Eu costumo orientar que identificar o padrão inconsciente é o primeiro passo para começar a romper esse ciclo repetitivo. Por que razão? Não existe ruptura sem identificação da origem do problema.
Então, a primeira coisa que você precisa compreender é que você não vai levar o seu cliente a essa percepção, a essa compreensão, a essa identificação. Se você não fizer isso primeiramente com você. Eu costumo dizer assim que de fato numa situação dessa é cego guiando cego.
Então a primeira coisa que você precisa é tomar consciência sobre o seu padrão inconsciente de comportamento e consequentemente do seu cliente também para que haja uma boa solução naquilo que você precisa curar dentro de você para ajudar o seu cliente fazer o mesmo caminho que o dele. Algumas falas elas são bem comuns no consultório. Por exemplo, sempre escolho pessoas iguais.
Acho que eu tenho um dedinho podre, né? Eu faço tudo certo, mas nada muda. Eu trabalho muito, mas na hora que eu tô começando a ganhar dinheiro, vem alguma crise, alguma dificuldade, algum problema e eu acabo perdendo tudo.
Eu nunca sei dizer não. Eu nunca, as pessoas me fazem de boba, né? Acho que tem algo errado comigo, nada para mim dar certo.
Então, essas falas elas revelam alguns padrões inconscientes de comportamento repetitivos. A primeira coisa que eu quero te convidar a perceber é quais são as falas que caberiam agora a seu respeito. O que que se repete na sua vida que você ainda não conseguiu ter uma boa solução ou em qual área da sua vida você ainda não teve eh o retorno que você merece ou o retorno proporcional àquilo que você vem buscando ao longo da sua vida?
Então eu preciso dizer para você que pra gente identificar o seu padrão inconsciente, o primeiro passo é a observação. Não existe identificação de padrão inconsciente sem autopercepção. Você precisa começar a se perceber quais são as crenças que saem da sua boca, porque as crenças elas são formadas a partir do padrão inconsciente de comportamento.
Até fiz algumas anotações bem importantes aqui, ó, que é fundamental para que a gente tenha um uma boa solução no processo terapêutico do seu cliente, você tomar cuidado com duas coisas. Primeiro, não repetir o padrão inconsciente do seu cliente dentro da relação terapêutica, dentro da relação profissional. O que que significa isso?
Eu vou dar um exemplo muito claro. aquele cliente que tudo que ele recebe da mãe é pouco, que tudo o que a mãe faz não é bom o suficiente, que o fato da mãe ter dedicado a vida a ele e ter feito as coisas acontecerem eh não foi bom, não foi o que ele gostaria, não foi o que ele queria, ele tende a repetir esse padrão inconsciente em todas as relações que ele passar. Ele na relação de casal, tudo que ele recebe é pouco.
Ele tá sempre querendo mais, mais, mais, mais, mais. É a pessoa que não se sente saciada, ela não se sente nutrida. Mas entenda, essa pessoa não está sendo nutrida não é porque ela não recebe o alimento, é porque ela recebe o alimento e despreza.
Ela recebe a nutrição e joga fora. Um cliente que tem esse padrão inconsciente de comportamento, ele vai pra relação com você, ele vai para o tratamento com você e mais cedo ou mais tarde ele vai acabar se comportando da mesma maneira. ele vai acabar eh desprezando o que você tá entregando para ele.
Ele vai te cobrar como se ele tivesse recebendo pouco ou se ele tivesse recebendo errado. Ele vai te comparar com outros profissionais, ele vai te colocar muita pressão. Se você não conhece o seu padrão inconsciente de comportamento, facilmente ele vai acionar um gatilho em você.
Então, outro cuidado que você precisa ter para que a dor do cliente ou o padrão inconsciente dele não desperte os seus gatilhos. Você precisa tomar cuidado também para não reagir aquilo que o cliente fez a partir do gatilho que ele disparou do seu padrão inconsciente. Compreende?
Então a gente precisa entender assim, é tarefa do terapeuta evitar a repetição do padrão inconsciente dentro do consultório. Vamos voltar nesse exemplo. pessoa que tá sempre insatisfeita com o que ela recebe.
Essa pessoa, ela tende lá fora do consultório a jogar com todo mundo, eh, usando essa pressão, usando as queixas, usando a insatisfação para receber mais do outro. A tendência das pessoas é corresponder isso, entregando mais, mais, mais, mais. E essa pessoa vai pedir mais e essa pessoa vai tá sempre pressionando o outro.
E o padrão inconsciente de quem vive essa relação é se esforçar para entregar. Se o seu cliente chegou no consultório, ele tem esse padrão de comportamento inconsciente e você ao invés de se posicionar e dizer para ele: "Olha, eu tô te entregando o meu melhor, é isso que eu tenho, eu acho que você precisa aprender a receber, porque afinal de contas não é isso que você faz nos seus relacionamentos". Se o profissional, ao invés de se posicionar com essa clareza, entra na dinâmica de entregar mais, sem trabalhar o comportamento inconsciente do cliente, essa relação já fracassou.
