[Música] Olá a todos vamos continuar com a sequência didática relacionada com a obra Frei Luís de Sousa de Almeida Garret e vamos passar agora à leitura mais aprofundada da obra à sua análise e interpretação esta peça de te que vai ser representada primeiramente no teatro da Quinta do Pinheiro em privado no ano de 1843 teve como personagem de Telmo o próprio Almeida Garret a história baseia-se numa personagem verídica Manoel de Sousa Coutinho e da sua esposa fazendo agora um breve resumo da obra Frei Luís de Sousa conta então a história de uma família neste caso
de Manuel de Sousa Coutinho e da tragédia que vai suceder a esta mesma família Dona Madalena de Vilhena esposa de Dom Manoel havia casado primeiramente com Dom João de Portugal que parte com o Rei Dom Sebastião para alcácer kibir em 1578 tal como vai acontecer com o Rei Dom Sebastião também Dom João de Portugal vai desaparecer durante a batalha presumindo-se que estava morto a esposa Dona Madalena Procura pelo seu corpo durante 7 anos sem nunca ter notícias que lhe dessem algum indício que ele ainda estava vivo preso n algum sítio no norte da África eh
ela não poupou dinheiro e nem esforços para tentar encontrar o marido até que o marido foi dado como morto e ela como viúva passado esse tempo ela casa de novo com o seu primeiro amor Manuel de Sousa Coutinho um cavaleiro garboso audaz corajoso um cavaleiro de Malta casam são muito felizes passado um ano do casamento tê uma filha Dona Maria que Eles amam profundamente uma menina muito bonita uma menina muito bondosa e também muito inteligente a ação do Frei Luís de Sousa vai decorrer precisamente passados 21 anos da Batalha de alcar kibir e do desaparecimento
de Dom João de Portugal nessa mesma batalha a tragédia ocorre quando um dia surge uma personagem que supostamente eh veio de terra santa e que traz um recado para Dona Madalena o recado que lhe dá não é propriamente o mais feliz para ela sendo que lhe diz que alguém que ele conheceu na terra santa cativo lhe veem mandar recado de que ainda se encontrava vivo nunca esta personagem que é um Romeiro diz que ele é Dom João de Portugal mas ficamos a perceber por determinadas pistas que o Romeiro é o próprio Dom João de Portugal
Dona Madalena não se percebe disso entranto dá-se a notícia também a Dom Manuel que decide que o melhor seria então o casal divorciar-se religiosamente ele ir para Frade e ela ir para freira no final desta peça Maria ainda tenta demover os pais a não continuarem com esse divórcio religioso apelando aos seus sentimentos paternos e indicando que ela própria seria uma vítima inocente de tudo isto no entanto os pais já nada podem fazer e a menina que já era frágil e debilitada acaba por morrer nos braços dos Pais acabando assim então a peça de teatro surge
então a questão sobre qual a índole desta peça de teatro sendo escrita durante a época do Romantismo considerá-la íamos um drama romântico sendo que tem algumas características deste género literário no entanto é através das próprias palavras de Almeida Garret numa memória lida ao conservatório real que ele esclarece esta questão e acaba por indicar que por um lado sim é um drama romântico mas no que diz respeito ao seu conteúdo à sua índole ele considera uma tragédia eu vou ler um pequeno exerto dessa mesma memória Esta é uma verdadeira tragédia o que escrevi em prosa pudera
escrevê-lo em verso contento-me para a minha obra com o título Modesto de drama Só peço que não julguem pelas leis que regem ou devem reger essa composição de forma e índole nova porque a minha se na forma de desmerece da categoria pela índole há de ficar pertencendo sempre ao antigo género trágico sendo assim podemos encontrar em Frei Luís de Sousa características quer da tragédia grega quer do drama romântico no que diz respeito às características trágicas dentro desta peça de teatro podemos indicar várias a existência do destino que era algo fundamental nas tragédias gregas também vai
ser encontrado nesta peça de teatro sabemos que o destino é algo inexorável é algo que não conseguimos controlar é algo que não se pode parar que está acima do próprio homem e o homem acaba por ser um joguete nas mãos deste Destino Implacável que não tem sentimentos eh de compaixão relativamente ao sofrimento das personagens o que quer que vai acontecer terá de acontecer independentemente daquilo que façam as personal para tentar evitar esse mesmo destino na tragédia clássica as peças de teatro dividiam-se em Cinco partes um prólogo neste caso um ato episódios que compunham três atos
