Eu confesso que nos últimos tempos eu peguei um hábito meio bizarro, eu assisto coberturas inteiras, de mais de 2h de duração, sobre os ataques de 11 de setembro. A história nós todos conhecemos. Quatro aviões comerciais foram sequestrados por membros da Al-Qaeda e transformados em armas de destruição.
Só que, assistindo essas coberturas, eu passei a entender mais do que a linha do tempo dos acontecimentos, quem fez o quê, e até o que as pessoas estavam pensando enquanto tudo acontecia. E quem acordou acreditando que aquele seria apenas mais um dia comum, foi dormir com a certeza de que algo profundo havia mudado. O mundo já não era mais o mesmo — e aquela data ficaria gravada para sempre na história: de Nova York e da humanidade.
No entanto, eu vejo pouca discussão sobre como a cidade e o mundo se transformaram após os ataques: Então, quais foram os principais eventos que se seguiram? E como tudo isso moldou o mundo em que vivemos hoje? A linha do tempo do que aconteceu naquela manhã é a seguinte: o primeiro impacto, do voo 11 da American Airlines, foi sentido às 8:46 da manhã contra a Torre Norte do World Trade Center.
Quando os primeiros noticiários começaram a aparecer interrompendo suas programações, muito se falava em um acidente com um avião de pequeno porte. Menos de vinte minutos depois, o segundo voo, desta vez o American Airlines 175, atingiu a Torre Sul. Neste momento ficou claro que não se tratava de um trágico acidente, mas sim que os Estados Unidos estavam sob ataque.
E isso é quase uma unanimidade nas transmissões que eu assisto. Até então eles achavam que era um acidente de um avião de pequeno porte, mas aos poucos começam a perceber que o céu estava limpo e que um acidente seria pouco provável. O segundo impacto confirmou isso.
A cena em que o então presidente americano, George W. Bush, é informado sobre o segundo impacto e sua expressão facial ficariam, também, marcadas na história. E se tudo aquilo já era difícil de acreditar, mais dois ataques viriam ainda naquela manhã: o terceiro contra o Pentágono, às 9:37; e, um quarto, de um avião que caiu na Pensilvânia após ter o controle recuperado por passageiros, que se especula que tinha como alvo o Capitólio ou mesmo a Casa Branca.
O efeito imediato foi avassalador: quase três mil pessoas perderam a vida, incluindo mais de quatrocentos socorristas. Entre eles, centenas de estrangeiros, com mais de 90 nacionalidades diferentes. Três deles eram brasileiros: Anne Marie Ferreira, Sandra Fajardo Smith, e Ivan Fairbanks Barbosa.
Estima-se que, até hoje, entre 1. 400 e 2. 000 trabalhadores de resgate e civis expostos às toxinas no local faleceram por doenças ligadas aos ataques, somando pelo menos 4.
400 mortes no total. Eu tinha 11 anos, e me lembro da cena de uma professora que entrou na sala e deu a notícia. Na parte da tarde eu tinha aula de informática e a aula era pesquisar o que os grandes sites na época estavam falando sobre o assunto.
Me lembro também que o resto do dia foi pautado por nisso: na escola e em casa, que eram os únicos 2 lugares que eu frequentava, a queda das torres era o único assunto. Aos poucos, todo mundo passou a abandonar o que fazia para assistir às cenas de destruição. E muitas delas também se lembram exatamente do que estavam fazendo na hora do atentado.
O ponto é que, poucos acontecimentos conseguem unir e mudar o mundo de uma forma como o 11 de setembro o fez. Do mesmo jeito que a morte de John Kennedy foi um marco para os americanos depois da Segunda Guerra, o 11 de setembro mudou tudo no século XXI. Aquele dia foi o ponto em que o mundo, como a gente conhecia, acabou, e começou uma nova fase, cheia de medo e dúvidas.
Uma época dominada pelo medo do terrorismo. Mas, será que, depois de mais de 20 anos, esse medo foi realmente superado? Os ataques do 11 de setembro desencadearam uma série de eventos que afetaram profundamente a economia, a geopolítica e as guerras ao redor do mundo.
