E a gente vai saudar a todos mais uma vez todos todas e todos que estão aqui conosco presencialmente também para os congressistas que nos acompanham através aí da nossa transmissão eh nós que já estamos com coração partido né a gente já tá com coração apertado porque a gente tá se aproximando já do final do nosso congresso mas a parte boa é que a gente tá convicto de que nós tivemos uma Edição realmente inesquecível e que certamente todos vocês estão já contando as horas para que a gente retome o nosso encontro em 2025 esperamos também que
vocês tenham tido ótimas mesas simultâneas mais cedo e aproveitaram e e estejam aproveitando muito esses momentos de troca de ressignificação de aprendizados a partir de temáticas que são tão oportunas né como aquelas que envolvem arte educação povos originários pessoas com Deficiência Legado de Paulo Freire e os exemplos trazidos das áfricas e é seguindo com essas questões provocativas e totalmente conectadas aos tempos atuais que nós chamamos ao nosso palco agora Nilma Lino mestra em educação pela Fael FMG Doutora em educação antropologia social pela USP pós-doutora em sociologia pela Universidade de Coimbra e em educação pela UFSCAR
coordenadora do núcleo de estudos e pesquisas sobre relações étnico e ações afirmativas ministra da secretaria de políticas de promoção da Igualdade racial de 2015 a 2016 e do ministério das mulheres e igualdade racial e direitos humanos de 2015 a 2016 e nossa mediadora Auxiliadora Maria Martins da Silva pós Doutora pela UFC Universidade Federal do Ceará em 2023 Doutora em educação pela Universidade Federal de Pernambuco em 2011 e mestra em ensino das ciências pela Universidade Federal Rural de Pernambuco em 2005 professora associada da UFPE lecionando as disciplinas teoria curricular pesquisa em práticas curriculares na escola e
na sala de aula seminários de educação Escola e currículo e educação em africanidades e afrodescendência para iniciarmos nossa Conferência que tem como título nessa conferência de encerramento né que tem como título O que os arte educadores precisam saber sobre uma educação antiracista nós já pedimos para que as nossas convidadas já fiquem apostos e não custa lembrar dúvidas suas sugestões a nossa equipe estará acompanhando todos os comentários participem então agora Auxiliadora a Palavra é toda sua muito obrigada pela apresentação muito obrigada pela presença de todas as pessoas no auditório inicialmente eu gostaria de dizer da minha
alegria do meu prazer da minha honra em ter sido convidada pelo Sesc para estar mediando uma conferência da professora D Nilma Lino Gomes nem nos melhores sonhos eu imaginei poder estar nessa Situação e atuação eh uma instituição privada em parceria com uma instituição Pública Federal que se une para possibilitar a discussão de temas prementes na sociedade como Como a educação das relações étnico-raciais então eu gostaria de parabenizar o Sesc não é e agradecer por esse convite não sei se dará certo mas eu pediria licença para começar com música e dança considerando Que nós estamos no
oitavo congresso internacional do SESC em arte e educação o segundo o segundo [Música] vídeo Não me olhe com essa cara de quem tem raiva de mim eu minha filha e minha neta essa canção é de Hélio Machado E ele convidou mulheres negras para fazer um clipe Então nesse clipe estamos eu minha filha e minha neta e é uma canção muito interessante como proposta não é de leitura deleite em aulas e práticas de arte e [Música] educação vai rolar é Minor deixá [Música] [Música] Não me olhe com essa cara de quem tem Raiva de mim meus
motivos são muitos mas não Odeio você só quero que saibas que Esse sou eu por completo já menti muito pra mim eu já fui muito discreto Não me olhe com essa cara de quem tem raiva de mim meus motivos são muitos mas não Odeio você só quero que saibas que se sou eu por completo já menti muito para mim eu já fui muito discreto hoje me vejo mais forte no tom da pele e da voz mas não me ludo com essa aqui todos somos iguais Me vejo mais forte da pele da voz não me ludo
com essa que todos somos iguais me fale agora com todo respeito Qual foi o respeito que você me deu na história me fale agora com todo o respeito Qual foi o respeito que você me deu na história eu não sou moreno claro e nem sou moro escuro não tenho alma de branco não tenho rosto afilado não tenho cabelo liso eu não sou mulato eu não sou moreno claro e nem sou Moreno escuro não tenho alma de branco não tenho rosto afilado não tenho cabelo liso eu não sou mulato eu sou negro negro eu sou negro
de corpo e alma eu sou eu sou negro eu sou negra negro eu sou negro de corpo e alma eu sou eu sou negro eu sou negra negro eu sou negro de corpo e alma eu sou eu sou negro eu sou negra negro eu sou negro negro de corpo e alma eu sou eu sou [Música] negro eu não sou moreno claro e nem sou o Moreno escuro não tenho alma de branco não tenho rosto filado não tenho cabelo liso eu não sou mulato não tenho alma de branco não tenho alma de branco não tenho rosto
afilado não tenho rosto afilado não tenho cabelo liso eu não sou mulato eu sou negro negro eu sou negro de corpo e alma eu sou eu sou negro eu sou negra negro eu sou negro negro Corpo e Alma eu sou eu sou Negro eu sou negro sou negro sou negra sou negro sou negro eu sou negro eu sou negro eu sou negro Corpo e Alma eu sou eu sou [Música] negro [Música] Muito obrigada então Eh nesse momento nós passaríamos o microfone para a professora D Nilma Lino Gomes conferir a sua palestra discutindo O que é
que os professores de arte e educação precisam saber sobre educação antiracista e não apenas os professores de arte educação mas todos nós seja bem-vinda a casa é sua obrigada muito obrigada Auxiliadora um prazer reencontrá-la depois de tantos anos né trabalhamos juntas numa pesquisa nacional e agora vê-la aqui mediando Essa mesa eu quero cumprimentar todas as pessoas aqui presentes bom dia bom dia ainda é dia ou já é Tarde dia dia então bom dia de novo muito obrigada pelo convite eu quero agradecer ao Sesc a Universidade Federal de Pernambuco eh em especial quero agradecer ao professor
Everton me kides que fez o contato comigo Gentilmente me convidou está aqui conosco eh e também a sua secretária ver Lima secretária do oitavo congresso que Nos ajudou tanto para Poder est aqui presente quero cumprimentar minhas queridas amigas de militância negra que encontrei com várias aqui não vou nomear todo mundo porque senão eu posso esquecer de alguém mas Encontrei com várias e ganhei inclusive presentes gente olha só ganhei um livro tão lindo da Maria Cristina Tavares no quintal da tia Maria aqui produção independente na luta para Literatura Infantil ganhei também o livro nas trilhas da
Esperança A presença de Paulo Freire na produção acadêmica da UFPE da Claudilene Maria da Silva Daniele Tavares e María Gabriela ganhei da minha querida que eliet que tá aqui também conosco muito obrigada tem um calendário lindo que eu ganhei também olha só gente vi fazer palestra sair cheia de presente Maravilha voltar aqui mais vezes pode me chamar G esse calendário lindo Paulo Freire também olha o centenário 100 anos Paulo Freire a gente tá aqui numa terra Do nosso grande exemplo né da educação Então queria agradecer muito Auxiliadora tá aqui com os livros meus agradecer quem
já me pediu autógrafo e trouxe livros Muito obrigada então o título dessa palestra ele é um título um tanto quanto ousado né que que o os educadores as educadoras da arte educação das Artes eh precisam aprender sobre educação antirracista e como a Auxiliadora mesmo falou não só quem é do campo das Artes mas Óbvio a gente sabe da especificidade Desse congresso desse evento mas acho que todos e todas nós então eu queria compartilhar com vocês eh a algumas reflexões que eu sei que como o público é um público muito eclético aqui tem pessoas que já
atuam na educação antiracista há muitos anos antes mesmo de nós nome armos como educação antirracista o Que Nós chamávamos e chamamos ainda hoje de educação das relações étnico-raciais como é o nome das nossas diretrizes de combate ao Racismo como é a forma como o movimento negro eh historicamente sempre denominou né E a questão da educação mas hoje eu acho que a dimensão de entender o antirracismo tem ampliado e muitas vezes acho que eh consegue congregar mais pessoas quando nós falamos olha vamos discutir o antirracismo a educação antirracista congrega mais pessoas eu acho que talvez eh
a tem um processo aí de de crescimento de maturidade de novos conceitos que o Brasil vai compreendendo E o campo da Educação também então eu gosto sempre de enfatizar quando nós estamos falando sobre educação antirracista nós estamos falando de educação e Combate o racismo nós estamos falando de educação das relações étnico-raciais né que é a nossa luta de sempre e que é uma luta de todas todos e todes não é apenas das pessoas negras como sempre enfatizamos então eu separei alguns itens assim do que eu acho que é interessante que nós discutamos sobre o Tema
