Então né depois de ouvir essa música né Eu acho ela uma música que nos faz refletir bastante sobre a nossa própria morte eu gostaria de ouvir umas duas pessoas sobre como é pensar na nossa própria morte Alguém gostaria de falar Ah então eu penso assim que é um assunto tão não sei se eu posso dizer desagradável porque eu acho que traz dor embora é a única é assim tem um estado que fala né A única coisa que é certo é a morte para todos tem esse ditado popular aí mas acho que por mais que a
gente pense a gente nunca está preparado né e eu já pensei em algumas vezes né meu Deus como será que eu vou morrer eu só não quero morrer em choque né ou se atropelado Como Se a gente pudesse é escolher né selecionar como vai morrer mas eu acho que nunca será algo normal diante de toda a humanidade obrigado pela oportunidade Eu que agradeço eu vejo a morte hoje de uma forma diferente depois que eu comecei a estudar doutrina espírita Então para mim ficou muito mais suave até mesmo para falar sobre isso é eu ainda não
eu tô começando os estudos agora eu na verdade eu como é bem no início mesmo acabei de entrar na formação então eu não estudei nada sobre luto sobre a luz da psicanálise mas eu tô falando em relação a minha impressão sobre a morte ficou muito mais leve de depois no sentido de ver de perceber de entender que quando a gente morre é o corpo é o corpo que tá ficando não é Então somente essa essa reflexão que acho que vale a pena falar que independente mesmo que a gente não esteja falando sobre doutrina religiosa nada
disso mas é só minha percepção mesmo de do que a morte hoje ok Bom dia professora Daiane eu venho recente de um processo de luto que ainda ainda passam a um ano e pouco eu perdi a minha esposa de uma forma assim muito muito rápida vítima de uma doença E isso tem feito refletir muito sobre essa questão do luto sobre a questão da Morte dentro desses pensamentos eu acho que o problema eu acho que existe um problema que a gente desnaturalizou a morte e isso eu acho que a nossa geração eu acho que a geração
dos nossos avós eles tinham outras expectativas de vida e eles encaravam isso de uma forma talvez um pouco mais natural e a gente realmente acha que tem uma expectativa de que a gente tem controle sobre a vida sobre os dias e que todos nós vamos ser a voz velhinhos e que vamos ver nossos netos bisnetos e e que se a gente tiver uma vida saudável tudo isso vai acontecer e a minha experiência me disse que isso não é assim por mais cuidado que a gente tenha para quem é cristão a Bíblia diz que os nossos
dias estão contados né mas isso me fez refletir também um pouco sobre a vida que eu acho que a música aí do Gilberto Gil né e eu hoje em cada vida como uma dádiva a gente tem essa dádiva que nos é dada e que a gente tem que com respeito da palavra mas usufruir bem desses dias de vida dessa dádiva porque a nossa morte bom começando né pela desculpa esqueci o nome da primeira pessoa que falou acho que foi Ana né isso Ana Paula Ana desculpa é como você colocou a morte Ela traz dor a
gente tem essa ideia né de que a morte Ela traz do e ao longo né desse desse curso de hoje a gente vai poder perceber que ela não precisa trazer dor a gente pode ter uma relação com a morte tem uma uma forma de encarar e entender nem encarar porque não é uma luta né mas entender a morte de uma forma diferente ela não seria algo normal como você colocou ela nunca será algo normal a morte é algo normal é nós começamos a morrer a partir do momento que a gente nasce né as nossas células
já começam a trabalhar e começa a envelhecer Então a partir do momento que a gente morre que a gente nasce desculpa a gente já tá em processo como se diz na tanatologia de ocorrência né Isso é natural né Eu sou psicanalista é mas eu resolvi estudar a tanatologia porque né Eu sou uma mãe né enlutada né porque a gente nunca deixa de ser uma pessoa lotada quando a gente perde alguém ou algo significativo E aí como psicanalista a minha primeira paciente tentou suicídio e entrou em contato comigo no momento do ato né E aí eu
percebi que eu precisava entender isso né E aí eu passei para a suicidologia né Fiz a pós-graduação E suicidologia então hoje eu também sou formada suicídio Auto lesão e pósvenção E aí resolvi entender a morte e ver que nós podemos sim ter uma relação com ela E aí o Saulo ele fala né a respeito da doutrina espírita é muito comum Principalmente quando a gente acaba né de perder alguém a gente buscar na religião né a força que nós naquele momento sentimos que nós não temos né e a doutrina espírita ela trabalha muito nesse sentido né
