Bora lá. Eh, eh, hoje a ideia era, né, eh, tirar algumas dúvidas de como que a gente trabalha concretamente na clínica, tá? Então, essa já é uma demanda antiga que as pessoas me passam, né? Então, assim, ah, o que que eu faço quando o meu paciente ele tá muito calado? O que que eu faço quando o meu paciente não tá comprando o tratamento, né? É, é. Ah, e se a mãe achar alguma coisa, né? Ah, como que eu sei se eu tenho que fazer Tal coisa ou tal outra coisa? Eh, e aí o que acontece?
Eu ia fazer um compiladão dessas dúvidas mais frequentes e ir tirando cada uma dessas dúvidas no detalhe. Só que eh hoje de manhã eu refleti que talvez você não seja a maneira mais adequada de trabalhar, né? Qual que foi o meu insight? que possivelmente vale mais a pena passar para vocês eh eh umas máximas, né, psicológicas, ou seja, a gente sair de um modelo em que eu tô entregando tipo Nuggets of wisdom, né? Então assim, é o que fazer para casos específicos, para ter um pouquinho mais de consciência de quais que são as regras gerais
que a gente aplica para tomar esse tipo de decisão, né? E aí, como que eu resolvi fazer isso? Eu peguei algumas máximas, né, algumas frases assim, eh, eh, que são memoráveis, porque se não for memorável não adianta nada, você vai esquecer, você não vai conseguir aplicar isso na prática. E a ideia é pegar essas Frases, construir elas teoricamente, entender o porque que a despeito de, né, teoria X ou teoria Y, escola A ou escola B, né, eh, esses pressupostos, eles são válidos, né, e quando aplicar cada um deles e conectar isso com exemplos clínicos, OK?
Eh, aí para me ajudar, eu chamei aqui o João, né? Ele vai ser o colega aqui que não vai me deixar ser excessivamente teórico. Saudações, pessoal. OK. E ele está, né, do do outro lado, né, vai ser a voz do Além aqui que Vai aparecer. Eh, então assim, quando eu tiver assim excessivamente teórico ou quando eu precisar, né, levar um pouquinho mais pra concretude clínica, o João vai puxar, né, minha orelha aqui e, enfim, né, eu volto aqui pro pra linha. Então, espero que não fique muito incompreensível e já vou começar aqui com a explicação.
Então, vamos começar com o primeiro desses eh eh pressupostos teóricos que muitas vezes não são conscientes, né? Eh, que é o da Compensação, né? Eh, é difícil pontuar de onde vem a noção de compensação, né? Eh, porque sequer ela vem da psicologia, né? A noção de que sistemas eles têm algum tipo de homeostase é verdadeira em vários outros âmbitos, né, do conhecimento. Inclusive isso vai ser verdade para vários desses pressupostos, né? É, isso vai ser verdade na clínica, mas vai ser verdade também se você tiver interpretando um livro, mas vai ser verdade também se você
tiver estudando Química e vai ser verdade também se você tiver numa partida de futebol, né? A verdade ela interpenetra vários níveis, né? Eh, enfim. E aí, o que que é compensação? é a noção de que para eh auxiliar um determinado sujeito é interessante ver qual que é a unilateralidade que tá presente para tentar compensar, para tentar a partir do lado oposto trazer a pessoa, né, ou tirar um pouquinho dessa unilateralidade. Qual que é a lógica Aqui na na concretude clínica? Olha, se o seu paciente, por exemplo, eh tá excessivamente convicto de que ele pode raciocinar
e a partir da pura razão, ou seja, só pensando lidar com a vida, que ele não precisa sentir, né, que sentimento não serve para nada, que é, enfim, nada disso é importante, que ele só precisa da lógica para sair de todas as situações, né? E ele tá tendo problema no namoro por conta disso, né? Afinal de contas, a namorada dele não é Assim tão racional. Eh, enfim, as pessoas, né, não se comportam assim. Qual que seria a ideia? A ideia ia ser compensar essa posição, essa crença muito lateral dele, né, na importância da lógica. a
partir, e aí você pode dar exemplos clínicos, você pode pensar situações da vida dele e trazer para jogo. Você pode na relação terapêutica tentar eh eh trazer um pouco dessa irracionalidade, né, ou de como que a partir da interpretação daquilo que ele Tá sentindo, se chega a, né, e interpretações ou formulações muito mais interessantes do que simplesmente pensando. E aí eu dei o exemplo dele ser muito unilater unilateral. do ponto de vista racional, mas poderia ser para qualquer coisa, né? A pessoa que supervaloriza o sentimento, a pessoa que supervaloriza eh eh o que o pai
dela falou, né? A pessoa que supervaloriza a crença religiosa dela, né? Enfim, qualquer pressuposto, qualquer verdade, Né? Se levada às últimas consequências, né? levam a determinada unilaterialidade e é pouco provável que uma única maneira de estar no mundo seja saudável para todas as situações. Portanto, né, a lógica é que tanto a natureza busca uma espécie de homeostase, quanto o próprio ser no mundo do sujeito também o busca, né? E muitas vezes é o seu papel fazer uma espécie de dialética, jogar um pouco com isso para trazer a pessoa mais pro meio ou para ela, né,
refletir um pouco Mais sobre essa posição unilateral para ver se ela vale para todos os casos. Afinal de contas, existem pessoas saudavelmente desadaptadas, né? Então, tem pessoas que conseguem saudavelmente ficar e eh às margens. Essa só não é a regra geral. Algum comentário? É, mas uma perspectiva que eu queria saber de como que você acha que é dá para lidar com isso. Por quê? Quando a gente tá falando de unilateralidade, geralmente a pessoa tá muito identificada com esse Tipo de comportamento. E se você vai colocar, vai tentar pontuar isso de alguma forma, ela pode se
sentir pessoalmente atacada. Uhum. Eh, de que formas que a gente pode pontuar isso ou transformar isso em intervenção sem fazer com que a pessoa, por exemplo, crie mais resistência com a terapia? Uhum. É, então acho que a primeira consideração é que talvez o caminho seja atacando mesmo, criando a resistência, você vai ter que lidar com isso, né? Nem Sempre a relação terapêutica ela é dada de maneira agradável. Às vezes a pessoa tá lá porque quer te provar errado, porque não gosta de você, né? E aí a gente precisa lidar com a transferência negativa. Esse é
um ponto, né? Eh, agora sobre essa falsa identificação com uma determinada premissa, né? E aí assim, tem vários nomes teóricos que a gente pode dar para isso, né? E, eh, se a gente fosse falar em termos de ACT, a gente ia chamar isso de uma fusão Cognitiva, né? E aí você precisa disfusionar isso. E tem várias e eh formas de trabalhar. Então, vou vou apontar algumas aqui, né? Mas tem literalmente várias. O importante é imaginar é ter a visualização do que que você precisa fazer. Se a pessoa tá excessivamente próxima disso, a ideia da compensação
é apresentar maneiras, variações de fazer isso não tá mais constelado, não tá mais fusionado, né? E aí, como que concretamente você pode Fazer isso sem ser muito agressivo? Então, uma primeira coisa é você pode convidar a pessoa a ser mais do que ela acha que é, né? Inclusive você tem isso tatuado no seu braço, né? É neil mano, um amando um puto. Nada de humano me é alheio, né? Então você pode convidar o paciente a ter uma experiência mais ampla do que que é a vida dele, né? Então, se ele se ele acha verdadeiramente, né,
eh, que ele é uma pessoa tímida, você pode, por meio de Experiências, e a experiência pode ser indo com ele até algum lugar, pode ser, né, eh, imaginando alguma situação, pode ser conversando sobre isso, né, eh, mostrar que, na verdade, tem outras formas de ser, né, que ele é um pouco mais completo do que ele supõe ser, que tem uma parte dele que já existe e ele não nota. E aí talvez, né, na acceitação dessa parte que já está lá, né, porque, enfim, todos nós somos mais do que a gente imagina ser, eh, ou em
algum Nível, né, e, eh, a árvore já tá presente na semente, então se aquilo não é concreto na vida dele, pelo menos potencial ali está, eh, você pode convidar e mostrar para ele, colocar ele para conhecer essa subpersonalidade dele que ele não eh eh agrega no seu eu. Essa é uma maneira, né? Outra maneira é fazer isso de forma racional. Então, se você quiser uma coisa, já que você pediu intervenções com um nível de agressividade mais baixo, talvez eh eh Experienciar isso seja muito pra pessoa no primeiro momento, mas conversar sobre a possibilidade é muito
mais razoável, porque a maior parte das pessoas se confrontadas com eh eh as consequências últimas do seu pensamento o negariam. Então, sei lá, a pessoa eh eh pulou o muro para roubar a jabuticaba. Então, se seu paciente é eh tá puto porque tomou a dura da polícia, tinha uma casa que tava abandonada, ele pulou o muro para pegar lá no jabuaba, né? Foi pego no ato e Ficou puto, né? É, se você e aí é um procedimento basicamente cantiano, né? É pegar isso que a pessoa fez de maneira pontual e tornar isso uma máxima, né?
A pessoa provavelmente não concorda que você pode sair pulando muro para pegar as coisas que as pessoas não estão usando, né? Talvez ela aceite isso para casas abandonadas e para jabutabas, né? Mas eh eh se ela for viajar por uma semana e alguém for lá e pegar a televisão dela, ela considera isso Roubo. Então assim, eh do ponto de vista racional, você pode inclusive exercer eh eh essa noção cantiana de universalização. Isso é uma outra maneira de proceder que eu acho bem delicada assim, bem bem pouco agressiva, né? Então é e é eh pô, a
pessoa para se conhecer um pouco mais, talvez trabalhasse racionalmente, né? Transformando o específico em uma regra geral. Deixa eu pensar numa terceira possibilidade. Ah, você pode usar a sua Personalidade para isso também, né? Então, muitas vezes a pessoa não consegue visualizar e eh o como que, por exemplo, eh uma pessoa pode ser por que que pessoas babacas têm amigos, né? Porque, enfim, a pessoa ela é excessivamente boazinha no ser, no tratar, né? E aí, talvez se você conseguir construir uma relação genuína de amizade com ela, sendo um pouco babaca, e melhor ainda se isso é
parte da sua personalidade, talvez ao ver isso No outro a pessoa consiga enxergar isso nele, né? É a básica dinâmica de grupo de adolescentes, né? Eh, eleva-se, né? Todo mundo ali tá inseguro com a própria pele, mas escolhe um menino para ser o espinhento, escolhe um menino para ser o gordinho do grupo, né? E se eh o bullying ocorre de maneira razoavelmente saudável, né? dentro do do nor da normalidade do que que é esperado. Aí lógica é de que percebe-se que o espinhento, o gordinho também faz graça, Também pega mulher também, né? Enfim, joga o
jogo social, passa de ano, etc., né? Eh, e se eu consigo aceitar isso nele, se ele consegue performar socialmente assim, por que que não conseguiria aceitar isso em mim? Então, acho que são três maneiras aí para ficar bem bem completinho. Segundo princípio, né? Eh, simila, sibilos curantor, né? né? E aqui eu vou fazer questão de trazer a as coisas na língua natal quando eu lembrar, né? É, é ou enfim, Porque é legal saber as máximas e mais legal do que isso é saber como aplicá-las na concretude clínica. Então, qual que é esse princípio, né? Eh,
em português, o semelhante cura o semelhante. Fogo se cura com fogo, né? Eh, a lógica aqui é que essa é a compensação da compensação, né? Então, se e o princípio da compensação diz que para uma pessoa que tá muito no lateral, num determinada posição, o mais interessante é apresentar uma antítese Para essa tese dele. Outro procedimento é seguir a tese dele as últimas consequências, curar o fogo com fogo, né? Então, eh eh a pessoa tá num relacionamento péssimo, sei lá, tem uma um namorado assim muito muito muito pai, é muito complicado. Eh, já foi em
três terapeutas e nos três terapeutas tentaram fazer a pessoa terminar e aí ela terminou a terapia e não o namoro, né? Eh, você tendo essas informações, já toma um pouquinho de cuidado, já sabe Que compensação talvez não seja tão interessante, né? Eh, justamente pelo que o João comentou, por estar tão identificada com esse namoro, ela acaba rompendo a terapia e não o namoro. Então, uma maneira possível de lidar com isso é eh tirá-la dali, alimentando ainda mais a fogueira. Porque talvez se ela ficar tão mais próxima desse sujeito, né, se ela se aproximar tanto ou
acabar se aproximando, você não precisa ativamente fazer isso, né, eh, Tanto assim, ela finalmente vai ter energia para se desligar dessa situação. É igual o caso do filho com a mãe, né? Exato. Exato. É. Tô fazendo referência ao caso da Von France. É, só para vocês saberem, eu anotei as frases, eu não anotei o meu raciocínio. Então assim, se eu acabar caindo em exemplos muito parecidos, é porque os exemplos eu tô dando on the fly, assim, mas sim, né? Me lembrei do do exemplo da da Von France, eu tô tô construindo em cima dele. Eh,
Então esse seria um segundo princípio. E aí, de novo, porque o mais importante aqui não é ouvir as frases bonitinhas, né? é entender a importância disso. Por isso que eu vou fazer esse parêntese e eu vou repetir isso algumas vezes durante a duração do vídeo todo. A sacada aqui é sair de um modelo em que eu preciso entender a psicologia do adolescente e que eu preciso entender o que que eu faço quando o meu paciente tá quieto, né, para entender eh construções Gerais do que que é possível na terapia. Porque a compensação serve para quando
o paciente tá quieto, né? Se meu paciente só fica calado, eu posso falar demais, assim como eu posso ficar quieto também, né? Então, é, essas são regras gerais que eu aplico nos casos específicos, né? Se meu paciente e eh não engaja com a terapia, eu posso não engajar também, assim como eu posso engajar demais, a ponto de trazê-lo talvez para dentro, né? Então, esses princípios gerais Servem para todos os casos específicos. É por isso que é importante ter alguma consciência deles, porque a maior parte dos teóricos t esses pressupostos, mas nem tem consciência de que
tem, ou se tem, não escreveu isso no livro, né? Então não é transmitido. Vamos para um terceiro, né? Eh, que tem a ver com eh eh uma noção de mediania, né? A mediania aristotélica, né? E naturalmente outro desses macrincípios filosóficos que vão eh eh colonizar a nossa mente, às vezes A gente nem percebe, né? Aqui a noção é eh tá dentro desse mesmo conjunto, né, que é a noção de que tudo em excesso deixa de ser virtude, né? Então coragem em excesso não é bacana, é burrice, né? A pessoa vai lá, vai se matar por
motivo algum, né? Então coragem e excesso é um vício, não é uma virtude. Assim como falta de coragem é covardia, né? E portanto outra outro vício, né? Então, a virtude ela estaria nesse campo do meio. Por que que esse é um princípio que é Bom a gente ter consciência? Porque primeiro a gente tem que ter consciência quando ele tá certo e a gente tem que ter consciência quando ele tá errado. Então, por que que a gente tem que ter consciência quando ele tá certo? Porque várias vezes eh você vai precisar dar uma resposta genuína para
