Olá a todos, sejam bem vindos ao nosso canal eu sou o Mário dirijo o Templo Espiritual Caboclo Pantera Negra e o Ilé Ifá Ajàgùnmàlè Olóòtọ Aiyé, seguindo na sequência de vídeos em que eu falo sobre o Islã, hoje o assunto é sobre a influência que a religião islâmica, o Islamismo teve na Umbanda, no Candomblé, eu Espero que aproveitem esse vídeo O Islã como eu falei nos vídeos, começa em 610, já em 630 já havia a penetração de muçulmanos pela África por meio do Comércio. Então essa penetração foi acontecendo bastante pequena com Comerciantes que davam um exemplo que as pessoas viam que eram Comerciantes honestos, Comerciantes bacanas e foram dessa forma algumas conversões foram acontecendo, mas somente no século 11 que realmente há uma expansão maior do Islã pela África, nesta primeira fase especialmente é pela África naquilo que nós chamamos na região do Sahel, o Sahel essa penetração acompanha o Sahel, o Sahel é uma área desértica do Saara que acompanha à linha do Equador, então a penetração em especial do Comércio começa a entrar pela Etiópia, pelo Egito e chega até a mauritânia no lado de lá da África. Então essa parte todinha o Islã começa a participar do Comércio.
Então essa primeira fase é a fase chamada da fase Berbere, que vai até o século 13 nessa época o Islã começa a entrar na África e há aquilo que nós chamamos dos amalgamentos e sincretismos entre as religiões autóctones, a religião do povo africano que morava nessas áreas com o Islã então não se dá pra falar ainda em que havia uma conversão ao Islã com toda aquela carga que o Islã representava para que as pessoas abandonassem a crença autóctone, a crença delsa para se devotarem ao Islã e também nesse começo quem se convertia ao Islã eram mais as classes abastadas, ou Comerciantes porque também viam nisso em princípio uma forma de se aproximar dos Comerciantes que vinham fazendo comércio com a África. Somente na segunda fase chamada de fase Mandinga, vejam, a palavra mandinga se refere a um grupo étnico que acaba tendo um império que dura dois séculos na África e que depois esse nome vem no Brasil como sinônimo de feitiço, porque como eu falei havia a troca entre as religiões autóctones e o próprio Islã e os mandinga possuíam muitas práticas chamadas de práticas mágicas e práticas de proteção que se usavam diversos elementos para proteção ou para que não tivesse nenhum mal e aí usavam-se algumas bolsas, alguns amuletos, alguns talismãs e quem os faziam eram os mandingas e aqui no Brasil também teve o mesmo princípio desse povo. Depois na terceira fase do Islã que é a fase Songhai nessa fase acontece realmente bastante conflito em que começam a vir teólogos do mundo árabe para a África para quererem dizer que não era permissiva e não podia acontecer as misturas que antes aconteciam entre religiões autóctones e o Islã que foi chegando, primeiro a escravização acontecia daqueles que eram capturados em guerra, e as guerras aconteciam por qualquer motivo, não havia só guerra pelo Islã a questão maior era para a questão das rotas comerciais, pelas minas de ouro ou por alguma das commodities que na época existiam.
Então isso tudo fazia parte dos conflitos que existiam, desses conflitos já havia produção de escravizados. Lembrando que na África a escravização assim como no Brasil e assim como na Europa sempre existiu. O fenômeno da escravização não foi um fenômeno africano é um fenômeno Mundial você vai encontrar exemplo de escravização em diversos povos tradicionais do mundo , o africano é um deles, Ok?
Depois no século 17 até o século 19 foi Império Fulani, esse muito mais ainda foi a ideia do Islã estrito, quando um sábio chamado Usman dan Fodio faz uma guerra contra tudo aquilo que ele achava que não era adequadamente como Islã. Então ele colocou três categorias de pessoas que poderiam ser escravizadas, que era aquela pessoa que não fosse muçulmana, uma pessoa que era muçulmana mas fazia as suas práticas ancestrais ou aquela que não se importava com quem fizesse as práticas ancestrais. E aí foi também quando o império de Ọ̀yọ́ também cai, é nessa mesma época que tudo isso acontece, logicamente os escravizados de todas essas questões vem dar no Brasil e aqui logicamente isso também influencia de toda a sorte a forma como o Candomblé vai sendo construído, e a Umbanda também vai sendo construída.
