[Música] [Música] [Música] Boa noite. Me chamo Cristiano Neto e moro em Cané, no estado do Ceará. Hoje moro no centro do município, mas até meus 19 anos morei no interior do interior daqui.
Aqui já não é tão grande. Agora imagine morar no interior do interior. O maior problema de morar em um lugar assim nem era a distância que era enfrentada para ir a qualquer lugar, e sim a falta de água, pois onde morávamos não tinha água encanada e era um pesadelo para conseguir.
Meu pai pegava a moto e ia até o centro do município comprar água de um caminhão pipa que via e enchia uma cisterna que tínhamos no quintal. Apesar dos problemas, lá era um lugar bem tranquilo. Como eram raras as famílias que moravam ali, nós dormimos com janelas e portas abertas.
Por muitas vezes dormi na varanda da casa sem qualquer medo, de tão longe que ficava o lugar onde morávamos. Meu tio morava a uns 10 km de onde morávamos e uma tarde ele nos chamou para comer um carneiro assado em comemoração ao seu aniversário. Então fomos eu e meu pai em uma moto e minha mãe e meu irmão mais novo em outra.
Aqui é muito comum ter motos, pois enfrentar essas estradas de areia com esse clima e as longas distâncias a pé ou de bicicleta é praticamente impossível. Tinha algumas pessoas da região na casa de meu tio e eu lembro quando seu Aparecido, que era o morador antigo da região, falou: "Esses dias vocês ouviram um bicho correndo pelas estradas? Faz duas noites que eu acordo com uns gritos feios no meio da rua e junto dos gritos, uma coisa correndo rápido pela estrada que chega a levantar poeira.
Eu até pensei da primeira vez que era um jumento desses que vivem soltos por aqui, mas aqueles gritos que vem junto não são de nenhum bicho, não. Agora que o senhor falou isso, seu Aparecido, eu lembrei de uma coisa, disse meu tio. Semana passada eu estava passando perto da casa onde o final do Raimundo Campos morava e já estava na boquinha da noite quando escutei alguém cantando baixinho.
Na hora eu pensei: "Será que tem alguém morando na casa do finado? " E fui até a frente da porta quando vi uma moça sair por trás e se embrear na mata que tem do lado. Eu pensei em chamar, mas vai que a moça tem marido e ele pensa besteira.
Aí fui armar umas arapucas mais lá na frente depois da curva. Quando eu estava voltando, já era perto de 7 da noite e eu só vi aquele galope dentro da mata quebrando os galhos. Eu vou dizer, se aquilo fosse um jumento, ele está todo rasgado hoje.
E olhe lá se estiver vivo, porque correr daquela maneira quebrando tudo, só se ele for de aço. Os espinhos que tem naquela mata são quase do tamanho do meu dedo e o bicho que estava correndo parecia nem sentir. Então seu aparecido falou: "Essa é a besta fera.
Já ouvi história sobre ela. Diz que é uma moça comum de dia, mas à noite a moça vira uma mula e sai correndo nas estradas levando medo pro povo. Besta fera, burra de padre, mula sem cabeça.
São esses os nomes que os antigos [Música] dão. Tinha uns homens que trabalhavam com meu tio e estavam tomando cachaça, que depois que o seu aparecido falou começaram a rir. Isso lá existe, eles diziam.
Isso deve ser um jumento qualquer, desde assustar o povo, seu aparecido. Só que meu pai não riu de nada. Ele ficou logo sério, pois ele sempre me ensinou a escutar os mais velhos.
Quando o sol começou a se pôr, ele chamou logo minha mãe para ir embora. E eu sabia que tinha sido por causa da história do seu Aparecido. Meu pai não iria arriscar ir embora à noite e dar de cara com um bicho [Música] desses.
Voltamos para casa rápido e logo já era noite. Eu armei minha rede no alpendre e meu pai logo falou: "Meu filho, durma aí, não. Durma aqui dentro de casa mesmo?
O papai ficou sismado com a história, né, meu filho, vou lhe ensinar uma coisa. Na dúvida, é melhor não arriscar. Passados vários dias, era a virada do ano de 96 para 97 e meu tio nos chamou para passar na casa dele.
Tava aquela festança e tinham muitos familiares nossos naquela noite. Meu pai tinha começado a beber cedo e já estava quase bêbado quando meu tio falou: "Agora vamos ver quem tirou quem. ia ter um amigo secreto, uma brincadeira de troca de presentes muito comum por essas bandas.