um problema moral. Então, tem vezes em que ou existem, né, tanto casos quanto abordagens em que você se exime um pouquinho do problema moral, né? Você Não entra na problemática do que que é certo, o que que é errado, mas existem tanto casos quanto abordagens que se que te convidam um pouco mais a adentrar na moralidade da questão, né? Eh, e às vezes quando as pessoas não têm uma reflexão moral mais profunda, as pessoas acabam pegando esses princípios antigos, né? e simplesmente atualizando ele sem muita crítica, né? Então, eh eh a maior parte das pessoas
são aristotélicas e nem sabem. Esse é que é o ponto. E qual Que é o problema? Às vezes, eh, igual eu comentei anteriormente, o seu paciente é um dos raros casos de uma pessoa saudavelmente inadaptada, né? Uma pessoa que cuja, né, saúde não tá no meio, mas nos extremos, né? Eh, eh, e ter consciência disso enquanto um princípio te ajuda a inclusive compensar às vezes a sua unilateralidade em querer trazer a pessoa pro meio. Isso é um comentário. Eu tava lembrando de um caso do livro do Felipe Kick que eu não sei se você Conhece
que chama Identidade Perdida. Eles mudaram a tradução, agora é flu as lágrimas disse o policial. OK. Que tem uma personagem que ela acredita fielmente que o marido dela tá preso no campo de concentração. Só que todo mundo ao redor sabe que o marido tá morto e todo mundo fica zoando ela, tipo assim: "Não, seu marido morreu, você não aceita não sei o que, não sei o que lá", né? E ela: "Não, meu marido está preso no campo de Concentração". E fica o livro inteiro assim. E aí, desculpa o spoiler, é um livro velho, mas quando
ela no final do livro cai a ficha, tipo assim, não, meu marido tá morto, ela vai e se mata também. Uhum. Entendeu? Então essa ilusão ao longo do livro era o que mantinha ela presa a vida. Quando cai a a ilusão, né, ela corta o laço com a vida. É, um outro princípio, esse eu não tinha nem pensado em falar, ia ficar para uma parte dois, mas que às vezes é Interessante, é eh ter muito cuidado com as intervenções que você vai fazer, porque ali eu acho que é um caso claro de eh você não
sabe que tipo de coisa tá sustentando aquele sujeito. Então, em que medida que aquilo que você tá chamando de sintoma, aquilo que você tá chamando de problema, não é uma tentativa de cura, uma tentativa de e enlaçamento da realidade ali pra pessoa, né? Eh, e às vezes, nossa, e isso é assim o tipo de erro clínico que me Incomoda quando eu vejo as pessoas, por exemplo, aqui na aulos, né, em roleplay fazerem, eh, ou, enfim, né, de vez ou outra, de vez em quando vou numa supervisão e vejo umas coisas assim, porque e é uma
falta de sensibilidade muito grande, assim, você partir do pressuposto que vendo de fora você sabe corretamente a direção, né? Ah, isso daqui claramente é patológico, portanto, e é a realidade impera, porque isso é uma unilateralidade, né? as pessoas ali À volta, né, a crença delas era de que, bom, é, a verdade é preferível a mentira, portanto saber do que que realmente aconteceu com seu marido é preferível, né? Eh, e o problema é que é uma violência grande a gente colocar os nossos pressupostos filosóficos à frente da concretude do caso, né? É, é isso, isso é
um ato violento e a gente tem que ter muito cuidado com isso. Então assim, é levar o caso como um mistério, é é genuinamente não partir do pressuposto De que é eh eu sei o que que é melhor necessariamente, né? Ou eu sei excatcer esse caso que a verdade salva, né? Então a gente tem que ter cuidado com esse tipo de pressuposto. Com certeza. Com certeza. Eh, enfim, ia fazer mais um parênteses, mas mas vamos seguir, senão vou vou me alongar demais. Eh, uma outra eh eh hipótese teórica que é muito muito muito usada e
as pessoas elas não têm muito consciência disso é a de que e o sistema psíquico ele é relativamente Fechado, né? Ou do jeito que a gente aprendeu em química, né, com Lavosier, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, né? Por que que essa é uma hipótese hiper rica do ponto de vista e eh né, clínico? Porque é interessante partir do pressuposto de que a energia psíquica não desaparece, os interesses não desaparecem, as coisas elas não acontecem no passe de mágica, né? Então o e o que que essa hipótese te ajuda na concretude do
fazer clínico? Se alguma Coisa desapareceu, você não vai assumir tão rápido que isso desapareceu por um passe de mágica. você vai procurar para onde que aquilo pode ter ido, no que que aquilo pode ter se transformado. Então assim, se a pessoa era perdidamente apaixonada por alguém, né, você tem um paciente lá que tava assim completamente apaixonado por uma moça, né, e aí do nada esse tema some. É muito razoável que você, enquanto clínico busque para Onde isso foi. Talvez esse amor vire uma outra coisa, né? Eh, quantos casos clínicos a gente não tem de amor
se transformando em ódio, né? esse tipo de antiodromia acontecendo, né? Ou eh, né, como vai gostar muito, né, o primeiro Freud, nesse amor pode virar alguma coisa, inclusive mais elevada, pode virar arte, pode virar alguma outra, assim, alguma outra coisa, né? Mas eh encarar o sistema psíquico, ter a hipótese de que ele é pelo menos Relativamente fechado, ajuda a gente a eh não cair no erro clínico de assumir que a coisa desapareceu, porque é muito mais confortável, é muito mais fácil assumir que a coisa desapareceu. Então a gente tem que ter sempre cuidado com essas
hipóteses que são mais fáceis, né? Ah, não, tá resolvido. Ah, ele melhorou, né? É. É. Então, toma muito cuidado com isso, né? Essas mudanças mais drásticas eh são raras. E você pode dar um exemplo de como que a Gente acompanha essa transformação da coisa? É, aqui é muito mais eh o senso do investigador de que alguma coisa tem que estar acontecendo, de que a coisa não bate. Então, para mim o mais importante é a inquietude de correr atrás, porque se você correr atrás, né, eh, enfim, né, bata nas portas e a resposta aparecerá. Se você
correr atrás, você vai encontrar possivelmente, né, para onde que aquilo foi, né? Só basicamente seguir os rastros tal qual Um detetive, né? as coisas elas não exatamente desaparecem. Eh, agora o que você tá perguntando, que é sobre o acompanhamento do processo, eu acho que você pode ter eh e aqui eu vou fazer o uso de uma metáfora física, né, ou físicoquímica, eh, de quais são as linhas que você pode usar para como que eu sei que ou como que eu parto do pressuposto que essa nova coisa que apareceu tem uma relação causal com a coisa
que sumiu, porque no fundo, né, Ele de verdade pode eh eh vou usar um exemplo que você conhece, é ficar profundamente apegado a um gato, né, a estatueta de um gato depois que a mulher faleceu. Beleza, isso pode ser uma coincidência. Agora, como que eu eu dessa coincidência fortuita implica uma causalidade? Eu parto do mesmo pressuposto que um químico partiria. Olha, a energia nos dois campos, ela é igual ou pelo menos muito semelhante? Então assim, se eu tô falando que alguma Coisa desapareceu, né, então depois que a esposa morreu, nem houve luto a despeito dele
amar profundamente essa esposa, mas com uma intensidade muito parecida, ele começou a ornar, né, como se fosse um objeto sagrado, essa estatueta do gato. Olha, se a energia é parecida, é um primeiro indício de que talvez isso que desapareceu esteja aparecendo aqui do outro lado, né? É. É, agora para dar um exemplo contrário, a pessoa é Eh de novo, né? A esposa da do do sujeito ali morreu e ele e eh começou a ir em roda de pagode, mas ao investigar a importância de roda de pagode você vê que é uma coisa muito secundária. Então
você é parte do pressuposto de que não foi esta energia específica do luto com a esposa que foi parar no pagode, né? Isso uma coincidência mesmo, né? É, então, primeira coisa é essa, equivalência de energia. Segunda coisa, você consegue dar um sentido para essa Mudança qualitativa, né? Então, no caso, né, da da Estatueta do gato, né, a construção, para quem conhece, não vou dar o spoiler de onde que é, não, vocês procurem, né, mas a construção que o o a o clínico em questão vai fazer é o de que e essa figura do gato tem
algo da ordem do feminino que foi perdido, ou seja, eu consigo de alguma maneira significar essa transposição que aconteceu. Essa é uma outra evidência para me ajudar a acompanhar, que foi a Sua pergunta, né, para onde que essa energia foi? Então, quantidade de energia, a explicação da qualidade dessa transição pode ser eh eh um outro princípio orístico que eu vou adotar, né? Eh, eh, e a gente vai chegar em em outras premissas lá na frente, né? Mas para já dar um for shadow, né, um spoiler, eh a noção de teoria da completude. Então assim, eh
eh se eu coloco essa hipótese, o meu caso enriquece, eu eu perco pontas soltas, a Coisa tá mais e eh montadinha ou ainda eu sinto que tem algo faltando? Então é e acho que são três hipóteses aí para para trabalhar um pouquinho para onde que isso vai, como que eu acompanho para onde que isso vai. Mas igual eu comecei respondendo, para mim o mais importante é a inquietude de não aceitar que alguma coisa desapareceu, né? Eh, eh, de ir atrás, porque se você fosse, provavelmente vai encontrar, né? Eh, próximo pressuposto, esse aqui é um Pressuposto
muito mais epistêmico do que clínico, né? Mas já tem implicações clínicas grandes, que é a noção de um lumen de lumen, né? Eh, eh, ou que a verdade liberta ou enfim, tem várias possibilidades de eh máximas que a gente pode usar. Mas é uma noção antissistêmica, né? É a noção de que tudo que é complexo pode ser dividido em partes menores, ou para ser um pouco mais preciso, de que a razão, o raciocínio, o rácio, a divisão, né, é o Princípio fundamental da do conhecimento, né? Ou seja, é o exemplo que eu sempre gosto de
dar. Se eu quero entender um carro, um carro é hiper complexo, né? Você acha que você entende um carro, tenta montar um. É impossível, né? Ninguém sabe, você consegue montar uma bicicleta assim, né? Eh, o carro, então quem dirá? Mas eh eh se você prestou atenção nas aulas de físicas, talvez você entenda o motor. E se você não entende o motor, muito Possivelmente se você prestar um pouquinho de atenção, você consegue entender pelo menos o pistão. Ou seja, você tem um fenômeno complexo que ser raciocinado, ser dividido, né? Eh, se torna um fenômeno simples e
a partir desse fenômeno simples você consegue trabalhar, né? E aí assim, essa é uma premissa muito, muito, muito presente para, sei lá, analistas do comportamento, né? Mas ela é verdadeira em quase todos e eh as escolas ou Abordagens clínicas em algum nível. Em algum nível você vai usar esse tipo de procedimento, né, do dividir, do raciocinar, né, do analisar. Tudo isso tem a ver com isso do do com essa questão do repartir, né, do compreender as partes e e pôr mais ênfase nisso do que no processo de síntese. Qual que é a sacada aqui? Esse
pressuposto, igual eu falei, esse é um pressuposto epistêmico, ou seja, de que todo fenômeno complexo pode ser dividido em partes menores, de Que a razão é o princípio da consciência, é o princípio do conhecimento. Qual que é a sacada aqui? Por que que esse é um princípio clínico muito interessante? Porque toda vez que você tiver na dúvida, toda vez que você achar difícil de compreender aquilo que o paciente tem, o que que você tem que fazer? quebra em pedaços menores. Então, se você não tem uma resposta genuína eh do que deseja uma mulher, né? Então,
sei lá, você tá atendendo uma paciente, seu Paciente gosta de garotas e você tá bastante na dúvida a respeito de eh como que você pode ajudar ela a conquistar um amor, né? Esse é o objetivo dela. Você você se propôs a fazer isso. A questão aqui passa a ser: o que deseja uma mulher? Que é enfim, né? a questão que o Freud morreu sem conseguir responder, né? Questão que assola a todos os homens e aparentemente a sua paciente também. Qual que a questão aqui? Eh, se você não consegue compreender Isso nesse campo tão complexo, quebra
em partes. Olha, é como que eu consigo começar uma conversa com uma mulher? Talvez e esse fenômeno, começar uma conversa já seja eh manageable, né? já já dá para você trabalhar com ele, senão como que eu consigo me preparar para ir até lá? E aí você quebra isso em pedaços, né? E masteriza e tem tem domínio de cada um desses pedaços, né? Porque no fim das contas se a pessoa consegue, né? eh eh dar conta de todos Os fenômenos internos que acontecem para se colocar em movimento, dar conta da interação social básica para começar a
conversar, dá conta de se mostrar razoavelmente bem, dá conta de ser uma pessoa, né, agradável para que o que ela tá mostrando, né, verdadeiramente conquiste alguém. Bom, você quebrou algo que era complexo, como que eu construo o amor em partes, né? Então, se eu sei ir até lá, se eu sei conversar, se eu sei flertar, né? E e se flirtar tá ainda Muito complexo, quebra flirtar em partes. Tem uma parte do flirtar que envolve contato visual, tem uma parte do flertar que envolve eh jogos de comunicação, né? Eh, então uma certa dialética ali entre os
dois, né? Eh, às vezes da piada, às vezes, né? Eh, eh, da provocação, enfim. Eh, eh, existe uma parte que envolve noção de contato corporal e aí você tem domínio sobre cada uma das partes e parte do pressuposto que domínio das partes dá Domínio sobre o todo. Ah, e se eh, contato corporal ainda for muito complexo, você quebra contato corporal em mais partes, né? O que que você vai fazer com as mãos enquanto você tá conversando? Como que você vai decidir a distância ideal entre as duas pessoas, né? E aí você pode eh fazer o
seu paciente experienciar isso, treinar, fazer exercícios reflexivos, né, conversar sobre cada um desses elementos até que o domínio das partes se torne um Domínio do todo, né? Mesmo sem entender nunca o que deseja uma mulher, ele consegue procedimentalmente fazer todas as coisas. Ela no caso, né, consegue procedimentalmente fazer todas as coisas para conquistar a pessoa amada. E para quem tem uma visão sistêmico de psicologia, como é que trabalha com essa antítese aí? OK. É, essa é a próxima, inclusive, né? Então, uma das coisas que, né, o sujeito mais esperto que tá vendo esse vídeo no
futuro já percebeu é Que o jeito que eu organizei e e as as, né, essas frases de efeito que eu tô colocando, é uma compensa a próxima, uma é é uma espécie de eh, complemento a última, né? Então, se por um lado a gente tem um ponto de vista eh eh da Ein, que é assim que fala luminismo em alemão, não, né? Alf Clerum, obrigado. Eh, eh, se de um ponto de vista a gente tem e essa noção de que a luz, a verdade, o raciocínio salva, a gente tem um segundo ponto de vista que
é, né, que O obscuro ele é conhecido pelo ainda mais obscuro, né, ou na frase bonitinho em latim para vocês gravarem, né, e tirarem onda, obscurum per obscurantis, né? Eh, qual que é a sacada aqui então? que para o verdadeiro conhecimento de algo, o processo do conhecer não passa por raciocinar, por dividir, mas passa por compreender que aquilo que é obscuro ou produzir algo ainda mais obscuro daquilo que é obscuro ou do de uma formulação um pouco mais sistêmica, né, Que as interações entre as partes criam propriedades que não são óbvias no exame das partes,
