O Senhor esteja convosco. >> Ele está no meio de nós. >> Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Glória a vós, Senhor. >> Naquele tempo, Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros. Dois homens subiram ao templo para rezar.
Um era fariseu, o outro cobrador de impostos. O fariseu de pé rezava assim em seu íntimo: "Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. Eu jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de toda a minha renda.
O cobrador de impostos, porém, ficou à distância e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu, mas batia no peito, dizendo: "Meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador, eu vos digo, este último voltou para a casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado. Palavra da salvação.
>> Glória a vós, Senhor. Meus caríssimos irmãos e irmãs, nós temos a alegria de nos reunirmos em torno do altar para celebrarmos neste domingo o 30º domingo do tempo comum. Como o tempo tem corrido rápido, não é verdade?
Daqui quatro semanas a igreja estará celebrando a solenidade de Cristo Rei. O tempo tem passado com muita rapidez, porque ele não para. E é necessário verificar a nossa vida e perceber como nós estamos lidando com o tempo, como nós estamos vivendo reconciliados ou amargurados com o tempo, como nós estamos esperando.
Porque só é feliz quem se torna amigo do tempo, porque o tempo tem uma capacidade de curar coisas. que as nossas mãos não conseguem alcançar. Mas no tempo também existe a capacidade de maturação, de fazer com que o coração se alargue.
O tempo também tem a capacidade de fazer com que a nossa consciência possa enxergar aquilo que precisa ser mudado. E sempre a igreja tem essa pedagogia de nos apontar a direção. Eu costumo dizer aqui que quando você sai de casa e vem à igreja, você vem como a mãe quer, a igreja é como aquela mãe, né, que pega a criança pela mão e quer indircar a direção.
a direção às vezes que nós nos atrapalhamos, nós não sabemos o que é melhor para nós. Por isso é necessário estar atento diante da palavra de Deus para ver o que que Deus quer falar. O tema central deste domingo continua sendo a oração.
Você deve lembrar o evangelho do domingo passado, não lembra? Uhum. Se eu perguntar aqui, eu quero ver se você lembra, porque muitas vezes o evangelho entra aqui e sai por aqui, né?
Não faz efeito dentro de nós. Mas o evangelho do domingo passado, nosso Senhor estava falando sobre a oração da súplica. Contou uma parábola.
contou uma parábola para ajudar, para falar que a necessidade de rezar sempre e nunca desistir. Esta era a finalidade daquilo que Deus pedia de nós no domingo passado, contando aquela parábola da viúva, que insistentemente ficava pedindo ao juiz iníquo, injusto. E pela insistência dela, o juiz concebeu aquilo que era direito dela.
Hoje é continuidade do capítulo 18. E nosso Senhor também volta ao tema da oração contando uma nova parábola, mas agora falando diante daqueles que confiava na sua própria justiça e desprezava os outros. Por quê, irmãos?
Porque, meus irmãos, nós não vivemos sem oração. A oração é o nosso respirar. O homem que não reza não é capaz de viver.
Ele vive uma vida à toa. Ele finge que vive. O homem que não reza não é capaz de plenamente ser aquilo que deve ser.
Porque a oração, como nós bem lembramos, como nos lembra Santa Teresa de Ávila, a oração é um trato de amizade com aquele que eu sei que me ama. Ou seja, o homem não consegue viver sem Deus. A vida do homem não é preenchida sem a presença de Deus.
Por isso, a oração é por primeiro um trato de amizade. E por ser um trato de amizade, é necessário permanecer, gastar tempo. Entende?
Nós não somos amigos de alguém se nós não gastamos tempo. Nós não somos amigos de alguém se nós não temos reciprocidade. Na amizade não há interesse, ela não é interesseira.
E isso já qualifica a nossa vida com Deus. E hoje nosso Senhor quer nos dar mais uma característica de amizade. Na amizade nós não somos capazes de viver somente confiando nas nossas próprias forças, porque o amigo também é um abrigo onde nós precisamos descansar.
O amigo é uma casa onde muitas vezes por diversas aflições, tribulações, dores e como nos diz até mesmo o salmo de hoje, do coração atribulado, ele está perto. Na oração, nós reconhecemos que nós precisamos e somos dependentes de Deus e não de nós mesmos. Nós somos muito independentes, irmãos.
Nós achamos que somos independentes. Nós somos soberbos. Nós somos orgulhosos.
Nós queremos ter a nossa vida nas nossas mãos. A nossa segurança está segundo aquilo que eu acho que é justo para mim. Nosso Senhor quer olhar nos nossos olhos nesta manhã de domingo e dizer: "Sua vida não depende de você mesmo.