de acreditar que a vida continua e eu gosto muito de trabalhar e entender os rituais né tanto que eu sou professora também de uma faculdade e terça-feira eu vou apresentar uma exposição com os meus alunos a respeito de cultos de rituais fúnebres de diversas religiões pelo mundo por quê Porque nós como Profissionais de Saúde Mental nós precisamos conhecer né as religiões os rituais O Ritual ele é muito importante para a gente eu pude trabalhar nesse nesse período de pandemia com muita gente né que tava em processo de luto e a falta do ritual né isso
fez com que muitas pessoas desenvolvesse o luto complicado então a gente precisa conhecer esses rituais como psicanalista como psicólogo qualquer profissão da Saúde Mental a gente precisa entender porque nós não falamos de religião mas nós falamos de espiritualidade e se é a espiritualidade a fonte de energia para quem está enlutado ok é através dela que nós vamos trabalhar pode falar Ana bom dia a todos que ainda não temos colegas tô muito feliz de estar com vocês hoje Gostaria de compartilhar um pouco a minha relação com a morte eu fui diagnosticada com câncer de mama em
2019 em Maio em outubro eu fiz a minha cirurgia né mas quando eu recebi o diagnóstico eu fiquei muito tranquila com muita fé em Deus e disse bom se for para a vida ótimo esse câncer é para eu viver então eu vou ser uma pessoa melhor mas se eu Se Deus for me recolher então que seja a vontade dele e a partir desse momento que eu recebi esse diagnóstico eu falei assim eu vou começar a cuidar do meu funeral das minhas coisas e eu vou doar tudo que eu tenho em vida não vou deixar para
ninguém brigar eu só tenho uma filha né e daí eu peguei comecei a pensar esse vai para um amigo esse vai para um ano Olha a minha cabeça eu não quero flores eu quero só um tecido de linho para ser enrolada nele e quero tudo muito simples não programei tudo fui até no cemitério ver um túmulo da família condição que estava ia fazer uma reforma nele passei por todo o processo de avaliação e operada tô aqui curada Mas eu tive assim um discernimento sobre a morte muito tranquila que tanto é quando eu testemulei na minha
igreja e se fosse para viver eu seria uma pessoa melhor e eu teria muito para contribuir com o meu meio né com quem convive comigo e se eu morrer louvado seja Deus é porque eu já Cumpri a minha missão e estou preparada para ver a face de Deus como ela é E aí eu passei uma alegria esse período eu não derramei nenhuma lágrima foi o período mais feliz da minha vida né E hoje eu glorifico e testemunho Essa parte a minha relação com a morte né para isso que eu gostaria de falar para todos vocês
lindo seu depoimento a gente pode sim ter uma relação né e linkando o que você falou né com que o Gilson falou a respeito de naturalizar ou não a morte a morte a antiguidade ela era algo muito natural as pessoas preparavam o próprio funeral então para quem não tinha quem morria de repente na antiguidade era assim algo absurdo ele tinha um medo de morrer de repente o oposto do que nós até hoje todo mundo diz né nossa eu queria morrer como um passarinho meu avô falava isso eu queria morrer como um passarinho é de repente
assim sem sentir nada só que na atividade isso era uma afronta chegava a ser uma afronta aos Deuses era uma falta de respeito a gente tinha que morrer preparando o nosso funeral se despedindo das pessoas dos nossos entes queridos né E isso era um processo que fazia com que as pessoas pudessem se despedir que de perdão perdoar coisa que hoje nós não temos essa oportunidade nós vemos pessoas hoje no hospital né Maria Júlia covaqui fala muito bem a respeito disso né que eu mais escritor é uma querida para mim né vale muito a pena conhecer
os livros dela ela fala sempre isso que a morte ela se tornou interdita nós não temos mais direito de ter relação com a quando a gente está no hospital eu trabalhei um período como psicóloga né eu tenho a formação em psicologia hospitalar também eu fiquei um período principalmente no começo do covid Eu fiquei em hospital e era uma coisa assim que causava uma angústia tão grande para as pessoas que estavam trabalhando em UTI as pessoas que estavam em UTI quando fechava a cortina as pessoas já sabiam alguém morreu e aí esconde o corpo né para
que ninguém tenha contato visual com aquele corpo e isso é deixa uma angústia nas pessoas que estão observando Será que eu serei o próximo será que a minha cortina que vai fechar a próxima vez isso é muito doído para quem tá no hospital né E aí eu vou falar um pouquinho dessa dessa relação com a morte na antiguidade e a relação da morte hoje com a morte hoje porque eu trabalho com a psicanálise mas quando eu comecei a estudar a morte eu vi que a morte ela não possui uma abordagem específica ela tem uma forma
