[Música] a morte absoluta Manuel Bandeira morrer morrer de corpo e de alma completamente morrer sem deixar o Cristo despojo da Carne a enxágo e máscara de Cera cercada de flores que apodreceram felizes num dia banhada de Lágrimas nascidas menos da Saudade do que do Espanto da Morte morrer sem deixar por ventura uma alma Errante a caminho do céu mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu morrer sem deixar um suco um risco uma sombra a lembrança de uma sombra em nenhum Coração em nenhum pensamento em nenhuma epiderme morrer tão completamente que um dia ao
lerem o teu nome no papel perguntem quem foi morrer mais completamente ainda sem deixar sequer esse nome [Música] É sobre o que eu tava falando né medo de morrer sem deixar uma história então pensar em morte e é pensar em vida quando Nós pensamos na morte Nós pensamos em vida que a gente muito Sobreviventes ou até pessoas que passaram pelo que a gente Escuta as pessoas falando a partir desse momento eu passei a valorizar ainda mais a vida então a gente quando a gente pensa em morte a Gente pensa em tudo o que a gente
pode viver ainda em tudo que a gente pode construir e nas histórias que nós podemos deixar para os nossos familiares E aí retornando a escala né que eu havia falado mencionado né com vocês Maria Júlia covardes Ela estudou essa escada e ela realizou uma pesquisa no Brasil com a escala americana que eu citei a pouco e após a tradução recebeu o nome de escala Multidimensional para medir o medo da morte na pesquisa ela identificou 8 dimensões que seria o medo de morrer com medo dos Mortos com medo de ser destruído o medo de perder pessoas
significativas o medo desconhecido e o medo da morte consciente nessa pesquisa quando ela fala sobre o medo de morrer essa dimensão ela lida mais com o processo específico de morrer do que qualquer Consequência por exemplo que acompanha esse processo vou dar um exemplo eu tenho medo de morrer de câncer Eu tenho medo desse sofrimento dessa morte quando eu falo quando ela fala sobre o medo dos Mortos ela cita por exemplo que seria uma experiência horrível encontrar um cadáver essa dimensão ela relata esse medo dessa reação né Por exemplo das pessoas Com animais mortos né o
medo de encontrar um cadáver Então nesse momento ela fala sobre o medo dos mortos e aí o medo de ser destruído ela dimensão essa dimensão ela lida com a destruição do corpo um exemplo seria eu não quero que estudantes de medicina por exemplo usam o meu corpo para Treinamentos e o medo da perda de pessoas Significativas eu tenho medo de que pessoas da minha família moram medo do desconhecido né um exemplo eu tenho medo de que não haja a vida após a morte eu não sei para onde eu vou e o medo da morte consciente
eu tenho medo de que muitas pessoas mortas ainda estejam vivas essa dimensão ela lida com o medo dos processos que são subjacentes à morte e com o temor de se Estar consciente nessa hora né aquela aquela sensação né de que está nesse processo de ocorrência né E ela aquela pessoa que ela é considerada morta né e ela ainda está nesse processo nós sabemos que o cérebro ele é o último né a morrer por isso que quando nós trabalhamos em cuidados paliativos a gente sempre orienta que as pessoas falem com as pessoas que que estão Muitas
vezes entubadas inconscientes né mas que elas falem inclusive que elas digam tudo que elas sentem vontade de dizer no momento de uma despedida principalmente no momento numa despedida então esses medos fizeram com que esse estudo fosse criado E aí eu entro em perdas e o processo de luto diferente dos países do Hemisfério Norte o Brasil não possui a cultura de Pesquisar o luto E aí Cola em parques fala sobre a experiência direta que ele teve de duas guerras mundiais o fato é que o luto pode ser uma reação normal esperada diante do rompimento de uma
relação significativa ou seja o luto ele não é patológico o que pode ocorrer em alguns casos de pessoas em luto complicado é que algumas doenças oportunistas podem aparecer né ou algumas doenças que não eram Conhecidas pelo enlutado apareçam durante esse processo E aí Outro ponto a ser destacado é que o luto ele é resultado de uma reação normal ao rompimento de relações significativas Eu sempre gosto de destacar bem isso não existe um padrão eu posso sim estar em lutado pelo meu hamster eu posso sim estar enlutado porque eu perdi o emprego porque eu me aposentei
né Nós estamos falando aqui por exemplo De lutos que não são reconhecidos como por exemplo de voz mudança forçada de emprego E aí eu entro em um ponto que eu acho importante a gente falar a respeito das perdas ambíguas ausência psicológica com a presença física e ausência física com a presença psicológica isso foi definido como modelo de perdão é meio confuso mas deixa eu explicar para vocês o que seria isso eu acho o Importante destacar essa conversa aqui embora perante o código civil a fidelidade é dever matrimonial o adultério ele não constitui um crime ele
Desde 2005 né ele na verdade desculpa ele ele aparece como algo que Seria normal né quando se refere a um matrimônio não colocando aqui de uma forma não tô sendo machista não tô sendo mais antigamente a gente acreditava que era normal né que os homens tivessem esse Direito a gente ouvia muito antigamente falar a mulher deixada pelo marido mas a gente nunca ouviu esse termo o homem deixado pela esposa E aí ele foi retirado do Código Penal e a pena de 15 dias e seis meses de Detenção para essa prática ela deixou de existir onde
eu quero chegar com isso tem uma diferença entre infidelidade sexual e emocional Sabe aquela conversa virtual sem nenhum Contato físico né aquela conversinha boba né de rede social existem estudos que falam que a infidelidade ela seria qualquer forma de envolvimento romântico ou sexual com uma outra pessoa porque se entende que entende-se que isso seria uma infidelidade mesmo que seja né como como algo virtual né Ele é uma infidelidade E aí o parceiro dessa relação ele entra no processo que vai gerar uma Ambiguidade nesse relacionamento ele sentir-se traído pode causar sentimento de rejeição pode causar sentimento
de Sofrimento então a infidelidade ela coloca em risco a relação E também o eu ela coloca em risco com a perda dessa autoestima a pessoa ela perde essa autoestima isso pode causar depressão eu vou dar um exemplo para vocês vamos imaginar Maria né Vamos colocar aí Maria uma uma Jovem de 18 anos que tinha um relacionamento abusivo com o namorado e depois de anos ela conseguiu se separar desse namorado aí ela conheceu João E aí Maria no momento de fragilidade né em poucos dias ela se torna melhor amiga de João e ela vai buscar e
ele vai buscar lá no trabalho envia flores depois de poucos meses Maria engravida e João resolve Então que vai morar com Maria E Aí Maria percebe o quanto são diferentes os conflitos começam né ela percebe que eles são diferentes esses conflitos começam a acontecer E aí João começa a visitar alguns sites de relacionamento até que ele resolve sair com Joana E aí começa a chegar tarde esquece da família E aí Maria que tinha 18 anos né que deixou a juventude dela lá atrás para assumir esse relacionamento É um relacionamento novo uma família foi construída E
