[Música] Olá! Eu sou o professor Kevin Daniel dos Santos Leyser. Sou formado em Filosofia, em Teologia, em Psicologia e tenho especialização em Psicopedagogia e Mestrado em Educação.
Sou o professor responsável pela disciplina de Contexto Histórico-Filosófico da Educação e agora estarei com vocês, falando um pouco sobre alguns temas a respeito da primeira Unidade deste livro. Então, antes de entrarmos nos assuntos que acredito serem pertinentes para discutirmos aqui neste vídeo, vamos primeiro entender quais são os objetivos desta Unidade, especificamente. Acompanhe comigo, aqui, nós temos os objetivos de aprendizagem desta Unidade que se refere à transição das sociedades ágrafas à fundação das universidades.
Nós vamos percorrer aqui um longo período, no qual falaremos um pouco sobre essas sociedades que tinham uma educação difusa, uma educação não formal, em direção às universidades, ou seja, tudo o que acontece nesse ínterim, nesse período, nessa transição, entre a invenção da escrita, e assim por diante, até a formalização e a construção de universidades. Os objetivos dessa unidade, como podemos ver aqui, são quatro: [leitura na tela] Esses são os objetivos de aprendizagem desta Unidade. Após estudar este livro, você deverá, pelo menos, conseguir responder a esses objetivos.
Verifique sempre, ao estudar, se você está alcançando os objetivos propostos por este livro, certo? Agora, vamos falar um pouco sobre alguns temas que aparecem nesta Unidade. Primeiro, gostaria de falar sobre os antecedentes da educação que se referem às sociedades ágrafas, os antecedentes da educação formal, na verdade, porque nós já poderíamos ver que a havia educação, uma educação diferente daquela que nós conhecemos hoje (que é mais formal) mas havia, de fato, educação.
Podemos começar com uma citação de Brandão, você pode acompanhar comigo a leitura, que diz assim: [leitura na tela] Perceba que, aqui, nós podemos encontrar uma educação que está difundida, misturada com o cotidiano, com o dia a dia desta comunidade. Assim, a educação ocorre através da imitação, do trabalho, do lazer, da camaradagem, do amor. A educação entre os povos primitivos foi fundamental para o início do desenvolvimento educacional da humanidade.
Como exemplo básico desta forma de educar, a gente pode olhar para as sociedades primitivas, como aquelas localizadas no centro da África, que se educavam de uma maneira bem peculiar e heterogênea, através da educação difusa. Essa educação difusa também é chamada de educação por imitação, porque é um processo em que os jovens e crianças respeitam os gestos praticados pelos adultos e desenvolvem, neste modo, habilidades e técnicas necessárias ao seu dia a dia. Perceba que é muito importante compreendermos como que isso se estabelece numa comunidade.
Essa educação difusa, que é uma educação, na verdade, se você parar para pensar, que ocorre com todos nós ainda hoje, que vivemos em um lugar onde a educação formal é universal, assim podemos afirmar. A educação difusa acontece quando você nasce, quando você está ali, convivendo com a sua família, você ainda não foi para a escola. .
. Você vai aprendendo como? A partir da observação, da repetição da imitação, da emulação, observando as relações que se estabelecem ali na sua família, na comunidade.
. . Assim, nós podemos dizer que a educação difusa está na origem de toda e qualquer educação formal, está na base.
Portanto, é muito importante entender essa função da educação difusa e compreender que ela se estabelece antes da educação formalizada. Antes, mas não só em termo temporal (antes e depois ela deixa de existir), porque perceba: a educação formal não existe sem essa educação difusa, pois quando você sai da escola, você retorna a sua casa, retorna à comunidade, você vai à rua, você vai aos lugares, você segue observando e aprendendo a partir da imitação e se desenvolvendo também moralmente a partir da imitação, da observação, das regras da sociedade. Como diria o teórico Bandura, é uma aprendizagem vicária, da qual nós observamos os modelos, internalizamos esses modelos e passamos a não somente imitar, mas, de fato, utilizar esses princípios, a emulá-los.
Muito bem! Aqui, falamos um pouco sobre a questão da educação difusa. Ainda falando sobre os antecedentes da educação, é importante lembrarmos que a história da educação é muito antiga.
Ela possui muitos fatos que ocorreram não somente no mundo ocidental, mas especialmente no mundo mundo oriental, na sua origem. Por isso, aqui temos uma citação do grande pensador chinês Confúcio. Leia comigo essa citação para podermos entender um pouco sobre esse pensamento e para compreendermos como já era extremamente complexo e rico o pensamento de Confúcio.
[leitura em tela] Perceba que Confúcio, que viveu entre 551 a 479 antes da Era Comum, ou seja, antes de Cristo, já tinha um pensamento extremamente complexo sobre a aprendizagem e o processo para se chegar à sabedoria, ao conhecimento. Ele fala sobre reflexão, imitação e experiência. Olhe só, ele está falando sobre reflexão, sobre o uso do raciocínio, imitação, sobre o que falamos anteriormente, que é a experiência difusa que é pela imitação, pela observação e pela experiência, quando o indivíduo passa a colocar isso em prática.
Nós temos, aqui, um tripé da educação, do processo de aprendizagem: o uso da razão (o raciocínio), a imitação (que é observação daquilo que está acontecendo, dessa educação difusa), e a experiência (pôr isso em prática, passar pelo processo de vivenciar isso, não somente raciocinar sobre isso). Ele coloca, ainda, porque é uma filosofia de sabedoria, dizendo que a reflexão é mais nobre, ou seja, é um processo que vai acontecer posteriormente, depois de muita apuração, muito aprimoramento. Em segundo lugar, a imitação, que ele vai dizer que é mais fácil, porque é aquilo que acontece desde o início da nossa vida, quando começamos a observar desde criancinha, é mais fácil.
