Olá a todos vocês olá a todas vocês mais um capítulo desse projeto que o Leandro dos Santos idealizei algum tempo atrás a rádio Freud e tem como objetivo principal levar a psicanálise para quem quer saber no capítulo de hoje que dá sequência Claro a outros capítulos anteriores eu sempre Marco isso por favor assista desde o primeiro progressivamente no capítulo de hoje eu eu eu tenho a intenção de abrir para um ângulo que é importante na psicanálise que é algumas definições que o Freud médico é importante dizer Freud era um médico depois ele se afasta toda
a medicina quanto mais psicanalista ele se tornou menos médico Freud acabou sendo mas como Freud era médico ele usava muitos conceitos da Medicina tomava emprestado e enfim acabaram virando conceitos psicanalíticos mas são conceitos que originam da da Medicina muito muito bem quando Freud pensa no complexo de edipo Ah então a Mamãe o papai o filhinho ou a filhinha de alguma maneira esse filhinho ou essa filhinha eles vão se relacionar com esses pais não vão conseguir tudo que eles imaginam não vai ser como eles querem e eles vão responder a gente chama ISO de castração eles
vão responder à castração com uma fantasia mas o Freud e tem a seguinte hipótese que é bastante curiosa né essa essa essa coisa primitiva lá de trás quando era criancinha pequenininha é uma estruturação Claro a partir da fantasia mas uma estruturação de uma personalidade vamos dizer de um jeito de ser de um modo de funcionar no mundo e aí o Freud define essas estruturas de personalidade né grosso modo em três grandes Campos né alguns psicanalistas discordam um pouco disso dizem que são dois Campos outros dizem que são três alguns chegam a dizer até quatro Mas
enfim vou me ater ao mais ao mais famoso que é a neurose a Psicose e a perversão por que que eu tô dedicando um capítulo a isso porque é importante eh até pra gente poder avançar aqui eh a gente compreender que a gente funciona a gente tem um jeito de ser um jeito de estar no mundo que eh é derivado dessa nossa estrutura que ao mesmo tempo claro ela é um pouco genérica mas ao mesmo tempo é muito particular muito singular de cada um de nós por quê Ela é uma resposta a essa dificuldade edipiana
lá de trás de ser tudo pra mamãe ou tudo pro papai rivalizar com um rivalizar com o outro amo esse não amo outro e amo deais esse amo de menos o outro enfim são desdobramentos dessa saída do Édipo né então o o Freud tem a seguinte hipótese né né de que o menino sai do Édipo se identificando ao pai e querendo eh enfim ter a mamãe para ele ter um um um casamento com essa mamãe né como ele não consegue ele vai ter não pode Óbvio Ele vai tentar eh achar uma mulher igual a mãe
Eh interessante que na vida a gente vê muitos exemplos de pessoas que se casam com com com pessoas que parecem muito né com mãe com pai né na verdade uma tentativa inconsciente Claro de trazer a atmosfera do complexo edípico do complexo edipiano para pro pro presente e isso pode vir de maneiras bonitas tá Que bonito mas também pode vir de maneiras feias né vou trazer aquela atmosfera horrível de briga pro meu casamento atual vou trazer aquele atmosfera de rivalidade por exemplo no meu pro meu casamento atual então precisa tomar cuidado não é tão simples então
a saída do Ed pro pro pro menininho seria isso pra menininha Já é um pouco mais complexo né Eu sempre brinco que o menino é uma TV branca e preta pequenininha aquela TV ap pilha né que o feirante assiste jogo né A menina é uma TV de 4K 60 polegadas ultra moderna né porque a mulher ela é muito mais muito mais rica do que o homem nesse sentido em termos de subjetividade humana e aí pro Freud a saída das meninas seria na verdade três saídas né uma delas seria arrumar um homem parecido com o pai
e ter um filho com esse homem que seria metaforicamente falando nas profundezas do inconsciente casar com o próprio pai ter um filho dele na lógico ou também eh uma uma segunda saída seria permanecer infantilizada ao lado da mãe ou seja nunca sair da posição de filha não chegar à posição de mulher ficar de fato vivendo com a mãe eh identificada essa mãe né e uma terceira saída que puxa vida no consultório isso é muito comum é ter raiva dos homens é querer na verdade eh rivalizar com os homens cortar o pênis dos homens fora e
de alguma maneira ter um pênis eh nessa rivalidade eu tenho mais potência que você enfim eh vou provar para vocês que os homens estão errados que eles não me deram o amor que eles deveriam me dar então são saídas do Édipo né Tanto do lado da mulher do lado do homem que diz dessa fantasia claro né essa fantasia que é uma resposta à cação mas também diz dessas estruturas que eu vou falar um pouquinho agora é é é mais complexo que isso mas eu vou vou passar brevemente por elas para depois a gente poder se
aprofundar um pouco mais à frente bom eu vou falar então neurose psicose perversão vou falar um pouco da Psicose primeiro a Psicose tá a Psicose seria um termo psicanal alítico muito utilizado é só jogar no Google impressionante o número de artigos de livros que tem seria mais ou menos o que a gente chama de loucura né loucura tem sempre um tom pejorativo um tom eh desabonador né como se a pessoa estivesse errada como se a pessoa fosse inferior o psicanalista não pensa isso pro psicanalista o sujeito fez o que ele pôde ele se organizou lá
atrás bem lá atrás quando era bebezinho ele se organizou frente a esse fenômeno frente a esse momento mágico mítico ele se organizou desse jeito que por uma série de de de de questões de de de ângulos que que a gente vê a situação são vários ângulos a gente compreende que o sujeito se encaixa dentro da Psicose que é uma outra relação entre ID de ego ID de sug Na verdade essa fantasia ela toma o lugar da realidade então para o Psicótico a fantasia é a realidade Então dentro da Psicose a gente teria alguns Alguns eh
