o [Música] Olá bom dia então a gente conversa um pouquinho sobre holocausto brasileiro Daniela arbex Esse é o segundo livro desta autora que eu trago aqui para o canal primeiro deles foi o todo dia a mesma noite que é um livro dela destruidor sobre os acontecimentos da boate Kiss vou deixar o link lá embaixo para vocês darem uma olhadinha e Chile para que foi igualmente neste duro e o pessoal é um livro de 2013 foi republicado por uns editor em 2019 nessa opção aqui que eu tenho irmãos isso aqui na verdade é o primeiro livro
da autora que é jornalista trabalhava deve trabalhar ainda para jornais em Minas Gerais a ideia para contar essa história aqui que a história do Centro Hospitalar psiquiátrico de Barbacena também conhecido como o colônia aliás me corrijam Se eu estiver errado mas todos os manicômios do século passado eram conhecidos aqui no Brasil como colônias então a ideia veio do momento em que ela entrou em contato a fotografias feitas pelo fotógrafo Luiz Alfredo que trabalhava na revista O Cruzeiro esta matéria esta série de fotografias saíram na revista em 1961 só lembrando que o Cruzeiro era a maior
revista do Brasil Então fotógrafo esteve no colônia e tirou fotos absolutamente impactantes eu não vou mostrar as fotos contidas aqui neste livro mas falam que várias delas se não todas estão aqui reproduzidos também então tá em 1961 saia uma matéria sobre o colônia nessa revista que era a revista de maior circulação no Brasil muitas pessoas passam a prestar atenção do Colônia principalmente porque já naquela matéria de 1961 ali a denúncia dos maus-tratos sofridos pelos internos isso sai da maior revista do Brasil da época aí nada acontece aquilo choca a população leitora da Cruzeiro momentaneamente talvez
porque as pessoas já soubessem ou pelo e confiar sem do que acontecia no Sanatório brasileiros então aquilo nunca foi exatamente uma novidade você já tinha naquela época contos e romances de grandes autores brasileiros que se passavam em colônias você já tinha também personagem de novelas de TV que era um chip com blocos e portanto eram internados em hospícios porque talvez a gente possa considerar que isso já fosse uma coisa que fizesse parte ali do Imaginário mas não contando os detalhes não com fotografias te mostrando como é um hospício por dentro Mais especificamente o hospício de
Barbacena Então tá Tira aquela primeira reportagem 61 Você tem o pessoal levando aí um choque de realidade né saber que o trem de doido Não Era exatamente Apenas uma expressão mas eu tenho de dois realmente existia afinar os novos internos realmente chegavam em trens que paravam ali na estação que ficava em frente a esse hospital então para boa parte das pessoas fala pela primeira vez sobre o colônia de Barbacena descobri que aquele trem realmente existia foi um choque e descobri também que Mocinhas da vida real eram internadas como loucas também por não se encaixarem né
Por estarem fora da curva homens calados e tímidos também eram internados só por isso que os invertidos né como eram chamados naquela época também eram internados prostitutas também é um para lá você tinha pessoas que iam parar no colônia por terem sido enviadas por juízes que determinavam Centro Diagnóstico nenhum aliás que aquelas pessoas ficariam melhor presas em um Sanatório então histórias como essas foram sendo espalhadas como o tempo principalmente a partir da reportagem da Cruzeiro de 61 depois no final dos anos 70 novas reportagens surgiram sobre o colônia talvez a gente possa dizer que foram
aí reportagens de maior destaque de maior impacto também já que a partir de então mudanças foram sendo aplicadas ao sistema manicomial bom então pra gente ter uma ideia a chamada reforma psiquiátrica que Salvo engano começa para valer ali nos anos 90 ainda discutido até hoje mesmo porque esse movimento da reforma psiquiátrica avisava desinstitucionalizar a loucura se eu tinha também a extinção dos manicômios como esse aqui pelo amor de Ben e também uma retomada do olhar para esses indivíduos a partir dos Direitos Humanos mas me corrijam Se eu estiver errado ainda temos aqui no Brasil hospitais
