Olá pessoal Espero que todas e todos estejam bem eu sou Marcos Neira professor da faculdade de educação da USP e membro do grupo de pesquisas em educação física escolar é um coletivo majoritariamente composto por professoras e professores que atuam na Educação Básica realizam experiências pedagógicas e produzem conhecimento sobre a perspectiva cultural da educação física também chamada currículo cultural da educação física ou simplesmente educação física cultural e esta é a vídeoaula número um da disciplina EDM 044 5 metodologia do ensino Educação Física 1 uma disciplina do curso de licenciatura em educação física da Universidade de São
Paulo e o tema dessa videoaula é função social da escola e a nossa expectativa é que a assistência a esta videoaula que a realização da Leitura indicada e que a participação da aula presencial agora no próximo dia 28 de de Fevereiro que esse conjunto de atividades possam contribuir para que vocês compreendam as transformações da função social da escola porque na semana seguinte nós caminharemos para as funções sociais né as transformações da função social da Educação Física as várias funções sociais que a educação física desempenhou ao longo do tempo e desempenha neste momento uma determinada função
social bom dito isto eh passemos aquilo que é importante nesta nossa conversa em primeiro lugar eh observar que nós estamos sempre lembrando que a escola como nós conhecemos hoje ela é uma invenção ela é uma criação do século 16 Ah mas por que que aí está o século XVI porque nós pretendemos inserir depois né na na próxima semana inserir as questões da Educação Física neste mesmo eh slide então a educação física como vocês sab sabem é uma invenção do século XVI eh obviamente ela chega no Brasil somente no século XIX e há registros de aulas
de educação física aqui no Brasil aqui no Estado de São Paulo na passagem do século XIX pro século XX então nós trataremos no no na próxima semana as aulas de educação física como sendo ou seja o componente curricular ou o que naquele momento se chamava ginástica como uma invenção do Sé 18 mas que chega nas nossas escolas no século XIX e que se organiza se sistematiza mesmo no ensino público brasileiro ou no sistemas de ensino brasileiros no finalzinho do século XIX bom eh Então a nossa conversa Hoje ela vai eh versar sobre as transformações da
sociedade e as funções que a escola veio desempenhando a partir lá do finalzinho do século XIX até a terceira década do século XX que é o momento que nós estamos e vocês eh vão perceber nesta conversa que nós tentamos fazer um paralelo entre as transformações da sociedade e as tendências pedagógicas ou seja como que a escola foi respondendo às transformações que a sociedade foi experimentando então Talvez algumas pessoas aqui da nossa turma eh conheçam eh seus bisavós e Talvez tenham conversado com seus bisavós tenham tido a sorte de conversar com seus bisavós e talvez eles
eh sejam pessoas que narrem experiências sobretudo na juventude de trabalho na na lavoura então vocês sabem porque estudaram isso né ao longo da Educação Básica que durante muito tempo o Brasil foi um país Agrário exportador o processo de industrialização acontece no Brasil a partir dos anos 30 durante muito tempo no Brasil nós tivemos uma aristocracia rural ou seja nós tivemos uma elite Rural num primeiro momento proprietários de terras que faziam concessões e as pessoas que trabalhavam faziam trocas e depois esta esta produção agrícola ela vai se sistematizando ela vai digamos assim se aprimorando se num
sentido da palavra né vai adquirindo uma certa tecnologia E aí os nossos ancestrais foram pessoas que trabalharam para essas pessoas muitas vezes Ou seja pessoas que trabalharam nas terras de outras pessoas é evidente que numa sociedade como essas que nós estamos representando aqui num desenho de castas ou seja um pequeno grupo que tem acesso a quase tudo e para esse grupo que foi pensado a escola e nessa escola se cultivava o modo de ver o mundo desse grupo eh para esse grupo para esse grupo fazia sentido a escola para a imensa maioria das pessoas que
ocupavam a elipse maior Ou seja paraa imensa maioria das da população não fazia sentido a escola por isso que essa conversa com seu bisavô sua bisavó sobre a escolarização por exemplo pode ter trazido informações do tipo estudaram muito pouco ficaram na escola somente o tempo suficiente para aprender a a a contar e multiplicar né perdão aprender a ler escrever e contar era assim que se dizia na época eh São pessoas que frequentaram a escola às vezes por um ou dois anos em escolas multi seriadas em escolas muitas vezes eh situadas nas fazendas e o a
