a Argentina se tornou um paraíso para os brasileiros que estão escolhendo próximo destino para uma viagem fora do país Afinal é lá um dos poucos locais onde o poder de compra do Real aumenta ao invés de diminuir brasileiro que vem para Argentina tá vivendo vida de rei eu tô aqui há quatro dias eu estou impressionado quanto as coisas estão baratas e atualmente um real igual a 64 pesos no câmbio Paraná por isso tá muito barato viajar pra gente em Julho de 2022 um real chegava a equivaler até 56 pesos para você ter ideia em alguns
mercados de Buenos Aires era possível encontrar molho de tomate por r$ 1 macarrão por quase dois e até vinho cerca de r$ 6 dá para imaginar enquanto Aos olhos do turistas brasileiros tudo parece ser uma maravilha para quem ficou lá as coisas podem não ser tão boas assim um sistema econômico em colapso uma política com dificuldades parte da população da pobreza uma moeda completamente desvalorizada e um país que nem sempre viveu assim Afinal porque a Argentina está em crise país campeão do mundo em 2022 enfrentou um grave e colapso econômico com a taxa de inflação
anual ultrapassando 100% em fevereiro de 2023 uma marca de 3 dígitos que Os argentinos não viam desde 1991 E que nos leva a perceber que essa crise não começou agora não tem tanto tempo assim que o clima na Argentina era completamente diferente 1870 mais ou menos por aí que é quando começa período de Glória Então você tem mais ou menos 60 anos assim em que o país tinha acima de tudo né esse era o ponto chave o desempenho econômico muito bom a economia Argentina crescia muito e o país ficou muito muito rico no início do
século 20 o país ganhava destaque na economia e via seu nome ganhar visibilidade em todo mundo uma pesquisa divulgada pela Universidade em 1906 o PIB per capita do país ela é de 6.027 fazendo com que Os argentinos fossem nessa época Ainda mais ricos que os franceses e aos alemães com isso a economia Argentina representava cerca de 50% de todo o produto interno bruto da América Latina e figurava entre os países mais ricos do mundo a cidade de Buenos Aires era conhecida como a parede da América do Sul para você ter ideia lá na Europa existia
até um ditado popular francês que definia alguém muito rico como Hit comendo Argentina Isto é rico como na Argentina isso era tão notável que dicionário enciclopédico publicado em Barcelona em 1909 concluiu o verbete Argentina com a afirmação de que tudo indica que a República Argentina rivalizará um dia com os Estados Unidos tanto pela riqueza e extensão do seu solo como pela atividade de seus habitantes assim como hoje naquele tempo a base da economia Argentina era predominantemente agrária país era conhecido como um dos principais produtores e exportadores de produtos agrícolas como carne bovina trigo e lã
a maioria das atividades industriais estava concentrada nas cidades como Buenos Aires e Rosário e estava relacionado ao proce de produtos agrícolas como banhos de trigo e frigoríficos mas de acordo com o estudo publicado por pesquisadores de Harvard chamado o paradoxo argentino desde Essa época Próspera se podia enxergar as raízes dos problemas econômicos e sociais que vemos hoje em Maio de 1910 no editorial do Jornal A prensa poucos dias antes da comemoração do centenário da revolução de Maio já se falava da instabilidade no país como um país com tanta sorte Poderia falhar e é aí que
as coisas começam a ficar mais complexas a política agrícola dos Hermanos que sustentava a economia seria um caminho bem diferente de outros países como os Estados Unidos Por exemplo enquanto os norte-americanos adotavam um homestead em 1862 distribuindo terras para colonos que se estabelecessem oeste americano e desenvolvendo diversas atividades paralelas Os argentinos optaram por um modelo centralizador vendendo terras para poucos produtores o modelo agrícola do país acabou incentivando baixa produtividade criando uma estrutura social bastante desigual as empresas de Buenos Aires possuem cerca de 75% menos recursos financeiros por trabalhador em comparação com as empresas na bolsa
de Chicago a maior bolsa agrícola do mundo essa discrepância indica que a produção dessas empresas dependia principalmente da expansão de terra em um modelo extensivo e com baixa absorção tecnológica a medida em que as inovações avançaram globalmente e novas terras se tornaram cultivadas a Argentina perdeu sua vantagem comparativa entre 1930 e 2005 o preço da lan caiu até 75% enquanto o preço do Trigo uma parte importante das exportações do país até hoje diminuiu 85% desde 19176 por um intenso processo de desindustrialização o que isso significa que cada vez mais a indústria participa contribui menos com
da riqueza nacional do produto interno bruto mas hoje a Argentina continua sendo e mais do que foi Em décadas anteriores um país profundamente dependente das suas exportações de produtos primários a frase uma estrutura produtiva do setor agrícola na época pode explicar os números que vimos anos depois no país como maior exportador e o terceiro maior produtor de derivados de soja no mundo de 2023 segundo estimativas do Banco Mundial o setor agrícola contribui com 7,1% do produto interno bruto da Argentina porém emprega apenas 0,1% da população mas lá atrás os tempos ainda eram de glória só