termos que são extraídos por exemplo da psiquiatria só verificar em qualquer livro de psiquiatria a gente teria esquizofrenia a gente teria melancolia a gente teria o que se chama de Psicose maní depressiva aquela coisa bipolar né a gente teria eh alguns outros termos enfim que são pouco usados mas fundamentalmente esses três termos porque eles definem a pessoa né então ele é o esquizofrênico né ele tem uma mente dividida como se ele fosse dois Bom na verdade nós todos somos divididos Mas enfim o esquizofrênico como se ele tivesse uma cisão dentro e o impossibilitasse de lidar
com a realidade ele pode ouvir vozes ver coisas né o Psicótico Man depressivo que oscila entre dois polos do humor por exemplo ou da depressão né a melancolia que seria uma depressão exarcebado né o sujeito não consegue deixar de se culpar né capítulo passado eu falei muito da culpa então Eh independentemente desses desses termos que às vezes pode virar gavetas um monte de gavetinha que a gente quer enfiar as pessoas independentemente disso são formas de estar no mundo são jeito de funcionar são eu até usaria dizer um certo estilo Sei lá talvez até cognitivo de
entender o mundo de se relacionar se relacionar com a palavra por exemplo então grosso modo a Psicose para ela a fantasia toma um lugar de realidade e como a realidade como as coisas da vida são tão duras o sujeito Psicótico se aferra e ele não entende como é que alguém não vê as coisas que ele tá vendo não ouve as vozes que ele tá ouvindo não tem as ideias às vezes megalomaníacas que ele tem eu tô aqui porque o planeta Marte vai vir me buscar para criar uma nova humanidade eu não entendo mas vocês não
estão vendo mas poxa vida né isso claro torna um pouco mais difícil o laço social eh porque o sujeito fica preso nesses delírios né o Delírio Tem uma função né a a fantasia ela ela passa a ser subordinada praticamente esse Delírio né esse Delírio eh ele é inquebrantável o analista não não consegue relativizar eh porque o analista ele entra muito nesse papel Mas será que é verdade mas como assim mas será que não tem não quando a gente saca que é psicose a gente não faz isso a gente lida de uma outra forma com a
palavra lida com uma outra forma de uma outra forma com a pessoa e a gente eh também toma mais cuidado por exemplo um exemplo prático que eu dou a questão do Divan né Qualquer tratamento a pessoa vai para o Divan num determinado momento Ok por por favor deite-se aqui faz sentido pro Psicótico a gente tem hipótese de que o Divan des estabilize então a gente fica mais cuidadoso então é bastante raro eh pacientes psicóticos que são uma minoria na sociedade chegarem no consultório de analista eles tendem a passar pelo psiquiatra primeiro tomar remédios que por
vezes são necessários de fato para impedir que o sujeito entre em surto né a gente a gente toma muito cuidado para não desestabilizar a pessoa para não tirar a pessoa do centro para ela não entrar em surto O Surto é uma tentativa é uma tentativa de se organizar a vida tá sendo muito difícil as dificuldades da vida estão sendo muito eh eh exigentes a demanda em cima do sujeito é muito muito forte o sujeito de alguma maneira se desestabiliza se desorganiza ele entra em surto O Surto é uma tentativa de se organizar de pôr as
coisas em pratos limpos enfim é uma uma é uma coisa complicada né quando a gente chega no Hospital Psiquiátrico isso é fácil ente reconhecível Mas na vida cotidiana Às vezes o sujeito Psicótico consegue ter eh uma vida perto do razoável uma vida vamos dizer assim possível né possível Dentro de algumas limitações claro né e também de algumas vamos dizer assim alguns preconceitos algumas Barreiras que a sociedade acaba acaba impondo é muito comum a pessoa chegar no consultório e dizer assim eu sou louco Doutor eu vim aqui para saber se eu sou louco quer dizer ninguém
quer ser louco né porque o louco é o contrário da normalidade o contrário da racionalidade mas às vezes o louco é que é livre né Às vezes o louco põe em cheque a nossa normalidade a nossa racionalidade por isso que a gente refuta eu não quero ser louco eu quero ser normal ele é anormal normal nada mais é do que aquele que segue a norma só tirar o l da palavra normal vira Norma então anormal é alguém que tá fora da nor Norma às vezes tá muito dentro da Norma também algo para se pensar será
que ser ser muito normal é bom Às vezes a a loucura ela tem muita relação com a realidade e aí eh é uma questão até filosófica de pensar loucura para além da patologia para além de uma visão eh estigmatizante de um jeito de ser e de um jeito de estar no mundo bem eh pensando na Psicose agora a gente poderia caminhar paraa neurose a neurose seria o vamos dizer assim o objeto privilegiado do Freud tanto que ele chama psicanálise de tratamento das neuroses e não tratamento das psicoses ou tratamento das perversões Por que que ele
chama de tratamento das neuroses Porque de fato a neurose comprova a psicanálise tudo aquilo que a gente vem falar ai a repressão ah a libido facilmente comprovável na neurose não que na Psicose também eh você não encontra esses elementos ou mesmo na perversão mas na neurose é uma coisa muito muito muito factível se você olhar de maneira assim atenta você vai ver que isso é muito cristalino então o Freud acha que dentro da neurose Nós também temos algumas vamos dizer assim algumas tipologias algum de novo alguns jeito de funcionar jeito de estar no mundo então
ele ele qualifica como neuros obsessiva histeria e fobia a fobia um sujeito fóbico Ah ele é fóbico significa que ele eh É é possuidor né ele detém um certo grau de fobia em relação alguma coisa Eu tenho fobia de Animais Pequenos que ficam no teto eu tenho fobia de cavalo Freud tem um texto clássico chamado pequeno rans a gente vai falar depois dele eu tenho fobia de aranha tenho fobia de mosquito geralmente são coisas inofensivas né Ninguém tem fobia de leão de tubarão de serpente Claro ela pode te matar Te Engolir tubarão pode te comer