diferente de ser trabalhada principalmente a morte por suicídio que é um luto diferente do outro que a gente conhece né não vou dizer o luto normal porque não existe né Essa questão que a gente vê na internet aí no luto normal luto patológico gente como que a gente pode patologizar uma dor de alguém que perdeu alguém de alguém que sofre pela perda de alguém né o luto normal como dizem É até seis meses que são seis meses para quem perdeu um filho né não tem uma forma de dizer olha até seis meses você pode sofrer
por essa criança depois de seis meses se você continuar sofrendo você entra no luto patológico é então a gente precisa desmistificar algumas coisas que são colocadas a respeito do luto né se você procurar no dsm você vai encontrar lá transtorno de luto complexo persistente gente se eu tô enlutada eu não tenho um transtorno o luto ele é um estado de dor ele não é um transtorno só que a gente precisa colocar assim porque se uma pessoa tá sofrendo entra no processo de luto complicado e vai para uma consulta médica para um psiquiatra e essa pessoa
precisa ser afastada ela precisa ter um CID 10 ali né para poder justificar esse afastamento então em virtude disso se coloca o transtorno de luto complexo persistente mas a gente precisa entender que isso não significa que eu estou doente Eu só preciso nomear isso né E aí o dsm colocou como esse transtorno Mas enfim vou deixar a Ana falar né Para a gente poder continuar ele pode falar por favor Doutora É no início da sua fala é você disse que a morte é algo normal sim é um processo natural né mas assim às vezes exige
muito além da minha capacidade de compreensão porque eu penso assim quando a morte é uma pessoa que já está hospitalizada que já tá esperando às vezes até os parentes eles vão se preparando psicologicamente e quando é uma morte no caso como a minha mãe o menino de 16 anos atirou nela e ela morreu com 49 anos assassinado então assim exige muito além da minha capacidade de compreensão a absorver isso como algo normal né então como é que eu vou lidar com isso né Essa minha pergunta sim sim Ana a Maria Júlia também ela fala a
respeito de um conceito chamado Borges né a morte escancarada ela se refere as mortes violentas seja por assassinato seja por Acidente então é um luto que a gente trabalha né porque Claro não é algo natural né nesse sentido não é algo natural então ao longo desse desse curso eu vou falar respeito desse tipo de luto também né E aí você vai entender que a morte sim é natural porém essa morte escancarada é algo que nos pega de surpresa e aí eu pergunto a vocês como é que eu posso dizer Ana até seis meses ok Um
ano ok passou disso você tá doente você tá no processo de luto patológico não É um sofrimento que traz um trauma né isso envolve outras coisas Karina colocou aqui é segundo dizem o luto equivale a um mês para cada ano vivido com aquela pessoa 20 anos a média 20 meses para superar o mundo mas não existe um parâmetro a gente nunca supera o outro eu perdi um bebê que não nasceu e aí as pessoas não me davam direito de sofrer por essa dor né não nasceu você tem outro eu não tive outro né então eu
sempre serei uma mãe lutada porém a gente vai ver aqui no decorrer do dia que a gente trabalha no processo do áudio nem alguns momentos vai doer mais em alguns momentos vai doer menos e Ok Isso faz parte né Eu trabalho muito eu atuo eu faço parte do me pede que é o núcleo de intervenções emergências e desastres então nós atuamos em grandes desastres acidentes aéreos situações como essa de Brumadinho nós atuamos a minha A equipe que eu faço parte eles atuaram em São Paulo na escola de Suzano e a gente se depara com muitos
lutos traumáticos eu fiz um trabalho de TCC da minha pós baseado em Brumadinho aqui é outro daria um outro curso falando a respeito de Brumadinho muito assim tem muito carinho por vocês aí então a gente a gente entende quando acontece algo muito traumático que a pessoa ela sempre vai estar engordada ele colocou ali bem diretamente com os traumas das pessoas e bem lido é um trauma que fica né e a gente percebe por exemplo a boate Kiss tem depoimentos da boate Kiss que as pessoas falam assim eles nos responsabilizam pelo fato de estarmos sofrendo pelo
fato de estarmos lutando pelos nossos direitos né porque eles dizem a cidade precisa crescer a cidade parou a vida tem que continuar Como assim a vida tem que continuar ela continua assim mas ela não vai ser a mesma né e Marconi deve saber deve viver isso de perto ele sabe jamais vai ser a mesma jamais será a mesma né a gente vai lidar com esse luto a gente vai lidar com essa dor dessas pessoas então se você quiser falar um pouquinho Marconi fica à vontade é na verdade depois do Fato né do acontecido a gente
