meu nome é Luana tenho 19 anos e minha vida estava longe de ser perfeita mas eu gostava de pensar que tudo tinha um jeito minha mãe Neusa era o tipo de mulher que enfrentava as dificuldades da vida com unhas e dentes mas quando se tratava do coração parecia perder toda a racionalidade isso ficou ainda mais Evidente depois do término com Valdir seu ex-namorado eles haviam se separado há meses e o motivo era um segredo que minha mãe tentava esconder a todo custo Mas eu sabia a verdade Valdir descobriu que ela o havia traído não sei
com quem nem os detalhes mas a decepção dele era Evidente ele era um homem correto do tipo que preza pela honestidade e não conseguiu perdoar o que minha mãe fez apesar disso ele ainda morava no mesmo quintal que a gente nosso terreno tinha duas casas uma na frente onde eu e minha mãe vivíamos e outra nos fundos onde ele ficou Depois da separação minha mãe dizia que ele não tinha condições de ir embora e que expulsá-lo seria crueldade mas no fundo eu sabia que era apego ela ainda gostava dele e alimentava a esperança de que
ele voltasse Valdir era um homem maduro dono de uma presença marcante ele era calmo sempre educado comigo mas mantinha certa distância que deixava claro que eu era apenas a filha da Neusa não vou mentir eu o achava charmoso mas nunca pensei muito além disso para mim ele era apenas o ex da minha mãe um homem que ocupava espaço demais em nossas vidas Mas as coisas começaram a mudar numa noite que eu nunca vou esquecer era uma sexta-feira e minha mãe estava mais ansiosa do que o normal ela havia passado o dia inteiro mexendo em suas
velas e ervas falando baixinho sobre o quanto precisava dar um jeito na situação com Valdir eu já sabia onde aquilo ia dar em mais um dos seus rituais espirituais dessa vez ela estava decidida a buscar ajuda de um macumbeiro conhecido na cidade você vem comigo Luana ela disse enquanto escolhia um vestido vermelho que parecia exagerado demais para a ocasião Por quê não tenho nada a ver com isso retruquei irritada porque você precisa aprender como as coisas funcionam E por que não quero ir sozinha ela respondeu em um tom que não admitia discussão Eu sabia que
discutir era inútil Quando minha mãe colocava uma ideia na cabeça na nada a fazia mudar de opinião relutante vesti um moletom e segui com ela chegamos ao pequeno terreiro já tarde da noite o ambiente era cheio de velas acesas um cheiro forte de incenso e um ar de mistério que me deixava desconfortável o macumbeiro um homem de meia idade chamado seu Agnaldo nos recebeu com um olhar penetrante e um sorriso enigmático minha mãe explicou sua intenção Sem Rodeios ela queria um trabalho para trazer Valdir de volta o homem ouviu tudo com atenção acenando lentamente e
depois começou a preparar o ritual eu fiquei ao lado calada tentando ignorar a sensação estranha que me envolvia O Ritual envolveu velas rezas e até uma foto do Valdir que minha mãe havia trazido escondida seu Agnaldo parecia concentrado mas em um determinado momento ele parou e olhou diretamente para mim você está aqui mas não deveria Fiquei confusa e de desconfortável mas antes que pudesse perguntar o que ele queria dizer ele voltou ao trabalho quando o ritual terminou minha mãe estava visivelmente animada como se já tivesse certeza de que Valdir voltaria para ela eu por outro
lado só queria ir embora e esquecer aquela noite no início eu não notei nada de diferente a semana seguiu normalmente Ou pelo menos foi o que eu pensei mas então comecei a perceber pequenos detalhes que não faziam sentido primeiro era como se presença de Valdir tivesse se tornado mais evidente eu sempre o via no quintal Mas de repente parecia que eu sentia sua presença antes mesmo de ele aparecer era como se houvesse uma conexão invisível entre nós quando ele passava perto eu sentia um leve arrepio na nuca algo que nunca havia acontecido antes depois vieram
os pensamentos comecei a me lembrar dele em momentos aleatórios do dia mesmo sem querer estava lavando a louça Valdir me vinha à cabeça deitada no sofá assistindo TV eu me pegava imaginando o que ele estava fazendo no início tentei ignorar achando que era apenas curiosidade ou coincidência mas a coisa piorou certa noite enquanto eu estava na área Valdir apareceu para fechar o portão dos Fundos era uma cena completamente normal algo que ele fazia toda a noite mas por algum motivo meus olhos ficaram fixos nele ele usava uma camisa simples o cabelo levemente bagunçado e havia