ou seja, né, do jeito um pouco mais simples, o todo é mais do que a soma das partes. Mas o que que isso significa concretamente? Significa que eh para pegar o mesmo exemplo, o que desejo uma mulher? Talvez a pessoa entre lá e eh fazendo uma pergunta dessas, né? O que deseja uma mulher ou isso? E o processo de análise, o processo clínico vai te levar para lugares ainda mais Obscuros. Então, eh, se a pergunta era concreta, né? Olha, tem essa menina que eu me interessei, o que que eu faço para conquistá-la? Talvez você vá
para, né, esse raciocínio um pouco mais amplo que deseja uma mulher, talvez para um raciocínio ainda mais amplo, o que que é o amor, talvez para raciocínio ainda mais amplo, tipo assim. E o ponto é que no final desse processo você vai estar ainda mais perdido do que você tava no início, mas A sensação é que de ali, foi ganho. E isso é é talvez seja um pouquinho mais difícil de visualizar, porque de maneira geral, né, o nosso processo de pensar é muito mais colonizado por um tipo de raciocínio iluminista do que por um raciocínio
alquímico, né, que seria essa essa outra posição ou por um tipo de raciocínio sistêmico, né, eh, que é uma outra maneira de se opor, né, a esse raciocínio iluminista. A sacada é a Seguinte, eh quantas vezes isso já não aconteceu na sua vida, né? Eh, se você faz terapia, você entrou lá na terapia com uma questão e era uma questão relativamente simples, né? Olha, eh, eu tô brigando demais com o meu irmão e o processo todo, inclusive até o final, foi de complexificar essa questão ou, né, como o pessoal do sistema que vai falar, fazer
esse problema crescer, né, e enriquecer o problema. E o ponto é que no processo de enriquecer o problema, ao Mesmo tempo, você vai ficando mais confuso quanto a ele, ou seja, aquilo vai se tornando mais obscuro. Aquilo que parece ser uma questão comezinha e simples, vai se tornando às vezes um problema universal, né? Mas no ato dessa confusão, um esclarecimento acontece, né? É essa que seria mais ou menos o processo, né? E aí, eh eu acho que mais fácil do que descrever isso, porque eu ia gastar muitos minutos, é eh eh comecem a reparar o
tanto que isso Acontece na vida de vocês quando você tá raciocinando sobre um problema, quando você tá indo na terapia falar de alguma questão, né? Uma boa terapia muitas vezes procede dessa maneira, o obscuro pelo ainda mais obscuro. É um comentário, não tá? Eh, você fazer um sinal para usar ver, mas eu tô mais ou menos lendo certo quando você quando você quer falar. Vamos lá. eh próxima dessas máximas, né? Essa daqui é a primeira que não é uma bela Frase latina, não é alguma coisa que algum grande autor da psicologia falou e eh mas
é uma frase que eu gosto muito, tá? É uma frase do do Batman, do Gordon, mais especificamente, né? Que é como um detetive não acredita em coincidências. Porque que eu gosto muito dessa frase é porque não é que coincidências não existem, é que da posição de detetive não me é permitido acreditar. E para mim a posição do clínico muitas vezes é a mesma posição que o Gordon vai tomar. Então e coincidências podem existir, claro, mas da posição de analista, eu tenho que partir do pressuposto de que aquilo tem um significado. Talvez lá na frente eu
descubra que não tem, né? Mas o pressuposto que eu parto é de que na minha frente coincidências não acontecem, né? Eh, eh, ou se vocês preferirem uma formulação e eh um pouquinho mais chique, o, o, o seminário dois do Lacão da carta roubada, eh, tem uma máxima que eventualmente ele vai Chegar nela, que é uma carta sempre chega a seu destinatário, né? Claro que o Lacan ele vai ter um um uma inflexão interessante, não vai ser exatamente igual a frase do Gordon, porque a carta do Lacan é uma carta invertida, né? Mas a lógica é
mais ou menos a mesma, né? Então, se alguém me disse algo, eu parto do, mesmo sem querer, eu parto do pressuposto de que aquilo foi dito para mim, né? Então, eh eh o exemplo que eu tava dando agora a pouco, né? Agora a Pouco assim, né? no início do do do vídeo, a paciente que chegou depois de três e é e terapeutas e que assim o relacionamento dela é uma porcaria e a primeira coisa que ela vai falar para você é que é e ela já fez terapia antes. É pergunta, ela fala que já fez
terapia antes, que foi muito ruim, que os terapeutas eles não conseguiam entender ela. A única coisa que eles queriam é terminar com a única coisa que ela conquistou na vida, que foi o amor. Isto Não é uma coincidência. A pessoa, ela não tá reclamando das últimas terapias, ela está te enviando uma carta. A carta é para você. Ela tá te informando, ó, não faça isso. E a carta ela é muito clara, né? Claro que pro Lacan essa carta ela vai ter que ser lida de forma invertida, né? E aí, de novo, eh eh acho muito
impróprio, né, da posição de educador revelar todo o mistério. Então, dos seminários o Lacan, o dois, talvez seja um dos mais fáceis de ler. Vai lá e Dá uma olhadinha, tipo assim, no raciocínio, super elegante, inclusive. Mas vamos lá. Eh, eh, vamos voltar pr pra frase do Gordon, né, que que é a formulação um pouquinho mais simples, que é não vou acreditar em coincidências da posição de analista ou da posição de detetive, né? Então, assim, eh, ah, a pessoa chegou na terapia [ __ ] porque no buzão um velho e eh assediou ela e aí
ela tá falando eh da relação com os pais. E aí assim, a princípio, é Completamente absurdo partir do pressuposto causal de que a o fato do velho tê-la sediado tem qualquer coisa a ver com a experiência infantil dela com os pais. Dito isso, achar a verdade, a causalidade, não é, né, o objetivo principal da análise, é produzir uma interpretação que seja útil pra vida da pessoa. Portanto, a despeito das suas da falta ou da existência de crenças místicas, de como que as coisas elas secretamente não são coincidência mais Destino, você vai partir do pressuposto e
vai investigar, até porque não tem nada de mal investigar, a princípio, depende muito do da maneira com que você vai investigar, né? E aí pode dar alguma coisa de problemática nisso. É se algo da relação com os pais tem a ver com abuso. E essa é o quão agressivo é o pressuposto de que nada acontece enquanto coincidência quando você é que tá analisando, quando você tá na posição de ser o detetive ali da situação, né? E Mesmo que do ponto de vista causalas duas coisas sejam absurdas, né? Foi uma coincidência pro velho lá ter feito
isso com ela. Mas se você quiser construir uma jornada causal, certamente tem como. Talvez foi justamente essa posição que ela aprendeu desde pequena, que fez com que dentre 20 mulheres ali no vagão, ela em específico fosse a escolhida para eh eh enfim ser predada. Pode comentar. Eu acho que esse caso é interessante porque por conta da palavra abuso. Uhum. Porque Às vezes o que impede pra pessoa de fazer a conexão é que ela passa do pressuposto que ela sabe o que que é abuso. O psicólogo passa do pressuposto que sabe o que que é abuso.
E não pensa que a própria pessoa também não saiba o que que é abuso. A pessoa às vezes não sabe qual que é a conexão que ela fez entre o velho no ônibus e o pai. Uhum. Né? Então a investigação da ideia de abuso. Então você pergunta pra pessoa: "Ah, mas o o foi abusada como? O que que É esse abuso?" E tal. Você começa a ver as conexões entre as coisas, né? E às vezes a pessoa nem percebeu qual que é a relação dos pais com abuso e só só começou a falar. Uhum. Então
essa investigação dos termos eu acho que é bem bem importante. É. E às vezes não tem. Isso é muito importante. Tipo assim a conclusão pode ser de que não tem relação nenhuma, de que é simplesmente uma coincidência. O problema é partir do pressuposto de que é uma coincidência. Igual eu falei, a gente tem que tomar muito cuidado com as hipóteses que são mais fáceis, porque se for uma coincidência, a sua vida é muito mais fácil. Você só ignora esse fato, né? Agora, se não for, você vai ter que investigar. Então, tome muito cuidado com as
hipóteses que te tornam mais preguiçoso, né? Mas isso que você falou é super interessante, né? Eh, e aí assim, claro que tem a ver com o exemplo específico de que eu conjurei aqui Agora, que foi esse do do abuso, né? Mas pode vez no fundo ser qualquer coisa, né? A própria noção de um ato falho, né? O ato falho só significa alguma coisa em psicanálise justamente porque, né, é parte do pressuposto de que ele tem um determinado significado. E aí, claro que vai ter uma construção de, né, o inconsciente ele, né, pro Lacan aparece no
espaço vazio entre dois significantes, blá blá blá blá blá blá. Mas o fato é que não existiria Psicanálise se o Freud não tivesse partido do pressuposto de que isso tem um significado, né? Eh, inclusive tem é que eu tô é uma crítica que é feita ao Freud, mas que acho que é muito muito elegante, né? Que é a noção de que, cara, é ridículo você, por exemplo, eh eh ir estudar as pirâmides do Egito e partir do pressuposto que as pessoas que escreveram as coisas lá na parede escreveram para te zoar. Isso é claramente absurdo.
Dend o meu trabalho, Né, é ser um historiador, eu tô indo estudar, né, e é e pirâmides egípcias. E aí a minha hipótese é de que, né, eh eh 5000 anos atrás, os caras pintaram coisas completamente aleatórias na parede só para me sacanear e que isso não tem significado algum. Eh, isso obviamente é risível, né? Isso é uma hipótese completamente descabida, mas assim, quantas pessoas, né, eh, que se dizem neurocientistas não tem essa exata hipótese, né? Olha, eh, ó, o meu Trabalho, né, a minha carreira, ela é montada para entender a interpretação dos sonhos. E
qual que é a minha hipótese? Discussões significa nada, tipo assim, é um lusos nature, é uma é uma peça uma que a natureza tá pregando em mim, né, cara? Essa hipótese ela é tão [ __ ] né? Eh, e ela pode ser verdadeira. Eu não tô falando que obviamente, tipo assim, hipóteses ruins podem acabar sendo verdade. O mundo ele é sempre complexo, né? E cheio de e eh Né? A natureza de vez em quando brinca, né? Não atoristes em camaleões. Mas o fato é que eh isso eu não posso me dizer um investigador, por exemplo,
o meu objetivo, objetivo da minha carreira é entender o que que significa o sonho e a minha hipótese de partida é que ele não significa nada. Igual eu falei, eu posso concluir que ele não significa nada, mas essa não pode ser minha hipótese de partida, senão eu simplesmente não tô investigando, né? Então, se eu parto do Pressuposto, que isso é uma coincidência, eu já hipotequei, eu já vendi a conclusão do meu raciocínio na hipótese que eu tenho, né, que inclusive é o problema de boa parte da interpretação. Aí aqui eu já tô fazendo um parêntese,
mas é e é um parêntese que vale a pena, né? Dois. Se você quiser pensar no próprio Batman, por mais que o Coringue fique fazendo um monte de zoeira na cidade só para zoar ele, de fato, ele não para de investigar. É esse Aqui é o ponto. Sim. É certamente um bom paralelo, tipo assim, já que a gente tava tava no gordo, né? Mas o ponto que eu ia fazer é eh para trazer essa essa discussão até para um para um nível um pouquinho mais técnico, né? Apesar desse vídeo a princípio era para ser um
vídeo um pouco mais prático. A sacada é que sempre que você tá hipotecando a conclusão a partir das suas premissas, você não tá interpretando, né? É essa, é um, apesar de eu não construir isso como Uma frase bonitinha, esse é um princípio clínico muito fundamental, né? Então, se eu sei de antemão que todo sonho é uma realização de desejo, eu não tô interpretando o sonho, né? Não existe interpretação em que no início da interpretação eu já sei a conclusão. Isso só não faz sentido, né? Isso isso teria tanto sentido quanto, né? Eu já parti do
pressuposto de qual que é o significado do texto antes de lê-lo, né? Isso não é uma interpretação, Isso talvez seja uma interpretação do autor no máximo, né? Eh, então assim, esse aqui é o ponto, né? Não posso pegar uma mensagem de WhatsApp que uma pessoa me enviou. Se eu partir do pressuposto, que isso é uma carta de amor, eu já não tô lendo a mensagem. Eu já tô projetando o meu desejo, a minha crença, enfim, né? Os meus princípios. De novo, eu já estou vendendo a conclusão a partir das minhas premissas. E quase sempre, quando
a gente vai falar de interpretação na Psicologia, sobretudo quando a gente tá falando de interpretação, dê um jeito psicanalítico ou dê um jeito a partir da TCC, quase sempre isso é uma falsa interpretação. Já tô vendendo a conclusão de antemão, né? Eh, e enfim, tava dando exemplos de psicanálise porque, enfim, né? falar de interpretação joga junto um pouquinho mais para esse campo. Mas no fundo, no fundo, no fundo, no fundo, esse princípio, e agora eu tô fechando o Parênteses, voltando pro início, só para fazer o fechamento, né, de que eh como detetive eu não posso
acreditar em coincidências, também vai valer, por exemplo, para TCC. Porque assim, no fundo, no fundo, no fundo, é muito razoável pressupor que um pensamento automático pode ser sua coincidência. Olha, qual foi a primeira coisa que você pensou e eh na situação que a sua mulher foi lá e saiu de casa mais cedo, né, sem te dar tchau? Ah, eu pensei que o nosso Relacionamento vai acabar. Esse pensamento, ele de verdade pode ser simplesmente uma coincidência. É o fato de você não tratar como uma coincidência que te permite analisar. De novo, se você quiser investigar o
o os textos egípcios, não faz sentido nenhum ser partido pressuposto, que eles nada significam. Se você quer investigar, né, a cognição humana, não faz sentido nenhum você partir do pressuposto de que esta cognição específica não tem Sentido. Você pode concluir isso. Jamais isso pode ser uma hipótese. Jamais isso pode ser um axioma, tá? Eh, eh, então, enfim, passemos para a próxima. Eh, putz, e e a próxima aqui eu, eu esqueci. Ela tem uma formulação em latim, inclusive é de uma das lendas arturianas, né? Mas vou falar em português porque eu esqueci na hora de fazer
as anotações. Eh, mas a lógica é aqui. O tesouro ele sempre se encontra aonde menos se espera, né? Então isso Tem a ver com uma parte específica das lendas arturianas em que, né, as pessoas estavam indo lá buscar o grau e ele estava dentro de uma floresta, né, eh, obscura e eles ficam assim, onde que vai tá? Várias são as hipóteses razoáveis, né? Talvez esteja no centro da floresta, porque aquilo que é verdadeiro se encontra no centro, né? do mesmo jeito que você parte do pressuposto, que quanto mais pro centro vai est o chefão do
jogo, né? Pressuposto razoável, né? Eh, eh, ou, enfim, um outro pressuposto poderia ser, né? Ah, vai tá escondido no lugar aleatório. Então, se eu tô procurando, né, o cálice sagrado, aquilo que é mais precioso, eu tenho que olhar debaixo das raízes, eu tenho que olhar onde menos eh eh, né, se espera. E no fim das contas, né, a conclusão que eles vão chegar é cada um entra para essa floresta assombrada, no ponto que para eles é aquele que parece mais assustador, porque é lá que o grau Estará. E qual que é a inflexão psíquica, né?