se depara com reações diversas porque quem estava lá né na mina da mineração se foi em volta mas ficaram histórias histórias feridas né Pais Filhos cônjuges amigos eu conheço até um rapaz que estava lá a trabalho e ele conseguiu correr da Lama vinha como que em busca dele ele conseguiu correr mais rápido do que a velocidade dela e ele sobreviveu e ele mesmo é um dos que acredito eu pode contar com mais propriedade aquilo que foi o sentimento né a transferência daquele fato Então hoje passado alguns anos quando a gente conversa por exemplo com uma
mãe que perdeu o filho a gente vê como que a dor ela ainda é tão latente e E como que isso não se apaga e aí a gente vê dois partidos na cidade e não só na cidade mas em pessoas que de certa forma tentam exercer alguma influência falam que passou que agora é bola para frente que por um lado é porque o fato ele não vai ser ressignificado Mas por outro lado as marcas do mesmo permanecem e vão permanecer porque não há reparação que venha apagar essa marca no coração de um filho já tinha
uma certa consciência que perdeu um pai e mamãe dessa forma ou de paz que perderam o filho né então a gente lida com essa dualidade de sentimentos e de reações e que não há o que fazer porque Como que você vai desmerecer o significado que alguém atribui ao fato tentando impor o seu que muitas das vezes pode até ser o mesmo mas que às vezes não vai ser é um trabalho que ele não acaba né porque às vezes uma vítima de uma tragédia muito grande ela deixa de ser um enlutado e vira um ponto turístico
onde ela vai amo você é de Brumadinho você da boate Kiss né a pessoa vira um ponto turístico ela não tem direito de sentir a dor então a vida ela vai continuar assim ela tem que continuar Mas ela tem que continuar tendo direito de sentir a vida dessa pessoa ela tem o direito de sentir esse luto ela tem o direito de sentir essa dor ela não é responsável pelo fato da cidade não crescer ela é uma vítima né então é um trabalho que não acaba Bom dia colegas e amigos aí falando sobre a questão do
luto é muitas vezes também as pessoas não cobram sofrimento nessa questão do luto porque eu passei por uma experiência traumática questão de uns 10 anos atrás onde o meu pai foi assassinado e eu fui encarregado de ir na casa dele e me deparei Com aquela cena Eu fui o primeiro a ver e passar e passar a notícia para família e quando o doutor fala até de propósito né Eu sempre tive esse esse lado mais calmo esse lado mais é tipo de conversar com as pessoas e eu fui uma das pessoas que não velório eu não
demonstrava esse choro não demonstrava aquele aquela birra de se jogar no chão e fala que aquilo eu sempre a pessoa calma inclusive de tentar acalmar todo mundo que estava no velório e eu fui criticado por isso porque as pessoas cobram que você chorem ou seja se você se você não chorar você não tá sofrendo e você não demonstrar aquele sofrimento lá não é válido e eu passei por essa experiência além de ter me deparado como meu pai né com a morte do meu pai ainda passar por isso por alguns familiares me criticarem por eu não
ter chorado no velório entendeu Aí como se é como se você não chorar você não tá sentindo só que eu procurei não externalizar isso e procurar acalmar todo mundo e nesse momento lembrar do que eu vivi com ele as fases boas as fases alegres procurei não lembrar das coisas sabe daquele momento para frente de tudo que eu vivi de bom com ele e eu fui criticado por muitas pessoas foram não ter chorado no velório dele existe o senso comum ele diz né que a gente tem que chorar a gente tem que se desesperar mas só
da pessoa sente a sua da sua forma né algumas pessoas elas se jogam no chão como as pessoas elas gritam é uma forma delas externalizarem o que elas estão sentindo também não está errado né então mas outras elas não demonstram naquele momento que elas estão sentindo tem pessoas que têm crise de riso em velório não sei se vocês já viram mas tem pessoas que têm crise de risco o nervoso faz isso com que faz com que algumas pessoas tenham essa reação então cada pessoa ela vai sentir a sua forma não tem uma forma correta uma
fome errada de sentir a gente sente né a gente tem o nosso momento chorar é importante é importante a gente chora quando a gente está feliz Por que que quando a gente e a gente não tem vergonha de esconder o choro quando a gente está feliz por que que a gente precisa esconder quando a gente está triste Então as pessoas elas demonstram ou não o que elas estão sentindo e não tem uma forma correta é uma forma errada de sentir Eu costumo falar eu costumo falar que o seguinte se o nosso travesseiro ele falasse né
ele entregaria todos os nossos Sofrimentos né nosso travesseiro nosso chuveiro né é isso Então mas a gente não precisa chorar no travesseiro Chorar no chuveiro é muito mais acolhedor a gente chorar no ombro de um amigo que tá ali à disposição para nos acolher Porque a terapia é importante é muito importante mas os amigos também né Então não vamos ter medo e nem vergonha de expressar o que nós sentimos nós somos humanos né Os animais também sentem eu vou falar um pouquinho do luto Pet aqui os animais também sentem né Eu trabalho com pessoas eu
