Será que a gente sabe aprender as coisas ainda? Será que a gente entende o que que é aprender a aprender? Qual que é a importância disso na busca do autoconhecimento?
Ora, conhecer algo é aprender sobre algo. É capturar e compreender a realidade de algo. Quando eu era criança, tava na escola, a galera boa de exatas gostava de dizer que ah, humanas é só decorar.
Que pena que na escola parecia que era isso, porque a escola ensina a gente de forma conteudista para passar em vestibular. Mateus mesmo falou que odiava a minha matéria favorita. História, detestava história.
Falei, você teve um péssimo professor. Essa é a única explicação. É sobre quem nós fomos, de onde nós viemos, qual que é a estrutura de quem nós somos.
E a história é uma coisa viva. Fique com essa aí, Mateus. A história conceitual convencionada nem é nem de longe um assunto fechado.
Não é uma decoreba, tá aberto para debate, porque tudo que a gente sabe sobre o passado pode mudar mediante a descoberta de um outro documento, de uma outra arqueologia, de qualquer outra coisa. Então eu ouvia isso e eu ficava chateado pensando, ah, história, história, filosofia, humanas é decorar e exatas. E eu pensav: "Poxa, mas espera aí, exatas".
As pessoas decoram como as fórmulas funcionam e depois operam sobre elas. E demorou muitos anos para eu ouvir do meu mestre que aprender é uma outra coisa que eu vou contar para vocês. E esses dias eu lembrei dessas conversas que eu tinha com os meus amigos na escola sobre que humanas eram era decorar e e lembrei de como que as pessoas respondiam aos conceitos com palavras decoradas, mas sem entender o que elas estavam falando e como que esses conceitos evaporava da cabeça deles com logo as provas passassem.
Portanto, aquilo não era aprender nada, é, não era entender a história, não era entender a geografia, não era entender como o ser humano funciona. E talvez porque a gente tem a preguiça de pensar e olhar com carinho e com qualidade para quem nós somos, pra nossa forma de pensar, nossa forma de agir, nossa cultura, é que a gente com tanta facilidade passe a odiar o outro. É fundamental que a gente aprenda a aprender.
O Idrichá tem um livro inteiro sobre isso e é maravilhoso, inclusive. E eu acho que é um ponto de partida excepcional paraa gente começar essa discussão hoje. Seja bem-vindo, bem-vinda.
Nosso canal é uma porta aberta pra gente discutir, debater, discordar com educação. Se inscreva no nosso canal, clica no sininho para as notificações, manda esse vídeo paraos seus amigos. Eh, deixa seu comentário e o comentário no comentário de alguém aqui embaixo pra gente fomentar a nossa sangline.
A gente vai ter como tema hoje o aprendizado, porque se você quer falar de autoconhecimento, diferente do que todo o coach pateta fala, isso não é um monte de catarses emocionadas sobre yes you can e um monte de frases feitas sobre a sua história que você só repete igual um papagaio ao contrário. O primeiro passo pro autoconhecimento é desmontar tudo que você já tem como pressuposto. desmontar os conhecimentos já determinados, já arraigados, já supostos como prontos que você tem aí.
Você tem que, como diria o mestre Yoda, obrigado, Yoda. Então, nós vamos começar com uma história do Idricá, já que eu falei dele. Esse não é o livro que eu mencionei na abertura, que eu falei ao Aprender a aprender, tem muita coisa lá, mas esse aqui é Histórias dos derviches, como o conhecimento foi obtido.
Se eu já li essa história no canal e você já ouviu, ouça de novo que elas têm poder de trabalhar a gente. Então, ouve de novo. Eu já li 50.
000 vezes. E você? Desculpa, errei.
É a loja de lâmpadas. Tec do como o conhecimento foi obtido é bem mais comprido, bem mais complexo, inclusive porque ele tem super a ver com o nosso tema. Se vocês colocarem bastante aí no nos comentários, por favor, coloca outro conto como o conhecimento foi obtido.
Como o conhecimento foi obtido e a gente grava ele no próximo vídeo. A loja de lâmpadas. Numa noite muito escura, dois homens se encontraram numa estrada deserta.