aí ela acreditava que João era diferente e aí ela sente essa perda do que ela idealizou da família que ela acreditou que poderia ter né daquela ideia de que João era diferente E aí ela começa a sofrer pelo que ela deixou para trás E aí a gente acho que alguns aqui né que atendem Podem ter reconhecido várias Marias no consultório Isso é uma perda ambígua é um luto né Isso também faz parte do processo de luto é só que diferente do que muita gente diz o luto ele não tem cinco fases né porque essa ideia
de que o luto possui essa cinco fases é como se nós estivéssemos sempre nessa corrida de obstáculos né eu passo pelas cinco fases eu tô na primeira fase então eu devo esperar que eu vou entrar Nas outras quatro quando nem sempre isso acontece então o processo de luto ele acontece quando quando Elizabeth Club estudou o processo de luto e ela criou o cinco estágios de luto ela estava se referindo a pessoas enlutadas que estavam no processo de morte e não de pessoas de familiares que estavam vivenciando esse processo em outubro de 1965 que ela iniciou
seus Estudos sobre as crises da vida humana mas como fazer pesquisas sobre o morrer sem dados então Elizabeth fez o seguinte depois de algumas reuniões de Pesquisas ela percebeu que a melhor resposta viria dos pacientes terminais que hoje nós chamamos de pacientes sem possibilidades terapêuticas elas dentro do hospital nós evitamos esse termo paciente termino esses pacientes eles seriam então observados e Seriam entrevistados com os alunos e por ela como os alunos eles não possuiam a prática da entrevista então o que que Elizabeth fez ela ficou responsável pelas entrevistas e os alunos observavam e aí no
início os médicos não gostaram muito né dessa ideia mas aí porque porque eles tinham medo dos pacientes ficarem traumatizados Por estarem em contato com a morte por estarem falando a respeito da Morte mas um paciente A chamou e aí ela naquele momento ela não quis entrevistá-lo porque ela não estava na presença dos alunos que ela queria que participasse dessa entrevista Então ela mesma fala no livro né que ela fala a respeito da Morte e morrer e aí quando esse paciente quando ela retornou com os alunos para entrevistar esse paciente ele já não podia mais ouvi-la
ela já não podia mais ouvir Então esse paciente ele já estava sem forças né sentada numa cadeira e a única coisa que ele disse é ela foi obrigado por vocês terem tentado e horas depois desse paciente morreu e a partir disso ela começou as entrevistar os pacientes e percebeu que ela não poderia esperar né E daí foi quando ela criou esses estágios né que Alguns chamam de Fases mas na verdade são estágios que seria o de negação raiva Barganha depressão aceitação para quem nunca ouviu né esse termo existe um momento quando a pessoa ela recebe
uma notícia né de um diagnóstico como um câncer né sem possibilidades terapêuticas de cura existe A negação muitas vezes a pessoa ela passa por vários médicos até ela ter a certeza realmente de que aquele diagnóstico Está correto e aí ela sente a raiva ela sente a raiva daquele diagnóstico né porque isso está acontecendo comigo Muitas vezes ela se torna agressiva verbalmente com algumas pessoas às vezes até de forma física mesmo né é esse processo de raiva E aí na sequência surge a barganha a barganha é como por exemplo Aquele momento que a pessoa fala assim
não eu vou me apegar a religião eu vou rezar rezar vou fazer uma promessa Se eu conseguir me curar eu vou fazer tal coisa mas aí ela vê que o processo continua Ela pode entrar no processo de depressão né quando ela vê que realmente não tem nenhuma possibilidade terapêutica de cura e aí vem aceitação isso não ocorre nessa horta por isso que eu falo não é uma corrida de obstáculos onde a pessoa tá correndo ali eu vou passar pela negação eu vou passar pela raiva eu vou passar pela barganha eu vou passar pela depressão eu
vou passar pela aceitação ela pode não entrar nessas nesses estágios ela pode entrar em Apenas um desses estágios e ficar nesse estágio né permanecer nesse estágio e quando ela criou esse conceito Então ela estava falando de pacientes que estavam vivos e não de paciência e não de familiares que estavam vivenciando o processo de luto quando a gente fala hoje luto a gente se fala sobre um conceito do uau do luto é esse método ele foi criado em 1999/2001 é algo recente o nosso processo de luto o que eu trabalho hoje É o processo de restauração
no processo de perda como é que isso acontece novamente né eu sinto Maria Júlia que trouxe esse conceito de que como como se fossem as ondas do mar Sabe aquele momento que vem aquela onda forte que nos derruba né e a gente rola sai tudo ralado é aquele momento daquela dor naquela Dor forte é aquele momento que dói mesmo a separação mas aí vem aquela onda mais tranquila mais suave a Gente começa a trazer para memória que elas lembranças boas aqueles encontros aqueles momentos engraçados é onde a gente respira né A gente levanta sai de
baixo daquela onda respira toma um ar continua nadando e a gente continua nadando em algum momento aquela onda mais pesada mais forte ela volta então o luto ele vai ficar sempre oscilando entre essa restauração e essa perda e isso é um grande desafio para a pessoa Que está enlutada é porque nesse momento é quando enlutado ele tem que lidar com as mudanças e também com as rupturas entre o velho entre aquele passado e aquele futuro né que foi alterado de repente E aí a pessoa ela vai ter que escolher o que ela deverá abandonar e
o que ela deverá manter e existe dificuldade nessa redação não é um processo fácil E aí podem ocorrer as complicações Do Luto pode ocorrer o luto complicado né nós sabemos que o luto ele é um processo normal e é um processo saudável vai doer sim não tem como a gente tirar essa dor da pessoa né mas lembram o momento das o movimento das ondas do mar então quando as mudanças ocorrem a pessoa ela vai encontrar novos significados não quer dizer que ela está abandonando que ela Está esquecendo mas que ela está encontrando outro significado quando
isso não acontece Aí sim Podem surgir as complicações médicas complicações psicológicas é muito comum as pessoas me perguntarem né como é que eu trabalho com uma pessoa irritada tem uma receita né Seria bom se tivesse uma receita né para esse tipo de luto a gente trabalha dessa forma para isso a gente trabalha de outra não tem uma receita para isso é uma Experiência pessoal é uma experiência única e é uma experiência em que cada pessoa vai vivenciar da sua maneira não tem uma maneira correta e se vivenciar existe a minha forma de vivenciar o meu
luto é a minha dor e eu sei o que eu tô sentindo né A minha relação com a morte não é a mesma relação que outras pessoas possuem com a morte é a minha e quando a pessoa não elabora podem Surgir as sensações de desespero a sensação de solidão e aí nós temos que acompanhar esse processo de luto para que ele não se pronifique Aí sim é importante que a pessoa busque realmente o acompanhamento com uma pessoa especializada em luto nesse conceito do uau dele eu passo em 1963 escreveu sobre os efeitos da separação de
um ganso Em relação a sua parceira a primeira resposta ao desaparecimento é a tentativa ansiosa do reencontro e incansavelmente o ganso se movimenta dia e noite ele voa grandes instâncias por lugares onde a sua parceira poderia ser encontrada com seu chamado para longa distância ele voa cada vez mais longe ele voa sem sucesso todas as características do comportamento do ganso são grosseiramente idênticas A gente também passa por algo parecido o luto ele é considerado a pior dor que o ser humano pode vivenciar nossoscilamos entre a perda e a restauração e essa oscilação ela é um