ideia de escola no Brasil para toda a população ela é uma ideia muito nova muito recente é uma é uma ideia a partir dos anos 80 ou seja e quando eu já trabalhava na escola ou seja só para vocês terem uma ideia de como é novo pensar a escola para todos no Brasil até pensar a escola para todos é algo lá da década de 30 mas garantir o acesso a todas as pessoas Isso só vai acontecer no final da década de 90 Então esta escola que nós estamos pensando até a passagem do século XX até
a chegada do século XX é uma escola que e tinha como função eh exaltar eh eh enobrecer eh aprimorar uma determinada visão de cultura e uma determinada parcela da população a a escola era frequentada apenas pelas elites aquelas poucas que viviam nas grandes cidades aquelas muitas que viviam nos na na zona rural para que vocês tenham uma uma ideia mesmo a a a chegada na universidade não era precedida de uma escolarização básica muitas vezes as pessoas iam pra universidade aí eu tô estou pensando até o século XVI até até o século XIX as pessoas iam
paraa Universidade eh porque pertenciam a um determinado segmento da sociedade ou seja o o ensino universitário não era algo que depois se transformaria em meio de subsistência não havia relação nenhuma nessa escola não havia relação nenhuma entre a frequência escolar e o cupal determinada eh eh um determinado exercício profissional não não era não era esse o raciocínio isso vai se transformar na nos anos ou nas décadas seguintes e É nesse contexto que aparecem duas maneiras de organizar e desenvolver as situações didáticas né duas maneiras de organizar e desenvolver o ensino sempre centrado no professor e
na professora mesmo nas aulas ção física isso nós veremos na próxima semana sempre professora e a professora apresentando o que era o conhecimento verdadeiro ou seja o que era a cultura que deveria ser adquirida eh era um ensino baseado na memorização era um ensino baseado na competição né nos testes e e nas nas na nas questões apresentadas como desafios era ensino que não possuía livro didático ou seja nenhum de nós aqui teve aulas tradicionais e Nenhum de Nós Eu por exemplo né que sou o né o mais velho eh de todos aqui nesta disciplina Nenhum
de Nós eh deu ou dará aulas tradicionais né então quando a gente diz assim ah esse professor é muito tradicional Calma lá né Nós estamos falando de outro professor certo de um outro tempo de um outro ou seja dizer que Fulano é tradicional não tem nada a ver com o que existe hoje de conhecimento científico sobre a área da Educação sobre as ciências da educação para ficar por aí bom mas a sociedade se transforma nós somos pessoas eh aqueles de nós que nasceram na segunda metade do século XX conheceram bem de perto esse desenho social
de uma sociedade organizada ou se vocês quiserem uma sociedade dividida em classes em que quase tudo o que acontece é determinado pela né pelo pelo pessoal que está no topo da pirâmide e eh naquele momento entre os anos 50 e os anos 90 o lugar que você ocupava na sociedade tinha a ver com o tempo de escolarização e naquele momento foi feita uma grande promessa para todas as populações né de vários lugares do mundo de que a ascensão social dependia muito né da escolarização que a escola era a mola propulsora da Ascensão social não não
foi bem assim mas é importante Dizer para vocês que se a sociedade mudou e se a escola passa a ser aquela que vai prover a mão de obra que a escola passa a ser como a sociedade se urbaniza como a sociedade se industrializa nós não podemos mais prescindir de uma educação de uma sociedade de uma população escolarizada então é super importante a escola como aquela que vai fornecer as condições para um desempenho profissional na indústria para um desempenho profissional mais qualificado então a escola passa a ser aquela agência que vai formar mão de obra e
esse pensamento ainda perdura né sobretudo na época das eleições sempre aparece essa ideia de educação para inserção no mercado de trabalho Vocês verão este ano né porque nós teremos esse ano eleições municipais pelo voto eletrônico Ainda bem né então para ficar por aí gente nós tivemos nesse período num primeiro período vamos dizer assim até os anos 70 da do século passado nós tivemos dois movimentos pedagógicos muito importantes um chamado movimento da escola nova ou escola Novia que tem um um que o estado de São Paulo teve um lugar muito importante nesse movimento o estado de
São Paulo teve pessoas que participaram ativamente desse movimento escolas aqui na nossa cidade na cidade de São Paulo escolas aqui tiveram assim um né foram eh fundadas nesse momento e tiveram grande papel nesse momento eu tô me referindo aqui a algumas escolas públicas e escolas privadas movimento de escola nova ao contrário do do da pedagogia tradal que colocava o centro do processo no conhecimento a ser transmitido e nos valores a serem transmitidos a pedagogia nova a escola nova colocava o estudante a estudante no centro do processo ou seja esta ideia da metodologia ativa de aprender