e ao final se der tempo eu quero passar muito rapidamente imagens que expressam o que nós vamos conversar aqui o que eu vou apresentar para vocês porque as imagens elas são importantes para dar corporificação para desestabilizar né não só para ilustrar é porque as imagens falam de momentos históricos momentos das nossas vidas momentos que são que a gente pode recortar para guardar dar para a memória por isso que eu quero Depois eh trazer imagens que dizem respeito às questões que trarei aqui então a primeira dimensão que eu acho que é interessante eh compreender do antirracismo
é que inspirado em alguns autores eh um sociólogo chamado Luís Campos a própria djamila Que Tem trabalhado muito ultimamente eh escritos de professores aquii da Universidade Federal de Pernambuco como o professor moisé Santana e tantos outros e outras como aqui a gente tá aqui com a Mazé com Tantas outras né Eh o antirracismo eu eu entendo que ele deve atuar em eh três Campos principais e junto com esses três Campos principais eu colocaria mais alguns né para compreender o que é esse não apenas não ser racista mas ser antirracista o antirracismo ele diz respeito não
só a uma compreensão do que é o fenômeno do racismo o antirracismo diz respeito a uma postura contra o racismo e essa postura Ela é uma postura de combate assim é um termo Bélio que o movimento negro cunhou mas é porque o racismo é um fenômeno tão perverso que dialogar com ele não cabe né Eh ser condescendente com o racismo não cabe com racismo nós temos que travar um verdadeiro combate uma luta e é uma luta tanto ideológica simbólica Quanto é uma luta da construção de novas práticas quer sejam novas práticas sociais políticas culturais como
práticas também Educativas educacionais Então os três primeiros Campos aí que eu diria que esse antirracismo atua é o campo das ideologias né entendendo das ideias n e isso tem a ver com a mentalidade do Brasil Então vamos pensar nos educadores das educadoras de artes né Eu acho que antes mesmo de você iniciar uma prática quer seja das Artes quer seja em outra em outra área no campo da educação é preciso que antes de pensar qual estratégia didática ou pedagógica eu vou Utilizar É preciso que tenha uma compreensão muito grande muito intensa muito profunda do tema
ou melhor do que tema da questão com a qual nós estamos trabalhando né as Relações raciais são questões sociais que acontece nas nossas relações sociais e hoje muitas pessoas já repetem e algumas já compreendem mais o que que é essa dimensão estrutural do racismo que o movimento sempre falou e que hoje muitos teóricos e teóricas TM se debruçado para explicitar significa Que desde da colonização da escravidão eh o racismo ele ele estrutura as relações sociais Então as nossas relações na sociedade brasileira infelizmente lamentavelmente elas são marcadas pelo racismo por isso o antirracismo ele tem que
atuar no campo das ideias no campo das mentalidades por isso a educação é tão importante a formação política é tão importante o segundo campo é das práticas que é o que educadoras e educadores fazem e não Somente nós outros profissionais também e essas práticas são desde aquelas que acontecem no nosso dia a dia no nosso cotidiano na nossa profissão nas nossas relações afetivas até as práticas dentro de uma sala de aula com crianças adolescentes jovens e adultos um outro ponto que o antirracismo também precisa atuar é na própria agência dos sujeitos na forma como os
sujeitos agem vivem em socied ade eh tem uma ação política uma ação pedagógica uma ação social essa Ação social essa pedagógica etc ela tem que est pautada no antirracismo o outro Campo que é as estruturas como eu falei o antirracismo tem que tocar nas estruturas e quando nós falamos nas estruturas Nós lembramos por exemplo das políticas públicas as políticas públicas nacionais elas vêm para combater desigual eh raciais socioeconômicas etc e aqui eu tô falando de políticas públicas emancipatórias Não estou falando de Políticas públicas na numa dimensão do conservadorismo como nós tivemos alguns anos aqui no
nosso país então quando nós tocamos na questão das estruturas significa olhar para a nossa sociedade e indagar onde estão as pessoas negras porque os negros e as negras não estão aqui não estão nesse lugar não estão nessa área não estão nessa escola não estão na universidade não estão no mercado de trabalho nos cargos de decisão dos cargos de chefia não estão No Parlamento com a representatividade necessária então ser antirracista significa quando você está num lugar em que pode causar e produzir mudanças nas estruturas por meio de políticas de práticas de ações de projetos pensando nas
escolas você atua no sentido de com ter o racismo independentemente de você ser negro Branco indígena independentemente de você ser mulher homem Sis ser trans independentemente da sua Religiosidade porque esse fenômeno perverso ele impede a concretização da justiça social e da Democracia o outro Campo São esses mais dois que eu queria chamar para vocês a atenção diz respeito no fato de que o racismo ele também é é uma relação de poder ele se dá numa relação de poder melhor dizendo E essa relação de poder ela não é só um poder econômico ela também é um
poder étnico e racial então entender que as relações de poder no nosso país elas se travam não Apenas no eixo do econômico que é o grande centro de uma sociedade sim pra gente construir eh eh maior Justiça menos igualdade sim mas o que estudiosos estudiosas o movimento negro tem mostrado e aos poucos a gente começa a compreender no campo da educação é de que não existe hierarquia entre desigualdades entenderam não existe hierarquia entre fenômenos perversos então se eu sou uma pessoa que luta contra o capitalismo N é isso que quer Uma sociedade mais justa etc
que não quer que o lucro e o mercado seja o que baseia As Nossas ações Logo Eu também deveria ser antirracista logo também deveria ser antimachista logo deveria também ser anti lgbtq a mais fóbica porque é incoerente você falar que luta na minha perspectiva tá gente que luta por uma sociedade mais igualitária e não olhar que na nossa sociedade no nosso percurso histórico determinados coletivos sociais diversos estão em Situação de maior desigualdade que o econômico os atinge mais ainda do que outros e então você não produzir uma ação para super isso entenderam essa ação pode
ser desde o macro que é a política pública até o micro que é a sua relação em sala de aula com os estudantes com as estudantes o toque nas crianças o cuidado com o cabelo crespo com a beleza brinquedos pedagógicos que tenham negros e negras as artes de você compreender que a quando nós falamos em Arte afro-brasileira nós não estamos falando de algo que é menos arte nós estamos adjetivando a arte para dar uma politização indo na contramão de uma ideia colonial de que arte é uma coisa só ou de que arte aquilo da Europa
que a Europa ocidental produziu e ainda produz Tô dando um exemplo pro tema do congresso tá compreensível gente o antirracismo então isso aí que a gente tá chamando de antirracismo e eu acho que é sobre isso então que arte Educadoras e Arte educadores e todos nós educadores e educadores precisamos saber e aprender cada vez mais um outro ponto entendendo o que que é o antirracismo nós vamos compreender que ele não se supera não é superado apenas pela minha boa vontade ok apenas pela minha atitude individual Porque eu sou uma pessoa que convivo com negros e
negras a minha babá foi Negra como é que aquelas histórias que a gente sempre escuta quando alguém é pego no seu racismo não é uma atitude Individual ela é também individual e ela é uma atitude política social coletiva Por isso as práticas antirracistas principalmente na educação quando nós estudamos compreendemos discutimos como organizá-las elas precisam sempre ser muito discutidas coletivamente e uma outra questão que eu sempre falo muito com as Minhas alunas na pedagogia é de que tudo bem que a nossa experiência o parto da Minha experiência no mundo é isso né ninguém Parte uma experiência
que é outra no mundo para intervir mas entender que a a minha experiência ela é parte da experiência mais Ampla do mundo e a experiência mais Ampla do mundo é muito mais do que eu e minha família fomos educado eu e a minha religião pensamos assim então numa educação antiracista quando nós estamos quer seja na escola pública quer seja na escola privada o que tem que orientar é uma ética é da relação humana é uma ética da relação Com a diferença e isso essa dimensão ética é que nós sociedade e todos nós né esperamos dos
