[Música] Olá alunos e alunas continuando Então a nossa análise da Educação no período do império como na aula passada nós vimos uma análise crítica filosófica Nesta aula nós veremos uma análise sociológica né Desse período da história da educação brasileira o que nós veremos então nessa aula vamos aqui pros nossos slides na aula passada nós vimos o método Lancaster e os aspectos da história da educação no período do império alguns aspectos né nessa aula veremos uma análise das relações sociais que determinaram os rumos do projeto Educacional Imperial no Brasil Veremos se a gratuidade e a obrigatoriedade
que foram destacados na aula passada do ensino garantiu uma democratização do acesso ao saber e garantiu um dos objetivos da educação A Ascensão e mobilidade social então então Aqui nós temos uma análise sociológica para determinar até que ponto a educação teve um efeito benéfico paraa sociedade nesse período da Educação no império a tese que desenvolve um dos autores da nossa bibliografia básica é de que existiu uma tendência elitista na educação Imperial então aqui já uma uma observação negativa crítica né para iniciarmos essa Precisamos de alguns dados o primeiro Censo realizado no Brasil apontou uma população
de quase 10 milhões de habitantes até 1888 o Brasil era um país escravocrata né então esses aspectos sociológicos vão levar a algumas conclusões no Brasil do século XIX Havia três classes sociais estabelecidas o latifundiário que era o detentor do Capital político econômico do Brasil o chamado homem livre que com as poucas oportunidades de ascensão social através do trabalho tinham que recorrer ao favor e ao trabalho para os senhores para prosperar nessa ideia de trabalho eh ainda baseado né no trabalho mais Agrário e a base da mão de obra do nosso país eram os escravizados então
um sistema escravocrata então de saída nós temos já um modelo social com ilegitimidade injustiças sociais bastante flagrantes né Então a partir desses dados podemos nos perguntar se a educação brasileira nesse período era uma educação democrática né já de alguma forma nos direcionando para uma resposta negativa isso é podemos nos perguntar se o estado cumpria a sua atribuição de proporcionar ensino para o povo a partir de sua gratuidade e obrigatoriedade que a gratuidade e a obrigatoriedade são palavras que soam muito bem mas a efetividade disso gerava de fato fatores sociais de progresso a pergunta é essa
né A educação passou passou a ser uma atribuição do Estado mas o estado não representa necessariamente uma posição democrática isso é o estado não consegue nesse momento efetivar uma democratização do acesso ao conhecimento a estrutura da sociedade determina o modelo Educacional e seus resultados então aqui a crítica já parte de dados negativos a independência do Brasil em 1822 foi o resultado de uma série de acordos entre a elite senhorial local e o capital europeu saviani destaca e relaciona a necessidade de organização do estado e da Nação mediante a criação de uma legislação própria não é
e nessa legislação própria começou a se debater a instrução escolar dos jovens e Esse aspecto é bastante curioso e existia uma preocupação maior e aqui já um um uma uma observação discriminatória né que os críticos e os historiadores vão fazer posteriormente mais com a formação dos meninos do que em relação às meninas Então já existia uma distinção uma espécie de preconceito de gênero nesse modelo Educacional do império nós veremos alguns detalhes o que denuncia os interesses de uma educação voltada para o trabalho né e uma sociedade patriarcal e patrimonialista o saviani né nota aqui como
primeira medida na educação Imperial a criação de escolas das primeiras letras inspiradas no chamado método Lancaster que nós vimos né No método do ensino mútuo que valorizava um tipo de ensino para os indivíduos do sexo masculino e um outro tipo de ensino um pouco diferente para os indivíduos do sexo feminino não se pode esquecer que mesmo sobre a influência do liberalismo europeu a sociedade brasileira do período imperial era marcada pelo trabalho escravo e pela existência de uma elite agrária detentora de poder e privilégios sigamos Então dessa forma o desenvolvimento de todo o sistema escolar de
instrução primária organizado pelo estado fica à disposição de uma minoria então há uma tentativa né de se democratizar o o sistema educacional mas existem entraves sociais e econômicos ocorre então a organização de sistema público de educação que não atende efetivamente ao povo mas que responde às necessidades da Elite e ao fortalecimento do poder dessa mesma Elite problema do acesso à educação não se resolveria apenas pela questão legal o ensino é obrigatório o ensino é público mas em quem era considerado de fato cidadão no Brasil Imperial n é então a ideia de cidadania vai determinar a
ilegitimidade e as injustiças desse sistema mesmo sendo um sistema de ensino público e obrigatório no período imperial a educação ainda era então embrionária o estado pouco se empenhou para assegurar um modelo que atendesse a todos vê-se que no final desse período havia um número limitado de estabelecimentos de ensino a exemplo de alguns liceus provinciais nas capitais os colégios privados somente em cidades maiores e um número insatisfatório de cursos normais no país de forma que poucos alunos foram atendidos então existia uma declaração né de intenção de educação mas efetivamente não existia uma estrutura Educacional que né
pudesse efetivar esses ideais a partir desses dados então nós podemos concluir voltando para nosso slide o ensino no Brasil durante durante o período do império não pode ser considerado democrático pois estava longe de ser acessível a toda a população e era sujeito a várias limitações e restrições além disso a democratização do ensino no sentido de proporcionar oportunidades educacionais iguais para todas as camadas da sociedade era um desafio durante essa época e não uma efetividade aqui estão algum dos pontos que demonstram a falta de democracia isso é a falta de estrutura desse sistema educacional no império
