[música] Bem-vindo a este espaço de entrevista que hoje tem como convidado o general na reserva Mariano de Araújo. Matinha. General Mariano Matzinha, é bem-vindo aqui à família Media Mais.
>> Quem é Marian Matinha? Bom, eu sou filho de Jas Metelice Matinha e de Francisca de Araújo Lobo. O meu pai foi formado na Missa na escola de professores >> de Alvor >> da Alvor que formavam professor do ensino rudimentar.
Depois da sua formação, ele é transferido para província de Teto, naquela distrito ou coisa que vai. Então vai paraa Teta e deixa a mulher com três filhos. >> Não é Mauela porque é de Mauela.
>> Eu profecia de gás. Então ele pede ao governo português para custear a ida da mulher para para Tet onde ela se encontrava. O governo português recusa perante esse recuso, como ele não tinha meios, então apanhou a minha mãe >> em teto, >> ficou com a minha mãe em tet.
>> Então ele quando chega a tet é é colocado em Casula. Posto administrativo de Cula. Posta administrativo de Casura naquela altura pertencia ao distrito da Macanga.
O distrito da Macanga era uma coisa enorme. Fazia fronteira com Tet e depois ao norte fazia fronteira com a Zâmbia. Malau.
>> Malau. Sim. >> Então, eh, eu nasço, portanto, em Casula.
>> Em que ano que nasce Macinha? Nas eh 29 de setembro de 1937. >> E onde é que passa a infância?
>> Bom, deixa-me avançar. Eh, parte passo mesmo em casula, não é? e chega a idade escolar.
Então, como o pai, o meu pai era professor do rumentar, então eu frequento o ensino rudimentar, que tinha apenas três classes, primeira, segunda, terceira classe. Eu faço portanto essas três classes. Meu pai, então pensa, enviaram pra escola primária.
Na província de Teta, havia apenas uma escola primária para toda a província e para matricular primário, ele tinha ser assimilado, assimilou-se. depois da assimilação, então matricula-me na província de Tet, na na na na na província, na capital da província, portant Tete, na cidade de Teto, na escola primária, que era chamada eh Escola Batista Coelho, hoje chama-se três de fevereiro. Eh, como eu tinha a terceira classe rumentar, equivalia a segunda classe elementar.
Então eu vou lá e matriculo-me na terceira classe eh portanto do ensino primário. Faço a terceira classe, faço a terceira classe, a quarta classe e pronto. Aí o meu pai não tinha meios porque naquela altura o ensino secundário existia apenas na Beira e em Lourenço Marques, todo Moçambique, apenas Beira e Lourenço Marques.
Aqueles que tivesse meios mandavam os filhos paraa beira ou então para Lourenço Marcos. O meu pai não tinha esses meios. A minha mãe tinha familiares na Rodésia, o Izimbabo, ainda pensou enviar-me para Rodésia para continuar os meus estudos.
>> E chegou a a Rodésia? >> Não havia um tio meu que era também do Sul, não é? que diz: "Olha, você tem um filho a trabalhar em Lourenço Marques?
" Em vez de mandar para Ordésia, porque é que não manda para Lourenço Marques? E agora estou sendo transferido também era professor. Estou sendo transferido para Lourenço Marques, eu levo miúdo para lá.
O meu pai aceitou, portanto eu saio com a mulher de a minha tia, né? E saio de teto com a minha tia. apanhei comboio pela primeira vez de beira e apanhei na viio pela primeira vez da beira em para onde ia a minha tia.
Então tinha instruções de como ir para Mauela o meu pai antes de ir para Marques vai para Maela conhecer o meu irmão, o meu único irmão que se encontra em Mauela. Entãoel, né? A pazonhamo, mas bom gunhamo.
Então a viagem deunham que foi uma tortura muito grande, né? >> Quantos dias levou a viagem? >> Ah, levou uma noite.
>> Uma noite só. >> Chegamos de madrugada. >> Por que é que foi uma tortura?
>> Não podia conversar com ninguém. As falavam comigo em Changada ou sei lá. É só coisa que vai.
>> Apesar de ser filho de um xangana, não chegou a aprender xangana? >> Não aprendei changana não. Falava a língua da minha mãe que era yungue, não é?
Mas mesmo assim viajamos de onongo e pá lá de t pá é mongongo. Então compreenderam? E viajamos assim até Mauela.
Irmão, ela eh para perguntar para fond, eu não sabia o que era disse que fundo fosse não perguntei fundo não. Fundo é professor. É professor.