Estou à procura de uma loja perto daqui chamada a loja de lâmpadas, disse o primeiro homem. Por acaso moro perto daqui e posso levá-lo até lá", disse o segundo. "Sou capaz de encontrá-la por mim mesmo.
" Deram as orientações e as anotei, respondeu o primeiro homem. "Então, por que está falando comigo sobre isso? " "Estou apenas conversando.
" "Então, você quer companhia, não orientações, certo? " "Sim, suponho que seja isso mesmo, mas seria mais fácil para você se obtivesse informações adicionais de algum morador local tendo chegado tão longe, especialmente porque daqui pra frente é mais difícil. Confio naquilo que me foi dito e que já me trouxe até aqui.
Não estou certo de que posso confiar em qualquer outra coisa ou pessoa. Então, embora tenha um dia confiado no informante original, não lhe foi ensinado um meio de saber em quem confiar? Assim é.
Tem alguma outra meta? Não. Apenas encontrar a loja de lâmpadas.
Posso lhe perguntar porque busca uma loja de lâmpadas? Porque fui informado por fontes confiáveis de que lá são eh fornecidos certos artefatos que permitem a uma pessoa ler no escuro. Não sei se tá certo, mas há um pré-requisito e também uma certa informação.
Pergunto-me se já os considerou. Quais são eles? Bem, o pré-requisito para ler com a ajuda de uma lâmpada é que você já saiba ler.
Você não pode provar isso? Disse o primeiro homem. Certamente não numa noite escura como essa, respondeu o segundo.
Então, perguntou o primeiro, qual é esta certa informação? Bem, a informação é que a loja de lâmpadas ainda está onde sempre esteve, mas as lâmpadas foram transferidas para um outro lugar. O primeiro homem, confuso, disse: "Eu não sei o que é uma lâmpada, mas me parece óbvio que a loja de lâmpadas é o local indicado para se encontrar tal aparato.
Afinal de contas, é por isso que ela é chamada loja de lâmpadas. E o primeiro homem disse: "Mas uma loja de lâmpadas pode ter dois significados diferentes e opostos. Os significados são: onde se pode obter lâmpadas ou um lugar onde antes se obtinham lâmpadas, mas que agora não há mais nenhuma".
"Você não pode provar isso", disse o primeiro homem. O segundo homem suspirou e disse: "Você pareceria um idiota para muitas pessoas, mas existem muitas pessoas que chamariam você de idiota. No entanto, talvez não o seja.
Você provavelmente tem segundas intenções, enviando-me para algum lugar onde algum amigo seu vende lâmpadas, ou talvez não queira de jeito nenhum que eu tenha uma lâmpada. O primeiro homem sorriu e disse: "Sou muito pior do que você pensa. Em vez de lhe prometer a loja de lâmpadas e permitir que você suponha que encontrará lá a resposta para seus problemas, eu primeiro verificaria se você sabe realmente ler.
Verificaria se você estaria perto de uma loja assim ou se uma lâmpada poderia ser obtida para você de alguma outra maneira. " Os dois homens se entreolharam tristemente por um momento, então cada um seguiu seu caminho. O Sherpir eh Chatari é o autor dessa história.
Ele morreu na Índia em 1632, no seu santuário que está em Merut. A ele acreditado o fato de ter mantido o contato telepático com mestres passados, presentes e futuros, e de lhes ter fornecido os meios para projetar suas mensagens por meio de histórias baseadas na vida cotidiana da comunidade, que eram sua especialidade. Esse conto fala de muita coisa, né?
Ele fala para nós de como a gente se agarra a um conhecimento, porque ele nos dá conforto e a gente segue por ele. E se a vida nos traz professores e orientadores, a gente os recusa porque a gente desconfia. Esse esse conto fala para nós sobre até ensinamentos espirituais terem prazo de validade, sendo as lâmpadas aqui aquela aquele objetivo, a meta para criar essa lucidez e que outrora serviam naquela direção, mas conforme as eras mudam, os costumes mudam, as pessoas mudam, aquela verdade espiritual daquela maneira precisa ser restaurada, ressignificada, atualizada, senão ela não tem mais força, não tem mais poder, não tem mais baraca.