vivo Então não é de graça que a fobia ela ela elege um objeto na qual você eh vamos dizer assim exclusivista você põe de maneira exclusiva libido e fica preso nisso é uma maneira também de não lidar com a realidade uma maneira também e não lidar com as coisas da vida porque o sujeito só fala da fobia meu Deus Leandro me ajuda eu sou fóbico quanto a isso né Por exemplo vou vou dar um exemplo clássico né certamente eu já falei disso a Ágora fobia fobia de lugares abertos Ágora é praça né Acho que em
grego ou latim nunca sei E aí Ágora eh era o lugar onde os cidadão se juntava para discutir coisa e debater etc né então hoje em dia 2023 eu tenho fobia de ir na praça né Eu tenho fobia de ir no cinema eu tenho fobia de ir pra praia eu tenho fobia de ir paraa Avenida Paulista e na verdade o sujeito fica mal mesmo o sujeito não consegue dirigir o carro o sujeito não consegue eh se movimentar se deslocar e a gente vai analisando mais friamente na verdade não é que o sujeito não consegue ir
para um lugar aberto ele não consegue deixar vazio o lugar onde ele está que Possivelmente interessa alguma uma outra dinâmica inconsciente não consigo deixar meus pais não consigo deixar meu marido não consigo deixar meu filho não posso me afastar do meu filho mas por que Não por que que você não pode até Paulista assistir uma um filme uma peça e voltar não não posso deixar o lugar vazio Então antes de você ir paraa Paulista ou pro cinema ou pra praça ou pra praia você sente um monte de coisas horríveis que aí Claro a psiquiatria atual
foi inventando termos foi inventando doenças Essa é a verdade Ah ele tem sido do Pânico ele tem ansiedade generalizada ol precisa tomar remédio até o fim da vida dele eu até entendo que tem remédios que podem ajudar muito nesse momento e ajudam mesmo mas o sujeito precisa tratar a causa disso então não é que ele tem uma fobia porque ele não consegue chegar no lugar devido a fobia a fobia é resposta a uma outra questão que o que o atormenta que é eu não posso deixar um lugar vazio eu não posso sair do lugar então
se eu for para outro lugar eu estou fazendo algo errado vou sentir Claro culpa enfim e vou sentir um monte de coisas o corpo vai impedi-lo de chegar nesse lugar que ele no fundo gostaria né Eu gostaria de estar na praia mas eu não consigo é uma limitação e às vezes a pessoa pode ficar tomando hum medicação uma vida inteira e não é isso que vai resolver é ela e desconstruir isso na cabeça dela e poder ter coragem de enfrentar e ir até esse lugar aberto enfim que ela gostaria enfim poder viver isso é a
fobia no caso eh temos mais dois dois grandes termos que o Freud usa que é a neurose obsessiva e isteria a neurose obsessiva comumente a gente diz que tá tá mais localizada nos homens que seria o próprio nome já diz obsessão neurose obsessiva é uma coisa que que se dá no pensamento né então o sujeito pensa demais pensa muito sobre alguma coisa o sujeito tem um certo jeito de estar no mundo no qual o pensar as fantasias Claro elas tomam uma proporção muito intensa dentro dele então ele fica um sujeito meio assim está de alerta
meio vamos dizer assim culposo também né Ele tem muita dificuldade de de admitir o que ele quer de se autorizar também sente muita culpa acha que não merece tá sempre se cobrando demais via de regra o corpo dele eh responde também ele fica um sujeito meio hiperativo vamos dizer assim o sujeito parece que não relaxa e e resultado a neurose obsessiva é uma uma uma maneira de de responder a castração que é muito comum no consultório muito comum né o Freud tem um texto que depois eu vou nos Capítulos posteriores eu vou falar dele que
é o texto do homem dos Ratos né que diz justamente disso né de como um sujeito tinha que se a ver né com a rivalidade com o pai o amor pela mãe a noiva Enfim vou eu vou contar depois esse caso mais à frente mas como ele não conseguia lidar com a própria agressividade Então na verdade esse excesso de pensamentos de rituais a neurose obsessiva se aproxima muito de uma religião culpa rituais Eh vamos inventar tal coisa para aliviar então quando o sujeito bebe álcool né Eh qualquer variado do álcool fuma qualquer cor variado maconha
cigarro na verdade o sujeito é uma maneira que ele encontrou para rebaixar um pouco a própria ansiedade então essa essa essa coisa vamos dizer assim hiperativa dentro dele esse essa coisa de tá ligado no 220 às vezes ele precisa fazer uso de uma substância para rebaixar o próprio nível pode ser trabalho pode ser comprar pode ser fazer sexo pode ser estudar muito comum pode ser falar muito comum então a neurose obsessiva ela é é um um excesso localizado no pensamento a fobia é um excesso localizada num objeto externo num objeto que causaria entre aspas essa
fobia a gente sabe que no fundo temos que voltar pro Édipo no caso da neurose obsessiva também o o sujeito se sente Ganhando ou ou perdendo enfim ele tem um lugar para ele ele tem um uma posição E aí resultado eh é o sujeito sofre e goza com isso também porque ele tem prazer com esses rituais com essas coisas se eu não fizer tal coisa alguém vai morrer na verdade a agressividade dele endereçada esse alguém Ele precisa entender por que que ele não pode lidar com essa agressividade porque que ele tem que ficar fazendo rituais
obsessivos para impedir que isso aconteça Então o que eu tô trazendo Claro é uma linguagem técnica um pouco mais mastigada mas em Essência todo mundo sabe disso em Essência todo mundo já pensou sobre por isso né Eh Porque será que a pessoa fica fazendo rituais Porque será que a pessoa eh quer quer se proteger quer proteger alguém porque será que a pessoa acha que vai ser engolido por alguém né Porque é tão aterrorizante enfim isso é da neurose obsessiva que precisa ser trabalhado que precisa ser analisado que precisa ser investigado num numa análise não adianta