educadores e das educadoras é essa postura que se espera dos educadores educadoras é uma postura ética profissional que se baseia naquilo que é a educação que é formação humana de novas mentalidades de sujeitos de subjetividades e por isso quanto mais leque diverso nós pudermos apresentar na a para os nossos estudantes e estudantes nossas Estudantes e estudantes e para nós mesmos melhor então nisso tem que se compreender então de que racismo nós estamos falando então esse é mais um outro ponto do nosso aprendizado Quais são as características desse racismo que acontece aqui no Brasil porque o
racismo acontece em muitos outros lugares do mundo mas aqui no Brasil a gente tem especificidades em entender essa especifidade pode nos ajudar então a quais estratégias nós vamos construir né Na busca na concretização do antirracismo Então vou dar alguns exemplos que já escrevi alguns textos e livros vou retomar para quem já conhece o que eu já escrevi uma a ambiguidade essa é uma característica do racismo brasileiro que olha gente eu ainda não conheço em nenhum outro lugar onde Digo o racismo opera e essa ambiguidade é o que o Brasil construiu na nossa história na nossa
Cultura que é o racismo que aqui se desenvolve historicamente ele Ele ele é afirmado pela própria negação dele hoje a sociedade brasileira faz menos essa afirmação e tem menos essa mentalidade essa ideologia do que na época que eu era jovem por fruto da luta do movimento negro gente nós temos que reconhecer que tem um ator político quando nós não estávamos aqui sentado num evento do SESC o fpe discutindo esse tema esse ator político já lutava para que essas situações como essa aqui acontecessem de Formação que é o Movimento negro nas suas mais diversas formas de
expressão Então essa ambiguidade do racismo brasileiro é essa coisa que parece que você não consegue pegar uma situação de racismo que as pessoas vivenciam você não consegue provar mas você sabe que ela aconteceu porque a pessoa quando é pega no ato antiracista num ato racista fala não eu não fiz isso é da sua cabeça vocês viem racismo em tudo era uma questão foi foi um mal colocado foi uma Uma gira uma brincadeira um xiste que eu fiz então quanto mais ele é negado mais ele vai se afirmando Então isso é uma característica desse racismo no
Brasil a outra característica é aquela que nós já sabemos que é esse discurso mítico da democracia racial que quando olha pro nosso passado escravista olha pra história da colonização vira e fala assim não mas que isso comparado com outros países do mundo o racismo aqui não é tão forte assim por quê negros Brancos indígenas todos se misturam Olha que sociedade misturada há uma Harmonia racial nesse país nosso né e esse é um discurso ideológico que eh governos pessoas autoritárias gostam muito de utilizar e nós sabemos aqui que nós temos um grande ícone né na produção
sociológica no Brasil daqui o Freire Gilberto Freire que ajudou como um al anista cunhar esse tipo de leitura e de interpretação sobre a realidade eh racial a realidade das relações sociais Raciais brasileiras ao longo do processo escravista etc e qual é a discussão que tá colocada em jogo para pro antirracismo desmistificar a democracia racial é entender se eu tô olhando para passado escravista E se eu tô olhando para uma situação de violência que ainda acontece com segmentos éticos aais acabou de sair o novo eh a nova discussão relatório da segurança pública e que nós vamos
ver que negros e branco sempre situações ainda desigualdade Mesmo quando o nível de violência diminui é de entender que naquele momento quando a gente fala ah era todo mundo muito bacana os escravismo aqui não foi tão forte quanto em outros lugares nós tínhamos violência e estupro das mulheres negras e indígenas infelizmente é isso infelizmente nem sempre vai uma era uma relação amorosa afetiva acho que desmistificar isso tem hora que dói para dentro da gente mas essa é uma realidade é uma realidade que A história mostra bom uma outra questão é o entrelaçamento entre a desigualdades
socioeconômica e a desigualdade racial Essa é mais uma coisa que a gente sempre vai ter que aprender digamos assim entender porque durante um bom tempo ainda hoje eh como eu falava anteriormente as pessoas tinham a tendência de de hierarquizar as desigualdades mesmo no campo Progressista entenderam e falaram não vamos falar da questão Econômica que aí A gente trabalha com Raça com o gênero com a questão trans com todas as outras questões Então essa é uma característica de um discurso que vai inclusive pro campo teórico e que hoje também os próprios dados de pesquisa têm ajudado
a desmistificar de entender que as duas desigualdades estão extremamente imbricada a econômica e a racial porém Elas têm formas de atuação distintas Elas têm históricos que muitas vezes se misturam e muitas vezes correm separados E elas têm momentos em que uma tá mais Eh tá superando a outra digamos assim então você tem uma imbricação perversa não uma hierarquia de que uma é mais e outra é menos essa é uma característica também do racismo brasileiro quando as pessoas negam então a situação que as pessoas negras vivem em função são das questões raciais e do racismo e
dizem que elas são simplesmente entre aspas porque as pessoas são pobres e porque a maioria dos Pobres são é negra no nosso País e a gente já sabe o porquê e uma outra dimensão que é faca de dois né faca de dois Duas Faces da mesma moeda é o que atualmente vem se estudando mais que a branquitude que é essa dimensão que olha então para o outro porque muitas vezes quando nós falamos em alteridade parece que a alteridade Esse reconhecimento da diferença tá só no outro no indígena no negro na mulher no sem terra no
campo etc mas que tem um grupo na sociedade brasileira que não tá Nesse Campo da alteridade mas não a branquitude nos mostra que todos todas e todos estamos no campo da alteridade e que as pessoas brancas estão nesse campo e desenvolvem historicamente socialmente culturalmente psicologicamente a dimensão da branquitude que a psicóloga Sid Bento Tem trabalhado muito nos seus livros que é essa O Privilégio simbólico da brancura é disso que ela tá falando a branquitude é esse privilégio simbólico Da brancura que independentemente você tá fazendo qualquer coisa na sociedade brasileira ser negro e ser branco tem
uma diferença e essa diferença não é só corpórea essa diferença diz respeito à forma como as pessoas te vem a representação que você tem na sociedade a forma como você vê a si mesma e esses exemplos que nós temos dos nossos jovens das periferias negros e brancos e os jovens eh brancos que não são negros né que atuam também na periferia quando Muitas vezes enfrentam situações de batida policial e o jovem negro é o primeiro a ser considerado o suspeito em relação ao outro jovem que é branco que é pobre que também é da mesma
Periferia e eu gosto de dar esse exemplo porque muitas vezes as pessoas falam assim não mas isso é só para paraas camadas eh populares paraas pessoas pobres na elite não H situações diversas por exemplo de jogadores de futebol de atores vamos pegar esses exemplos que a sociedade Adora dar que são negros negras bem-sucedidos que quando enfrentam por exemplo violência policial tem o mesmo tipo de tratamento que uma pessoa pobre da periferia como por exemplo tá dirigindo um carro importado e a polícia parar e mesmo mostrando a documentação ela não acredita que aquele carro é daquele
sujeito nele né E quando é um branco que tá dirigindo um carro importado e é abordado muitas vezes ele não tem aquele tipo de Comportamento do policial da dúvida se é ou não dele se ele é ou não suspeito Então essa branquitude ela é importante da gente compreender as pessoas brancas para que você se coloque como um antirracista então eu diria para vocês que uma pessoa branca que se coloca como antirracista que quer trabalhar a dimensão do antirracismo em si na sua prática ela precisa rever a sua branquitude o seu lugar de branco nas relações
sociais E e esse é o lugar que as pessoas ah eu não gosto de falar em Privilégio mas o que a gente tá falando de Privilégio é exatamente isso que eu exemplifiquei nessas duas situações de Por que um sobre a representação de determinado grupo racial na sociedade brasileira se impõe uma leitura que é positiva de humanidade e sobre outros uma leitura que não é positiva ela é de desumanidade então ser antirracistas não sendo negro e sendo Branco implica uma postura de Rever a branquitude que se tem E isso acontece nos nossos nas nossas relações cotidianas
vamos lá paraa sala de aula isso acontece quando as crianças negras por exemplo viram para uma professora branca e fala professora seu cabelo é tão lindo liso eu não gosto do meu cabelo queria que meu cabelo fosse assim qual a intervenção que se faz quando essa essa criança tá lendo por esse crio já de relações sociais tão perversas que faz com que o pertencimento ético dela o Tipo estético que ela tem o cabelo que ela tem seja feio seja inferior e ela se espelhe e querer ser igual a Professora Branca Já pensaram nisso que que