Nós observamos, imitamos, emulamos. E ele vai dizer que a experiência é o mais amarga, pois colocar em prática o que nós aprendemos é mais amargo, nos faz passar pelo sofrimento, então aprender é sofrer. Sofrer, no sentido amplo da palavra, certo?
Nós podemos perceber que há um tripé estabelecido para tudo aquilo que os outros teóricos clássicos, da Idade Média, da Modernidade e Contemporaneidade vão debater, discutindo o papel da razão, da experimentação, da imitação. Onde que se encontra, qual é o peso maior? Assim, a discussão, na verdade, será sobre essas tensões, esse tripé já estabelecido aqui por Confúcio.
Embora a humanidade tenha vivido neste planeta por vários milhões de anos, foi apenas nos últimos dez mil anos que as pessoas começaram a viver juntas em comunidade, passaram a domesticar animais e fazer agricultura. Há cerca de seis mil anos, as sociedades tornaram-se mais intricadas, mais complexas, começaram a desenvolver um sistema de linguagem e precisaram, portanto, da escrita para serem capazes de gravar e passar adiante o conhecimento para a próxima geração. À medida que esse corpo de conhecimento foi aumentando, acumulando, porque agora já havia registros, havia escrita, as pessoas começaram a reconhecer a necessidade de um sistema mais formal de educação.
Aí, então, nós temos o início das escolas como resultado disso. Perceba que a educação formal tem sua origem necessária a partir dessa invenção da escrita e da acumulação do conhecimento cultural, que agora não é mais transmitido oralmente, mas agora você tem aquele acúmulo de informações registradas. Então havia necessidade de sistematizar isso, de organizar um espaço onde as crianças, os novos indivíduos que estão surgindo nessa comunidade, pudessem ter acesso a esse conhecimento e assim fazer parte dessa comunidade.
Assim, podemos previamente entender como se dá esse processo de início de transição entre a educação difusa até a educação formal. Muito antes de os gregos e romanos desenvolverem suas escolas, as civilizações orientais tinham sociedades bastante complexas e altamente desenvolvidas que exigiam uma educação formalizada. Então, embora nós não tenhamos uma data em que as escolas realmente começaram, uma data específica, original, de onde as primeiras escolas foram criadas, e dificilmente saberemos isso, mas existem evidências de que os antigos sumérios da Mesopotâmia (lugar chamado de de Crescente Fértil e que se localiza entre os rios Tigre e Eufrates, como vocês podem ver na imagem, e que hoje é o Iraque moderno) tinham textos cuneiformes.
Esses textos já eram uma forma de escrita, como você pode ver também na imagem. Os textos eram utilizados, especificamente, para a Matemática, para registrar números, dividendos e foram datados de, aproximadamente, dois mil anos antes da Era Comum, antes de Cristo. A partir daqui, podemos entender que já havia uma educação formalizada, no ensino dessas escritas como uma necessidade para essa comunidade específica, para esse público específico.
Indo um pouco mais adiante, nós podemos também falar sobre escolas. Na verdade, há evidências até que mostram que, há quase quatro mil anos, podemos verificar que havia escolas na China. Ainda estamos falando sobre as civilizações orientais e o desenvolvimento da escola e não podemos deixar de lado a questão da contribuição dos chineses.
Vimos a citação de Confúcio, que é um grande pensador e educador, já falava sobre educação de forma extremamente complexa, mas já havia escolas, há aproximadamente quatro mil anos, ou seja, a educação formal na China. Como uma sociedade altamente desenvolvida, os chineses projetaram suas escolas em torno da perpetuação da tradição que se tinha ali, da conformidade e do convencionalismo. A ideia disso, a finalidade era possibilitar com que a juventude pudesse se integrar numa sociedade cada vez mais formal e complexa.
Portanto, o indivíduo, na cultura chinesa, não era considerado particularmente importante. Isso era comum das sociedades antigas, certo? Nós temos isso também entre os gregos e outras sociedades, em que o indivíduo não era considerado importante na sua individualidade.
Em vez disso, o indivíduo era aceito a partir da tradição, ou seja, a aceitação do indivíduo era a partir das tradições, das práticas culturais. E a sociedade, na verdade, tinha uma constituição de introduzir o indivíduo às práticas da tradição, do convencionalismo daquela comunidade. Ou seja, a ideia, na verdade, dessa educação formal na China era facilitar essa transição, o processo do indivíduo da sua família para a comunidade mais ampla.
É interessante também pontuar que, nessas escolas formais da China, as mulheres, em sua maioria, não eram consideradas dignas de uma educação desse modo, desse tipo de educação formal. Gostaria que você prestasse muita atenção porque são características as quais veremos que irão se repetir, perpertuar-se por muito tempo e, porque não dizer, até hoje, nós nos debatemos com algumas questões que eram um problema evidente naquela época. Vale a pena ressaltar também um pensador importantíssimo da tradição chinesa, Lao-Tsé, aquele que propôs a primeira filosofia da vida.
Lao-Tsé, Lao significa criança, jovem, adolescente, e Tsé é o sufixo de muitos nomes chineses, indica idoso, maduro, sábio, espiritualmente adulto. Então, pode-se traduzir Lao-Tsé como o jovem sábio, o adolescente maduro. Lao-Tsé viveu por volta do século VI a.
C. , passou a primeira metade de sua vida (cerca de 40 anos) na corte imperial da China, trabalhando como historiador e bibliotecário. Tinha grande familiaridade com a situação política do império, por isso, às vezes, pode nos fazer lembrar Shakespeare, por exemplo, cujos dramas sempre revelavam as intrigas e corrupções das cortes europeias no seu tempo.