Porque se o seu cliente repete dentro do consultório o padrão dele inconsciente de comportamento lá fora, a cura já tá inviabilizada, ok? E eu estou explicando esses dois cuidados que você precisa ter para que você realmente se responsabilize em compreender melhor como você funciona. E outro ponto, eu quero trazer um exemplo muito frequente é nos casos, por exemplo, do cliente tem aquele padrão inconsciente de comportamento de abandonar o relacionamento no meio no meio dele, né?
Vamos supor o cliente que tá no processo terapêutico, eh, os resultados tão bons, né? Tá se aproximando do fim, aí na sexta, sétima sessão, ele simplesmente desaparece, não te atende mais e você manda várias mensagens, seu horário fica preso, afinal de contas, ele já pagou para você, né? Eh, vocês já estão fazendo um trabalho que inclusive gerando vários resultados, de repente ele para de te atender, para de aparecer, não dá satisfação e fica por isso.
É muito comum que diante de uma situação dessa, se o profissional não está curado, né, se o profissional não tem consciência das suas dores, do seu padrão inconsciente, tem muitos, tem muitos profissionais que eles têm o seguinte padrão: eu te abandono antes de você me abandonar. Então, o que é necessário ser feito para cura? Quando esse cliente aparecer, o profissional vai conduzi-lo para perceber o padrão inconsciente de comportamento, orientá-lo e ajudá-lo na mudança desse comportamento.
Vai mostrar para ele que esse tipo de comportamento só tira força. Mas se esse comportamento pegou na dor não resolvida desse profissional e aí acessou a dor do abandono da rejeição, qual é a tendência então desse profissional? Ah, já que ele quer isso, é melhor assim.
Eu vou devolver o dinheiro para ele. Só que eu preciso te lembrar o seguinte, você pode devolver o dinheiro para ele, não ter que lidar com a ferida que ele tocou ao disparar esse gatilho, né? Só que você não ajudou o seu cliente, porque ele veio justamente para romper esse padrão.
Ele veio justamente para aprender a não abandonar as pessoas, a não deixar as pessoas no meio do caminho. Se você aceitou o comportamento dele sem tratar o comportamento dele, você validou o padrão inconsciente de comportamento dele. E isso acontece com muita frequência nos processos terapêuticos.
a gente valida o padrão inconsciente do cliente porque nós não conhecemos as nossas dores e o nosso padrão inconsciente. Então, meu estímulo aqui, sem dúvida, é principalmente que você possa agora então conhecer mais a fundo o seu padrão. E como é que nós vamos fazer isso?
já disse que pela autopercepção. Eu coloquei um questionário aqui para que você possa responder com algumas perguntas bem relevantes de autopercepção, mas eu quero lembrar você que se tem uma coisa aqui que nós não vamos fazer, é se aqueles profissionais ficam analisando, analisando, analisando e interpretando tudo. O objetivo aqui não é se analisar, se julgar, criar um rótulo para você.
O objetivo aqui é você realmente conhecer como você funciona, independente da classificação desse comportamento. Então, preencha o questionário que tá aqui para você, tá? E comece a se observar nos próximos dias com intensidade maior do que você já fez até aqui.
Observa como você reage, sobretudo porque assim, ó, deixa eu te explicar uma coisa. agir é relativamente fácil, porque na ação a gente pode, com certeza controlar com a consciência um pouco do nosso comportamento, mas a gente conhece realmente como a gente é nas reações. Eu lembro um dia que eu tava fazendo um trabalho com uma pessoa da equipe, ela errou e foi um erro muito grave porque era um lançamento, tava tudo orquestrado, né?
tinha tudo para dar certo e aí por uma pequena falha nós perdemos o resultado do lançamento, né? E aí a pessoa no final vem me agradecer porque eu mantive a paciência e conversei com ele tranquilamente. E aí isso depois para mim ficou muito claro o seguinte: você conhece a pessoa mesmo, não é na ação dela, é na reação.
Quando a pessoa reage, nós conhecemos de fato como ela é. E é isso que eu quero que você comece a enxergar agora, antes de pensar no contexto do seu cliente, como você é, de que maneira você reage aos seus desafios, de que maneira você reage frente às dificuldades, qual é a sua forma de tratar as pessoas quando a situação não está sob o seu controle? Como é que você fica quando você tá sobrecarregado, quando você tá pressionado?
Quem de fato você revela que postura é a mais frequente em você? Ok? Ou quando você precisa ou quer ou tá carente e tem necessidade de ser validado, reconhecido, amado, acolhido, de que maneira você se comporta?
Esse questionário é só uma direção para você praticar autopercepção. E eu vou te dizer algo bem importante. Não pense que esse material é para se resumir a uma atividade de uma semana.
Eu quero te convidar a compreender que essa é uma postura constante de todo profissional que trabalha com desenvolvimento humano, com psicologia. Nós precisamos nos conhecer e nos desenvolver diariamente. Então essa reflexão é uma nova forma de se perceber no dia a dia, ok?