e um epílogo que seria então um último ato havia também poucas personagens sendo estas maioritariamente de condição social superior a ação iniciar-se a de uma forma mais eh calma e tranquila mas depois vai assumindo um tom cada vez mais crescente até atingir um climax outros elementos essenciais que também encontrávamos na tragédia grega para além do destino eram o desafio neste caso das personagens relativamente a qualquer coisa da sociedade o sofrimento o combate das personagens as peripécias o reconhecimento a Catástrofe e a Catarse existia também um couro cuja função era anunciar o desenrolar dos acontecimentos na
tragédia clássica Obedece à lei das três unidades unidade de tempo unidade de espaço e Unidade de ação finalmente podemos dizer então que a tragédia clássica também tinha de ser escrita em verso sendo assim podemos então resumir os elementos essenciais da tragédia vamos começar pela viis que é o mais importante neste caso é o desafio as personagens teriam de desafiar alguma lei pode ser uma lei Divina pode ser uma lei humana pode ser uma lei moral pode ser e uma instituição mas tinha de haver uma quebra nessa harmonia relativamente à sociedade à lei à religião a
Deus a partir desse desafio vai construir-se toda a ação sendo que as personagens têm de passar pelo sofrimento que neste caso é o Patos Pois é a consequência da sua decisão da sua revolta do seu desafio o agon é o combate são as personagens que tentam então combater Contra esse Destino Implacável e alterá-lo este combate não é necessariamente físico pode também ser algo psicológico a ananque no entanto é Implacável a ananque é o destino o destino está marcado e nós não o podemos mudar e temos de aceitar eh quais serão as decisões dos Deuses No
que diz respeito à nossa própria vida no entanto as personagens nunca aceitam o seu destino e depois então Isto vai dar origem ao tal conflito as peripécias são também muito importantes para avançar à ação normalmente os atos terminavam sempre numa determinada peripécia num climax deixando sempre em aberto o que iria acontecer a seguir a anagnorisis ou o reconhecimento é também o reconhecimento de algo que seria segredo podia ser a identidade de uma personagem um segredo que se ficar conhecer o desenlace fatal é então a catástrofe catástrofe é algo que vai sendo indiciada ao longo da
peça de teatro eh sendo que o leitor Barra espetador tem pistas de que o final da peça não vai ser propriamente o mais feliz portanto ao longo da peça esta catástrofe vai sendo eh percebida de uma forma muito Subtil muito subentendida mas ela vai estar sempre presente até a sua concretização no final da tragédia Catarse a Catarse é o objetivo final de toda a peça Visa partilhar estas emoções com o espectador para purificar sentimentos os espectadores unem-se às personagens no seu sofrimento no seu terror no seu espanto na sua perplexidade e todos os sentimentos acabam
por vir ao de cima e transformar a própria pessoa que quando sai do teatro após ver esta peça já não é a mesma todo o sentimento de compaixão que sente pelas personagens ele vive o leitor barra espetador vive essa esse sofrimento essas paixões intensamente e obviamente que a catástrofe vai também marcá-lo muito portanto é uma espécie de purificação da Alma através da Catarse o exemplo de uma tragédia grega muito conhecida é precisamente o Édipo Rei de sófocles que conta a história de Édipo que vai matar o seu próprio pai e casar com a mãe passando
agora às características eh do drama romântico podemos indicar que no geral o drama romântico criado por Vítor Hugo O O Grande Mestre do Romantismo francês valoriza acima de tudo a ação humana enquanto na tragédia clássica nós tínhamos o homem que não tinha o poder sobre a sua própria vida pois quem tinha o poder da vida Eram os deuses aqui neste caso é o homem que é responsável pelo seu próprio destino há assim uma maior aproximação no drama romântico à própria realidade esta realidade não é necessariamente a mais bela daí que eh os temas mais grotescos
também podem aparecer eh juntamente com a ideia da nacionalidade da Pátria portanto temas mais nacionais a linguagem utilizada na no drama romântico ao contrário da tragédia clássica é a prosa o cor que existia na tragédia vai desaparecer os cinco atos da tragédia vão passar a três atos e desaparece também a lei das três unidades no caso do Frei Luís de Sousa ele vai ter uma perninha em cada um destes géneros dramáticos quer características do drama romântico quer características da tragédia clássica Portanto o Freio Lis de Sousa vai ser escrita em prosa tal como no drama