Sim, sim, sim. Eu professor, mas também a nível da região é designa-se fundo disse a um pastor. >> Ah, pastor.
>> Ah, desculpa, não me disseram que era professor, disseram-me que era pastor. >> Pastor, exatamente. >> Eu pensei que fosse pastor de gado.
>> De gado. >> Até porque eu nunca tinha ouvido falar disso, não é? Que houvesse que que os pastores fossem pastores.
>> E quem era o pastor? Era o seu tio, irmão do seu pai? Não.
Então ele leva-me da loja onde eu desci paraa casa do meu tio que era evangelista. Era evangelista. E então eu fiquei muito aborrecido porque eu carregava mala sozinha, pé, etc.
Ela andava de burro. Ela estava de burro. Eu pastor tá a abusar.
É o tipo nem me apoia, mas mais tarde viu que estava eu estava muito aflito. Então ele pegou na minha mala e meteu no coisa em cima do burro e fomos até a casa do meu tio. Então eu perguntei ao meu tio: "Este este pastor é pastor de gado?
" Que disse: "Não, aquele é meu chefe, não é pastor de gado, não é da igreja. Eu sou evangelista, né? Eu sou subalterno.
Ela é o meu chefe aqui. Assim, eu comecei a convencer essa situação. >> Portanto, ma ela foi, digamos, um ponto de passagem a caminho de Lourenço Marcos.
>> Lourenço Marques. >> Quanto tempo leva chegar a Lourenço Marcos? >> Bom, eu fiquei três meses em >> em Maela.
>> Em Mauiela. >> E ao fim de três meses, quando chega Lourenço Marco, o que que faz? E depois não, eu tinha de ir para Denguele encontrar-me com um primo meu, filho do do tal meu tio.
Portanto, viajamos de burro de Maela até mais a casa mais a casa apanha uma um autocarro até até eh disseram co na paragem final do de de de Nenguela mesmo ao lado é casa do Ro ou chega ao régulo e e diz assim: "Olha Eu eu vou à casa do senhor Velemo, que era o meu tio, e ele vai mandar chamar alguém lá do na casa do Velemo. Então fiquei em casa do Rego, uma hora de tempo, coisa assim, e depois veio o meu primo, que eu já o conhecia de teto. O meu primo foi antigo combatente também, até foi o primeiro a chefe da segurança e defesa para do exército, mas foi expulso aia por causa da situação que eu referi, da dificuldade que a Felima teve depois do congresso.
Então tem que ficamos uma semana em Chenguel e de Chengueira então apanhamos autocarroense mais estrada terra batida uma picada >> mas antes de chegar a Lourenço Marcos teve de fazer algum percurso através de burro esse burro como é que era usado? Alugavam? >> Não, não >> era burro da do meu tio.
Ah. E então, eh, >> uma vez em Lourenço Marcos >> e chega Lourenço Marques. Engraçado, Lourenço Marques, a paragem e em que nós descemos é perto de Gangan, não é?
Naturalmente em Tet quando escrevia Lourenço Marques era uma cegara de vidro, tudo bonito, etc. Então quando estemos em gancar, eu perguntei meu meu primo houve lá quando que chegamos a Lourenço Mar já está Lourenço Marqu esses esse prelho de vidro onde está hoje não é assim e saímos a pé até Chamcuro onde vivia o meu irmão. É, então aí tive que fazer uma opção, ir pro liceu ou pra escola industrial.
Naquela altura havia muita discriminação e dizia-se mesmo: "Você faz curso de liceu, não vai emprego". que não dá emprego um preto com que com esse curso. Ninguém precisar arranjar, eu fiz ver um curso em que sem ter emprego por ser um autoempregador.
Então decidi ir pra escola industrial >> para frequentar o nível básico ou médio? >> Como >> na escola industrial vai frequentar o nível básico ou médio? Não, primeiro é aquele curso básico, né?
São 5 anos curso básico. E então fiz exame de admissão. Era preciso fazer exame de admissão.
Depois de exame de admissão, então fui coni o curso de de serragheiro mecânico. 5 anos. Depois de 5 anos de um emprego aí precário.
É interessante. Os meus colegas ganhavam 3200 cursos >> nessa altura. >> E eu por ser preto, ganhava 1000 escudos.
>> Ah, os seus colegas brancos, >> brancos tinham 3200 e eu 1000 escudos. e fazia o mesmo trabalho. >> Absolutamente mesmo curso, mesmo trabalho.