Então meu pai falou: "Caramba, esqueci do presente lá em casa". E levantou para pegar a moto e ir até lá pegar. Mas meu tio disse: "Você não vai para canto nenhum assim, não.
Deixe que eu vou lá pegar, me dê a chave". Então eu me ofereci para ir junto e fomos nós até minha casa pegar o presente. Eram 10 km até lá, em uma estrada bem escura de terra, com mata de um lado e outro.
Nós íamos com pouco mais de 50 km na moto, pois a estrada tinha areia fina que para derrubar um era fácil. Chegamos no terreno de minha casa e eu desci para abrir a porteira e meu tio passou com a moto e foi na direção da casa falando: "Vou te deixar aí sozinho". E saiu rindo na moto.
Quando eu virei para ir até em casa, olhei na direção da cisterna que ficava do lado e só vi aquele vulto passando do outro lado da cerca. Corri e falei pro meu tio que pegou a moto e iluminou pro lado que eu tinha falado. Então tirou a chaves da casa do bolso e me mandou ir pegar o presente que meu pai tinha esquecido.
Entrei, peguei e já voltei correndo e subio. Então passamos novamente pela porteira e eu desci para fechar. Eu via que meu tio estava preocupado.
Foi aí que escutamos um grito que vinha justamente da direção que eu tinha visto o vulco. O lugar que eu morava reinava o silêncio e dava para escutar qualquer barulho, mesmo que fosse de longe. Quando ouvimos o grito, foi um negócio tão alto que quase que eu mijei nas calças.
Lembro do meu tio dizer: "Que diabrura é essa? " Quando olhamos, vimos um animal saindo lá do outro lado e vindo correndo em nossa [Música] direção. Aquele vulto veio quebrando o galho seco e tudo que tinha pela frente.
Meu tio soltou a moto e abriu a porteira e fechou. Corremos até minha casa, abrimos a porta e ficamos olhando da janela o animal de lá para cá do cercado. Ele batia os cascos nas estacas tentando derrubar e de vez em quando soltava um grito horrível a cada vez que tentava derrubar o cercado.
Ficamos nisso um tempão até que vimos a luz de três motos chegando. Quando animal viu, saiu correndo, quebrando mato, galhos e gritando. Quando as motos chegaram, eram minha mãe e dois primos que tinham vindo ver o que tinha acontecido.
Contamos e todos ficaram com medo de voltar até a casa de meu tio, mas acabamos voltando para lá. [Música] Contamos a todos o que tinha nos atacado e lembro que aquela noite de festa acabou na mesma hora. Todos ficaram com medo de voltar para casa e ficaram lá na casa de meu tio até que fosse dia.
Lembro de meu pai ir com seu irmão até a casa do finado Raimundo Campos e quebrar o resto da janela que ainda tinha lá e entrar, mas não tinha nem sinal de que alguém estivesse morando ali. Por muitas noites, o povo escutou os galopes na madrugada de um animal que passava, mas ninguém tinha coragem de abrir a porta e ver o que realmente era. As mulheres da região fizeram até uma manhã de terço, rezando para afastar as coisas ruins.
Mas por muito tempo o povo escutou aquele demônio nas estradas. Graças a Deus, conseguimos comprar um terreno mais no centro. E hoje moramos tranquilos.
De vez em quando vamos na casa de meu tio, mas pela manhã para voltar à tarde. Deus me livre de voltar a morar naquele lugar, pois até hoje o povo ainda se arrepia ao escutar galopes nas madrugadas. Boa noite, [Música] [Música] [Música] [Música] B Boa noite, me chamo Luís Fernando, tenho 34 anos e moro no interior de Vitória, no Espírito Santo.
Eu trabalhei por alguns anos em um depósito de móveis, onde aconteciam algumas coisas bem sinistras que relataria [Música] aqui. Tudo começa quando eu sou transferido de uma escola para esse depósito, pois todos os vigilantes que iam para lá acabaram pendindo ou a mudança de posto ou demissão mesmo. Eles diziam que coisas estranhas aconteciam por lar à noite, como gritos, pessoas andando no terreno ao redor, vozes de crianças, velhos que paravam em frente à guarita e ficavam chamando os vigias para descer.
Era um verdadeiro inferno para quem trabalhava lá. Só que eu nunca tive medo dessas coisas. Então disse que se ganhasse melhor eu iria para lá tranquilamente.