Romântico Vai ter três atos tal como no drama romântico não tem a lei das três unidades vai apenas conseguir uma dessas leis que é a lei da unidade de ação as personagens vão ser também em número reduzido tal como na tragédia clássica são de classe social elevada tal como na tragédia clássica também no drama Romântico as personagens têm tendência a ser também direcionadas para o povo de classe social mais baixa daí que o facto de ser escrito em prosa acaba por transformar as personagens em alguém que está muito mais próximo de nós porque até o
registro utilizado é o registro mais simples é o do dia a dia diz respeito ao couro não podemos dizer que em Frei Luís de Sousa haja o couro tal como existia na tragédia clássica mas há duas personagens que vão funcionar muito como se fossem o couro e estou a referir-me a Telmo pais e a Frei jorges enquanto que no drama romântico não há presença de elementos trágicos em Frei Luís Sousa nós vamos encontrar praticamente todos os elementos trágicos que já encontrávamos na tragédia vamos encontrar a furies vamos encontrar o desafio vamos encontrar o áa no
combate vamos encontrar o reconhecimento as peripécias e obviamente a Catástrofe e a Catarse sendo assim segundo Almeida Garret esta obra na sua índole é uma tragédia e aquilo que ele poderia ter escrito em verso Ele simplesmente decidiu escrever em prosa sendo que para ele esta é uma verdadeira tragédia passando agora à estrutura em Frei Luís de Sousa eh eu já indiquei que esta é uma Peça em três atos sendo que o primeiro ato tem 12 cenas o segundo ato tem 15 cenas e o terceiro ato tem 12 cenas a nível da estrutura interna e estou
a falar da exposição do conflito e do enlace na exposição barra prólogo temos então o ato um cenas 1 e do o conflito será ao desenrolar então nos acontecimentos até chegar ao clímax e o ato TR será das cenas 10 a 12 onde nós temos então a tragédia e o aniquilamento das personagens o at um vai nos apresentar algumas informações sobre o passado das personagens vai-nos também preparar a ação neste caso temos a decisão dos governadores e o incêndio do Palácio de Dom Manuel e este ato vai terminar então num clímax numa peripécia que neste
caso vai ser precisamente esse incêndio quando se dá o incêndio do Palácio Dom Manuel termina o ato o segundo ato já vai então trazer aqui outras informações sabemos Então o que se passou a seguir ao incêndio sabemos também que Manuel Sousa Coutinho vai a Lisboa deixando ficar a Dona Madalena sozinha em casa com Frei Jorge e este ato vai terminar com outra peripécia com outro clímax e neste caso a chegada do Romeiro e o reconhecimento de que Dom João de Portugal ainda se encontra vivo no ato temos conhecimento sobre qual a solu adot pelas prepara-se
o desenlace e temos aof nesteo com a morte física Dea Maria de Noronha a filha do casal e morte espiritual de Dom Manuel Dona Madalena e também do Romeiro quanto ao facto de ser uma ação trágica já tinha referido o facto de haver vários elementos da tragédia clássica vamos contactando com esses mesmos elementos ao longo da peça já sabemos também que há aqui uma sequência de ações que vai originar um determinado fim que tem a ver com o facto do destino já estar marcado no entanto também sabemos que estas paixões foram todas desencadeadas pelos homens
muito tipicamente à maneira do drama romântico para que esta peça de teatro tenha ainda uma maior intensidade dramática Almeida Garret concretiza no final de cada ato simultaneidade de ações há sempre duas ações a decorrer em simultâneo no primeiro ato temos em simultâneo a chegada dos governadores espanhóis ao palácio de Dom Manuel e ao mesmo tempo o incêndio do Palácio de Dom Manuel no segundo ato temos ao mesmo tempo a partida de Dom Manuel Dona Maria itelo para Lisboa e ao mesmo tempo a chegada do Romeiro ao palácio de Dom João de Portugal no terceiro ato
eh ao mesmo tempo que Dona Madalena e Dom Manuel vão tomar o hábito temos a morte em palco de Dona Maria sua filha e enquanto que nos dois primeiros atos terminando o ato estas ações simultâneas deixam o leitor em suspenso já no terceiro ato estas ações simultâneas reforçam e aumentam esta tragédia mar cando o momento máximo o clímax neste caso o suicídio do casal para o mundo e a morte de uma vítima inocente que é Maria Há certos momentos na peça que fazem com que o leitor fica em expectativa para ver o que vai acontecer