>> Quanto tempo dura esta situação? >> Bom, eu depois tive um acidente que me atingiu a unha, né? e abandonei, fui para os caminos de ferro e e consegui um emprego como servente >> mesmo concurso industrial feito.
>> Concurso industrial feito e eh como servente e a ganhar 1 cursos. era servente na categoria, mas realmente era daquilógrafo. Portanto, trabalhei como teclógrafo e matriculei num curso de superação no no na escola industrial, que era um curso que me permitiria fazer ingressar no Instituto Industrial.
Eh, portanto, trabalhava e fazia isso, era um curso noturno. Portanto, trabalhei e fiz os 12 anos do ensino desse curso de superação, porque 5inº ano industrial não equivalia a quinto ano de liceos. Então é preciso fazer 2 anos de superação para se adquirir a categoria de de quinto ano dos seus e poder penetrar no Instituto >> e como é que está a ida do senhor Mariano Macinha para a luta da libertação nacional?
>> Vou chegar lá. Então, eh, depois do curso de de superação, faço exame de aptidão ao Instituto Industrial. Aqui em Moçambique não havia Instituto Industrial, só em Portugal.
Então, fiz exame e passei. Passei. Os portugueses naquela altura começavam a dar bolsa de estudo a pretos.
Penso que é por causa da pressão que os africanos faziam nas Nações Unidas. Então os queria demonstrar que eles também eh interessavam-se eh educar o preto, conseguia a bolsa, consegui eu, consegui o Mário Machungo, etc. Lourenço Mutaca.
E então vou para Portugal em 60. E aliás é interessante porque naquela altura eles não davam bilhete de avião e pro navio. Então eu fiz as contas, as aulas começam em outubro, começava em outubro naquela.
Se fosse de barco, eu chegaria lá em novembro, portanto cheguei lá com atraso muito grande. Então, organizamos um baile, angou-se algum fundo que serviu para aumentar ao bilhete de navio e comprar o bilhete de avião. Então sai de cá, cheguei a Lisboa, quem me sabe em Lisboa foram estudados, estavam lá >> moçambicanos, >> mas sobretudo moçambicanos.
Lembra-se de alguns deles? E nas comiss que não recebeu e no aeroporto. Depois vou paraa casa dele.
Depois de casa dele andamos à procura de aljamento para mim, mas estava também e mago Augusto da Silva Anguana. Mago nausto da Silva era o irmão mais velho do Tiodato então lá matricemos no Instituto Industrial. Um dia esteve em casa do comis vamos para lá depois conseguimos um alojamento e no mesmo dia à noite conseguimos um alojamento e passei por tal alojamento.
Então eh matriculo-me no Instituto Industrial e com o meu cruceiro para fazer o que eu pensava fazer a engenharia civil. tinha de fazer, portanto, 2 anos do Instituto Industrial, fiz o est anos do Instituto Industrial e matriculei-me no na no Faculdade de Ciências de Lisboa, a consegue de alguns amigos meus, porque depois do curso industrial a pessoa poderia ir para o Instituto Superior Técnico, onde formam engenheiros, mas disseram: "Olha, se você vai para Instituto Superior Técnico, de certeza que vão te chumbar. E como você é bom ser isso é perigoso, porque a minha bolsa só dava, permitia apenas chumbar uma vez.
" Então aí certamente que vão te chumbar. a não ser que seja um muito bom aluno mesmo. Então conseguiram ir paraa faculdade de ciências, fiz exame de aptidão a faculdade de ciência e e passei com distinção.
Quer dizer, a distinção aí era 12 valores. Quem tivesse 12 valores era dispensado da prova oral. Então eu dispensei da prova oral.
Mas naquela altura nós já tínhamos recebido uma carta, todos moçambicanos, uma carta de um movimento libertação que eu não sei quem era que aconselhava alargar os nossos estudos e ir juntar essa luta deção nacional >> e seguiu esse conselho. >> Aí está. Todos nós conseguimos.
Todos tentamos sair de Lisboa, tentamos sair de Portugal. Não conseguimos porque tinham saído no ano anterior com o o Joaquim Sano, Pascoal Mucumbi, mas um grande grupo de angolanos e cabo verde que abandonaram também eram universitários, eram alunos do ensino superior que conseguiram fugir paraa França, etc. Nós tentamos, mas já a vigilância da pilha era muito grande.
Não conseguimos. Só eu não consigo. Vamos, vamos estudar depois a gente vai ver isso mais tarde.