O por que isso tem uma importância psicológica? Por que que isso tem muito a ver com a prática clínica? Porque muitas vezes, né, eh, aquilo que é o tesouro psicológico, aquilo que é a chave paraa interpretação do que que tá acontecendo, aquilo que o paciente mais precisa, se encontra aonde menos se espera ou aonde ainda não se procurou ou é eh protegido por um dragão, né? Enfim, todas essas Formulações são verdadeiras, né? Aonde você menos gostaria de ir. Isso é lógico, né? Então assim, é, estou procurando óculos, tem alguém procurando óculos, né? Quais são os
lugares mais óbvios possíveis? O primeiro deles é no em você. Por quê? Porque esse é o último lugar que você vai procurar. Então, certamente a noção de que aquilo que você mais busca tá debaixo do seu nariz, né? O fim da jornada é compreender que o fim está no princípio, é um pressuposto Psicológico com uma determinada validade, né? é válido para determinado recorte dos casos, mas às vezes a noção é de que aquilo que é mais valioso vai se encontrar aonde você menos quer achar, né? Então, talvez eh eh deixa eu pensar um dos exemplos
que eu já dei, o que desejo uma mulher? Vai, vamos voltar para esse. Eh, talvez aquilo que você precise, né, eh, para conquistar a sua amada, né, tal qual, sei lá, o Mário, vai ser enfrentar o Bower. É um dragão, Não é? é um lato senso assim, ele é ele é um dragão. É beleza. Per no perfeito ainda, né? Para quem não tem a referência, o dragão tartaruga é a formulação que o Frobênios vai usar, né? O Frobenius é dos clássicos da antropologia, é o cara que vai fazer e eh vai se especializar nos mitos
africanos, né? E aí ele vai trazer muito a figura do Dragon Tartaruga como sendo central, assim, como sendo algo que é frequente em todas essas esses Mitologemas. Enfim, entrei num parêntese aleatório. Fato é que eh talvez o que você mais precise para encontrar esse amor seja se confrontar com aquilo que você mais tem dificuldade. E isso é um pressuposto teórico, né? Isso é uma máxima clínica. E o que que você vai fazer? Examinar essa máxima clínica. E aí a questão é a seguinte: olha, qual que é a dificuldade na vida do meu paciente? Ó, a
dificuldade na vida do meu paciente é encontrar o amor. Qual Que é a coisa que o meu paciente mais tem medo do outro? O outro é assustador para ele, né? Ou sei lá, falar em público é assustador para ele ou sei lá, eh se confrontar com a família dele é assustador para ele. Em todos esses três exemplos, a hipótese que você partiria é você entra pela floresta no ponto que te dá mais medo, porque é assim que você encontra aquilo que você tá buscando. Uma frase do Sócrates que o Jung usa que fala que como
é que é? Procureis o frio Da Lua e encontrarás o calor do sol. OK, perfeito, perfeito, né? Podia ter sido essa, inclusive, né? Já que eu não lembrei e eh a a frase em latim, né, do do das lendas arturianas, podia ter pegado a do Sócrates. Essa essa vale também, mas a lógica é mais ou menos essa. E gente, de novo, é a verdade interpenetra níveis de análise. Isso é verdadeiro quando a gente tá falando do seu paciente, mas isso vai ser verdadeiro na sua vida. Isso vai ser Verdadeiro quando você tiver jogando Skyrim. Isso
vai ser verdadeiro. Eh, eh, se você quiser melhorar do jeito que você joga tênis, muito provavelmente, tipo assim, é aquela coisa que você menos gosta de treinar, que vai ser a mais necessária para você se tornar um bom jogador, né? Então, esse aqui é o ponto. Essas essas verdades, elas têm essa propriedade, né, de eh interpenetar níveis, interpenetrar níveis de análise, né? Eh, inclusive, fazendo o gancho, né? Eh, outra propriedade das verdades, que é a próxima máxima que eu gostaria de trazer, é a de que uma verdade sempre é simples, tá? Ou se vocês preferirem,
o jeito que o an vai posicionar, entia não sunt multiplicare, né? Ou seja, não é razoável, não se deve multiplicar as entidades sem necessidade, né? Qual que é a sacada aqui? E primeiro no, né? Eh, sempre que eu consigo explicar alguma coisa para um modelo mais simples e também consigo explicar para um modelo Mais complexo, eu devo preferir o modelo mais simples, né? Então, é o exemplo que normalmente dou quando eu tô falando disso, né? Se eu cheguei até aqui e estou gravando isso, não estou em casa, né? Eu posso ter chegado aqui de várias
formas. Eu posso ter chegado aqui a pé, eu posso ter vindo de Uber ou o Papai Noel pode ter me dado uma carona. Só que para pressupor ou para sustentar e po e tudo isso pode ser verdadeiro. Você não me conhece. não sabe se eu sou amigo do Papai Noel, mas para partir do pressuposto que o Papai Noel me deu uma carona, você precisa que o Papai Noel exista. Você precisa que eu seja brother do Papai Noel. Você precisa que ele consiga andar na cidade sem ninguém ter percebido, né? Porque ele não fica fazendo isso
direto, né? Você precisa que caiba na eh eh carruagem, tren caiba no tren dele duas pessoas, né? Então assim, que que que porque ele é, né? Mais inchado até onde a gente sabe. Exato. Então vai saber se se cabe lá, né? Ou seja, tem uma série de pressupostos que precisam ser verdadeiros para razoabilidade ou que diminuem a razoabilidade de eu ter vindo aqui de carona com Papai Noel, né? Eh, mas onde que isso vai na clínica? Assim, entendi. [ __ ] Alan, entendi o que você tá falando. Não gosto tanto de epistemologia quanto você, mas
me conta assim. E e na clínica como que eu faço isso? Olha, se você não formulou o caso Em uma frase, se você não consegue dizer em uma palavra o que que seu paciente tem, você não entendeu. Esse é o pressuposto. A verdade sempre é simples. Se você precisa de uma página para explicar o seu caso, você ainda não entendeu, né? E isso é muito legal, porque inclusive na história do pensamento a gente consegue verificar isso, né? se por algum motivo vocês quiserem eh eh ler o que que o Newton ou o Laplace vão escrever
sobre cálculo Diferencial, o jeito que eles vão propor o cálculo diferencial. Primeiro que são livros e livros e livros e assim e é uma tristeza assim, não dá para entender nada. E o raciocínio ele é hiper hiper hiper complexo. Agora, se você for hoje numa aula de cálculo um na faculdade, você vai ver a mesma coisa sendo explicada em três frases. E muito possivelmente daqui a alguns séculos a gente vai precisar de uma linha. O ponto é que é a hipótese de que toda a verdade É simples ou quanto mais você compreendeu um fato, mais
transparente, mais óbvio ele fica. Ela é muito interessante, né? É. É, e é um pressuposto legal para você saber o quanto que você tá entendendo de um caso. Você tem muita ponta solta, se você tem que fazer muita articulação, você tem que explicar a coisa demais, é difícil. Normalmente, quando você tá no caminho certo da interpretação de um caso, você fala assim: "Ó, esse caso é Sobre isso e não falta nada e e tá todo montadinho, né? Comentar não. Beleza? Eh, uma outra hipótese que se liga muito bem nessa que que eu coloquei é eh
esse aqui tem menos a ver com a psicologia, né? e mais a ver com e eh a hermenêutica em si, né, que é o critério hermenêutico da perfeição ou da completude, tá? É, é qual que é esse critério hermenêutico que toda boa interpretação é de novo de uma obra, de um caso clínico, de qualquer coisa. Ela sempre é completa ou Ela sempre é perfeita. Ou para ser mais preciso, você parte do pressuposto de que uma boa interpretação deve ser completa. Que que isso significa? Se eu tô interpretando um filme, não tem nenhuma cena do filme
que eu passo rápido por ela. Se eu tô interpretando um poema, não tem nenhum verso que eu falo: "Não, mas esse aqui pode deixar, né? Se tem alguma ponta solta, é porque a interpretação não acabou". A interpretação, então a o toda a verdade É simples. Esse é um primeiro princípio. Um segundo princípio é quando, bem entendida, toda a verdade é completa, né? Eh, a obra ela não tem nenhum excesso. O excesso tá na incapacidade do leitor de observá-lo. Isso é verdade? Não. Tanto é que quase todo quem tem quem tem experiência de ser escritor, todo
escritor ou quase todo escritor tem a mania de querer reduzir, mudar, alterar o texto, você pega ele daqui a 10 anos, né? Você não fica exatamente, é Muito raro as pessoas que ficam felizes com o texto que elas escreveram. Dito isso, né? Eh, eh, quando você tá fazendo interpretação, você não pode partir do pressuposto de que algo tá sobrando. Então, ah, não, eh, essa hipótese que eu tenho sobre o caso, né, eh, de que o problema do sujeito é a relação dele com o outro, ele explica todos os fenômenos, exceto aquele dia que ele veio
falar de uma determinada questão. Então, se tem alguma coisa que foge a sua hipótese, se Tem alguma ponta solta, parta do pressuposto que ainda não é a hora de dar o caso como encerrado. Parta do pressuposto que a verdade ela é sempre completa. OK? Então esse esse é um outro critério que ajuda muito. E e que tipo de pergunta esse princípio vai responder? Nossa, Alan, eh, eu acho que o caso que eu tô atendendo é assim, assim, assim, assim. Qual que é a primeira coisa que eu pergunto? Tá. E o que que dentro do caso
que você tá Atendendo não é explicado por essa hipótese? Ah, não sei. Tá? Então me conta um pouquinho das últimas três sessões. Aí a pessoa me conta e aí rapidamente identifico vários pontos que a hipótese da pessoa não explica. Nesse momento, qual que é a posição que a pessoa tem que tomar? Ah, entendi. Então, da próxima vez, né, que eu te pedi ajuda aí, por causa que eu tô atendendo, já sei o que eu tenho que fazer. Eu tenho que pressupor essa Completude. Eu tenho que observar se alguma coisa foge à minha hipótese e tentar
reformular a minha hipótese para fazê-la caber nisso, tá? Claro que sempre que a gente tá fazendo isso, a gente cai num problema, né? E de novo, todas essas máximas tem outras máximas para e eh complementar, né? A unilateralidade é sempre um problema. A gente tem que ter cuidado para nessa ânsia de ser completo, na verdade, não criar uma cama de procusto, né? né? Então assim, não não fazer o o paciente caber na nossa hipótese, né? Sempre. E essa é uma das premissas que eu vou falar daqui a pouco, né? Acho que é daqui a umas
três. Eh, a verdade ela sempre tem preferência, né? Ela sempre vem antes da minha hipótese. Eu sempre tenho que ter um respeito para com o fenômeno, porque em não o tendo, isso é uma violência contra os fatos, né? Eh, e de novo, acho que a imagem de, né? colocar os fatos numa cama e cortar o pé Quando sobra na cama ou enfim, né? Esticar quando falta. Eu acho que dá dá dá o tom disso que eu tô chamando de violência. E entra o ponto do diagnóstico também, né? É a questão do porque a gente discute
muito sobre o diagnóstico nozográfico sem essa cama. Uhum. Mas o diagnóstico propriamente psicológico, no caso do Jung, ele também pode ser essa cama. Se a gente quiser forçar o paciente na hipótese individual nossa, né? Uhum. Então, ah, sei lá, Falei que o paciente é o filhinho de papai, como no caso do Jung. Uhum. N, eu tô tão fixado na ideia que eu quero ir cortando as coisas todas até caber, né? Então, acho que tem dois cuidados, um do diagnóstico nozográfico, né, que pega ali sua parte coletiva geralmente, né, e tem toda a questão da intervenção
também desse diagnóstico, mas esse é outro papo. Mas às vezes a gente tem que estar atento pro próprio capricho da nossa Hipótese. Uhum. Nossa, eu quero, eu sou tão bom, eu quero estar tanto certo que, né, eu vou podando ali tudo e deixando as coisas para trás pro paciente caber nesse diagnóstico meu que eu achei genial. Perfeito. Eh, eh, inclusive, né, sobre diagnóstico especificamente, acho que eventualmente eu vou gravar um vídeo falando da da do jogo lá dos poemas, né, de interpretação dos poemas da casa uma assombrada, enfim, né, eh, porque é um clássico, né?
É sempre Bom ter isso como referência, poder fazer referência a isso, né? Mas eu acho que a questão eh que é interessante aqui e o por que essa noção do critério da complicitude tão importante é porque ela é impossível. Se você conversar por horas com uma pessoa, não existe hipótese que vai encapsular a totalidade do caso, né? É, é, é, é uma tarefa impossível analisar nesse sentido, né? Porque você não vai conseguir formular uma hipótese que dá conta de todos os Fenômenos. E é por isso que isso te coloca numa posição de respeito para com
os fenômenos, porque a essa é uma hipótese, você parte desse princípio de que a verdade ela ela é completa justamente para não alcançar essa verdade, justamente dando conta da impossibilidade de fazer essa completude, porque a atitude é fundamental. E é por isso que eh eh eu quis, ao invés de tipo tirar dúvidas específicas e concretas, falar desses Princípios gerais, porque esse é um princípio geral muito importante. Se você tem o tempo inteiro na mente que olha, é impossível a completude, mas independente disso, eu tenho que buscá-la, né? E essa é um tipo de raciocínio, de
maneira de se portar, de posicionamento que te impede um pouquinho pelo menos de tentar fazer essa formulação total. ou até o tempo todo tentando fazer essa formulação total, mas sem acreditar na totalidade Real dela, porque o ponto todo é que a realidade ela sempre vai escapar, né? Se você quiser usar um um os termos delasianos, né? E eh a Terra ela sempre escapa dos juízos divinos, né? Eh eh ela tem essa propriedade, né? De se esgueirar desse processo de nomeação, né? É. Tanto que o diagnóstico de fato ele só acontece depois que o caso já
acabou, né? Exato. Mas para formulação de hipótese, assim, no caso, você tem dica pro pessoal? Você consegue ser um pouco mais concreto, tá? Estamos falando aqui sobre a importância de formular hipóteses, de conseguir explicar o caso, por exemplo, numa linha, não ficar enchendo, né, linguiça, mas para quem tem dificuldade de formular essa hipótese, no caso, Uhum. por onde que eles começam assim, eh eh eu acho que alguns dos princípios aqui eles ajudam um pouquinho nisso, porque são regras bem gerais assim. Então, ó, por onde que eu vou começar? Olha, eu posso começar com hipótese de
compensação. Eu vejo que que tá no lateral e tento compensar. Eu posso tentar observar, né, e eh esse essas pontas soltas e tentar ver o que que é comum para todas essas coisas, né? Usando, portanto, o critério da completude, né? Eu posso ter como hipótese de que aquilo que é o que tá mais profundo, o que tá mais inconsciente ou o que é mais difícil pra pessoa de enfrentar é aquilo Que é central. Então, no fundo, várias dessas premissas podem ser usadas como hipóteses para uma pessoa que não sabe fazer muito essa construção, né? Eh,
mas agora para responder isso direito, aí eu vou eh evadir a pergunta, porque eu gosto muito desse assunto e e como gosto e não entendo tanto, só consigo respondê-lo levando horas, né? Talvez daqui a uns 10 anos, né? Se você fizer essa mesma pergunta, eu consigo responder em uma frase, né? Mas eu Apontaria para a playlist que se não existe, vai existir. Não sei quanto no futuro a pessoa tá venda, sobreêutica, eh porque eu quero fazer um trabalho muito bom de e eh responder essa pergunta que você fez. Mas eu acho que assim, só com
que tem aqui, já dá para ter algumas hipóteses mais fundamentais assim, né? Então, pelo menos algumas direções gerais de para onde ir. Mas eh acho que o fazer interpretativo, o o processo de tomada de consciência da Interpretação é é uma jornadinha, né? Ou pelo menos eu não consigo hoje simplificá-lo tanto assim para falar isso aqui, isso aqui, isso aqui, né? Não, não tá tão estruturado assim. Eh, para mim ainda, pelo menos. E beleza, a pessoa fez a hipótese e viu que não funcionou muito. Primeira, primeira pergunta, como que eu vejo que hipótese não funcionou? Uhum.