E assim que você tiver mais clareza sobre o seu padrão inconsciente de comportamento, isso inevitavelmente vai acontecer em relação ao seu cliente também. Então eu quero que você faça essa autoanálise e depois me conte, me conte aqui como é que foi se perceber, o que que você tem descoberto, o que que faz sentido, o que que precisa ser melhorado ou quais são os seus pontos fortes. Porque a gente também tem, já disse isso aqui algumas vezes, no padrão inconsciente de comportamento, os comportamentos positivos que se repetem, não só os comportamentos desafiantes.
E aí a gente pode falar de alguns padrões de comportamentos que são usuais. Por exemplo, o padrão inconsciente de escassez. É aquela pessoa que tá sempre olhando pro que falta ou tendo medo de perder o que ganhou.
Ela tem sempre uma visão é de dificuldade, eh uma dificuldade tremenda de reconhecer o que se tem. Esse é um padrão inconsciente. A insubordinação também é um padrão inconsciente.
Eu devo lembrar que o padrão inconsciente que a gente tem com os nossos pais, nós repetimos em todas as relações. Então, dificilmente uma pessoa que foi insubordinável aos seus pais, ela vai permitir ser comandada por outras pessoas, por outras figuras de autoridades ou outras pessoas que ela conhecer na vida. Funciona assim.
Se a pessoa tem facilidade de ser conduzida, de ser liderada, de receber direção, ela facilmente vai exercer também essa habilidade de liderar, né, de conduzir, de orientar. Mas aquela pessoa que resistiu sobretudo à liderança dos pais e se portou como uma pessoa insubordinável, ela vai repetir esse padrão de comportamento também. por exemplo, num relacionamento de casal, no trabalho, né, com as pessoas que ela convive, com o superior imediato dela nas festas com os amigos, né, quando o amigo às vezes sume a liderança para tomar a decisão, por exemplo, de uma viagem, que é algo comum e bom para todos, essa pessoa vai est sempre ali eh fugindo dessa liderança e consequentemente trazendo prejuízos paraas relações dela, porque Afinal de contas, a vida é isso, né?
Num momento você tá liderando, no outro momento você tá sendo liderado. Você pode ser competente em muitas coisas. Por exemplo, aqui eu sou extremamente competente nisso que eu tô fazendo, mas eu não entendo nada da tecnologia para filmar isso aqui.
Então, né, nesse caso, tô aqui vendo a Rebeca na minha frente. A Rebeca tem domínio disso. Eu preciso deixar que ela me lidere, que ela diga o que é melhor, o que que eu devo fazer, o que que eu não devo fazer, né?
Então assim, se você for parar para observar, todos os relacionamentos, eles funcionam exatamente dessa forma. Em um momento você lidera, em outro momento você é liderado. Esse padrão é um padrão que a gente precisa observar, tá?
Aqui nós falamos também do padrão inconsciente da pessoa que se se doa excessivamente. Esse padrão excessivo de doação, ele geralmente tá ligado às questões de vida introuterina, as questões de infância, né? mas em função de feridas emocionais.
E aí eu devo lembrar que seja qual for o padrão inconsciente, nós somos feridos pelas pessoas que nos amam, exatamente porque elas não se conhecem, elas não sabem como elas funcionam, portanto, elas ficam vulneráveis a seus sentimentos e as suas emoções. E é exatamente por isso que você também fere as pessoas, porque você não se percebe, você não se conhece, você não tem clareza do seu padrão inconsciente. E aí você tende a deixar que as suas emoções e os seus sentimentos não curados, que estão registrados no seu corpo, domine o seu organismo e aí você fica submetido a esse padrão que se repete.
E aí eu posso falar de vários pontos importantes, né? A culpa, a pessoa que se sente culpada por tudo, a raiva, a pessoa que diante de qualquer situação que foge o controle dela, ela tá sempre reagindo de forma raivosa, às vezes expressando isso. Tem pessoas que são explosivas e mostram isso e tem pessoas não, que sentem muita raiva e isso fica guardado internamente, ela não manifesta, tá?
Eh, o medo também, né, é um padrão inconsciente muito forte. Tem pessoas que olham pra vida, a vida tá cheia de recurso e ela só vê problema e risco. Então, eu já sei o que que você vai me pedir.
Eu tenho certeza que agora você quer que eu liste para você todos os padrões inconscientes que existe. E eu quero dizer que tem muitas abordagens que até fazem isso, mas aqui eu não vou estimular você a esse comportamento, porque se você pegar um padrão para classificar você e classificar o outro, você vai reduzir as possibilidades de avanço e evolução que você tem e ele também. Então, é um trabalho de autoconhecimento e não um trabalho de análise e julgamento definitivo.
Eu quero te desestimular a ter essa postura, a ser um profissional que analisa e diga: "A pessoa é assim, a pessoa é assado, ela vai ser sempre assim ou ela ela só sabe reagir dessa maneira? " Porque eu de fato acredito que o ser humano é surpreendente, ele é capaz de todas as mudanças e de sair da escravidão emocional quando ele de fato está disposto. E é por isso que você tá aqui.
Eu tenho certeza que foi por isso que você escolheu essa formação. Então nós não vamos abrir mão dessa postura. Vamos paraa próxima aula.
M.