Olá, acadêmico! Estamos na Unidade 3: elementos de ensino-aprendizagem efetivos: motivação e ambiente, Tópico 1: Agrupamentos e diferenciação. Neste tópico, você aprenderá os elementos de um ensino eficaz.
Para isso, vamos explorar juntos vários modelos de ensino-aprendizagem que orientam estratégias de agrupamento dos alunos e diferenciação nas instruções. Vamos lá? Quais são os elementos de um ensino eficaz além de uma boa aula?
Se aulas de alta qualidade fossem tudo o que importasse em um ensino eficaz, provavelmente poderíamos apenas buscar pelos melhores professores do mundo, gravar suas aulas e mostrar os vídeos aos alunos. Mas se você pensar sobre porque as videoaulas não funcionariam muito bem sozinhas, você perceberá o quanto mais está envolvido em uma instrução e ensino eficaz do que simplesmente dar boas palestras. Essa análise de um ensino que utiliza apenas a videoaula ilustra por que você deve se preocupar com muitos elementos do ensino, além da apresentação das informações.
Você deve saber como adaptar sua instrução aos níveis de conhecimento dos alunos. Você deve motivar os alunos a aprender, gerenciar o comportamento dos alunos, agrupar alunos para instrução e avaliar a aprendizagem dos alunos. Para ajudar a compreender todos esses elementos do ensino eficaz, os psicólogos educacionais propuseram modelos de ensino eficaz.
Esses modelos explicam as características críticas das aulas de alta qualidade e como elas interagem para aprimorar o aprendizado. Um dos métodos apresentados na literatura é o “Modelo de aprendizagem escolar”, criado em 1963. Nele, é descrito o ensino em termos de gerenciamento de tempo, recursos e atividades para garantir a aprendizagem do aluno.
Ele propõe que a aprendizagem é uma função de (1) tempo realmente gasto na aprendizagem e (2) tempo necessário para aprender. O tempo necessário é um produto da aptidão, conhecimento prévio e capacidade de aprender; enquanto o tempo gasto depende do tempo disponível para o aprendizado, da qualidade do ensino e da perseverança do aluno. Um novo estudo, em 1995, descreveu um modelo com foco nos elementos alteráveis do modelo de aprendizagem escolar, aqueles que o professor ou a escola pode alterar diretamente.
É chamado de modelo QAIT, para qualidade, adequação, incentivo e tempo. Ele é dividido em qualidade de ensino, níveis adequados de ensino, incentivo e tempo. Para que o ensino seja eficaz, cada um desses quatro elementos deve ser adequado.
Não importa quão alta é a qualidade do ensino, os alunos não aprenderão uma aula se não tiverem as habilidades ou informações prévias necessárias, se não tiverem motivação ou se não tiverem o tempo de que precisam para aprender o conteúdo. No entanto, se a qualidade do ensino for baixa, não faz diferença o quanto os alunos já sabem, o quão motivados eles estão ou quanto tempo eles têm. Desde o dia em que entram na escola, os alunos diferem em seus conhecimentos, habilidades, motivações e predisposições em relação ao que está para ser ensinado.
Alguns alunos já estão lendo quando entram no jardim de infância; outros precisam de muito tempo e apoio para aprender a ler bem. Acomodar o ensino às diferenças ou heterogeneidade dos alunos é um dos problemas mais fundamentais da educação e frequentemente leva a políticas carregadas de ideologias e emoção. Uma solução, que alguns defendem, é simplesmente reter mais crianças em uma série até que atendam aos requisitos do nível da série.
Muitas escolas em outros países, por exemplo, agora estão exigindo que as crianças que não estão lendo no nível da série na terceira série sejam obrigadas a repetir a série. Outro meio comum de acomodar o ensino às diferenças dos alunos nas escolas de ensino fundamental é o agrupamento por habilidade dentro da turma, como no uso de grupos de leitura que dividem os alunos de acordo com seu desempenho em leitura. O problema de acomodar as diferenças dos alunos é tão importante que muitos educadores sugeriram um ensino completamente individualizado para que os alunos pudessem trabalhar em seus próprios ritmos, o que levou à criação de programas de instrução individualizados assistidos por computador.