fazendo de aprender a partir dos interesses etc Essas são ideias trabalhar por projetos são ideias da escola nova estou me dizendo aqui gente Anos 30 ano década de 30 anos 20 Anos 30 aqui no Estado de São Paulo anos 20 Anos 30 aqui na cidade de São Paulo então às vezes quando as pessoas falam trabalhando por projetos metodologias ativas etc você tem que opa pera aí você quer o retorno da da da da escola novisimo você qu é a mesma coisa lá que era proposto lá em né nos anos 20 nos anos 30 receio que
não muito embora algumas defesas algumas pautas da da do movimento escola novista nós defendamos até hoje escola pública laica e gratuita é incrível né você deve ter estudado isso em didática ou deve ter estudado isso melhor dizendo em poeb Nem sempre a escola pública foi gratuita e nem sempre a escola pública foi laica ainda hoje é um pouco problemático essa questão então vamos parar para pensar eh se muda a a ideia da sociedade ou seja essa visão da sociedade se transforma ela demanda coisas diferentes pra escola mas teve que mudar a base teórica também enquanto
na tradição na na pedagogia tradicional a base teórica era a filosofia na na escola nova a base teórica passou a ser a psicologia da aprendizagem a psicologia do desenvolvimento então nós temos também uma mudança de referêncial teórico para pensar nas nas práticas pedagógicas e mais adiante por volta dos anos 50 dos anos 60 e principalmente nos anos 70 nós temos uma educação voltada ao desenvolvimento cognitivo ao desenvolvimento socio efetivo e ao Desenvolvimento Social e nós vamos defender naquela época naquele momento que a inserção mais qualificada no mercado de trabalho se se dará a partir de
níveis elevados né do desenvolvimento integral ou seja desenvolvimento cognitivo socioafetivo e motor então nós teremos Vertentes da educação física que vão se alinhar também a esse pensamento como Vocês bem sabem E olha que coisa mais interessante Esta escola gente ela fez promessa Esta escola ela tentou receber a todos mas esta escola ela funcionava numa lógica bem bem perversa na década de 70 de cada 100 crianças que eram matriculadas na antiga primeira série do primeiro grau apenas três concluíam a antiga terceira série do segundo grau ou seja depois de 11 anos de escolarização o que essa
escola tinha feito era expulsar uma grande parcela né do seu público para fora então Eh graças a essa percepção que pesquisadoras e pesquisadores da França dos Estados Unidos da Inglaterra e do Brasil começam a pelos seus estudos denunciar como operava essa escola aqui no Brasil o grande nome foi o Professor Paulo Freire eh fora do Brasil nós tivemos Pierre B passon eh tivemos boles e gints tivemos establet tivemos Luiz aldus então tivemos pessoas cujas pesquisas mostraram que a escola estava operando a favor da sociedade capitalista que a escola era uma agência que na verdade formava
uma mão de obra de baixa qualificação e dava condições para a para uma pequena parcela Justamente a elite acessar a universidade ou acessar profissões com níveis elevados de exigência cognitiva de de exigência profissional porque todas as pessoas têm competência cognitiva mas de de eh certos saberes ficavam disponíveis somente para a elite Então se perpetuava né Ou seja a elite permanecia mais tempo na escola e eu tô me referindo à burguesia né ela permanecia mais tempo na escola e é e ela portanto adquiria na escola um modus operand que lhe permitia ocupar certas funções no mercado
de trabalho e aquele segmentos que ficavam menos tempo na escola adquiriam na escola apenas uma relação de obediência uma relação de subserviência uma relação de aceitação e ocupavam outros lugares no no no outros postos de trabalho bom eh esta crítica feita a escola ela se desdobrou numa num num conjunto interessante de eh pensamentos pedagógicos Então você tem uma escola que começa né que que faz um esforço para formar para inserção no mercado de trabalho mas ao mesmo tempo você já tem uma um movimento de crítica a isso e você tem uma outra função social da
escola graças às teorias num primeiro momento chamadas crítico-reprodutivistas e depois as teorias críticas da educação Você tem uma escola que se compromete com a transformação da sociedade então o que nós passamos a ver a partir dos anos 80 com muita força nos anos 90 São pedagogias que vão eh trabalhar com conhecimentos com os conhecimentos da cultura dominante mas de forma crítica com o intuito de formar cidadãos e cidadãs que possam transformar a sociedade em que vivem possam transformar esta sociedade que eh era profundamente desigual e é justamente esta ideia de sociedade desigual que vai nutrir