Em primeiro lugar, alguns costumes que foram registrados entre os malês, a palavra malê que houve a Revolta dos Malês em 1835, essa revolta foi o ápice de uma revolta de muçulmanos porém antes dessa revolta, houve outras quatro revoltas na Bahia feitas por muçulmanos contra a escravização, porque para o Islã não é admissível que haja a escravização de pessoas por outras pessoas, essa ideia ideia de que não é possível escravizar os seres humanos por outros seres humanos é fundamental. Inclusive a conversão de muitas pessoas ao Islã se deu em razão disso, já que não se pode escravizar outro Muçulmano, vou me converter pra eu nunca ser alvo de escravização, então também havia isso e também com a vinda dos europeus para a África a partir do século 15, realmente para tentar buscar cativos para escravização, para exportação de mão-de-obra escrava, isso passou a também fazer grande parte da questão financeira do africano, então o africano também passou a ter todas essas questões em razão do Comércio de seres humanos que a Europa especialmente se organizou para fazer, porque havia um amalgamento entre europeus e africanos para que capturassem pessoas no território africano, dando no Brasil, no Brasil houve as questões dos quilombos com a mistura entre indígenas e africanos e degredados portugueses especialmente que formavam os quilombos, havia uma troca entre eles constante, costumes africanos com costumes indígenas e com a parte popular do catolicismo, Popular europeu tudo se misturou nos quilombos e o primeiro exemplo que temos disso é a Santidade que é do século 17, já é um tipo de culto que já forma no Brasil entre cristãos e entre indígenas com o tempo isso foi sendo burilado, nós vamos ver nas irmandades católicas tanto em Salvador como no Recôncavo Baiano parte delas em que Pese serem católicas, quem as fundou eram de muçulmanos porque era um momento que eles podiam se reunir entre si e não ter a perseguição do estado na época, da monarquia melhor dizendo em relação as suas reuniões. Quando Explode a Revolta dos Malês, eles são capturados voltam por degredo para a África e muitos fogem, há uma grande parcela de Malês que vão morar em Penedo, Alagoas e outros descem até o Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro vão se estabelecer no que nós conhecemos como pequena África e na pequena África nós temos diversas pessoas importantes na tradição afro-brasileira que eram muçulmanas, Tia Ciata por exemplo que é a a madrinha, a matriarca do Samba, graças a ela o samba Hoje existe, uma sacerdotisa de Candomblé, o nome dela era Aisha, o nome dela islâmico, ela era muçulmana assim como outras Inúmeras pessoas um dos principais elementos da tradição afro-brasileira, do Rio de Janeiro chamava-se Uthman e aqui o nome que chamavam ele era Assumano, mas do Árabe Uthman que é o nome do terceiro Califa do do Islã.
Então isso já existia também essa troca, quem protegia os terreiros aqui no Brasil, melhor dizendo, no Rio de Janeiro, da perseguição policial eram os Malês, quem trouxe muito daquilo que nós entendemos como as magias de proteção vieram com os Malês, os Mandinga eram Malês também porque eram os pretos que eram muçulmanos, era o nome geral que era dados a eles de Malês então isso também ficou permaneceu na lembrança até inclusive hoje se nomeia a Kimbanda Malê porque o Malê acabou tendo a ideia de que ele era o cara que mais sabia de feitiço, de magia, forma de proteger para ter amor, para ter dinheiro, essa fama que os Malês detinham existia tanto no Rio de Janeiro quanto na Bahia, Salvador Recôncavo baiano. Além disso nós vamos encontrar os Limanu, são aquelas pessoas que conduzem a oração em suas comunidades o pesquisador Clóvis Moura ele identificou mais de 40 Limanus, que tinham mesquitas em Salvador, porque em Salvador chegou a ter um terço da população negra de muçulmanos, pra vocês terem uma ideia de quanto que foi importante na formação do Candomblé, no livro O Candomblé da Barroquinha você vai encontrar toda a descrição dessas pessoas que se importavam tanto na construção do Candomblé em Salvador, e esse mesmo pessoal também teve importância fulcral no desenvolvimento do Candomblé carioca que também é tão importante quanto Candomblé de Salvador. Então essas trocas aconteceram, a forma alguns costumes que nós temos, sexta-feira usarmos Branco porque os Malês as sextas-feiras usavam roupas brancas porque era o dia em que há a oração comunal, que eles se reúnem para orar juntos e usam roupa branca, o turbante é típico do Povo árabe, se usa no Candomblé, enfim vários costumes que nós temos, a palavra atabaque que nós falamos é uma palavra árabe, o arroz de hausá que faz parte da oferenda no Candomblé, enfim todas essas trocas aconteceram no nosso país e nós não podemos deixar isso de ser lembrado e estudado porque muita gente fala sobre a influência católica e Cristã no Candomblé e na Umbanda, mas esquecemos muito da influência que os Malês tiveram a palavra, outra outra palavra que é importante no Candomblé que é quando jogamos os quatro Obì, e eles caem com os lóbulos para cima nós falamos "Alàáfiá" ficamos contente e trazemos para nós as bençãos do Alàáfiá, a palavra Alàáfiá vem de Al Afy, a saúde, a paz então Isso é uma palavra árabe o meu Àràbà por exemplo e meu Ojùgbọ̀nà quando nós estamos fazendo a divinação e sai Alàáfiá, ele fala "Sallallaahu Alaihi Wasallam" que é uma saudação específica feita ao profeta Muhammad, que é quando o muçulmano fala o nome do profeta e fala paz e benção sobre ele.