Eh, no entanto, Nações Unidos é uma grande campanha contra Portugal. De qualquer maneira, Portugal então convida os alunos das colônias para um almoço de Madega em Lisboa e nós não sabíamos porque que nos convidava. Fomos lá muito satisfeitos.
O senhor Madega aqui cheio de vinho e tudo mais. Estava lá o ministro no ultramar, não me recordo do nome. E, portanto, est lá em festa, cantamos tal, fiquei muito admirado.
Havia uma angolana branca que cantou em mundo. É bom. Nós moçambicanos, nós nem tínhamos ensaiado, nem sabíamos contar.
Cantamos uma canção que se cantava muito no Centro Associativo dos Negros da Colónia de Moçambique aqui, não é? Jumar Zumar, etc, etc. [risadas] Tudo desafinado, etc.
Mas bom, bater os palmas assim, senhor bonito lá do mas tarde começamos a pensar, ó lá esta este almoço o que é? Depois anunciam aqueles que quiserem passar férias em seus países, em seus suas províncias ultramarinas, o governo paga. Ah, o meu pai vivia no Zob zob fronteira com Malaue.
Como não conseguimos sair de Portugal da maneira como saíram e o Sissan, então vou deí salto para Malau caminho para Tanganica. >> E assim se dá a sua entrada para a de libertação nacional. Exatamente.
>> Em que ano que isso acontece? >> Isso foi em 62. >> Portanto, a luta ainda não havia começado.
Começou em 64. >> Não. Sim.
Não, eu fui depois do primeiro congresso, portanto tava no preparativo. Aproveito, portanto, essa essa boleia que o governo português nos dava, mas estava tudo metido, não é, para demonstrar ao mundo de que Portugal realmente interessava-se também por educar os os colonos, os colonizados. Mesmo assim aproveitei o a boleia, vim no avião, vim a beira, beira, teto, fiquei um mês a ajustar os meus pais.
Depois dali, como estava mesmo na fronteira, foi atravessar a pé até a vila, que ficava muito perto aí também, não é? Chamado Moanza. Mas foi o corta, foi uma uma viagem muito difícil com a com a com a mala na cabeça e da fronteira para lá a gente tinha de atravessar, eu tinha de atravessar dois riachos, mas muito fundos.
E a ponto era um tronco >> e vai sozinho nesta sozinho >> sozinho >> era um tronco apenas a ponte eram troncos então a pessoa tinha ter um sentido com esta idade eu já não não não não não não não não não não não não não não não não não haveria de atravessar eu fiz sentido de equilíbrio muito grande sobretudo com a mala na cabeça. Hum. >> Então, atravessei a primeira ponte assim, puxa, terrível, tive sorte.
Caindo aí para ficava lá. Bom, a partir de agora parece que não há nada. Passado algum tempo, mais uma outra ponte >> que era também o tronco.
>> Tava aqui vibrar, etc. Atravessei o tronco até chegar a Moazza. Ora, moes eu tinha um problema muito grave, não falava inglês e nem falava, portanto falava um bocadinho de inglês e até perguntei onde ficava bas station estação de dado do carros que di lá tal etc.
OK. Sim, senhor. Fui para lá para felizmente transporte malu é constante, não é?
apanhei, portanto, outro carro até plantei, até o local onde um tio meu, que foi pai da primeira dama, o meu tio, da primeira dama atual, foi meu tio que me indicou a tanto alguém que poderia que era da família e que me podia receber Então chego lá, foi muito fácil apanhá-lo porque era uma loja, ele era proprietário de uma loja eci lá todo setembro, outubro, novembro, dezembro e só nos finais de janeiro e prossigo para Tanganica e fui até o lagoça. apanhou um barco. Os os os malavianos tinham um barco que viajava até tanganica, mas para tinha ter um documento de viagem e o documento de viagem era emitido pela pelo Malawi Congress Party, o partido que era muito simpático, que simpatizava muito com o movimento de libertação.
>> Era uma espécie de uma guia de marcha. guia de hum do partido, né? do estado.
E então apanhei o barco até Tanganica, chega a Tanzania, um problema sua ir também não percebo inglês nada, [risadas] mas apanhei um amigo durante a viagem embando umas coisinhas com est meu amigo e e viajamos juntos, chegamos a Tang ele estava a caminho de Uganda e uma bolsa de estudo para Universidade de Ganda. Então, viajamos juntos até meia. Meia permanecemos a a a noite toda até de madrugada o dia seguinte e logo de madrugada apanhamos autarro para dar naquela altura.