processo caótico é um processo exaustivo quando Nós entramos no nosso momento mais agudo da dor surgem ansiedade né Aí vem aquela saudade aquele aperto no peito e a pessoa chora ela chora porque morreu e aí São episódios que começam algumas horas após a morte após a notícia da perda E aí quando atinge em média de 15 e 14 dias o enlutado ele chega no seu ápice de intensidade aquela dor chega no seu ápice de intensidade E aí vou passar do tempo essa intensidade ela vai diminuindo ou diminuindo E aí ela parece que fica como Aquela
ondinha né que eu citei para vocês e ela só vai retornar Quando ela for Estimulada Sabe aquele momento que você faz aquela comida gostosa que aquela pessoa que morreu gostava e você sente aquele cheiro da comida e vem aquela lembrança né de quando aquela pessoa sentava ele comia ou então quando alguém passa por você com perfume aquela pessoa usava nesse movimento entre a pedra e a restauração a pessoa ela pode sentir algumas alterações físicas algumas alterações Emocionais e isso demanda também uma energia é importante que nós entendamos isso para que nós possamos compreender o quanto
o innotável está ocupado nesse processo de reorganização e respeitar esse momento essa procura ela existe né quando a gente pega aquela roupa para sentir o cheiro daquela pessoa que morreu tem pessoas que guardam por muitos anos é um desrespeito quando alguém perde um Ente querido a gente não eu vou tirar a roupa de fulano antes que ele chegue eu acho que ela chega para que ela não veja isso tem que ser feito pelo limitado no tempo dele a gente não pode fazer isso porque o enlutado enlutada vai procurar pela pessoa dessa forma Isso faz parte
desse processo também na busca pelo objeto perdido pessoas enrutadas apresentam reações psicológicas Fisiológicas e passam por fases que são o entorpecimento no choque as crenças existe uma Procura pelo objeto perdido a morte existe o desespero durante o período mais doloroso né esse desespero ele acontece e não tem um momento certo para que aconteça Ah mas você ainda tá chorando por aquela pessoa é já deu né Tem pessoas que falam isso mas não vai doer vai doer Por quanto tempo tiver E aí Apesar dessa sensação da perda aquela falta de vontade de fazer as coisas aos
poucos nós vamos reencontrando os nossos próprios recursos para esse enfrentamento nós buscamos alguns recursos por exemplo tentar buscar lembranças de estratégias que foram utilizadas em situações anteriores de ninguém tá preparado para perder ninguém tá preparado para morte vocês não vão Sair daqui preparados para a morte porque ninguém está mas Nós aprendemos que nós podemos buscar ajuda os familiares dos amigos isso é importante nesse momento quando nós somos afetados por uma perda e nos enlutamos por isso muitas crenças básicas importantes para nossa saúde emocional são colocadas em dúvida Nossa estabilidade ela se torna muito frágil E
aí esses vínculos que nós perdemos Pode ser uma relação pode ser em relação a pessoa ou em relação a coisas que são significativas eles são importantes para nós Nós deixamos lá no passado a morte Domada lá na idade média para nós entrarmos nesse processo de morte interdita da sociedade a morte Domada ela significava que na época se usava muito esse termo moribundo ela significava que o moribundo estava mais conectado com a Sua própria morte ele sentia que ele ia morrer e ele aceitava isso nessa sociedade contemporânea a morte ela não pertence mais ao morto é
mais comum ela acontecer nos hospitais justamente no local aonde mais se nega a morte E aí a gente entende que a morte ela precisa ser digna seja esteja ao meu lado quando a minha luz se enfraquecer quando o sangue se Arrastar arrepiando e os nervos alfinetarem e formigarem e o coração estiver doente e todas as rodas da existência se tornarem mais lentas esteja ao meu lado da imagem sensual foi torturada por Agonias que subjugam a confiança e o tempo poeira maníaca dispersante e a vida chama lançada de Fúria ninguém quer morrer sozinha A gente percebe
aqui nessa poesia que fala sobre o desejo do poeta de ter alguém ao seu lado no seu último suspiro né Aquele momento que a gente não precisa falar nada mas apenas segurar a mão dessa pessoa está com ela nesse momento de medo seja na luta pela vida seja no sentimento de morte isso pode ser considerado isso pode ser não isso é considerado cuidado paliativo É o direito a Boa Morte cuidado paliativo ele não está apenas relacionado a isso mas também a esse cuidado nessa passagem nesse momento de morte nem sempre Os Profissionais de Saúde eles
estão preparados para esse momento nós vimos que isso nesse período de pandemia onde eles tinham que vivenciar muitas mortes e eles foram preparados para salvar vidas né mas nós não conseguimos salvar Vidas Eles foram preparados para evitar a todo custo a morte e essa dificuldade de aceitar a morte nos faz sofrer cedo ou tarde não vai ser possível a gente curar um paciente E aí aquele profissional ele deixa aquela posição de Deus a fracassado é Maria Júlia fala muito bem sobre isso no livro que ela escreveu que é maravilhoso eu recomendo educação para a Morte
ela nos faz refletir sobre o fato de cada vez mais Os Profissionais de Saúde serem atacados a gente não esquece Né que [Música] alguns profissionais no período de pandemia foram chegaram a ser agredidos né então isso foi algo que nos marcou muito alguém acha que levantou a mão pode falar Ana então Doutora você falando aí sobre a Questão do luto alguns anos atrás eu conheci uma pastora que perdeu uma filha ela perdeu a filha filha tinha 18 anos muito nova era uma filha que ajudava muito ela no ministério da Igreja e aí como ela lidou
com o luto ela todos os dias ia no cemitério e ficava deitada sobre o túmulo da filha né então assim você falando aí que às vezes é difícil até para o profissional de saúde porque o que o que o Profissional às vezes pode fazer né porque até mesmo acho que ela se recusava a ser ajudada né porque o marido na época falava não vai não vai no cemitério e aí ela ia no cemitério todos os dias ela virou um ritual e todos os dias deitava sobre o túmulo da filha dela né então é muito difícil
essa questão é muito difícil cada um tem a sua forma de vivenciar e isso precisa ser trabalhado Isso precisa ser acompanhado Né Existe uma grande dificuldade de profissionais de saúde lidarem com a morte então inclusive com a morte de um pet é o luto pela perda animal a relação entre pode falar João a senhora falou sobre essa dificuldade dos profissionais e que eu vejo que não são todos eu ah em torno de 20 anos atrás eu fiz o funeral da Esposa de um coveiro do cemitério Campo da Esperança Uma vida fazendo exumação uma vida enterrando
gente quando a esposa foi a óbito ele eu tive que ir lá buscar a esposa tirar a esposa da gaveta e vesti-la porque ele disse eu não dou conta de fazer isso ele não deu conta de vestir a esposa e ele fazia exumação o trabalho dele era morte a vida toda trabalhou como coveiro e fazendo exumação ele não deu conta de vestir a esposa não deu conta inclusive de carregar a esposa todos tiveram que Fazer e ele me confessou ele me disse ela eu eu não consigo Então é assim singular é singular sim e nesse