o acesso limitado à educação durante o império estava disponí principalmente para a elite essa Elite era composta por indivíduos brancos homens em sua maioria membros da aristocracia ou da classe dominante a maior parte da população incluindo negros e pobres tinham um acesso muito limitado ou nulo à educação então o sistema escravocrata eh de deixa essas sequelas muito evidentes né a discriminação havia discriminação racial E de gênero não é como já apontamos no sistema educacional As instituições educacionais eram predominantemente masculinas e brancas e as mulheres e as pessoas de cor chamadas pessoas de cor na época
enfrentavam Barreiras significativas para o acesso à educação formal a influência da igreja católica a igreja católica desempenhou um papel Central na educação durante o período colonial e Imperial isso limitava a liberdade de ensino e promovia uma educação voltada para a formação Religiosa e moral então mesmo com o final né O fim da atuação dos Jesuítas existia ainda uma influência muito grande eh de um sistema religioso de um poder religioso sobre as escolas no Brasil ainda no período imperial né isso por razões culturais do próprio país e existia também uma estrutura centralizada o sistema educacional era
controlado pelo governo central e havia pouca autonomia nas regiões e comunidades locais para criar suas próprias instituições educacionais então havia também problemas de estrutura problemas estruturais a desigualdade de oportunidades né mesmo com a promulgação da lei de ensino primário que é de 1827 a implementação efetiva da educação primária para todas as crianças era limitada e desigual um descompasso entre a lei e a efetividade social Portanto o sistema educacional do império estava longe de ser um sistema democrático uma vez que a educação não era igualmente acessível a todos os cidadãos por esses motivos que nós elencamos
nãoé então os problemas eh levavam também a questões de gênero nãoé a primeira grande lei Educacional no Brasil de 1827 determin Ava que nas escolas de primeiras letras do império os meninos e meninas estudassem separados e tivessem currículos diferentes currículos distintos em matemática as meninas tinham menos lições do que os meninos né então a ideia eh de uma espécie de discriminação de gênero a partir de supostas funções sociais que as pessoas do sexo feminino poderiam exercer ou não né naquela mentalidade da época e que os meninos né indivíduos do sexo masculino deveriam exercer em detrimento
do sexo feminino nãoé do gênero feminino enquanto eles aprendiam adição né os indivíduos sexo masculino subtração multiplicação divisão números decimais frações proporções e de geometria elas né os indivíduos do sexo feminino não podiam ver nada além das quatro operações básicas na aulas de nas aulas de português e religião por outro lado o conteúdo era o mesmo para meninos e meninas então eh vigorava uma ideia discriminatória de que os homens têm uma função de trabalho uma educação social destinada a algumas funções e As mulheres teriam outras né Isso tudo foi de alguma forma corrigido por novos
modelos educacionais que vieram posteriormente a lei de 1800 27 também previa que as escolas femininas oferecessem aulas de prendas domésticas como corte costura e bordado quer dizer uma concepção distinta da Concepção que nós temos hoje o projeto original redigido pelos deputados não continham tal disciplina na prática as prendas domésticas foram introduzidas pelos senadores tradicionalmente mais conservadores do que os deputados da mesma forma foram mudanças feitas pelo Senado na proposta inicial da câmara que deixaram o currículo de matemática dos meninos mais longo e complexo do que o das meninas né Então esse é um fato histórico
destacado pra gente entender que a educação no período do império tinha muitos problemas né problemas éticos né problemas que de alguma forma hoje são considerados escândalos educacionais a gente pode dizer então Aqui nós temos uma figura é uma imagem de uma sala só de meninas não é naquele modelo Educacional aqui também nós temos uma ideia de disciplina né e um um conjunto eh Educacional formado só por indivíduos do sexo né do gênero feminino né aqui também uma escola predominantemente né composta por meninas e para fecharmos essa investigação sobre a educação no período do império né
vamos analisar uma frase do senador da República da época que representa bastante bem né o preconceito e a e a discriminação vigentes na época abre aspas a questão é se as meninas precisam de igual de igual grau de ensino que os meninos tal Não creio Ava o senador para elas acho suficiente a nossa antiga regra ler escrever e contar não sejamos excêntricos e singulares Deus deu barbas ao homem não a mulher discursou o senador Visconde de Cairu da Bahia então Aqui nós temos um exemplo histórico né de como a educação ainda traz esses né esses
elementos de preconceito ainda no período do império a fala do esconde de Cairu está guardada no arquivo do Senado em Brasília antes de ser assinada pelo Imperador Dom Pedro I e virar lei a proposta que estruturava o ensino primário do Brasil foi discutida e votada na câmara do Senado na Câmara e no senado os senadores travaram acalorados debates sobre qual seria o currículo mais apropriado para crianças do sexo feminino nesse Brasil oitocentista então aqui um exemplo Claro de que existia né o preconceito mas existia também uma resistência né uma alguma ideia possível né de modernização
do sistema educacional finalizando Então a nossa passagem por essa por esse período nãoé da Educação no período do império no Brasil Vimos que a ideia de educação estatal não significa uma educação democrática né Vimos que mesmo em situações em que o estado promove a educação para todos ou para uma maioria os modelos educacionais reproduzem problemas culturais e sociais que constituem Essa sociedade os projetos educacionais portanto passam por mudanças e reformas de acordo com a evolução democrática da sociedades até a próxima [Música] aula [Música] ah