Muito bem. Tem muita gente perguntando: "Padre, eu mandei no site uma pergunta. Quando é que o senhor vai responder essa pergunta?
" Bom, hoje chegou o dia; finalmente, vamos responder às perguntas. Então, você compreende que o negócio é imenso, ou seja, essas páginas que estão aqui, cada uma delas é um e-mail diferente, com uma pergunta diferente, e aí você imagina o volume. .
. É evidente que eu não vou poder responder cada pergunta individualmente. Vamos dar prioridade para aquelas perguntas mais interessantes e, sobretudo, para aquelas pessoas que são assinantes e que estão fazendo o curso de Catecismo.
Claro, eu tenho que dar um feedback para o próprio curso de Catecismo; eu tenho que dar uma resposta para aquelas pessoas que fazem o curso quando fazem perguntas pertinentes àquela matéria do curso que nós estamos tratando. Pois bem, vamos começar; já que a gente tem que começar de algum lugar, vamos começar por algumas dúvidas que são bastante existenciais. Tem gente que escreve para o site assim: "Para responder mesmo à sua pergunta, precisaria de uma direção espiritual, porque não dá para a gente cair de paraquedas e responder certas coisas.
Eu preciso saber as circunstâncias de sua vida; eu preciso saber como é que você vive certas coisas, precisaria de um diálogo, de um encontro. Aí eu aconselharia você a procurar um padre. " Mas, hoje, começamos por uma pergunta sobre casamento, já que é uma coisa tão frequente no nosso site.
Uma pessoa chamada Paulo Thiago pergunta por que é que os casais amasiados não podem comungar. Esse é o resumo da pergunta dele. Bom, veja, é o seguinte: aqui, então, a pergunta é sobre a necessidade do casamento.
Por que é que eu preciso me casar? Os animais não se casam, não é? Ou seja, os animais simplesmente sentem atração sexual e copulam, e pronto, tá feita a reprodução.
Por que é que nós precisamos da instituição do casamento? Isso não é invenção humana, e se é uma invenção humana, por que é que a Igreja fica exigindo isso quando nós poderíamos reinventar as coisas? Poderíamos adaptar aos tempos modernos.
Hoje em dia, o casamento já não é uma coisa mais exigida, então a gente convive, né? Existe a família consensual. Estou fazendo aqui um pouco o papel do advogado do diabo, estou argumentando do outro lado: por que é que nós precisamos nos casar?
Por uma razão muito simples: os animais têm a relação sexual que quiserem, como quiserem, do jeito que quiserem, mas eles têm uma realidade que é o corpo. Nós, seres humanos, temos corpo e alma; ou seja, nenhum animal, quando tem uma relação sexual, depois fica em crise por causa do significado insatisfatório daquela relação, não é? Nenhum animal, depois que tem uma relação sexual, fica querendo discutir a relação.
Por quê? Porque os animais não têm alma; eles não buscam um sentido nas coisas, eles simplesmente fazem as coisas. O ser humano não.
O ser humano busca um sentido. A coisa tem que atender a um significado mais elevado que o simples acoplar-se a uma outra pessoa. Não é uma realidade meramente física, somática; ou seja, o sexo, quando vivido pelos seres humanos, nunca é uma realidade simplesmente física, animal, somática; ela é sempre também algo de espiritual, da alma.
Uma coisa que exige sentido e, portanto, que precisa ser sagrada. O sexo, vivido de uma forma sadia, precisa ter algo a ver com o sagrado. Até mesmo os psicólogos já conseguem constatar isso; alguns psicólogos escrevem sobre isso, mesmo que não sejam católicos ou cristãos, e eles começaram a notar que a sexualidade bem vivida tem a ver com o sagrado.
Pois bem, nós, cristãos, e aqui começa a resposta propriamente cristã: nós cristãos cremos que Deus é amor e nos fez para esse amor. E que, portanto, o nosso tempo aqui nesta terra, o nosso tempo vivido aqui no mundo, é um tempo em que nós precisamos viver o amor. E o que é o amor?
O amor é um vínculo; o amor é uma realidade que me faz comunhão com o outro. Não existe possibilidade de você amar e ter pessoas descartáveis; todo amor é aliança. Não é possível fazer amor sem aliança.
Por isso, se nós viemos a este mundo para amar, precisamos viver nesse mundo uma aliança de amor. O casamento é uma dessas alianças de amor, o celibato é uma outra aliança de amor, mas ninguém nasceu para ser solteiro, "solto". A palavra solteiro indica um estado de vida que é temporário, uma situação ainda insatisfatória.
Ninguém diz: "Qual é a sua vocação? " "Ah, a minha vocação é ser solteiro. " Não, ninguém tem a vocação de ser solteiro; você tem a vocação de ser casado ou você tem a vocação de ser celibatário.
São dois compromissos, são duas alianças. Agora, você viver alianças temporárias, descartáveis, é transformar as pessoas em descartáveis; é não ter relacionamentos com pessoas, mas simplesmente tratá-las como objetos. É esquecer a dignidade espiritual da outra pessoa.
Então, por isso, uma pessoa que vive uma aliança sexual descartável, que não vive uma comunhão de amor, não pode comungar. Você não pode receber a comunhão se você não está querendo comunhão, entende? Você não está querendo vínculo, você não deseja vínculo de amor com responsabilidade.
Responsabilidade quer dizer isso: eu respondo por algo. Então, por isso, você não pode comungar, porque não comunga quem não está em comunhão. Espero ter respondido à sua pergunta.
Deus abençoe você.