isso não tem cura não tem outro tipo de tratamento é só uma análise até porque eh eh muitos dos elementos que eu já citei anteriormente estão presentes na neurose por isso que Freud chama de tratamento das neuroses bom avançando agora eu vou falar um pouco da histeria vou falar um pouco da histeria porque a histeria ela talvez seja dentro das estruturas clínicas Talvez seja o o tipo mais comum que chega no consultório a gente inicialmente né especialmente com o Freud a gente falava muito histéricas como se a histeria fosse algo extremamente feminino não deixa de
ser mas a histeria não é só feminina muito comum homens estéricos então eu vou falar a estérica aqui só para facilitar o raciocínio a a pessoa estérica mas no fundo importa como ela funciona ali na transferência e com o analista frente às coisas da vida frente às coisas do mundo eu tô dizendo isso porque depois o Lacan vai trazer uma coisa chamada discurso histérico que é diferente dessa histeria que o Freud enfim tá dizendo aqui que o Freud tá tá investigando se vocês lembrarem quando o Freud chega eh na na na sal petrier lá na
na França nesse Hospital Luco charcot tal eles iam mexer com os doentes dos nervos Ah então o sujeito passou por um trauma vamos fazer hipnose para fazer-lo se lembrar Freud vai desconfiando vai investigando outras coisas até que ele chega né na histeria E essas essas pacientes o ensinam a inventar a psicanálise por né tanto ele quanto o brer são mulheres que na sua época Claro elas estavam muito à frente do seu tempo não eram mulheres comuns longe disso não eram E aí o que que o Freud percebe né que elas têm uma relação com a
fantasia bastante diferente enquanto na neurose obsessiva o a coisa né a dinâmica da coisa se centra na na palavra no pensamento a histeria se centra no corpo então Freud naquele momento tinha vários exemplos de conversão estérica e o que seria conversão estérica seriam grosso modo grosseiramente dizendo falar com o próprio corpo então elas faziam conversões né a gente vai mostrar um monte de fotos aqui que a gente fica Assombrado meu Deus ela faz uma curvatura com o corpo que a ortopedia não explicaria ela faz caretas na cama ela grita ela xinga ela fala coisas sei
lá sexuais de baixo calão pra época a histeria ela tá louca ela tá meu Deus do céu não não tá louca o que o Freud descobre é que tem um sentido nessa exposição é quase como uma arte o Freud diria enquanto a neurose obsessiva tem muito a ver com uma religião a histeria tem muito a ver com uma arte mais abstrata né uma arte que que você não entende muito Porque de fato é um fenômeno bastante complexo né se a gente pegar historicamente até por um por um viés mais político mais social e é óbvio
que as mulheres dessa época 1890 1900 elas eram mulheres profundamente reprimidas pelo pelo jogo social não tinham direito a votar não tinha direito a estudar eram praticamente úteros com pernas né tinham que reproduzir ter vários filhos cuidar dos filhos ser uma boa mãe etc se apagar como mulher e aí o o o Freud percebe que na verdade a histeria é um discurso político né é uma é uma é uma levantada de posição frente a essas opressões isso nunca passou se a gente chegar até os dias de hoje a gente vê as mulheres reivindicando outra posição
querendo mudanças agindo para mudar eu acho que a mulher é um poderosíssimo vetor de mudanças sociais não tenho dúvida disso não tenho dúvida da a força da mulher para mudar as coisas não tem a menor sombra de dúvida disso e elas ensinaram o Freud a inventar psicanálise porque ela se queixavam ninguém me entende ninguém gosta de mim Eu não eu sou an orgásmica não tenho orgasmo a Sexualidade eh não me favorece eu sou reprimida politicamente eu não posso votar eu não posso tomar decisões E aí para quebrar a ordem das coisas elas utilizavam Claro de
maneira inconsciente Evidente o próprio corpo como veículo dessas mensagens né Então essas conversões era eram coisas que eh interrogavam indagavam a a a medicina da época né então vinha o médico né o detentor da autoridade do saber então eu vou entender o que acontece com as histéricas ele não entendia nada aí fica muito mais fácil falar ela tá louca interna ela põe na camisa de força dá um monte de remédio para ela dopa essa moça que ela não enche mais o saco mas na verdade como a medicina é uma instituição de controle né Tem um
um grande filósofo chamado Foucault Foucault se dedicou a estudar isso a história da sexualidade Vixe Foucault pesquisou muito esses esses Eh esses atores né o médico o psicólogo também o o advogado né o padre são representantes da Lei representantes da ordem e elas com o cor punho Essa ordem em questão E aí resultado eh a mulher ela tem uma maneira né de de se posicionar à frente às coisas da vida depois mais à frente Freud vai estudar muito sobre a mulher vai dizer muito sobre a mulher e aí o o o que interessa aqui destacar
é por que a mulher tá tá muito mais próxima da histeria porque que é mais vamos dizer assim mais até razoável considerar quase um sinômino ah mulher histérica eu tenho uma hipótese né Eh como a mulher ela de alguma maneira no mundo Claro Óbvio machista no mundo do homem ela não tem os mesmos recursos elas ela tem outros recursos Ela inventou um jeito também de estar no mundo como eu disse várias vezes aqui um jeito de funcionar um estilão um estilo de fazer as coisas da vida e isso eh define então a gente não pensa
a histeria ou neros obsessiva ou fobia como algo patológico ó meu Deus essa pessoa está doente não ela funciona daquele jeitão e ela vai chegar no analista Também com esse jeitão e na transferência isso vai se atualizar então no caso da neurose obsessiva falei um pouco né no caso da histeria eu acho que valeria a pena agora também definir algumas coisas Ah a pessoa histérica no fundo primeiro que uma pessoa insatisfeita né Tem uma insatisfação crônica meu Deus Deus não sabe o que quer e não quer saber aí é interessante ela fica querendo que você