fiz durante um período eu trabalhei eu fazia grupos de descompressão de pessoas enlutadas por PET que é um luto não reconhecido a chorar por um cachorro compra outro não aquele cachorro ele faz parte da minha família enquanto a gente não entender que o luto ele é o sofrimento pela perda de algo significativo na minha vida a gente vai realmente trabalhar com aquele sentido de que nós só podemos sofrer nós só podemos chorar quando nós perdemos um familiar porque quem perde a sogra quem perde um tio não tem direito a ficar afastado do trabalho porque tá
enlutado por essa perda mas ela dói né só quando você tem uma morte direta mas ela dói e tá tudo bem né nós sentimos a dor nós sentimos a perda existe o luto pela perda de um emprego existe outro pela aposentadoria porque são coisas significativas eu já trabalhei com uma pessoa em luto por um porta-retratos E aí as pessoas não entendiam porque que essa pessoa estava em luto por um porta-retratos mas era a única foto que essa pessoa tinha de um familiar muito querido que se foi no enchente ela perdeu a única foto que ela
tinha a única imagem que ela tinha dessa pessoa E aí então a gente tem que respeitar todos os tipos de luto pode falar Bom dia a todos bom dia muito obrigado aí pela pela chance de participar desse mundo encontro desta aula quero cumprimentar todos e a cada um Eu tenho dois meses que eu passei por um luto do meu hamster ele ficou comigo dois anos e fizemos de tudo aquele sobrevivência mas teve um câncer na garganta E pelo fato de eu exercer a função de padre eu fui muito mal criticado até que as minhas corrimão
os padres né chorar sentir diante de um ratinho mas não é um ratinho tem todo sentimento em volta daquele animal quando a médica disse que não tinha como mas o que fazer eu me desabei a chorar chorar chorar e fez o sepultamento dele e quando eu faço caminhada eu deparo com o local qual Eu sempre tenho e digo a ele tototi descanse em paz então eu passei por isso né até hoje dói bastante mas é o percurso normal e eu tenho também orientado os meus fiéis ela não usar a palavra morte mas nos ao termo
retorno ao coração de Deus então eu creio que isso me ajudou muito na perda também dos meus pais e eu procuro aqui na paróquia onde eu estou tem mudar o vocabulário a pessoa não morreu ela retornou aos braços do pai está presente no nosso coração através da Saudade e também dos bons exemplos a nós deixados muito obrigado viu né que você tem todo direito de sofrer pelo seu hamster É um sofrimento que nós precisamos para que a gente possa entender né que aquela morte aconteceu nós temos que passar por esse sofrimento para a gente poder
entender né porque o que acontece muitas vezes com familiares né de pessoas que morrem em morte escancarada né E isso também se estende para os nossos Pets é aquela sensação de que é a qualquer momento a pessoa vai voltar a qualquer momento aquela porta vai se abrir e aquela pessoa vai entrar a qualquer momento meu bichinho vai abrir a porta aqui e vai entrar no quarto vai entrar no escritório vai entrar na sala então nós precisamos para que a gente possa entender esse retorno né como você tá colocando e não importa se é um hamster
é o seu hamster ele é importante para você então eu sempre digo que o luto é o preço do amor nós amamos então nós nos lutamos sim então a pessoa qualquer pessoa ela tem o direito de vivenciar o luto do que quer que seja Então esse hamster ele tem uma história né E essa história ela não é apagada né então eu fiz por muito tempo esse grupo infelizmente agora por questões realmente de tempo eu não tô conseguindo fazer mas era uma procure imensa nós tínhamos fila para as pessoas participarem da sala de descompressão porque elas
não tinham direito de chorar a morte dos Pets e naquele momento ela choravam e ela se acolhiam né eram encontro online assim como o nosso agora e as pessoas elas se acolham nessa dor e depois muitas não tinham contato e elas se reconheciam era assim eu espero voltar era um encontro muito rico muito especial Hélio e depois a Ana pode falar Hélio Você levantou a mão novamente Olha eu apertei sem querer desculpa viu pode falar imagina então Doutor eu tenho uma pergunta quais são as consequências de uma pessoa que não vive o luto quem mais
essa etapa sim a pessoa que não vive o luto Ana a gente diz que é como se aquilo ficasse Unificado né aquele aquele luto que a pessoa não consegue muitas vezes é dar um próximo passo né aquilo se unifica né o que nós chamamos de luto complicado que muitas vezes necessita ser acompanhado por um profissional do outro eu eu sou psicóloga né sou psicanalista porém eu sou uma profissional especialista em luto assim como qualquer médico também possui a sua especialidade é você não vai para um cardiologista se você tá com problema no estômago né então