E segunda pergunta, qual que é a responsabilidade do psicólogo na mudança de hipótese? OK? Então, beleza. Eh, vamos vamos aos poucos aí, já que a gente vai entrar nessa problemática, eu vou tentar responder com as coisas que eu falei aqui, tá? Vou vou tentar não fazer referência a coisas externas, só porque, enfim, né? A pessoa tá vendo este vídeo e sei lá ver. Eh, eh, então, primeiro, como que eu sei se uma hipótese funcionou? De novo, com os princípios que a gente viu aqui, tá? Ó, se o hipótese funcionou, a verdade ela é Simples. Então,
se a minha hipótese tá excessivamente complexa, se ela tem muitos entia fenômenos, né, ela possivelmente não tá tão formulada ainda. Eu tô longe da formulação ideal. Outra maneira de saber é, olha, se a hipótese funcionou, não tem ponta solta. Então, eu procuro ponta solta para ver se a minha hipótese tá funcional. Outra maneira de saber, né, é que é se a hipótese funcionou, ela possivelmente traz algo de novo pro paciente, que tem A ver com eh essa noção de eh eh complemento de uma unilateralidade. Isso é uma outra maneira de eh eh saber se uma
hipótese funcionou, né? Eh, o próximo princípio aqui é porque tem alguns na frente ainda que eu vou vou trazer, mas assim, se uma hipótese funcionou, ela muito possivelmente pode ser invertida. Esse é um outro princípio que a gente pode colocar, né? Eh, eh, se uma hipótese funcionou e aquilo é uma verdade encarnada pra pessoa, muito Possivelmente ela é difícil de aceitar no sentido de que as coisas que são mais verdadeiras, as coisas que são mais necessárias, né, viver os nossos valores, muito possivelmente envolve algum grau de sofrimento ou desconforto, né? Eh, eh, se uma hipótese
ela é bem feita de novo e agora com o princípio, né, do lumen de lumen, eh, eu consigo visualizar todos os pressupostos, todas as partes e todas as partes estão claras para fazer essa síntese. A síntese, ela É feita a partir das partes. Outra formulação é: se uma hipótese funcionou, o que agora é o problema, ele é mais complexo, mais rico e mais difícil de resolver. do que o que a pessoa me apresentou inicialmente, né? A demanda que eu vejo na hora que eu faço a formulação da hipótese, ela é ainda mais complexa, o obscuro
pelo ainda mais obscuro, né? Então assim, no fundo, tudo que eu falei são respostas possíveis para isso que você tá falando, né? São Esses princípios, eles podem ser usados, tem vários níveis diferentes. Um desses níveis que eles podem ser usados é no nível de saber se eu fiz uma boa interpretação, né? Eh, então, enfim, uma maneira assim de de posicionar. Posso pro próximo, tá? Não, porque às vezes você não achou que respondi o suficiente. Aí eu posso tentar ir para exemp mais. Se você quiser, tem a segunda parte que é qual que é a responsabilidade
do psicólogo. Obrigado. Na mudança. Obrigado. Obrigado. Obrigado. Vou fazer o for shadow de algo que eu ia falar lá na frente, mas isso é muito fundamental. É, então já vou aproveitar e repetir. Repetir é importante pra fixação das coisas. Eh, primeira coisa que você precisa entender é que as suas hipóteses clínicas elas não são inócuas, né? Ou seja, que eh os pressupostos filosóficos, os pressupostos em termos éticos que você tem, os pressupostos teóricos, eles Fazem diferença tanto na interpretação quanto na intervenção que você tá fazendo, tá? Eh, o que que isso significa? Que partir do
pressuposto de que, por exemplo, né, tudo é sobre sexualidade, muda como que você vai ver o caso, muda a potência das suas intervenções, né? E pode ser correto, como pode ser violento para com os fatos. A mesma coisa vale se a sua hipótese fosse outra, né, de que toda inadequação uma adequação epistêmica, Né, que é a a hipótese que vai gestar a TCC clássica para ficar nessa nessa díade, né? Eh, a mesma coisa vale se você hipostasia o princípio da eh eh deixa eu pensar um aqui que tá da compensação. Então, sempre o problema psíquico
é um problema de compensação, que seria, por exemplo, a maneira alemã, né, do do início da da psicologia, né? Então, assim, toda doença psíquica é uma um exagero, né? Eh, ou a gente pode ir para escolas um pouco mais Contemporâneas, né, escolas mais francesas. Toda doença psíquica é uma falta de laço, né? Então, não existe sujeito doido, existe uma uma incapacidade de fazer laço com o delírio que ele tem, né? Na verdade, a sociedade ela é doente em não poder, em ter que criar um excluído para ter um dentro, né? Hã, é toda a turma,
tipo assim, então de de Foucault até Del todo mundo tá nessa, né? Eh, e vários dos autores mais clássicos, né, que que não são Franceses, não são contemporâneos, também tem raciocínios assim, né? O o no símbolo da transformação, se eu não tô enganado, o Jung ele vai falar da figura de Cristo elevado a o bandido, né? Então, leitura de que quando Cristo é, né, crucificado ao lado, né, de sujeitos que estão à margem da sociedade, o ponto todo é que a redenção ela acontece pelo marginal, através do marginal, né? Eh, e de novo, esse é
um tipo de raciocínio muito caro eh a a essas escolas Francesas contemporâneas, né? Então, assim, que o sujeito normal ele se constrói no processo de exclusão daquele que é o diferente, né? Então, só pode existir o cidadão de bem, né? Eh, e aí tô fazendo inclusive uma referência política a essa noção de cidadão de bem, eh, no ato de excluir aquele que é o pervertido, aquele que é o ladrão, aquele que é o, enfim, né? Eh, eh, vou parar com os exemplos que eu já ia dar exemplos que que eu ia me arrepender. Eh, então
o ponto todo é que eh e essa noção é uma noção de que o centro da doença é social. né? Existe uma dialética entre inclusão e exclusão que para determinar o dentro eu preciso construir esse fora, né? Então, portanto, a sanidade ela é dada no processo de exclusão do insano, né? Inclusive e esse é um procedimento, que que parêntese em cima de parênteses, em cima de parênteses, né? Esse é um procedimento muito caro, por exemplo, Aos próprios marxistas, né? Então, eh eh vamos pegar a noção da medianeira estatélica, que foi uma das primeiras coisas que
eu apontei, né? Qual que seria uma crítica marxista à noção aristotélica? Olha só, eh, o exemplo que eu dei foi da coragem, né? Então, vamos lá. Eh, excesso de coragem é idiotia, né? Falta de coragem é covardia. A virtude está no meio. Qual que seria eh eh uma análise marxista, né? seria dizer que olha só isso que você tá chamando de Meio, porque o meio ele poderia ser mais para cá ou mais para cá. No fundo, eh, Aristóteles só pensou em pontuar o meio como sendo a coragem, a virtude como sendo a coragem, como uma
forma de sustentar uma infraestrutura de um sistema de castas, né, de um sistema de exploração, né? É, porque esses valores e essa superestrutura, essa maquiagem de valores aristotélicos como a coragem, a justiça e etc. são só uma maneira de diferenciação entre aquele que será Incluído dentro da sociedade grega e aquele que vai ser excluído, que é justamente aquele que vai sustentar inclusive, né, esse arranjo social. Então, nesse sentido, para o Marx, a leitura do Aristóteles, correta, não é a de que ele tava descrevendo eh eh a opinião dele sobre aquilo que é a virtude, né?
na verdade, eh, por meio dele, a história fala e a história simplesmente produz um determinado tipo de ideologia que vai sustentar uma Determinada relação de trabalho, né? Eh, eh, e aí esse procedimento é que ele é assim, eh, eh, contemporaneamente, né, essa hermenêutica da desconfiança, que é o nome que, o Ricor vai dar pro, né, tanto pro Freud, quanto pro Marx, quanto pro eh eh Niets, né, que é essa noção de que ao invés de interpretar o que que o sujeito tá falando, tal, o qual ele tá falando, né, então ele tá fazendo um tratado
sobre eh eh a virtude, o que eu tento entender é o que que não tá sendo Dito, né? São todas as relações sociais que estão sendo sustentadas. no dizer dele, né? O como que no exemplo ali do Aristóteles, essa virtude da coragem sustenta eh a escravidão na Grécia, né? O sistema de produção faz parte, esses valores estratélicos fazem parte do sistema de exploração. Eh, enfim, a pergunta era responsabilidade do responsabilidade do psicólogo. Então, a primeira parte dessa resposta foi o que eu tava falando agora, que a gente tem Que tomar muito cuidado porque nossos pressupostos
eles não são inócos, né? Então, a gente não pode ser eh bobo e assim com com muito cuidado que eu tô colocando essas aspas, né, de bobo. É nave a palavra, né? Qual que é? Como é que é em português? Naive. Eh, inglês. Eh, não é bobo. Eu esqueci. O João vai achar aí a tradução. Eh, ingênuo. Obrigado. Essa era a palavra que tava me faltando. Você não pode ser Ingênuo como Aristóteles, eh, em achar que você simplesmente está falando de e eh justiça, simplesmente tá falando de virtude, né? Existe todo um outro discurso que
é dito no seu discurso. A lógica é um pouco essa. A mesma coisa vale eh na prática clínica. Então assim, olha, eu tenho determinados pressupostos para minha prática clínica, mas em que medida que esses pressupostos eles não são uma reificação, por exemplo, de um determinado modelo econômico, né? Então Assim, para dar um exemplo super super concreto, porque eu tô sentindo que a que a discussão tá ficando abstrata, né? Eh, em que medida que, por exemplo, eh, acreditar que meu trabalho enquanto clínico é fazer com que a pessoa seja eh mais ativa e mais vocal para
que ela consiga falar com o chefe para ganhar um aumento, para que ela consiga e eh enfim, ser explorada de maneira mais precisa, né? eh, de maneira mais eficiente, não é uma maneira minha de Sustentar esse tipo de relação de trabalho. Esse essa que seria operação, né, eh mais marxista. Mas se você quiser sair dessa operação, ir para um outro tipo de operação, em que medida que aquilo que eu considero ético dentro da minha clínica não é também a sustentação de uma determinada ética que é historicamente construída, né? Então assim, eh, o tipo de terapia
que foi gestado nos Estados Unidos na década de 70, né? Eh, o exemplo que é gritante na Minha cabeça é a Gestal, né? O pessoal ia lá para além morar com pe transar com o paciente, tal, com sei o quê, né? Eh, eh, ah, e pode parecer chocante, mas assim, eh, o que que é o código de ética do CRP, senão, né, uma simples reestruturação, uma atualização histórica de determinados valores. Então, assim, ter consciência de que eh não ter essa ingenuidade de que isso é só um pressuposto teórico. Os seus pressupostos teóricos, eles Sobredeterminam tanto
a relação com a pessoa, quanto a potência das suas intervenções, quanto às vezes, né, eles são muito mais uma consequência desse ser histórico, uma consequência de uma posição ideológica determinada, né, de um tipo de sujeito que você é. E aí dá para conversar com Marx, dá para conversar com o o Niet, né, o tipo de sujeito que você é, mas dá para conversar também com o próprio Freud, em que medida eh ou com Jung, né, tipos Psicológicos, em que medida esses pressupostos que você tá levantando não são, no fundo, a sua própria psicologia projetada no
fazer teórico, né? Então, beleza, eu não esqueci a pergunta, isso é só um parêntese, mas ela é um parêntese importante. Qual que é o seu papel na reformulação dessas hipóteses? O primeiro é, primeira parte é não é inóco as hipóteses que você tem. A segunda parte é existe uma dialética da pergunta. Então você nunca pode terminar O mistério daquilo que você tá investigando, né? a situação de reverência diante daqui do objeto que você tá investigando, ela é fundamental pro fazer científico. Então, nesse sentido, é diminuir o objeto de análise para uma simplificação é um problema,
né? Então, por exemplo, eh, todo sonho é eh uma realização de desejo, eh, todo problema psíquico é uma inadequação epistêmica. A pessoa ela não faz uma leitura adequada Da situação, né? Eh, é sempre necessário entrar em contato com as coisas, né? Então, um exemplo da TCC, um exemplo da psicanálise, um exemplo da Gestalt. Eh, quando eu tô fazendo isso, o que que eu tô fazendo? Ao invés deixar o fato conversar comigo, ou seja, uma dialética com aquilo que eu tô investigando, eu estou findando essa dialética para substituir os fatos psíquicos, o meu paciente, aquilo que
tá acontecendo, por um princípio teórico. Então, eu substituo o sonho do meu paciente pela hipótese de que todo sonho é uma realização de desejo. Nesse sentido, eu parei de investigar o sonho, não é mais uma investigação, né? Então, para fechar, quais são os as três articulações que são necessárias para pensar o papel de reformular suas hipóteses? Primeiro, sua hipótese não é inóqua. Você tem que tomar muito cuidado com aquilo que você chama de pressuposto e com as consequências daquilo que você Chama de pressuposto na sua conclusão. Segunda parte, né? Eh, eh, na hora que é
fundamental que a realidade, o meu objeto de análise, o paciente, enfim, as questões ali que estão aparecendo, o fenômeno, ele tenha uma preferência do que o saber. Essa é uma segunda parte que é fundamental. E a terceira parte eh eh tem a ver com dar espaço para que as consequências sejam o nível de análise último de uma boa interpretação, que aí Tem um pouco a ver com fazer clínico, né? Se eu tô analisando uma obra de arte, muitas análises são possíveis. Se eu tô analisando a vida de um sujeito, existem análises que fazem o sujeito
se matar, né? Existem intervenções que fazem a vida da pessoa piorar. Então, eh eh o objeto específico da psicologia, por se tratar de um saber clínico e de um saber prático, ele conversa de volta. É igual a ponte do engenheiro que cai, né? Então, se você desenhar mal o Suficiente uma ponte, ela cai. A realidade ela te conta quando você errou. O bom é que para uma ponte cair, para um avião cair, né, muitas coisas tem que dar errado. Agora, é muito mais fácil identificar erros pequenos no fazer clínico. Então você tem a oportunidade de
fazer pequenas correções de trajeto o tempo inteiro se você estabelece essa dialética com os fatos. Então eh eh perdão, foi um parêntese, foi um pouco complexo, né? Mas eu acho Que essas são as três articulações para pensar. Eh, eh, o que que é fundamental na hora que você tá repensando hipóteses, né? Show. Então, vamos embora. Tá gravando? Eh, a próxima e eh né, frase que eu gostaria de trazer aqui como um princípio básico e é que todo predicado psicológico deve ser invertido, assim de que seja formulado mais de acordo com a verdade. Te mandei a
frase aí no Ah, Você mandou a frase aí. É [ __ ] Tá no finalzinho do parágrafo. OK. Eh, eh, deixa eu olhar a frase de verdade. É porque que eu lembrei de cabeça e aí talvez eu tenha lembrado errado. João veio me corrigir. A frase é o seguinte: "Nossa experiência psicológica ainda é demasiado nova e pouco extensa para permitir teorias universais. É preciso pesquisar primeiro uma quantidade de fatos para aclarar a natureza da alma antes de pensar sequer em estabelecer Proposições de validade universal. Por enquanto, temos que ater-nos à norma seguinte. Dois pontos. Toda
proposição psicológica só pode ser considerada válida quando e somente quando a validade do sentido oposto também puder ser reconhecida. Du, lembrei muito errado. Eu acho que tem a outra a outra frase do jeito que eu formulei, porque eu lembro dela quase assim, mas é e certamente a do João aqui veio mais completa. Então, qual que é a Sacada, né? Eh, e para quem não sabe, né, essa frase é do Junk, né? eh eh e importantíssima pra gente eh pensar o que que é psicologia de verdade, né? Então vamos lá. A noção é a seguinte, que
no mínimo pela complexidade do fenômeno psíquico e pela natureza do engatinhar da ciência psicológica, por ainda estarmos muito no início das construções, ah, mas a psicologia tem 100 anos. É 100 anos de só piorar o que Que já foi feito assim, né? Não é muito óbvio que, né? eh a psicologia tal qual o Freud fazia ou tal qual o Jung fazia é pior do que a nossa, né? Talvez pelo contrário, inclusive. Então, assim, eh progresso é algo complexo dentro das ciências, né, das humanidades, das ciências hermenêuticas, né? Eh, mas no caso da psicologia, a gente
ainda tá engatinhando, né, nas nossas capacidades de fazer formulações universais. Então, qual que é o pressuposto que tá aqui Colocado de que em se tratando de algo tão complexo e em se tratando de uma ciência tão jovem ou que apesar de nem tão jovem assim ainda está engatinhando, a gente tem que ter muito cuidado com pressuposições, com predicados universais, né? Os exemplos que eu já dei continuam sendo válidos. Todos son em uma realização de desejo. Sempre é importante entrar mais em contato. Isso é sempre mais saudável. Eh, eh, todo problema psicológico é uma inadequação Epistêmica,
né? A pessoa não fez uma leitura adequada, ela precisa, a partir da razão, ser convencida de que eh, né, enfim, a leitura que ela fez não foi muito, né, uma ortodoxia da visão de mundo da pessoa, enfim, né, e tantos outros pressupostóos que a gente pode aqui colocar, né, e que são postulados de maneira universal pelos eh eh, né, teóricos, mas que no fundo fazem simplesmente parte de uma psicologia parcial, né? Então, parte-se de Determinadas premissas, de determinados axiomas e explica-se uma parte do fenômeno, né? Então, a gente tem, tem que ter muito cuidado. E
esse pressuposto ele é muito importante na clínica. E aí vamos sair da teoria e ir paraa clínica. Como que eu aplico isso na minha clínica? Sempre que, sobretudo se eu tô usando de uma determinada escola teórica para fazer uma formulação, eu devo me abrir a possibilidade de que o inverso dessa Formulação também seja verdadeiro, né? Então, de novo, eu posso concluir uma coisa, mas enquanto pressuposto, durante o processo da interpretação, eu preciso estar aberto a hipóteses contrárias, eu preciso estar aberto ao contraditório, né, que é o que eu tava falando da dialética da pergunta, né?