período eu atendi no período de pandemia eu trabalhei em atendimento voluntário com profissionais do ramo semiterial e atendi alguns coveiros e eles relatavam muitas vezes que eles buscavam várias pessoas né em hospitais em residências e aconteceu de um profissional buscar um Familiar e realmente é difícil porque às vezes eles não esperam E isso acontece essa dificuldade acontece a gente sempre pensa na morte do outro a gente nunca pensa na morte de um familiar a gente nunca pensa na morte de um ente querido e nem de um animal né eu tenho e assim eu trabalho com
luto Pet trabalho com pessoas irritadas pela perda do Pet mas eu sei que eu Também vou ter dificuldade de aceitar né E sei que eu também preciso trabalhar isso em mim porque é a minha dor claro eu sei onde buscar ajuda eu sei onde procurar profissionais especializados Nisso porque eu também posso precisar eu sou humana eu sou uma pessoa diferente quando eu lido com a dor do outro Quando Estou lidando com a minha dor eu posso me desesperar pela perda de alguém porque não eu posso me desesperar Pela perda do meu pet porque não então
isso faz parte também do nosso processo de luto o fato de trabalhar com luto não me faz mais forte que as outras pessoas quando eu tiver que lidar com a minha perda então a relação entre o homem e o animal ela acontece desde a pré-história e ela passou da predação para domesticação entre os fatores positivos dessa relação estão o aumento da sobrevida dos tutores após infartos A gente precisa sair para caminhar com os nossos pés os passeios facilitam a socialização dos tutores com as pessoas desconhecidas eu posso estar no momento depressivo mas eu saio com
o meu pet eu conheço pessoas né que muitas vezes se aproximam para brincar com eles e a gente inicia uma conversa também a redução da pressão arterial do colesterol triglicérides reduzindo a mortalidade por problemas Cardíacos que eu estou caminhando eu estou me exercitando também isso reduz o estresse Então a gente tem um pet isso também além de tudo é benéfico para nossa saúde eles têm um papel muito importante na nossa vida e isso ficou ainda mais claro no período da pandemia é aumentou muito a procura por adoção então ao ímpar ela apresenta uma pesquisa que
a procura por adoção de animais nesse Período ela aumentou 400 por cento durante esse primeiro trimestre de 2020 nossos Pets eles representam para gente a força eles representam para a gente o companheirismo aquele lugar onde nós podemos voltar nos Estados Unidos começaram a ser criados cemitérios que permitiam que as pessoas pudessem ser enterradas ao lado os pets pudessem ser enterrados ao lado dos tutores e isso fez com que Essa essa aproximação se tornasse ainda maior é uma perda muito importante é uma relação muito importante e essa relação ela fala de uma história de afetividade fala
sobre uma história de vínculo nós chamamos esse luto Pet infelizmente porque é muito difícil explicar para a sociedade o espaço afetivo que eles ocupam na nossa família nem todo mundo vai entender isso A gente tem uma relação muito próxima com eles e o quanto nós gastamos com veterinários Na tentativa de evitar a morte é ontem mesmo a minha cachorrinha ela comeu a cabecinha de um brinquedo e ela começou a vomitar eu na mesma hora eu a minha o meu desespero era ela tá com aquilo aquilo fazendo mal para ela e eu corri para veterinária falei
não eu só vou ficar tranquila quando ela fizer realmente um ultrassom e a gente possa Ver que não tem nada aí ou então se tiver que a gente possa retirar porque ela é importante para mim Qual a localização afetiva desse animal na vida de cada pessoa na vida de cada família acho que alguém levantou a mão Joedson pode falar eu tenho uma amiga ela é psicóloga inclusive ontem fez dois anos o cachorro dela faleceu mesmo ela já tendo ganhado outro cachorro Dela ela não consegue esquecer o outro fez dois anos que ele faleceu e ele
passou o dia todo postando fotos e vídeos dela com ele então coisas que começaram bem mencionou aí as pessoas Muitas pessoas não entendem como que ela tá vivendo esse luto por causa de um cachorro né só que não é um simples animal é algo alguém que fez parte da vida dela e leva uma demanda para que a pessoa possa superar O que como eu tô relatando inclusive fez dois anos que ele faleceu e ela passou o dia todo postando foto deles as pessoas acreditam que a gente substitui né eu conheço profissionais da saúde mental que
o peixinho morreu no aquário e para que o filho não percebesse substituir o peixinho por um outro peixinho e ficou com medo do filho reconhecer né que não era o mesmo peixe a gente não substitui ninguém na vida da gente Porque que a gente tem que substituir um pet pessoas novas entram na vida da gente mas quem morreu continua tendo a mesma importância mesmo significado e assim também acontece com os pets até essa relação de perda essa relação com a morte de um peixinho na infância vai ter consequências a vida adulta para que a pessoa
consiga trabalhar também essa morte ninguém entende essa relação tem não né não posso generalizar mas as pessoas algumas pessoas não entendem Essa relação de afetividade ninguém entende uma imagem como essa é uma intimidade afetiva desconhecida por muita gente é uma relação importante esse cãozinho pode ser aquela aquela figura que fez com que essa pessoa deixasse de se sentir sozinho é uma relação que precisa ser respeitada sem querer a gente julga Mas nós não sabemos o quanto isso é importante para essa pessoa se nós não sabemos entender isso Nós não sabemos entender os vínculos nós não
conseguimos entender isso nós não conseguimos entender os vínculos que foram criados aí nós podemos às vezes nos deparar com animais que não foram bem cuidados e com idosos que estão sozinhos se nós não entendemos esse vínculo nós jamais vamos entender essa cena A gente precisa respeitar quando esse cãozinho morre é preciso reconhecer esse espaço vazio deixado por ele e esse luto ele não é reconhecido muitas vezes essa dor ela silencia ela se torna uma dor silenciada e isso é prejudicial Qual é o impacto do não reconhecimento desse luto quando um animalzinho morre fica um buraco
Aí fica uma lacuna na vida desse Tutor essa dor por essa perda essa falta de reconhecimento esse sofrimento que muitas vezes não encontra um lugar ele se torna um aperto ele se torna uma angústia se nós buscarmos na literatura nós vamos encontrar esse luto dentro da categoria do solutos não reconhecidos e dentro da categoria dos lutos não autorizados De a gente entende a importância de um animal de estimação para uma criança E aí como falar sobre o luto com a criança do zero Aos três anos a criança ela não entende a morte mas ela percebe
a ausência de três ao cinco ela tem a concepção de morte reversível né como nos desenhos animados que aquele bonequinho morre e depois ele volta do 5 ao 7 Existe o início da percepção da Morte como Irreversível E aí dos 7 aos 10 existe a maturidade mais cognitiva da Morte e a partir dos 10 a concepção real da vida e da morte então a gente precisa trabalhar essas crianças desses três aos cinco anos eles vão ter uma concepção como se a pessoa morreu mas ela pudesse voltar né como se fosse uma forma de sono né