que algo já parecia instável e daqui para frente a história dos argentinos sofreria algumas mudanças em 1930 o país passou pelo seu primeiro Golpe Militar no século 20 o golpe foi liderado pela General Félix nacionalista com simpatias e interrompeu a estabilidade política do país que fazia a democracia Argentina um exemplo desde 1880 apesar de ter durado apenas dois anos esse evento marcou um ponto de inflexão na história do país abrindo o caminho para o período conhecido como década em fami caracterizado por eleições feudoles corrupção generalizada nepotismo e repressão militar e policial incluindo o uso frequente
de tortura que tornaria uma prática recorrente nos anos posteriores a partir daí a democracia estável da Argentina passou a enfrentar novos desafios em diferentes governos ideologias e estratégias que persistem na atualidade entre 1930 e 1983 a Argentina foi palco de uma série de eventos tumultuados marcados por seis golpes de estado dos quais cinco resultaram em ditaduras uma coisa interessante o Brasil por exemplo a gente teve poucos períodos autoritários longos a Argentina não ela tem muitos ela tem vários períodos governos autoritários que são muito Breves né eles isso mostra como é instável a politica né não
havia coesão suficiente entre os próprios grupos golpistas mas durante esse período levado quase que completamente pelos regimes ditatoriais o país também teve seus relances de democracia três anos após o início da ditadura militar de 43 as eleições colocaram Perón na presidência do país Aposto que você já ouviu esse nome por aí né em um regime ainda autoritário o líder argentino implementou direitos trabalhistas e aumentou as garantias sociais foi também durante o governo de Perón que ocorreram diversas nacionalizações e subsídios à indústria nacional com a riqueza acumulada pelas exportações para Europa um país investiu em expandiu
vários setores mas acho que já deu para perceber que nem tudo eram flores Vieram também os problemas como a espiral em funcionária e o aumento das pensões que chegaram a representar 29% da riqueza Total produzida pelo país levando mais uma vez que o problema da inflação não é algo novo para Os argentinos 20 anos depois em 1975 durante o governo desabilita Perón ocorreu o primeiro grande reajuste econômico da Argentina O Elo Rodrigo Neste período a inflação da Argentina atingiu níveis alarmantes com aumento de preços entre 500 e 800% déficit público era alto correspondendo a 12%
do PIB e a violência crescia com o assassinato político ocorrendo a cada cinco horas O Rodri gasto foi um terremoto econômico que abalou a Argentina iniciou um período de alta inflação chegando a ficar conhecido como a mãe de todas as crises estabelecendo pontos de contato inclusive com a crise mais recente com a desvalorização de 100%, um aumento vertiginoso de 175% no preço dos combustíveis e uma série de medidas austeras o pacote econômico prometia estabilizar a situação Mas em vez disso lançou a gente nem um redemoinho de inflação em apenas seis meses a inflação alcançou um
alarmante índice de 183% Deixando as famílias lutando para acompanhar os preços em constante disparada diante desse cenário o dólar se tornou Refúgio financeiro preferido da população em busca de estabilidade e proteção algo que persiste até os dias de hoje fato é que já naquele período a imagem da Argentina como um paraíso econômico da América do Sul desmoronava diante dos olhos do mundo a confiança dos investidores desapareceu a Classe Média sofreu duramente com a perda do poder de compra e a população enfrentou uma luta diária para sobreviver as consequências desse desastre Econômico durante a ditadura de
76 a Argentina enfrentaria ainda o aumento significativo de dívida externa e uma crescente da inflação deixando um legado persistente na economia do país nesse período ditatorial de 1976 até 1983 a dívida externa subiu de 8 bilhões de dólares para 45 Milhões de Dólares em apenas 17 anos além disso a pobreza disparou passando de 5% para 28% da população fenômeno que cresceu e atingiu em 2022 39,2% da população cerca de 18 milhões de pessoas a Argentina enfrentou ainda a necessidade de mudar sua moeda várias vezes passando por cinco diferentes denominações foi nos anos 90 que um
dos aspectos centrais da crise atual Argentina entrou em jogo a dolarização em 1991 o Ministro da Economia Domingos Carvalho implementou o plano de conversidade que estabelecia a paridade fixa entre o peso argentino e o dó fixando a taxa de câmbio um peso para um dono Além disso foi criado chrisport um sistema que garantia a conversibilidade e restrito entre as moedas no curto prazo o plano foi capaz de trazer uma queda significante na taxa de inflação trazendo maior confiança para moeda argentina no entanto no longo prazo a valorização parcial da economia criou novos problemas a fixação
da taxa de câmbio cria uma dependência do dólar como a reserva de tricô e meio de troll limitou a flexibilidade monetária cambial do país tornando difícil para o governo responder a choques econômicos externos e internos ou seja acabou tornando a economia Argentina mais vulnerável um ambiente externo e complicou ainda mais seu histórico quadro de instabilidade desde 2018 A Argentina está entre os países com a economia mais frágil do mundo de acordo com SP global ao lado de outros nomes como Egito Turquia Paquistão e catar o que que acontece basicamente o volume de moeda estrangeira que
