Módulo 7 aula 22 Além das estratégias que nós já discutimos nesse módulo de como ensinar novas habilidades para os clientes, nós precisamos garantir que uma intervenção baseada em ABA inclua estratégias para manter e generalizar comportamentos que foram já aprendidos. A generalização, ela se refere à ocorrência de comportamentos em momentos, lugares, contextos ou com pessoas diferentes daqueles presentes na situação onde o ensino ocorreu. Por exemplo, ler em contextos diferentes do local onde você aprendeu a ler.
Pedir por objetos desejados em diferentes ambientes, em diferentes contextos, pedir para diferentes pessoas aquilo que você precisa. A manutenção já é uma outra coisa, um pouquinho diferente, às vezes elas são confundidas. A manutenção se refere a quanto um cliente continua a desempenhar um comportamento depois que a intervenção, que foi responsável pela ocorrência inicial desse comportamento foi retirada.
Tanto a manutenção quanto a generalização são essenciais. Eu preciso que o meu cliente mantenha essas habilidades ao longo do tempo e possa executar essas habilidades, desempenhar essas habilidades em vários contextos, em várias situações. No conceito de generalização existe uma dicotomia importante, que é a configuração instrucional e a configuração de generalização.
Então a configuração instrucional é essa a configuração onde o ensino ocorre e a configuração de generalização é onde o ensino não ocorreu, mas o comportamento que foi ensinado na configuração instrucional deve ocorrer também. A gente diz isso porque a gente não consegue ensinar os comportamentos sempre no contexto onde eles vão ocorrer naturalmente. O ensino baseado em ABA ou as intervenções baseadas em ABA, geralmente ocorrem ou na clínica, num contexto de clínica ou num contexto da casa da família ou até num contexto escolar.
Esses são os três principais contextos onde a gente tem intervenções baseadas em ABA. Então esses locais e a maneira como nós estabelecemos esse ensino, configuração instrucional, geralmente são em salas que podem ou não ter outras pessoas. Eu posso fazer o ensino DTT por exemplo na mesa, no tapete, como a gente já discutiu e a configuração instrucional às vezes ela não é exatamente igual ou muitas vezes ela não é exatamente igual à configuração de generalização onde esses comportamentos também precisam ocorrer mas onde o ensino não ocorreu.
A generalização tem alguns tipos quando a gente trata desse assunto. Os tipos de generalização mais comuns são a generalização entre lugares diferentes, o comportamento precisa ocorrer em vários lugares diferentes, entre estímulos diferentes, ou seja, diferentes elementos do ambiente podem funcionar como estímulos. Uma coisa que é importante para nós nessa situação é quando a gente ensina usando estímulos diferentes.
Se eu estou ensinando o que é cachorro, por exemplo, eu preciso ensinar com diferentes imagens de cachorros diferentes, imagens em duas dimensões, eu posso pegar um bonequinho de um cachorro, então eu vou ensinar utilizando estímulos diferentes e isso vai favorecer a generalização. Outro tipo de generalização é entre pessoas. É muito importante que o meu cliente consiga desempenhar as habilidades diante de pessoas diferentes, ou seja, mudou a professora, ele tem que conseguir responder da mesma maneira que ele respondia a professora anterior.
E entre contextos diferentes, às vezes é um contexto de ensino, por exemplo, numa escola, mas tem o contexto do intervalo das aulas. Tem um contexto que pode envolver uma interação num parque com crianças que o cliente já conhece e crianças que o cliente ainda não conhece. Apesar de ter alguma semelhança, essas crianças não têm uma atividade direcionada no intervalo das aulas na escola, e num parquinho, numa praça, por exemplo, mas são contextos diferentes que o cliente deve desempenhar as habilidades que ele aprendeu e, portanto, demonstrar que essas habilidades tiveram generalização.
Tanto a manutenção quanto a generalização dependem de contingências naturais que poderão ou não reforçar o comportamento que foi ensinado lá na configuração instrucional. A gente às vezes utiliza, o que a gente chama de sondas de generalização e sondas de manutenção. Sondas são essas medidas do comportamento que devem estar presentes em todo o programa baseado em ABA.