Como o grande escritor britânico, Shakespeare, Lao-Tsé também verbera o descalabro dos governos e aponta o caminho para a sua regeneração. Na meia idade, ele abandonou a corte imperial. Como eremita, viveu na floresta na segunda metade da sua vida, estudando, meditando, auscultando a voz da intuição cósmica.
Ele registrou essas experiências num livro chamado Tao Te Ching. Era um manuscrito que continha a essência do que conhecemos sobre ele hoje. Nesse livro, o Tao Te Ching, nós podemos encontrar uma filosofia sobre a vida com um foco específico na questão da educação.
Já temos um pensador do século VI a. C. , ou seja, estamos falando de um tempo muito distante em que já se pensava a respeito desse fenômeno, desse processo que é central para a humanidade, a educação.
Bom, falamos dos chineses, temos que falar também dos japoneses, estamos falando aqui sobre as civilizações orientais e o desenvolvimento da escola. A cultura japonesa também é extremamente rica, então, tal como acontece com muitas outras culturas, o sistema japonês de educação evoluiu também depois que eles desenvolveram a linguagem escrita. Perceba bem, o desenvolvimento da educação formal parte do pressuposto da invenção e o desenvolvimento da linguagem escrita.
Adaptando a forma chinesa de escrita, a aristocracia japonesa foi a primeira a aprender a ler e escrever. Também é importante ressaltar, porque é uma característica que se repete, a elite, a nobreza, a aristocracia é o grupo que tem maior acesso, o primeiro acesso à educação formal, porque eles têm acesso ao processo de escrita e leitura. Originalmente, os japoneses foram pesadamente influenciados pela cultura chinesa no fornecimento do currículo de estudo.
Então, nós temos aqui uma espécie de uma integração dessas culturas, especialmente no quesito da educação formal, o currículo, a escrita e assim por diante. Mas, com o tempo passando, as necessidades da sociedade japonesa se tornaram primordiais e o sistema educacional começou a refletir, agora, a cultura e a crença do próprio Japão, dos próprios japoneses. A educação no Japão, tal como na China, foi utilizada para prover as necessidades sociais, ou seja, a ideia das escolas, especificamente, era treinar os jovens para o serviço civil, treinar os jovens para fazer parte dessa coletividade tradicional dos costumes, dessa cultura.
Nós podemos perceber isso como uma característica comum, um traço comum dessas sociedades antigas em referência a sua educação formal. E os hebreus? Também falando sobre as civilizações orientais, não podemos deixar de falar um pouco sobre o povo hebraico.
Os hebreus valorizavam a educação e centravam a sua instrução em torno dos ensinamentos do seu livro sagrado. A disciplina severa também caracterizava a prática educacional, juntamente com uma ênfase estrita em seguir as leis da Torá, seu livro sagrado. Também é característico que as mulheres não eram formalmente educadas.
Em vez disso, elas eram obrigadas a aprender as habilidades associadas ao lar, algo característico dessas sociedades mais antigas. Os professores eram tratados com grande respeito nessa sociedade, era um indicativo do valor que a sociedade hebraica atribuía à educação, algo que podemos falar, um tema também recorrente até a nossa época, a questão do respeito aos professores. Qual é o valor que a sociedade atribui aos professores?
Percebemos que, às vezes, parece que há um ciclo desse respeito, desse valor dado aos mestres, aos professores. Quem sabe, infelizmente, estamos vivendo um declínio disso e a necessidade de uma retomada dessa valorização. Um traço predominante da educação hebraica era o idealismo religioso.
Em todas as escolas, os estudos se se baseavam no livro sagrado. As matérias estudadas, normalmente eram: história, geografia, aritmética, ciências naturais - e todas elas se relacionavam aos textos sagrados e se impregnavam de preceitos morais. Algo que hoje revemos, por exemplo, um debate de grupos mais fundamentalistas, religiosos, que tentam reivindicar algo semelhante, que todas as disciplinas científicas deveriam se voltar ao livro sagrado.
Essa discussão sobre a educação laica, educação religiosa, como que isso se estabelece, é algo extremamente atual, uma discussão que está em ebulição em nossos dias. O ensino, nessa época, na tradição hebraica, era, sobretudo, oral. A repetição e a revisão constituíam os processos pedagógicos básicos.
Mais que a Torá, outro livro sagrado dos judeus, é o Talmude, como vocês podem ver a imagem. Ele contém os preceitos básicos para a educação judaica, as tradições, doutrinas, cerimônias etc. O Talmude foi redigido por volta do século II e tem duas versões, como vocês podem ver: a versão do tempo da Palestina e a versão do tempo da Babilônia.
Na verdade, ele representa o código religioso e civil dos judeus, aqueles que não tinham aceitado Cristo. O Talmude aconselha os mestres a repetir, por exemplo, até quatrocentas vezes as noções mal compreendidas pelos alunos, extremamente rigoroso. A disciplina escolar recomendada, o que na verdade é o castigo que é atribuído às crianças no Talmude, é um pouco mais amena que na Torá.
Na Torá, a repressão sugerida é a vara, repreensão e castigo, dizendo que isso daria sabedoria à criança. No caso do Talmude, você também tem a questão da punição, mas você também tem, por outro lado, a questão do amor e do carinho, como diz o Talmude "a criança deve ser punida com uma mão e acariciada com a outra. " Nós podemos ver, nas passagens do Talmude, claramente, que a educação hebraica, nessa época, era conteudista, tinha um processo rigoroso de punição e enchia as crianças de trabalho.