diga a ela o que ela quer para ela poder refutar então não faz muito sentido e aí resultado qualquer um deles tanto obsessiva histérica o fóbico eh voltando lá para trás não é depois el sempre se queixo de que o amor recebido não foi suficiente minha mãe não me amou meu pai não me amou meu Deus do céu como é que vai ser onde eu vou conseguir esse amor e esse e o neurótico sai demandando Esse Amor em todas as relações amor no sentido mais amplo da palavra reconhecimento valorização ser especial ser único eu quero
ser único para todos a pessoa só consegue virar uma chata só que pessoa chata porque ela fica nessa demanda de amor insaciável E aí no caso da histeria eh é toda uma lógica que opera na cabeça da pessoa que acredita que o outro é mais feliz que ela então eu vou destruir a felicidade do outro vou ficar demandando algo impossível pro outro se sentir impotente para não conseguir vou vou ser quero ser uma deusa para esse outro para ele poder ficar apaixonado por mim e El ficar apaixonado ele tá na minha mão eu controlo Então
resultado aeria uma coisa infantil bem infantil que a pessoa leva pra vida dela leva para as relações se ela acha pessoas que de alguma maneira se coadunam com esse estilão tudo bem a vida segue mas às vezes a tendência é a pessoa ficar hum sozinha porque a pessoa de fato pode virar uma chata pelos excessos de cada uma dessas três coisas teria neros obsessiva e fobia agora o que mais importa né Essas estruturas né já falei da neur já falei da Psicose agora falar um pouquinho da perversão são voltando maneiras de liar com a castração
maneiras de liar com a fantasia que se originou lá atrás e que a pessoa acha que é verdade no caso da perversão eh simplificando o raciocínio aqui só pra gente poder avançar seria uma maneira também de estabelecer relação com o outro na vida uma maneira vamos dizer erotizada né erotizada nesse sentido de Eros da vida né uma maneira de convocar a pessoa sair de um certo papel na relação vamos perverter a relação né então se a gente pensar na palavra perversão em francês é periv verion que seria versão do pai né seria um pai sedutor
não seria um pai que que seria vamos dizer assim impeditivo obstáculo esse pai dá não seria um pai sedutor que talvez convocasse esse menininho essa menininha para para para outras posições então o perverso é um sujeito que de alguma maneira tenta restituir isso na relação com as pessoas com o analista também é muito difícil o perverso chegar em análise e ficar em análise é uma outra relação com as coisas da vida com a culpa por exemplo é diferente é diferente não que ele não sofra não que ele também não tem suas questões mas Mas é
difícil o sujeito chegar e ficar na análise a A análise ela tende a ser muito mais vamos dizer assim produtiva eficaz eficiente na neurose já na Psicose o Freud tinha um certo preconceito com a Psicose Freud não gostava dos psicóticos por uma razão simples os psicóticos não comprovavam a psicanálise os grandes autores que vieram depois do Freud Melanie Klein ja Lacan donal winicott William he enfim muitos outros eles não pensavam assim trabalhava com a Psicose entendiam que era um outro tipo de transferência e que as coisas iriam rolando né o lacant tem até um texto
belíssimo chamado tratamento possível da Psicose Então puxa vida a gente também vai no que dá Vai como dar a gente vai a gente vai caminhando um Psicótico que puder fazer análise e puder restabelecer a relação uma relação mais razoável com o Delírio né com enfim com com aceitar as limita ações da vida as dificuldades da vida a pessoa pode se organizar provavelmente não entrar mais em surto A ideia é pelo menos Minimizar isso né E poder enfim participar do laço social eventualmente sei lá no amor no trabalho a gente tem muitas histórias na na psicanálise
que que que comprovam isso mas a neurose fundamentalmente é o que define a vamos dizer assim a psicanálise mais freudiana né porque a neurose ela comprova tudo aquilo que o Freud enfim estabeleceu e dessa forma quando o Freud Claro privilegia a neurose de alguma maneira ele também naturalmente vai produzir mais teoria vai escrever mais coisas sobre a neurose mas não podemos nos esquecer que é interessante né A vida não é como a gente quer Freud já tava perto da Morte e um dia um sujeito que ele mesmo se diz o louco da psicanálise né um
sujeito que foi absolutamente genial eu acredito ser um caso de Psicose Salvador Dali visita Freud na sua casa em Acho que em Londres acho que fo já tava em Londres acho depois que escapou do nazismo o dalio visita querendo mostrar as coisas do surrealismo que era um movimento artístico o movimento eh que começou enfim na Europa na Espanha tal literatura cinema Artes tal e o Dali queria mostrar pro Freud e esperava um reconhecimento do Freud é natural né é humano né e o Freud não trata o Dali muito bem não se interessa muito Freud já
tava doente depois que o Dali foi embora dali pega um mata borrão e faz muitas Artes impressionante naquela meia hora ali com o Freud isso tem na internet só jogar encontro entre dali Freud Imagens Nossa vem um monte de coisa que o o Dali fez na hora D ele era um gênio das artes plásticas e aí é curioso porque depois que o Dali vai embora o Freud fala numa carta pra pessoa que organizou o encontro que ele não gostou muito esse esse espanhol com os olhos esbugalhados né o da dali tinha uns olhões assim né
dali era Catalão na verdade né e ele falava eles me tomam como santo padroeiro eu não gosto disso então resumindo Freud não não apreciou o o Lacan era do Dali né tem fotos dos dois juntos Picasso fazia parte desse movimento pua um monte de cineastas né enfim e esses surrealistas já sabem que as descobertas de Freud sobre inconsciente na verdade de alguma maneira corroborava o que eles estavam pesquisando a maneira que eles estavam propondo uma nova forma de encarar a arte uma nova forma de manifestação artística né o surrealismo é tão importante e eles estavam