a seguir particularmente dois momentos um momento em que e o Romeiro se apercebe que esta sua vingança acaba por não ter não ter a sua lógica e PED Telmo Que tente evitar a tragédia e um momento em que Dona Madalena recusa a aceitar a sear do marido e tenta lutar pelo seu amor quanto ao espaço o espaço e o tempo vão andar um bocadinho de mãos dadas nós temos quer no espaço quer no tempo um afunilamento progressivo ao longo da peça relativamente ao espaço o espaço começa muito lato no sentido em que apesar da peça
começar num determinado dia há sempre alusões a outros espaços portanto se pensarmos que tudo isto começou em 15 78 com a batalha de alcer kibir podemos dizer que inicialmente esta história começa em África passa para a Europa para Portugal para Lisboa para Almada e depois dentro de Almada para o Palácio de Dom Manuel o Palácio de Dom João e por fim para as partes baixas do Palácio de Dom João de Portugal inicialmente o espaço neste caso no primeiro ato é um espaço muito mais aberto é um símbolo de alegria de felicidade mesma maneira como está
decorado é é é é agradável tem flores tem tapeçarias tem porcelanas tem bibelôs que estão a decorar portanto acaba por dar a ideia de família há um retrato muito importante que se encontra na parede é o retrato de Manuel Sousa Coutinho vestido com o seu traje de cavaleiro de Malta que se encontra na parede este espaço tem também portas de comunicação quer para o interior quer para o exterior Tem janelas há luz a entrar o que quer dizer que é um espaço mais aberto é um espaço que acaba por ser mais acolhedor já no segundo
ato e com o incêndio deste espaço e também com a destruição do quadro de Dom Manuel passamos então para o Palácio de Dom João de Portugal este segundo ato vai decorrer no salão deste Palácio é um salão muito antigo é um salão muito melancólico é um salão pesado é um salão com muitos retratos de família com portas para o interior e para o exterior cobertas de reposteiros e as janelas que no primeiro espaço seriam para entrar e sair as personagens neste caso dão a entender que é para encerrar as personagens dentro deste espaço os retratos
que se encontram na parede ao contrário do que acontecia na casa do Dom Manuel que era o retrato apenas de Dom Manuel aqui vamos encontrar vários retratos de família a corpo inteiro vamos encontrar o retrato de Dom João de Portugal vamos encontrar o retrato de Dom Sebastião e vamos encontrar o retrato de Luís de Camões todos estes retratos acabam por simbolizar esta ideia de perda esta ideia de tragédia E esta ideia de morte acabam também por ser retratos de uma época passada de uma época histórica mas que já está no nosso passado sendo quase uma
memória de momento triste que vivíamos depois de termos perdido a nossa Independência para os Castelhanos há já neste espaço um maior sentido também de aprisionamento este sentimento de aprisionamento vai se reforçar E intensificar já no terceiro ato quando deixamos o salão do Palácio de Dom João de Portugal e passamos Então à parte baixa do Palácio e neste caso já se vão limitar as entradas H um fechamento brutal do espaço e começa-se a sentir este espaço como se fosse uma prisão temos um local que vai dar acesso à capela do convento São Paulo dos domínicos de
Almada mas é algo muito frio é algo muito eh impessoal é algo que não não tem aquele ambiente acolhedor Que nós tínhamos inicialmente no primeiro ato na casa de Dom Manuel todos os símbolos que vamos encontrar precisamente então neste espaço são símbolos direcionados para a religião quase como se fosse uma descida aos infernos ou já fosse uma espécie de purgatório em que as próprias personagens ainda não estavam mortas mas já estão a sofrer as suas penitências temos uma cruz temos uma mortalha e os próprios hábitos das personagens que são as roupas que elas vão trocar
pelas que têm agora vestidas acabam por quase ser uma espécie de hábitos que vão levar para o seu caixão espiritual assim em conclusão a a progressão que existe neste espaço é feita sempre em termos negativos e como uma pista para a catástrofe que vai então acontecer no final do terceiro ato destruição é iminente pois o espaço também se torna cada vez mais escuro mais reduzido mais sombrio e mais aterrorizador o tempo o tempo também tem esta característica de afunilamento nós sabemos que tudo vai começar então com a fatídica batalha de 1578 de alcer kibir eh