se fala para uma criança nessa hora como que as artes por exemplo podem trabalhar com a corporeidade de um modo geral para que as corporeidades múltiplas e diversas possam ser reconhecidas pelas próprias crianças como humanas como com potência como com direito como com dignidade essa é uma Questão indo além Então como é que a escola lida com tudo isso eu tenho tempo já posso posso ir como que a escola lida com tudo isso pode ir gente tá tranquilo vamos lá então como é que a escola lida com tudo isso a escola lida com isso desde
quando eu fiz magistério eu tinha lá meus 15 16 17 anos com uma tensão sabe uma tensão o que que eu vejo de diferente hoje eh com o meu Quase 60 do que eu via com os meus 15 16 17 anos é que hoje a escola tende os educadores Educadoras tendem a entender ou a compreender que há uma tensão porque antes quando nós falá Olha tem uma tensão aí quando diz respeito às questões raciais as pessoas falavam assim não L vem você trazer aqui conflito vai dividir o Brasil entre negros e brancos vai ser o
aparti as pessoas tinham medo de se formar e de entender mais sobre as questões raciais e se posicionar antirracistas hoje mais cada vez mais as Pessoas vão falando olha eu não sei sobre isso educadoras educadores falando não tô sabendo como atuar que literatura que eu vou escolher qual brinquedo como onde que eu encontro esse brinquedo eh como que eu trabalho a Musicalidade como que eu vou trabalhar a questão eh da das Artes de um modo geral da dança das expressões do teatro Como que eu faço isso numa sala diversa e essa que é a questão
quando nós nos tornamos antirracistas nós paramos de ter medo da Diversidade nós entendemos que a diversidade ela faz parte do acontecer humano e nós entendemos que não tem como eu ter uma sala diversa com crianças de origem indígena com criança quilombola com criança negra Urbana com crianças que vieram do rural com crianças brancas e dá o mesmo tipo de enfoque e não olhar na hora que eu organizo a minha atividade de falar assim minha sala é diversa Como que essa atividade que eu tô planejando aqui ela vai atender a Essa diversidade que eu tenho na
minha sala qual do das dimensões do diverso nessa semana eu vou trabalhar nessa aula nessa aula nessa atividade nessa atividade Tá vendo quando eu fiz magistério isso não tava colocado eu nunca era educada nunca fui educada para pensar a diversidade da sala e como que as estratégias pedagógicas têm que lidar e dialogar com essa diversidade porque eu fui formada de que aluno é aluno ponto Qual que é a questão desempenho Tem que aprender tem que ler tem que escrever tem que matematizar e tudo vai ficar muito bem E hoje nós já avançamos e as pesquisas
nos ajudam muito a compreender que não é só o desempenho que conta dentro de uma sala de aula dentro de uma oficina não é mesmo se eu olhar para vocês aqui esse auditório diverso e eu for fazendo um trabalho uma atividade com vocês e eu vou olhar só quem fez melhor quem não fez tão melhor quem fez mais ou menos mas os sujeitos Vocês não são sujeitos e sujeitas as experiências sociais que tem não contam as histórias Não Contam é isso gente que é uma educação antirracista por isso que eu costumo dizer que uma educação
antirracista ela ela trabalha e traz em si também outras dimensões da educação paraa diversidade não é raro quando nós estamos trabalhando com a educação antirracista que a gente também fala Puxa vida agora tem uma coisa chamada gordofobia eu não sabia disso antes mas A fobia em relação às pessoas gordas existe e é uma diversidade e quando você pensa as pessoas gordas que são pobres que são negras as pessoas gordas que são pobres que são negras que são trans vê Esses somos nós nós não estamos trazendo mimimi nem vitimismo como muitas vezes se diz nós estamos
é olhando a realidade social da forma como ela é e se a escola é o espaço de formação humana se todas essas presenças se encontram dentro das escolas Principalmente das públicas isso tem que ser uma eh questão pedagógica na minha relação com esses sujeitos e com o conhecimento quanto melhor essa relação eu construir com sujeitos a sujeitas melhora a forma de socializar o conhecimento melhora a apreensão e a formação desses sujeitos e dessas sujeitas entendem o que eu tô chamando atenção então isso na escola uma tensão que vai que tem encaminhado na escola também uma
outra característica é que Ainda muitas vezes quando nós temos as questões raciais a orando H há uma leitura na escola que de um apelo emocional chama psicóloga chama a orientação chama não sei o quê a culpa da família ai é porque uma família desestruturada a é porque não tem o pai é porque vive com a avó que vive com a tia não estou falando que essas questões não entrem Mas as nossas crianças negras são mais do que isso elas são sujeitas e sujeitos vivos potenciais com potenciais As os adolescentes os J jovens os adultos também
são muito mais do que isso não a escola ela tem que compreender essas dimensões todas para atuar mas ela não pode se prender a uma questão dessa para se relacionar com o adolescente com jovem com adulto porque senão a gente rotula essa aqui é a menina que tem problema na família é negra é pobre vem da favela etc etc essa aqui a menininha que a família é papai mamãe filhinho família nuclear Ah é mais Estruturada etc numa educação antirracista tudo isso entra por quê Porque a gente sabe pelos próprios dados que a população negra está
em maior situação de vulnerabilidade negros e negras são mais educados por mulheres e mulheres solo do que o segmento Branco étnico racial de classe média e isso eu não estou falando a nenhuma são as pesquisas que vão nos mostrando tudo isso tem a ver com a escola e a forma como ela olha como ela Lida uma outra dimensão também da escola que diz respeito a a essas questões e que tá misturada com a questão étnico racial muitas vezes é a famosa dificuldade de aprendizagem se a gente já tem uma leitura hoje Que Avança da dificuldade
de aprendizagem do passado quando eu estudei ainda preciso avançar mais pra gente entender se aquela criança adolescente jovem que nós rotulamos que ah tem uma dificuldade de aprendizagem etc etc isso não cola muito Mais na criança negra do que na criança Branca muitas vezes em função de uma série de condições que essas crianças vivem mas que não estão inatas nessas crianças e fazer desabrochar as crianças é algo que é da educação fazer desabrochar o humano é algo da dimensão lúdica da arte gente então a arte eu acho que ela tem um potencial enorme para trabalhar
essas dimensões da diversidade e para nos ajudar a construir práticas antirracistas mas Como diz o próprio título da palestra é preciso que educadoras e educadores aprendam mais compreendam mais as dimensões do antirracismo porque a competência artística já se tem a questão é que a competência artística tem que est somada com uma competência política da relação humana e com uma competência antirracista me entende por isso essas questões são importantes que a gente aprenda pelo menos no campo das Artes e aí eu vou caminhando eu quero Chamar a atenção para vocês de que muitas das questões que
eu coloco aqui que vem de Pesquisas etc Elas não chegaram pelas pesquisas para nós elas chegaram pela dinâmica social para nós e elas chegaram por meio de uma atuação política insistente militante do movimento negro como eu falei inicialmente e esse movimento tem em todas as áreas no político mais específico no político partidário no cultural nas artes no religioso em todas Essas dimensões da vida nós temos organizações negras atuando algumas em nível Nacional outras em nível local Mas o que eu quero chamar atenção aqui é de uma dimensão que eu trabalho num dos meus livros que
é a dimensão educativa desse movimento social e eu chamo atenção então que o movimento negro ele é um educador porque muitas pessoas que estão sentadas aqui na minha frente que fala assim Olha isso que a anima falou eu já ouvi mas não é um ativista não é Alguém militante etc Ah isso que aa falou eu não sei se eu li ou se de onde a gente tinha um tem um ator político que era que nem é que nem um farol mostrando que essa realidade de desigualdade racial e de racismo precisa ser compreendida e precisa de
ter estratégias para ser superada para que a gente alcance a sociedade democrática que todos todas e todos queremos e esse movimento então ele tem uma característica que é ser educador e o Que que é ser educ ador é porque ele educa a sociedade ele educa o estado e reeduca a nossa sociedade e quando o movimento faz isso ele educa e reeduca a si mesmo e aí ele fica mais Maduro e constrói outras estratégias de luta antirracista Então nesse sentido hoje o que que nós vamos ter política de cotas política de ações afirmativas a questão do
livro didático as imagens estereotipadas eh nos livros na literatura toda essa discussão que nós Fazemos hoje pedagogicamente Teoricamente politicamente quando nós olhamos o nosso passado nós vamos lá na frente negra brasileira na década de 30 em São Paulo e aqui também em Recife nós vamos lá no Teatro Experimental do Negro nós vamos lá nas Comunidades Quilombolas para hoje nós temos diretrizes paraa educação escolar quilombola e pra questão quilombola ter sido colocada como mais uma questão da educação tudo isso tem a Ver com o processos políticos e pedagógicos por isso quando eu falo muito para educadores
e educadoras eu sempre falo qual é o diálogo que se tem com a comunidade do Entorno Qual o diálogo que se tem com os grupos culturais do Entorno Qual o diálogo que se tem com os grupos políticos do Entorno esses diálogos eles são necessários para aprendizado mútuo lembra porque esse movimento ele educa e reeduca a sociedade os outros e educa e Reeduca a si mesmo então essa é uma outra dimensão que eu quero trazer bom E aí eh finalizando eu quero chamar a atenção de alguns desafios que nós estamos então vivendo nesse momento que é
bom que saibamos e compreendamos vamos lá pros desafios primeiro desafio que a gente tem retomar a nossa democracia e reconstruir a nossa democracia Gente esse é o desafio que tá colocado pro Brasil todo não somente paraas pessoas Negras não somente paraa questão racial retomar a nossa democracia a aperfeiçoar a nossa democracia trazer as políticas antirracistas de novo pro centro da educação como políticas educacionais como políticas de Cultura como políticas de arte Esse é o primeiro ponto o outro desafio que nós temos é compreender o que a mesa anterior tava falando que todos constróem saberes conhecimentos
que a ciência isso vários autores já têm falado né a da teoria crítica A ciência É uma forma de conhecimento então na escola na sala de aula nas oficinas etc quando eu tenho coletivos diversos eu tenho que entender que ali brotam constroem são construídos saberes conhecimentos que muitas vezes eu não tenho em função do meu pertencimento ético em função da da classe socioeconômica que eu que eu pertenço do gênero que eu tenho em função dos lugares que eu circulo de onde Eu me formei então eu tenho que est disposto e Disposto também a aprender aprender
com aqueles conhecimentos e mais considerar que esses outros aprendizados que vem dessas outras pessoas são legítimos Ok então não basta eu falar ai o campo tem conhecimento o indígena tem conhecimento mas são legítimos eu os considero conhecimento ou eu falo é paralelo aquilo que eu tenho que ensinar como professora é paralelo a história paralelo vem aqui para enfeitar para dar Uma enfeitada não se é como que a gente coloca no mesmo patamar is eu deixo como questão para nós outro desafio que nós temos é o desafio da descolonização dos currículos né Gente esse aí eu
não preciso falar que a mesa anterior falou muito sobre a dimensão da descolonização dos currículos a outra que tem a ver com o desempenho superar essa ideia que o desempenho é só o que diz respeito às pessoas entender que as pessoas como um todo e que eu tenho que ter um Ambiente para que esse desempenho aconteça é a gente superar a lógica meritocrática e entender que todos somos sujeitos de conhecimento eu não fico valendo mais do que o outro eh a lógica meritocrática ela nos leva a por exemplo uma pessoa que foi sujeita de uma
ação afirmativa virar e falar assim não essa política não tem nada a ver eu entrei porque ela existia porque eu consegui pelos meus méritos eu não tô dizendo que todas nós aqui não lutamos e não temos Mérito das nossas lutas temos sim mas a educação não pode se pautar nesse tipo de lógica eu tenho que compreender que enquanto humanos todos e todas T mérito as pessoas vão lutar cada um da sua forma porque existem condições da vida que possibilitam que uns cheguem mais outros não cheguem e outros nem saiam daquele lugar não são questões inatas
nós vivemos em sociedade gente as desigualdades estão na sociedade o Racismo tá na sociedade Então desmistificar essa ideia e e estimular para que cada um explore o seu potencial entendeu explore aquilo que tem Acredite em si mesma Acredite em si por isso precisamos de referências afirmativas e positivas precisamos de ter negras no Congresso precisamos de ter negros eh nas empresas termos negros nas escolas temos mulheres temos indígenas para que essas novas gerações da daqueles grupos étnicos e de outros Olhem e fala Sociedade é isso eu posso também e eu tenho uma sociedade uma uma escola
uma sociedade que me impulsiona também a ter direitos ou seja gente nós temos que superar a ideia do mérito para entender a ideia do direito direito direito à educação direito a ser tratado com dignidade direito a tecer o cabelo direito a ter sua cor de pele direito a viver a sua deficiência o seu lugar de onde você vem isso é algo que a gente precisa aprender e também eh a outra Coisa é entender que esse antirracismo ele tem que ser então uma competência política e pedagógica a ser construída diariamente eu posso ter phd Mas eu
ainda vou ter que continuar construindo porque foram muitos anos de estrutura eh do racismo sem ser mexida E aí nós vamos precisar de muitos anos para mexer com isso então não é uma coisa simples e finalizando eu diria que a educação que nega e que discrimina a diversidade não educa a educação que Nega e discrimina a diversidade étnico racial ela não educa ela deseducativas submissas e a educação democrática laica justa com qualidade social eh socialmente referenciada antirracista antimachista anti lgbtq mais fóbica que eu almejo e que muitas outras pessoas eu sei almejam ela tem que
ser uma educação que constrói subjetividades inconformistas com toda e qualquer forma de injustiça com toda e qualquer forma De desigualdade com todo e qualquer forma de preconceito Essa é a escola e a sociedade que nós lutamos por ela não é utopia Mas cada dia se isso se tornar uma dimensão da minha ação humana na sociedade da minha ação profissional nós teremos uma sociedade melhor do que essa que nós vivemos hoje para quem Para nós mesmos paraos nossos filhos e filhas para quem os tem pros netos para para quem virá e indo na contramão de um
mercado de um capitalismo que sempre Tenta nos retirar também desse lugar da humanidade eu quero finalizar passando para vocês agora algumas imagens e eu vou pedir para passar muito rapidamente porque eu sei do horário mas eu não poderia iia sair daqui sem passar para você sem concretizar imageticamente tudo isso que eu tô falando quando eu falo que tem um processo histórico quando eu falo que nós aqui nesse espaço sentado nessas cadeiras somos fruto de muitas pessoas Que lutaram que ainda lutam por nós e mais numa perspectiva antiracista cada um sentado nessas cadeiras aí também são
lutadoras e lutadores que senão não estariam aqui a essa hora ouvindo essa fala discutindo o que vocês discutem atuando então nós temos que nos irmanar para essas lutas que são lutas promissoras de quê De um outro tipo de presente de um outro tipo de futuro quem que vai passar para mim o nome seu Nome é que essa mesma Bruno pode passar como é que é Ah tem alguém passando do lado de lá ah você que tá Tá bom então vamos passar para mim por favor você vai passar para mim pode ir eu acho que pera
aí deixa eu ver se eu consigo é rápido É aqui né só um minuto aqui BR Gente aqui eu tô só mostrando para vocês que ao longo da nossa história nós temos a construção de um pensamento negro sobre a realidade brasileira e algo que o racismo sempre tentou fazer que é nos tirar do lugar da intelectualidade do pensamento e da ação nós temos n exemplos para mostrar o como como isso é falácia Então aí tem a frente a frente não a imprensa Negra especialmente Paulista mas eu sei de uma professora eu acho que adalete aqui
de Pernambuco que Fez também sobre a imprensa Negra aqui em Pernambuco aqui é a frente negra brasileira né na década de 30 ela era Nacional mas a mais forte foi em São Paulo que lutava contra o racismo também na sociedade e lá no embaixo vocês podem ver uma escola porque todas as organizações negras sempre tiveram olhar paraa educação sabendo da potência que é a educação vou passar rápido não vou me me aterra todas elas para quem é do campo das Artes que devem conhecer o Teatro Experimental do Negro abidias Nascimento e do que foi a
presença de abidias e a atuação de todos e todas que com ele atuaram no teatro exp mental do negro se tivesse tempo eu contava como é que isso tudo surgiu o teatro também mantinha o jornal o quilombo então a produção escrita sempre fez parte da ação dos movimentos sociais do movimento negro que desmistifica uma ideia de que todos negros e negras do passado eram analfabetos né gente Eh aqui eu tô só chamando atenção desse evento aqui que foi aqu criação do que hoje é o movimento negro Unificado memnu que foi um ato ainda na época
da ditadura contra o racismo nas escadarias do Teatro Municipal e São Paulo época da ditadura militar a luta contra o racismo também acontecia e muitas vezes os nossos livros de história encobrem essa atuação do movimento negro na luta contra a ditadura e contra o racismo aqui é uma produção teórica que Nós temos dos ativistas e das ativistas ou seja não é só uma produção teórica da academia mas todos os ativistas e as ativistas do passado e do presente produzem conhecimento e hoje mais ainda aqui é só para vocês terem uma noção de quando surgiu o
20 de novembro lá em Porto Alegre a ideia vem de lá desse grupo que muitas vezes as pessoas não conhecem que era um grupo formado por negros e negras e que chamado grupo Palmares que se reuniu para pensar forma De desmistificar a ideia romântica do do 13 de Maio e trazer à tona a ideia de luta política que a Palmares tem então hoje quando nós temos na própria LDB o artigo 79b falando que o dia da consciência negra tá no calendário saibam que tem uma história por trás disso e é bom saber qual é essa
história aqui a gente também tem hoje na Constituição não é isso eh Capítulo 42 inciso 5 racismo é crime inafiançável imprescritível olha lá se a gente não Tivesse pessoas negras dentro da luta da constituinte nós não teríamos esse artigo nem tampouco o artigo 68 das Exposições transitórias sobre a questão dos quilombos aí a nossa Benedita da Silva olha novinha Paim para quem conhece o senador Paim olha quanto tempo esse povo tá na estrada gente lutando para que hoje a gente temha uma lei 12.711 cotas nas universidades é uma luta muito antiga nossos alunos merecem saber
isso não merecem nós merecemos Saber disso não merecem isso é humanidade isso é o antirracismo sabe vamos lá aqui A grande marcha Zumbi dos Palmares também responsável por muito do que se tem hoje sobre ações afirmativas lá naquela época o Fernando Henrique Cardoso recebeu da do grupo da Comissão da Marcha uma declaração um documento e ações afirmativas já estava lá colocado Isso foi em 95 se vocês olharem com bastante atenção debaixo daquela bandeirinha vermelha ali do PT olha com Bastante atenção eu tô lá com uma bandeirinha Ó mas tava mesmo viu novinha magrinha uma coisa
um Tuzinho que eu era bom aqui é um dia que nós hoje falamos muito que é o dia da mulher negra Latina Americana e caribenha 25 de julho uma luta das mulheres negras latino-americanas para que o movimento de mulheres negras feministas latino-americana entendesse a especialidade das mulheres negras porque o sofrimento é maior e a presidenta Dilma então Eh em 2014 sancionou uma lei e muitas vezes a gente não sabe disso que no Brasil o dia 25 de julho é o dia de Teresa de Benguela que foi uma líder do Quilombo quaritere no Mato Grosso no
século 18 ela tem uma história fantástica nossos estudantes merecem saber essa história não merece Nós também merecemos Então tá aí educação antirracista e aí algumas organizações em nível Nacional eu peguei só algumas delas O mnu que é um ícone o cenarab que Trabalha em prol da eh da questão religiosa contra violência religiosa a kac que é uma das eh eh protagonistas dos direitos dos Quilombolas Hoje os agentes de pastorais negros que dentro da igreja católica faz fazem faam e fazem a discussão da raça dentro da própria Igreja Católica que tem uma dívida histórica lembra-se dos
Jesuítas quem é que chega aqui primeiro quem é que falava que ia catequisar os indígenas quem é que falava que os Negros e as negras não tinham alma tem aí uma questão do catolicismo eh com a questão racial no Brasil e aqui o nosso momento de intervenção eu não vou ler tudo mas eu tô colocando desde a conferência de Durban até hoje a recriação do ministério de igualdade racial E aí tem lei 1069 tem Estatuto da Igualdade racial tem lei de cotas tem eh diretrizes para quilombola E aí para vocês lembrarem do grande Marco internacional
que fez com que o Brasil Começasse então a discutir ações afirmativas foi Durban na África do Sul a conferência deu origem inclusive ao Brasil ser signatário e o Brasil Falou vou implementar ações afirmativas então tudo que vem depois de Durban tem a ver com a luta do movimento negro nacional e internacional e um reconhecimento do estado brasileiro em relação a essa luta e nós tivemos Então pelo menos três conferências de igualdade racial em nível nacional no Brasil antecedida por Estaduais e municipais E aí nós temos os anos 2000 as cotas e a presença da Juventude
foi muito forte nós temos hoje uma Associação Brasileira de pesquisadores negros e negras que tem uma revista que aceita eh artigos eh ali eu pus o site para vocês entrarem e conhecerem nossos jovens precisam saber disso precisam saber disso aqui nós temos a marcha das mulheres negras que nos unificou que indígenas negras quilombolas do campo etc se uniram nessa Marcha em 2015 para falar eh contra o racismo a violência e pela vida e aí nós temos grandes Desafios que eu vou passando rápido um dos nossos grandes desafios a luta contra o genocídio da Juventude negra
que preciso nem detalhar para vocês o tanto que essa é uma luta um grande desafio para nós e pro estado esses jovens negros estão conosco dentro das escolas e muitos deixam de vir porque morrem antes de completar o seu ciclo do direito à educação a luta Contra o racismo religioso que aumentou assustadoramente nos últimos tempos com muito fundamentalismo essa é uma luta que a gente tem que entender quando eu falo de antirracismo diz respeito também a uma postura não violenta em relação aos outros credos principalmente de matriz africana uma outra rec ento dos saberes da
Capoeira Eu acho que a capoeira gente Ela é maravilhosa pra gente fazer um estudo e trabalhar com adolescentes e jovens as várias Dimensões os vários aprendizados a questão da dignidade do respeito tudo isso além do Jogo de Cintura que você tem que ter na vida eu acho que ela é uma dimensão fantástica que podemos trabalhar o campo das Artes e todas as outras e o direito à corporeidade Negra insubmissa nós temos o direito de ser quem somos Se hoje eu chego na UFMG depois que eu voltei do de Brasília eu vi outra UFMG com a
imensa expansão das cotas eu vi dentro dos ônibus quando eu Entrava jovens de black power jovens Rastafari em sala de aula gente quando eu estudei na FMG em 88 eu não via eu era uma das poucas e vocês professoras e professores vem hoje em sala de aula quando não as mulheres negras passaram pela transição os homens negros aprenderam a aceitar os seus cabelos não só raspar a cabeça e as pessoas brancas também vão aprendendo que negros e negras têm o direito de ter uma corporeidade insem submissa como as Pessoas brancas sempre tiveram na sociedade e
nem sempre eram questionadas em relação à sua corporeidade E aí entender que nós temos hoje um movimento negro do Século XXI muito diverso muito diferente não se apeguem ao movimento negro da década de 70 porque muitas vezes as pessoas vão falar do movimento negro e falar de uma organização negra da década de 70 e do Sudeste do país a gente tem que conhecer a diversidade do movimento negro local nacional e eu acho Que isso nosso jovens também precisam aprender minhas referências de onde tirei as imagens e meu final para vocês com essa frase que eu
deixo de um provérbio africano as teias de aranha quando se juntam elas podem derrubar um leão a força tá conosco obrigada obrigada obrig obrigada obrigada assim vocês vão me fazer chorar Obrigada sejamos firmes e fortes obrigado uma manhã de sol belíssima uma conferência brilhante e dessa conferência brilhante eu faria duas pontuações não é eh a Nilma falou de um relatório da segurança brasileira em que de 2021 para 2022 as denúncias e registros de atos de racismo aumentaram em 67% então uma leitura Apressada poderia fazer a gente pensar que o racismo aumentou mas na verdade o
racismo continua sendo a mesma prática abjeta de sempre o que aumentou foi foi o empoderamento das pessoas a força de conseguir chegar para denunciar e eu acredito que esse é um movimento Irreversível para a qual a gente chama todas as pessoas né diante de um ato de racismo Seja pessoal seja institucional denuncie né Independente de que qual Consequência vai vir um uma outra pontuação que eu gostaria de fazer é que você colocou a importância das referências afirmativas e positivas então eu colocaria você como uma referência afirmativa e positiva na minha vida o nosso primeiro encontro
foi em 2008 [Música] e eu comprei esse livro sem perder a raiz da nilman não É outro livro pra criança que é Betina então num período de 15 anos eu pude concluir um mestrado concluir um doutorado fazer um concurso para Universidade Federal de Pernambuco e passar em primeiro lugar e você é uma referência muito importante e muito citada nas minhas pesquisas nas minhas aulas nos meus projetos de extensão não é então muito obrigada por isso uma outra referência muito importante na minha vida está ali De cor deosa Eliete Santiago a quem eu agradeço pela existência
e presença na minha vida e eh considerando a orientação da organização do seminário a gente abriria agora para que duas pessoas pudesse [Risadas] fazer duas pessoas pudessem fazer uma pergunta para Nilma não é ela responderia e passaria a fazer as considerações finais e a despedida dela Dia a todos todas e todas primeiro diz que é uma honra fazer parte desse momento né agradecer muito professora Nilma a professora Auxiliadora por toda essa eh eu queria ouvir a professora Nilma sobre uma questão que eu venho me debatendo há alguns anos né a gente hoje discute muito a
obrigatoriedade do ensino da história das histórias das áfricas e afro-brasileiras no ensino básico mas eu Venho percebendo nas pesquisas que eu tô fazendo que não que há uma questão óbvia aí não há como professoras e professores aplicarem na Educação Básica o que elas não têm na universidade Então eu acho que um ponto nodal dessa discussão é chamar as Universidades eh e professores e professoras a responsabilidade de que a universidade tem que dar esses conteúdos nas suas disciplinas né E isso respaldado por uma resolução que a Senhora bem conhece a resolução número um de 2004 do
Conselho Nacional de Educação porque as cotas estão aí as cotas TM 10 anos de para entrada de pessoas negras na universidade e essas pessoas ainda entram na universidade e se depar param com um racismo epistêmico um currículo completamente embranquecido Então eu queria ouvir a senhora um pouco sobre isso obrigado eh como é seu Nome Professor Como é seu nome Érico então Professor Érico obrigada pela sua questão essa é uma pergunta que ela é recorrente né nós que trabalhamos com a questão étnico-racial que é até quando a formação inicial de professoras e professores Continuará ainda tratando
de forma eh muito incipiente a discussão que tá prevista pela lei 10639 depois é aprofundada e institucionalizada pelas diretrizes do Conselho Nacional de Educação né então a gente tem um parecer e uma resolução com força de lei para que os sistemas de ensino de um modo geral das escolas públicas e privadas Eh desenvolvam esses estudos desenvolvam não somente os conteúdos mas uma série de outras ações além dos conteúdos seminários oficinas pesquisas intercâmbios internacionais né o texto ele é muito vasto em inclusive É bom lembrar aqui que se o texto curtinho do artigo 26 a e
o 79b não fala da Educação Infantil as diretrizes falam que essa esse conteúdo da LDB que é a lei 10639 vale para toda a educação básica Ok então muitas vezes as pessoas falam ah educação infantil Não precisa não gente você tem que ler a lei junto com as diretrizes que são parecer e resolução que há regula E isso tem a ver com todas as outras legislações não é só com essa então Eh na resolução o artigo primeiro dela da resolução 01 de 2004 ele é explícito ele fala que não só para as Licenciaturas não é
isso Érico ele fala que essa discussão tem que tá nos currículos de um modo geral então é bacharelado e licenciatura Então vamos pensar na licenciatura eu acho gente assim Eu Tenho pensado refletido tanto pra Educação Básica quanto pro ensino superior que quando nós fazemos toda uma discussão das mais diversas formas Como o racismo na sociedade se seia como ele se infiltra na estrutura da nossa sociedade nós falamos sobre o Racismo institucional não falamos ou seja quando a gente adjetiva o racismo é estrutural é institucional é epistêmico é não sei o quê nós estamos adjetivando numa
numa tentativa de uma compreensão didática e numa tentativa de aprofundamento para entender a complexidade desse fenômeno perverso Ok mas não são vários racismos é um fenômeno perverso que tem tentáculos não é isso e na hora que nós falamos que existe um racismo que está nas Instituições tem hora que nós não compreendemos a profundidade do que que falar do que quer falar que o racismo tá numa instituição e as escolas são instituições a família é uma instituição a universidade também é uma instituição então eu diria para você éco que ultimamente eu tenho entendido que o que
tem impedido dessa resolução do parecer e da discussão pegar da forma como deveria é a presença do racismo institucional e quando a gente tem que Lidar com isso é muito sério porque é é mais tranquilo entre aspas muitas vezes eu falar assim ah o racismo institucional tá lá né Não eu tô na universidade fala ele tá lá tá lá na família tá lá no mercado de trabalho tá lá mas fala que tá na escola básica que tá na universidade eu estou falando de mim mesma e de todos nós que estamos trabalhando com a formação seja
dos licenciados seja dos bacharelados e isso significa assim que a bom a gente já tem Avanço por ex aqui em Pernambuco a gente tem professor que se formou para atuar nessa área da lei Mas nós temos isso de forma super incipiente que caminha no Brasil que caminha junto com a lei 12990 cotas nos concursos públicos que seria uma das formas também de você ter mais professores negros e negras e mais pessoas com competência para trabalhar com esses conteúdos porque os concursos poderiam também ser direcionados nessa forma Então o que eu tenho entendido Érico é que
a gente vai precisar destrinchar mais o que que é a forma como esse racismo institucional opera negando ou colocando impedimentos para que essa discussão esteja na formação inicial de professores e professoras e esse é um debate muito profundo por quê Porque quando a gente chega no currículo seja o da Educação Básica Mas vamos pensar que o ensino superior a gente tem uma briga e uma disputa disciplinar muito forte para entrar uma disciplina Ou tem que ampliar O Rol eu tenho que tirar alguma você já viram aquela disciplina assim 1 2 3 4 que a gente
fala se eu resumo ponho duas aí você vai 1 2 3 4 Todos nós temos argumento para falar que elas tem que ter 1 2 3 4 mas muitas vezes isso é o antirracismo quando você fala assim olha as cotas fazem isso para entrar eu tenho que mexer no que tá estabelecido quem é que abre mão daquilo que tá estabelecido então na universidade nós temos uma Tensão de fundo aí que se junta com uma outra questão que é a disputa no lugar do conhecimento e essa disputa no lugar do conhecimento ela bate na nossa formação
como professoras e professores do ensino superior que é uma vaidade de que cada um é mais especialista do que o especialista na sua área não é assim então isso na hora que a gente senta eu fui coordenadora de colegiado para você falar gente olha só nós estamos fazendo Uma reforma nesse currículo esse currículo Tem que atender Tais e tais e Tais Tais e também Tem que atender a 10.600 tem no as diretrizes etc etc aí nós vamos encontrar um monte de falas que vão atestar a presença do racismo assim como foi no início das cotas
várias professoras professores e reitores hoje falam que naquela época quando se falava Olha tem uma lei federal que a gente tem que implementar agora cotas aqui tem uma lei estadual Que tem que implementar cotas que a quantidade de opiniões racistas que Emer surgiam naquele espaço acadêmico de pessoas com altas altos conhecimentos eh eu a niceia Freire Nossa falecida reitora da uerg ela falava isso ela eu fui convencida de implementar as cotas por causa das falas racistas dos meus colegas da Medicina quando eu era reitora e ela era médica Então eu acho que a gente vai
ter que tocar sabe Érico nessas estruturas para que a gente Consiga então que se compreenda que não é uma concessão fazer a discussão e inserir o conteúdo mas ele é parte da nossa formação é epistemologia é produção de conhecimento e você tem que ter os sujeitos dessa produção de conhecimento também dentro desses espaços não somente como os destinatários dessa desse ensino como os estudantes as estudantes Mas também como docentes né em diferentes áreas os mais diversos Patamares Se na educação nós temos todas essas dimensões vamos para as engenharias vamos para Odonto vamos paraa arquitetura também
lá a discussão deveria est acontecendo Então por exemplo eu me lembro que uma vez abriu-se um concurso eu não vou me lembrar direito de onde é mas quem é arquiteto talvez saiba e tinha alguma coisa a ver com a o campo da arquitetura e a apresentação de prop Cas para quilombolas e ninguém conseguiu apresentar uma proposta porque não se conhece não se sabe tá vendo por isso o ensino de história Cultura brasileira africana tem que ser para todo mundo Imagina os médicos e as médicas que se formam pode ter médicos que é de maioria branca
elitizada que só passou a ficar mais diverso por causa das cotas das leis de cotas para negros indígenas pessoas com Deficiência estudantes de escola pública e uma situação de alguém que nasceu numa num posto de então por isso a discussão tem que tá lá na medicina é por isso que tem que tá lá e e Imagina eu que sou uma historiadora e que nunca estudei África que não sei nem quantos países tem e tem uma ideia de África como continente da pobreza que não ser as lutas pela libertação O que foi o colonialismo inglês Holandês