psiquiátricos que também trabalham com internação é daquele velho modelo dos manicômios do século passado como por exemplo colônia de Barbacena não existe mais mas a gente sabe que existem pessoas que têm aí uma condição psiquiátrica que os impede de funcionar em sociedade né Podem inclusive colocar em risco a integridade da própria família Olha a gente é um assunto muito delicado que eu como leitora prefiro recorrer a especialistas a coisa que este livro por exemplo não permite porque não contém bibliografia o que você tem aqui é uma jornalista indicando no corpo do texto o trabalho de
outros jornalistas e a gente foi muito acreditar que o sistema público de saúde funciona mas será que se qualquer um de nós aqui que precisar de ajuda psiquiátrica consegue pronto-atendimento eu não sei porque esse livro mesmo que se propõe a ser um livro denúncia não terá sequer um número de telefone aberta à população interessada mas não entendo o mal É sim um livro bastante impactante é um choque de realidade como eu disse a vocês é um livro de 2013 que nunca saiu de circulação a gente tem uma outra Editora aí com tiragens imensa as deste
livro e fala muito fácil de encontrar o por aí é um livro que já foi lido por muita gente ele é indicado também na bibliografia e de diversos cursos é um livro repleto de fotografias que lembram sim as fotografias dos campos de concentração nazistas então o título do o ator é holocausto brasileiro mesmo porque ele parte de uma frase do Franco basaglia né o italiano grande nome da psiquiatria que teve no Brasil em 1979 visitou o colônia de Barbacena chamou uma coletiva de imprensa e disse isso aqui estive hoje no campo de concentração nazista em
lugar nenhum do mundo presenciei uma tragédia como esta então primeiro autora do livro vai escrever uma série de reportagens em 2011 aproveitando o ensejo dos 50 anos das fotografias do Luiz Alfredo a na Cruzeiro das reportagens a em então no Jornal Tribuna de Minas São premiadas e o livro o saco me disse para vocês dois anos depois falando um pouquinho do livro em si eu vou deixar lá embaixo na descrição deste vídeo o link para uma entrevista que a autora deu para o pessoal da TV Univesp quem faz a entrevista com ela inclusive aquele rapaz
que apresento literatura fundamental vocês vão reconhecê-lo mas ele em entrevista a autora Deixa claro que o livro deu bem mais trabalho do que as reportagens em si não só pela extensão das entrevistas né Muitas delas precisaram ser receitas né mais detalhes foram buscados ali com os sobreviventes na do holocausto brasileiro que infelizmente a época das primeiras entrevistas eram apenas ali menos de 200 Então ela precisou refazer diversas dessas entrevistas e também levou bastante tempo no trabalho de adaptação das reportagens para livro Por causa essa entrevista vai destruir um pouco os vossos sonhos a respeito de
livro-reportagem né sentença em torno um tratamento literário aqui a gente pode encaixar esse livro dentro do jornalismo literário acredito que sim portanto a gente sabe que além dos fatos nós temos aí toda esse tratamento literário que eu comentei com vocês autora conta na entrevista também que muito pouco ela aproveitou das reportagens na escritura do livro e uma coisa aqui quem é e não pode notar aqui durante a leitura é que existe sim um certo apelo sim emocional aí durante a esse tratamento literário que a dado essas histórias então por exemplo ela conta que a história
de um garoto muito tímido muito calado muito na dele que não brincava com os demais Enfim este garoto foi enviado pela família para o colônia Por que sim a partir de um dado momento eles passam a receber crianças também não dado momento pai vai visitar a criança que tava lá desesperado para sair dali então o garoto tá lá achando que o pai veio buscá-lo o pai não aguenta ver o filho naquela situação e o que é que ele faz diz que vai dar uma saidinha para pegar alguma coisa para o garoto né comprar alguma coisa
