[música] Olá, pessoal. Sejam muito bem-vindas e bem-vindos à nossa aula sobre práticas integrativas e complementares no tratamento da asma. Esse é um assunto super importante e que tem ganhado destaque cada vez mais na área da saúde.
Eu sou o professor Leandro Medeiros e a partir de agora vamos mergulhar nos pontos mais relevantes para entender como as PICS podem ajudar no cuidado farmacêutico à pessoa com asma. Quando a gente pensa em abordagens terapêuticas para asma, é importante considerar que a base do tratamento é a farmacoterapia convencional. Esses vocês viram nos demais módulos.
As PICs se juntam às abordagens complementares e são cada vez mais relevantes no cenário da saúde mundial e principalmente aqui no Sistema Único de Saúde Brasileiro. A Organização Mundial da Saúde, OMS, chama essas práticas de medicinas tradicionais, complementares e integrativas. Elas servem para prevenir doenças, ajudar na recuperação da saúde, aliviando sintomas, integrar a pessoa com o ambiente e a sociedade, fortalecer a relação entre o paciente e o serviço de saúde e, por fim, incentivar o autocuidado.
No Brasil, essas abordagens foram reconhecidas e incorporadas ao SUS lá no começo dos anos 80, impulsionadas pela criação do próprio SUS e pelas decisões das conferências nacionais de saúde daquela época. Em 2006, o Ministério da Saúde lançou a política nacional de práticas integrativas e complementares PNPC, no SUS, com o objetivo de ampliar o acesso e garantir um cuidado de saúde mais completo. Hoje são 29 práticas reconhecidas e podemos destacar acumultura, aromaterapia, fitoterapia, termalismo, homeopatia, aurveda, meditação e a medicina tradicional chinesa.
O Brasil é inclusive uma referência mundial nessas práticas na atenção básica, estando presente em 54% dos municípios brasileiros de acordo com dados do Ministério da Saúde. A importância dessas práticas vai muito além de oferecer só mais uma opção de tratamento. Elas contribuem para um modelo de cuidado mais humanizado e que enxerga o indivíduo de forma completa, considerando suas dimensões biológica, psicológica, social e cultural.
Nesta aula, vamos descobrir como essas abordagens, principalmente as que tm comprovação científica e tradição de uso, podem enriquecer o tratamento da asma, proporcionando um cuidado mais completo e focado na pessoa. Vamos juntos nessa trilha. Para escolher uma Pix, a gente precisa levar em conta as necessidades de saúde do paciente, suas preferências, cultura, situação financeira e as possibilidades de acesso a essas práticas.
Além disso, os PS devem possuir uma base eh científica que mostre que ela traz benefícios para a saúde e que justifique seus riscos potenciais e custos, conciliando com a terapia convencional. A OMS, a Organização Mundial da Saúde, alerta que apesar do reconhecimento do valor social e terapêutico das PICs, seu uso de forma indiscriminada pode atrasar o diagnóstico ou fazer com que o tratamento fale, expondo o paciente a problemas de saúde por não conseguir controlar a doença. No SUS, as PICs podem ser adotadas por todos os profissionais de saúde, conforme a portaria 1988 de 2018 do Ministério da Saúde.
Além disso, os próprios conselhos de classe também apoiam isso. Nós farmacêuticos somos um desses profissionais e temos várias resoluções que regulamenta o nosso exercício sobre essas práticas. Para saber mais e conhecer essas regras a fundo, é só acessar o QR Code aqui na tela para você baixar as normas.
Você também pode consultar diretamente no site do Conselho Federal de Farmácia. Então, quando o farmacêutico for oferecer esse tipo de serviço, é importante que o uso das PIC seja feito de forma racional. durante uma consulta farmacêutica.
O objetivo é escolher uma ou mais Pix, mas sempre com muito cuidado para evitar que elas atrapalhem o tratamento convencional. Isso inclui ficar de olho em possíveis interações com medicamentos focados na terapia da asma, ou seja, com corticosteroides, agonistas beta2, antagonistas muscarínicos, antagonistas de receptores de leucotrienos e anticorpos monoclonais ou com outros medicamentos que tratam eventuais comorbidades ou interferir diretamente nessas comorbidades. O objetivo das PICS é ajudar a controlar melhor os sintomas, diminuindo a intensidade e a frequência deles e também reduzir o impacto da doença no dia a dia do paciente.
É preciso ter um cuidado especial com as PqCs que geram efeitos por ação de substâncias químicas, como plantas medicinais e fitoterápicos, suplementos alimentares, muito usados na naturopatia, produtos da medicina tradicional chinesa, da medicina tradicional indiana, aurveda, da medicina antroposófica, da apiterapia e da floralterapia. Mesmo que elas tenham paradigmas distintos sobre suas ações, não descarta-se o risco de interação com os medicamentos que o paciente já usa. Por isso, é fundamental realizar uma boa análise para evitar usar produtos que possam trazer riscos à saúde.