Ele tá dormindo Algumas crianças elas Ouvem isso né O vovô tá dormindo Tá dormindo mas ele não acorda é importante informá-las que o seu animal de estimação ou o seu avô sua avó morreu e que não tem volta mas que eles podem se despedir esse animalzinho eles podem fazer um desenho eles podem plantar uma árvore eles podem de uma forma lúdica vivenciar esse processo eles podem chorar e nós devemos acolher esse choro dessas crianças a criança ela vai oscilar muito entre o Choro e a brincadeira é normal ela tá brincando de repente ela começa a
chorar ou ela tá chorando de repente ela começa a brincar é muito importante que elas sejam asseguradas e que elas não tem culpa por essa morte porque algumas crianças carregam essa culpa Algumas crianças elas no momento de raiva né Elas falam para o pai a mãe eu queria que você morresse isso essa morte acontece A gente precisa trabalhar essa essa culpa com essa criança uma criança nessa faixa etária de 35 anos ela aceita outro animal de estimação mas a gente precisa deixar claro para essa criança que é um outro animal de estimação E aí dos
três tudo cinco ou sete anos essa irreversibilidade da Morte ela vai se tornando mais real elas não pensam na própria morte Mas algumas crianças elas podem começar a desenvolver uma preocupação sobre a morte dos Pais Elas começam a entender que o pai e a mãe em algum momento pode morrer geralmente essas crianças nessa faixa etária elas ficam bem curiosas para entender o que é a morte para entender como ela acontece é muito importante que os pais estejam prontos para responder mas sem mentiras né não virou estrelinha não foi morar com o papai do céu é
muito Bonito né dizer ele foi morar com o papai do céu só que o papai do céu roubou o meu avô levou embora meu avô levou embora meu cachorro ele vai embora meu gato isso se torna uma raiva pode virar uma raiva para essa criança ela pode ter raiva do papai do céu várias manifestações de luto podem ocorrer nessa faixa etária pode acontecer problema de aprendizagem Pode acontecer comportamento antissocial podem surgir comportamentos agressivos então é provável que os sintomas eles não aconteçam imediatamente eles podem começar a acontecer várias semanas Depois dessa morte quando um pai
um filho ou alguém próximo morre a nossa perda geralmente ela é recebida com empatia né com conforto a gente recebe os pêsames Como se fosse como se nós tivéssemos autorizados a sofrer agora você pode sofrer agora você pode chorar nós somos autorizados a experimentar as nossas emoções nós falamos com milhões de pessoas que perderam animais de estimação não são poucas as pessoas que choram Inclusive tem casos de tentativas de suicídio após a perda de um pet então a realidade ela é bem diferente dessa que a gente imagina né quando a Gente está fora desse desse
mundo que é trabalhar com o luto tem vários donos de animais de estimação que não encontram um lugar para sentir essa dor é muito difícil serem oferecidos rituais e despedida para os nossos Pets aqui em Recife existe no cemitério que faz uma cerimônia linda mas são poucos alguns cemitérios trabalham com esses rituais de cremação Pet Promove fazem a urna fazem o ritual de estimação da Despedida né Desse Pet mas são poucos e aí quando nós falamos dessa comunicação é de comunicar essas a morte do Pet nós percebemos que poucas pessoas estão Preparadas para isso é
a gente trabalha com uma comunicação quando trabalha em eu trabalho comunicação de más notícias e a comunicação de má notícia ela trabalha com protocolos que são chamados existem Alguns protocolos entre eles existe um protocolo chamado spikes e esse protocolo ele pode ser aplicado para humanos ele pode ser aplicado em clínicas veterinárias mas infelizmente ele não é ele possui alguns passos que como seria uma forma de certificar né de trabalhar com o cliente sobre o estado de saúde desse animal enquanto ele ainda está vivo uma forma de preparar esse tutor para o que está Acontecendo passar
esse conhecimento para o cliente isso eu tô falando no caso de pet mas estou falando no caso de humanos também né E nesse momento a gente consegue ficar até fazendo é muito importante buscar um ambiente reservado retornar com esse cliente retomar com esse cliente a história desse animal a história de ser humano Né deixar esse cliente que há e narrar a história deixar ele falar sobre a importância desse Pet a importância desse familiar é importante que ele possa contar as histórias é muito comum no momento que a gente vai dar uma notícia a pessoa trazer
uma história então tanto médico veterinário quanto o médico de humanos ele tem que certificar que essa percepção Desse paciente e desse cliente é real né a gente precisa entender e sinalizar o que está acontecendo E no momento de dar a notícia ter cuidado ao local a forma mas o que a gente vê em muitas clínicas veterinárias é assim uma falta de atenção aquilo que o tutor está sentindo ao vínculo que é criado entre esse tutor e esse animal Então por que é tão difícil ultrapassar a dor da perda de um animal porque muitas vezes existe
um despreparo Das clínicas veterinárias as faculdades de medicina veterinária elas não oferecem uma formação específica voltada para esse tema mesmo sendo o fim da vida parte do cotidiano mesmo sendo o fim da vida parte do cotidiano do médico veterinário não está relacionado a esse cuidado a sociedade determina por quem quando e como nós podemos expressar o nosso outro de acordo com as regras né que são Impostas por elas você tem que chorar hoje porque você está hoje no velório então é hoje que você tem que chorar a gente precisa ver que você tá chorando São
Regras impostas pela sociedade né nós nos despedimos dos nossos entes queridos através dos rituais Mas deixamos os nossos Pets em clínicas veterinárias para ser enterrado na forma como a clínica faz pode falar Joelson E aí no meio desse ano minha sobrinha veio para cá né e aqui tem uma galinha que era bem mansinha e ela gostava de brincar com ela que essa Galinha só que em determinado momento não sei porque ela acabou matando essa Galinha só que daí ficou o dia todo de boa só que ao entrar à noite ela começou a perguntar a mãe
pela galinha aí a mãe foi e disse a galinha morreu ele quem matou A galinha foi você aí sim ela começou a chorar pelo amor da galinha e como proceder numa situação dessa para que isso não se torne trauma na cabeça de uma criança primeiro é importante que não seja colocada a culpa da Morte né dessa galinha nessa criança porque provavelmente Ela matou essa Galinha no momento que ela tava brincando ela não imaginava que isso ia acontecer então a gente colocar essa Culpa nessa criança por essa morte Isso sim é algo que pode ter um
efeito ruim pode não é muito provável É porque ela tinha um amor por essa Galinha e ela foi responsável pela morte dessa galinha então ok a galinha morreu né os bichinhos morrem os humanos morrem então trabalhar esse luto ela pode trabalhar esse luto escrever fazendo desenhos né mostrando através do desenho A importância dessa galinha contando a história desse desse bichinho né E trabalhar de forma lúdica essa perda a gente costuma mostrar para as crianças essa relação dessa perda muitas vezes com as flores né as flores elas morrem nascem outras flores Mas aquela morreu então a