para ele e não volta mais aí altura vai dizer que o garoto morreu de tristeza e aí você fica sentado Então esse garoto morreu de tristeza e não pelos maus-tratos que ele sofrendo colônia é só um exemplo vocês vão encontrar outros aqui também o mar ênfase na boneca que a senhora segura porque na infância ela não tem boneca e não me entenda mal que eu estou dizendo aqui essa puxada para o emocional do leitor me parece desnecessário numa história como essa que já chocante por si só já é triste para caramba procissão outra coisa que
me pareceu estranho é o tratamento que é dado para as pessoas que trabalharam no colônia e que foram entrevistados essas pessoas trabalharam aliviam diariamente o que acontecia ali dentro e não denunciaram a sucursal do inferno aliás é ser o título da matéria de 1960 ou então essas pessoas recebem um tratamento aqui nesse livro de sei lá parece que elas também foram vítimas do Colônia Mas elas estavam ali como funcionários em alguns momentos você vai ler histórias de pessoas que presenciaram tratamentos de choque que levaram o paciente a óbito E aí saíram dali pediram demissão na
hora enfim era uma coisa de sei lá um misto de necessidade daquele emprego o preço de conseguir Afinal de contas você tinha ali todo um concurso público para entrar no colônia ao mesmo tempo em que esses funcionários vão contar histórias de colegas que muitos se adaptavam ali aquela situação toda E aí você tá lendo aqui essas histórias e pensando hora você também não se adaptou você não ficou um tempão trabalhando lá até aqui a história da moça que trocava os montinhos de palha porque esse hospital aqui quando foi inaugurado tinha ali 200 leitos então ele
poderia receber no máximo 200 pacientes só que não dava um momento Aqui você passa a ter milhares de pessoas ali dentro eleitos ocupam espaço aí alguém vai ter a Brilhante ideia de trocar os leite por montinhos de falhas por um lado você pode pensar assim poxa mais Alguém precisava fazer aquele trabalho cara é um negócio difícil é uma leitura difícil não só pelas histórias chocantes que você vai ler mais também por esse conflito interno que você vai ter durante a leitura é um livro e por diversos motivos você vai ler aqui também com bastante detalhe
a história da moça que foi estuprada pelo patrão engravida E aí o patrão para acobertar né para esconder aí essa gravidez essa moça vai fazer o quê vai internar lá no colônia Então essa vitória que te faz pensar assim então tá não existe a critério médico já que dentre os internos você tinha pessoas que não se tivesse não tinha um problema que ficasse com nenhuma não apenas time das tristes melancólicas sem contar toda aquela lista de indesejados sociais bem essas pessoas não deveriam estar ali mas tá Como é que não patrão consegue internar uma funcionária
sabe qual era o esquema não existe alguma coisa ali envolvendo propinas pessoas simplesmente eram despejadas ali como é que funcionava mas tá você tem assim na capa da nova edição exclusiva é só genocídio e 60 mil mortes no maior hospício do Brasil então é dito aqui que cerca de as pessoas pereceram dentro do Colônia então não havia uma avaliação não havia critério médico para essas internações você sai dessa leitura sabendo que a coisa era arbitrária mesmo mas dentre os pacientes existiam cinco pessoas que realmente sofriam de condições psiquiátricas como o foco do livro está no
contar essa história a partir dos relatos dos Sobreviventes o foco do livro acaba sendo então nesses internos que não deveriam estar ali digamos tá então você tem aqui histórias de fios problemáticas de prostitutas de epiléticos mendigos alcoólatras homossexuais pessoas tristes melancólicas e tímidas entravam aqui nesse Balaio também ela vai contar que ter suas que perdiam por algum motivo suas identidades e iam parar no colônia também então foco do livro está ali nos internos que eram simplesmente fora da curva da Norma social e também são histórias tocantes e ela vai contar aqui sobre a pac alimentação
dessas pessoas sobre como elas dormiam nesses montinhos de palha por conta da superlotação e na minha opinião a grande denúncia deste livro está no fato de que esta superpopulação do Colônia de Barbacena tinha um motivo e o motivo é a venda de Corpos chega um momento em que vai ser dito aqui que cerca de 16 pessoas morreram todos os dias esses cadáveres eram vendidos para universidades no plural mesmo Brasil afora E aí meu amigo se o livro não te pegou até esse momento até esse capítulo ele te pega pela descrição de como esses corpos eram