Hoje deia a lá a estrada está asfaltada, mas naquela altura era terra batida. Só imagina o tempo que se levava também até Darel. >> Quem que o recebe na Tanzania?
>> Em Darselam. Quando chego na estação de Darl dizme a um polícia disse: "Olha, eu quero saber onde fica o escritório da FRMO. Eu conheço Limo.
Sim. Não, eu não conheço o Limo. Você não conhece o Lim?
Sim. Apanhei um susto muito grande. Vou para um lugar que para uma organização.
>> Mas antes de viajar havia estabelecido alguns contactos com afalismo na Tanzanimalau. >> Não, não, não, não, não. >> Quer dizer, aquilo foi uma viagem de aventura.
>> Sim, sim. Foi aventura. Eu tenho impressão que com a idade que eu tenho não faria isso, não é?
Foi naquela altura jovem, 20 anos, 26 anos nessa altura. Então, meu amigo, olha, eu tenho um tio aqui que é funcionário da é funcionário do governo do estado moçambicano, da tanzanian. Tanzan >> tanganicano.
Tan >> tanganica. Mas antes de chegar a Felimo, terá passado por alguma formação política, algum movimento nacionalista? >> Não, não, não.
Eu sou a vontade nacionalista que a pessoa tinha. Acabou. E >> no Malão não chegou a perecer.
Quando esteve no Malão não chegou a pertencer nenhum movimento, >> não é? é União Nacional Moçambique Independente que se juntou a outras para formar a Sergima, não e muitos passaram por isso, quer dizer, alguns eram o Denam, os outros era da Mano, Joaquim estan era da Inamo, né? Mcumba era da Chipan era da mano, reimundo Pinoap era da mano, etc.
Portanto, eu era da UNAM, né? Portanto, olha, vamos lá para casa do meu tio. Hum.
Eu vou me hospedar lá, eu levo a casa do meu tio e amanhã de manhã vamos contactar a sede da TANO, Tanganica, African National Congress. E bom, fomos paraa casa do tio desse meu amigo que fiz pro caminho. Bem subidinho lá em casa, dormimos muito bem, bichamos logo no dia seguinte e caminhamos para para escritórios da TAN.
E quando chegamos lá, o o meu amigo falava inglês, vinha de mal, falei inglês para ninguém falava inglês lá, senão sua ilha. [risadas] >> E ele também não percebia nada de sua ilha. >> Não se percebia nada de sua ilha.
>> E como é que se arranjam? >> Andar com fr, olha, é meio lá ao fundo da da estrada. Vão se vão encontrar o filho limpo.
Ah, ok. Sim, sim, sim. Bom, despedim-me do meu amigo porque já sabe é só ir até o fundo e encontrar a tua organização que amanhã vir realmente frente de Moçambique escrito, né?
Eh, entro e eu digo: "Pai, eu sou refugiado. " Era refugiado, sim. OK, tá bem.
Mandou-me agordar algum tempo, depois chamou o indivíduo da segurança para me interrogar. Esse indivíduo da segurança falava em ou então só ele para nos comunicar. Foi um problema muito sério.
Eu estava realmente muito para não. Eu conhecia pessoas eh da Folimo, era velho longo e era o Felipe Bagai, não é? Fe Bagia.
E não falava aquilo, as pessoas não falavam português, falavam, fizeram o interrogador que fizeram. Sim, senhores ficaram ser feitos e enviaram. >> Quant quanto tempo dura o interrogatório?
>> Uma hora. >> Uma hora de tempo. >> Hum.
>> E passado do interrogatório é enviado para onde? >> Detalhes, etc. Fois aí levaram para o campo de refugiados.
B os tangan, os tanganiquenses chamava de campo de refugiados. Para nós não era campo de refugiados, era um campo nosso de nacionalistas, né? E então enviaram para o campo que era que era uma residência.
Hum. Eu perguntei, mas vamos lá. Felipe Maga só.
Felipe Maga foi para treino militar. Aí sim, >> já o conhecia? >> Já o conhecia sim.
Foi patit e o se veio nungo ou for para uma província aí da Tanganig para uma conferência. Bom, fiquei sem saber por mais. >> Quanto tempo é que fica neste campo, neste chamado campo de reeducação, perdão, de refugiados.
>> Quem? Eu >> Sim. Eh, fica uns meses.
>> Uns meses. E depois desse meses vai para onde? >> Não, depois desse campo de refugiados e aparece Marcelo dos Santos, conheço Marcelo dos Santos.
