[Música] Meus queridos irmãos, minhas queridas irmãs, bem-vindos mais uma vez ao nosso "Paresia". E no "Paresia" desta semana, gostaríamos de responder um pouco aos nossos internautas e assinantes que têm contribuído de forma tão generosa para o nosso site, que também fizeram algumas críticas com relação ao nosso último "Paresia" a respeito da Campanha da Fraternidade de 2011 sobre o meio ambiente. Pois bem, gostaríamos de dizer, em primeiro lugar, que ficamos muito agradecidos pelas críticas, porque é verdade que as críticas abrem os nossos olhos para imperfeições.
É evidente que, num vídeo, no tempo limitado de um vídeo, eu nem sempre consigo colocar tudo aquilo que eu gostaria de dizer e nem sempre me expresso de forma adequada. No entanto, infelizmente, existem também as críticas infundadas das pessoas que querem simplesmente denegrir a minha pessoa ou a obra que nós estamos fazendo nesse site, um pouco semeando o joio no meio do trigo. Infelizmente, esta é a situação.
Tem gente que está meio amargurada com o padre Paulo porque o padre Paulo anda colocando carapuças na cabeça, né, das pessoas, e com isso elas ficam angustiadas e gostariam que eu me calasse. Gostaria de dizer uma coisa bem clara desde o início, porque isso é muito importante para você que acessa o nosso site: o site padrepauloricardo. org quer ser um serviço para a Igreja Católica, em comunhão com o Papa e com os bispos do Brasil e do mundo inteiro.
Nós queremos estar nesta profunda comunhão, e esta é uma vontade explícita. Por isso, nós aqui não criticamos, geralmente, pessoas; a crítica não é dirigida a pessoas, é dirigida a ideias. Para que serviu aquele vídeo a respeito da Campanha da Fraternidade?
O vídeo a respeito da Campanha da Fraternidade era para salientar o pensamento do Papa Bento XVI, que tem um pensamento positivo a respeito da ecologia, mas tem também uma série de críticas a respeito desse modismo ecológico que está nos levando para o neopaganismo. É importante nós sermos o porta-voz desta palavra do Papa. Você vai dizer: "Mas padre Paulo, colocando certas ideias, o senhor está condenando os bispos do Brasil e condenando a CNBB.
" Veja, ninguém condenou a CNBB. Eu não condenei a CNBB e disse explicitamente no vídeo que não estava condenando nem a CNBB nem a Campanha da Fraternidade. O que eu estava alertando é para o fato de que as ideias boas e positivas da Campanha da Fraternidade podem ser usadas por pessoas mal intencionadas, e essas pessoas mal intencionadas podem fazer com que você, que é um bom católico, vá resvalando na direção de um neopaganismo.
Então, achei conveniente, necessário e oportuno recordar os ensinamentos do Papa Bento XVI. E citei, como de fato está lá na página do nosso site, dois textos importantes: um deles, uma saudação que o Papa fez para a Cúria Romana e outro, um parágrafo, um número da sua exortação apostólica "Verbum Domini". Mas existem outros textos, um deles é a própria mensagem do Papa para a Campanha da Fraternidade neste ano de 2011.
O Papa salienta claramente a nossa condição de criatura, e por isso ele diz explicitamente: "o homem não é Deus; se ele quer fazer ecologia, ele tem que se submeter a Deus. " Não é exatamente isso que nós dizíamos no nosso vídeo passado? Depois, o Papa salienta claramente que a primeira ecologia a ser defendida é a ecologia humana.
Isso quer dizer defesa da vida: nada de aborto, defesa da família, nada de casamento gay. Não foi isso que nós salientamos? Se você quiser ter a ideia do que realmente Bento XVI fala a respeito da ecologia, então você acesse o site do Vaticano.
E nós vamos colocar aqui na nossa página também o texto completo da mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial da Paz de 2010, onde ele falou do meio ambiente e da ecologia. Vejam ali, o Papa trata essa realidade do meio ambiente de forma muito positiva. E uma das críticas que eu recebo - acolho e agradeço as pessoas que criticaram - é que a minha postagem anterior falava só de críticas e coisas negativas, e eu não coloquei o lado positivo da campanha de forma tão evidente e tão salientada.
Então, quero salientar: existe a necessidade do tema. O tema é bom, o tema é importante. Mas nesta mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial da Paz de 2010, no número 13, ele também salienta para um perigo.
Ele sempre faz isso: o perigo do ecocentrismo e do biocentrismo, ou seja, colocarmos a ecologia no centro e não o homem no centro, e a vida material (bios) no centro e não a vida eterna (zoé) no centro, a vida que vem de Deus. Ele nos alerta para isso. Infelizmente, existem pessoas que não querem acolher os alertas do Papa.
Infelizmente, existem pessoas que querem silenciar o Papa Bento XVI. Pergunta: quem são essas pessoas? Veja, eu não tenho a lista: número um, porque são muitas; e número dois, porque não é necessário.
Eu não estou condenando pessoas; eu estou condenando atitudes, ideias. Pois bem, nós não podemos colocar o Papa Bento XVI agora no índice dos livros proibidos, mas infelizmente é o que está acontecendo na prática no Brasil. Onde é que estão os livros do Papa?
Onde é que estão os livros do Papa, publicados e divulgados no meio do povo católico? Se nós precisamos condenar alguma coisa, é esse neopaganismo que está, infelizmente, abundante dentro da Igreja do Brasil. Seja, por exemplo, enquanto não se publicam os livros do Papa, nós temos inúmeros livros de teólogos liberais que não se sabe nem se ainda podemos considerar católicos, sendo publicados, como por exemplo Hans Küng e Leonardo Boff, que publicaram uma plêiade de livros a respeito de ecologia.