convictos que o Freud os aplaudiria e não foi o que aconteceu então isso na verdade comprov prova que o Freud não tinha muita paciência com a Psicose né como eu disse anteriormente os outros pesquisadores que vieram depois do Freud discordam e fizeram um trabalho belíssimo tem muita coisa interessante quando a gente consegue ver a loucura de uma outra forma a loucura na verdade como uma estruturação de uma pessoa e que pode se transformar numa coisa talvez boa criativa original por não eh não tem como prever bom agora voltando um pouco a questão da neurose na
na clínica psicanalítica eu queria eu queria lançar luzes para isso agora o neurótico ele ele claro pensando em Ego e de superg né ele tem uma questão do Ego com o super ego né do do Ego com o ID né o o Psicótico seria mais do ID com a própria realidade né então mas pensando na neurose eh Por que que Freud chama de tratamento das neuroses né porque ele vai de alguma maneira eh esmiuçar eu acho que ess ser um um bom verbo né esmiuçar um pouco como se dão dentro daquela pessoa dentro entre aspas
né Essas interrelações né então por exemplo ah culpa eu sinto culpado porque eu não Amei suficientemente minha mãe e meu pai a pessoa também pode dizer eu me sinto culpado que meu pai e minha mãe não me amaram suficientemente eu me sinto culpado Porque eu deveria ter feito tal coisa e não fiz eu nunca consigo fazer eu me sinto culpado porque eu fiz e ninguém reconheceu fiquei com raiva e dentro de mim eu xingo essa pessoa eu mato essa pessoa eu sinto culpa devido a isso isso é típico da neurose isso é muito típico da
neurose que é na fantasia a gente inventa papéis eu diria que é uma grande peça de teatro na qual nós somos Claro o autor o redator Né o diretor Nós somos o ator principal com de Giovan Nós somos o iluminador Nós somos o bilheteiro nós somos todo mundo E aí é essa relação com o outro que não ocorreu na realidade P entre aspas ela ocorre na nossa fantasia e aí na nossa fantasia a gente acredita que a gente deu conta que o outro vai ser um objeto na nossa fantasia na nossa fantasia Ok pode ser
claro lógico Mas na vida real o outro não é esse objeto que você imagina e vice-versa meu outro pode achar isso de você né se a gente pegar no mundo do trabalho por exemplo Quem trabalha em empresas vai nos escritórios das empresas isso é um belo exemplo eu sei o que o chefe tá pensando aí o chefe eu sei o que o meu grupo tá pensando quando o analista Faz uma pergunta do tipo ô como teu grupo te vê como você acha que você é visto a pessoa Seme meu Deus não sei eu acho que
eles e a pessoa começa a tentar pô em palavr uma interpretação às vezes pode de fato coincidir com alguma coisa da realidade às vezes não às vezes não e aí como é que a gente faz se eh a realidade em si é algo muito na verdade particular de cada a sua interpretação da realidade então o o neurótico quando ele chega em análise Ele dá muita consistência para essa fantasia e para essa própria interpretação das coisas da vida E aí qual que é a grande sacada do Freud que eu já disse em capítulos anteriores vou falar
muito disso ainda é na transferência que ele percebe como a coisa está operando tá acontecendo ou não Não dá para saber se a coisa vai acontecer se não vai mas é na transferência e a histérica ex eh estabelece um certo tipo de transferência o obsessivo outro tipo de transferência o fóbico outro tipo de transferência esse jeitão deles funcionar esse estilo essa coisa particular singular de cada um deles vai est presente na transferência E aí o analista claro vai fazendo um diagnóstico aos poucos Desde o Primeiro Momento desde a ligação desde a mensagem no WhatsApp o
analista já vai diagnosticando como que a pessoa opera como que a pessoa funciona se ela é principalmente neurótico ou Psicótico ou perverso Esse é um diagnóstico já Inicial bom tá meio na cara que é algo da neurose vou nesse caminho vou levar desse jeito e a ideia é Fale tudo que passar pela sua cabeça me conta um pouco aí fala aí Freud chama isso de regra fundamental me fale tudo que passar pela sua cabeça suspendendo a seleção o julgamento e eu vou retribuir com a atenção flutuante então o analista parece que ele não tá prestando
atenção mas ele fez a mesma pergunta de novo o analista só fala de uma coisa ou ele não fala fica quieto na verdade ele está atento muito atento com a tensão flutuante funcionando essa tensão ela é flutuante porque ela não é fixa óbvio né por isso que ela é flutua e ela vai ajudar um analista a perceber as coisas a incidir em certos tópicos que Claro tem a ver com inconsciente evidentemente Mas pode ajudar essa pessoa a repensar as coisas a ver outros ângulos a matutar sobre tópicos que talvez ela nunca tenha matutado antes então
a a neurose ela de alguma maneira ela reveste aquele paciente né como se fosse um um escudo que reveste aquele paciente e é com esse com essa armadura que a pessoa chega no consultório a ideia é que ela possa ir desmontando essa armadura vamos tirar um pouco tira isso tira aquilo tira aquilo vamos ver o que que sai aí então ah a neurose ela é um vamos dizer assim um jeito excessivo claro sempre excessivo né os excessos eles nos atrapalham né um jeito excessivo de funcionar de estar no mundo de vamos dizer assim de criar
situações também então vou dar exemplo vou dar exemplo vai eu disse o neurótico obsessivo Ah meu Deus atormentado pela culpa porque ele não consegue satisfazer o outro ele tá sempre a quem ele teve Sei lá uma mãe super cobradora um pai super exigente sei lá por exemplo e ele aprendeu ele inventou uma fantasia de que eu preciso satisfazer o outro para eu não consigo eu tô a quem ele vai atualizar isso na transferência com o analista e na vida cotidiana ele vai provavelmente se encontrar tentar estabelecer relação com pessoas que alimentem isso nele então sei