Era extremamente sistemático e rigoroso. As sociedades hindus antigas também eram baseadas em uma estrita adesão a um sistema que está voltado para o status familiar que hoje nós conhecemos, chamado de sistema de castas, no qual o status de um indivíduo é determinado pelo lugar de sua família na sociedade. A educação formal ajudava a perpetuar esses costumes, esse sistema, tal como nós vimos nas outras tradições que nos referimos até agora.
Permitindo, então o acesso dos meninos pertencentes às castas mais altas, é claro, uma casta sacerdotal, os brâmanes, à educação formal. Os sacerdotes, nessa cultura, eram usados como os professores, os brâmanes. Na verdade, portanto, davam mais ênfase a um desenvolvimento moral, na aprendizagem da escrita e na disciplina, que era extremamente severa.
Então, nós podemos perceber que essas características eram comuns as outras sociedades mencionadas anteriormente. Os egípcios também desenvolveram uma sociedade altamente civilizada, muito interessante, eles se tornaram praticamente o centro do conhecimento de sua região. Ele tinham uma forma de escrita conhecida como hieróglifos e eram divididos em castas também.
Os sacerdotes eram o segmento altamente educado da sociedade, ofereciam instruções para os homens privilegiados que eram considerados dignos da aprendizagem. Aqui, estamos falando sobre uma educação formal que é acessível a um grupo de elite, um grupo da sociedade de classe mais alta, algo extremamente característico de todas as outras culturas que falamos até agora. Quanto ao aspecto de quem eram os professores, eram indivíduos que estavam associados à religião, à prática sacerdotal daquela cultura, também algo extremamente característico da educação histórica, do contexto histórico da educação.
Muitas dessas práticas que se espalharam para outras partes do mundo através das viagens e conquistas de vários filósofos gregos que tiveram contato com a educação formal do Egito, como, por exemplo, Platão, Pitágoras, Licurgo, Sólon. . .
Todos esses tiveram um contato com essa cultura, estudaram no Egito e levaram esses ensinamentos de volta para sua terra. É importante entender a influência da educação formal do Egito na origem também da educação formal ocidental. Agora, vamos falar sobre as civilizações ocidentais, mas é importante ressaltar que as civilizações orientais possuem certas características que se repetirão aqui e quero enfatizar para vocês se lembrarem.
As sociedades até agora descritas têm uma semelhança na concepção dessa educação formal: excluíam as mulheres, e se limitavam ao acesso das classes mais altas, das classes nobres, das elites. Essas práticas existiam para ajudar a perpetuar e manter a estrutura de classe e poder existente. Então, a proposta dessa educação formal era, na verdade, o manter o 'status quo', manter, portanto, esse grupo, esses membros da elite no lugar onde estavam porque eram eles que tinham acesso a esse conhecimento.
Isso se repete em praticamente em todas as culturas orientais e também, como veremos, nas culturas ocidentais. Aqui, coloco para vocês questões para vocês refletirem, para internalizarem esse conteúdo tratado aqui, o qual você já deve ter lido ou deve estar lendo em seu livro. Lerei com vocês essas questões e gostaria que vocês pensassem sobre elas.
[leitura na tela] Pense nisso, reflita sobre isso, tente responder para poder internalizar este conteúdo. Agora vamos aos gregos e romanos, sobre a educação na europa ocidental. Os gregos e romanos são importantíssimos para a estrutura da educação que nós temos hoje na educação formal.
Vamos ver aqui uma citação de um dos maiores pensadores gregos, e também do ocidente, Platão, um dos grandes filósofos. Ele diz aqui: [leitura na tela] Olha só que interessante, aqui Platão já está dizendo algo muito importante que será o fator de discussão durante toda a história da educação daqui em diante, que é a questão da metodologia, da abordagem. Analisem "o exercício corporal, quando obrigatório, não faz mal ao corpo, mas o conhecimento que é adquirido sob obrigação não tem nenhum poder sobre a mente".
O modo como é feito esse exercício, o exercício corporal ou exercício mental, vai determinar o seu efeito, certo? Então, é o método que utilizamos. .
. Para o exercício corporal é diferente do método para a aprendizagem, a aprendizagem racional. Perceba que aqui estamos falando sobre métodos, de metodologia, algo que será central na discussão sobre educação, em todo o Ocidente.
Por volta de 500 a. C. , os gregos já tinham desenvolvido uma sociedade que foi dividida em cidades-estado, as pólis.
Eram de uma complexidade suficiente que exigiam um sistema de educação formal. Vamos falar agora sobre duas dessas pólis, que são consideradas mais proeminentes: Atenas e Esparta. Primeiro vamos falar sobre Esparta.
A educação em Esparta tinha a principal finalidade de desenvolver um exército, a educação era militar. A ideia de Esparta era de um exército forte, para proteger e também para conquistar os estados vizinhos. Já havia um treinamento, uma educação focada, tanto para os meninos como para as meninas, que eram submetidas a um teste de sobrevivência rigoroso, sendo expostos a elementos da natureza durante a infância.
Esse teste era para determinar se eles poderiam ser guerreiros ou mães de guerreiros. Porém, havia também uma distinção, porque aos meninos era imposto um treino físico e moral projetado para desenvolver um exército forte. O desenvolvimento do intelecto não era considerado um particular de utilidade e as meninas, depois de um tempo, também recebiam uma educação mais familiar.
Havia também uma certa diferença entre os gêneros e havia também um foco específico no treino corporal e militar, desfocando, portanto, a finalidade de educação de um desenvolvimento intelectual. Em Atenas, nós vemos uma abordagem de educação diferente. Ela era concebida com o intuito de promover o desenvolvimento não só do corpo, mas também da mente.