Para isso, devemos sempre usar fontes de informação confiáveis sobre produtos naturais e práticas integrativas, ajudando assim na decisão clínica e garantir a segurança. Técnica de respiração Baco. A técnica de respiração Bico foi criada pelo Dr Boteco com base na ideia de que a asma é causada por uma respiração muito rápida e profunda hiperventilação, que acaba diminuindo o gás carbônico no sangue.
Essa técnica ensina as pessoas com asma respirar mais devagar e com menos volume. Grande parte das pesquisas clínicas feitas, principalmente com adultos, mostra que a técnica boutico traz alguns benefícios para quem tem asma e usa broncodilatadores com ou sem corticosteroides inalatórios. Ela pode diminuir a necessidade de usar broncodilatadores de ação rápida e parece melhorar os sintomas e a qualidade de vida.
No entanto, até então, a técnica boteico não demonstrou melhorar a função pulmonar e não reduz de forma consistente a dose de corticosoides inalados ou o risco de crises de asma. Já em crianças de 6 a 15 anos com asma leve, moderada, um pequeno estudo com algumas limitações metodológicas mostrou que a técnica junto com o tratamento normal não mudou a necessidade de broncodilatadores, de ação rápida ou corticosides inalados, mas melhorou ou evitou mudanças em algumas medidas da função pulmonar. O yoga é uma prática milenar que combina posturas físicas, exercícios respiratórios e meditação.
Tem-se mostrado uma abordagem complementar promissora no manejo da asma, confirmada por estudos. Eles mostram que podem melhorar levemente os sintomas e a qualidade de vida de pessoas com asma, especialmente quando comparado ao tratamento habitual isolado. Em adolescentes e adultos, a prática do yoga por 75 a 90 minutos, uma ou duas vezes ao dia, por até 40 dias, demonstrou benefícios na capacidade física, função pulmonar e controle dos sintomas.
Outro estudo, com pacientes praticando yoga por uma hora pelo menos 16 vezes ao mês durante 4 anos e meio, apontou redução na gravidade da asma, no número de crises e na necessidade de medicamentos. Ainda relatos de melhora adicional quando o yoga é associado à dieta e hidroterapia. O yoga é considerado geralmente seguro e quando praticado com orientação adequada.
No entanto, posturas invertidas devem ser evitadas por pessoas com condições com problemas na coluna, osteoporose grave, distúrbios oculares, pressão arterial desregulada, risco de trombose ou doenças cardíacas e pulmonares. É também recomendada cautela e supervisão profissional em casos de transtornos psiquiátricos, gravidez e lactação. O pinheiro marítimo, Pinospinaster, é uma árvore nativa da região do Mediterrâneo.
seu extrato efeito da casca e é padronizado em próantocianidinas totais. Esse extrato padronizado tem sido estudado como adjuvante no tratamento da asma, especialmente por seus efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes. Em estudos com crianças e adultos com diferentes graus de asma, o uso oral do extrato, em combinação com os medicamentos convencionais mostrou-se eficaz na melhora dos sintomas, aumento do pico de fluxo respiratório e redução da necessidade de inaladores de resgate.
As doses mais utilizadas variam de 100 mg aproximadamente 2 mg por kg de peso corporal. Além disso, em crianças com asma, o uso do extrato de pinheiro marítimo foi associado à redução dos níveis urinários de leucotrienos, marcadores importantes da inflamação brônquica quando comparados ao placebo. É importante destacar que esse extrato não substitui os medicamentos convencionais e deve ser utilizado apenas como complemento.
Seu uso oral é considerado possivelmente seguro por até um ano, inclusive por crianças a partir dos 6 anos. Durante a gravidez, o uso no terceiro trimestre pode ser seguro, mas ainda falta um dado sobre sua segurança durante a amamentação. Por isso, o seu uso nesse período deve ser evitado.
Ele pode ainda potencializar os efeitos de fármacos antitrombóticos e antidiabéticos e reduzir o efeito de imunossopressores. É muito importante que quando a gente for pensar em usar práticas integrativas e complementares para asma, tanto os profissionais de saúde quanto os pacientes saibam o que a ciência já descobriu sobre elas. Algumas Pix, mesmo sendo populares ou usadas há muito tempo, não tem evidências claras de que funcionam para a asma ou até mostram que não são eficazes.