os médicos existem os clínicos Gerais mas existem os especialistas então em caso de luto complicado o ideal é realmente estar sendo acompanhado por um profissional que trabalha nessa área Então vamos lá vamos falar um pouquinho a respeito da morte lá na antiguidade né diversas culturas mesopotâmicas acreditavam na vida após a morte quanto um corpo era sepultado com ele estavam seus pertences como forma de garantir que nada lhe faltaria durante a travessia os gregos cremavam seus mortos como forma de marcar sua existência separavam os mortos anônimos que eram cremados e enterrados em malas comuns dos heróis
que eram cremados em tiras em uma bela cerimônia de imortalidade então o que que acontece a morte ela tem um papel de grande relevância na sociedade Desde aquela época e aí vários estudos eles afirmam que a maneira como a sociedade se comporta diante da morte é também e diante do Morto vai definir como será a construção e manutenção das suas da sua própria identidade coletiva Então não é de hoje que a morte ela causa um Fascínio ela causa uma sedução ela causa uma curiosidade ela causa medo né E aí desde o tempo dos Homens da
Casa das cavernas existiram vários registros que retratavam a perda então esses registros eles retratavam a ruptura a desintegração como um símbolo de descanso E aí né Depois do vídeo que vocês viram depois do que nós falamos aqui a respeito da nossa própria morte eu digo a vocês todos vamos morrer daí a gente precisa ter esse entendimento de que todos nós vamos morrer né claro a gente não vai ficar pensando na morte como algo que se torne Aí sim né patológico o medo né de qualquer momento morrer não mas todos nós vamos morrer e aí a
forma como Nós pensamos que isso um dia vai acontecer vai ter grande relevância na forma como nós vivenciamos isso E aí muitas vezes tem que matar a morte né fazer com que ela não exista né retirando as nossas pensamentos né retirando a finitude dos nossos pensamentos né isso faz com que nós tenhamos uma relação difícil com ela é muitos usam todos os recursos disponíveis para evitar o envelhecimento hoje a medicina ela nos proporciona isso é como se fosse possível né nós continuamos jovens os nossos órgãos eles envelhecem e aí a consciência da nossa finitude vai
nos diferenciar por exemplo dos animais nós sabemos que nós vamos morrer eles não e aí negar a morte não seria um retrocesso para nossa evolução nós precisamos entender que faz parte isso é normal na antiguidade na antiga na antiguidade grega e romana os ritos fúnebres eles apareciam como um momento privilegiado o cortejo ele se dirigia para os fóruns e aí eram feitos longos discursos fúnebres era comum o acompanhamento do cortejo fúnebre com máscaras de cerâmica essas máscaras elas representavam os antepassados E aí nos funerais por exemplo no funeral de Silas né como aparecem na foto
que era um ditador que governou Roma no período de acho que 91 a 88 antes de Cristo havia mais de 200 pessoas que representaram aquele momento máscaras dos ancestrais daquele ditador então ainda na antiguidade era muito comum lá no século XIX Os encontros amorosos em catacumbas é as pessoas namoravam juntos com os mortos É nesse mesmo ambiente das catacumbas lá do século 19 a gente vê nessa foto um casal de namorados se beijando né a gente vê aí essa relação de erositana bem representada nessa imagem e aí a gente sabe por que esse casal estaria
namorando ali né estaria namorando de uma forma escondida Talvez né mas isso era algo comum naquela época E aí a morte ela sempre inspirou poetas músicas artistas né E todos os homens comuns E aí eu trouxe mais uma vez um vídeo aqui é uma poesia que nos faz refletir né novamente sobre a morte eu gostaria de pedir novamente pode falar mais uma vez eu de volta que eu passei eu fui no funeral de uma amiga irmã era amiga que eu brigava demais com ela e ela comigo mas a gente falava todas as verdades para ajudar
uma outra e eu considerava ela a amiga mais sincera que eu tinha e a que mais me fazia sofrer e nós tivemos uma ligação espiritual muito grande por causa disso porque nós éramos verdadeiras e acontece que ela nós fizemos um encontro depois de 20 dias ela foi dormir e não acordou e eu não me despedi dela e quando eu recebi a notícia eu já recebi Já comecei em prantos quando eu fui no funeral eu tava assim estado que eu nunca chorei tanto na minha vida de alma como eu chorei por essa amiga e eu não