algo em sua a postura que me prendeu Quando Ele olhou para mim e deu um aceno de cabeça senti um calor estranho no peito Tudo bem Luana ele perguntou com a voz baixa e tranquila Sim tudo bem respondi tentando parecer normal mas por dentro meu coração estava disparado e eu não entendia Porquê a coisa começou a ficar mais clara quando os sonhos apareceram no início eram vagos eu sonhava que estávamos conversando andando pelo quintal como dois amigos mas com tempo os sonhos ficaram mais intensos eu me via rindo com ele segurando sua mão e até
mesmo sendo abraçada acordava com uma sensação estranha uma mistura de calor no peito e um nó na garganta foi aí que comecei a entender algo estava acontecendo comigo e quanto mais eu tentava afastar aqueles pensamentos mais eles se intensificavam eu não sabia como mas tinha certeza de que aquilo estava ligado ao ritual que minha mãe havia feito e se o feitiço não tivesse funcionado do jeito que ela queria e se em vez de trazer Valdir para ela ele tivesse me afetado de alguma forma era uma possibilidade assustadora mas o que me assustava ainda mais era
perceber que apesar de tudo o que eu sentia parecia real não era apenas uma atração inexplicável era algo mais profundo eu estava me apaixonando por ele e ao mesmo tempo sabia que isso poderia destruir tudo nos dias que se seguiram ao ritual a situação no quintal parecia mais ou menos a mesma pelo menos para minha mãe Valdir continuava com sua rotina distante e reservado Sem demonstrar nenhum interesse em voltar a falar com ela para minha mãe aquilo era a prova de que o trabalho não tinha surtido efeito Eu sabia que deveria ter pedido algo mais
forte ela comentou frustrada enquanto mexia no chá que preparava na cozinha Eu apenas ouvi calada enquanto lavava a louça não queria olhar para ela se soubesse o que estava acontecendo comigo talvez não ficasse tão preocupada com a falta de reação de Valdir Afinal o trabalho tinha funcionado sim só que na pessoa errada eu ainda lutava para entender o que estava acontecendo comigo a cada dia parecia que minha atração por ele ficava mais forte era como se um ímã invisível nos ligasse e por mais que eu tentasse evitar não conseguia parar de pensar nele o pior
era que ele parecia estar percebendo algo também seus olhares demorados a maneira como suas palavras pareciam mais gentis comigo tudo indicava que algo estava mudando entre nós Mas eu sabia que aquilo não era normal não podia ser tinha que ser culpa do feitiço minha mãe não demorou a decidir que precisava tentar de novo eu vou voltar lá no seu Agnaldo ela anunciou uma noite enquanto tirava a mesa do jantar alguma coisa deu errado e eu quero saber o que foi meu coração disparou a ideia de voltar ao terreiro fez meu corpo inteiro gelar por mais
que eu tivesse tentado esquecer aquele lugar sabia que tudo começou ali talvez se eu voltasse pudesse entender o que estava acontecendo ou até mesmo desfazer o que fosse que tinha me afetado eu vou com você falei tentando soar casual minha mãe me olhou Surpresa por quê você nem queria ir da última vez eu só quero ver como funciona Fiquei curiosa respondi tentando disfarçar meu nervosismo ela hesitou por um momento mas acabou aceitando tudo bem Vamos amanhã à noite no dia seguinte tentei me preparar para o que encontraria não sabia exatamente o que esperava conseguir indo
até lá mas algo dentro de mim dizia que precisava ir chegamos ao terreiro já tarde da noite Seu Agnaldo nos recebeu com seu olhar penetrante que parecia enxergar mais do que deveria não funcionou ele perguntou Sem Rodeios ao ver minha mãe não do jeito que eu esperava Ela respondeu visivelmente desconfortável ele acenou com a cabeça e começou a preparar o espaço para um novo ritual dessa vez enquanto ele mexia em suas ervas e velas eu me senti estranhamente inquieta era como se algo estivesse acontecendo ao meu redor algo que eu não conseguia ver mas podia
sentir você trouxe a foto dele de novo seu Agnaldo perguntou minha mãe entregou a mesma foto de Valdir que havia usado Antes quando ele colocou a foto no altar e começou a rezar senti um calafrio percorrer minha espinha era como se algo dentro de mim estivesse reagindo àquelas palavras como se houvesse uma ligação invisível que me conectava ao que ele estava fazendo por um momento considerei interromper queria perguntar se ele podia desfazer o trabalho mas não tive coragem Minha mãe estava tão concentrada tão esperançosa que não consegui dizer nada Voltamos para casa tarde da noite