Então essa trocas aconteceram lá e aconteceram aqui, e as trocas acontecerão lá também vieram para o Brasil já feitas, não aconteceram aqui muitas desses amalgamentos existiram antes dos escravizados virem para o Brasil, eles já vieram com essa troca, se você pega por exemplo alguns Odù do Mẹ́rìndínlógún que vai recomendar que a pessoa se converta ao Islã, há também alguns Odù Ifá que quando saem na consulta também recomendam que a pessoa se torne muçulmana, o caminho dela espiritual adequado é o Islã. Então como é que você pode imaginar uma divinação feita com Mẹ́rìndínlógún ou com Ikin Ifá, ou Ọ̀pẹ̀lẹ̀ vai indicar para que a pessoa seja muçulmana? Porque essa ligação é muito grande também há Ìtàn Ifá que fala que Ṣàngó era muçulmano, é incrível mas existem três ou quatro Ìtàn Ifá que fala que Ṣàngó era muçulmano, porque quando sai o Odù Ejilaxeborá que são os 12 Búzios abertos dependendo da configuração das demais caídas também recomenda que a pessoa seja muçulmana.
Veja por quê Ṣàngó é o Òrìṣà que se manifesta mais, quando Odù Ejilaxeborá se manifesta no Mẹ́rìndínlógún, no Òtúrá Méjì fala também que a conversão ao Islã é adequada para pessoa e assim vai, então há várias coisas, a divinação em Ifá em que você faz uns riscos no Ìyẹ̀rẹ̀osùn, a palavra Fá é fazer cortes no pó chamado Ìyẹ̀rẹ̀osùn, que vem também muito próximo do "Darb ar-raml" que são os cortes na areia que os muçulmanos também fazem, o símbolo geomantico que vai fazer a Interpretação divinatória para pessoa que vem consultar aquela pessoa que faz. Também existiu no Brasil uma figura importantíssima chamada Alufá, é aquela pessoa que é especializada em construir talismãs e objetos de proteção para as pessoas, ela chegava até os Alufá, falava com ele, e ele dava para ela a solução por meio de talismãs, banhos propiciatórios, uso de incenso enfim essa troca aconteceu no Brasil, e os Alufá até hoje existem na Nigéria com o mesmo aspecto, o Alufá e os Babaláwo tem o mesmo patamar de conhecimento e pesquisadores Yorùbá que hoje escrevem sobre essas proximidades entre o Islã e Ifá, dizem o quanto que houve de troca entre as duas, as duas religiões entre Ifá e entre o culto tradicional Yorùbá, e entre o Islã que muitas coisas eram próximas demais por isso que o Islã facilmente acabou entrando na África por quê muito do pensamento próprio do africano, da comunidade, da ética envolvimento espiritual, o ser completo que não há diferença entre o espiritual e o profano que sempre estamos no espiritual a mesma ideia que os Islã propaga, casava, se encaixava na forma como o Yorùbá ou outros povos se converteram ao Islã pensavam, então hoje a religião que maior existe na África é o Islã. E por incrível que pareça contrariamente ao que todos pensam, não foi essa expansão pela espada e sim expansão por uma outra via, que foi o Sufismo que é a Mística do Islã que também influenciam diretamente na forma como nós vemos a tradição afro-brasileira porque por exemplo no Sufismo algumas práticas em que há uma interação como Gênios, os Gênios são os seres criados por Deus, depois dos anjos, então os anjos os Gênios e os humanos, os Gênios também fazem parte desse arsenal de magia que os Alufá que os Marabus outra denominação utilizada tanto na África quanto no Brasil que podiam manipular os Gênios, tanto para ajudar como para trabalhar então isso também Deu No Brasil, existe Inclusive a linha hoje Você quase não vai ouvir falar mais que era uma linha você vai encontrar publicações anos 50 e 60 que fala da linha dos Mussurumim, Mussurumim vem do Árabe Muslimim, que quer dizer muçulmanos, Mussurumim no Brasil é uma linha específica de magia e em razão do conhecimento que eles tinham das mandingas do Povo mandinga que também veio para o Brasil.
Então nós não podemos nos furtar a entender e conhecer como que essas práticas, elas foram se amalgamando foram se misturando, infelizmente com o final da escravização e também desde a guerra em que os Malês tentaram sair da escravização, o medo do contato com a África, da monarquia, do império para evitar que isso acontecesse não houve mais tanto o contato, e esses muçulmanos acabaram ou migrando para o catolicismo de vez ou migrando para as religiões afro-brasileiras e ficando somente a memória desse povo todo, nos costumes que nós temos especificamente no Candomblé, na Umbanda, na culinária e na língua portuguesa e várias palavras que nós usamos no nosso dia a dia são de origem árabe, o sofá que eu sento, a Suffa que é onde eu vou sentar ,que é uma almofada, a sala, a sala vem da oração, que é o lugar onde eu vou rezar, onde eu reuno as pessoas para rezarmos juntos, enfim várias coisas que nós temos que fazem parte do universo islâmico e que nós continuamos reproduzindo às vezes sem saber disso, e a ideia desse vídeo é que nós passemos a saber, e respeitar especialmente. Um grande abraço até o próximo vídeo.