[Música] Boa noite aqui quem fala é Marcelo caminhoneiro há mais de três décadas hoje vivo no Rio mas a minha casa mesmo é a estrada assim como de muitos outros caminhoneiros levando carga para esse Brasil afora a vida de caminhoneira é dura quase não paro em casa a família fica lá distante e o perigo está sempre espreita seja de ladrão ou acidente em uma curva mas tem uma coisa que me orgulha muito é saber que sou eu que faço esse país andar junto com os meus amigos só que tem um lado da estrada que é
pouco falado os mistérios que aconte durante as madrugadas quando o sol se põe a estrada ver um outro mundo a solidão aperta e o que a gente vê por aí às vezes dá arrepio até na alma todo caminhoneiro tem história para contar de bicho que atravessa a pista ou vulto que some no retrovisor eu mesmo já vi coisas que me fizeram rezar mais forte pedindo proteção contra o que é deste mundo e do outro e é sobre um desses encontros na escuridão da noite que eu preciso contar em um certo dia o telefone tocou com
uma oferta que não tinha como recusar o dono de uma fazenda em São Paulo no limite entre São Paulo e Rio de Janeiro ali próximo a Itatiaia logo à frente precisava de uma peça para uma escavadeira que estava abrindo um açude em sua propriedade a autorizada dessa escavadeira era pequena na época e só tinha sede no Rio por ser uma peça um pouco grande e bastante pesada ele contratou um caminhão para isso um amigo meu indicou a Ele o pagamento era bom eu aceitei na hora o bolso estava vazio e pra de dinheiro era música
pros meus ouvidos no outro dia a carga já estava pronta e eu também mas minha mulher ela estava estranha falou de um pressentimento ruim perguntou se eu já tinha que mesmo pegar esse frete eu disse que sim que era uma chance de ouro ela me beijou pediu cuidado e eu não sei por mas quando eu me despedi dela eu senti um frio na barriga a minha mulher tinha dessas coisas ela meio sensitiva não sei se era o lado espiritual dela ou algo do tipo mas quando ela sentia algo era batata ia acontecer mas eu ignorei
o arrepio me despedi e peguei a estrada era tarde o calor do rio estava forte eu abri as janelas para sentir o vento a viagem seria longa um dia e meio talvez dois eu planejei parar em um posto à noite e seguir na manhã seguinte tudo tranquilo rádio ligado e a estrada toda na minha frente a noite já tinha caído e o cansaço batia forte tudo ao redor era um breu e o frio cortante me fez fechar os vidros a rádio não ajudava só toca música que eu não Goa desliguei oci da noite era algo
absurdo fazia a gente sentir medo a cada curva que a gente fazia então em uma curva sinistra o sono pesou eu me ajeitei no banco para não perder o controle foi nesse instante que eu ouvi um baque Vindo de trás o meu coração gelou pelo retrovisor procurei algum sinal de vida um animal mas nada pensei deve ter sido algum galho que caiu na caçamba pensei tentando ignorar o medo mas o destino é traiç Sueiro olhei de novo no espelho e então o meu coração quase parou de bater lá estava grudado na traseira do caminhão um
vulto pequeno e pálido me encarando de longe parecia uma criança mas não tinha como não ali e não naquela hora da noite era uma coisa toda branca que chegava até destacar na noite era um troço horrível eu quase gritei mas daí eu pisquei então não vi mais nada Robert aquilo foi estranho demais eu comecei a ficar irando pesado e a suar igual um porco mas daí eu lembrei da minha esposa e daquela sensação dela eu não podia continuar sem saber o que estava acontecendo eu encostei o caminhão e desci para ver se tinha alguma coisa
peguei a lanterna e dei uma volta pelo caminhão fui checar onde ouv a coisa pendurada Nem sinal nada nem de galho Caí e ninguém havia no camão olhei em volta procurei nada tudo vazio Olhei novamente a traseira onde eu tinha visto o bque não era possível senti eu ouvi um barulho mas também não tinha nada lá respirei fundo fiquei com medo mas sei lá para tentar me acalmar eu me convenci que era só sono e cansaço deci descansar S um pouco Fiquei uns 5 minutos lá só para recuperar o fôlego e não pegar o volante