Os meninos eram formalmente educados entre os oito aos dezesseis anos de idade em várias disciplinas. Eram enfatizados princípios morais, não só intelectuais, como princípios de moderação e do equilíbrio. A partir dos dezesseis anos até os vinte, os meninos recebiam treinamento militar.
Nós podemos perceber essa diferença que era imposta para a questão de gênero, a questão dos meninos e das meninas. As meninas, nessa idade, eram educadas em casa, isso semelhante as outras culturas sobre as quais falamos anteriormente. A Grécia Antiga contribuiu muito com nossa forma de olhar e pensar o conceito de educação.
Em particular, nós temos que citar três filósofos, três grandes pensadores: Sócrates, Platão e Aristóteles. Esses três exerceram profunda influência sobre a prática educacional moderna. Todos os três acreditavam que a finalidade mais importante de uma pessoa era servir e melhorar a humanidade, e que a educação deveria, então, ser projetada para este fim, para formar, educar e moldar pessoas que possam contribuir para a humanidade, para sua comunidade.
Vamos falar sobre Sócrates. Ele desenvolveu um método de ensino chamado 'método socrático', atribuído ao seu nome. Esse método socrático é aquele em que o professor faria uma série de perguntas as quais levariam o aluno a uma conclusão.
É também chamado de 'método maiêutico', refere-se exatamente a esse processo de 'auxílio para dar à luz'. O professor não 'dá à luz', ele auxilia o aluno, é um 'parteiro de ideias', conduzindo o aluno, seu discípulo, a dar à luz as suas próprias ideias. Então, através de perguntas, ele vai conduzindo o aluno a chegar as suas próprias conclusões e respostas.
Esse método ainda é comumente utilizado na prática educacional moderna. Sócrates acreditava que o conhecimento era uma virtude e que era essencial para a compreensão. Devido aos seus ensinos, que estimulavam a reflexão e o questionamento das convenções, ele criticava o governo vigente, sendo assim, levado a julgamento e condenado.
Ele deveria deixar de ensinar ou seria executado, e o que ele preferiu, o que ele escolheu? Escolheu tirar sua própria vida, tomando cicuta, em vez de ser obrigado a parar de ensinar. Foi um grande exemplo para a educação do Ocidente.
Platão foi um dos alunos de Sócrates e se tornou o fundador do Idealismo e acreditava que o objetivo da educação era desenvolver as habilidades de um indivíduo para melhor servir à sociedade. Ele fundou a Academia, a primeira universidade do mundo e foi uma das primeiras pessoas a defender a educação formal, tanto de homens quanto de mulheres. Temos uma grande exceção entre os pensadores desta época, temos, em Platão, um grande exemplo de que é possível pensar diferente entre tantos outros, tantas convenções e regras, tantos outros que pensam de forma contrária.
Platão sugere uma educação formal indistinta para homens e mulheres. Ele viveu há entre 427 a 347 a. C.
, e o verdadeiro nome dele era Arístocles. Platão se refere a um apelido devido ao tamanho da cabeça dele, diziam que ele tinha uma cabeça muito grande. Platão seria o 'cabeção', nessa ideia do apelido que sugeriram para ele.
O nome dele era Arístocles, mas todos o conhecemos como Platão e esse apelido ficou registrado para a história. Ele nasceu em Atenas e pertencia a uma família muito importante, uma das mais importantes da aristocracia ateniense, em que percebemos também essa questão da nobreza, da elite no acesso à educação. Platão foi discípulo de Sócrates e se refere a ele como o mais justo e o mais sábio dos homens.
Nada do que Sócrates falou foi escrito por ele. Os registros de Sócrates, na verdade, são escritos do próprio Platão. Depois da morte de Sócrates, Platão deixou a cidade e realizou várias viagens pelo norte da África e também pelo sul da Itália.
Ali, ele ampliou enormemente seu conhecimento e seus horizontes filosóficos, vendo a partir da experiência, e tentando implantar suas teorias também na prática. Voltando para Atenas, ele decidiu fundar uma escola chamada Academia, que é considerada a primeira instituição de ensino superior do mundo ocidental. A Academia era mais que uma instituição dedicada às investigações científicas e filosóficas, pois pretendia ser também um centro de preparação para a atuação política, baseada na busca da verdade e da justiça.
Além disso, o trabalho desenvolvido na Academia não tinha como objetivo a manutenção ou a transmissão de conhecimentos supostamente prontos e definitivos, ao contrário, seus esforços consistiam no exercício constante para conhecer mais e melhor as coisas, uma investigação sempre aberta e insatisfeita, em uma busca permanente pela verdade. Mais que uma filosofia que se fecha em torno de dogmas ou verdades absolutas, realizava um filosofar que abria sempre novas possibilidades. Essa concepção forneceu o modelo que embasou a evolução do pensamento filosófico até os dias de hoje.
A filosofia de Platão é a primeira grande síntese do pensamento antigo. Nela, estão organizadas e comparadas todas as ideias dos grandes filósofos que a antecederam, desde as investigações dos primeiros pensadores, desde os princípios do mundo, as 'archés', passando pelas exigências lógicas do pensamento de Parmênides, por exemplo, o impasse nos movimentos da pluralidade que podemos perceber no pensamento de Heráclito, até as questões sobre os valores humanos, das quais emergiram os debates de Sócrates e os sofistas, todas elas foram sistematizadas por Platão. Algo importante, também visto no pensamento platônico, é o rigor matemático pitagórico que é, por sua vez, a base do seu pensamento filosófico, a qual garantiu certeza e exatidão dos resultados para investigação metódica e sistemática.