Então, eu não tô buscando durante uma análise responder. O que eu busco é muito mais aperfeiçoar a pergunta para que a resposta apareça, né? E no no ato de Aperfeiçoar a pergunta, muitas vezes eu preciso jogar com essas eh eh esses pressupostos que parecem ser contraditórios. Então, eh eh se eu tô muito certo de que e logo de cara eh o problema do sujeito se encontra no passado dele, então no exame das relações e eh intrafamiliares na primeira infância, é muito razoável surgir a hipótese, eu desconfiar que eu também deveria dar uma olhadinha em, por
exemplo, quem que essa pessoa quer ser, Quais são os valores que essa pessoa tem, né, qual que é o projeto de vida que essa pessoa tem, ou seja, E e gente, isso é de uma simplicidade, mas faz tanta diferença na clínica, né? Porque as pessoas elas aprendem a clinicar a partir de psicologias parciais que são calcadas em determinados pressupostos, em determinados axiomas. E, portanto, né, a psicologia é unilateralmente voltada pro passado. O que que você tem que fazer Enquanto clínico? trazer paraa baila, trazer para esse jogo, né, para essa dialética também pressupostos de outra natureza.
Por quê? Porque pode ser que, né, eh, para o caso específico que você tá atendendo, a sua hipótese ela é suficientemente boa, mas pode ser que não. Talvez você precise de um outro referencial. E talvez no momento futuro em que a psicologia, né, não seja assim, não esteja, nós não esteja estejamos tanto engateando na Psicologia, a gente consiga fazer como a física fez. né? Antigamente, eh, antes do Maxwell, a gente tinha equações para, né, eh eh a eletricidade e outras equações para o magnetismo. Qual que foi, né, o grande feito do Maxwell entender que é
eletromagnetismo. ele refez as equações e entendeu que esses determinados pressupostos que eram necessários para compreender a eletricidade e esses determinados pressupostos que eram necessários para Compreender o magnetismo, no fundo, né, poderiam ser suprassumidos numa noção com novas equações que explicam eletromagnetismo. Isso não aconteceu na psicologia ainda. Então, a gente ainda tá num momento de psicologias parciais, de hipóteses parciais. Então você como clínico tem que, né, assim, ter um pouquinho de coragem, bater um pouquinho no seu peito, entender, falar assim: "OK, esses são os pressupostos que me foram ensinados, OK? Agora, para uma Verdade ser, né,
mais bem estruturada, para uma interpretação ser mais bem feita, né, eu também preciso desconfiar de outros pressupostos, de outras referências e ver onde que isso dá, não tá? Eh, eh, vamos pra próxima, então. Eh, a próxima, inclusive, estava falando de física agora a pouco, a próxima é uma lendária frase falada pelo e eh Lapace, né? E eh para o Napoleão, né? A frase é genepá bezo c hipotec, né? E qual que é o contexto dessa frase em português? Ela É: "Hum, eu não eu não precisei lançar a mão dessa hipótese". Acho que essa que é
a tradução mais razoável. E aí, qual que é qual que é a construção? Tá? Eh, Plá estava, né, escrevendo o tratado dele sobre o movimento celeste e ele foi indagado, né, por Napoleão. Olha, li aqui seu livro. Seu livro é super bacana, não é? Bem interessante assim, né? É, é astronomia, mas aqui é, eu não achei Deus no seu livro, né? E aí a resposta do Laplás foi essa. Olha, eu não precisei lançar a mão dessa hipótese. Por que que por que que esse posicionamento é tão lindo assim? Ele é paradigmático na história da ciência,
porque o Lapaz, ele não tá afirmando que Deus existe ou deixa de existir. Ele simplesmente tá afirmando que ele não precisou no modelo dele fazer uso dessa hipótese, né? Eh, e esse é o posicionamento que o clínico tem que Ter. Então, assim, enquanto clínico você acredita no inconsciente, genepuan. É, esse é o posicionamento que a gente precisa, né? Não é da natureza do cientista acreditar numa coisa ou outra. A pergunta é: a hipótese clínica que eu estou construindo, eu preciso lançar a mão de determinadas premissas que permitem ao inconsciente existir, premissas filosóficas, premissas às vezes
de ordem metafísica? Sim ou não? Para a construção dessa hipótese que eu tô montando, para esse fazer clínico, eu preciso ou seria me útil eh um modelo cognitivo da TCC clássica? Show. faz sentido paraa construção que eu tô me propondo eh lançar a mão da eh eh linguística tal qual proposta pelo reis na ACT. Show. Agora, eu acredito nisso? Nada. Eu lanço ou deixo de lançar a mão nessa hipótese, né? Eu posso até acreditar na minha vida privada, né? O Lapace pode ter sido ou não deixado de Ter sido cristão, né? deveria ter essa informação,
não tem, porque eu gosto muito dessa dessa história. Mas o ponto é que da posição de físico, a pergunta é: essa hipótese ela é necessária ou não é necessária? Portanto, a gente tem que desidentificar com os pressupostos teóricos que a gente tem, né? Eh, é uma transição curiosa do sou psicanalista para não lanço mão de hipóteses da psicanálise, sei trabalhar em cima desse referencial, né? É a brincadeira. Eh, e Cada vez mais essa brincadeira vai vai virar realidade de começar a zoar com olha, existe isso daqui que tá sendo feito e existe psicologia de verdade.
Então, em em se tratando de psicologia de verdade, ninguém é nada. Você lança a mão determinadas hipóteses, né? Essa essa posição e e a imagem da conversa, ela é fundamental, né? Eh, eh, porque não é qualquer tipo de negação, porque você não tá negando o pressuposto. A pergunta é muito simples, né? Eh, e a Centralidade aqui é fundamental, porque o Napoleão quando perguntou, ele coloca a centralidade na realidade, na ontologia. Olha, Deus existe e com certeza ele fez as estrelas se moverem do jeito que elas se movem. Já o Lapace, ele coloca o sublinho no
fenômeno e principalmente no meu modelo explicativo pro fenômeno, na perfeição, no aprimoramento do meu modelo explicativo pro fenômeno, né? E para mim isso é profundamente fundamental, né? seja para As outras ciências, mas assim especificamente para psicologia, dado, né, e o cenário que a gente tem, né, eh eh que para fazer referência a uma outra frase que eu gosto muito, né, que é da natureza de toda a ciência jovem a ploriferação de pontos de vista e que esses pontos de vista sejam gritados quanto mais inseguros as pessoas estão dos seus próprios posicionamentos. Eh, enfim, eh, para
mim, se eu tivesse Que escolher assim, top três, essa está nela, né? E e assim, isso faz muita diferença concreta na clínica. Eu consigo dar vários exemplos clínicos, talvez disso aqui sendo utilizado. Não. Mas do ponto de vista da formulação, né, eu acho que isso faz muita diferença do ponto de vista de estar aberto para o contraditório, do ponto de vista de estabelecer uma dialética da pergunta, de não ser violento com os fatos. Essa é a posição que precisa ser, né, que é Adequada. no fundo, né? Eh, essas discussões mais epistêmicas, essas discussões mais hermenêuticas
são a base para a gente construir uma psicologia de fato, né? Eh, eh, e não ficar só montando mais uma psicologia parcial, né? Eu acho que, enfim, essa é a jornada e esse é o desafio. Vai lá. Só uma curiosidade sobre a religião do Laplace. OK. OK. Aparentemente ele rompeu seus vínculos com a Igreja Católica e algumas fontes Falam que ele era um deísta não religioso. Uhum. E só isso mesmo. OK. É assim, o fato dele são deí torna mais engraçado a a a situação, né? Porque no fundo no fundo a crença existia, né? Mas
enfim, valeu aí pela pela curiosidade. Vamos para a próxima. Eh, eh, nossa, e eu tenho medo, é que é um parênteses, é só porque de fazer esses vídeos longos, né, apresentando 30.000 pontos de vista diferentes e assim perder a importância que cada um deles Tem, sabe? Então, possivelmente depois, né, quando tiver um pouquinho mais de tempo, é, é assim, é, é um deep dive em cada uma desses posicionamentos. Eu acho que isso é muito legal. E assim, é, é reassistam. Apesar de eu ter falado bem rapidamente sobre cada uma dessas posições, eu tentei entregar no
máximo, ao máximo, né, e eh as frases tal qual os autores falaram, que é para vocês poderem ir, né, na fonte e beber dessa fonte, né, e entender um pouquinho mais Cada uma dessas posições, né, eh, enfim, na, né, na esperança de que isso ajude um pouquinho vocês a terem direções, sem eu ter que responder causuísticamente, né, para cada caso, mas entendendo essas premissas gerais. Enfim, vamos paraa próxima. Eh, a próxima é de uma fábula chinesa que eu gosto muito, eh, e mas que demora para contar a história toda, né? Eh, mas a a o
predicado, né, a a moral da história é que você nunca sabe de que péssima sorte sua má sorte te Tirou. E aí a estrutura da da história, né, é basicamente, tipo assim, tem um cara, aí tem uma seca, aí todo mundo, ah, a seca, aí ele não, vocês não sabem o que que futuro espere, blá blá blá blá, aí sei lá, eh, o fato de ter a seca fez um pessoal de uma outra cidade vir e esse pessoal veio com uma técnica nova de agricultura e, putz, melhorou muito, né? Aí nisso que melhorou, eles começaram
a arar e um dia o filho dele caiu do cavalo do boi quando tava Arando, né? Eh, eh, e aí quebrou a perna e aí todo mundo, ah, o seu filho quebrou a perna. Ele não relaxa, gente, que não sei o quê. E aí, sei lá, teve alistamento militar, todos os primogênitos foram chamados, exceto o filho dele, o, né, o feudo ali perdeu a guerra, todo mundo morreu, menos o filho dele. E aí o ponto é que a história ela vai fazendo isso, né, enfim, várias coisas que parecem ser positivas se tornam negativas, coisas que
parecem ser Positivas se tornam negativas e assim, né, a coisa vai. Qual que é o ponto aqui? Onde que eu quero chegar, né, eh, com isso, né, não existe intervenção errada. Essa é a máxima que eu quero trazer do ponto do do ponto de vista clínico para vocês. Existe incapacidade de lidar com as consequências da sua intervenção. Então assim, a noção de que você foi longe demais, você foi agressivo demais, você foi insensível demais ou você foi eh lento demais, Importa pouco, tá? Se concentra em menos, na qualidade da sua intervenção e mais em como
que você vai lidar com isso, né? O exemplo que eu gosto de dar ai e eh fiz uma interpretação, fiz uma colocação e o paciente achou isso um absurdo, me achou, sei lá, machista, achou que eu não tô escutando ele e que não sei o quê. Excelente. O novo assunto da terapia é como ser atendido por um machista. Pô, aprofunda nisso, vamos ver onde que isso leva, né? Eh, e se bem Feito, aposto com você que a terapia vai melhorar, vocês vão conseguir chegar, né, num novo patamar que muito possivelmente várias coisas vão aparecer como
consequência desse momento, né? Eh, enfim, tem a ver com um próximo princípio aí que eu vou vou comentar, mas a sacada é um pouco essa, assim, então que eh eh no fundo é interessante pensar que em última instância quem dá eh eh a validade de uma determinada intervenção é a próxima sessão, é o Futuro. São as consequências disso na vida da pessoa. De novo, eu volto pro fato de que em psicologia a gente tem um privilégio que filósofos não tm, que críticos literários não t, que várias outras das ciências interpretativas não tem, né? E que
só algumas das ciências naturais tem, que é o objeto fala de volta com a gente. Existe verdadeiramente uma dialética. Ou seja, a opinião que eu tenho, ela provoca uma consequência no paciente e a vida dele Pode piorar ou melhorar. Eu tenho que ter muito cuidado com rapidamente eh eh, né, etiquetar as coisas como sendo pior ou melhor, acerto clínico ou erro clínico, porque eu não sei de que má sorte, de que pior azar, né, essa má sorte tirou ele. Então, assim, ter essa consciência ajuda a gente a ter um pouquinho de calma na hora de
eh label, né, de de marcar de e eh se uma intervenção foi correta ou se não foi correta. e ajuda a pensar que Não tem buraco que não dá para sair, não tem intervenção errada. O ponto é estar confortável com lidar com as consequências daquilo que você trouxe, né? E isso é é fundamental, né? Quase sempre dá para salvar trazendo para a transferência, né? É igual o exemplo clínico que eu acabei de dar, né? E e enfim, mas vários outros são possíveis. Então, assim, levem isso em consideração, trazem isso pro coração na clínica de vocês,
né? eh eh pensa um Pouco menos, tem um pouco menos de pudor em fazer a intervenção, porque no fundo a intervenção tem pouco peso. É o que que vai acontecer depois dela que é fundamental. Acho que é um ponto interessante que eu tenho visto também, o pessoal ter dificuldade, é que às vezes você fica tão engessado na hora de fazer a intervenção que falta a personalidade do do psicólogo e aí a pessoa só sai da clínica porque parece que ela tá falando com a parede, sabe? Uhum. Você não coloca nada de, sei lá, emoção, afeto
ou ironia que seja, né? Você não cutuca, você não faz nada, você só é uma pessoa fazendo perguntas aleatórias. Eh, e eu vejo muito isso partindo desse pudor exagerado que você falou, na hora de fazer intervenção, se a pessoa não arrisca, ela não se coloca na hora de fazer, sabe? Uhum. E aí o cliente só é um comentário que eu tenho para fazer e aí de novo vou voltar a falar um pouquinho sobre e eh Compensação, né? é que no fundo a gente tem e eh uma questão muito séria com com a compensação que é
a seguinte: as pessoas elas têm a posição, isso é verdadeiro para todo mundo, né? O trolley problem tá aí para provar isso, né? E a gente valoriza muito, a gente tem muito medo de ativamente errar. Agora, deixar o erro acontecer, a gente valoriza muito pouco, tá? Então, por que que eu fiz referência ao ao problema de trolley, né? Eh, se alguém nunca ouviu, Né? Não sei como, né? que você hã como é que em português é problema de trolley? Não, não é o dilema do Trenks tá falando. Ah, é? Eu achei que esse era o
nome do cara. Não, é o do do Bond, não é? É o dilema do Bonde. Dilema do Bonde. Tá, pode, pode ser. Beleza. Eu não sabia que troly era o nome dele. Eu acho que era o nome dele. Enfim, não, não sei. Tô chutando aqui. Não tenho, não sei de verdade, tá? E é conta aqui. Dilema do trem, então, o dilema do bonde, né? Qual Que é a sacada? A versão padrão é que tem cinco pessoas de um lado e o trem está indo na direção dessas pessoas, né? E você pode desviar o caminho do
trem para atropelar apenas uma pessoa. E a maior parte das pessoas parte do pressuposto de que salvar cinco vidas é melhor do que salvar uma apenas. Desvia o trem e coloca ele para atropelar aquela pessoa que estava sozinha no vagão de trem. OK? E e uma outra versão desse mesmo problema, e obviamente esse É um problema mental, ele não precisa fazer sentido físico, tá? O trem está indo, né, atropelar cinco pessoas e tem uma pessoa gorda na sua frente. Se você empurrar o gordo, ele consegue com certeza parar o trem e quase ninguém empurra empurraria
o gordo nessa situação ou acredita que empurraria o gordo nessa situação. Qual que é o ponto? Resguardadas as devidas proporções, porque tem outras coisas acontecendo, né? Não tem só uma variável Aqui sendo alterada. Apertar uma alavanca para mudar a direção é algo que é muito mais passivo do que empurrar um sujeito no trilho. E o ponto é que a estética dessa agressividade, do quanto que isso foi uma deliberação sua incomoda as pessoas, né? é o mesmo problema da calça, que é um problema que desses problemas, né, éticos famosinhos, né, na na filosofia, mas que também