São tentativas de verificar se um comportamento que foi aprendido na configuração instrucional aparece da maneira como ele deveria ser generalizado em outros contextos para outras pessoas. Então, sondas de generalização são as medidas do comportamento alvo em configurações onde não houve ensino direto. Se eu ensinei numa sala de atendimento uma determinada habilidade e o meu cliente atingiu critério de domínio daquela habilidade, eu posso testar essa habilidade em um outro local fora da sala de atendimento ou eu posso pedir que outra pessoa, um outro terapeuta que não trabalhe com o meu cliente, peça o meu cliente para desempenhar aquela habilidade ou aquela atividade e vamos ver qual é o desempenho.
Então, as sondas de generalização vão envolver que eu terapeuta peça para outra pessoa que não participa da equipe da criança, pedir para a criança desempenhar aquela habilidade e eventualmente que ela faça isso num contexto diferente, numa situação diferente e até com estímulos diferentes daqueles que eu utilizei na hora de ensinar aquela habilidade. As sondas de manutenção são medidas do comportamento alvo que são feitas algum período depois das intervenções terem sido reduzidas ou finalizadas. Então, se o meu cliente hoje alcançou o critério de domínio para uma determinada habilidade, daqui uma semana, duas semanas, três semanas, eu vou voltar nessa habilidade e vou ver se ele ainda consegue desempenhar corretamente aquela habilidade que foi ensinada.
Então, as sondas são algumas tentativas para verificar se o meu cliente ainda desempenha aquela habilidade da maneira como ele desempenhava quando nós concluímos o ensino, que ele atinge o critério de domínio, ou se eu preciso voltar nesse ensino. É mais ou menos como uma medida de retenção, o quanto esse cliente consegue manter essas habilidades que ele aprendeu ao longo do tempo e é isso que nós estamos falando quando falamos de manutenção e generalização, é o quanto essas habilidades que foram ensinadas numa configuração instrucional se generalizam para outros contextos, pessoas, situações e lugares. Essas sondas geralmente vão envolver poucas tentativas, tanto a generalização quanto a manutenção.
Eu vou fazer geralmente duas, três, se necessário, pouco mais de tentativas, mas não muitas. Eu só quero verificar se o meu cliente ainda é capaz de desempenhar aquela habilidade ou se ele é capaz de desempenhar aquela habilidade com outras pessoas, em outros contextos, contra os estímulos. Caso se verifique que não houve manutenção da habilidade, eu volto àquela habilidade para ensino.
Eu volto aquilo como um comportamento alvo. Eu estou vendo que aquele cliente não tem mais, não teve manutenção daquela habilidade, eu preciso voltar a ensinar. Ou se esse cliente não demonstra generalização, eu volto, é preciso ensinar e pensar em outras estratégias que podem ser utilizadas, supervisoras e supervisores são preparados para pensar nessas estratégias para produzir a generalização.
Para que o meu cliente não desempenhe habilidades apenas na configuração instrucional. Vamos falar agora sobre algumas estratégias para produzir generalização. A primeira delas é o uso de múltiplos exemplares.
Ao ensinar uma habilidade que vai envolver estímulos visuais, por exemplo, eu devo utilizar estímulos que sejam um pouco diferentes. Se eu quero ensinar, por exemplo, o que é uma onça pintada para o cliente identificar. Eu pego o estímulo que seria uma imagem de uma onça pintada e mostro para ele e falo assim, que bicho é esse?
E ele diz, onça. Mas eu não posso usar só uma imagem de uma onça específica. Eu deveria usar várias imagens e isso é o uso de múltiplos exemplares de cada um dos estímulos que eu quero ensinar.
Então eu deveria ter onças grandes, pequenas, imagens de diferentes ângulos e posições. E eventualmente uma onça que a foto foi tirada à noite, então eu não vejo ela tão bem assim para que na hora que eu vá testar a generalização com imagens diferentes daquelas que eu utilizei no ensino, o cliente tenha mais facilidade de identificar que aquele animal é uma onça e não qualquer outro animal. E isso vale obviamente para qualquer estímulo visual que eu vá utilizar.
