eu queria eu queria falar um pouco ainda de Publicidade por favor porque de todas as imagens do seu livro Uma me chocou especialmente quer dizer várias me chocaram inclusive algumas são eh doloridas eu nem selecionei pra gente apresentar aqui né Eu acho que no contexto do livro ficam bem mas não precisa reproduzir aqui novamente mas uma me chocou especialmente que é uma propaganda de carros dos anos 70 e em que não aparece nenhuma nenhuma figura humana mas aparece um discurso eh digamos escravista totalmente que é essa propaganda que a gente vai pôr na tela agora
vende-se uma família de escravos essa propaganda é veiculada em 1970 Eh tá no Jornal Estado de São Paulo mas provavelmente foi publicado em outros jornais também como é que isso se naturaliza essa essa piada com a escravidão Olha roldo a gente sabe que a piada é sempre uma metáfora né e a piada ela se baseia numa estrutura e na inversão dessa estrutura desculpa eh o que faz rir é sempre um contexto né A não seja que seja aquela piada estúpida que nós não gostamos a piada inteligente é aquela que manipula um universo de significação Tanto
que por exemplo quando eu pesquisei os jornais no século X Pro meu mestrado que se chama retrato em Branco e Negro eu a única sessão que eu não achava engraçada se chamava momento cômico E por que que eu não achava porque eu não sabia decifrar o contexto essa piada só faz sentido num país escravocrata concorda ou seja ela é pretensamente engraçada não tem nada de engraçado Estamos nos 1970 nos anos da ditadura militar nos anos dos assim chamado milagre econômico em que se passou o grande Milagres econômico se inscrevia nos utensílios domésticos e nos eh
na nos nos carros nos automóveis individuais burgueses né porque ao mesmo tempo se acabou com a estrada de ferro e veja a comparação com os com as uma pessoa escravizada né quer dizer a perversão né a naturalização a ideia de que os escravizados carregavam a os seus senhores existem muitas imagens perversas né de escravos carregando liteiras ou as assim chamadas sges e cadeirinhas e portanto como essa era foi uma imagem muito divulgada da escravidão no Brasil e mostrada de uma forma lá democracia racial então o paralelo com os carros seria imediatamente feito pel por um
público leitor então é mais um exemplo muita gente pega esse meu livro e fala ah que livro mais lindo né falou olha não é bonito vai olhar de perto que ele não é bonito não tem horas que é difícil até até ler outra imagem que me impressionou é a do Lima Barreto as duas imagens do Lima Barreto que já já já tão na sua biografia dele mas e acho colocadas lado a lado aqui impression porque o primeiro Lima ele é classificado como branco e o segundo como Pado no mesmo hospital hospital nacional dos alienados onde
ele teve em duas ocasiões em 1914 e 1919 na primeira vez ele ele ele vem trazido digamos eh eh explica você vai explicar melhor que eu não tô gostando muito da sua seleção gostando demais a é essa aqui essa foi uma constatação Ah que foi feita pela Beatriz Rezende uma pesquisadora da frj que eu gosto muito quando ela descobriu essa segunda foto a primeira era conhecida e Ah eu o que eu trabalhei muito ah foi com essa ideia das duas classificações porque no espaço de 5 anos na mesma instituição a mesma pessoa muda de cor
né ou seja passa de branco para parvo Ah o que mostra o o conceito de cor social no Brasil como as pessoas manipulam a cor a depender da situação né tentando branquear algumas pessoas e enegrecer outras então No primeiro caso Lima Barreto eh ele chega eh com o seu irmão que era da polícia né E que eh então que dá todos os dados o escrevente da annese o funcionário ele sabia que Lima Barreto Tinha alguns livros sabia que Lima barrito era funcionário público portanto não podia ser negro ele era paro esse Coringa da nossa classificação
que vem sendo politizado pelo movimento negro desde os anos 1970 nesse momento não estamos falando de da década de 10 no segundo momento o Lima Barreto ele tinha andado bebendo muito e chegou como indigente E aí ele já já muda de cor na primeira na primeira como branco e na segunda como né ou seja então ele muda na classificação ah Lima que sofreu tanto né com racismo e que na minha opinião morreu com 40 e poucos anos pouquinho 42 anos por conta do racismo e que era uma pessoa que denunciava o racismo da primeira república
e que voltando a sua primeira a sua questão sobre Abolição Lima Barreto dizia que a primeira república prometeu inclusão mas entregou exclusão social Então esse é um exemplo Claro de como No Brasil se manipulam as cores né E sempre de muitas vezes de Mane sempre de maneira racista Uhum eu queria eh ó a gente mostrou uma imagem do debr Mas tem uma outra imagem também muito conhecida que é da família eh eh a mesa né que frequenta também o Imaginário brasileiro e que foi construída por um artista com uma família negra eu vou pôr aqui
daqui a pouco eh mas como também tem um processo no de artistas negros de repensar essas imagens isso também aparece no seu livro na verdade aparece em vários capítulos né não tem um capítulo estruturado para isso mas eu queria que você falasse um pouco sobre isso ou seja como como essas imagens têm sido eh encaradas pelos artistas negros de hoje em dia olha eu penso que os artistas as artistas negras eh contemporâneos contemporâneas são fundamentais são grandes intérpretes são intérpretes do Brasil mesmo né ah a gente eu fiz uma estratégia nesse livro que eu també
não queria que ele fosse só derrotista né ou seja e eu queria Então a todo Capítulo eu coloco uma releitura de um artista e de um um artista contemporâneos porque eu acho que esses artistas têm nos feito ver de outras formas eu ah fiz com o Adriano Pedrosa que é o é curador chefe da do MASP né eu fui do MASP até o ano passado nós fizemos uma série de histórias começando começamos no tomia ota fizemos histórias mestiças em 2014 e depois fizemos histórias afro-atlânticas em 2018 uma exposição num nesse caso no Masp no Instituto
tque uma exposição que que teve grande relevância eu acho que foi até agora está circulando no eh nos Estados Unidos e nessa exposição nas duas Exposições eu acho que foi muito importante a trazer para um museu ã Colonial um museu tão europeu a história da arte é uma história do imperial né ah trazer artistas negros né trazer artistas negros que eh in tem o nosso olhar sobre os mapas que invertem o nosso olhar sobre a questão ah da sobre essa naturalização da escravidão Como existe na tela do debr que invertem a nossa concepção dos museus
dos monumentos monumentos que durante todo tanto tempo foram apenas brancos né e homenagearam pessoas brancas europeias homens em geral Então acho que o papel desses artistas é fundamental eu não faço uma uma divisão nesse sentido tanto que no meu trabalho curatorial eu sempre Coloco os artistas para serem curadores junto comigo e num livro que eu fiz junto com o Flávio Gomes um grande Historiador negro sobre a questão quilombola e com o Jaime Lauriano um grande artista negro contemporâneo a gente não fez essa subdivisão são três autores e nós amamos 36 artistas negros para retratarem figuras
do da enciclopédia Negra né que sumiram da nossa memória sumiram com todas as aspas necessárias né