Pois aparece o Eduardo Molhado. Eu já tinha ouvido falar de Eduardo Molhado há muito tempo e conheci a esposa de Eduardo Monar quando ela passa por Lisboa. E para estar aqui a mulher do Eduardo Mon senhor foi ver estava ainda com o primeiro filho.
O Eduardo chamava Eduardo. Eh, mas nunca tinha visto Eduardo Molhado. Embora gente diz assim e pá, há um sambicano que é doutor nos Estados Unidos e e para nós é doutor assim a gente sempre considerou o Eduardo Mul como líder para libertar o Moçambique, mas depois ele chega da porque depois do Congresso ele tem presidente no Congresso, ele arreou os Estados Unidos para concluir o contrato que ele tinha.
nos Estados Unidos. Depois de conclusão do contrato é que ele regressa definitivamente para Tanzania. Em Tanzania então conhecido Montana, etc.
E o comitê central reúne, mas o comitê central estava desfalcado. Comitê central tinha 60 pessoas, mas estava desfalcado, sobretudo os dirigentes que tinham sido expulsos. Tanganica, nomeadamente secretário geral, uma bunda e o vicecretário geral que é Guman e o secretário para segurança e defesa que era o meu primo João Mambo e mais outros foram expulsos da Tanganica.
Então houve um desfalque no comitê central. Reuniram-se e coptaramme a mim como membro do Comitê Central. E quem me informa desta corrupção foi Marcelino dos Santos.
Oi, Mariano. Assim, você foi coptado para membro do Comitê Central? Quê?
Eu membro do Comitê Central? Sim, sim. Eu considerava miúdo, né?
26 anos. Eu pensava para ser de gênero, tinha até pelo menos 40 anos, coisa assim. Bom, sentim orgulhoso, mas ao mesmo tempo senti-me realmente muito embaraçado, né?
Orgulhoso por ter sido escolhido, embaraçado, que sentí-me incapaz de assumir o papel de um membro da direção de um movimento de votação. >> E o dia a dia que seguiu provou que era incapaz de facto. Bom, dia a dia, quer dizer, todo dia a gente aprende, não é?
Até hoje a gente tá sempre a aprender, mas sentia mais à vontade, não é? a gente estudavam os assuntos previamente, discutiam e precisava de de uma criatividade individual para apresentar ideias de como resolver os problemas que eram apresentados. Quando fiquei membro do Comitê Central, então transferiram-me para casa dos dirigentes da Fel.
Então saí do tal campo de refugiados para um campo de gente da FIM que era uma casa grande onde estavam Marcelin dos Santos etc. uma cumbe e eh e pronto, aí já tinha cama no centro de educação não tinha cama, era esteira, não é? Mas a já tinha cama, se sentia mais confortável e tínhamos uma viatura que nos levava sempre ao escritório e durante as nossas dirigências na cidade.
Eh, portanto, eh, >> quando quando começa a luta armada de libertação nacional, qual foi o papel que foi atribuído ao senhor Maria? da direção já não é >> da direção da direção >> é da central e portanto treinei militarmente a guerrilha >> onde é que treina >> é na Xingueia >> é na Xingueia >> Uhum treinei depois fui fazer um curso na União Soviética, etc. Eh, mas sempre não era guerriiro.
Aquele visto que tem armas está lutar, não era era da direção. Portanto, da direção que fazíamos, nós íamos para o interior e sobretudo passei a ir para o interior quando me dera a função de de secretário para organização no interior, porque nós organizávamos no exterior também. Então o responsável para para direção, paraa organização fazia organização no exterior e no interior.
Aí dividiram com Marcelo S, que era secretário para relações exteriores, passou também a assumir as funções de organização para organização no exterior e eu fiquei com o interior. Quais são as memórias, em breves palavras, quais são as memórias que guarda dos 10 anos da luta da libertação nacional? >> É, são muitas, são muitas.
>> Estive algumas vezes em Cabo Delgado, na frente de combate, >> mas a eh não, a gente ia lá para fiscalizar, não ia lá para combater. >> Chegou a estar envolvido em algum combate? >> Não, a gente não ia para combater, ia para fiscalizar.
sobre a questão logística e a questão da guerra mesmo, né? Como que a guerra estava sendo levada a cabo, etc. Mas a primeira vez que eu entrei para o interior foi para Onhaça e foi uma viagem extremamente difícil.
Era a primeira vez que eu ia para o interior. Marchas longas. Imagina no primeiro dia, começamos a marcha às 8 horas da noite, 20 horas e só terminamos às 7:30 da manhã toda a noite a andar.