No pórtico da Academia, o que é interessante ressaltar, muitos talvez não tinham visto algo sobre isso, estava escrito: "Aqui não entre quem não sabe Geometria". Muitos de nós não conseguiríamos entrar ali, né? Muitos de nós não valorizamos a Matemática.
A valorização da Matemática e da Geometria, que são heranças dos próprios egípcios, herdadas pelos gregos, estarão como como um fio condutor ou, na verdade, como um chão, um fundamento do método científico que posteriormente será discutido. A força dessa síntese que Platão elaborou é tal, que a filosofia ocidental, ao longo dos séculos, vai repeti-la e propagá-la, apenas desdobrando questões que serão levantadas a partir desses fundamentos. Nós podemos dizer que, na verdade, todos somos discípulos de Platão, todos nós que pertencemos à formação educacional do Ocidente.
E as possibilidades de um conhecimento teórico que são autofundantes e se afirmam pela sua validade, unicamente pela força das suas demonstrações, é o que Platão queria com seu método, que ele vai chamar de 'dialética'. Seu modelo são os diálogos socráticos, utilizando Sócrates com o personagem cujo encadeamento seriam raciocínios precisos, que impossibilitavam qualquer contestação, argumentações sólidas baseadas no raciocínio preciso. Por meio de afirmações e objeções a elas, pouco a pouco, de teses e antíteses, nós vamos chegando à síntese, depurada e crítica, que nos daria uma visão cada vez mais clara e uma argumentação cada vez mais sólida, até atingir uma espécie de consenso.
Chegaríamos à conclusões, portanto, irrefutáveis, de acordo com Platão, e não permitiriam qualquer outra solução. O processo é extremamente minucioso, dialético, no qual você tem uma tese e uma antítese, ou seja, uma afirmação e uma objeção e, a partir disso, você vai depurando até chegar a uma síntese irrefutável. Em suma, através do método dialético proposto por Platão e por Sócrates, o conhecimento se eleva gradativamente do plano instável e relativo das opiniões, para o plano mais seguro e consistente dos conceitos que nos aproximam da verdade.
Perceba que, das opiniões, daquilo que observei, que eu acho, afirmo, aí há outra afirmação, eu vou depurando, depurando, usando a minha razão, até chegar aos conceitos, e portanto à verdade. Um aspecto fundamental do pensamento platônico é sua Teoria das Ideias, através da qual Platão procura explicar como se desenvolve o conhecimento humano. Segundo ele, o processo de conhecimento se desenvolve por meio da passagem progressiva do mundo das ilusões e das aparências para o mundo das ideias e das essências.
Então, para uma primeira etapa, podemos dizer que são as sensações ou as impressões advindas dos nossos sentidos que formam a opinião que temos a respeito das coisas, do mundo a nossa volta, é um saber que adquirimos sem uma busca metódica, sistemática, nós simplesmente recebemos esses dados e formamos nossas opiniões através das nossas vivências. Isso faz originar crenças a respeito do mundo e de nós mesmos. Porém, o verdadeiro conhecimento não fica aí, ele parte daí, mas não fica.
O conhecimento só é adquirido, construído, quando nós ultrapassamos essas ilusões, as impressões sensoriais que nós podemos ultrapassar utilizando nosso raciocínio, a esfera racional da sabedoria, ou seja, indo em direção ao mundo das ideias. Nesse mundo, é onde nós encontramos as perfeições, os seres perfeitos, os conceitos, a verdade, por exemplo, justiça e beleza. Mas nós só conseguimos isso mediante o esforço racional, ou seja, através da filosofia.
A opinião nasce da percepção da aparência para Platão, e da diversidade das coisas. A realidade sensível é, portanto, um mundo de seres imperfeitos e incompletos que estão sempre em transformação, como se fossem cópias defeituosas que procuram imitar as cópias perfeitas, sua forma ideal, os conceitos universais. Como Platão considerava a alma imortal, seguindo a tradição pitagórica, para ele, quando o homem aprende, na verdade está lembrando algo que sua alma já conhece.
Por falar nisso, é óbvia a influência das concepções platônicas sobre as doutrinas posteriores, em especial, as doutrinas religiosas, principalmente as doutrinas do cristianismo. Mas para expor a sua Teoria das Ideias, e a forma como se desenvolve o processo do conhecimento, Platão cria uma famosa alegoria, que vocês devem conhecer, chamada de Mito da Caverna, a qual aparece no livro sete de sua obra, "A República". Nessa passagem, Platão imagina que havia homens que estavam acorrentados em uma caverna e que só poderiam ter acesso às sombras, à sombra dos objetos que passavam atrás, ou seja, à luz do dia, fora da caverna, só poderiam ver essas sombras.
Para eles, isso era a realidade, a verdade, que não passava de ilusão. Um desses homens acorrentados consegue escapar e ver a luz do dia e o sol. Depois de ficar quase cego devido ao sol, ele começa a enxergar, de fato, as coisas como elas são, ou seja, os conceitos, a ideia.
. . esse seria o mundo das ideias.
E, ao ver as coisas verdadeiras, como elas são, essa ascensão à luz, ascensão à razão (importante: a relação da luz e do sol com a razão será depois retomada no Iluminismo), esse indivíduo que consegue fugir das correntes volta para avisar os seus amigos da caverna, onde estava acorrentado, sobre essa ilusão e essa verdade. Porém, como recorrentemente acontece na história, não acreditam nele. Existe uma versão do Mito da Caverna em que acabam matando-o por falar isso.