vendidos e transportados e tratados ao chegar às universidades e os corpos que não eram vendidos como é que eles eram incinerados e se isso não te pegar talvez a descrição de como crianças de colo ou com alguma dificuldade motora eram é como eu disse para você se não não é um livro perfeito mas ele te pega em alguns momentos e aqui no livro ela também vai comentar sobre o Paulo Delgado que é um deputado que no finalzinho dos anos 80 deu o pontapé inicial ali para a criação de uma lei que regulamentasse a saúde mental
e essa lei não foi lá muito bem Aceita não você tem já em 2009 você não me Enganam o Ferreira Gullar o poeta autor do poema sujo hum escrevendo ali uma carta aberta né publicado num jornal de grande circulação descordando veementemente desse rapaz e inclusive embaixo chamá-lo Olha só esse sujeito É um cretino porque o Ferreira Gullar fez isso porque ele era pai de Se não me engano dois filhos esquizofrênicos então a grande reclamação dele é que essa lei Ok ainda não comportava perfeitamente ali os casos em que as pessoas realmente precisavam de internação não
É a coisa anda hoje em dia né essa carta do Ferreira Gullar Como eu disse para vocês o fabricado em 2009 e a autora coloca aqui toda a discussão que essa carta levantou-a enfim e eu sinceramente achei inserção dessa discussão toda bem interessante até o final do livro Um que me incomodou mais aqui na composição deste livro é um capítulo enorme que dura mais de 20 páginas aí a gente está ser honesto que dessas 20 páginas muito ação de fotografias né então autora vai contar alimerka biografia do Luiz Alfredo né aquele fotógrafo da Revista Cruzeiro
Então você vai ler ali sobre o início da carreira deles lugares que ele visitou sabe é um capítulo que particularmente não Me interessou mas imagino que vá interessar aí aos estudantes de jornalismo Então para mim essa foi uma leitura e regular é um livro chocante não tem como a gente não se sensibilizar com essas histórias em geral é um livro difícil de se lê é uma história pesads E você vai no mínimo segurar um nó na garganta aí em diversos momentos ao longo da leitura ou simplesmente ficar revoltado né com um passado não tão distante
assim né então independente aí do apelo emocional que a meu ver é altamente indispensável no vestuário como essa fatos de ação chocante o suficiente saber que em menos de 200 pessoas né sobreviveram né menos de 200 internos sobreviveram e isso a época da composição do livro né 2013 - de 200 pessoas ainda estavam vivas e podiam contar suas histórias então assim pessoal é um livro que tem sua importância Principalmente para o pessoal da área da psiquiatria e do jornalismo nos pra vocês mesmo a história do Fotógrafo lá pode ser que seja interessante cima aí para
algumas pessoas para mim não for Marcela fou uma mesmo para o leitor em geral vai servir como um choque de realidade então é o livro que eu recomendo principalmente para quem se É por essas histórias obscuras aí do nosso país com detalhes com fotografias com depoimentos de Sobreviventes é um livro que tem sua importância assim não deixem de ver também o vídeo que eu encomendei a vocês com a entrevista da autora uma coisa você assistir alguém dando opinião a respeito da Leitura outra coisa a gente vê a própria autora falando do livro então vou deixar
esse link aí embaixo para vocês também é isso então pessoal antes de encerrar esse vídeo gostaria de mais uma vez agradecer a todos os apoiadores do canal Vocês estão vendo os nomes de todos eles aqui ao lado na descrição do vídeo você também encontra todos os links para os perfis literários do pessoal que apoia o canal e que também produz conteúdo sobre livros aqui no YouTube e no Instagram também caso você queira se tornar o apoiador do canal muito obrigada deu uma olhadinha no primeiro link que eu vou deixar na descrição do vídeo e é
isso então a gente se ver nos próximos vídeos do canal Um beijo grande e até mais é E aí [Música] [Música] E aí