>> E só podia andar de noite >> como por questão de segurança só podiam andar de noite. >> Não, não, não. De dia também, né?
Dia de dia também, porque chegamos à 7:30. Descansamos uma hora de tempo e aí retomamos a marcha e nós íamos muito bem carregados, uma bota extra, cobertor, alguma ração de combate, armamento, pistola pistola, pistola simples e pistola metralhadora. Humum.
Duas granadas aqui no bolso que me impressionava muito. Eu vi a granada arrebentar aqui no bolso. >> Não tinha medo que podias toirar e acabar consigo?
>> Ah, fazer o quê? Medo tinha. Quer dizer, mas não havia hipótese, tinha de fazer, não é?
Mas mentalmente diz: "Isto é capaz de arrebentar por si. " Até pensava que aquilo podia arrebentar-se por si, mas durante a caminhada, primeiro troquei as minhas botas com sandálias. Havia alguém que tinha sandál tinha sandál a a sandália, não sandálias.
Ah. tinha tinha sandálias. Então entreguei as minhas botas e troquei para sandálas porque as botas são pesadas, não é?
É a primeira vez andar no não era brincadeira e alguns camaradas queriam eh granadas. Então entreguia logo as guerreladas e fui dando as coisas. A a bota de reserva também aí ofereciam a um camarada lá do interior que tinha tinha mais dificuldade que nós vínhamos do exterior.
E e foi em setembro, não é? Quer dizer, não havia sombra, não havia nada, queimadas, não sei que mais. Infelizmente tinha ser muita água, muitos riaços.
Portanto, tínhamos sede, sim senhor, porque de de um reage para outro era uma boa boa caminhada, né? >> Há algum episódio durante a guerra que terá passado que não gostava nunca de recordar? >> Foi a morte de Magaia, né?
>> Felip Magaia. Ya, ele não foi morto pelo inimigo português, foi um que matou >> um dos guerreiros nossos, não sei se infiltrado ou não. >> Quem era?
>> É um tal Magaia. >> Ah, é irmão dele quase no mesmo período. Matola >> Matola.
Então, Matola. >> Ya, não sei qual é o primeiro nome. >> Qual foi a razão?
Não, estávamos de regresso para Tanganica e então porque nós como estávamos organizados, havia um grupo de reconhecimento, havia um grupo de choque, havia direção e os guerrheiros por tanto simples. Então houve um emperramento por causa de um riacho. Então uma gai lá porque est parado.
Ele sai, vai ver o que o que é que se passava. Então quando chega lá a gente ouve um estalido, mas não nos ficou preocupou muito aquele estalido, porque era normal naquela altura haver estalidos. Alguém quer dizer, primia o gatilho e dava um tiro e para nós, era normal.
Mas est começou a dizer: "E pá, uma gaja foi atingido. " Ah, sim. Vamos lá ver.
Gra está atingido. É verdade. Eh, inventamos aí uma maca, não é?
Com ramos, não sei que mais, etc. E carregamos paraa base seguinte. Ainda em vida.
Ainda em vida. Chegamos à base, esteve lá, fez o primeiro, o primeiro curativo. Tínhamos um enfermeiro que até era cama.
>> Afonso de cama. >> Não, Afonso coincidência da >> Samuel Cama. >> Samuel de Cama.
Ya. E então ele fez o primeiro penso e quando chegamos essa base lá para o meio-dia em um quarto, coisa assim, faz o segundo penso, mas quando tira a ligadura d uns um chato de sangue. Ele como enfermeira sabia que aí não há não havia hipótese.
O motor chegou a justificar a razão do acto que foi acidente. Mas para nós chegarmos à Tanganica, entregamos a polícia para investigar a polícia tanzaniana. >> E quais foram as conclusões da polícia tan?
>> A conclusão da polícia não foi nenhuma, porque nós não conhecia muito bem as a o os procedimentos. Nós devíamos apresentar uma queixa. Nós não apresentamos queixa formal.
Só dissemos está aqui o homem que disparou. Então não sei se investigaram ou nada para soltaram o homem. >> E quando ele solto, >> quando ele solto ele foi logo para para Kenia e ele faleceu.
Faleceu em K no Kenia. >> Doente. Eu sei doença assim.
Em consequência não se chegou a a desvendar a razão real da morte. Ah, não. Era que era acidente.
Acidente. Isso é que ficou. >> Ya, isso é ficou.
>> Termina alta armada de libertação nacional. Mariano Macinha, integra o governo de transição, queira recordar breves momentos deste período. >> Foi um problema muito sério.