Na verdade, temos uma comparação com o próprio Sócrates, que foi julgado, condenado e morreu por falar a verdade. Um outro pensador importante também é Aristóteles, o fundador do Realismo, diferente do Platão, que é o fundador do Idealismo. Ele foi aluno de Platão e acreditava que o conhecimento existe independentemente no mundo, em oposição à crença de Platão de que as ideias são a realidade última.
Isso constitui o seu Realismo, ir em direção à realidade. Ele foi o fundador do método indutivo, e ensinou a lógica como disciplina formal. Seus escritos influenciaram a humanidade grandemente.
Ele viveu entre 384 a 322 a. C. , antes da Era Comum e é considerado um dos maiores pensadores de todos os tempos.
Nasceu em Estagira, na Macedônia e herdou do pai, que era médico na corte do rei, o gosto pelas ciências naturais. Aos dezoito anos, ele foi para Atenas, onde se tornou o discípulo de Platão, de quem falamos anteriormente. Durante vinte anos, estudou e ficou ali, atuando intensamente na Academia de Platão.
Porém, com a morte de Platão, ele não pôde assumir a direção da instituição, porque ele era meteco, era da Macedônia, não era ateniense. Ele partiu para uma cidade da Ásia Menor, onde ele permaneceu por alguns anos, até ser convidado para ser professor de Alexandre, que era filho de Filipe II, rei da Macedônia. Por volta de 335 a.
C. , Aristóteles voltou para Atenas e ali fundou uma outra escola chamada de Liceu. Possuía esse nome porque se situava nas proximidades do templo dedicado a Apolo Licínio.
Ensinou ali por volta de mais de uma década, até que Alexandre, O Grande faleceu. Aristóteles foi perseguido por ser macedônico, então ele acabou fugindo de Atenas. A vasta obra de Aristóteles abrange os mais diversos temas e tem um caráter enciclopédico, na verdade.
Ele sistematizou praticamente todo o conhecimento até então desenvolvido e criado na Grécia. As concepções que ele tinha eram voltadas às ciências, mas ele também se voltava para todas as outras áreas, como ética, filosofia prática, lógica, e assim por diante. A influência dos seus pensamentos acabaram afetando praticamente todo o Ocidente e houve uma transmissão do seu pensamento que foi sistematizada e reformulada também pela Igreja Medieval.
É interessante falar isso aqui. O Andrônico de Rodes, por exemplo, reuniu, publicou a obra de Aristóteles pela primeira vez, no século I a. C.
Então, as obras de Aristóteles que hoje acessamos, foram transmitidas também por esses pensadores da Idade Média. No Órganon, estão reunidos os escritos sobre lógica e a teoria do conhecimento, que é uma área sobre a qual Aristóteles se debruçou. Física, que é outra obra dele, compreende o que chamamos de cosmologia e antropologia.
Metafísica, é uma outra obra aristotélica, ou seja, uma organização das suas obras, há um estudo sobre o ser, o ser enquanto ser e os princípios, as causas primeiras no ser. Na Teologia, também essa outra obra sistematizada, Aristóteles procura demonstrar racionalmente a existência de Deus e sua natureza essencial. As questões relacionadas à ética, nós podemos encontrar no livro Ética a Nicômaco e também no livro Ética a Eudemo, que, de certa forma, completam a sua obra.
Temos ainda obras sobre política, retórica e poética, ou seja, ele foi alguém versado em praticamente todas as ciências e conhecimentos de sua época. Aristóteles entendia que a finalidade fundamental de toda a ciência era desvendar a constituição essencial dos seres, procurando defini-la em termos lógicos e reais. Por causa disso, ele discordava da Teoria das Ideias, mencionada anteriormente, de Platão, seu mestre, segundo a qual os dados captados por nossos sentidos não passariam de uma distorção da realidade verdadeira que só existiria no mundo das ideias.
Aristóteles admite que a observação da realidade nos faz perceber uma multiplicidade e também singularidade de seres concretos e imutáveis. Mas ele acredita que, a partir dessa realidade, sensorial e empírica, a ciência deve e pode buscar a estrutura essencial de cada ser. Então, o método, o processo intelectual proposto por Aristóteles para desenvolver o conhecimento seria o raciocínio indutivo, partindo da existência dos seres concretos e individuais.
Partindo dessa existência, podemos chegar à essência dos seres através de um processo em que o conhecimento evoluiria do específico e particular para o genérico e universal. Analisando e ordenando de maneira metódica e sistemática os dados obtidos pela experiência sensível, o homem pode formular o conceitos de caráter geral e universal, que possuem uma estrutura essencial aplicável a um dos seres reais por eles definidos. Basicamente, estamos falando aqui sobre a origem de um método científico.
Aristóteles procura distinguir, em todos os seres, o que ele chamou de substância, ou seja, aquilo que é essencial e estrutural do ser, daquilo que ele denominou de acidente, isto é, aquilo que seria circunstancial e não essencial do ser. Assim, a substância corresponde ao que é intrínseco ao ser, enquanto o acidente faz parte do ser, ou melhor, de suas possibilidades, mas não define a natureza fundamental do ser. Aqui, nós temos um resumo, a síntese da visão aristotélica e de sua constribuição fundamental para a educação formal do Ocidente.
Não podemos deixar de lado, falar sobre os romanos, ou seja, a contribuição da educação romana. Os romanos conquistaram a Grécia em 146 a. C.
e começaram a assimilar muitos dos conceitos filosóficos sobre os quais falamos anteriormente, as filosofias educacionais dos gregos, no seu próprio sistema. O sistema escolar romano se dividia em em dois níveis: um período fundamental, chamado ludus, correspondente à idade de sete a doze anos e uma escola secundária, correspondente à idade de doze a dezesseis anos. As mulheres eram, de fato, autorizadas a assistir o primeiro nível, o ludus, recebendo, então, uma educação formal nesse nível, mas depois elas recebiam uma educação doméstica quando passavam dos doze anos de idade.
