Olá! Era uma vez. .
. Há tempos nossos alunos são acostumados a narrar e ouvir relatos do passado com essa expressão: Contar histórias era um exercício, exclusivamente do passado. E em muitos casos essas histórias estavam fundamentadas nos documentos escritos.
E hoje? Será que a história ainda é contada apenas com documentos escritos? Será que posso contar histórias a partir de pinturas, vasos, tradições, danças, imagens, Línguas de sinais?
Não só pode como deve! Vamos ver como? A História e o Ensino de História buscam narrar e construir histórias com uma multiplicidade de objetos.
Vamos ver um exemplo de como falar de história a partir de imagens? Vamos fazer um exercício com a imagem do holandês Johann Moritz Rugendas, ao lado, que retrata o cotidiano de africanas e africanos que foram embarcados da África para a América do Norte para trabalhos escravos. Em um olhar desatento ou leigo poderíamos dizer que são humanos em condições precárias no porão de um navio.
Olharíamos essa tela e a trataríamos como uma mera ilustração. Entretanto, você professor pode aprofundar com seu aluno. Que tal incentivar um aluno a ter um olhar investigador?
A imagem não é um mero reflexo da realidade. Ela possui as subjetividades do autor. É importante termos isso em mente.
Então como posso transformar essa imagem em fonte para minha sala de aula? Simples! Vamos fazer perguntas?
Quem pintou essa tela? De quando ela é? Como era a história/contexto daquele período?
Por que os homens, mulheres e crianças africanas estão nesse estado na embarcação? O que é um navio negreiro? O que era escravidão?
E por que o uso dessa mão de obra? Há dignidade nesse tipo de transporte e trabalho? O que fazem aqueles homens brancos?
Será que essa imagem resume todo o período do tráfico de escravos? Esse exercício de perguntar e questionar a imagem é o que chamamos de narrar a história a partir da imagem. Veja como a imagem deixou de ser algo estático, fechado, ilustrado e passou a ser uma história narrada, pesquisada, questionada e reflexiva.
Você e seus alunos podem transformar a fonte imagética numa narrativa histórica. Entrecruzar as questões feitas pelas imagens com outros textos. Percebeu que assim você faz um trabalho de historiador e historiadora?
E sua localidade tem história? Onde você mora? Sua cidade aparece nos livros didáticos?
Seu bairro, onde fica? Você já observou o perfil das pessoas que moram no seu bairro e frequentam sua escola, sua universidade, seu polo? Será que todas elas são iguais?
Nessa aula também aprenderemos sobre o que é História Local. Ela é um campo interdisciplinar onde História e Geografia dialogam por excelência. É pensar a localidade e a localização, ou seja, pensar as vidas que habitam os espaços.
O texto de Humberto P. Neto, Práticas de ensino de História e de Geografia nas séries iniciais do Ensino Fundamental: a propósito da abordagem do local e da formação do professor, apresenta experiências docentes quanto ao uso do local no ensino de História e Geografia. Dê uma conferida para ter ideias sobre como colocar este debate em prática.
Em linhas gerais, nessa unidade haverá uma reflexão sobre História Local e seus usos nas séries iniciais. É importante, destacar que os estudos de História Local marcam um diálogo entre os universos de estudos da História e da Geografia. Pensar o local, a localidade, o espaço e a espacialidade como objetos de conhecimento.
A interação entre o local/espaço físico e a localidade/espacialidade constituídos simbolicamente por homens , mulheres e crianças. No final, você poderá usar essas ferramentas nos seus trabalhos de final de curso, nas avaliações, e principalmente, nas atividades da sua sala de aula. Então, o que acha de trabalhar períodos históricos a partir de imagens?
Até breve!