no dia 4 de agosto em que muitos jovens da nobreza portuguesa incluindo o Rei Dom Sebastião perderam a sua vida nos campos do Norte de África sabemos também por aquilo que nos é dito pelas personag particularmente pela personagem Dona Madalena que já se passaram 21 anos dessa batalha sabemos também ainda por palavras de Dona Madalena que ainda Antes de casar com Dom Manuel após ter sabido de das notícias do desaparecimento do marido na batalha que Dona Madalena procurou por Dom João de Portugal durante 7 anos passados esses 7 anos casou então com o seu primeiro
amor Dom Manuel e passado um ano do casamento tiveram uma menina que tem agora neste momento em que nós somos introduzidos na ação 13 anos de idade sendo que então O casal ficou casado Durante 14 anos sendo assim e Apesar de nós não termos nenhuma indicação específica na peça de teatro que nos indique o ano em que ela está a decorrer podemos fazer as contas e fazendo as contas sabemos que a peça se decorre em 1599 como exemplo desta localização temporal temos Então as falas de Dona Madalena eh no ato um por exemplo na cena
11 e no ato 2 por exemplo na cena 10 e o Romeiro acaba por confirmar também esta localização temporal no ato 2 já na cena 14 apesar do texto ter sido escrito e no século XIX e sabemos que a primeira representação desta peça de teatro foi em 1843 sabemos que a ação se vai reportar a finais do século 16 o ato um começa então no dia 28 de julho de 1599 numa sexta-feira ao fim da tarde o ato do vai decorrer passada uma semana já no dia 4 de agosto de 1599 também é uma sexta-feira
já de tarde a caminharmos para a noite o ato TR vai decorrer ainda nessa noite e de madrugada também sexta-feira vai ser um dia da semana que vai estar conotada com a tragédia sabemos que a ação começa uma sexta-feira que o segundo ato de cor novamente a uma sexta-feira e muitos outros acontecimentos decorreram a uma sexta-feira por exemplo Dona Madalena casou com Dom João de Portugal há uma sexta-feira o Rei Dom Sebastião faleceu em alca arquibel em alca arquibaldo pela primeira vez a uma sexta-feira o Romeiro volta a uma sexta-feira Manuel de Sousa Coutinho incendeia
o seu palácio a uma sexta-feira temos então aqui e uma prova da progressão eh do tempo cada vez direcionada mais para um afunilamento sendo que inicialmente então aludido pelas personagens temos o tempo da Batalha de alcasser kibir portanto começamos de até antes de 1578 porque antes de 1578 a Dona Madalena casa com o Dom João temos depois então 1578 com a batalha de alcasser kibir temos depois os anos seguintes os S anos seguintes que a Dona Madalena passou à procura de Dom João de Portugal temos depois o casamento de Dona Madalena com o Dom Manuel
no ano a seguir temos depois passados 13 anos de ter nascido a filha então o dia 28/07 a 4/08 durante uma semana o clímax a tragédia vai decorrer então no dia 4 de agosto de 1599 o outro apontamento é o facto de quando o Romeiro chega a casa de Dona Madalena numa das falas dele ele acaba por indicar que esteve um ano eh de viagem desde sair da Terra Santa até chegar agora portanto Dom João começa a sua caminhada um ano antes e quando chega a Portugal demora mais ou menos três dias até chegar à
casa de Dona Madalena que era a sua própria casa o tempo psicológico é o tempo interior das personagens nós vamos sentindo ao longo de toda a peça de teatro particularmente na personagem de Dona Madalena um grande terror da parte dela um um sentimento de medo que ela quase que não cons consegue esconder ela tenta ultrapassar arranjando desculpas eh falando de outras coisas no entanto há quase que uma espada de damocles em cima da sua cabeça e ela não consegue esquecer essa essa figura de Dom João de Portugal a pairar sobre ela como um espectro que
a quisesse levar para além da Morte as personagens com esta fragilidade tornam-se cada vez mais frágeis e o que era já uma doença física por exemplo na dona Maria acaba por ser então Eh ainda mais fragilizado pela parte psicológica e pela descoberta de que Afinal era filha ilegítima todas as personagens vão sentir o peso dessa catástrofe fisicamente mas a catástrofe acaba por ser sentida muito fortemente a nível psicológico tal e qual Como já Almeida Garret tinha dito esta peça de teatro acaba por ter uma índole muito de tragédia clássica porque até as próprias personagens são