gente trabalha com flores a gente trabalha com desenhos a gente trabalha com cartinhas mas tomar o cuidado para não relacionar a culpa dessa da Morte dessa galinha né com essa Criança ela não pode ser culpada por isso e trabalhar o cuidado né com os outros bichinhos cuidado que ela tem que ter a forma como ela tem que cuidar que eles precisam ser tratados com carinho que eles precisam ser tratados com cuidado então trabalhar essa culpa é importante ok ok vamos lá E aí eu entro na formação e no Rompimento dos vínculos passar pelo luto não
faz com que esqueçamos dos nossos entes queridos essa experiência faz com que nós sejamos colocados na categoria de tesouros perdidos com significado de reconstrução e remodelação do nosso mundo presumido o que que é esse mundo presumido quando Nós pensamos no futuro quando Nós pensamos em um roteiro para o nosso Futuro nós temos um mundo presumido nós estamos dentro do nosso mundo presumido no período de pandemia muitas pessoas tinham planos de viagem e de repente Houve essa quebra desse mundo presumido aquilo que eu planejei deixou de ser possível naquele momento né então isso nós reconhecemos como
sempre do nosso mundo presumido quando um ente querido morre muitas vezes nós sentimos Obrigados a chorar a gente precisa chorar mas nem todo mundo reage dessa forma e nem por isso a gente deixa de sofrer a perda Nós criamos nosso mundo preso no mundo então é próprio Coren Parks ele definiu esse mundo presumido como o único mundo que o ser humano efetivamente conhece esse mundo ele inclui tudo o que sabe ou que ele imagina saber a respeito de do seu futuro por exemplo Isso inclui a sua interpretação do passado e Isso inclui as perspectivas que
essa pessoa tem de futuro E aí muitas vezes como essa pessoa que morreu a gente não consegue quando a gente pensa nessa perda dessa pessoa né que partiu a gente não consegue reconstruir o nosso mundo presumido isso não é uma tarefa fácil porque às vezes dá para algumas pessoas A ideia de que como se eu tivesse esquecendo aquela pessoa que morreu muitas vezes a pessoa ela se nega a continuar então isso está relacionado aos vínculos existe uma teoria que ela fala sobre a teoria do apego que ela fala que ela se baseia na premissa de
que os seres humanos assim como os outros animais apresentam uma inclinação natural para Construir vínculos afetivos essa teoria do apego ela foi muito bem colocada por Maria Helena Pereira Franco quem tiver curiosidade de ler a respeito de buscar alguma coisa a respeito Maria Helena ela fala sobre a principal função do apego que é de oferecer segurança e que a função de chorar e procurar após a separação ela chama de promover reunião essa foi uma teoria colocada por Maria Helena é um movimento de dizer Vem aqui né o seu lugar é aqui comigo quando pequeno ocorre
essa forma diferente em relação ao adulto em busca dessa mensagem de ouvir a voz as crianças elas reagem de uma forma os adultos de outra mas ambos possuem esse movimento de buscar de promover reunião né a gente busca ouvir a voz porque a gente quer que essa pessoa esteja aqui é muito comum quando as pessoas perdem alguém elas terem essa fala de que Nossa Parece que eu tô ouvindo a voz da pessoa que comigo é essa busca Isso faz parte dessa busca e isso esse movimento né de teoria essa teoria do apego esse movimento de
vínculo isso ocorre tanto nos amamos como nos animais quando a gente fala de criança os vínculos eles devem promover uma interação fazer coisas para proteger faz parte do impulso primário os bebês eles chegam Ao mundo em algum outro em uma condição de extrema vulnerabilidade fisiológica Então os bebês humanos dependem de alguém que eles fornecem esse cuidado e esse cuidado é essencial para garantir a sua sobrevivência e as Crianças elas vão construindo esse vínculo né com o crescimento vamos passar o tempo E aí a gente entra aqui Em outro tipo de luto que é o luto
por Desastre no luto por desastre os acidentes e Desastres Aéreos por exemplo eu usei esse modelo tá como um outro por desastre mas assim como foi colocado né Isso pode ocorrer também em caso de lutos por assassinato em caso de lutos por grandes tragédias eu usei esse exemplo né que faz parte do meu cotidiano que como eu atue emergências desastres eu estudo muito Essa questão do luto por desastre aéreo E aí nos acidentes Desastres Aéreos eles ocorrem de forma abrupta e desorganizam de forma violenta a vida do sobreviventes é um momento de fragilidade é um
momento assustador e os impactos psicológicos eles podem surgir a curto médio e a longo prazo o luto em uma situação de desastre em uma situação de tragédia né uma situação De assassinato ele vem carregado de tristeza e muitas vezes ele vem carregado de revolta eles acabam sendo eventos midiáticos né a gente sabe que existe uma mídia muitas vezes sensacionalista e isso atinge os familiares de uma forma muito pesada né dessa forma que essa forma sensacionalista e essa forma ainda não leva em conta a dor ela não leva em Muito choque e quem tá vivenciando esse
momento E aí pode surgir a raiva a raiva por essa exposição desnecessária essa sensação de que aquilo não precisava ter acontecido um dos grandes problemas após um acidente aéreo por exemplo é que não existe um número suficiente de profissionais que estejam treinados para esse tipo de atendimento e aí a gente Acaba se deparando o profissionais voluntários que não possuem experiência para esse tipo de atendimento a instrução da Aviação Civil apoiar os familiares e fornecer profissionais preparados mas ainda existe a necessidade de um número maior de profissionais porque se trata de um acidente muito violento e
aí o sofrimento psíquico para as pessoas Direta e indiretamente afetadas é muito grande quando esse sofrimento ele não é acompanhado devidamente eles podem causar consequências maiores para a saúde mental dessas pessoas então um luto que ocorre de uma forma trágica ele pode ter graves consequências se ele não for acompanhado né aqui recentemente nós vivenciamos as chuvas as pessoas elas precisavam ter profissionais que pudessem atender de Uma forma técnica com conhecimento de graça de grandes tragédias para que esse luto não se tornasse um luto complicado porque porque quando isso acontece existe o luto coletivo pode falar
Aureny acho que é isso né Oi doutora Sim é isso mesmo Aureny Eu sabia que essa aula de hoje não ia ser muito fácil até resistir um pouco né Eu falei assim eu não vou participar da aula amanhã mas achei Também que ia ser uma fonte de conhecimento Grande para mim pessoalmente vendo você falar aí eu vivenciei as duas situações aos 11 anos de idade eu perdi o meu pai assassinado foi uma situação complicada Mas eu só tinha 11 anos de idade e faz 4 anos que eu estava em meio a uma separação ele litigiosa
risco de vida envolvendo minha vida financeira um caos a minha vida e minha mãe é uma mulher de apenas 68 anos na época e bem próxima a Mim recebeu o diagnóstico terminal de câncer então assim toda aquela dor que eu tava sentindo pelo que eu tava passando com a separação litigiosa aquilo ficou pequeno diante da Notícia ou seja ela vai morrer e nós moravamos em lugares separados mas sempre fomos muito presentes e nessa bem nessa época Quando eu estava passando por essa separação ela me ligava todas as noites a gente sempre se falava e ela