Você não tem a sua vida em suas mãos. A sua vida está nas minhas mãos. Por isso, permita-me ser seu amigo.
Permita-me entrar nos lugares onde as pessoas comuns que passam na sua casa, que não conseguem alcançar, eu consigo retirar esse peso do seu coração. Meu irmão e minha irmã, nós nos colocamos diante de Deus com um coração sincero, sema, verdadeiro, sabendo que mais do que nós fazemos para ele não acrescenta em nada o que ele é. Nós que somos homens e mulheres religiosos, que participamos da missa no domingo, precisamos ser os primeiros a reconhecer que sem a graça de Deus não há como viver.
Nós precisamos ser os primeiros a reconhecer e bater no nosso peito que o primeiro que precisa mudar sou eu. Que triste que muitas famílias são divididas. às vezes divididas, porque os membros, alguns deles participam até das coisas de Deus, mas não são reflexo do amor de Deus para com eles.
Ficam sempre cobrando e achando que os outros interessados com a atitude dos outros, culpando os outros e achando que você é puro demais, é santo demais. No evangelho deste domingo, nosso Senhor quer que nós mudamos o foco, paramos de olhar para fora e temos a capacidade de olhar para dentro e perceber que eu preciso de mudança. Nosso Senhor diz no final do Evangelho que o único que voltou pra casa justificado foi aquele que bateu no peito com piedade e disse: "Tem piedade de mim, Senhor.
Dentro da sua casa, você é o primeiro que precisa da misericórdia de Deus. Você é o primeiro que precisa da presença, da amizade com Deus. Para de apontar os erros dos outros, meu irmão.
Deus não te fez para ser juiz. E todas as vezes que você aponta o dedo para os outros, você se coloca no lugar de Deus. Todas as vezes que você aponta o dedo e começa a julgar os seus irmãos, você está perdendo tempo diante da capacidade que Deus tem de nos mudar, de nos transformar.
Seja humilde. A eficácia da nossa oração está na humildade que nós fazemos. E Santa Teresa também diz que humildade é a verdade, mas humildade, o humilde é aquele que reconhece que todas as coisas boas que ele tem, foi Deus que deu.
O humilde é aquele que reconhece que qualquer outra pessoa, tendo recebido os dons que ele tem, seria melhor do que ele. O humilde é aquele que reconhece que sem a graça de Deus não é capaz de viver. Hoje nosso Senhor quer nos mostrar que a eficácia da nossa oração está na humildade de como fazemos.
Porque, como disse a primeira leitura, a oração do pobre, a oração do humilde, a prece do humilde atravessa nuvens e não repousa enquanto não chega no coração de Deus. Por que que muitas vezes a nossa oração ela é infétil? Porque infelizmente a nossa oração está voltada ao nosso próprio umbigo, a nossa vontade própria.
Hoje nosso Senhor quer nos mostrar a eficácia nessa Eucaristia. Reconheça que o primeiro necessitado da graça e da presença de Deus é você. E tendo a humildade de reconhecer que Deus é bom, que Deus é compassivo, que Deus é misericórdia, ele mais uma vez nesse domingo estende a mão para você e te faz levantar.
Triste do homem que se aproxima de Deus contando o que já fez. Costumo dizer lá em casa pros seminaristas que nós não precisamos de muita coisa. Nós só não precisamos atrapalhar o que Deus já tem para nós.
Mas sabe o que que nos atrapalha? Achar que o tempo que nós temos de comunidade, de igreja, de pastoral, de coordenação nos faz melhores do que os outros. Quando na verdade quanto mais perto dele, mais próximo da luz.
E quanto mais próximo da luz, nós vamos reconhecendo o o tão miserável nós somos. Deus me escolheu sem que eu merecesse. Deus te escolheu.
Deus te salvou sem que você merecesse. Reconheça a misericórdia de Deus. Para de ser orgulhoso e soberbo, porque do coração soberbo ele não se aproxima.
Ele se aproxima da humildade. Lembre-se da Virgem Maria. Foi a humildade da Virgem Maria que o atraiu.
Sem a humildade, a nossa coração, a nossa oração, ela é infértil, não gera frutos. Que nosso Senhor nos ajude a reconhecer e bater no peito que nós somos o primeiro a mudar. Eu e você já não somos, ainda não somos aquilo que Deus quer que nós sejamos.
Mas como nos ensina o nosso pai fundador e sempre dizia, mas ele já sabe, nós já sabemos que já não somos aquilo que nós éramos, porque a luz de Deus nos faz diferentes. Louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo.