k [Música] O que é o complexo de Édipo eh esta pergunta ela é sempre recorrente né quando nós estamos lidando com a transmissão da psicanálise não não há um uma não há uma aula não há uma palestra não há um evento do qual né Eu participo que de certa forma esta pergunta cabe ou né os seus derivados acaba não surgindo e nesse sentido eh Vale percebermos como que de uma maneira que parece até me ser indelével né Essa maneira é constante não não há como ser apagada a figura de Freud e bem como a psic
análise como um todo elas sempre acabam se associando muito a ao Édipo ao complexo de Édipo a trajetória de EDP de tal maneira que não há como né não se pensar eh no edipo sem se pensar na psicanálise e vice-versa Então nesse sentido é sempre válido que nós possamos localizar com mais precisão com mais eh minúcias né também o que que vem a ser o complexo de EDP Por que ele interessou tanto a Freud de maneira tal que né Freud e EDP Freud o complexo de é psicanálise o complexo de EDP se vinculem bastante na
compreensão que usualmente se tem da psicanálise Vale considerar que e o Édipo propriamente ele né ele não é uma invenção né a história do edip não é uma invenção de Freud certamente e muito menos também é uma invenção de um autor eh no qual Freud se empara um importante dramaturgo grego que é o sófocles eh Édipo é um conjunto de lendas né elementos mitológicos também que já estavam muito difundidos né na Grécia antes mesmo do século 5 antes de Cristo que é exatamente esse o momento em que surge ali a apropriação de sófocles né deste
desses ingredientes já vigentes na cultura grega e sófocles eh enquanto autor eh da mesma importância de outros dramaturgos né trágicos como hclo e Eurípedes na Grécia sófocles eh ele apresenta ele escreve e apresenta uma versão do da história de épo exatamente que vem a tragédia né de edpo ou seja o edpo rei Freud se ampara muito nessa tragédia e desde o início ali da psicanálise em torno de 1895 mais precisamente em 1897 ele começa a falar de Édipo né ele começa a se referir à psicanálise muito a partir do que está em jogo nessa tragédia
que é o Ed Rei eh em suas correspondências com fiss um neurologista com quem Freud Manteve durante um tempo uma intensa relação mediada pela escrita pelas correspondências é exatamente ali que surge a primeira menção ao ao que virá a ser o complexo de edipo na psicanálise [Música] [Música] eh Então para que possamos ir bem passo a passo eu proponho aqui uma série de programas que eu irei elaborar para transmitir gradativamente O que que está em jogo no edpo o que que vem a ser o EDP e o complexo de épo para que nós possamos eh
localizar com mais cuidado com mais precisão e até mesmo com mais vivacidade o que que vem a ser e e qual é a importância do Édipo na psicanálise bom nós podemos começar a falar aqui então um pouco mais precisamente sobre o percurso da tragédia Freud num dado momento vai dizer que o percurso de uma análise o que se passa ao longo de uma análise é homólogo Ao que se passa na tragédia de edipo ou seja o percurso analítico de certa forma ele é homólogo ao percurso da tragédia Então temos aí uma proposta né freudiana E
vamos tentar aqui aos poucos esmiuçar um pouco por o porquê dessa desta situação homóloga né o que que há na análise que tem a ver no percurso de uma análise que tem a ver com o percurso do Herói Édipo ao longo de sua tragédia [Música] ou seja o que nós vemos é em Édipo indo agora à tragédia aquilo que nos é proposto em boa medida por sófocles mas né Há muitos outros ingredientes além de sófocles para dar conta né do que que se passa com ép eh nós temos ali na tragédia um conjunto de de
encontros desvendamento e um jogo bem interessante entre saber e não saber né isso é constante na trajetória de éb e o saber e o não saber o saber e também o não querer saber mas o ter de saber então esses elementos estão o tempo todo tensionando a trajetória do do Herói a trajetória trágica do Herói e ali nós vemos em meio essas tensões o sujeito e seus avessos o aquela sensação do tão perto e ao mesmo tempo tão longe isso né Há Várias cenas da tragédia que indicam isto e a interface a tensão também entre