em número reduzidos e são quase todas de uma elevada classe social temos então o casal Dom Manuel de Sousa Coutinho e Dona Madalena de Vilhena temos a filha do casal Dona Maria de Noronha temos o primeiro marido Dona Madalena Dom João de Portugal temos o aio de Maria que já tinha sido aid de Dom João de Portugal Telmo pais temos Frei Jorge que é o irmão de Dom Manuel e o cunhado Dona Madalena temos os criados neste caso há aqui um criado particular que é o Miranda e temos também a aia de Dona Maria que
é a Doroteia há aqui uma alusão a uma outra personagem que também é uma personagem histórica que é a dona Joana de Castro que também era freira Manuel de Sousa Coutinho é uma personagem plana podemos considerá-la uma das personagens protagonistas desta peça de teatro é uma personagem que é caracterizada de uma forma muito elogiosa ele é um Nobre Cavaleiro de Malta ele é corajoso ele é racional é muito bom marido muito bom pai e ele é um Pat ota é nacionalista H audaz dá grande importância a valores como a família a honra e é personagem
que é mais próxima do classicismo apesar de também ter ali umas quebras nesta construção muito clássica equilibrada uma personagem que é muito racional há aqui dois momentos em que ele quebra um bocadinho com essas regras clássicas e já está com um pezinho no romantismo um desses momentos sendo o incêndio do seu próprio Palácio e e depois temos então no final quando ele descobre que o Dom João de Portugal estava vivo Dom João de Portugal acaba também por ser um dos outros protagonistas e desta peça de teatro é também uma personagem plana é uma personagem que
é bastante complexa é uma personagem muito contraditória é uma personagem patriota também é corajosa tal e qual como o Dom Manuel ama a sua Pátria morreu por ela sacrificou-se por ela está ligado à lenda do Rei Dom Sebastião no entanto está cheio de sentimentos de Vingança tendo em consideração que ele pensa que a Dona Madalena não quis saber dele para nada e mal soube que ele tinha desaparecido casou imediatamente com o Dom Manuel quando ele sabe que isso não acontece ele tenta ainda e resolver a situação e pois os remorço vêm ao de cima e
no entanto já não consegue é quase como uma espécie de Executor das vontades do destino das vontades fatais do destino o destino estava marcado ele foi um bocado a peça que fez com que tudo se desenrol asse ele acaba Pois por ter os seus roros tenta voltar um bocadinho atrás mas infelizmente já não consegue esta personagem nunca assume a sua identidade as únicas pessoas que ficam a saber que ele é ah o Dom João de Portugal São Frei Jorge Dom Manuel e telm pais mais ninguém fica a saber e no final da peça ele volta
a desaparecer quase como que envolvido no novoe iro em que ele tinha aparecido para voltar para a sua morte é uma personagem também que está ausente na maior parte da peça de teatro aparece apenas no final do eh segundo ato e encontra-se em alguns momentos do terceiro ato no entanto está sempre presente nas personagens quer em pensamentos quer através das suas próprias palavras quer através de perguntas queer através da alusão Dona Madalena de Viena é outra das personagens principais também é uma personagem plana é uma mulher com características tipicamente românticas é na obra é culta
é muito sentimental ela tem um grande complexo de culpa porque na cabeça dela ela tem sempre aquela ideia de que mesmo não tendo sentir fiel ao primeiro marido mas o seu coração já tinha sido entregue a Dom Manuel portanto no aspeto do coração ela tinha sido Infiel ao marido acaba por ser muito torturada por esse remorço do passado é tal espada de damocles que impede que ela seja feliz daí aquela eh passagem que ela se encontrar ali logo na na primeira cena do primeiro ato que é eh o episódio do Dona Ines de Castro eh
dos Lusíadas é uma mulher muito apaixonada ela ama o marido mas também é muito supersticiosa muito pessimista Ah não consegue controlar as suas emoções e acaba por ser muito sensível e muito frágil também Telmo pais Telmo pais é uma personagem mais modelada do que as outras é uma personagem que sabe que vai alterando ele próprio sabe que alterou a sua forma de pensar e de ser no que diz respeito quer a Dom Manuel quer a Dona Maria eh Logo no início do primeiro ato quando ele conversa com Dona Madalena ele realmente diz que inicialmente não
gostava da Dona Maria pois acaba por gostar já eh após eh o incêndio do Palácio ele Confirma com Dona Maria que eh sua maneira de ver o Dom Manuel já mudou inicialmente ele não o tinha em grande consideração mas após aquele ato de coragem de incendiar o palácio para não entrarem lá os governadores Castelhanos ele começou a vê-lo com outros olhos e a admirá-lo ele vai ser a tal Voz da Consciência às reminiscências do couro da tragédia clássica que vai estar constantemente a lembrar a Dona Madalena as culpas do seu passado no final essa característica