Provavelmente, o meio mais comum de lidar com diferenças instrucionais importantes é distribuir os alunos em turmas de acordo com suas habilidades. Esse agrupamento de habilidades entre turmas pode assumir várias formas. Por exemplo, em muitas escolas de ensino fundamental, os alunos são agrupados separadamente por habilidade para cada matéria, portanto, um aluno pode estar em uma aula de matemática de alto desempenho e em uma aula de ciências de desempenho médio.
Apesar do uso difundido de agrupamento de habilidade entre turmas, pesquisas sobre essa estratégia não apoiam seu uso. Os pesquisadores descobriram que, embora o agrupamento por habilidade possa ter pequenos benefícios para alunos atribuídos a turmas de alto nível, esses benefícios são contrabalançados por perdas para alunos em turmas de baixo nível. E por que isso é tão ineficaz?
Vários pesquisadores já exploraram essa questão. O objetivo principal do agrupamento por habilidade é reduzir a gama de níveis de desempenho dos alunos com os quais os professores devem lidar, para que possam adaptar o ensino às necessidades de um grupo bem definido. No entanto, o agrupamento costuma ser feito com base em pontuações de testes padronizados ou outras medidas de habilidade geral, e não de acordo com o desempenho em um determinado assunto.
Como resultado, a redução na gama de diferenças que são realmente importantes para uma turma específica pode ser muito pequena para fazer muita diferença. Outras estratégias também são apontadas pela literatura, como a de desrastrear; reagrupamento para leitura e matemática; agrupamento por habilidades dentro da turma e retenção. O ensino diferenciado e personalizado adapta o conteúdo, nível, ritmo e produtos de instrução para acomodar as diferentes necessidades de diversos alunos em classes regulares.
A filosofia por trás da instrução diferenciada enfatiza que todas as crianças podem atingir altos padrões, mas algumas podem precisar de assistência personalizada para isso. Para obter um exemplo de personalização, você pode pedir a uma turma diversificada que escreva uma biografia de Gandhi, mas forneça materiais sobre Gandhi em diferentes níveis de leitura. Ou você pode criar um teste comum de matemática para uma turma heterogênea, mas incluir algumas “questões desafiadoras” para alunos com maior preparação em matemática.
Durante o trabalho nas carteiras, você pode se concentrar em alunos com dificuldades com as habilidades de pré-requisito ou fornecer a eles um pré-ensino dessas habilidades antes da aula; por exemplo, antes de uma unidade em decimais, você pode organizar uma aula extra para revisar frações com alunos que não estão dominando os conceitos de fração centrais para decimais. Além disso, os alunos podem ajudar uns aos outros a aprender. Na tutoria entre pares, um aluno ensina outro.
Existem dois tipos principais de tutoria entre pares: tutoria entre idades, em que o tutor é vários anos mais velho do que o aluno que está sendo ensinado, e tutoria entre pares da mesma idade, em que um aluno é tutor de um colega. A tutoria entre idades é recomendada por pesquisadores com mais frequência do que a tutoria da mesma idade – em parte porque os alunos mais velhos têm maior probabilidade de conhecer o material e em parte porque os alunos podem aceitar um aluno mais velho como tutor, mas se ressentem de ter um colega de classe nessa função. Temos também a tutoria por professores.
A tutoria individual de um adulto para uma criança é uma das estratégias de ensino mais eficazes conhecidas e, essencialmente, resolve o problema dos níveis apropriados de ensino. A principal desvantagem desse método é o custo. No entanto, muitas vezes, é possível fornecer tutores adultos para alunos que estão tendo problemas de aprendizagem no ambiente de aula regular.
A tutoria se apresenta como um excelente uso para auxiliares da escola. Gostou do conteúdo até aqui? Te aguardo no segundo tópico desta unidade!