minha mãe parecia aliviada como se estivesse certa de que dessa vez tudo daria certo eu por outro lado estava ainda mais confusa os dias que se seguiram só pioraram minha situação a atração que eu sentia por Valdir que já era intensa parecia estar ficando insuportável cada vez que eu ouvia sentia como se meu coração fosse explodir houve uma tarde em que ele passou pelo quintal sem camisa carregando algumas madeiras para a oficina era uma cena completamente banal mas eu não conseguia tirar os olhos dele o jeito como os músculos do braço dele se moviam o
brilho de suor em sua pele era como se tudo nele estivesse me hipnotizando está tudo bem Luana ele perguntou Parando para me olhar eu demorei para perceber que ele estava falando comigo meu rosto ficou vermelho Na hora e eu olhei para o chão tentando disfarçar Sim tudo bem murmurei sem coragem de encará-lo ele sorriu de leve aquele sorriso que parecia tão casual mas que me fazia sentir como se o mundo tivesse parado sonhava com Valdir me segurando me tocando dizendo coisas que faziam o meu corpo inteiro arrepiar eu acordava com a respiração pesada o coração
disparado e uma culpa que parecia me esmagar durante o dia tentava agir normalmente mas era impossível eu não conseguia pensar em mais nada além dele cada gesto cada palavra parecia me puxar ainda mais para perto e o pior era que ele parecia perceber isso Houve um momento em que eu estava estendendo roupas no varal e ele apareceu como fazia tantas vezes para consertar algo na oficina dessa vez ele se aproximou Você está diferente ele disse do nada enquanto me ajudava a pendurar uma toalha meu coração quase parou Como assim perguntei tentando soar casual mas minha
voz saiu trêmula ele me olhou por um momento como se estivesse tentando decifrar algo não sei parece mais distraída eu ri nervosa tentando mudar de assunto mas aquele olhar ficou comigo o resto do dia sabia que precisava fazer alguma coisa mas ao mesmo tempo eu não sabia se queria que mudasse e o mais assustador era perceber que ele também parecia estar sendo afetado mesmo que nenhum de nós tivesse coragem de admitir depois de dias tentando evitar qualquer interação com Valdir e falhando miseravelmente Aconteceu algo que tornou tudo ainda mais complicado era um dia comum mas
marcado por uma tensão inexplicável minha mãe tinha saído cedo para resolver algo na cidade e eu estava sozinha em casa era raro ter aquele silêncio no quintal e a ausência dela parecia me dar um pouco mais de coragem mesmo que eu não soubesse para quê resolvi fazer um bolo quando percebi que o pote de açúcar estava vazio por reflexo pensei em ir até o mercadinho na esquina mas o calor estava insuportável então olhei pela janela em direção à casa de Valdir ele estava lá sentado na varanda mexendo em algo que parecia um rádio velho hesitei
por um momento mas a necessidade de açúcar ou talvez a vontade de vê-lo falou mais alto peguei um copo vazio e fui até lá quando me aproximei da varanda deixasse Valdir olhou para cima e deu um sorriso breve como sempre fazia oiana ele disse com a voz calma e acolhedora o que você manda levantei o copo como se fosse uma bandeira branca você tem um pouco de açúcar Acabou lá em casa e eu preciso para terminar um bolo Ele riu baixinho e se levantou secando as mãos em um pano que tinha no ombro Claro entra
aí vou pegar para você pisar na casa dele era algo que eu nunca tinha feito e isso me deixou ainda mais nervosa o espaço era simples mas arrumado pode sentar ele disse apontando para uma cadeira próxima à mesa fiquei ali meio sem jeito enquanto ele abria o armário e pegava o pote de açúcar quanto você precisa Ah só um pouco meio copo já tá ótimo ele se virou com o pote e começou a despejar o açúcar no copo mas parecia estar me observando de canto de olho era Sutil mas o suficiente para me deixar ainda
mais nervosa quando terminou colocou o copo cheio na mesa e se sentou na cadeira à frente você anda quieta ultimamente ele comentou enquanto mexia distraidamente no pote de açúcar quieta eu tentei rir mas saiu nervoso É parece diferente mais pensativa ele me olhou diretamente dessa vez seus olhos escuros fixos nos meus como se estivesse tentando entender algo que nem eu conseguia explicar eu desviei o olhar sentindo meu rosto queimar deve ser coisa da sua cabeça Talvez seja ele disse mas o tom da voz parecia sugerir que não acreditava muito nisso Houve um momento de silêncio