de personagem modelada volta outra vez a a revelar-se quando ele próprio fica contente por saber que o Dom João de Portugal voltou e logo no momento a seguir entristece porque sabe o que é que isso significa para Dona Maria Dona Maria de Noronha é uma outra personagem muito importante na história também é uma personagem plana é uma das vítimas inocentes desta tragédia ela é também uma personagem Nobre é uma jovem de 13 anos precocemente desenvolvida pois a mãe está sempre a dizer que a filha não faz aquilo que normalmente uma criança da idade dela Faria
psicologicamente ela é uma pessoa muito inteligente a nível físico eh está doente com eh algumas características que nos permitem indicar que ela está com tuberculose tem também o dom da profecia através dos seus sonhos portanto podemos dizer que ela quase uma Encarnação da menina e moça do livro saudados de bernardin Ribeiro que aliás é uma citação que nós temos no segundo ato e vai ser então também o modelo da mulher romântica ela é a nossa mulher anjo Frei Jorge Frei Jorge é uma personagem secundária é o irmão de Manuel de Sousa e vai ser a
par com Telmo também a outra reminiscência do couro ele é alguém que impede que a tragédia não se concretize tal como o o O Dom João de Portugal era quase que O Executor do destino o frei Jorge vai impedir que as personagens voltem atrás vai impedir que Telmo eh Cumpra as instruções de Dom João para dizer então Afinal que aquilo era tudo mentira Portanto ele é muito amigo da família da ordem dos dominicanos e é um grande confidente de Dona Madalena naqueles seus momentos mais angustiosos vai ser a pessoa que vai presenciar já no terceiro
ato as fraquezas de Manuel de Sousa acaba também por por entristecer-se com a tragédia toda da Família com a morte de dona Maria e com a entrada para o convento do irmão e da cunhada a nível da simbologia podemos dizer que quase toda a obra tem sempre momentos que podemos considerar simbólicos quer seja através do espaço quer seja através do tempo quer seja através das próprias indicações cénicas eh e através também das falas das personagens podemos dizer que logo no no início quando a Dona Madalena se encontra a ler os versos de Camões começamos já
a pagear que vai acontecer algo de desgraça pois tal como Don nenês também era muito feliz mas acabou por morrer portanto começamos a perceber que se vamos começar uma peça de teatro com essa citação é porque nos querem chamar a atenção precisamente para isso portanto sabemos também que a sexta-feira é um dia bastante simbólico especialmente para Dona Madalena ela considera o dia de azar a noite vai ser uma parte muito integrante desta Peça também porque praticamente quase tudo que ocorre de mal ocorre durante a noite os números que vão surgir também nesta peça de teatro
acabam por ter uma carga simbólica muito forte podemos Então falar do número sete que é o número de anos de busca que passou a Dona Madalena a procurar o marido é um número primo é um número que se liga ao final de um ciclo sabemos que a fase da lua dura cerca de sete dias os dias da semana são sete portanto podemos dizer que neste caso o número sete aparece a indicar o destino a Fatalidade a tragédia que vai acontecer no final de um ciclo o número 14 é também eh um número bastante simbólico é
o tempo de casamento de Dom Manuel com Dona Madalena neste caso podemos dizer que é 2 x 7 e 2 x 7 acaba por ser uma ideia de dupla felicidade felicidade pelo casamento por um lado e felicidade pelo nascimento de Dona Maria por outro podemos também que acaba por ser uma junção este 14 do 1 + 4 e ser o número CCO e o número C pode ser considerado então o símbolo da relação sexual como se fosse o Ato de Amor portanto é o símbolo deste casamento que está abençoado supostamente por Deus espiritualmente e também
fisicamente através da filha do casal o número 21 eh é o tempo da ação sabemos que é o número de anos que decorreu desde a batalha da alcasser kibir Este número é constituído pelo triplo de sete portanto é três vez vezes 7 e neste caso sete acaba por completar uma Tríade que vai dar origem à morte estamos a direcionar noos já para a Fatalidade perfeita três porque é o número da perfeição sete porque é o número da Fatalidade e da tragédia e Então temos o 21 e o 21 é 3 x 7 o número 13