E acabei ganhando esse aumento junto com mais três que ficaram em lugares diferentes lá. Já fazia mais de um mês que nós quatros estávamos trabalhando e nunca tínhamos visto absolutamente nada. Nós até ficávamos rindo dos antigos vigilantes por ficarem com medo de um lugar onde o único barulho é o do vento que bate nas árvores ao redor.
Só que tudo mudaria. A tranquilidade daria lugar a noites de muito medo naquele mês de setembro. Era uma noite fria e estávamos cada um em seu poço, que ficava uma distância até boa.
Eu ficava na guarita de trás do galpão, o outro ficava na da frente e os outros dois ficavam revesando em rondas a pé por todo lugar. Eu tinha descido para ir ao banheiro que ficava uns 30 m. Então entrei e fechei a porta.
Assim que virei, escutei três batidas bem atrás de mim. Então falei: "Já vou sair, acabei de entrar". Só que novamente mais três batidas e eu disse mais uma vez: "Já vou sair".
E quando fechei a boca, escutei como um chute bem forte na porta que nem sei como não quebrou a fechadura. Abri na mesma hora. Só que não vi ninguém.
Olhei ao redor e nada. E não tinha tantos lugares assim para se esconder, pois eu teria escutado os passos correndo. Passei o rádio perguntando onde cada um estavam e não estava nem perto do banheiro.
Então fui até a guarita da frente e pedi para ver as câmeras de 10 minutos atrás. Fiquei olhando e realmente nenhum deles foi o responsável pelo chute e as batidas. Na verdade não vi ninguém ali nas câmeras.
Contei a eles o que tinha acontecido e ficaram rindo falando que eu estava com medo do vento. Acabei levando na brincadeira. A noite seguiu e as coisas estranhas começaram a acontecer com cada um que estava ali.
Um dos vigias chegou correndo onde eu estava, dizendo que tinha escutado uma voz dizer: "Me ajuda". Ele pensou que fosse eu ou um dos outros que estavam ali. Então falou: "Eu vou te dar um tiro nas canelas para deixar de graça".
Só que a voz respondeu: "Mas eu já estou morta". Então, quando ele olhou, viu uma velha de pé olhando para ele, que saiu correndo e chegou pálido perto de onde eu estava. Mais uma vez nós fomos olhar as câmeras, só que não tinha nenhuma velha, apenas vigia correndo de algo que só ele viu.
Resolvemos ficar perto um dos outros e tentar achar uma explicação pro que estava acontecendo ali. Já era por volta de 2 da manhã, quando começamos a escutar a voz de um menino que pedia ajuda do lado de fora. Os fundos daqui do galpão dá para uma mata com árvores altas.
Então eu e o outro subimos em uma escada para ver que menino estaria ali. Quando vimos tinha realmente uma criança no mato, mas era pálida, como se estivesse morta e, sem dúvidas estava. Descemos das escadas e nossa vontade era de ir embora, pois as coisas só [Música] pioravam.
Aquela foi só a primeira noite de algumas que vimos coisas sem explicação por lá. Em uma dessas noites, eu estava jantando e comecei a escutar passos rápidos de longe. Olhei pela janela da guarita e não via nada.
Só escutava os passos se aproximando, mas não tinha ninguém. Quando os passos chegaram bem perto de onde eu estava, pararam como se alguém tivesse bem na minha frente. Então escutei uma risada dessas de menina e os passos correndo para de trás de uma parede.
E quando olhei, estava lá uma menininha de vestido branco me olhando, com um olhar tão macabro que quase desmaiei com um [Música] susto. Os outros vigias viam portas se abrindo, cadeiras virando sozinhas, vozes chamando seus nomes. chegou ao ponto de um dos vigios trazer velas para deixar acesas à noite para ver se parava o inferno dessas coisas que apareciam ali.
Quando o vigil frente tirou férias, veio outro em seu lugar que era evangélico e começou a escutar as coisas por lá. Ele sempre que chegava fazia uma oração para resplantar as coisas ruins que tinham ali. E tinha noites que nós não víamos nada.
Nós fazíamos qualquer coisa para não ter que ver as coisas que pareciam morar ali. Velas, oração, reza, tudo era válido. Não era sempre que tinha coisas estranhas ali, mas quando apareciam era para matar um de susto.
Ainda trabalhei alguns anos nesse lugar. Depois foi transferido para um posto de saúde. Até hoje alguns vigilantes veem coisas estranhas por lá.
Espero nunca mais ter que voltar ali, pois aquele lugar parece ser um pedacinho do inferno aqui na Terra.