e eu senti que precisava sair dali antes que algo acontecesse algo que eu não sabia explicar mas que parecia estar prestes a explodir dentro de mim bom obrigada pelo açúcar disse levantando apressada mas antes que pudesse pegar o copo Valdir colocou a mão sobre a mesa perto da minha espera um pouco minha respiração ficou presa na garganta não era um pedido autoritário mas havia algo na voz dele que me fez parar Luana ele hesitou como se estivesse escolhendo bem as palavras você sabe que pode falar comigo né Qualquer coisa eu não sabia o que responder
minha mente estava em um caos completo e a proximidade dele só piorava tudo o calor da mão dele mesmo sem me tocar parecia irradiar pela mesa eu sei murmurei sem coragem de levantar os olhos Ele soltou um suspiro e se recostou na cadeira quebrando ação por um momento mas o ent nós era mais pesado do que qualquer palavra Desculpa se pareço intrometido ele continuou com um tom mais leve mas você anda diferente mesmo e sei lá me preocupo Minha vontade era gritar que ele estava certo que tudo em mim estava diferente que ele era a
Razão de Todo aquele turbilhão Mas em vez disso peguei o copo de açúcar e me levantei não precisa se preocupar tudo bem Falei rapidamente tentando soar convincente brigada de novo ele ficou sentado me olhando enquanto eu saía podia sentir o peso do Olhar dele nas minhas costas e isso só fazia meu coração bater mais rápido quando cheguei em casa fechei a porta e me apoiei nela tentando recuperar o fôlego meu corpo inteiro parecia estar em Chamas e meu coração não parava de martelar no peito depois que voltei para casa meu coração ainda estava descompassado o
que havia acabado de acontecer era como se se o ar ao meu redor estivesse mais pesado carregado de algo que eu não sabia explicar sentei-me no sofá abraçando o copo de Açúcar como se fosse um amuleto tentando recuperar o fôlego e entender porque cada interação com Valdir parecia mexer tanto comigo mas eu não tinha muito tempo para processar o que sentia pouco depois houve passos no quintal olhei pela janela e vi Valdir vindo em direção à nossa casa ele caminhava devagar com as mãos nos bolsos e um semblante sério meu coração disparou Por que ele
estava vindo até aqui ouvi o leve bater na porta e me levantei instintivamente quando abri lá estava ele parado na soleira com uma expressão que parecia confusa e decidida ao mesmo tempo posso entrar ele perguntou com a voz baixa eu hesitei por um segundo mas acabei abrindo a porta completamente Claro pode ele entrou parando no meio da sala como se não soubesse por onde começar a presença dele parecia preencher Todo o espaço tornando o ambiente menor e mais sufocante meu coração estava tão acelerado que eu tinha medo de que ele ouvisse eu precisava falar com
você ele começou olhando para o chão antes de erguer os olhos para mim sobre o que está acontecendo minha garganta secou eu sabia exatamente do que ele estava falando mas ouvir aquelas palavras era como um choque não respondi Apenas fiquei ali esperando que ele continuasse Valdir passou a mão pelo cabelo claramente desconfortável eu não sei como dizer isso não sei nem se deveria estar aqui mas eu não consigo mais fingir que nada está acontecendo senti minhas pernas tremerem e me apoiei na beira do sofá acontecendo o quê minha voz saiu quase como um sussurro Ele
riu nervoso balançando a cabeça você sabe do que eu estou falando Luana isso isso entre a gente eu tento lutar contra isso ele continuou os olhos fixos nos meus juro que tento você é a filha da Neusa isso nunca deveria ter acontecido mas toda vez que eu vejo você tudo que eu sinto me puxa para mais perto meu coração estava tão acelerado que eu mal conseguia respirar eu sabia que devia dizer algo afastá-lo mas as palavras não saíam a verdade é que eu sentia exatamente o mesmo eu não sei o que está acontecendo murmurei com
a voz trêmula mas eu sinto Sinto isso também ele deu um passo em minha direção hesitante Luana Isso é errado eu sei disso mas parece que quanto mais eu tento me afastar mais difícil fica eu podia sentir o calor do corpo dele mesmo com a distância que ainda nos separava minha mente dizia para parar para afastá-lo mas meu corpo parecia estar se movendo sozinho se você me disser para ir embora agora eu vou ele disse a voz baixa e cheia de tensão mas por favor seja h estáa comigo você quer que eu vá eu sabia