parava de chorar e a filha dela mandou um recado é uma das nossas companheiras ali amigas era para mim tirar de lá porque o meu choro estava incomodando e que ia chegar avó e que lá ela não queria que ninguém chorasse isso ia prejudicar a partir da mãe dela sabe que isso tudo eu tanto que quando eu lembro até hoje me dói porque eu tava chorando o maior amor e pesar por aquela minha amiga irmã que era minha irmã e eu fui rejeitada meu sofrimento foi rejeitado pela família eu pedi para cantar o hino a
filha disse não não quero que cante nada aqui uma pastora viu que estava tão difícil e entrou no meio do funeral na hora de fechar o caixão no último instante para poder fazer a cerimônia religiosa Aquilo me abalou que depois eu fiquei um mês chorando sem parar doente eu fiquei por causa dessa minha amiga eu tive que fazer um relaxamento eu fiz o curso profundo então eu encontro com essa minha amiga no meu relaxamento porque eu não acredito em morte depois da vida depois de morte mas eu fiz uma despedida mental com essa situação e
aí eu melhorei enquanto eu não fiz isso eu não melhorei e eu tava definindo por causa desse look dessa perda tão agressiva que eu tive morreu dormindo não fui a minha dor foi rejeitada pela família no sentido eu não quero que ninguém Chore Aqui é momento de alegria mas isso foi no funeral que aconteceu não foi atrasado foi no seu momento e você fez o seu ritual de despedida né Você pode sim se despedir dela né Isso foi importante para você [Música] pode passar por favor vídeo sem cor iador forte com tudo ele se assustou
pois nela uma qualquer coisa de Presságio levantou-se e junto a porta ele perguntou sou eu alguém lhe responde eu quem torna a morte sou um vulto que nem sabia pela mente ele passou esqueleto armado de foice que a mãe de um dia levou guardou-se de abrir a porta antes ao leito voltou e nele os membros gelados cumpriu mas a porta manso manso se foi abrindo e deixou ver uma mulher ou anjo figura toda banhada de suave luz interior a luz de quem nesta vida tudo viu tudo perdoou olharam inefável como de quem é o peito
criou sorriso igual ao da Amada que amar com mais amor Pois a morte pergunta e o Anjo torna a morte sou venho trazer-te descanso do viver que te humilhou imaginava de feia pensava em ti com terror és mesmo a morte ele existe sim torna um anjo a morte só mestre que jamais engana a tua amiga é melhor e o Anjo foi se aproximando afronte do homem tocou com a infinita doçura as magras mãos lhe serrou era o carinho inefável de quem é o peito criou era doçura da amada que a Mara com mais amor Eu
gosto muito de Manuel Bandeira da forma como ele fala né ele nos faz refletir né a gente precisa pensar na morte de forma negativa né nessa poesia a gente pode ver que existe uma forma benigna né ela ele fala dos Anjos né que chegam para levar de volta né como foi bem colocada aqui ao retorno do colo da mãe é uma das consequências do Tabu de colocar apenas de uma forma negativa é a dor que a gente sente quando a gente pensa na morte ele não romantiza mas ele faz um contraponto ela não precisa ser
feia ela Apareceu Como Um Anjo então a morte ela é algo natural da vida como os gregos já acreditavam os mesopotâmicos os mesopotâmicos já acreditavam os romanos acreditavam E aí os seus ritos nos permitiam domar o processo de morte então eu sempre cito Maria Júlia né que ela fala a respeito da morte do amada eles tinham Esse controle desse momento que era a morte porque nós temos medo da morte é alguns medos são mais conscientes e expressos outros permanecem mais latentes portanto é possível medir e avaliar a intensidade do medo da morte de diferentes pessoas
a morte existe um pesquisador americano que ele desenvolveu um instrumento chamado da s que era capaz de medir a ansiedade que era ligada à morte e aí Esse instrumento ele tinha uma escala com 40 itens e ele considerava a ansiedade diante da Morte como um fator que era unidimensional E aí ele descobriu que pessoas muito ansiosas tiveram resultados altos outros estudos consideraram a multidimensionalidade da Morte nós temos medo de perder-se a si mesmo nós temos medo de perder o outro nós temos medo de ser esquecidos Esse é o maior medo da morte né a gente
consegue lembrar por exemplo o nome do algumas pessoas conseguem lembrar o nome do nosso bisavô mas o nome do nosso tataravô por exemplo a gente não consegue lembrar né Pode ser que alguém saiba consegue lembrar claro nós não conhecemos né mas nos foi dito por alguém e a gente não consegue lembrar é o medo de ser esquecido Esse é o processo acho que tem alguém levantar a mão Ana Paula Andrade sim Doutora você está relatando aí que o medo da morte se trata de Talvez nós temos esquecidos eu já discordo desse ponto porque eu penso