O que participei nos os 12 encontros de negociação com os portugueses. Primeiro foi em junho de a 74. é o SAC e a delegação é dirigida por Mário Soares, que nessa altura é ministro do estrangeiro do governo dação, do governo governo português.
E nós apresentamos a nossa posição que estávamos lotar para a independência de de Moçambique. Então os fregueses propõe que se faça uma um referendo o que >> para saber se o povo moçambicano quer imperência ou não. Isso é uma brincadeira.
A gente está a lutar para quê? Povoicano está envolvido nesta luta para quê? Porque que a gente vai perguntar alguém a um escravo se quer de ser escravo?
recusamos terminantemente a tal o tal referendo, mas no fim verificamos, aliás, eles disseram que o mandato que eles tinham era de cessar fogo, se cessar fogo, cessar fogo não a ver cessar fogo enquanto você não reconhecer que Moçambique necessita independência >> e Frérito Efraim teve o mérito de negociar até de fato conseguir a independência. Senhor Marel Macinha, o tempo já nos pressiona bastante e vamos ter que cortar algumas etapas. Sim.
>> Eh, boas, mas memórias em um minuto apenas. 30 segundos para boas memórias, outros 30 para mais. >> Boa, boa memória mesmo foi o o negociações para independência >> que culmina com a proclamação da independência nacional >> e má memórias da vida.
>> Agora, nas primeiras negociações, nós analisamos depois das negociações, não é? Fizemos um comcado muito até com frieza, né? Eh, mas chegamos à conclusão que o governo português não tinham naquela altura poder suficiente para negociar paraa independência de Moçambique, mas que as forças armadas, o movimento das forças armadas.
Sim, senhor. Então, enviamos a Quir para Portugal para contactar os o os elementos do movimento das Forças Armadas. Eh, ele foi, contactou e começamos uma negociação secreta com o movimento das Forças Armadas.
>> E essa negociação acabou resultando. >> Isso que resultou. Primeiro pressionaram porque tinha aquela ideia de federação Portugal com as colônias, uma federação portuguesa.
Conhecemos o re nós não somos portugueses, nós somos moçambicanos e essa federação nós não a queremos durante independência de Moçambique >> do governo transação esta parte ocupou várias pastas minist agora já no período em que goza do período de descanso passe a repetição. Como é que passa os seus tempos livres nesta altura? >> Os meus >> tempos livres agora.
Agora >> sim. >> Pronto. Estou no partido.
>> Não está muito ocupado. Sim. Está ao nível do partido, não está?
>> Faço algum trabalho do partido. >> Algum trabalho do partido. >> Sim.
Sim. Partido não há não há não há reforma. >> Então só passa passa os tempos livres dedicando esse período ao partido.
>> Ao partido. >> Não passeia. >> Bom, passear é precisa de meios, não é?
>> Que não os tem. Não, não conseguiu acumular o suficiente durante o período em que esteve no ativo >> e >> para ter uma reforma que eu permite você grande problema é esse, não bom ganhasse mais do que muitos moçambados, mas já muitos moçados ganha como mais que o ministro, né? Até mais que o presidente se é com isto moçambique que alguma vez sonhou?
Não, certamente que não é, não é? Mas é realidade. Hum.
Quando a gente sonha de um Moçambique imaginário, certamente que não é esse Moçambique, mas a realidade é outra. Nós aprendemos que afinal Moçambique não é uma ilha, não é? E e que Moçambique, como qualquer outro país, está sujeito a forças externas, sobretudo internas, externas.
Eh, portanto, o que me admira muito Afimo, até hoje fico muito satisfeito com a FIM, é a sua adaptação a essas mudanças >> em função da dinâmica da vida. A >> o nosso f tempo está esgotado penso que vamos ter de certeza aqui na mí outras oportunidades de poder saber um pouco daquilo que foi a sua longa trajetória, não é sequer em em dias, né, meses que se pode esgotar. >> [risadas] >> a grande bagagem de vida e obra do senhor Mariano Macinha.
Ya, >> este foi o espaço de entrevista que hoje contou com o general na reserva Mariano Marcinha, que começa o seu engajamento político muito antes do início da luta armada de libertação nacional e a seguir depois da independência nacional ocupou várias partes governamentais e hoje a nível de governo pelo menos não está no ativo, mas dedica quase tempo inteiro, como disse ao seu partido de sempre, a Frelimo. Nós voltamos próximamente. Fique bem.