Essa história também fala da importância de um mestre, não é? Você tá ali no caminho dizendo como um pesquisador, autodidata, dizendo: "Ah, eu sei como encontrar a lucidez e o caminho". E por sorte a vida te dá um orientador, mas você é arrogante demais para precisar de um mestre.
Você é especial demais para precisar de um guru. Você é especial demais para dar conta das instruções abras abrasadoras, né? abrasivas de um mestre das marteladas que ele pode te dar no seu ego.
Você é ocidentalzinho fofinho, não precisa acreditar em gurus, porque afinal de contas, como um de vocês comentou aqui uma vez, um guru só quer ser seu escravizador. As pessoas querem ser escravos de um mestre e poder segui-lo de maneira cega. E eu fiquei pensando nos meus mestres e e como eles não precisam de mais nada e quão generosos eles são ao compartilhar seus ensinamentos e como a gente age como na história.
Você pareceria um idiota para tantas para certas pessoas. E aí o personagem, o segundo personagem pergunta, né? Mas você sequer sabe ler para querer uma lâmpada para ler no escuro?
Mas quem diz que eu preciso saber ler para querer ler no? É para suar estúpido assim, porque nós somos assim. E isso é o que chata com essas histórias que nos dão essas esses nó na cabeça.
É o que ele quer dizer com aprender a aprender. É tornar a nossa mente fértil, ampla, aberta de novo, pra gente receber conhecimentos que nos transformem. E essa é a diferença entre gana e vigana, que é o que eu queria falar para vocês, que tem tudo a ver com o que eu falei da história da escola.
Porque se você chega, e essa é uma metáfora antiga, os chineses que começaram, mas assim, é um ditado já até meio clichê, que você não pode tomar um chá novo se você não esvaziou sua xícara, se a sua xícara tá cheia. Se a sua xícara tá cheia de chá velho e ruim, se eu colocar o chá novo, ela só transborda, não entra chá novo. É tão importante a gente lembrar sobre aprender a aprender, sobre estarmos fecunda e atentamente disponíveis para ouvir o incômodo.
Na história é legal, porque essa história dele tá procurando uma loja de lâmpadas para ler à noite e nem sequer sabe se ele sabe ler. Diz muito dessa nossa ansiedade da aprendizagem. Eu pulo etapas, eu leio verbetes, eu pressuponho conceitos, mas eu não os assimilo.
Então, quando eu tava pensando nas discussões que eu tinha na escolar e humanas e decoreba, exatas também, se você não souber o que você tá fazendo com aquilo. História, por exemplo, é um caminho vivo de discussão sobre o que foi o passado para tentar entender como nós estamos no presente. Filosofia é entender como que quem veio antes de nós pensou o pensamento e deu mecanismos pra gente poder compreender a nossa realidade no presente.
E aí eu falei de vigana e guiana. Guiana é conhecimento de toda sorte. E geralmente a gente fala de guiana yoga, né?
Então é o conhecimento espiritual. Essa palavra aqui é o pá pá. Isso aqui é o dearagaria.
Isso aqui é o a transliteração. Guiana é conhecimento de todo tipo, mas ele precisa de um algo a mais. Para ele ser um conhecimento que te transforma, para ele ser um conhecimento superior.
Shirirama Krishna diria que ele precisa ser vigiana. Existe uma diferença entre vigana, gana ou é, né? Vigana ou pragiana, que é o conhecimento superior divino, e o guiana, que é o conhecimento do mundo.
A gente depende dos conhecimentos do mundo e operacionais para viver, para existir, para ser, para sentir. Mas sem esse conhecimento mais profundo, que é uma experiência do espírito, um assimilar com o corpo inteiro, aquilo não se torna seu. Como assim, Gui?
