eu queria começar falando sobre o barco essa obra multisensorial monumental que você tá trazendo pela primeira vez ao Brasil para ficar exposta no Inhotim por dois anos e que é acompanhada de uma performance de poemas enfim Ela realmente tem muitos aspectos muitas Faces queria que você Contasse um pouquinho sobre a concepção dessa obra como foi transpô-la para cá eu sei que tem uma parte que teve de ser construída aqui no Brasil Então queria saber exatamente isso E como que ela se mat realizou para você Como foi o processo de criação dessa obra que surgiu Salvo
engano na pandemia você a lançou em 21 né esta obra O Barco realmente é é extremamente complexa porque começa com um trabalho na floresta com a escolha de madeiras passa pelo fogo passa pela água passa pela cenografia passa por uma grande pesquisa à volta de histórias apagadas e esquecidas passa por uma reflexão sobre o que é um monumento e se um monumento eh existe para contar histórias e quais histórias h e passa à poesia e à gravação à pintura e depois à performance também eh esta peça veio especialmente depois de um trabalho intenso que eu
fiz de vídeo eh com sobre a antígona e eu fiz um um um trabalho em volta da do do mito da antígona e de todas as questões que a antígona traz embora seja um uma mitologia grega antiga traz questões atuais para agora para este momento antigona tem dois irmãos que se matam e que morrem simultaneamente e kon diz o rei dita que um irmão pode ser enterrado e o outro irmão não pode ser enterrado por questões políticas e que fica abandonado no chão e fica como comida para aves e para pássaros então levanta todas estas
questões de quem morre na rua quem é que tem direito a ser enterrado quem é que tem direito a ser lembrado quem é que tem direito a um ritual Hum quem é que tem direito a ter o seu o seu nome escrito todas estas questões que se levantaram levaram-me para uma peça da galeria do espaço fechado da galeria para um espaço público eh onde o barco depois foi criado maravilhoso a gente vai discutir esses muitos aspectos ainda