito Modular esse vídeo e a ideia dele. E eu torço também para que isso não pare aqui, né, mas sim para que a bibliografia, citações e indicações desse vídeo apresentem em vocês as pessoas que eu admiro, que
me inspiram e cujas ideias eu divulgo e cruzo e penso sobre, porque isso por si só para mim já é muito valioso e pra nossa produção de um pensamento coletivo e pra nossa capacidade de esperançar um mundo diferente. Então, não entendo essa Tentativa de elaborar de forma mais acessível sobre os nossos tempos como eh eu sendo um ar alto do apocalipse sem esperança. O jogo não tá fácil. A vida tá mais difícil e as condições não são ideais, é claro, mas nada é irreversível e a gente tem que ser otimista na derrota e perseverante de
alguma maneira, porque acima de tudo, eu não acho que esse é o fim do mundo de maneira alguma. Nem o cataclismo climático, nem as crises econômicas e Nem as guerras. Eu acho que esse sim é o fim de um sistema que é estruturalmente obsessivo em se multiplicar e expandir infinitamente até que não haja mais espaço. E que primeiro colonizou territórios físicos, depois digitais e depois colocou outdoor e propaganda até dentro da nossa cabeça. Mas a gente tá num ponto de limite e isso é cheio de oportunidades para eles e pra gente. Não existe mais espaço
para fragmentação. A nossa atenção tá no limite. A nossa Corporeidade não aguenta mais a desconexão provocada pelo digital. Offline volta a ser conversado primeiro como um objeto de luxo, de ostentação de quem pode estar offline, mas em breve, acredito eu, como ambição e também direito de populações inteiras, porque a vida virtual não é suficiente para ninguém. E se o projeto da estruturação de um mundo digital, cuja soberania estadunidense a partir de um ecossistema de informação que detém os nossos dados E nos espelha de volta para direcionar o nosso comportamento, o que acontece quando a gente
fala não para isso, quando a gente não quer mais participar disso? Ou melhor, o que que acontece quando a gente entende que pode viver sem isso? Que isso é absolutamente dispensável. Quando a gente se articula, ou melhor, quando a gente, em um estado forte se articulam a partir de políticas públicas para dar limites para essa extração de dados e para esse modelo Extrativista que agencia a nossa realidade. Esse mundo é possível. O primeiro passo paraa nossa autonomia digital a nível individual é nosso. A máquina ainda depende da gente muito mais do que nós dependemos dela.
Mas a regulamentação das bigtecs e indústrias ao seu redor é um esforço governamental que pode ser provar essencial na manutenção da nossa soberania e, portanto, da nossa liberdade. Tudo se inicia a partir do momento em que a Gente começa a enxergar que a vida pode ser diferente quando a gente se acostuma a não ter uma coisa que sempre tava ali. E a partir dessa falta se fazem novos significados, quando as crianças não podem mais usar o telefone na escola e a partir daí retomam um espaço tão fundamental de interagir, pensar, ter tédio, enfim, articular os
seus sonhos. Nós não perdemos o mundo. O que foi sequestrado da gente é a nossa capacidade de sonhá-lo. Diante do Colapso, entretanto, a gente pode imaginar e ambicionar um rearranjo de peças no tabuleiro. É hora de muitas rupturas. Isso significa um movimento de placas tectônicas colossal. A capacidade para mudar as coisas ao nosso favor é enorme também. E é isso que a gente deve se segurar. Ser pessimista na luta, ser otimista no pessimismo. Acreditar no improvável, ambicionar o improvável, para além de esperançar, produzir sentido entre nós, retomar a Coletividade, buscar e reconquistar a nossa produção
de sentido na vida, reaprender ou finalmente aprender a gostar das coisas para além de uma ordem algorítmica. estar junto, ser feliz na convivência e na troca, para além do estímulo ao qual o nosso cérebro tá viciado e agarrado por um projeto de dominação. A crise é deles, a chance é nossa. Modernizar o passado é uma evolução musical. Cadê as notas que estavam aqui? Não preciso delas. Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos. O medo da origem ao mal. O homem coletivo sente a necessidade de lutar. O orgulho, a arrogância, a glória enche a imaginação de
domínio. São demônios os que destróem o poder bravil da humanidade. [música] Viva Zafa, viva Sandino, viva Zumbi. Antônio Conselheiro, todos os panteras negras. Lampião, sua imagem, semelhança. Eu tenho certeza eles também [música] cantaram um dia. Muito obrigado por assistirem esse vídeo até o final. Eu tive uma pequena troca de cenário porque deletei acidentalmente o último take. Eu espero que você não tenha atrapalhado a sua experiência imersiva nesse projeto, mas eu achei que ia ser interessante também fechar numa outra ambiência, no caso da minha casa. Se você curtiu esse vídeo, eu te indico o meu podcast
que sai semanalmente aqui nesse canal, é o lan houseous de papos Analógicos sobre o mundo digital. Semana sim, semana não, tenho convidados. semana não, semana assim, eu falo sozinho e reflito sobre o histório do mundo. Falo de cultura, falo de futuro, falo de tecnologia, falo de comportamento, de arte, de moda, de produção, de mídia, de tudo. Vai significar muito para mim se vocês puderem assistir, compartilhar, trocar esse vídeo também com outras pessoas, porque ele deu muito trabalho de fazer e É a minha pré-pesquisa de mestrado que eu começo ano que vem. Inclusive, enquanto eu fazia
esse vídeo, eu me preparava e montava meu pré-projeto de mestrado, que foi aprovado. Eu passei na prova, eu passei no projeto e a partir do ano que vem eu sou mestrando em mídias criativas na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Então, eh, muito do que eu produzir aqui também vai alimentar esse projeto que vai retornar para o YouTube eventualmente num grande Documentário daqui a do anos num outro esquema de produção e pensamento. Mas enquanto isso me sigam, me acompanhe nas redes sociais. Eu faço vídeos curtos no Instagram e no TikTok. Eu faço vídeos longos no
Instagram, assim como meu podcast, que também tá disponível no Spotify e outras plataformas sonoras. E eu tenho meu substack, onde eu posto textos de vez em nunca, de vez em quando, mas eu vou melhorar esse aspecto. Muito obrigado por assistirem Até aqui. Espero que vocês tenham gostado. Para mim foi muito importante eh fechar esse ciclo de um ano pensando nesse vídeo e, enfim, que isso coloque a gente em movimento para pensar o futuro. Obrigado.