Me ligava muito todas as noites porque ela temia pela minha vida né E quando veio essa situação essa notícia que ela estava com câncer no pâncreas então foi assim um choque para mim e tudo aquilo que eu estava passando com a separação ficou pequeno né e na última semana de vida dela mesmo enfrentando um processo litigioso aqui em Brasília eu viajei para lá e coincidentemente foi a última semana de vida dela na madrugada que eu cheguei Lá na cidade onde ela morava Eu já fui para o hospital com ela e as últimas semanas eu passei
ali com ela em todo tempo ela dizia você não merece o que tá acontecendo tal e eu tentava tirar isso da mente dela e falar mais sobre ela e ela sempre reportando a situação que eu estava vivendo conclusão eu vivi duas situações diferentes de luto com 11 anos o meu pai assassinado e há quatro anos atrás com essa morte da minha mãe pré anunciado Uma mulher saudável que de repente teve câncer no pâncreas estavam terminal a minha dúvida é porque com a idade totalmente diferente situações de notícia de morte diferente mas eu agi da mesma
forma por exemplo aos 11 anos de idade essa notícia nós nunca moramos próximo a parentes a familiares então era muito mais a família pai mãe e filhos somos três irmãs mas a minha atitude foi a mesma com a situação do meu pai que foi Uma notícia brusca ele foi assassinado daqui a pouco o corpo chega e tal mas eu tive a mesma a mesma o mesmo posicionamento na situação como meu pai eu ajudei a cuidar de tudo eu cuidei da minhas irmãs uma mais velha e uma mais nova cuidei da minha mãe que ficou medicada
a minha irmã Caçula tinha 7 anos tiraram de perto mas eu passei a noite toda ajudando no velório recebendo as pessoas Então como era uma Cidade pequena na época e nós morava nessa cidade pequena e a casa encheu então eu providenciei o café e eu só tinha ou menos 11 anos e seis meses quase 12 e anos depois com essa situação com a minha mãe não foi diferente eu viajei para lá Já tomei as providências peguei ela levei para o hospital de Nossa Senhora não pode ficar aqui doamos ou vamos para o hospital e foi
a última semana de vida Dela e o que que aconteceu quando ela partiu eu ainda estava com ela Passei quatro dias sem dormir foi fácil para mim porque como eu tomo medicação para dormir eu fiquei Esses quatro dias sem tomar medicação mas como meu médico aqui em Brasília acompanhando né E foi a mesma situação que eu cuidei do velório eu cuidei de das pessoas que estavam chegando eu acordei não chorei foi o mesmo atitude Na perda do meu pai e assim foi muito criticada porque não chorei não me desesperei não dei espetáculo espetáculo que eu
digo no bom sentido daquele de chorar gritar e as pessoas terem pena e em um dos momentos eu estava em relação a minhas irmãs porque elas moravam próximo a minha mãe então elas poderiam ter dado uma pessoa melhor então quando Houve essa e só depois porque eu enterrei ela num dia Cuidei de todo o preparo ela foi sepultada eu só tive uma crise de choro na viagem de avião voltando para Brasília dentro do avião sozinha Quando eu cheguei no aeroporto que meus dois filhos foram me receber que me abraçaram aí foi outra crise de choro
mas logo eu recuperei e eu cheguei no sábado passou domingo na segunda-feira já estava no cartório é discussão com meu advogado com o ex uma loucura uma loucura mas Resumindo porque a mesma atitude idade Diferente e situações diferentes uma notícia brusca e a outra me pegando no pior momento da minha vida porque quando eu separando 20 anos de relacionamentos traição roubo tudo que se puder imaginar que não vem aqui ao caso e quando veio a notícia da minha mãe estado de câncer no pâncreas estado terminal então ou seja ela não tinha muitos dias de vida
e por que a mesma atitude porque essa essa mesma responsabilidade e assim por que Que eu tive dificuldade em decidir se eu assistir ou não essa aula hoje porque eu ainda não me sinto pronta para falar sobre o assunto e eu nem sei porque que eu tive a coragem de colocar aqui na aula esse assunto porque geralmente eu sou divertida tenho dificuldade para me comunicar sou muito tímida Pode não parecer mas sou e mas aí veio essa dúvida porque eu nunca havia pensado nisso Porque eu tive a mesma atitude idade completamente diferente e Completamente diferente
um impacto do assassinato e outro Impacto de que tá doente vai morrer Apesar de que era uma mulher super saudável Minha mãe só teve três cirurgias na vida foi três cesarianas três filhas três cesarianas então assim ficou essa dúvida eu consegui me passar apesar de estar difícil para mim falar sobre esse assunto conseguiu e eu agradeço né pela confiança em tocar nesse assunto uma vez Que você diz que não costuma falar a respeito disso a gente precisa entender as questões dessa teoria do apego as questões vinculares é preciso entender esses vínculos é importante conhecer essa
história para trás né você já teve uma uma relação de de perda né você já teve muito cedo né os seus 11 anos você já teve essa experiência de perda depois você teve Essa questão que eu trouxe né Eu entrei falei a respeito que poucas pessoas falam que é sobre essa separação é o outro amigo você teve essa experiência você teve a experiência da perto da sua mãe você vivenciou várias perdas e a gente precisa entender como você lidava com isso lá atrás então como eu disse ele não trabalha como abordagem específica no momento da
perda para Atuar no momento eu não uso uma abordagem não usa psicanálise necessariamente dita para trabalhar perto mas no seu caso a gente precisa entender a gente precisa sim trabalhar com a psicanálise para poder entender as questões de enfim para a gente poder entender o que você mantenha essa relação um mecanismo de defesa talvez não sei né eu preciso trabalhar e entender né seria a prematuro eu falar algo sem Conhecer a sua história para saber o porquê E você tem esse comportamento né um mecanismo de defesa você não querer participar da aula talvez né mas
não posso dizer com certeza então quando a gente passa por diversas perdas quando a gente tem essa relação com a morte Principalmente de uma forma trágica como você teve então fica mais difícil a gente se disponível para participar de uma aula que vai falar sobre isso né então uma forma de Me defender de me ver em contato com essa dor é não participar porque ela vai ativar coisas ela vai ativar como ativou você disse que você não falava a respeito disso e você falou a respeito disso então eu não sei como é que vai ser
para você você tocar nesse assunto né Mas foi bom você falar a respeito disso isso mostrou que você está aberta a falar sobre isso então se você precisar eu Fico à sua disposição meu Doutora Muito obrigada mesmo eu nem sei porque eu por exemplo eu acho que devido estar na formação eu pensei E se eu pegar alguém assim eu acho que não pode ser que no final do curso eu esteja em condições de pegar mas hoje particularmente eu preferia não pegar alguém com essa situação porque me veio essa dúvida que eu nunca tinha parado para
pensar porque que aos 11 anos eu tive a mesma postura que eu tive Com quatro anos atrás quando eu perdi a mãe a minha mãe isso psicologicamente falando e ao mesmo tempo na época do meu pai eu acabei sendo a criança menos abraçada porque porque eu tava bem eu tava fazendo café para todo mundo eu tava recebendo todo mundo naquela época o corpo não era velado em necrotérios não tinha aquilo então foi foi em casa então eu contribuí para escolhi a roupa dele então assim eu fui a menos abraçado e não foi diferente há quatro