Pela primeira vez na história, a OTAN — Organização do Tratado do Atlântico Norte — invocou o Artigo 5º, permitindo que seus membros agissem coletivamente em defesa própria. Menos de um mês depois, em 7 de outubro, os Estados Unidos e suas forças aliadas lançaram uma ofensiva contra o Afeganistão, onde o regime Talibã era acusado de abrigar os líderes da Al-Qaeda. Dentre eles, Osama bin Laden, que reconheceu ser o idealizador e estrategista dos atentados.
Inicialmente, milhares de militantes contra o imperialismo norte-americano foram mortos ou capturados, forçando lideranças do grupo a se esconder ou fugir para países vizinhos, o que motivou os EUA a se envolverem em guerras no Iraque, Iêmen e operações encobertas em outros países, tudo justificado pela Guerra ao Terror. Essa operação no Iraque foi, inclusive, um dos principais fatores pra que o presidente Bush, de um dos presidentes com maior aprovação da história dos EUA, a se tornar extremamente impopular. Em 2003, sob a alegação que o regime de Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa, os americanos, apoiados pelo Reino Unido, lançaram uma ofensiva que resultou na morte do ditador iraquiano, mas as tais armas nunca foram encontradas.
Esse tipo de ação unilateral foi muito criticada porque aconteceu sem o apoio oficial da ONU. Isso aumentou o sentimento contra os países ocidentais, principalmente no Oriente Médio. A guerra também ajudou a fortalecer grupos extremistas, como o Estado Islâmico, espalhando uma ideologia violenta e fazendo ataques em várias partes do mundo.
Mesmo depois de perder seu território, ainda existem grupos ligados a eles e o medo de novos ataques continua até hoje. No campo doméstico, a principal herança de 2001 foi a implementação do USA PATRIOT Act, aprovado às pressas pelo Congresso Americano, e que expandiu temporariamente os poderes de vigilância e busca do FBI e outras agências governamentais, permitindo que pessoas suspeitas fossem vigiadas sem necessidade de emissão de ordem judicial. “Aprovado às pressas 45 dias após o 11 de setembro, em nome da segurança nacional, o Patriot Act foi a primeira de muitas mudanças nas leis de vigilância que tornaram mais fácil para o governo espionar cidadãos comuns ao expandir a autoridade para monitorar comunicações por telefone e e-mail, coletar registros de relatórios bancários e de crédito e rastrear nossa atividade na Internet.
E a tecnologia que usamos hoje não seria o que é sem o Patriot Act. A partir dele, a inteligência passou a monitorar tudo, e isso também abriu portas para o Google começar a coletar e ganhar dinheiro com muitos dados sobre o que a gente faz online. Os engenheiros descobriram que podiam juntar esses dados sobre o comportamento das pessoas e lucrar rápido.
O uso de Big Data pelas empresas de tecnologia foi uma resposta direta ao financiamento estatal. Em 2001, governo disse que, se deixássemos nossa privacidade de lado, ficaríamos mais protegidos contra ataques terroristas. Desde então, nossa privacidade nunca mais foi como antes.
E o Brasil também não ficou de fora. Às vésperas das Olimpíadas do Rio em 2016, o país aprovou a Lei Antiterrorismo, que definiu como terrorismo qualquer ação motivada por razões de xenofobia, racismo, etnia ou religião, visando causar terror social. A justificativa foi de que a lei seria uma resposta ao temor de que atos de violência poderiam estourar no país durante o evento, como protestos e revoltas, semelhante às manifestações ocorridas durante a Copa das Confederações em 2013.
Contudo, a Secretaria Extraordinária de Segurança de Grandes Eventos afirmou que, apesar dos protestos, em nenhum momento os eventos da Copa das Confederações foram ameaçados e destacou que, mesmo com tantas manifestações, o Brasil conseguiu realizar o torneio sem problemas de segurança. Nos anos que antecederam os ataques, o mundo caminhava para uma maior abertura econômica e uma atmosfera de paz relativa na esfera internacional. Mas depois dos atentados, fronteiras se fecharam, a força voltou a ser instrumento nas relações internacionais e o terrorismo se consolidou como uma ameaça constante.
Porém, acabar com todos os conflitos de qualquer maneira também não foi a melhor estratégia. Com a saída dos americanos do Afeganistão em 2021, foi questão de dias para o Talibã recuperar o poder na região. A ideia do governo Biden era a de que, cada dia de ocupação significava mais ódio contra os americanos, e consequentemente, maior risco de um novo atentado.