E sobretudo, o Sr. Leonardo Boff tem todo este mal vezo, esta mania de levar as coisas para o lado popular, onde ele sabe que vai. .
. Ser aplaudido pelo status quo, pela mídia, pela grande mídia que, infelizmente, é neopagã. Leonardo Boff, infelizmente, nos seus livros, trata a Terra como Gaia, a Terra como a Mãe Gaia, que precisa ser respeitada.
Ou seja, nós estamos voltando para um paganismo. O cristianismo sofreu tanto durante a sua história para tentar fazer com que as pessoas deixassem de ser pagãs, deixassem de olhar para as forças naturais como deuses, como seres mitológicos, e agora vem Leonardo Boff trazer isso de volta e é aplaudido, infelizmente, dentro da Igreja. Enquanto não se lê e não se sabe o que o Papa disse, se vendem os livros de Leonardo Boff como água.
Ora, existe algo de errado nisso? Estou condenando a pessoa de Leonardo Boff? Não, eu estou condenando a atitude dele, as ideias dele, e isso eu faço até mesmo por caridade a ele, para que ele saia dessa miséria na qual ele se colocou.
Meus queridos, nós precisamos entender isso: nós não estamos aqui como juízes de pessoas. E essa atitude, você que é assinante, você que está sempre acessando o nosso site, você precisa ter, você precisa aprender isto. Infelizmente, eu fico muito desconfortável quando vejo algumas pessoas na internet pontificarem, se colocarem numa cátedra e começarem a julgar o Papa e começarem a julgar os Bispos.
A nossa atitude não é de julgar o Papa e não é de julgar os Bispos, em primeiro lugar, porque o Código de Direito Canônico e a própria estrutura da Igreja nos proíbe de julgar o Papa. Ninguém pode julgar o Papa, a não ser um outro Papa, e também nos proíbe de julgar os Bispos. Por quê?
Porque os Bispos possuem foro privilegiado; só a Santa Sé é que pode julgar os Bispos. Portanto, nós não estamos condenando pessoas, com endereços e existências reais. O que nós estamos fazendo é divulgando para você ideias, mensagens que o Papa quer que cheguem até você.
Essas ideias foram pronunciadas pelo Papa Bento XVI. Nós queremos ser porta-vozes dele e fazer você conhecer isso daí, porque nem todo mundo tem a oportunidade de ler tudo o que ele escreve, de saber o que ele anda falando, e nós estamos prestando esse serviço para você. Agora, se as ideias que o Papa Bento XVI coloca, se o alerta que ele faz cabe para algum fiel da Igreja, seja ele Bispo, seja ele Padre, seja ele leigo, esse alerta nós temos que humildemente aceitar e colocar a carapuça na nossa cabeça.
Mas eu não estou julgando ninguém, eu estou simplesmente repetindo aquilo que o Papa diz, que o Papa fala. Ele alerta para o neopaganismo, ele alerta para o ecologismo, ele alerta para o biocentrismo, e esta é a realidade. É o serviço que nós gostaríamos de prestar através desse site padrepauloricardo.
org. Um último esclarecimento: algumas das pessoas me escreveram alertando e dizendo que São Francisco chama a Mãe Terra e que eu, na postagem anterior, teria dito que ele não faz isso. Bom, vamos esclarecer usando aqui as próprias palavras de São Francisco, no Cântico das Criaturas, que estão lá no seu dialeto antigo, no italiano arcaico.
São Francisco diz assim: "Laudato signore per Sora Nostra Matre Terra, la produ diversi Frutti, colori, Flori e bava. " Vejam, São Francisco diz: "Louvado sejais, meu Senhor, pela nossa irmã Sora Matre Terra", a nossa irmã Mãe Terra. Que sentido tem isso?
Bom, se São Francisco não era um alucinado, o sentido só pode ser este, pelo contexto: para nós, a Terra é irmã. Mas acontece que ninguém pode negar que a Terra produz vida, e São Francisco faz uma lista dessa vida que ela produz, falando dos frutos, das flores, das ervas. Ora, ela é mãe dos frutos, das flores e das ervas.
Claro que, com isso, ela se torna também nossa nutriz, ela se torna também aquela que nos dá alimento. E, nesse sentido poético e analógico, podemos dizer que ela é mãe. Por isso, ela nos sustenta; ela também nos governa, no sentido de que existem leis físicas na Terra que fazem com que nós estejamos submetidos a essas leis.
Mas nada disso conduz ao neopaganismo, não é verdade? Nada disso nos conduz a considerar a Terra nossa superiora, porque, na teologia cristã, e São Francisco era cristão, o superior é o homem. E é por isso que São Francisco faz essa aparente contradição, ou seja, é um paradoxo de chamar de Mãe Terra, porque, de alguma forma, ela produz.
Mas ela é nossa irmã; Mãe Terra, Sora Matre Terra, é irmã porque ela, de alguma forma, é inferior a nós, é irmãzinha, inferior, pequena. Qual é a lógica de chamar a Terra de mãe se eu sei que isso é poesia? Como São Francisco fez, a poesia não há nenhum problema.
Mas cuidado! Na época de São Francisco, não havia neopaganismo; o paganismo não estava renascendo, e as palavras de São Francisco podem ser usadas de forma inadequada para nos arrastar para uma religião mundial neopagã. Esse é o alerta, e somente isso.
Portanto, não estamos aqui criticando, de forma radical, o que se chama a Terra de mãe. São Francisco fez isso, mas ele chama mais a Terra de irmã, como faz com todas as criaturas. Essa é a realidade, e que isso fique bastante claro: não é uma briga de palavras, é uma briga de ideias, de conceitos.
O conceito que é importante é que o ser humano é o centro da criação, e não a Terra.