anos em Relação mãe só que foi diferente no sentido das condenações nossa ela nem chorou nossa ela não deu crise e inclusive num dos momentos lá minha irmã muito apavorada em cima do caixão eu tive uma uma atitude que que eu também não entendi eu cheguei perto dela segurei no braço dela e falei assim olha ela já foi Entrega para Deus o que é de Deus você teve a sua oportunidade então assim depois eu falei caramba porque que eu disse aquilo mas assim eu não chorei Lá mas quando eu cheguei no aeroporto para vir para
cá que a minha sobrinha me deixou lá no aeroporto até ali eu ainda estava consolando ela sentiu muita perda da vó dentro do avião eu tive uma crise de choro bem intensa e já tinha me controlado quando eu desci no aeroporto aqui em Brasília que meu filho me abraçou então quando ele me abraçou e mas no passando um dia no outro dia que eu tinha que estar no cartório tinha que tratar da do divórcio já estava embate Com os meus próprios advogados que já tinham tomado posicionamento do outro lado então assim eram várias situações ao
mesmo tempo mas a dúvida que eu sinto aí é o perfil porque esse perfil de cuidar de tudo isso e na verdade ser a menos assistida na dor porque ninguém me abraçou Ninguém chegou para dizer assim eu ofereci um café para todo mundo o café é incrível porque eu foi oferecimento desse café com 11 anos de idade e cuidei disso também na perda Da minha mãe mas nenhum momento ninguém me ofereceu um café ninguém me abraçou Ninguém chegou quem chegava para mim pois é mas faz parte da vida e tal mas não era aquela coisa
como era com as minhas irmãs daria aquela crise de choro e serem abraçados não faz sentido ainda não faz sentido para mim entendeu mas eu agradeço muito Doutora Daiana a oportunidade aqui a aula que eu não queria assistir talvez eu não vá perceber hoje vai perceber daqui alguns Momentos ou alguns dias que eu tenho aprendido que a psicanálise é isso né você senta no divã naquele momento você não tem noção do que foi quebrado mas com o passar dos dias e isso eu já vivi em experiências você vai tendo insights e acontecem coisas da sua
volta que você descarama 24 horas atrás eu não teria agido dessa forma aí você percebe o quanto silenciosamente o seu interior está sendo tratado seu interior está sendo trabalhado e você vai percebendo Isso conforme você tem que se posicionar em algumas falas em algumas vídeos você para se Nossa não senti mas aquele desconforto quando essa situação acontecia então eu acredito muito eu faço terapia e tem me ajudado muito e eu tenho percebido que é assim que funciona Porque a terapia ela não é um estalar mágico na vida das pessoas porque quando a pessoa vem para
para terapia como Fred mesmo dizer a dor da angústia quando ela vem ela já vem machucada Estraçalhada ela já vem com uma jornada bem que vai ter que ser esmiuçada vai ter que ser escutada vai ter que ser trabalhada então assim é um processo e eu diria arriscaria dizer que é um processo para a vida inteira e quando essa dor chega no divã ela chega quase a ponto de uma morte mental uma morte psicológica que é quando chega a pessoa para você como terapeuta então assim eu fico muito grata de ter colocado isso também não
entendo mas sei que vou Entender daqui a pouco ou alguns dias que eu sinto algo diferente em relação a isso porque nem nas terapias que eu tenho feito eu tinha colocado de uma forma assim e mesmo não conhecendo ninguém aqui pessoalmente e talvez o fato de ter uma tela entre a gente né de ter uma certa distância eu falei sobre isso como nunca havia falado antes e eu sinto que algo aqui dentro de mim não sei explicar o que a coisa aqui a história da coisa algumas coisas aqui Meio que tomar um outro rumo que
eu ainda não sei o quê então ou seja Talvez seja o propósito para estar exatamente a dor do outro nesse sentido O que você pode fazer com aquilo que tiraram de você não o que você pode fazer com aquilo que restou de você quando foi tirado de você aquilo que você se apegava então assim é doido isso eu espero ter feito ter me explicado de forma correta porque realmente é um é um assunto assim que eu Não achei que eu fosse colocar eu achei que eu ia ficar calada o dia inteiro e agradecer aos colegas
aí por terem ouvido desculpa a lágrima porque realmente é algo que vem da da coisa que tava aqui dentro ó já estou falando não estava aqui dentro né aí volta aquela questão quando você fala você libera algo que o silêncio era como um cadeado dentro de você então quando você fala você quebra o silêncio quando você quebra o silêncio o cadeado se quebra e As coisas começam a fluir de forma diferente assim eu espero e qualquer coisa eu te busco viu Daiane Eu que agradeço né e uma coisa que eu digo a você a nossa
velha e boa e conhecida Associação livre a gente precisa falar repetir repetir repetir elaborar e tem uma coisa que me chama atenção é claro não posso como eu falei para você seria até um pouco irresponsável da minha parte Fazer alguma avaliação mesmo porque nós estamos em um grupo então algumas colocações precisariam ser feitas para você mas uma coisa que eu posso dizer a você né sem problema algum é quando a gente atende em emergências quando a gente atende uma pessoa que a gente não tem nenhum contato com ela e a gente precisa se aproximar dela
e a gente precisar conhecer essa pessoa sem nunca ter visto né a gente tem esse contato com essa pessoa no momento de Muita dor a gente oferece um Amado a gente tivesse um café e o café ele traz aquele cheirinho aquela coisa que ele Aconchego né aquele cheirinho do café Às vezes o cheiro do café até melhor que o café e o café ele tem esse poder de trazer-se Aconchego Você Estava Ali acolhida você tava ali sentindo aquele cheirinho né aquele café de vó que ele que ele aquela lembrança daqueles momentos isso é um acolhimento
você não tava sendo reconhecida na sua Dor porque você não tava chorando E aí é aquilo que nós falamos lá atrás você poder você ser reconhecida na sua dor né você ter o seu luto autorizado quando a gente tem o nosso luto autorizado a gente chora eu fui autorizada a sentir meu mundo né a sociedade ela me autorizou é Infelizmente o senso comum nessas regras impostas pelo senso comum pude chorar mas no momento que você estava com os seus familiares no momento que você Recebeu o abraço você chorou Então você o seu luto foi autorizado
naquele momento e naquele momento sim eu posso chorar porque eu estou sendo reconhecida tô sendo autorizada a sentir a minha dor Então existe aí uma série de coisas né que a gente precisa trabalhar e para você para que você possa entender o porquê de alguns comportamentos então o fato de você chorar aqui A gente chora quando a gente está feliz a gente chora quando a gente está triste né a gente tem o direito de chorar é a gente a gente nasce chorando então é algo que a gente precisa ver uma naturalidade no choro é assim
como o luto também né Não sei se com essas colocações eu consegui ajudar um pouco mas é algo que eu gostaria que você refletisse depois Até mesmo conseguiu sim muito obrigada de todo o meu coração viu quem sabe um dia a gente toma um café quem sabe Inclusive eu sou natural do Recife viu eu sou de São Paulo aqui não vou mais atrapalhar Obrigada vamos tomar um café eu sou de São Paulo mas hoje moro em Recife nós vamos tomar um café um beijo obrigada