lá um homem obsessivo talvez arrume uma mulher que fique permanentemente cobrando permanentemente exigindo dele demandando ele apesar de se queixar disso no fundo lá no fundinho ele não quer mudar isso mas ele tá com o saco cheio conscientemente quando você tá com o saco cheio inconscientemente a tendência é mudar mas quando é na ordem da consciência Ah meu Deus essa mulher todo mundo se que da mulher do marido do filho mas ninguém larga engraçado né ah essa mulher é uma chata às vezes eu pergunto bom mas você não pode separar dela não Eu também não
não ruim com ela pior sem ela meu marido é um monstro ele me oprime tá pode ser até verdade mas por que que você tá com ele não não não sei lá eh não tem coisa que a gente tem que relevar Então olha Olha que interessante né a gente chega numa análise o paciente chega se queixando do outro raramente a pessoa chega se queixando de si mesma de maneira autêntica de maneira honesta não é sempre o outro o outro pisou na bola o outro não me amou o outro não entende o outro não faz o
outro não pensa em mim eu não sou especial pro outro eu não sou único eu não sou o ar que ele respira a luz que o ilumina o alimento que o nutre a água que mata a sede dele não não sou nada disso sou só mais uma pessoa mas o que que você espera Mas o que você quer e aí a pessoa nutre essa essa fantasia de que se ela for isso pro outro ela tá completa aí restituiu o erro lá do Ed porque lá no é por lá atrás minha mãe não me amou meu
pai eu não fui especial não fui único eles tiveram outro filho onde já se viu que absurdo queria ter mais uma criança não sou suficiente a pessoa traz isso pro presente traz isso na relação exencial com analista e claro obviamente também leva isso para as outras relações Então nesse sentido tirando a Psicose perversão que estatisticamente seriam grupos pequenos na sociedade A grande maioria tá dentro da neurose se relacionando com outros neuróticos então essa demanda de amor por exemplo insaciável Ah meu Deus do céu eu tenho que ser eh o alecrim dourado que nasceu no campo
sem ser SEME o outro também quer ser esse alim dourado aí a outra também mas o outro trabalhamos em grupo vivemos como é que a gente faz aí fica mais claro você entender a questão do Ego né você que tá me ouvindo você que tá me assistindo o ego n da Verdade é a concretização desse eu eu devo ser o alecrim dourado que nasceu no campo ser semeado esse Alecrim faz parte da fantasia dessaa ela invocou que ela é isso isso talvez só só prejudique na vida cotidiana só a atrapalhe agora foi o que ela
pôde inventar a dúvida que ela tem que o neurótico tem essa dúvida mas será que eu consigo inventar outra coisa será que eu consigo mudar será que eu consigo ser diferente será que eu consigo eh eh me salvar e aí esse mal-estar impele a pessoa a procurar outras saídas na religião os livros né autoajuda por exemplo vou no centro espírita vou em qualquer outro tipo de religião vou cuidar do meu corpo vou me transformar na mulher mais linda do mundo ou no homem mais lindo do mundo que aí eu vou ser o alecrim dourado isso
é a neurose isso é a neurose neurose Na verdade nada mais é do que o infantil dentro da gente tentando lidar com as coisas dessa vida difícil dessa vida que não favorece muito né O mundo é neurótico o mundo nesse sentido ele ele prefere a neurose por isso que o Psicótico e o o perverso tem uma certa dificuldade de se encaixar nesse nesse mundo neurótico né porque a neurose ela de certa maneira ela gosta daqueles ideais que eu falei capítulos anteriores eu falei muito do ideal de eu do Eu ideal temos os ideais sociais também
então tanto a estérica quanto neurótico obsessivo principalmente esses dois eles se relacionam com os ideais do certo jeito eu não consigo eu sou impotente eu conseguirei eu sou muito potente eu sou Super Homem não é verdade não eu sou melhor que o outro eu sou pior que o outro isso é típico da neurose isso não se confirma na realidade a vida não a vida não não não fica isso então fazer análise em em oposição por exemplo as as psicoterapias ela é lidar com a fantasia é lidar com a fantasia que te constituiu você é o
que você é a partir da fantasia sim sim foi a fantasia que te inventou assim Então nesse sentido fazer análise a gente vai praticamente se repensar repensar a nossa relação com a fantasia a abandonar certas coisas ultrapassar a gente chama Tecnicamente de elaborar certas coisas parar de repetir porque a repetição nada mais é do que a repetição dessa fantasia para extrair uma migalha de prazer gente a vida é mais que isso a vida é diferente disso a vida é diferente disso então o neurótico ele ele ele chega no analista Como eu disse né se queixando
do outro vai chegar uma hora que ele vai começar a se interrogar sobre a parte dele ele para de se queixar do outro ele vai começar a se queixar dele mas meu Deus mas porque eu não consigo mas porque eu fiz isso mas porque eu aceitei mas porque eu concordei nesse momento quando ele se queixa dele é o momento de passagem ao Divan deita aqui que a gente vai achar a saída para isso E aí o sujeito muda né porque Quem suporta um Divan que é uma coisa angustiante ele suporta outras coisas na vida ele
suporta eh o desconhecido né o inefável aquilo que não dá para saber o emponderado áv o sujeito começa a a a a se relacionar com as coisas de de modo diferente então Tecnicamente o analista tem um manejo eu gosto muito desse Tero manejo Vem de Mão né manejar do Ritmo das coisas tem uma técnica tem um um uma relação com o tempo do que acontece ali dentro do consultório ou enfim hoje Claro 2023 depois da pandemia a gente tem várias dezenas de sessões conduzidas virtualmente não é tão diferente no fundo não é tão diferente quando