a resposta antes mesmo de abrir a boca cada fibra do meu ser gritava para ele ficar não sussurrei quase sem fôlego foi tudo que ele precisou ouvir Valdir deu o último passo que nos separava ficando tão perto que eu podia sentir sua respiração ele levantou a mão devagar hesitante como se me desse tempo para recuar mas eu não me movi seus dedos roçaram minha bochecha enviando uma onda de calor por todo o meu meu corpo Luana ele murmurou como se meu nome fosse a coisa mais importante que ele já disse e então aconteceu ele inclinou
a cabeça seus lábios se aproximando dos meus de forma lenta quase como uma pergunta meu coração estava prestes a explodir Mas em vez de recuar Fechei os olhos e deixei que ele me beijasse o toque de seus lábios foi suave no início quase tímido mas a cada segundo que passava o beijo se tornava mais intenso mais desesperado era como se todo o desejo reprimido que tínhamos tentado ignorar estivesse explodindo naquele momento minhas mãos se moveram instintivamente segurando seus braços enquanto ele me puxava para mais perto o calor entre nós era quase insuportável mas eu não
queria que parasse por um instante parecia que o mundo inteiro havia desaparecido deixando apenas nós dois quando o beijo finalmente se quebrou ficamos ali ofegantes olhando um para o outro o silêncio era carregado de Emoções mas nenhuma palavra parecia suficiente para expressar o que sentíamos isso isso nunca deveria ter acontecido ele disse sua voz rouca e cheia de culpa eu apenas balancei a cabeça sem saber o que responder porque apesar de saber que era errado não me arrependia Valdir deu um passo para trás passando a mão pelo cabelo novamente eu preciso ir ele disse com
os olhos cheios de um conflito interno que espelhava o meu mas ele hesitou o silêncio entre nós parecia ensurdecedor cada segundo se arrastando como se o tempo tivesse parado ele me olhou os olhos escuros carregados de emoções que pareciam muito intensas para serem ditas em palavras então sem aviso ele estendeu a mão e segurou a minha vem comigo ele disse a voz baixa e firme eu não consegui responder meu coração disparado e o calor que irradiava do toque dele eram suficientes para me deixar sem reação ele começou a andar e eu o segui como se
estivesse em um transe aquele simples gesto de entrelaçar nossos dedos parecia selar algo que até então estava apenas no ar não dito mas inegavelmente presente quando chegamos à casa dele ele abriu a porta e me guiou para dentro o que aconteceu ali naquele momento não é algo que eu possa descrever em palavras foi intenso Avassalador algo que parecia desafiar qualquer lógica ou razão os dias que se seguiram foram uma confusão de emoções que eu não sabia como lidar depois daquela noite na casa de Valdir Tudo Mudou entre nós ele continuava com a mesma postura tranquila
no dia a dia mas os olhares que trocávamos carregavam algo que ninguém mais poderia entender cada encontro era um turbilhão de sentimentos a culpa me corroía por dentro Principalmente quando cruzava com minha mãe que parecia cada vez mais mais esperançosa de que o trabalho do terreiro finalmente traria Valdir de volta para ela mal sabia ela que ele nunca esteve tão perto mas não da forma que ela imaginava cada vez que estávamos juntos eu me sentia mais conectada a ele Como se algo maior estivesse nos unindo talvez fosse o feitiço talvez fosse o destino mas de
qualquer forma eu não queria me libertar disso era errado eu sabia disso melhor do que ninguém mas ao mesmo tempo parecia certo de uma maneira que eu não conseguia explicar os encontros começaram a se tornar frequentes sempre as escondidas sempre com o cuidado de não deixar nenhum Rastro que minha mãe pudesse notar ele dizia que aquilo não podia continuar que era arriscado demais mas no final Nenhum de Nós conseguia resistir você sabe que isso não vai acabar bem ele disse uma noite enquanto me abraçava depois de mais um encontro em sua casa eu sei respondi
encostando minha em seu peito ouvindo as batidas aceleradas do coração dele então por que a gente continua levantei o olhar encontrando os olhos dele não havia uma resposta que eu pudesse dar tudo que eu sabia era que não conseguia parar agora enquanto escrevo essas palavras penso em tudo que vivi com Valdir foi uma mistura de loucura e paixão culpa e desejo agora só me resta guardar esse segredo no fundo do meu coração e aceitar que nem todos os amores são feitos para ou serem revelados Alguns são apenas para serem vividos intensos e escondidos como o
nosso foi