as máscaras de Dandara Serafina Machado não entendia o por mas sentia que o mundo a perseguia Como se quisesse destruí-la sentia pavor de estar perto de outras pessoas parecia que um simples olhar ia petrificar para sempre não encarava ninguém não conseguia ainda a criança para se proteger decidiu esconder-se atrás de máscaras no primeiro dia de aula foram tantos os olhares viu tantos risinhos percebeu tantos coxixos que sentiu-se empurrada quando deu por si estava na última carteira no canto esquerdo da sala o medo dominava estava acuada e sem conseguir se controlar fez xixi na roupa seu
constrangimento aumentou seu rosto queimava de vergonha ficou sozinha na sala durante o intervalo pois não poderia levantar-se expor-se aos olhares dos colegas precisava esconder seu crime na solidão da sala de aula juntou um pouco de pó de Giz e jogou por cima ped indo as Fadinhas que nunca tinha visto que a transformasse em qualquer coisa mas se escondessem aquela aparência que despertava tanto sarro Foi então que surgiu uma máscara de madeira com semblante triste e pálido passou a usá-la Mas isso não afastou os olhares que atingiam como facas ou os risos que tais como pregos
atravessavam a madeira que deveria protegê-la a atenção que os outros tinham sobre ela incomodava pois era mesclada com piadas e uma dolorosa melodia nega do cabelo duro que não gosta de pentear ou com o irônico chamado Olha a do Saravá ela nem ao menos sabia o que era saravá sabia apenas que era algo ruim a mãe dizia que eram coisas usadas para o mal de outras pessoas e ela não queria o mal de ninguém só queria ser aceita queria fazer parte quando era excluída dos grupos de trabalho e das brincadeiras colocava um sorriso vago no
rosto para mostrar que não se incomodava que estava feliz ela sabia porém que a máscara de papel que sustentava tal sorriso não POD podia ser usada por muito tempo logo estaria destruída era fina frágil descartável se falavam dela com a intenção de atingi-la fingia seriedade e tentava resolver um problema de matemática forjando desinteresse e ao mesmo tempo mostrando sua grande inteligência para os professores era sem dúvida um grande destaque brilhante para os colegas de sala apenas uma suja fedida feia durante os vários anos letivos usou máscaras de todos os tipos simples com complexas articuladas ou
Imóveis zoomorfas ou híbridas feitas de folhas de cascas ou de tecido de pele ou de couro de Conchas forjadas em ouro prata ou outros metais escupidas em pedra ou cozidas em cerâmica sempre tentando pertencer sempre dilacerada tornou-se múltipla e vazia sombras deformadas já não se conhecia mais já não existia era apenas um fantasma um zumbi vagando assustadoramente com seu corpo deformado mas que não assustava causava riso tornou-se uma jovem Sonhadora e muda afastava as pessoas tinha receio de que pudessem vê-la em sua interioridade temia ser rejeitada e por isso evitava o contato a multidão julgava
que cada um era parte de um exército armado para derrubá-la ao andar pelas ruas demonstrava um olhar sério e distante tentando dar a impressão da inteligência e superioridade mas se algum rapaz passasse elogiando a beleza da moça que estava logo à frente ou a atrás de si escondia inveja sob uma máscara simples de Desprezo total pelo mundo no fundo achava-se feia pouco atraente pois era o que sempre diziam sobre ela que era feia e tinha cabelos pixs que nunca cresciam ironizavam dizendo ser cabelo bombo o nariz amassado as pessoas Riam dentes esquartejador deformadores ela era
feia e não tinha namorado lembrava-se das histórias que a mãe contava a bizavó era branquinha tinha os olhos azuis descendente de italianos casou-se com negro e nasceu a avó pele mais escura mas ainda branca e com os olhos azuis casaram-se com negro e seus filhos nasceram com a pele mais escurecida sua mãe também casou-se com o negro e ela nasceu negra de cabelo duro e com o nariz amassado as pessoas diziam que nem parecia uma menina era feia sentia a raiva da bisavó da avó e da mãe deveriam todas ter se casado com um homem
branco pois assim ela faria parte de algum grupo na escola poderia brincar com as outras crianças no início da adolescência usou uma máscara de plástico Branca as pessoas diziam que estava bonita sentiu enfim que pertencia que fazia parte mas com o tempo notou que a máscara a asfixiar era uma agonia parecia que ia morrer não pode mais com aquele Disfarce a máscara causava muita dor queimava por dentro a corroía inteira seu disfarce tornou-se Chamas desfigurada ela deixava de ser uma pessoa humana transformava-se num Centauro cíclope um olho apenas aberto e cego o único ponto de
vista ela não se via perdia-se morria arrancou a máscara continuou um patinho feio que precisava se refugiar de sua aparência Escolheu os estudos passou no vestibular e viu que os colegas da Universidade tinham sobre ela um olhar de Coitadinha o que poderia se era Negra loucura parecia muito mais um bicho quando acuada no canto esquerdo da sala não se importou vestiu a máscara de Coitada de quem está despreparada para a vida acreditando que uma pessoa deveria mostrar-se mais fraca do que é aos inimigos com isso deixou todos impressionados com sua primeira apresentação oral E no
fim do semestre com as notas mais altas da classe ela era brilhante no último ano do curso atingiu a oportunidade de substituir uma colega no cursinho pré-vestibular o o emprego estava mais do que certo a colega havia feito referências sobre sua capacidade ao diretor a apostila tinha sido entregue para que preparasse a primeira aula era apenas ir até a escola e acertar os detalhes para a contratação alisou o cabelo para apresentar uma boa imagem mas não sabia que máscara deveria usar para aquela ocasião era sua primeira oportunidade de emprego como professora estava ansiosa precisava impressionar