Meu mestre costumava dizer assim: "Quando você aprende algo, você apreende algo, você captura algo e aquilo que você aprendeu nunca é o que você ouviu, nem o que te foi dito, nem o que você pensou sobre aquilo, mas uma outra coisa que é a mistura do que você ouviu, do que te foi realmente dito, do que você pensou sobre aquilo, de todo o seu repertório anterior, criando uma alquimia própria e criando um conhecimento todo novo e todo seu. " Por isso, de certa maneira, quando eu explico, por exemplo, naquele vídeo que eu expliquei o caminho da meditação de chama, esse vídeo aqui, eu falei: "Olha, os budistas tem uma outra forma de explicar isso, mas eu ouvi assim da professora ali e certamente tem aqui o meu tempero, eu mudei muita coisa". Eu posso dizer, aquilo é um conhecimento meu, não o conhecimento exatamente como as tradições Baldha do Tibé construíram para explicar os nove passos da meditação, porque eu nem sei tibetano, mas aquilo serviu para iluminar o meu entendimento sobre a iluminação, sobre a meditação, sobre a sádana.
E eu transmiti pr as pessoas com todo o carinho que eu podia, porque aquilo me impactou quando eu vi aquilo da Lia me oh me abalou as minhas estruturas. Isso é o que a gente chama no tantra de tchamatcara, né? Tchakara é o caminho para iluminação.
Algum dia eu vou fazer um vídeo, pode ser em breve, anota aí nos temas, Mateus, a ciência do belo na tradição indiana. Então vou fazer uma breve introdução sobre bava raça, que eu toda hora falo para vocês de raça e de matara. Por enquanto, fique com esse texto em inglês do meu guru, aqui embaixo, que é um texto belíssimo sobre essas três coisas, mas basicamente é o mais alto grau de experiência estética.
Como assim experiência estética? Maquiagem? Não, pelo amor de Deus.
Estética é a ciência do belo, né, do espanto. A palavra estética vem disso, né? Quando balgar tem cunha, a palavra estética vem de aestes que é êxtase mesmo.
E os indianos já estavam falando de estética há muito tempo, que as artes e as nossas experiências de vida aí, todas as coisas que nos acometem com esse arrebatamento estético, que pode ser pelo que é belo geralmente, mas pode ser pelo que é horrível, é uma experiência dos sentidos e da mente e do espírito. E aquilo me espanta. E isso é tiatcara.
Tchacara é esse maravilhamento com um saber. Lembro da minha melhor amiga da faculdade, a Ana. Ela é uma pessoa fascinante.
Eu a conheci, ela já tinha, ela tinha idade da minha avó, então tinha 60 e poucos anos na época e e era médica, aposentada e tava fazendo filosofia por hobby. E era uma pessoa maravilhosa de se conviver. É, ainda beijo Ana, você tá assistindo esse vídeo.
É, mas era muito fascinante conviver com ela na faculdade, porque ao mesmo tempo que era uma pessoa muito mais experiente, a Ana nunca teve muito filtro para falar o que ela pensa. Então era muito gostoso. Uma vez eu falei assim, isso aqui é autoexlicativo numa numa apresentação e ela falou na frente de todo mundo, não é não.
Na minha na minha apresentação. Ai, mais uma vez a Ana me contou e eu nunca esqueci. Ela teve um chamato cara e eu nunca me esqueci e e acabou sendo uma experiência compartilhada por nós dois, porque ela tava lendo o São Tomás de Aquino e eu vi ela sair da aula e eu não tava naquela matéria com ela e ela saiu exultante, sorrindo e ela tá até com os olhos marejados e a Ana é até então sempre se considerou até, embora ela fala que gosta de estudar vedanta agora que ela me escuta falar, mas ela nunca foi religiosa nas religiões ocidentais, mas ela saiu maravilhada porque diz que entendeu o pensamento de São Tomás de Aquino e que ficou fascinada por aquilo e que definitivamente a experiência estética de compreender um pensamento é mais estática, por assim dizer, está estática com X do que qualquer orgasmo que ela teve na vida.
Tô falando que ela não tinha papas na na língua. Ela falou: "Foi melhor que qualquer transa que eu já tive. " Eu: "Meu Deus".
E ela falou que durou dias, dias nesse êxtase do entendimento. Esse é um conhecimento que ela teve, um gana que ela absorveu, que se tornou vigana, se tornou um conhecimento superior porque iluminou a vida dela de sentido a partir de um conhecimento ao qual ela se abriu. Ela não decorou os conceitos que São Tomás de Aquino falou, porque é assim que as pessoas fazem.