este novo desenho social se nós até os anos 90 trabalhávamos operá com a lógica da sociedade de classes classes mais elevadas classes mais subalternizadas classes subalternizadas atualmente nós temos um desenho social que alguns autores e autoras chamam de desenho social em rede desenho social em malha né uma malha social pessoas que estão mais a à margem pessoas que estão mais ao centro ao centro São aqueles grupos estão ao centro aqueles grupos que acessam os bens culturais e acessam melhores condições de infraestrutura os bairros mais bem cuidados pelo poder público os bairros os bairros que não
tem nenhuma atenção do poder público pessoas que para trabalhar praticamente né se deslocam em 10 15 20 minutos e pessoas que para trabalhar é né se deslocam 2 horas 3 horas no transporte público Todos nós sabemos dessas histórias então senhoras e senhores a questão é a seguinte neste desenho social Nós temos dois movimentos pedagógicos muito importantes nós temos um primeiro movimento pedagógico que diz assim a sociedade É essa mesmo é Essa sociedade neoliberal e nós precisamos formar as pessoas para Essa sociedade cujos postos de trabalho estão em transformação ou seja formar esse cidadão essa a
cidadã flexíveis que saibam resolver problemas que estejam preparados para Essa sociedade de mudanças que possam eles mesmos elas mesmos empreender produzir seus próprios postos de trabalho ou seja você tem este discurso espalhado na sociedade que alcança a escola através da pedagogia das competências muitos documentos curriculares oficiais a começar da base na como curricular se organiza a partir do compromisso com o desenvolvimento de competências nada mais é do que preparar o cidadão para mobilizar recursos para solucionar problemas novos ora a pedagogia das competências ela contribui segundo os seus críticos e críticas ela contribui para formar essa
mold de obra de média qualificação Ou seja a pedagogia das competências não forma ninguém para analisar criticamente a sua forma de subsistência e a ag no sentido de transformá-la ao mesmo tempo nós temos uma grande preocupação Que também está expressa impressa e expressa muitos documentos curriculares que é a preocupação de formar pessoas que saibam atuar a partir da compreensão de que todas as pessoas todos os grupos evidentemente aqueles e aquelas que respeitam e seguem os direitos humanos né ou seja formar pessoas que compreendam a maneira como as diferenças são produzidas e atuem no sentido de
combater as formas de produção das Diferenças então nós já temos muitos documentos curriculares e muitas formas de pensar no caso da educação física que são sensíveis às diferenças e que atuam de maneira eh a combater a transfobia a combater a misoginia a combater a xenofobia a combater a ações sexistas relações classistas relações racistas ou seja essa maneira de pensar a educação e pensar uma educação que possa produzir pessoas que entendam os outros entendam aquilo que os outros e outras produzem de uma maneira diferente que possam dizê-los de outra maneira possam pensá-los de outra maneira e
possam fazê-los de outra maneira essa também é uma preocupação contemporânea então atualmente a escola ela está mais preocupada com formar pessoas para a vida pública do que formar pessoas para ocupar determinados postos né no mercado de trabalho então estas duas ideias elas convivem E hoje nós percebemos uma força muito grande sobretudo por aquelas pessoas e aquelas secretarias de educação municipais ou est estaduais que tem uma ideia mais Progressista de Educação de formar pessoas para uma convivência democrática de formar pessoas para construção de uma sociedade menos desigual então a concepção de a função social da escola
a visão de escola ela foi se transformando mas ao mesmo tempo nós temos vários segmentos sobretudo segmentos privatistas sobretudo determinados segmentos da sociedade contemporânea que pensam que a escola está aí para formar o empreendedor a empreendedora de si mesmos alguém que vai criar o próprio meio de subsistência alguém que vai entar alguma coisa alguém que vai produzir uma maneira de obter recursos financeiros a partir né de determinadas ações então nós temos as transformações pelas quais a sociedade passou e decorrendo dessas transformações as transformações da educação para a próxima semana então lá para o dia 6
de Março nós estudaremos como que as teorias curriculares da Educação Física se encaixam e como que a função educação física também foi se transformando a partir das transformações sociais e a partir das transformações pedagógicas era isso por hoje nos encontramos na próxima quarta-feira Até lá