é o número da idade de Dona Maria é o número de azar na crença Popular que estamos a falar do Romantismo ou das crenças populares tinham um grande Impacto o número 13 significa azar inicialmente o número 13 sempre foi um número muito positivo eh uma vez que é um número ímpar e em numerologia ele é gerado pelo número um e pelo número três o que vai dar origem ao quatro TRS é também o número de elementos da família que inicialmente é o número da perfeição Mas se nós pensarmos que logo no final do primeiro ato
é destruído o quadro de Dom Manuel desses três acaba quase Por dizermos que morre o chefe de família ído naquele retrato portanto temos cá já também uma pista para a tragédia que aí vem o incêndio do Palácio de Dom Manuel É também um símbolo de patriotismo é uma maneira um in Extremis de defender aquilo que nós consideramos Nacional contra e invasores Castelhanos temos então aqui duas personagens temos o Dom Manuel e o Dom João de Portugal que acabam também por simbolizar o Portugal de duas eras Dom João representa um Portugal mais direcionado para o passado
e o Dom Manuel já é um eh Portugal do Futuro quanto à linguagem e Ao estilo em Frei Luís de Sousa podemos então afirmar tal como já tínhamos dito anteriormente que a obra foi escrita em prosa e não em verso Vamos encontrar então muitas marcas do Diálogo ao longo da peça quer pelas estruturas frásico quer pela própria sonoridade Vamos encontrar então características muito próprias da da coloquialidade e da oralidade os aspectos que mais estruturam a linguagem da obra São Então os seguintes a nível lexical temos o uso de repetições temos também o uso de interjeições
ou locuções interjetivas por parte das personagens a repetição do próprio advérbio hoje acaba por intensificar a emoção da personagem que eh se encontra a falar temos palavras que acabam por substituir frases neste caso podemos dar o exemplo da resposta do Romeiro a Frei Jorge quando no final do ato dois já na cena 15 ele lhe pergunta Romeiro Romeiro Quem és tu e ele responde apenas ninguém sendo que nada mais há a dizer e só essa palavra tem um mundo de sentimentos e um mundo de informação dentro dela a nível sintático temos também muitas hesitações temos
muitas frases in acabar o registro de língua eh é um registro mais familiar mas sempre muito cuidado a nível da prosódia temos a entoação a traduzida através dos vários tipos de frases que são utilizadas temos ritmos que acabam por ser alternados entre ritmo mais lento ou ritmo mais acelerado consoante aquilo que as personagens se encontram a sentir no momento temos também muitas pausas que indiciam e os constrangimentos e as hesitações das personagens a nível da pontuação o uso das reticências e o uso do ponto de exclamação sugerem uma grande tensão dramática e emocional no que
diz respeito à Dona Madalena a linguagem utilizada por ela revela muito da sua personalidade emocional daí que seja ela uma das que mais usa as reticências e os pontos de exclamação por exemplo as interjeições Dom Manuel já revela um discurso com uma grande cultura uma grande objetividade com uma grande força uma grande segurança Dona Maria no seu discurso já se mostra muito mais subjetiva muito mais fantasista já mostra também aquela faceta mais Profética e sebastianista tanto que todo o discurso dela acaba por entrar muito dentro desse mito quanto a Telmo temos também no seu discurso
características de um temperamento muito romântico e que traduzem muito aquela ligação que ele tem entre o passado e o presente Porque tal e qual como a Dona Madalena ele é uma espécie de ligação faz uma ponte entre o Dom João e neste caso a Dona Maria Frei Jorge Frei Jorge através da maneira como fala mostra o seu eruditismo mostra também uma grande objetividade que vai ser uma característica muito forte desta personagem e que se liga ao facto Dee nunca deixar de tentar eh conseguir concretizar a ideia de paz e de tranquilidade e de arranjar uma
solução que agrada toda a gente no Romeiro notamos naquilo que é o discurso dele uma grande angústia uma grande vontade de se vingar uma grande fome de Vingança tristeza e obviamente também uma certa desilusão Face a esse destino que lhe roubou a própria vida e que vai fazer com que ele volte de novo ao Anonimato terminamos aqui então o estudo de frei luí de Sousa de Almeida Garret e terminamos também o estudo da sequência 2 do 11º ano da disciplina de português obrigada e até à próxima Y