Só que o resultado da saída foi desastroso: o Departamento de Defesa dos EUA cometeu erros graves que prejudicaram muito o exército afegão na luta contra o Talibã, mesmo depois de gastar bilhões durante os 20 anos de ocupação: eles deixaram por lá equipamentos avançados, mas os soldados não tinham como usá-los, já que a maioria da população não sabe ler ou escrever. Além disso, o número real de combatentes era menor do que se pensava, e muitos desertaram por falta de pagamento e comida. Quando os EUA pararam de ajudar com aviões e logística, o exército afegão caiu, e o Talibã voltou a dominar.
E quando questionado sobre o assunto, o presidente americano, Joe Biden, justificou o fiasco dizendo: “[. . .
] Se não for agora, quando? ” Mas o que realmente me intriga é como as coisas mudaram no nosso dia a dia sem que a gente tivesse percebido. 2001 faz muuuito tempo e o mundo tinha outros costumes antes do acontecido.
Então como a vida cotidiana mudou e como os atentados ainda afetam a nossa vida? Com os ataques, a Nasdaq ficou fechada por uma semana inteira. Ao reabrir, em 17 de setembro, registrou uma queda de 16%.
Só que menos de dois meses depois, no início de novembro, a bolsa recuperou sua pontuação pré-ataque. A limpeza dos escombros levou um total de oito meses. Mas a única coisa que ainda não voltou à normalidade até agora foi a percepção de segurança pra quem vive em Nova York.
O ataque mostrou ao mundo que a segurança nacional não era apenas algo 'lá fora dos EUA', mas que o governo tinha que defender seriamente a pátria. Essa insegurança levou a uma falta de confiança em tudo e em todos. E os dados mostram que quem nasceu depois do ataque e já entendia um pouco sobre o que estava acontecendo, compreende melhor como o mundo mudou depois da queda das Torres Gêmeas.
De acordo com uma pesquisa da CNN, publicada em 11 de setembro de 2021: pensam no 11 de setembro algumas vezes por mês. 55% das pessoas que tinham mais de 22 anos e 61% das pessoas que tinham mais de 45 anos em 2001 pensam no 11 de setembro algumas vezes por mês. Já entre os mais jovens, que eram crianças ou nem haviam nascido na época, apenas 24% afirmam que o 11 de setembro teve um grande impacto.
57% dos americanos dizem que os ataques ainda afetam a forma como vivem hoje. 68% acreditam que os ataques impactaram seus direitos e liberdades individuais. E uma das mudanças mais visíveis ocorreu nos aeroportos.
Antes dos ataques, viajar de avião era uma experiência relativamente simples e sem grandes preocupações com segurança. No entanto, a facilidade com que os terroristas sequestraram quatro aviões comerciais e os usaram como armas mostrou as vulnerabilidades desse sistema. Em resposta, o governo dos EUA criou a Administração de Segurança nos Transportes, responsável por implementar inspeções rigorosas em aeroportos.
Passageiros agora enfrentam filas longas, tiram os sapatos, bolsas, casacos, anéis, brincos, e até a roupa, se nela tiver muitos artefatos de metal - não podem embarcar com líquidos, produtos in natura, são submetidos a scanners corporais avançados e têm as malas revistadas por amostragem. A cabine dos pilotos se tornou uma fortaleza, inacessível a qualquer um fora da tripulação, e antes era comum que passageiros fossem convidados a conhecê-la e conversar com pilotos. Na verdade, se as regras forem seguidas à risca, um atentado como o 11 de setembro seria impossível.
Isso ocorre porque não importa quais ameaças sejam feitas contra a tripulação e passageiros, a cabine dos pilotos jamais será aberta para pessoas estranhas. Essas mudanças, embora focadas na segurança, impactaram a experiência de voar, tornando-a muito mais cansativa e longa. Entrar nos portões de embarque em um aeroporto se tornou um exercício de paciência, do qual só os cartões Black e Platinum podem te livrar.