assim eu acho que a morte é para muitos as pessoas se preocupam o que vai acontecer depois da morte alguns Alguns não crêem nada e uns que já tem algumas concepções religiosas já acreditam que existe uma vida existe vida né depois a morte e hoje existem vários canais inclusive no YouTube sobre eqms eu não sei se você vai abordar experiências quase morte né E que essas pessoas relatam né que passaram aí pelo vale da morte e conhecer o outro lado que o medo a maioria das pessoas tem é esse o que vai acontecer após a
morte né Inclusive eu vi um relato né de um médico que porque a gente acabou de assistir esse vídeo ele fazendo um poema né o homem e a morte que os anjos vem buscar e eu assisti uma vez um relato de um médico ele veio um paciente vendo uma sombra buscar o paciente dele no caso é os demônios então assim na minha concepção que para mim existe os dois lados do céu inferno é claro que eu não vou ficar abordando aqui questões religiosas mas eu acho que a maioria das pessoas elas têm medo do desconhecido
que vai acontecer após a morte e não somente ficar com medo da memória dela ser esquecida a morte a morte não desculpa o medo do desconhecido ele também né ele faz parte nesse nesse estudo ele fala que as pessoas elas tinham medo e isso já vinha dos antigos né lá na antiguidade eles tinham medo de morrer por exemplo os egípcios eles carregavam tudo Inclusive o seu serviço para continuarem servindo na vida após morte Então esse medo vem lá de trás também Desde aquela época Então esse também é um medo mas diante da pesquisa o que
apareceu com muita frequência foi o medo de ser esquecido de como se a pessoa não tivesse uma história como se a pessoa não tivesse existido né então também é um tipo de medo medo de como será a morte né se vai ser trágica se não vai ser trágica se vai doer se não vai doer se eu vou ficar esquecido no hospital se eu não vou ficar esquecida no hospital né porque a partir do momento que a gente deixa de ter a morte Domada e a gente tenta controlar a todo custo né através de estanásia por
exemplo né tentar manter o paciente viva Qualquer Custo por meio de máquinas poucas pessoas sabem inclusive alguns médicos não sabem que todos nós temos direito aos nossos diretivas antecipadas de vontade eu posso deixar escrito e registrado em cartório que eu não quero ser reanimada mais que três vezes por exemplo eu não quero ser entubada é que eu não quero ser mantida a Vida Viva Qualquer Custo Então essas diretivas elas foram criadas inclusive pelo medo da morte e medo de não saber como a pessoa vai morrer então nós temos o direito até nossas diretivas antecipadas de
vontade Então são vários medos que surgem quando a gente pensa na morte eu vou liberar vocês para o café que a gente tem um horário né E aí quando retornar Elton eu gostaria de ver esse vídeo também para a gente continuar falando a respeito da morte em cima dessa e mais essa poesia Ok esse vídeo já foi compartilhado lá no grupo também Lindalva sim tá certo já o vídeo ok obrigado professora só para fazenda aí que até a Ana Maria falou aí os dois extremos né onde ela fala que foi rejeitado por demonstrar o sofrimento
dela e eu fui rejeitado justamente por não demonstrar naquele momento eu não estar analisei o que eu tava sentindo Mas tipo uns dois meses após começou a me ver esse sentimento essa angústia não muito pelo pela partida dele em si mas por esse sentimento de culpa eu não chorei um velório dele e as pessoas começaram a me criticar por causa estão me vinha a mente Justamente esse sentimento de culpa agora não ter chorado naquele momento quando vinha As Memórias deles eu procurava lembrar dos momentos que tivemos bem bons enquanto ele estava em vida mas sempre
me visse sentimento de culpa de puxa eu não chorei no velório dele [Música] Como ela foi rejeitada por não ter demorado você não chorou né mas você sentiu e você sabe o que você sentiu é o suficiente Nós não precisamos seguir o que a sociedade acha que é certo é certo para quem a sociedade criou isso e essa angústia que pode vir depois ela é a saudade né e a gente tenta nomear Então como aconteceu esse fato Então você talvez tenha tentado nomear como sendo a culpa mas é a dor é a saudade tem pessoas
que elas sentem um luto eu já vi isso né eu faço parte de grupos de estudos a respeito de luto e em alguns depoimentos vieram pessoas algum depoimento especial veio uma pessoa que ela começou a sentir o luto do filho depois de 10 anos porque ela não tinha uma relação muito boa com o filho então ela no momento ela meio que se blindou daquele sentimento mas depois de 10 anos uma outra pessoa morreu e ela não entendia porque que ela tava chorando tanto pela morte da outra pessoa que nem tinha tanta afinidade com ela é
mas é aquele momento que sabe aquele gatilho né resgatou aquela dor que tava ali guardadinha E aí ela começou a chorar desesperadamente pela perda dessa pessoa mas que não era uma pessoa tão próxima Mas pela perda do filho então não tem um tempo o que você sentiu foi a saudade do seu mundo ok