com a cabeça quente logo depois entrei no caminhão e continuei tentando achar um posto para descansar só que assim enquanto dirigia a imagem daquela coisa não saía da minha cabeça eu fiquei pensando na preocupação da minha mulher de novo Eu nunca fui um cara que não acreditava no Sobrenatural mas não acreditava muito nessas coisas de Premonição só que aquilo tava estranho daí liguei o rádio para distrair tinha sido dia de jogo então sintonizei Numa estação onde estavam comentando sobre a partida Logo mais eu fiquei mais relaxado e o medo passou eu pensei que era coisa
da cabeça mas foi aí que euv outra vez alguma coisa batendo no teto do caminhão cara meu coração gelou na hora eu pensei em parar mas olhei no retrovisor e não vi nada foi um barulho menor do que o outro então eu não consegui mais me distrair e o medo tomou conta de mim de vez daí eu preguei os olhos na estrada e tentei não olhar de novo para os lados logo após ouvi outro balul dessa vez do lado de fora da porta do passageiro gente meu coração começou a pular tanto que parecia que ia
sair pela boca eu não sou um cara medroso não mas um barulho na porta do caminhão à noite em uma estrada é para deixar qualquer um doido eu não queria olhar de jeito nenhum mas mesmo assim eu fiquei tremendo demais com as Mãos no Volante só que aí foi a gota d'água ouvi o vidro sendo arranhado bem de leve como se algo Estivesse se esfregando nele eu tava todo arrepiado e com medo demais respirei fundo fiz uma oração na cabeça e meio que não querendo virei o rosto para olhar mas o susto foi tão grande
que eu quase perdi o controle do caminhão eu juro juro por tudo que do lado de fora em pé no estribo do caminhão andando estava a mesma criança pálida que eu vi lá atrás Aquela hora ela ficou me olhando e sorrindo com a cara bem encostada no vidro não deu outra eu soltei um grito alto e o caminhão deu uma derrapada Perigosa na estrada olhei para aquela coisa horrenda e o meu desespero deixou o sorriso dela ainda mais largo então meio que pelo instinto Eu pisei fundo no acelerador tentando de qualquer jeito que aquela coisa
saísse de lá preguei os olhos na estrada e comecei a orar em voz alta implorando a Deus que me protegesse e fizesse aquilo parar o caminhão ia quase voando enquanto eu esperava achar qualquer lugar com com gente para poder fazer uma parada Mas eu nem ousava olar mais pel aquela janela e a estrada gente parecia que não tinha fim fiquei um tempo e nada não achava nada tipo minhas mãos já estavam até suadas de medo mas graças a Deus eu finalmente avistei as luzes de um posto de gasolina ao longe não pensei duas vezes fui
logo estacionando como dava o mais rápido possível saí do caminhão praticamente correndo com as pernas Bamba outra vez a curiosidade bateu e mesmo com medo eu olhei pra porta do passageiro lá de fora só que não tinha mais nada daí eu corri pro posto e pedi desesperado para passar a noite por ali o frentista me olhou estranho eu tava todo esbaforido e com cara de medo mas me diz que tinha um quartinho nos fundos daí eu consegui convencer ele a me alugar o quarto e passei a noite porrar mesmo foi difícil demais pegar no sono
de manhã fui ver o camião esperando encontrar alguma prova do que tinha acontecido mas não tinha nada nem marca de mão nem amassado dos Baques absolutamente nada decidi sair logo dali para chegar logo ao meu destino bom depois disso nunca contei para ninguém além de minha esposa e nunca mais desprezei as preocupações dela depois daquela noite evitei ao máximo dirigir no escuro agora sempre faço minhas preces antes de pegar estrada não sei o que ou o que era aquilo só sei que não quero ver nada Aparecido de novo pelo resto da minha vida obrigado uma
boa noite a todos