é muito famoso. É o seguinte, eh, você tem uma criança se afogando enquanto você tá Passando, você sabe nadar, na verdade dá pé para você, você não dá pé pra criança e a criança tá lá se afogando, se debatendo, né? Só que você acabou de comprar uma calça nova e essa calça custa R$ 200. E aí, se você for lá salvar a criança, você vai estragar a sua caça. Quase nenhum ser humano, né, não salvaria a criança nessa situação. Dito isso, tem muitas crianças no Brasil e fora dele que você consegue salvar a vida com
R$ 200 e você não sai por aí Salvando a vida dessas crianças. Esse aqui é o ponto. Ou seja, existe uma contradição aqui, né? E qual que é a lógica por trás dessa contradição? Ver uma criança literalmente se afogando é muito agressivo, né? Eh, parece ativamente negligência quando você vê uma criança se afogando no lugar que você dá pé e você deixa de salvá-la para uma calça de R$ 200. Isso parece fútil e ridículo e absurdo. Por isso que todo mundo ia lá salvar, mas ao mesmo tempo Parece muito menos agressivo deixar de doar R$
200 para alguém que tá precisando, mesmo que isso vá salvar a vida da pessoa. E daí como que eu saio, né, da da do de problemas mentais da, né, filosofia ética paraa concretude clínica? As pessoas elas têm uma tendência, elas têm uma unilateralidade fortíssima em não querer errar ativamente. Então, fazer um comentário que faz a pessoa terminar o namoro que ela gosta muito, né? É, é ser agressivo Com o paciente porque você fez uma intervenção fora de hora, o paciente ia embora. Mas elas não percebem o quão agressivo é ficar parado. Errar por inação é
algo que é muito mais palatável para as pessoas. E isso é é um erro cognitivo, um viés que é indesejável, porque no fundo a agir por ação ou agir por inação é agir do mesmo jeito. E por isso que é interessante compensar. E aí eu volto pro comentário do João, né? Talvez o simples fato da gente ter Consciência de que a gente erra muito mais por inação e que a gente unilateralmente mesmo tem uma tendência a ser excessivamente eh eh cuidadoso, e aí esse é um exemplo em que as evidências ajudam muito a gente a
tomar na tomada de decisão, né? O tanto que as pessoas abandonam tratamento porque o tratamento ele demora, é muito maior do que as pessoas que abandonam o tratamento porque o tratamento é agressivo, né? É. Eh, e é uma das poucas Coisas que assim é é crystal clear, né, claríssimo na literatura. Então, assim, ter consciência às vezes essas coisas ajudam um pouquinho nisso. Então, assim, né, nas pessoas se soltarem um pouco mais para as intervenções, que é uma outra coisa também, isso é um negócio muito legal da ALS. No roleplay você pode brincar de fazer isso,
você pode ser um pouco mais agressivo do que você seria clinicamente e ver as consequências disso, né? E Principalmente você pode ver uma pessoa que costuma fazer isso, né? Então assim, eh, para quem já teve, né, né, o desprazer de me ver atendendo, por exemplo, nota que eu sou uma pessoa muito agressiva com o paciente, né? Faço intervenção, dou cutucada, praticamente não deixa o paciente falar, né? Claro que depende um pouquinho, né, do do caso, obviamente, mas assim, tem algo da ordem do estilo e da minha personalidade que ali se impõe e a maior parte
das Pessoas tomam um susto com o fato do paciente não levantar e ir embora. Do mesmo jeito que se você, sei lá, vê o vídeo do Pearls, né, dele lá atendendo a glória, você acha absurdo como que aquilo aconteceu, né, como que essa pessoa é considerado um bom clínico. Mas o ponto é que às vezes assustar com algo que é muito absurdo para você te ajuda um pouquinho a compensar a un lateralidade que você tinha pro outro lado de eh, né, ser excessivamente Passivo, alguma coisa assim, né? Eu tenho dificuldade de ver o Rogers atendo.
Juro para você, cara. Eu já umas quatro vezes o Rogers atendendo, eu sempre durmo, mano. É impossível. Não consigo. Acho muito chato tipo assim o Rogers atendendo. Mas enfim, aí é mais eu do que o Rogers o problema. Mas o ponto é que é, então tem tem esse fator, né, dessa lateralidade, tem isso, dá pr as pessoas não visualizarem que isso é possível ser feito na clínica, porque a Maior parte das pessoas não fez uma excelente terapia, ou se fez, se fez com um clínico, então viu um jeito só de fazer. Então não tem a
visualização do quão eh eh variados são os estilos clínicos e o tanto que tudo isso consegue ser funcional, né? E assim eh eh tem também teoria e bobagem que as pessoas escutam na faculdade, né? Tem tem esse aí também. Esse é um outro problema, né? Então é eh com frequência as pessoas escutam que, por exemplo, né? E porque isso é o intuitivo, é o objetivo da triagem é pegar dados do paciente. Aí você vai lá, você começa a sua primeira sessão, aí você faz uma anamnese com o paciente, o paciente não volta pra segunda porque,
enfim, sentiu que tá gastando dinheiro. Então, eh, alinhar um pouco mais o que que a gente aprende com eh o que que funciona na clínica. Acho que é algo que quando possível é muito desejável, né? O problema é que quase nunca é possível. Mas enfim, essa outra problemática. Vamos seguir. Eh, próximo, né? É, é, se é importante, voltará, né? E aí, de novo, esse é um outro princípio que serve pra gente não ter tanta pressa, mas também serve pra gente notar padrões, né? E essa é a dica que possivelmente todo mundo em algum momento vai
levar dos seus do seu supervisor, né? Então, assim, é, não tem tanto problema assim, você perdeu uma excelente oportunidade clínica, porque é Tudo que é profundamente relevante pro caso volta. Então você não precisa ter tanta pressa assim. Então, se, né, de novo, tô trazendo essas essas essas frases, né, de efeito, né, essas verdades clínicas, eh, justamente para elas serem eh como é que eu posso dizer, jogadas umas contra as outras. Se por um lado é muito importante a gente ser um pouco mais agressivo, porque a gente tem a tendência de ser passivo demais, por outro
tudo que é importante volta. Então, eu não preciso ter a pressa de na primeira vez que aquilo aparecer fazer a intervenção. Dá para ter calma, dá para levar as coisas de um jeito, né? eh eh sem ter essa premissa de que eu tenho que o tempo inteiro tá escutando e tá tudo alinhado e etc, porque inclusive às vezes da segunda vez que voltar vai ser mais fácil de trabalhar, né? Porque enfim, o homem nunca volta duas vezes ao mesmo rio. Então às vezes é na segunda vez que aquele tema aparecer que vai ser Mais fácil
de trabalhar aquilo e e é mais interessante não ter feito a intervenção que você queria fazer logo de primeira, né? Então existe também, né, eh eh o lugar para a paciência no na clínica, né? Eh, senão, obviamente, né, se isso não fosse verdadeiro, estaríamos falando de uma psicologia unilateral, uma psicologia parcial, né? Eh, então as duas coisas são verdades. A gente tem que ser mais ativo e a gente tem que ter calma. E como que você vai decidir entre Os dois? Aí, enfim, outro tema é hermenêutica e dialética. Mas primeiro o que eu queria aqui
era dar entregar esses pressupostos. em cima desses pressupostos, você consegue inclusive comentar pro seu supervisor, porque, cara, isso aí é o que dá um pouquinho de raiva assim, eh, eh, ódio, né, para falar, sim, para fazer referência a um excelente musical. Eh, a pessoa muitas vezes vem tirar a dúvida numa supervisão ou vem tirar a Dúvida, né, com, enfim, uma pessoa que ela respeita ali teoricamente e ela nem sabe formular essa dúvida, ela nem sabe quais são as posições possíveis que ela pode tomar, né? Então, se pelo menos a pessoa já tem a consciência que
de acordo com um determinado princípio ela pode fazer isso e de acordo com outro princípio ela pode fazer aquilo, já demonstra um pouquinho que a pessoa tem um determinado grau de reflexão e uma determinada consciência do que que ela Pode fazer. clinicamente, né? Se a dúvida das pessoas fosse o que escolher entre três excelentes leituras clínicas, que é isso? A gente tava assim na Disney, entendeu? Todo mundo aqui ia ser excelentes clínicos, né? Eh, então a formulação, só o fato de você conseguir formular já é assim mais do que meio caminho andado. Aí decidir entre
as formulações é algo que é é um pouco mais tácito, né? Eh, ou seja, é mais difícil de transmitir a partir, né, do da razão De exemplos e etc. É no fazer que você pegue um pouco disso, né? Mas pelo menos a capacidade de formular essas hipóteses, ela consegue ser transmitida, né? Saber de teoria, saber desses pressupostos, né, transversais, né, do ponto de vista teórico, é fundamental. Sigo. Eh, eh, aqui a a referência bíblica para não faltar, né? Salmo 118, versículo 22, que é a pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a Pedra angular, né? Isso é
uma referência a Cristo, né? No sentido de que ele, enquanto marginal passa a ser o centro, né, da nova ordem. Eh, mas isso também é verdadeiro na clínica, né? E putz, essa é uma das eh que faltou quando você me fez a pergunta, né? Ah, mas como que eu sei que a minha hipótese tava certa? Essa é uma assim elegantrima. Normalmente é muito potente do ponto de vista da intervenção e em alguns casos é verdadeiro do ponto de Vista da interpretação. Pegar algo que parecia ser super contingente, super aleatório, bem assim e eh à margem
e trazer pro centro. Então assim, é aquele comentário completamente aleatório que a pessoa fez, é aquela ideia que passou pela cabeça dela e possivelmente nunca voltaria. E aí você pega e traz aquilo pro centro. Você pega essa pedra que o pedreiro possivelmente rejeitaria e a partir dela, isso aqui é a pedra angular, né? Ela é a primeira pedra pra Construção do seu edifício, né? Então assim, é o raciocínio que a pessoa não gostou, é o sonho que ela acha que não tem significado algum, né? E e isso tem uma potência muito grande, né? Não só
porque, enfim, né, nossa maneira de fantasiar é é sobreestruturada por um pensamento cristão. Então, assim, a própria premissa em si, ela já é stracord, né, toca a gente no em lugares que a gente nem sabe que existiam, mas e eh existe Um determinado grau de verdade nisso, né? Sei lá, é por isso que as pessoas gostam do rock 4, né? Tu tá lá ele, né, empurrando. Tu não gosta do Rock 4, que é isso, mano? Isso ele bate no soviético, pô, no rock 4, não tem como eu gostar, mano. Impossível você gostar do Van Dragon,
tipo assim, você não é gente. Mas enfim, é novel literalmente o qual qual que é a construção? O por que que esse filme, né, pras pessoas de bem, né, pro cidadão de bem, ele é é é tão Interessante, porque o sujeito que é o extra, é o rejeitado, é o cara que treina ali na neve, sai correndo, sobe escada e p não sei o quê, em contraste com, né, o que tem acesso a toda a tecnologia e a técnica e etc, né? eh, é esse sujeito rejeitado, é essa pedra rejeitada que a gente quer colocar
como fundamento da nossa cultura, que a gente quer que seja a pedra angular, né? Para dar um exemplo um pouco menos reacionário, né, do que o rock. eh eh a Própria noção eh eh por exemplo, né, indo um pouco mais para escolas francesas contemporâneas, né, ou por exemplo, escola de Frankfurt, que não é na França, mas lato ciência é França para mim, é eh a noção de que, por exemplo, o novo sujeito revolucionário é o sujeito trans, né, parte dessa mesma construção de que é aquele que é o rejeitado, que é a única possibilidade paraa
construção de uma nova ordem, né, eh, ou para usar um raciocínio que Assim, eu amo delasiano, né? Deus é uma lagosta, né? O processo, né? E eh da, chama-se de esquisoanálise normalmente, né? Mas da extratoanálise é a noção de que é justamente, né? Os detritos que são retirados da montanha, então dentro de uma determinada ordem, de uma determinada estrutura, algo dessa estrutura é mais frágil, algo nessa estrutura é periférico. E quando o vento bate, é esse detrito que cai da montanha. E esse primeiro detrito, essa Pedra rejeitada que da montanha cai com o vento, é
quem vai ser a base, a pedra angular da nova ordem, né? Eh, eh, nesse sentido é o espírito iluminista da razão, da ratio, da ciência, que era rejeitado em algumas partes da Europa durante a era medieval, é que vai dar luz na brincadeira aqui, né, imagética, mas, ou seja, que vai gestar uma nova ordem, do mesmo jeito que é esse sujeito que tá à margem, que vai ser a nova construção, que vai ser a pedra angular Da nova estrutura. Vale para Cristo, né? entre os mitraicos romanos vale também para eh eh a sociedade contemporânea e
obviamente vale paraa clínica. Esse é o ponto todo aqui, né? Esse insight clínico, ele é muito potente, né? Então, de que é o valor que tá jogado, é aquela vivência que tá esquecida, é aquele sonho que nada significa, que muitas vezes pode ser a pedra angular pra construção de uma nova hipótese, de uma nova clínica. E a potência disso é Tremenda, né? É, é. E de vez em quando isso também tem uma ortodoxia, uma corretude do ponto de vista da interpretação. Então, eh é mais uma dessas grandes verdades aí que a gente pode aplicar na
clínica. Próximo. Eh, eh, antes o meio é a mensagem, né? É, é isso é uma máxima, né? De novo fazendo. Eu acho que é do Rockheimer, mas eu estou na dúvida. Se não é dele, é deuns amigos dele, né? Não, não, não sei com Precisão. Eh, mas a lógica aqui é a seguinte. E eu lembro de uma sket do Mont Python que eu não sei se existe. Eu já tentei procurar e não achei. Então, talvez ela seja uma criação da minha mente, né? Mas eu tenho quase certeza que ela existe. Você achou? E segundo Google
fala que a expressão o meio e a mensagem é uma ideia central na teoria da comunicação de Marshall McLurhan. Ah, esse cara é mais alternativo, então, possivelmente é é é um dos prédcessores Aí do movimento. Eu posso descobrir isso de verdade e fazer um uma parte só sobre isso, né? Mas é a parte que eu não tive tanto tempo assim de estudar, por isso que é só sei premissas gerais. Mas enfim, o jeito que eu explicar que com a sketch do Monte Python é o que para mim é mais visual assim, né? Eh, o que
que ocorre? Imagina a seguinte situação. É um mquete que vai brincar com o amor romântico, né? o romantismo alemão. Então, é, é, você tem, imagina vibes, Romeu e Julieta, né, a noção de que o amor verdadeiro é um amor impossível, né? O amor ele ocorre na morte. É a impossibilidade do amor acontecer que torna ele retroativamente verdadeiro. Essa é a lógica shakespeiana. É a lógica do amor romântico, né? E é extraído durante as cruzadas, né, dos poemas árabes e que vai, enfim, colonizar o nosso pensamento até muito recentemente, né, que, enfim, a noção de final
feliz, ela foi gestada. A princípio, o amor era Isso. O amor era a impossibilidade do amar, né? Dentro desse mundo. E é e o Monte Python, supostamente, porque pode ser que eu esteja lembrando errado ou que isso não exista, são, né, criação da minha cabeça, fez uma sket que eu acho que é genial, que é a seguinte: dois amantes estão do alto de uma montanha, né? As famílias deles se odeiam, etc. essa mesma construção, né, desse desse amor romântico. Eh, só que eles só podem se comunicar, como eles estão distantes, Não conseguem se encontrar, né,
por meio de e eh comunicação de aviador. Então, cada um deles tem duas bandeiras, né, e eles gesticulam com as bandeiras para, enfim, declamar o seu amor um pro outro. E por que que é eh isso é engraçado? porque tá lá a cena e a música na cena é grandiosa. Enfim, é, esse é o ápice do do da sket que eles estão montando. E assim, toda essa construção, os dois chorando e etc. Mas a única coisa que eles estão fazendo é com as Bandeirinhas. E aí, qual que é o ponto? Qual que é a construção?