colocou então a que oferecia uma imagem de seriedade e prep ou essa era a sua face real não sabia também não importava pois precisou mudá-la quando viu a cara de decepção do diretor diante de uma negra com a pretensão de ser professora colocou a máscara simpatia era a aparência oficial a aparência necessária nos momentos em que precisava sufocar a mágoa a agressividade queria dizer ao diretor que ele era preconceituoso um racista nojento e que ela era brilhante inteligente que seu conhecimento não estava na sua pele porque se fosse assim ele era burro demais pois mais
parecia uma página em branco ela era um acúmulo de história escritas tão variadas que pigmentar sua pele mas nada disse ela não queria o mal de ninguém lembrou-se da mãe e que precisava dizer a ela que saravá significa força que movimenta a natureza e força era o que ela precisava naquele momento por isso usou a máscara autoconfiança enquanto o diretor atacava com inúmeras perguntas e exigência de experiências anteriores Sim já trabalhei com licenciatura antes lecionei no colégio Nilo Pessanha Claro claro ligaremos Assim que decidirmos ela apenas sorriu uma esperança uma esperança que não existia a
ligação foi feita no dia seguinte infelizmente contratamos outra professora por gentileza deixe com a Ana Paula apostila do curso Ela estuda com você né Tudo bem respondeu não encompridou alguns meses depois aprovada no concurso público começou a trabalhar em uma unidade de saúde como recepcionista convivendo com diferentes tipos de pessoas Sentiu necessidade de utilizar uma máscara amável durante as 8 horas que passava ali ao final do expediente no entanto a máscara sempre estava deformada tendo que ser substituída a cada novo dia diante da agressividade das palavras ofensivas dos pacientes e dos colegas de trabalho colocava
uma máscara chumbada de Sorriso pois não queria que outras pessoas vissem as lágrimas humedecer a más Era Sorriso que era confeccionada em papel manteiga e rapidamente se destruía sem amigos verdadeiros não se incomodava e manter a máscara complexidade o que não permitia que alguém pudesse entendê-la pois esta também era confeccionada em chumbo e por isso ela poderia chorar se abalar jamais encontrou porém a máscara felicidade uma máscara que não se quebrasse diante da intensidade de todo o ódio que guardava o mundo parecia tão cruel que qualquer qualquer máscara parecia feita de areia e para uma
mulher de areia mulher desmanchada pelo vento despedaçada dispersada de si perdida um ano depois a formatura e o novo concurso tornou-se professora por seus próprios méritos era brilhante no exercício de sua profissão diante de perguntas armadilhas que faziam a fim de testar os conhecimentos da mestra diante dos olhares inquisidores de capacidade diante das caras desprezo que a observavam assumiu como sua própria p a máscara indiferença era uma máscara de ferro mas que não a protegia ao contrário embrasa marcava tristeza em seu olhar a distância que mantinha em relação aos demais professores diminuiu quando esbarrou em
um novo professor que Viera substituir outro que adoecera quando seus olhos se cruzaram algo aconteceu em seu corpo e com uma intensidade tão grande que a máscara que usava arrebentou se ela sentiu medo mas desta vez não se protegeu beijos rápidos na garagem da escola como se fossem dois adolescentes carinhos desconhecidos e a decisão de entrega no motel as Carícias foram interrompidas sentiu medo refugiou-se no banheiro estava assustada pois sempre esteve em uma estrada cheia de mil possibilidades e raramente escolhia o rumo certo perdia-se encontrando estradas que a conduziam para o nada ou para algum
absurdo outras a conduziam para um jardim de promessas promessas nunca cumpridas mas agora é era hora de tirar os disfarces aposentar as máscaras e reavaliar reavaliar se precisava tirar as máscaras do armário que estava dentro de si sentia que naquele momento não precisava e não poderia ser um personagem queria sem arrependimento ver a partida da criança humilhada da mulher rejeitada da da profissional preterida da professora desvalorizada da mulher sorridente vazia era necessário reinventar-se apalpar no nevoeiro de quem era a algo que fosse uma essência descobrir-se nua estranhou os olhos castanhos os cabelos crespos o nariz
achatado que máscara ela usava naquele dia era a única que ainda permanecia sua alma diante do espelho uma alma que saía do armário e identificava-se era dantara e sorriu ao ver a única máscara que não poderia jamais tirar sua própria pele pele negra olhava no espelho nua negra linda admirou-se Passou as mãos nos cabelos tocou o nariz as orelhas tocou levemente o queixo desceu a mão conhecia-o tocou o seio suavemente lá demorou amava-o com o indicador fez movimentos circulares fechou os olhos e sentiu um arrepio maravilhoso que começou nos pés e terminou nos cabelos tocou
a barriga enfiou o dedo mindinho no umbigo e Ficou ali acariciando se ia sozinha explorava se a mão correu pelo ventre fechava e abria a boca os próprios lábios beijava as mãos os braços sentia-se desejava-se acariciava calmamente pausadamente demoradamente afastou-se do espelho cheia de coragem sentia como uma heroína sem máscaras Sena como uma guer armada da negritude e Negre um exito de sombras era vencido Voltou ao quarto sem medo sem disfarces e entregou-se a si fim n