Posso cantar uma música >> aqui? Não é lugar para isso, seu lixo. >> Deixa ele cantar uma música.
Eles deixaram um homem bêbado cantar só para humilhá-lo. O bar estava cheio, risadas [música] altas, violão afinado. Antônio apareceu na porta, molhado da chuva, roupas sujas, olhar cansado.
[música] Ele caminhou até perto do palco improvisado e perguntou quase sussurrando: "Posso cantar [música] uma música? " O músico riu. Os clientes também.
Alguns apontaram, outros [música] fizeram piada. Quando alguém cai, perde também o direito de ser ouvido. Antônio já teve casa, trabalho e família.
Perdeu tudo [música] aos poucos. Bebida veio depois, como anestesia, mas a música ficou. Era a única coisa que [música] ainda fazia sentido quando ninguém mais ficava.
Aqui não é lugar para [música] isso! Gritou alguém. Antônio abaixou a cabeça e se virou [música] para sair.
Do fundo do bar, o gerente falou firme: "Deixa ele cantar [música] uma música! " O bar murmurou em reprovação. O músico entregou [música] o violão com desprezo.
Antônio segurou o instrumento com mãos trêmulas. Os risos continuavam, [música] a humilhação era completa. Antônio respirou fundo e disse baixo: "Com licença, eu posso tentar".
Ele fechou os olhos. O primeiro acorde saiu simples, cru [música] e Antônio cantou. >> Entrei pela porta molhado, ninguém quis me notar.
Risos [música] cortando silêncio, mandando eu me afastar. Carrego marcas no corpo que o tempo não [música] apagou. Mas ainda resta uma voz que o mundo não calou.
[música] Se ninguém escuta [música] aqui, Deus ainda escuta lá. Quando [música] tudo vira sombra, ele me ensina a cantar. [música] Se o mundo feche a porta, Deus abre o coração.
[música] Mesmo quebrado por fora, existe [música] luz na escuridão. Minha dor viral canção. [música] Não sou lixo, não sou nada.
Sou alguém em redenção. [música] Se ele canta dentro de mim, não existe humilhação. [música] Minha voz é salvação.