Oi Oi pessoal tudo bem Eu sou a Mel Ferraz hoje vamos conversar sobre o livro som do rugido da Onça da Micheline Veruska que foi o ganhador do prêmio Jabuti 2022 na categoria romance literário faz os meses já que eu li esse livro eu fiz no primeiro semestre do ano para uma disciplina do mestrado ministrada pela professora Stefania kiarelli e foi muito marcante tanto é que eu demorei para conseguir processar o se é que eu fiz é que eu posso considerar que isso tem acontecido por isso até que esse vídeo esse conteúdo demorou para sair
mas acho que hoje consigo trazer algo interessante para suscitar discussões A partir dessa leitura e também uma vontade em vocês que não leram de fazê-lo porque esse livro realmente ele é muito impactante e conversa muito com a história do nosso país a partir da visita a exposição que fica na Avenida Paulista no Itaú Cultural é uma exposição que aliás eu adoro e super recomendo que vocês a visitem também que é gratuita tá a partir dessa visita e observando duas litogravuras feitas por cientistas naturalistas na verdade europeus que vieram ao Brasil fizeram expedições aqui retrataram duas
crianças indígenas é que michelline ver uns que acaba por criar uma história uma ficção em torno disso mas com uma base no que aconteceu mesmo que foi então esses naturalistas separarem crianças indígenas de suas famílias do seu contexto de suas vidas mesmo daquilo a qual estavam acostumadas enfim de suas culturas e levadas à Europa foram oito crianças apenas duas chegaram no solo alemão para depois de alguns meses também virem a falecer Então 6 faleceram na travessia e é uma história de violência veja né Assim como muito do que olhando para trás podemos ver já acontecimento
para o Brasil Há também um outro núcleo que esse acontece atualmente nos dias atuais que é o da Josefa e eu acho que em carne um pouco a figura do visitante dessa exposição Josefa Então ela é residente de São Paulo capital ela visita a exposição brasiliana está diante dessas litogravuras Assim como nós assim como escritora e ela pensa bastante sobre quem ela é sobre suas origens E também temos esse ambiente que é o Né essa esse local que é o da grande cidade Isabela piranha e jura que são os nomes cristãos dados por esses europeus
naturalistas essas crianças indígenas é faz parte do processo de Cultura momento e é mais uma das violências tantas que vemos aqui no livro esses dois núcleos eles vão se intercalando no livro O que nos coloca também uma não linearidade temporal na abordagem dessa narrativa o que eu sempre gosto também de ver na literatura e acaba dando para gente umas complexidades até porque se a gente for comparar né esses dois núcleos estão dispares também com a época em que ele se passaram é algo interessante para nós leitores hoje de fazermos algo que eu acho fundamental de
dizer aqui é que Micheline ver uns que ela é historiadora de Formação ela nasceu em 1972 ela foi finalista do prêmio oceanos ganhou o prêmio São Paulo de literatura ganhou Outros tantos prêmios e no seu primeiro livro publicado em 2013 intitulado geografia íntima do deserto nós temos um poema e esse livro é de poesia nós temos um poema dela intitulado rio que eu acho que joga bastante com esse livro aqui que é o dia e a cidade conspiram contra mim como um gatilho armado de um revólver orgânico disparam signos concreto e a pele quente dos
ônibus mas à noite copula com luzes e prédios sou útero cântaro importante Instância o Rio nesse poema ganha a voz indicando até mesmo que é útero Ou seja que a vida nele se concebe se forma cresce por sua vez nesse livro aqui o rio é praticamente uma entidade quando em que é o nome indígena da menina que depois vai ser chamada como Isabela pelos europeus acaba sendo compreendida depois de apartada de seu mundo e isso acontece por parte do rio na página 56 do livro temos o seguinte mas por maravilhoso que fosse o rio de
algum modo sobre compreender e porque sabem todas as línguas do mundo e desde aquele dia a sua voz inaudível a maioria chegava não obstante aonde quer que ela estivesse pode me chamar de Rio odoflus River rivier feminino fluxo de água rasgando a terra como a trajetória de sangue em um corpo animal pode me chamar de água e água é tudo e está em tudo que compõe este mundo inclusive o útero inclusive esse espaço tão importante para o poema desse primeiro livro dela publicado lá em 2003 e essa compreensão que se dá por parte de um
rio né que até mesmo ela vai conhecer lá na Alemanha acaba por me fazer lembrar de um outro corpo d'água que não a compreende ou que ela mesma não vai compreender quando aparece na página 39 do livro e quando finalmente chegou ao alto mar não conseguia entender o que cobertor de água ele dizia já que esse cobertor imenso de água significa então o seu afastamento da sua cultura daqueles seus entes queridos e novamente nessa dicotomia entre a cidade e a floresta entre o que foi destruído que permanece intacto é que temos novamente o rio aparecendo
no núcleo da Josefa nos dias atuais quando diante de uma tempestade se diz no livro que parece que as ruas estão querendo voltar a ser Rio só que toda essa cidade parece estar ameaçada pelo pulsar das ruas querendo se tornar Rio novamente então há uma ideia aqui de que o imaculado que não foi destruído ele é muito mais forte portanto sua obra borda a potência e a importância das culturas originárias dos povos originários também essa leitura também Funcionou para mim como uma denúncia todos os horrores perpetrados pelos europeus aqui descobrindo o Brasil quando sabemos que
essa palavra ela é por si só no contexto em que aconteceu horrorosa e eu estava falando sobre o mar não compreender em e não compreender o mar quando nele chega na página 139 vejam aqui também esse trecho que explica um pouquinho sobre isso foi só aí que a menina entendeu que o oceano tinha era muita Fúria dentro dele de ter virado tumba gente demais atravessando a Kalunga Grande para chegar até ali gente demais morrendo em tumbeiro sangrador em demasia atingindo de vermelho aquele lugar sangue como dela sangue de povo negro sangue dos pobres do mundo
mas para o final do livro nós temos alguns trechos de Notícias que eu acho que aqui funcionam como uma quebra também da linearidade do que está acontecendo no enredo e também para reforçar essa denúncia não acho que seja um livro fácil em termos de conteúdo a ser lido porque o que nós encaramos aqui é encarar uma tristeza ou tristeza sem fim da história aqui enfim formou o nosso país porém é um exercício importantíssimo porém é uma leitura que ela se faz necessária justamente para isso para que a gente não esqueça porque a memória também é
um fator importante aqui nessa experiência de leitura talvez vocês estejam ouvindo ronronar da gatinha então me perdoem por isso mas espero que não enfim pessoal essa é uma forte indicação minha eu recomendo fortemente a leitura do livro para vocês Espero que tenham gostado conteúdo de hoje muito obrigada aos apoiadores do Literatura e se lá pelo Catarse que em troca do apoio recebem conteúdos literários exclusivos que criou para eles mensalmente muito obrigada a todos vocês que estão assistindo esse vídeo Um grande beijo e até o próximo tchau tchau [Música] [Música]