Então você fala assim: "Ah, o que que é devir? É vir a ser". É assim que você ouve responder sobre isso.
Ah, o que que é ã epistemologia? teoria do conhecimento, entende? A gente responde, bate pronto, como se fosse um quiz, mas a gente não sabe saborear o conhecimento das coisas.
Essa é a função da filosofia, inclusive, pensar o pensamento, definir conceitos, porque você já pensou quanto é difícil você explicar aquelas coisas que você acha que você sabe tão bem? O caminho pro aprender de verdade é render-se. Por isso que, de certa maneira, o conhecimento verdadeiro, até pro mais ateu dos ateus é uma experiência tremendamente religiosa.
Essa experiência da Ana na época que ela mais se dizia Teia, estudando São Tomás de Aquino e sem acreditar nas ideias dele, mas ainda assim absorvendo-se no pensamento e achando fascinante aquelas ideias, brilhantes aquelas ideias, iluminando-se no tendo uma pequena iluminação, né? o que a gente chama de Tiamatcara no tantra e o que a gente pode chamar de satori no budismo. O pensamento de um cristão, de um monge cristão cabeçudo, iluminou o coração de Mateia, não para convertê-la, mas para aprender aquele pensamento.
E essa é a sacada de e a diferença entre aprendizagem e decoreba de mero absorver de guiana para vigana. Agora tem um último detalhe sobre isso. Um último detalhe, gente, sem eu fico fazendo essas digressões porque vocês sabem, não dá para eu cobrir um tema vasto como aprendizagem num vídeo do YouTube.
Eu precisaria dar seminários, escrever livros e nem sei ai você se acha capaz, nem sei se eu sou essa pessoa. Eu tô só dizendo, isso é um tema vasto demais para tratar aqui. Mas tem um último detalhe dentro das tradições indianas que a gente precisa cobrir, que é uma coisa que eu já falei aqui no canal, que é o que tá lá no Chiva Sutra, que é a grande revelação do venerável VO Gupta.
sobre o segredo dos segredos, quando o senhor Shiva traz um texto para ele no topo de uma montanha, né, revela numa pedra como os mandamentos de Moisés e é uma das essências do chivaísmo não dual, né, da uma das doutrinas mais vivificantes, mais profundas, mais pujantes que eu já conheci, se não a mais. E o segundo sutra desse texto extremamente belo, extremamente sintético, diz: "Ganan bandana". Então, ganan bandana, a gente pode separar essas palavras aqui, ó, na tela.
E gana para o suamil, esse cara aqui, ah, ele tá aqui escrito como gana bandana. Então ele tá dizendo assim, ambiguamente mesmo, né, que ao mesmo tempo não conhecimento, aara e conhecimento são prisões. Olha só que loucura.
Então, o conhecimento é o aprisionamento ou o não conhecimento é o aprisionamento. Essa explicação esotérica do Suami que ele diz: "Olha, ao mesmo tempo, a ignorância operacional na vida e sobre as verdades espirituais e sobre o que quer que seja são aprisionamento. Toda pessoa ignorante está tapada.
" Daí a ideia da palavra tapada, né? N, a gente usa tampado hoje, mas ai nossa, essa pessoa é tapada. Tapada no sentido de, né?
Os três macaquinhos aqui, ó. Não vejo, não ouço, não falo. Essa ideia de estar tapado.
Ele não vê a realidade, ele tá com a capacidade de juízo, a capacidade de absorção, de avaliação da realidade comprometidas. Então, é importante absorver conhecimentos. Eles vão nos dar bases para estruturar o nosso ego, por assim dizer, para consolidar nossos valores, determinar nossos paradigmas, para traçar as nossas metas.
Mas ao mesmo tempo, ganambandana, os conhecimentos são aprisionamento. Por um lado, porque o conhecimento incompleto é aprisionamento. Se tem um negócio mais funesto, perfídio, do que a ignorância pura é o meio conhecimento.