Por isso, é essencial analisar a segurança antes de usar e sempre buscar informações por fontes confiáveis para evitar riscos e garantir que o tratamento funcione. A nigelaçativa cominho preto é uma planta tradicionalmente usada para tratar bronquite e tosse. Estudos clínicos sugerem que seu uso pode aliviar sintomas como sibilância e melhorar a função pulmonar, especialmente em pessoas com asma moderada a grave e função pulmonar comprometida, mesmo quando já fazem uso de medicamentos convencionais.
Os efeitos observados variam conforme a dose e a forma de uso e o estado basal do paciente, sendo mais evidentes indivíduos com função pulmonar reduzida. Apesar do potencial terapêutico, os resultados são inconsistentes entre os estudos e não há padronização das formulações ou doses utilizadas. Além disso, os efeitos de doses únicas são inferiores ao de broncodilatadores convencionais como o salbutamol.
Faltam ainda dados robustos sobre segurança em longo prazo, especialmente em populações específicas como gestantes, crianças e lactantes. A maior parte das evidências clínicas disponíveis indica que a computura não melhora significativamente os sintomas da asma, nem parâmetros de função pulmonar, como o VF1 e a capacidade vital forçada. Embora alguns estudos isolados apresentem resultados divergentes, metaanálises de ensaios clínicos confirmam a ausência de benefício relevante.
Os ácidos gráxos ômega-3 encontrados em óleos de peixe são conhecidos por seu efeito anti-inflamatório e já foram sugeridos como possíveis aliados no manejo da asma. No entanto, os estudos apresentam resultados inconsistentes. Uma revisão de 2021, com 16 estudos mostrou que os suplementos de ômega-3 reduzem ligeiramente a inflamação pulmonar, em alguns casos, medida pelo óxido nítrico exalado.
Também foi observada a menor queda na função pulmonar após exercício em pessoas com asma induzida por atividade física. Apesar disso, os efeitos gerais sobre sintomas e função pulmonar ainda são inconclusivos. Pesquisas também avaliaram se a ingestão de ômega-3 por gestantes poderia reduzir o risco de asma nos filhos, mas os resultados não mostraram benefício significativo.
Da mesma forma, suplementação em crianças e bebês não demonstrou prevenir o desenvolvimento futuro da asma. Os efeitos adversos do ômega-3 costumam ser leves, como um gosto desagradável, maálito, desconforto digestivo e suor com dor forte. É importante lembrar que o ômega-3 pode interagir com anticoagulantes, como a varfarina.
Algumas plantas medicinais com uso tradicional em doenças respiratórias presentes no formulário de fitoterápicos da farmacopeia brasileira como ederax a polígala cê polígala micânia aglomerata, guaco, eucaliptos glóbulos, eucalipto, drosera rodunti e fóli, a drosera e grindélia robusta, a grindélia são amplamente utilizadas como espectorantes, broncodilatadores leves ou antissépticos das vias aéreas em caso de tosse ou bronquite. No entanto, apesar desse uso consagrado pela tradição, ainda não há evidência científica robusta que justifique sua recomendação específica para o tratamento da asma, especialmente nos casos moderados a graves. Isso reforça a importância de não se substituir o tratamento convencional da asma por esses fitoterápicos, cujo papel deve ser considerado apenas como um adjuvante e sempre com acompanhamento profissional.
O farmacêutico, ao pacientes com quadros respiratórios, deve estar atento à diferença entre uso tradicional e uso baseado em evidências científicas, garantindo o cuidado seguro e alinhado às diretrizes clínicas. Vários estudos relatam os efeitos da terapia manipulativa espinhal quiroprática nos índices respiratórios e na qualidade de vida em crianças e adultos com asma. Os resultados são variáveis e as mudanças relatadas são principalmente subjetivas.
não objetivas como testes de função pulmonar. Devido a problemas metodológicos, não há conclusões claras. Evidências iniciais promissoras sugerem que a terapia de massagem pode melhorar a função pulmonar em crianças com asma, mas as pesquisas são necessárias.
Pesquisas preliminares sugerem que meditação transcendental e o shahaja yoga podem trazer benefícios no manejo da asma moderada grave, mas os estudos disponíveis são limitados e não permitem conclusões definitivas. A meditação deve ser usada com cautela em pessoas com trstornos mentais ou risco de convulsões e sempre com orientação profissional. não deve atrasar o diagnóstico ou início de tratamentos comprovados, nem ser utilizado como única abordagem terapeutica.
Atualmente, não há evidência científica suficiente sobre o uso da hortelã pimenta para a asma. Deve ser usado com cautela em pacientes com refluxo gastrofágico ou deficiência de G6PD. E a aplicação tópica em bebês e crianças pequenas, especialmente ao redor do nariz, deve ser evitada devido ao risco de apneia e também de broncoespasma.