Um exemplo importante do pensamento romano e uma contribuição também fundamental para a formação da educação formal é Quintiliano, que viveu entre os anos de 35 a 95 da nossa Era Comum, foi um dos educadores romanos mais notáveis e de pensamento abrangente. Seus escritos, que foram descobertos no século XIV, tornaram-se base para o movimento humanista na educação. Ele é um dos primeiros pensadores humanistas, lançou o fundamento desse movimento do qual até hoje sofremos seus efeitos.
Quintiliano acreditava que a punição corporal, não era necessária, que as férias escolares eram necessárias para atualizar e incentivar o aluno a estudar mais e que o ensino deveria refletir o desenvolvimento da criança. Perceba bem: deveria refletir o desenvolvimento da criança e que a elas não deveriam ser ensinadas matérias novas, até que pudessem dominar as anteriores. Algo extremamente atual e discutido ainda hoje sobre a educação e o processo de aprendizagem, grande contribuição de Quintiliano.
Mas o pensamento romano e sua cultura, de uma maneira geral, foram pouco originais, com algumas exceções, como acabamos de ver. Os pensadores romanos elaboraram um pensamento eclético, isto é, aberto e que mistura aspectos de várias correntes filosóficas, mas sempre com um forte conteúdo moralizante. Sua ética, pautada basicamente no historicismo (influências dos históricos gregos) menos rígida que eles, na verdade.
Mas professavam, de maneira geral, aquilo que os históricos declaravam. Para os romanos, a virtude consiste em permanecer indiferente ao mundo, mas não há nenhum mal evidente em aproveitar a vida e desfrutar de bens materiais, como fazem os homens em geral. O que importa, na verdade, não é tanto chegar ao conhecimento verdadeiro, mas ao conhecimento do que é conveniente para o homem.
Percebemos aqui uma espécie de utilitarismo, uma espécie de pragmatismo, já presente no pensamento romano. Somente no século III, quando já começava a decadência do Império Romano, é que surgiu um pensamento filosófico realmente novo e significativo, e isso acontece com o aparecimento do neoplatonismo e, mais tarde, com a estruturação do pensamento cristão. Vamos pensar sobre algumas questões, para você poder internalizar aquilo que foi dito até agora.
[leitura na tela] Para finalizar essa parte da discussão sobre a Unidade 1, gostaria de falar sobre mais um período importante que é a Idade Média e a educação. Vamos falar sobre, pelo menos, essa transição indo à Idade Média. Santo Agostinho é um importantíssimo nome para nos referirmos aqui.
Ele viveu entre 354 a 430 da Era Comum. Agostinho foi um grande pensador e sutil psicólogo, na verdade. Mas ele se destacou, sobretudo, como o mais importante filósofo e teólogo no limiar entre a Antiguidade e a Idade Média, (que refere-se ao período sobre o qual estamos falando agora, essa transição).
Entre suas obras pedagógicas, encontra-se uma que foi conhecida como "O livro da revolta", cujo título é O Mestre. Dentro da tradição platônica, Agostinho redigiu-a em forma de diálogo entre ele e seu filho. Nela, ele defendeu a ideia de que, como toda necessidade humana, também a aprendizagem, em última instância, só pode ser satisfeita por Deus.
A pedagogia agostiniana recomendou aos educadores jovialidade, alegria, paz no coração e, às vezes, também algumas brincadeiras. Agostinho pertence a um período o qual nós chamamos de Patrística, que foi uma das primeiras correntes a ensinar na Idade Média. Era uma filosofia que surgiu como forma de evitar heresias, e essa forma de combater as religiões pagãs fez com que os padres tivessem que buscar argumentação nos fundamentos filosóficos gregos, extraídos da argumentação que justificasse a interpretação pagã da nova religião ou filosofia.
Podemos dividir a Patrística em três períodos: na fase inicial, a maior preocupação era o combate ao paganismo e suas crenças, em que verdade a fé cristã foram impostas. Na segunda fase, há maior destaque e esse se dá através do próprio Santo Agostinho e tinha com marca principal aliar a fé com a razão. A terceira fase visou à reelaboração das doutrinas existentes e formulações novas.
Em suma, a Patrística auxilia a exposição racional da doutrina religiosa, preocupando-se, principalmente, com a relação entre fé e ciência, com a vida moral, com a natureza de Deus e da alma, ou seja, une a fé com a ciência. Em grosso modo, faz a fé e a religião terem base na filosofia e até nas ciências. O maior nome dessa corrente, portanto, é Santo Agostinho que une a filosofia à religião e, com isso, forma sua própria filosofia que se baseava no conhecimento, na sabedoria e na amizade.
Agostinho colaborou com a educação no reconhecimento de que, paralelamente à conquista do domínio dos conteúdos, o aluno precisa ser orientado a relacionar esses conhecimentos a uma realidade maior, tornando-se indispensável a formação de valores que prezam a integração e a verdade. Iniciamos a Unidade 1 do Livro de Contexto histórico-filosófico da Educação e enfatizamos a importância de você acessar a trilha de aprendizagem no seu AVA, participar do fórum e também realizar os exercícios do seu livro. Faça isso para aprofundar seu conhecimento.
Sucesso na construção dos conhecimentos e na compreensão sobre este assunto. Em caso de dúvida, nós estamos à disposição, no telefone 0800 642 5000 ou no ambiente virtual. Muito obrigado por sua atenção!