entra no país pelas vias tradicionais do Comércio e investimentos externo etc ele não é suficiente para financiar as necessidades de importação do país isso faz com que seja muito difícil para o governo fazer política monetária enfrentar o problema da inflação nesse cenário diante de crises e da perda de confiança na moeda local Os argentinos tendem a buscar dólares e maneiras de proteger seus ativos em moedas estrangeiras criando outros dois problemas crônicos a escassez do dólar e a evasão de divisas assim em 2011 para enfrentar essas questões o governo de Cristina kidner iniciou medidas de restrições
ela acessa moeda estrangeira o resultado foi a formação de um mercado paralelo de câmbio onde Os argentinos agora recorrem ao mercado ilegal para obter dólares essa demanda combinada com a escassez da moeda resulta em uma pressão sobre o sistema financeiro e a economia Argentina como um todo o aumento do preço do dólar ao longo dos últimos anos na Argentina incentivou as indústrias a venderem mais seus produtos no exterior isso ocorre porque ao receber em pagamentos em dólares essas empresas conseguem obter mais vezes argentinos como resultado os preços aumentam internamente porque embora a demanda permaneça mesmo
a contração da oferta gera uma escassez de produtos disponíveis no mercado interno nacional no peso significa que se você for por exemplo hoje a Buenos Aires eu gostaria de comprar um apartamento aqui em Buenos Aires ótimo ninguém vai te vender um apartamento em pesos pessoas vão te vendem apartamento em dólares porque porque ninguém vai querer liquidar um patrimônio como um apartamento móvel numa moeda que eles não Confiam porque porque tem medo que a riqueza vai evaporar que o valor do dinheiro vai se perder muito rapidamente o dólar história de uma moeda argentina afirma que o
dólar se tornou um termômetro que reflete a situação econômica e política do país além de ser um instrumento de Economia segundo a luz a Argentina nunca consegue gerar a quantidade de Dólares necessária O que explica os controles cambiais problemática que daria espaço em março de 2023 para um cenário crítico as reservas internacionais líquidas eram de apenas 2,66 Bilhões de Dólares mas tem outro aspecto fundamental para entender essa crise e é o problema da dívida externa gente desde os séculos o país recorre a empréstimos internacionais para financiar seu desenvolvimento e cobrir déficits orçamentais no entanto essas
dívidas externas acabaram se tornando insustentáveis resultado disso foi que desde 1980 o país experimentou a suspensão de pagamentos da sua dívida externa em cinco ocasiões um recorde mundial de inadimplência para entender de verdade essa questão a gente precisa olhar a crise da dívida de 2001 quando o país declarou o maior default da história até aquele momento apesar da posterior renegociação esse episódio teve um impacto duradouro na capacidade do país de acessar os mercados internacionais de crédito complicando ainda mais o quadro da dívida externa cada vez menos agentes financeiros estavam dispostos a emprestar dinheiro para Argentina
ou investir no país até 2021 a gente era um dos grandes devedores do fundo monetário internacional FMI como a dívida de 44 Bilhões de Dólares a serem pagados E aí a coisa fica ainda mais complexa os empréstimos do FMI foram acompanhados de e políticas de ajuste econômico impostos ao país essas condições incluem metas fiscais reformas estruturais e medidas de austeridade fiscal no entanto a implementação dessas políticas foi desafiador e a Argentina enfrentou dificuldades em cumprir as metas de estabelecidas pelo FMI o país passou por uma recessão promulgada altas taxas de inflação e dificuldades em alcançar
a estabilidade Econômica esperar enquanto a questão do endividamento se complicou segundo o professor Pablo Neila da Universidade Nacional de San Martin a Argentina enfrenta uma crise de estagnação acerca de 10 anos caracterizada por um déficit externo estrutural que cria um quadro de restrição externa basicamente a Argentina não produz os dólares que precisa para por exemplo financiar suas importações e isso tudo tem a ver com aquelas limitações estruturais da economia Argentina que falamos no começo do vídeo quando o país perdeu suas vantagens comparativas na agricultura e hoje tem bastante dificuldade em expandir suas exportações isso leva
um espião Começando por problemas de abastecimento de insumos afetam negativamente a produção levando ao fechamento de fábricas e a redução da atividade econômica e olhando ainda mais a capacidade do país em financiar sua dívida e hoje para a gente chama a atenção quando Nós pensamos na Argentina é que é um país que parece que está numa espécie de crise Perpétua é uma espécie de de crise que não termina e que já faz tanto tempo que algumas pessoas têm até dificuldade de entender quando ela teria começado a crise na Argentina é um fenômeno complexo que requer
uma análise aprofundada de múltiplos fatores interligados para ser compreendido em sua totalidade não é possível atribuir a crise a única elementos isolado ou é um grupo político específico ela é o resultado de uma interação e do impacto acumulativo de diversas fatores econômicos políticos e estruturais que se entrelaçam no contexto argentino a solução virada no debate que olha de verdade para essas questões [Música]