A história que a gente já falou, que o Cristian Murt falava, né? O diabo e um amigo estão andando na rua, aí eles vêm um homem andando à frente, aí eles vem o cara catando um negócio brilhante no chão e pondo no bolso. E o amigo pergunta pro diabo: "O que será que é aquilo, hein?
" Aí o diabo fala: "É um pedaço da verdade. " Aí o amigo fala: "Nossa, isso deve ser um mau negócio para você", né? Aí ele diz: "Que nada, é só um pedaço, eu vou deixar ele organizar".
Então, pior do que o não conhecimento é um conhecimento falso, incompleto. Então, nesse sentido, meios conhecimentos que você toma como verdades completas são mais danosos do que a ignorância pura. E até mesmo conhecimentos verdadeiros.
Se você não tem a flexibilidade de entender que conhecimentos têm lugar, tempo e circunstância para serem aplicados, evocados e utilizados, então ele é uma prisão. Por exemplo, tem muito ateu que se diz ateu porque quer se ver livre do julgo da religião, porque a religião é ilógica, não tem prova, não tem evidência, mas a forma desesperada com a qual ele advoga as ideias dele são uma forma de prisão. Da mesma forma que todo religioso que encontrou liberdade na religião e que depende do eco de outras pessoas confirmando consigo aquilo que ele acredita, também tá preso ali.
Mas outros conhecimentos de quaisquer sortes nos nos enjeam, nos nos prejudicam. Então, a pessoa que é emotiva demais e que consegue ter boas avaliações em serem e em cima do estado emocional das pessoas, ela tem uma ótima inteligência emocional, consegue manejar bem processos emocionais, ela tá atada a achar que todo mundo lê o mundo como ela e não consegue perceber de outra forma e também não consegue fazer uma análise ah racional, direta, lógica das coisas, ou intuitiva ou sensorial. Eu tô aqui usando os tipos yunguianos, mas você pode usar qualquer matriz, tá?
A pessoa que é muito lógica, muito analítica, mas não consegue perceber que existem dimensões intuitivas, dimensões emocionais, dimensões eh sensoriais para perceber as coisas, também tá ali presa num único numa única matriz de conhecimento. Então, o conhecimento engessado fixo, que é um conhecimento verdadeiro, mas que não sabe a hora de se aplicar, também é uma prisão. E por um último grau, até mesmo a conjunção de todos os conhecimentos relativos.
Quando a gente tá mirando a última essência, o conhecimento de si, o conhecimento espiritual, o conhecimento definitivo, o atmaguiana ou o pragana, né, a suprema sabedoria, a palavra não descreve. Então, em algum grau também o Shivautra diz que este conhecimento sobre Shiva é gana gana. Ah, é o que quer dizer, ele é o conhecimento dos conhecimentos, mas ele ao mesmo tempo é a guiana, ele é o não conhecimento dessas coisas relativas.
Porque se ele está para além das categorias aqui, Shiva e Brahman, né, os dois nomes para o absoluto nas doutrinas indianas que são equivalentes. Então, se essa e esse conceito de absoluto não está nem no bem, nem no mal, não é nem quente, nem frio, está para além de todos os pares de opostos, então se apegar a um tipo de descrição para definir, para delimitar o que que é essa consciência de si, também é um aprisionamento. Ou seja, em certa medida, todo processo de aprender a aprender tem a ver com construir um corpo de conhecimento muito sofisticado, muito vasto, muito diverso, mas ao mesmo tempo ter o desapego de largar todo ele se necessário for.
E eu acho que boa a parte de nós não tem condição de fazer isso. E eu tô me incluindo aqui, tá? É, não sei quanto que eu dou conta de abrir mão das minhas certezas todas para agarrar com profundidade, sobriedade, seriedade, é verdade.
Eu não sei. Não é que eu tô dizendo que eu não faria ou que eu não tento, é que eu nem sei em que grau esse nível de sabedoria dos mestres está para que eu consiga abdicar absolutamente de tudo que eu tenho como absolutamente dado e certo para me concentrar apenas e tão somente na verdade. Mas até que a gente tem essa condição, aprendizado é ah um esforço diário para primeiro aprender a esvaziar os copos para depois enchê-los novamente de um novo conteúdo.
Até mais. Yeah.