Como farmacêuticos, é fundamental reconhecermos que o cuidado pessoas com asma além da dimensão respiratória. Ansiedade, depressão e sofrimento emocional são comuns em pacientes com doenças crônicas com uma asma. especialmente quando o controle dos sintomas é difícil ou quando há impacto significativo na qualidade de vida.
Durante o atendimento, podemos acolher, orientar e oferecer escuta qualificada, mas é importante compreender que nem sempre essas demandas emocionais serão resolvidas apenas com suporte informal ou educacional. Nesses casos, é essencial saber identificar sinais que indiquem a necessidade de encaminhamento para a psicoterapia com profissional habilitado. A psicoterapia pode contribuir significativamente para a redução da ansiedade, a melhora da adesão ao tratamento e o fortalecimento do autocuidado.
No entanto, ela exige motivação, vínculo e continuidade por parte do paciente. E em algumas situações pode não ser suficiente sozinha. Nesses casos, o uso de medicamentos psicotrópicos pode ser necessário, reforçando a importância da interdisciplinaridade e da atuação colaborativa entre os diferentes profissionais de saúde.
Nosso papel, portanto, envolve não apenas acolher, mas também reconhecer o momento certo de encaminhar com responsabilidade e compromisso com o cuidado integral. Kikong é uma prática corporal da medicina tradicional chinesa que combina movimentos lentos, respiração controlada e concentração. Seu objetivo é equilibrar a energia vital do corpo, conhecida como que com foco terapêutico e acessível a diferentes perfis de pacientes, o Kikong pode ajudar a melhorar a função respiratória, reduzir o estresse e contribuir para o bem-estar geral.
Embora as evidências clínicas ainda sejam limitadas, a prática tem sido explorada como abordagem complementar segura no manejo da asma. Estudos preliminares sobre técnicas de relaxamento em pessoas com asma relatam redução significativa dos sintomas da ansiedade e da depressão, além de melhoras na qualidade de vida e na função pulmonar. No entanto, são necessários estudos maiores para confirmar esses resultados.
Essas técnicas devem ser evitadas em pessoas com transtornos psicóticos, pois podem intensificar sintomas como delírios e alucinações. A técnica de relaxamento de Jacobson, que envolve a contração e o relaxamento de grupos musculares, requer cautela em casos de doenças cardíacas, hipertensão ou lesões músculoesqueléticas. A terapia de relaxamento não deve ser usada como tratamento exclusivo para condições médicas graves, nem atrasar o diagnóstico ou início das terapias mais consolidadas.
Estudos em humanos demonstraram que a alergenina piora a inflamação nos pulmões e contribui para os sintomas da asma. Portanto, a ingestão de larginina por vioral ou inalatória não é recomendada para pessoas com asma. É super importante que qualquer Pix seja usada junto com o tratamento convencional.
e nunca no lugar dele. A decisão de usar uma Pix deve ser baseada em estudos científicos confiáveis, levando em conta o que o paciente precisa, o que ele prefere, a cultura dele e a situação social e econômica. Além disso, é crucial verificar se não vai ter nenhuma interação com os medicamentos que ele já consome.
Para garantir a segurança e que tudo funcione bem, é fundamental que os profissionais de saúde usem fontes de formação confiáveis e atualizadas sobre produtos naturais e práticas integrativas. Conversar de forma clara e aberta com o paciente sobre os riscos e benefícios e sempre reforçar que o tratamento convencional da asma é a base são pontos chave para um cuidado seguro e eficaz. Para resumir, as práticas integrativas e complementares são uma ferramenta muito valiosa para ajudar no tratamento da asma, desde que sejam usadas com complemento e com base em evidências científicas.
Para nós farmacêuticos, entender e incluir essas abordagens na nossa prática diária é essencial para oferecer um cuidado mais completo humano e focado no paciente. É bom reforçar que as PICs não substituem o tratamento tradicional da asma, mas sim o complementam. O objetivo é ajudar a controlar melhor os sintomas, melhorar a qualidade de vida e promover bem-estar geral da pessoa, analisar bem as evidências, verificar possíveis interações e conversar de forma transparente com o paciente sobre os riscos e benefícios, sempre destacando que o tratamento convencional é a base, são os pilares para um cuidado seguro e eficaz.
Quando a gente adota uma abordagem integrativa, a gente fortalece a relação com o paciente e o ajuda a se cuidar melhor. Isso contribui muito para o sucesso do tratamento da asma e para a saúde dele como um todo. Agradeço a atenção de todos e espero que esta aula tenha trazido informações importantes para melhorar a prática farmacêutica no manejo da asma com o uso das PXs.