Isso sem citar a comoção que uma simples mala abandonada ou ameaça de bomba pode gerar em qualquer lugar, principalmente em um aeroporto, como um caso ocorrido no JFK, em 2014. Várias equipes de emergência se deslocaram para lá por causa de uma ligação que acusava o voo American Airlines 67, vindo de Barcelona, de ter uma bomba a bordo. No fim, nada foi encontrado, mas gerou um grande descontentamento entre passageiros e membros da tripulação, que passaram horas e mais horas de estresse e tiveram que esperar para seguirem seus rumos.
Mas ainda em 2001, dois meses depois dos ataques, o vôo American Airlines 587 caiu nos arredores de Nova York após decolar do JFK. Inicialmente havia temores de outro ataque terrorista. Mas o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes descartou essa possibilidade.
Já na vida cotidiana, outra grande vítima foi a privacidade. Há 20 anos, não existiam smartphones, redes sociais, a biometria estava na infância, “nuvem” ainda era um termo meteorológico e o rastreamento via satélite por meio de câmeras de rua ou GPS parecia ficção científica. Mas a queda das torres criou a urgência pra que tecnologias, como o reconhecimento fácil por câmeras em vias públicas, recolhimento de digitais e rastreamento de indivíduos suspeitos, fossem utilizados para solucionar e prevenir crimes comuns.
O Departamento de Polícia de Nova York se tornou um exemplo disso. Com investimentos em ciência, hoje a cidade conta com câmeras de vigilância capazes de fazer o reconhecimento fácil e ler placas de veículos que podem ser monitoradas em tempo real por membros da força policial através de seus smartphones. No entanto, a maior mudança foi na mentalidade.
Depois de setembro de 2001 , a mentalidade das pessoas ficou marcada por um sentimento de dor coletiva, medo e união. A cidade, geralmente conhecida pela sua atmosfera acelerada, imediatamente tornou-se um espaço onde as pessoas se voltavam umas para as outras em busca de apoio. Espaços públicos tornaram-se pontos de encontro para o luto conjunto, onde memoriais improvisados foram montados e estranhos confortavam uns aos outros.
Estudos mostraram que os nova-iorquinos experimentaram sentimentos intensificados de trabalho em equipe, gentileza e gratidão nos meses seguintes à tragédia. No entanto, esta onda inicial de solidariedade acabou por dar lugar a desafios de longo prazo, incluindo estresse pós-traumático generalizado e apreensão por causa da segurança, particularmente no que diz respeito ao policiamento excessivo — fruto da paranoia de um novo ataque. Por exemplo, pegar o metrô era algo mais descontraído.
Você entrava, sentava e o máximo de incômodo era tentar evitar contato visual com alguém esquisito. No entanto, depois dos ataques, qualquer mala sem dono no vagão, qualquer pacote esquecido em um canto da plataforma, virou motivo de alarde. A cada estação, câmeras e guardas armados são lembranças constantes de que a segurança nunca mais foi a mesma.
Eu mesmo vivi uma situação que se encaixa nisso em Toronto. Quando o Raptors foi campeão, eles deram uma volta na cidade em um ônibus aberto e eu tinha um compromisso em frente a um local onde eles passaram. Essas imagens foram feitas por mim no dia.
Alguns supostos barulhos de bomba vindos do shopping fizeram as pessoas correrem para tudo que é lado e eu vivi um pouquinho do que é essa agonia do terrorismo. E de fato entendi que em eventos públicos, todo medo é justificado. E que tudo isso não passa de um lembrete diário de que o mundo mudou para sempre naquela fatídica manhã.
E você, onde estava na manhã de 11 de setembro de 2001? Conta aqui nos comentários e não deixa de me dizer o que achou desse vídeo. Agora, se quiser entender o que eu chamo de Algoritmo Humano e como você pode usá-lo pra levar um canal no youtube de 0 a 100 mil inscritos, confere uma aula grátis no primeiro link da descrição, ou apontando a câmera do seu celular pro QR code que tá na tela antes que essa aula saia do ar.
Antes de 2001 a vida era muito diferente, não só por que não tinhamos medo do terrorismo, mas tambem por que fumar era bacana e cool. Mas hoje em dia é proibido por lei em alguns locais e o hábito de fumar é visto como algo nojento e muito prejudicial a saude. Então pra entender a queda do cigarro e da sua indústria, confere esse vídeo aqui que tá na tela.
Então aperta nele aí que eu te vejo lá em alguns segundos. Por esse vídeo é isso, um grande abraço e até mais.