Uma outra estratégia bastante utilizada para produzir a generalização é aumentar a semelhança entre a configuração instrucional ou configuração de ensino e a configuração de generalização. É mais provável que o comportamento alvo a ser emitido na configuração de generalização seja emitido com sucesso se a configuração instrucional ou de ensino for parecida com aquela configuração na qual o comportamento deve ocorrer num ambiente natural. E para isso a gente pode tanto favorecer o ensino, por exemplo, se eu quero ensinar esse cliente a fazer um pedido numa lanchonete.
Então eu vou aqui, na minha configuração instrucional, ter alguns elementos que se assemelham a uma lanchonete e como ele encontra isso lá no ambiente natural dele. Às vezes a gente até precisa fazer uma visita no ambiente natural, ver como é que é a configuração, quais são as maneiras como a interação vai ocorrer para eu reproduzir isso no meu contexto instrucional para que o meu cliente possa ter mais chances de sucesso de desempenhar aquela habilidade lá naquele contexto natural. Às vezes a gente programa estímulos que sejam comuns entre a configuração instrucional e a configuração de generalização.
Ou seja, a gente coloca na configuração instrucional alguns estímulos específicos que vão estar presentes lá na configuração de generalização. Uma outra estratégia é o ensino solto. Esse termo significa que eu vou variar randomicamente, ou seja, um pouco aleatoriamente, aspectos que não são críticos no ensino.
Isso na configuração de ensino, dentro de uma mesma sessão e entre sessões. Como é que isso acontece? Eu vou apresentar instruções e materiais de ensino que são ligeiramente diferentes, mas que os elementos críticos estão ali, presentes em todos eles.
Isso deve incluir ambientes diferentes, contextos diferentes e pessoas diferentes. Então, pensando nessas estratégias, é interessante que um mesmo cliente tenha acesso a mais de um terapeuta usando basicamente as mesmas estratégias, porque isso vai favorecer a generalização. Cada terapeuta pode, às vezes, dar um SD que é um pouquinho diferente, por exemplo, ao pedir que uma criança que siga instruções.
Eu posso dizer, fulano, vá lavar suas mãos. Ou eu posso dizer, fulano, está na hora de lavar as mãos. São instruções levemente diferentes, mas os aspectos críticos estão presentes, dizer qual é a atividade que um cliente deve executar naquele momento.
Terapeutas diferentes podem favorecer a generalização, ter uma equipe com mais de um aplicador. E mesmo que essas estratégias de ensino sejam feitas em contextos um pouquinho diferentes, mesmo que eu esteja numa clínica, numa intervenção baseada em um contexto clínico, eu não necessariamente preciso fazer todas as atividades, exatamente no mesmo local, todas as vezes. Eu posso variar o local.
Como a gente viu lá no DTT, ele pode ocorrer na mesa, mas ele pode ocorrer no tapete, ele pode ocorrer na entrada da sala em qualquer lugar. Então, se eu vario o local onde o ensino ocorre, isso tem a ver com o ensino solto e pode favorecer a generalização. Na hora de dar instruções, eu poderia também variar o tom de voz, as expressões faciais, a posição em que eu me encontro durante as instruções, se eu estou de pé, se eu estou sentado, se eu estou sentado no chão, de diferentes pontos do ambiente, a posição em relação ao cliente, em diferentes momentos do dia.
Então, variando tudo isso, eu consigo favorecer a generalização desse repertório, que é seguir instruções. Ainda dentro das estratégias para generalização, é interessante depois que a aquisição do comportamento ocorreu, ou seja, depois que o cliente atingiu um critério de domínio para aquela habilidade, a gente garantir que aquele comportamento acontece com a taxa adequada, a frequência adequada naquele contexto natural, com a precisão adequada, com a topografia, a forma do comportamento adequada, latência, duração e magnitudes, para que o comportamento alvo tenha contato com as contingências de reforçamento naturais do ambiente. Então, vamos supor que eu ensinei para um cliente a fazer pedidos, mas ele faz pedidos com um volume de voz muito baixo.
