Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos e irmãs, a Igreja hoje lê um evangelho que nos fala do amor ao inimigo.
Nosso Senhor aqui nos coloca diante de uma exigência constrangedora. O evangelho devia ser uma boa notícia, mas esse evangelho de hoje parece ser a má notícia. Ou seja, que Deus exige de nós aquilo que parece naturalmente impossível: uma exigência maior do que as nossas forças.
Tudo bem que Ele dissesse assim que a gente não se vingue dos inimigos, que a gente não deseje o mal pros inimigos, mas amar o inimigo não é pedir demais da nossa natureza humana. Na realidade, esse evangelho só tem sentido se nós o colocarmos no grande contexto do amor de Deus por nós na cruz. Ou seja, São Paulo nos recorda: quando nós éramos inimigos de Deus, Ele nos amou; Ele se entregou por nós na cruz.
Foi isso que Ele fez. Na verdade, nós fomos objeto deste amor. Nós recebemos o amor infinito de Deus, que amou e amou abundantemente os seus inimigos.
E se a gente não perceber isso, nós não vamos entender a essência desse evangelho. A primeira coisa que a gente tem que fazer, então, é perceber que nós somos inimigos de Deus quando pecamos. É algo que não é óbvio.
Ou seja, quando você peca, não parece que é inimigo de Deus. Você comete um pecado mortal, você até diz imediatamente: "Ah, daqui a pouco eu confesso. " Só que a realidade é que você não enxerga a sua alma em profundidade.
Quando você está em pecado mortal, você de fato realmente está com uma inimizade dentro de você. Você trata Deus como seu inimigo. Você não enxerga isso, mas isso está lá dentro.
E se você morresse naquele momento e o seu corpo se separasse da sua alma com a morte, você veria a sua alma. E é por isso que as pessoas que morrem em pecado mortal vão eternamente para o inferno. Por quê?
Porque elas são inimigas de Deus. Quando o corpo se separa da alma, a alma que está em pecado mortal vê aquilo que ela é, vê a sua inimizade e, por causa dessa inimizade que agora eclodiu, aparece, ela rejeita Deus. Ela não suporta estar junto com Deus, ela não quer Deus e, por isso, escolhe o inferno.
Pois bem, a inimizade está dentro de nós quando nós estamos em pecado mortal. Nós aqui não enxergamos isso. Pois bem, vamos então entender: quando éramos inimigos, ou seja, quando estávamos em pecado mortal, tratando Deus como nosso verdadeiro inimigo, Ele nos tratou como o maior dos amigos.
Ele se entregou, morreu na cruz por nós. O evangelho de hoje, Jesus pede que nós amemos os inimigos. Jesus está dizendo o seguinte: veja, você tendo um inimigo, você tem uma chance de retribuir o amor que eu dei a você.
Peça a Deus essa graça; peça a Deus a graça de pagar amor com amor. Quando você era inimigo, você foi amado; agora você pode amar um inimigo, não por causa do inimigo, mas por gratidão e amor a Jesus. E esse é o sentido do evangelho de hoje.
Ou seja, Jesus pede de nós a retribuição deste amor gratuito, alegre, feliz. Nossa! Quando eu era inimigo, Ele me amou.
Agora que esse inimigo apareceu na minha vida, eu posso amar de volta Jesus. É uma grande ocasião! Por isso, nesse tempo da Quaresma, nós precisamos rezar mais e pedir a Deus a graça de realizar dentro de nós essa transformação, porque sem a graça nada disso é possível.
A transformação de nós sermos capazes de retribuir o amor de Jesus, amando os inimigos. Nós estamos pagando Jesus na mesma moeda; Ele que nos amou quando éramos inimigos. Deus abençoe você.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.