Porque que eu acho que essa imagem ela é fundamental para entender o porque que o meio é a mensagem? Porque não dá para transmitir o amor em bandeirinha, né? Isso é cômico. Do mesmo jeito que não dá. para você ter eh eh uma briga de casal, uma DR por Código Morse, né? Assim, você pode até ter a briga por código Morse, mas ninguém se exalta em Código More. Esse aqui é o ponto, né? Eh, se você Duvidar atenta, é impossível. Ponto é que o meia mensagem, e esses são exemplos mais grosseiros, né? Mas a mesma
coisa verdadeira em menor grau. É só porque em menor grau a gente não percebe tanto assim, né? Então, até que ponto eh o setup, a forma de comunicação, eh eh, né, a estética do consultório, a maneira de se comunicar, a própria linguagem, né, não é ou não faz parte ou não sobrecodifica a mensagem que tá sendo passada, né? Então, esse é um outro princípio princípio clínico que é fundamental, né? Então, uma espécie de eh voltando à tese do recur, né, é hermenêutica da desconfiança, ou seja, uma análise da estrutura daquilo que sustenta o meu discurso,
dos pressupostos que sustentam o meu discurso, né? E aqui eu tô usando meio da maneira mais ampla possível, né? Meio meio de comunicação, né? assim, eh, até que ponto o jeito que eu olho pra tela do computador quando tá online, se Eu olho pra câmera, se eu olho pra imagem da pessoa, se eu olho pra minha imagem, fico arrumando cabelo enquanto eu tô atendendo, o tanto que isso não codifica aquilo que eu tô falando, né? Eh, porque é substancialmente diferente eu comunicar que eu tô ouvindo e tô prestando atenção olhando paraa câmera, eu comunicar olhando
para a minha pessoa na câmera que tá ali, no caso, inclusive ali estou eu, né? Saí, me vejo e como aqui é distante, eu tendo a olhar mais Pra câmera ou pro João. Vocês devem ter notado. Mas se a minha imagem tivesse mais próximo da câmera, eu seria profundamente tentado narcisicamente a ficar olhando para mim. Eh, ou, né? E aí o ponto todo é que expressar a atenção que você tá sentindo ou tanto que você tá entendendo, né, o que que o paciente tá falando assim e aí você tá aqui falando com o paciente, tal,
é, não é muito preciso, né? Não, não passa a mensagem, a mensagem é sobrecodificada Por esse meio. E a mesma coisa acontece de n maneiras diferentes, tá? No que há de positivo e no que há de negativo. Então, um cuidado que a gente tem que sempre tem que ter com a clínica é esse, né? Então, ah, e aí como que isso aparece concretamente na clínica? Nossa, e, eh, eu sinto que meu paciente não tá engajando com o tratamento, mas você já olhou paraas condições materiais de como que esse tratamento tá acontecendo? Deixa eu ver assim,
para a sua impostura Vocal, quanto que esse tratamento tá acontecendo, né? Será que não tem mais a ver com esse setting que você propus? Então, você pegou um sujeito muito peg uma criança, ó lá, né? eh eh muito ativo, serp, etc. E aí você está conversando com ele. P a criança pode ter 13 anos, uma criança de 13 anos razoavelmente normal, a despeito de querer brincar, ela consegue conversar com você. Mas talvez a mensagem que você passa ao conversar racionalmente com a Criança de 13 anos seja sobrecodificado de uma maneira negativa ou positiva, vai depender
um pouco da construção do caso, mas o ponto é que eh tem maneiras de alterar essa mensagem alterando o meio, né? Você pode, por exemplo, eh eh jogar um pouco mais com a fantasia, né? Eh eh você pode jogar um pouco mais com o corpo. Então tem muitas maneiras de alterar o jeito que essa mensagem tá chegando. Então sempre sempre que existe um problema na Mensagem, uma hipótese razoável é verificar se o meio está sendo adequado paraa transmissão dessa mensagem, né? Eh, então assim, se toda vez que você fala pra sua namorada que você ama
ela é logo depois de uma briga, né? ou para aumentar a paranoia dela. Logo depois que você volta de um lugar desconhecido, né, tem todo o cheiro de que você tá traindo, né, assim, só ama ela intensamente quando você volta para casa depois de tá sumido por muito tempo, né? Então assim, obviamente o meio é sobrecodificado pela mensagem toda interação humana. E essa é uma premissa que é legal a gente ter consciência, porque muitas vezes a gente pensa igual a gente pensa que nossas hipóteses são inócuas, a gente pensa que o meio é inóquo e
essas coisas fazem diferença, né? Tem uma importância clínica. Eh, próximo. O inconsciente é por óbvio, né? Inconsciente. Essa parece que é uma das coisas mais bobas possíveis, né? E aqui E eh eu tô falando de inconsciente, mas assim, para as pessoas que forem ver esse vídeo, que por algum motivo, né, não acreditarem que inconsciente existe, né, porque ainda existem pessoas dessa dessa natureza, e eu tô descrevendo o inconsciente aqui como aquilo que você não conhece. É na descrição que todo mundo concorda que o inconsciente é. Então, aquilo que você não tem consciência nesse momento, algo
desconhecido. Então, para melhorar a Frase, o desconhecido é desconhecido. Ou sempre que você tá investigando alguma coisa, você tá investigando um mistério. A última coisa que você quer é findar o mistério daquilo que você investiga logo no início da investigação. Ou seja, você tem que tomar muito cuidado com reduções excessivas, simplificações excessivas. do objeto de análise, né? Eh, eh, para usar uma outra versão disso, né? A noção seria de que não somos, né, sujeitos do Inconsciente, estamos sujeitos ao inconsciente. Outra formulação um pouco mais forte, outra formulação é de que, né, que as pessoas acham
que elas têm complexas, lendo engano, os complexos que as têm. A lógica aqui é o seguinte, é é no ato da investigação, o correto, o ideal, a posição adequada frente ao mistério é o de ser tomado por ele, não o de tomá-lo para si. Porque no ato de o ato de tomar o fenômeno para si, o ato de findar o Mistério do fenômeno, muito provavelmente é uma violência contra os fatos. Talvez o caso seja simples o suficiente ou você deu sorte o suficiente paraas suas hipóteses e seus pressupostos, sejam filosóficos, seus mesmo, enfim, éticos, né?
Reflexões suas sobre a vida, da sua história de vida, das suas crenças, sejam teóricos, né? Então, que são derivados, né, da experiência clínica e da formulação teórica de outras pessoas que você pegou Emprestado, eles podem até estar razoavelmente adequados para aquele caso específico que você tá analisando, mas frequentemente do que não, você vai ter que fazer uma forçação de barra e aí tomar esse cuidado para manter o mistério enquanto o mistério. De novo, a dialética, o encontro com a clínica é uma dialética da pergunta. você não quer solucionar o mistério, pelo menos não a princípio,
você quer aperfeiçoar a pergunta que você tá fazendo, né? Esse Isso isso é muito fundamental e é um erro que eh ele é estranhamente mais competido, mais cometido por pessoas competentes, né? Eh, esse é um dos problemas do saber, né? É a substituição da realidade pelos seus pomposos e preciosos, pomposos e preciosos pressupostos teóricos, né? Isso é um cuidado que a gente sempre tem que ter. Afinal de contas, toda resposta é óbvia, né? Eh, para a pergunta certa. E isso é fundamental, né? Então, uma vez que você Formulou adequadamente a sua pergunta, isso vale pro
seu TCC, para qualquer investigação científica, para a DR que você tá tendo com a sua namorada, para e eh o caso clínico que você tá atendendo, a resposta ela é sempre óbvia quando a pergunta ela tá bem colocada, né? O problema é que se a pergunta não tá bem colocada, a resposta passa a ser complexa, a resposta passa a eludir a obviedade. E quando que isso acontece? Quando que eh a gente para de fazer Perguntas adequadas, quando a gente parte do pressuposto, que as respostas elas já estão à mão de novo, né? Para de ser
uma investigação quando você já sabe as consequências da sua investigação de antemão, né? Esse encontro ele é fundamental, né? Eh, enfim, uma última, né? Eh, eh, e aí aqui assim, as frases que eu trouxe são frases aleatórias. Eu podia ter pegado essa, podia ter pegado outras, talvez eu faça uma parte dois, uma parte três, etc., né? Mas porque é Tão variada é a experiência humana que a gente tem infinitas verdades universais, né? Ou pretensamente universais que precisam ser primeiro conhecidas. E é isso que eu tô fazendo aqui com vocês, e depois a gente precisa aprender
a trabalhar diante delas. Mas o simples fato de conhecer já permite que a gente formule um pouco melhor o que fazer diante de um caso desconhecido, quando o paciente faz tal coisa, quando o paciente faz outra coisa, quando eu Sinto alguma coisa como paciente, enfim, né? A última que eu queria trazer é eh porque, enfim, eu gosto dela também, é uma frase bonitinha em latim, é canis panissomnia pescador pices, né? Eh, o cachorro sonha com pão ou com os osso, para traduzir mais fácil. E o pescador com peixe, né? Eh, e por que que eu
acho que essa frase é fundamental? Primeiro, o que que ela significa, né, que eh o o pescador sonha com o peixe no sentido de que se você está embebido com uma Determinada hipótese teórica, é óbvio que o caso, a realidade se conformará com a sua hipótese teórica, né? E aí o mecanismo que isso acontece, dá para fazer toda uma parte explicando isso, porque isso é super interessante. Assim, eu acho que a crítica que eu conheço mais interessante a psicanálise, inclusive ela parte desse pressuposto, né? Eh, dito isso, posto isso de lado, né? Isso também é
verdadeiro pro paciente, né? Então, invertendo a lógica Aqui, se eu sei com o que ele sonha, eu sei o que ele é. Ou seja, a análise do comportamento, a análise das virtudes, a análise das vontades do paciente me dá uma boa intuição de quem esse sujeito é, né? Se eu sei que ele sonha com peixe, provavelmente pescador ele é. Então, eh, essas duas maneiras de analisar o discurso, elas são interessantes, elas têm uma implicação clínica interessante, né? Então, eh, eh, né, assim, eu posso tanto observar os fenômenos para Pressupor, e aí aqui tem um salto
unitiano, que tipo de sujeito seria capaz de produzir esses fenômenos, né? Quanto eu preciso fazer uma autorreflexão, né? Em que medida eu não tô encontrando nos fenômenos só aquilo que eu posso encontrar neles enquanto sujeitos. Então, uma consequência, inclusive eh eh dessa máxima é a de que não dá para ser um bom analista sendo um sujeito medíocre. Então, se você vive uma vida pequena, se você vive uma vida, Né, e restrita, né, não aberta ao mundo, aberta a experiências e etc, eh existe a noção clara de que um cego não pode levar ninguém a lugar
nenhum, né? Se aquilo é uma dificuldade psíquica para você, né? Se você tem, sei lá, eh eh dificuldade com mulher, o caso que eu falei anteriormente, ou se você é uma moça que e detesta profundamente homens, né, é muito difícil você lidar com o caso que essa inferioridade psíquica sua está Posta, né? Eh, o ponto aqui é, a gente tem que ter muito cuidado. E para ter esse cuidado, eu preciso ter consciência do que que eu sou. Se eu não tenho essa autoconsciência, eu a probabilidade de eu projetar isso no caso é muito maior, né?
Então eu tendo autoconsciência de que pescador sou, né? E eh a probabilidade dele desconfiar se tudo que eu encontro na minha clínica é peixe é maior. Então é é um chamado à autoconsciência nesse sentido. Então de Novo, a implicação clínica disso é clara. Pode comentar. Eu que eu acho interessante um fenômeno de quando as pessoas começam a clínica, elas começam a falar assim: "Ah, não é porque é impressionante como tá chegando vários casos desse mesmo tipo para mim". Uhum. É, pode ser uma coincidência, mas provavelmente é você que tá vendo a mesma coisa em todos
os casos. Exatamente. Mas, né, enquanto supervisor não posso acreditar em coincidências, Né? Essa que é essa que é o ponto, assim. E isso é muito legal, porque de novo, eu gosto dessa máxima, poderia ter trazido outras, porque ela tem essa essa múltima forma de articulação, né? Eh, e esse é um cuidado que a gente precisa tomar mesmo mesmo mesmo, né? Eh, eh, até porque eh nada de humano te alheio, igual falamos anteriormente. Então, talvez dá essa resposta, seja salvífico pra pessoa, né? Você superestruturar a vivência dela, né? e eh encaixar a Vivência dela num certo
modelo clínico seu seja suficiente pra pessoa, porque a pessoa tava tão perdida que qualquer estrutura basta, né? Eh, mas de novo, se você quer fazer psicologia de verdade, a gente precisa dar um passo além disso, ok? Então, essa é a última das frases que eu queria trazer, né, de novo, né? Eh, eu tenho um pouquinho de medo de gravar esse vídeo assim, é muito mais fácil de gravar, por isso que eu faço nesse formato, né? Eh, eh, mas eh assim É muito perigoso perder um grande insight com o próximo insite. Então, assim, eh, pô, tenta
fazer uma anotação, tenta refletir um pouquinho disso, tenta visualizar isso na sua clínica, né? Enfim, eh, me conta aí se funcionou, se se foi suficientemente prático, né, eh, essas construções ou se numa próxima vez vocês gostariam mesmo de eh exemplos específicos e práticas clínicas específicas. Minha reflexão de hoje de manhã não foi tão acertada. Você quer Falar palavras aí de encerramento? Só dar tchau mesmo. Ok. Ok. Então, tchau. Falou, pessoal.