Isso pode ser um problema para a generalização. As pessoas podem não ouvir a voz dele lá num contexto onde o comportamento deveria ocorrer, deveria ocorrer a generalização. Se eu passo a reforçar aqui os comportamentos com um volume muito baixo e continuar reforçando com um volume muito baixo, pode ser que lá no contexto de generalização ele não obtenha sucesso.
Então, quando a gente quer produzir generalização, a gente tem que pensar quais as dimensões e as propriedades do comportamento aqui no contexto de ensino que estão presentes e que vão ser necessárias lá no contexto de generalização. Para favorecer a generalização, a gente também pode pensar no uso de esquemas de reforçamento intermitente e em consequências atrasadas. Por exemplo, se eu ensino meu cliente a fazer pedidos e eu, no começo desse ensino, reforço cada pedido que o meu cliente faz, isso pode ser muito importante no começo.
Mas pensando em generalização, é preciso avançar nesse ensino para que o cliente produza mais persistência nesse ensino. Imagine que lá no contexto de generalização, na escola do cliente, por exemplo, a professora não consiga reforçar cada pedido, cada vez que o cliente pedir, ela entregar o reforçador. Então, o que que eu preciso desenvolver nesse cliente?
Persistência. E para isso eu posso usar esquemas de reforçamento. Então, no meu contexto de ensino, no contexto instrucional, eu vou planejar uma situação em que esse cliente precise pedir duas, três, quatro vezes a mesma coisa até que alguém reforce o comportamento dele, porque isso é o que vai acontecer provavelmente lá nos contextos de generalização.
Além disso, esse cliente pode ter que esperar para ter acesso ao reforçador, lá naquele contexto de generalização. Então, aqui no contexto instrucional, com os terapeutas, eu vou ensinar esse cliente a esperar para ter acesso ao reforçador. Isso é necessário para que ele tenha sucesso lá no contexto de generalização.
Também é importante pensar em estratégias para a manutenção do comportamento, uma vez que ele foi aprendido. Preparar pessoas no ambiente natural do cliente para reforçar novos comportamentos alvo é importante. Uma vez que esses comportamentos foram ensinados no contexto instrucional, eles também devem continuar ocorrendo depois que a intervenção foi retirada.
Ensinar o cliente a recrutar reforçamento no ambiente natural. Então, se esse cliente, o que reforça o comportamento dele, em algumas situações, é a atenção de outras pessoas ou a relação de outras pessoas, assim como no contexto escolar, a gente deve ensinar esse cliente a recrutar esses reforçadores. Por exemplo, chamando a professora para ver, olha, eu terminei a minha tarefa.
Isso seria um recrutamento de reforço, porque a professora pode vir até o cliente ver a tarefa dele, dar o feedback para ele sobre o desempenho dele naquela tarefa, e isso não teria acontecido caso eu não tivesse ensinado esse cliente a dizer, professora, terminei minha tarefa. Então, isso é recrutar reforçamento no ambiente natural. Outra coisa que a gente faz para garantir a manutenção do comportamento é reforçar a variabilidade da resposta.
Ou seja, evitar que as respostas que o cliente dá, especialmente quando falamos de comunicação, sejam sempre iguais. Nós já falamos um pouco sobre isso, é uma crítica comum à ABA que as pessoas ensinem sempre de um mesmo jeito, com a mesma topografia algumas habilidades, e isso faz com que o repertório de comunicação do cliente fique muito estereotipado. Ele fala sempre, as mesmas frases, as mesmas palavras, ou ele sempre brinca exatamente do mesmo jeito e isso é um problema para a manutenção.
Então, os ambientes naturais podem deixar de reforçar algumas topografias e passar a reforçar outras topografias de resposta. Por isso, variar nas topografias e reforçar topografias diferentes pode favorecer bastante a manutenção das habilidades. Usar reforçamento intermitente na situação alvo também ajuda bastante na manutenção.
Isso ajuda a tornar o comportamento mais resistente à extinção, mais persistente, ou seja, tem mais chances de futuramente ser controlado por reforçadores naturais. Nas situações naturais que a gente vive, fora das situações de ensino explícito, o nosso comportamento não é reforçado a cada vez que ele acontece. Então, é muito importante a gente lembrar das estratégias para produzir generalização e manutenção quando a gente implementa programas baseados em ABA.