estso tudo começou eu achei que será que será que vai ser possível hoje para mim isso já tá resolvido isso é possível isso eh traz benefícios para várias pessoas Então é importante deixar claro que o paciente não entende porque parece que ele tá batendo pá parece que ele tá trazendo coisas banais Na verdade ele não está ele tá trazendo fazendo coisas ele tá vamos dizer assim eh falando mais do que ele imagina dizendo mais do que ele gostaria e revelando menos do que ele tentaria todo custo vou segurar não adianta acaba revelando a gente abre
a boca acaba saindo coisas que a gente tu fal é um exemplo vou falar tal coisa sai outra coisa pela minha boca quem que foi que falou dentro de mim uma coisa chamada inconsciente que é o que interessa ao Freud e a neurose Ela Só Ela só vamos dizer assim corrobora as hipóteses freudianas Então nesse sentido eh a neurose não é não é nenhuma não é nenhum demérito não é nenhuma entidade psicopatológica é um jeito de estar no mundo dessa forma o psicanalista não acredita em normalidade aí eu sou normal não Provavelmente você é neurótico
né quem é Psicótico quem é perverso Aliás nem se importa muito mas o neurótico se importa muito meu Deus eu gostaria de ser alguém muito legal um ideal né para a sociedade assim eu agradarei a sociedade a sociedade vai me amar a sociedade vai me valorizar Missão Impossível isso Missão Impossível a perda de tempo na verdade E aí por isso mesmo que um processo analítico leva você a sua verdade e também leva você a ser mais autêntico com você mesmo você vai desconstruir certas coisas vai ver que são toes E aí você pensa bom Puxa
mas então o que que eu quero paraa minha vida para onde eu vou o que que eu o que que eu tô interessado em saber uma coisa é uma coisa bastante interessante esse método inventado pelo Freud né quando a gente põe a palavra em marcha quando ela sai da nossa boca a gente não fala só pela palavra a gente fala pelo corpo também mas quando a coisa sai para fora tudo bem o analista escuta a gente é o papel dele mas a gente também se escuta né Fala meu Deus falei isso já falei 20 vezes
essa coisa toda sessão eu falo a mesma coisa você fica pensando Nossa mas eu contei aquela coisa mas mas parece diferente agora puxa é uma coisa muito bonita eu eu eu tem um uma metáfora que eu inventei que fazer análise é grosso modo você tá sentado com analista numa poltrona num teatro vazio e uma peça rolando lá com vários atores e o analista pergunta para você Olha esses atores ah Fulano ciclano beltrano que papel você gostaria de ocupar né ah eu gostaria daquele ali então vai lá e troca de papel com ele aí ele vai
lá troca participa da cena agora fala volta para cá observa a cena e a pessoa se vê fala caramba Putz então eu funciona assim então Nossa meu Deus então é assim que eu respondo quando acontece tal coisa mas porque por que que eu fiquei quieto essa hora mas por que que eu me calei Mas por que que eu não agi Mas por que que eu recuei por que que eu me acovarde Calma é só uma peça de teatro essa peça de teatro é a sua vida a coisa da análise é você se vê de volta
da eh se vê numa cena se vê de fora e poder voltar para essa cena e talvez queç mudar essa cena porque não talvez dá outro rumo para essa prosa e aí eh a gente percebe que a psicanálise ela tem Claro ela é uma ciência ela faz parte de um campo científico ele é um modo bem particular de de de de fazer ciência mas ela tem muito a ver com a arte muito a ver com a arte porque esse exemplo que eu acabei de dar do teatro Freud usa inclusive alguns termos Freud era muito culto
ele usa termos do do do teatro grego uma coisa muito muito curioso que o Freud faz a voz do superg couro etc ET a sociedade é muito rico na verdade os gregos genialmente inventaram muitas coisas que são válidas até hoje habitalia por exemplo mas o Freud fazia um bom uso Freud era um sujeito culto era um sujeito instruído e ele nunca disse que ele resolveu tudo que ele esgotou ele falou não Não inventei o inconsciente os poetas já inventaram os Escritores os grandes teatrólogos né enfim a mitologia eu só sistematizei Claro nomeei inventei método ele
falou talvez pesquisadores diferentes de mim inventem outras coisas ou seja o psicanalista ele não precisa ficar necessariamente repetindo o Freud senão seria também uma compulsão repetição ele pode beber em outras fontes né no Brasil puxa vida né O que a gente tem aqui de coisas riquíssimas né talvez por isso que a psicanálise seja tão potente no Brasil né porque a maneira que o brasileiro tem de lidar com as coisas da vida de lidar com essas mitologias né com essa cultura vamos chamar de Cultura né É muito peculiar e eu acho que a cultura brasileira o
jeito como a gente estabelece lá estabelece relações ele ele tem tudo a ver com a psicanálise né talvez se Freud tivesse nascido no Brasil e fosse um brasileiro Talvez ele fizesse talvez até coisas diferentes então eh a psicanálise é uma coisa que está em construção work in Progress assim em inglês né ela tá se ela tá se constituindo ela tá se construindo e as pessoas que de fato fazer a psicanálise avançar não são os analistas são os pacientes né o ja Lacan dizia cada vez né que um sujeito aceita a regra fundamental a psicanálise renasce
e a psicanálise precisa ser reinventada a partir daquela sessão então por exemplo esse podcast aqui eh falar de psicanálise de maneira acessível é uma tentativa de tornar psicanálise mais forte por não ampliar as suas possibilidades e a sua reinvenção Então eu fico muito feliz de est conseguindo colocar esse podcast no ar enfim viabilizar tornar real realizar para que as pessoas possam ter acesso a esse conteúdo e talvez se repensarem enfim pensar a própria vida e enfim por que não né Essa é a rádio Freud e eu sou o Leandro dos Santos