português Nesse continente e eu sou versada em história de tantas outras questões por isso tem que tá na história não é isso então eu acho que é isso que eu diria para você que a nossa luta agora a gente quando vai passando o tempo nós vamos construindo focos de luta eu acho que esse agora tem que ser o nosso grande foco de luta no ensino superior é a concretização da permanência dos estudantes da ações afirmativas é a concretização da Lei 12.990 cotas nos concursos públicos e é a concretização de uma mudança curricular epistemológica no ensino
superior brasileiro para cumprir o que a lei 1639 o parecer e a resolução dizem é isso muito obrigada gente é um prazer est aqui com vocês obrigada mais uma vez a a o FP ao Sesc e dizer ainda complementando Érico que é isso que a gente já tá fazendo que eu tenho certeza que você é uma dessas pessoas que faz e Outras aqui estão fazendo mas isso tem que sair dessa localização de que é só eu que sinto e que vivo é que faço ser antiracista para todo mundo por isso é importante a pergunta que
tá colocada na na aula aí professora na conferência de hoje que é o que precisamos aprender sobre tem muita coisa mais a aprender Obrigada professora Com licença Professor Cláudio Rocha aqui arte educador cria dessa casa aqui primeiramente pedindo licença a nossa Ancestralidade ou Meu Orixá Meu Pai Xangô os meus ancestrais para pontuar aqui com a senhora obrigado gente pelo para pontuar com a senhora aqui da pertinência da sua presença da sua fala do seu convite pra gente entender da Necessidade dessa educação antiracista na escola hoje eu tenho 49 anos e completo 28 de convivência com
os sintomas de uma depressão que foi que foi produzida digamos assim pela falta de educação racista antiracista na Escola eu estudei na Escola Municipal meno no bairro do Pino uma escola mantida pela prefeitura de Natal eu estudei na Escola Sargento Camargo na praia de Boa Viagem mantida pelo governo do estado eu estudei no Colégio Contato um colégio particular onde um dos netos ou bisnetos do dono das Casas Pernambucanas da família Lund era meu colega de sala minha mãe vendia jornal e revista e teve um uma uma condição de me bancar uma escola particular para que
eu Um dia entrasse na Escola Técnica Federal aqui atrás dessa con E lá eu também estudei e aprendi até consertar turbinas de avião me formando como mecânico e depois eu vim para aqui me formar como arte educador e nenhuma dessas escolas me colocou diante do espelho nenhuma delas me disse que eu era Negra e por esse motivo aos 21 anos de idade uma instituição militar me ensinou que eu era negro eu fui sequestrado Torturado quase morto por oitos policiais militares do Estado de Pernambuco porque eu estava no carnaval na segunda edição do Recife olia com
um copo de Whisky na mão 21 anos de idade adulto o meu whisky que eu comprei esperando passar um trio elétrico ao lado de um amigo branco e o policial me abordou e disse que eu não poderia beber whisky ali e como eu me neguei a entregar o copo eles me sequestraram me torturaram e quase me mataram foram oito Homens que me bateram foram 4 horas eu consegui me livrar e quando eu cheguei em casa eu chorei quando olhei pro espelho e aos 21 anos de idade eu vi que eu era negro e como educador
que mais me doeu que mais me fez chorar foi que nenhuma Escola Municipal Estadual Federal nem Universidade teve a dignidade de me ensinar sobre isso e em razão disso eu adoeci luto pela vida todo santo dia a lembrança é horrível mas a vontade de Vencer e ensinar para os meus alunos que eles são negros e que eles têm dignidade por isso é muito maior e a sua presença professora me faz sentir uma vontade muito maior ainda de continuar lutando muito [Aplausos] obrigado Professor Qual o seu nome mesmo Cláudio olha Professor Cláudio eu agradeço pelo seu
depoimento pela sua coragem de se levantar e dar esse Depoimento eu tenho certeza que seus alunos eles têm uma referência hoje muito positiva e aquilo que não fizeram que não proporcionaram ao Senhor na sua trajetória escolar hoje o senhor proporciona aos seus estudantes para que eles e elas saibam não só do seu pertencimento mas saibam do seu direito a ser quem são eu acho que é isso a gente trabalhar o direito a ser quem se é e me lembrou sabe Professor Cláudio o o uma vez quando me perguntaram eh logo Quando teve aquela situação de
2016 que eu tava extremamente arrasada eh Me perguntaram assim como fazer agora professora Tá o que que a senhora vai fazer agora e tudo são dois dois depoimentos também que eu posso dar para também continuar te dando força eh o primeiro foi minha mãe quem sabe eu sou uma filha apaixonada pela mãe sabe gente minha mãe tem 93 anos eu sempre falo dela ela é uma grande referência para Mim ela chama Glória uma hoje na hora que eu saí eu sempre ela ela gosta de redes sociais ela tem Instagram sabe ela tem WhatsApp o Instagram
Glória ali no 90 se vocês quiserem entrar ela grava as coisas toda midiática Então eu mandei para Olha mãe tô indo pra conferência e tudo ela só mandou uma figurinha Aí eu escrevi para ela assim u mas ISO que aconteceu porque ela sempre grava a bênção né Eu queria que ela gravasse a bênção aí ela gravou e gravou aquela Bênção maravilhosa que eu nunca pago todas as bênçãos que ela fala para mim quando eu viajo e eu tava chorando eh depois do golpe E aí minha mãe liguei para ela arrasada e ela virou para mim
e falou assim eh Nilma levanta a cabeça enxuga essas lágrimas porque resistência e luta é sinônimo do seu nome você ouve isso da sua mãe não é forte isso não é muito forte e eu me lembro que foi uma coisa tão sabe da que eu tinha uma fala em no Pará e falei com a Presidenta Dilma presidenta eu eu tenho que fazer essa fala porque eu sabia que tava todo mundo muito arrasado assim como eu e eu fui lá e dei esse depoimento até hoje eu encontro pessoas que falam comigo que que fortaleceram naquele momento
foi o relato que eu dei sobre a minha mãe então o seu relato certamente fortaleceu muita gente aqui e o outro é que eh uma vez me perguntaram por que que eh eu não desistia dessa luta não sei o que não sei o que mais e Tal e eu me lembrei o seguinte a sua situação Professor Cláudio essa situação se um jovem negro que é torturado que é sequestrado etc pelas forças de segurança ela é um exemplo do que que é a dimensão estrutural do racismo que nós começamos a falar aqui porque se você reportar
quase 500 anos atrás nossos ancestrais africanos e africanas E aí eu tô falando ancestrais de todos nós Ok negros e brancos porque a ciência já comprovou que África é o berço da Humanidade então ancestrais de todos nós e mais ainda de nós que nos reconhecemos como negros e negras que é essa descendência mais forte mais linear com esse continente então eu eu me reporto a como que os nossos ancestrais foram retirados daquela Terra trazidos à força sequestrados Olha só açoitados não é isso numa tentativa de roubar sua identidade cabelos raspados corpo nu e quem já
viu Eh Desenhos do Navio Negreiro a primeira vez que eu vi foi na grande foi na amostra do redescobrimento lá no Masp em São Paulo fizeram um mural desse tamanho e aí eu tive a dimensão do que que era um navio negreiro das pessoas assim quem tava lá nossos ancestrais N E aí quando chegaram aqui resistiram lutaram para que a gente estivesse aqui hoje falando sobre isso é um Pap parte da sua história professor é isso então o levantar e tá aqui se tornar um arte Educador significa que o senhor tá dando continuidade a essa
missão a essa herança ancestral Então se orgulhe de si se orgulho desse passado se orgulho de sua força porque não está sozinho nós estamos juntos obrigada nós estamos concluindo a conferência o que professores arte educadores e Arte educadoras precisam saber sobre educação antiracista agradecendo imensamente a oportunidade de estar nesse encontro com A professora D nilm Lino Gomes agradecendo ao professor Éverson Melquíades que pensou e possibilitou a nossa presenç E agradecendo infinitamente o fato de depois do meio-dia horário de fome nós termos tantas pessoas Na audiência não é e lembrar que o mês de julho é
mês de férias dos professores e professoras e ao invés de vocês estarem na praia ao Invés de estar em Porto de Galinhas ao invés de estar no Instituto Ricardo brenan ou na casa da cultura vocês estão aqui porque querem construir conhecimentos No que diz respeito a uma educação das relações én raciais Então parabéns para todos vocês e todas vocês que são incrveis muito obrigada Bom apetite Nós também agradecemos as professoras Nilma e Auxiliadora por esse encerramento Espetacular que nós tivemos agora no Nosso congresso essa despedida linda muito obrigada todos os aos são merecidos queria dar
aqui algum alguns avisos hoje nós vamos ter o encerramento do congresso aqui a partir das 17 horas na concha acústica quando também nós vamos dizer já os homenageados do Pró da próxima edição de 2025 então para conhecer os