a determinação e a escolha né a trajetória de é a trajetória que coloca isso em cena o que está determinado em relação a ele em relação à sua vida em relação ao seu percurso e por outro lado e qual que é a sua responsabilidade quanto a isso Qual é o seu posicionamento quanto a isso quais são as suas escolhas Em meio às complexas rotas da determinação e há também ali na tragédia o encontro com o inexorável com aquilo que é incontornável com aquilo que já está lá e sempre estará lá então e esses elementos todos
estou aqui falando de coisas bem amplas mas esses elementos todos eles estão muito presentes na trajetória de Édipo e é por aí que nós podemos né entrando em mais detalhes é claro Mas é por aí que nós podemos começar a compreender e o que que há na trajetória de épo que é homólogo à trajetória de uma análise eh Freud nos apresenta o épo muito envolvido por isso que seria uma espécie de roupagem né a roupagem do complexo de Édipo né temos ali nessa roupagem temos ali na forma como o edpo é apresentado por Freud o
parricídio e o incesto né Eh a relação entre o desejo e o impossível estão postas ali no Édipo também o desejo e o seu o Além estão também postas né na trajetória e na maneira como Freud se apropria né da tragédia de sófocles e a insere na psicanálise e é interessante que Freud nos mostrar por meio do Édipo né que o desejo é aquilo do qual nós não podemos prescindir é fundamental né pensar eh a nossa relação a relação do humano com desejo mas o desejo por outro lado levado às suas últimas consequências e isso
é muito bem demonstrado indicado na trajetória de ép o desejo levado as suas últimas consequências conduz o sujeito a sua própria perda então é essa que é a atenção interessante a linha fina né não abrir mão do desejo mas ao mesmo tempo verificar que tem algo no desejo que conduz o sujeito à sua perda eh Então vamos né entrar um pouco na na no no que está em jogo para entender essa homologia proposta por Freud vamos entrar um pouco mais em detalhes naquilo que está em jogo na trajetória eh de Édipo e para isto é
fundamental que nós estejamos indo um pouco além da escrita de sófocles E por quê Porque esse além da escrita de sfoc de sófocles é exatamente também o além um pouco da história propriamente do do personagem Édipo mas ao mesmo tempo é estar dentro da hist de épo saindo um pouco do personagem porque é fundamental que nós examinemos um pouco mais e o que que antecede a Édipo porque a trajetória de Édipo só tem sentido porque algo o antecedeu né isto já é isso já enc comporta um caráter trágico para épo épo o herói épo ele
é efeito né ou ele é tensionado né o tempo todo e nesse sentido então ele é e feito do que o antecede então é fundamental que nós né nos lembremos por exemplo que o pai de Édipo Ele comete né uma espécie de ibris ibris para os gregos é uma desmedida é um passar da medida né é uma espécie de tropeço portanto eh o pai de Édipo comete uma hybris hibris esta que o conduz a uma falta falta aqui no sentido inclusive moral e e a tragédia inteira de Édipo como veremos ela é consequência desse circuito
né ou seja eh não podemos entender Édipo e muito menos o complexo de Édipo na psicanálise somente olhando para aquilo que se passa na cena muito destacada pelo edipo rei em sófocles nós temos que tentar alargar um pouco mais essa cena e já compreender que o que está em jogo ali na tragédia né os percursos e os encontros e desencontros de Édipo de Édipo Rei eh São efeitos são consequências de um circuito maior Então vamos eh examinar o que está em jogo nas analas do percurso do deste herói trágico né este herói grego que é
o édico indo às analas indo a ao que o antecede me parece que aí sim nós podemos com mais propriedade localizar ao que está em jogo no percurso e chegar onde nos interessa a meu ver o que está em jogo em uma análise É isso aí [Música]