o nosso feminismo precisa ser real precisa ser palpável para a maioria das mulheres brasileiras ele precisa ser popular ele precisa ser verdadeiramente emancipador e para isso ele precisa assumir um compromisso prático político e teórico com todas as mulheres [Música] o manifesto feminismo para 99% publicado agora no brasil pela boitempo editorial nos convoca um feminismo que comporta um sonho mais elevado do que aquele sustentado ao feminismo liberal que por se adequar e se conformar ao capitalismo acaba deixando de fora das suas aspirações a vasta maioria das mulheres tanto do sul quanto do norte global o feminismo
para os 99 não se contenta com uma visão da igualdade e da liberdade baseada no mercado porque entende que as restrições econômicas vigentes tornam a liberdade eo empoderamento impossíveis para ampla maioria das mulheres a idéia portanto é de que nós feministas precisamos sustentar um sonho uma utopia mais elevada do que aquela sustentada pelo reformismo liberal elton pia de um mundo mais justo cujas riquezas e cujos recursos naturais sejam compartilhados por todos e onde a igualdade a liberdade sejam premissas e não era aspirações isso nos leva ao centro do problema e das injustiças que acometem a
maioria das mulheres neste mundo em que vivemos o capitalismo neoliberal que é uma forma extremamente predatório de capitalismo o neoliberalismo nos convoca portanto um feminismo anti capitalista que aponta que deseja um ethos radical e transformador e que não é uma mera utopia imaginada e tampouco antecipa ou prescreve os contornos precisos né de uma alternativa mas assinala isso sim uma via uma via a ser percorrida por todas nós na direção de uma sociedade mais justa havia né na direção de uma sociedade mais justa é justamente a união ea associação da luta feminista com uma diversidade enorme
de lutas que estão aí as lutas anti racistas as lutas ambientalistas as lutas pelos direitos trabalhistas de imigrantes as lutas contra toda forma de lgbt que foi bia manifesta a ponta muito acertadamente que uma feminismo só pode dar uma resposta à altura dos desafios atuais se ele estiver associado a todas essas lutas se não se trata de uma mera utopia é porque essas lutas estão aí porque as pessoas estão organizadas buscando um novo ethos buscando expor a cada dia as injustiças profundas que o neoliberalismo nos impõe e mostrando quem são as pessoas que sofrem com
essa política os 99% o feminismo que as autoras desse manifesto propõe é perfeitamente ciente de que é preciso responder a uma crise de proporções gigantescas a queda gritante no padrão de vida desastres ecológicos guerras desenfreada das migrações em massa racismo xenofobia lgbt que foi guia revogação de direitos sociais e políticos duramente conquistados com o nosso suor nas democracias capitalistas tudo isso nos une e também a nós mulheres brasileiras ao espírito desse manifesto o brasil é um país duramente golpeado pelas elites políticas e financeiras desde sempre e que vem enfrentando a reação reacionária das elites as
poucas porém significativas conquistas políticas e sociais que nós fizemos nos últimos anos o manifesto falei então muito de perto a realidade brasileira a nossa frágil democracia apontando para as raízes capitalistas dessa ampla crise e nos convocando a nos recusarmos a significa o bem estar da maioria para proteger a liberdade de uma minoria trata se portanto de lutar pelas necessidades e direitos das mulheres pobres e da classe trabalhadora das mulheres realizadas e das imigrantes das mulheres coer trans todas exploradas pelo capital e também por padrões culturais que geram experiências de profundo desrespeito e de sofrimento um
outro ponto então sensível desse manifesto e que também diz respeito diretamente a nós as mulheres brasileiras que andam sofrendo e sofreram ainda mais com as políticas de austeridade deste novo governo e com a agenda anti social profundamente anti social e anti direitos que se instaurou desde o afastamento de dilma rousseff é o seguinte a nossa luta não é apenas por direitos a nossa luta é sem dúvida alguma pela emancipação legal mas a emancipação legal é uma casca ucam se ela não vier acompanhada de serviços públicos de programas sociais de recursos financeiros públicos que permitam justiça
social e permitam ainda que as mulheres sejam capazes de se desvencilhar de se proteger da violência que acontece tanto no âmbito doméstico quanto no âmbito do trabalho nós temos hoje portanto um desafio enorme aqui no brasil porque os nossos direitos estão sendo duramente ameaçados por esse novo governo o governo bolsonaro que faz aliás um discurso explícito antes direitos sociais ao mesmo tempo em que fomenta a violência fomenta a violência contra as mulheres fomenta a violência contra as pessoas que não se encaixam nos padrões conservadores de sexualidade que fomenta a violência contra o meio ambiente em
nome do capital que despreza a educação pública ameaça professores e tentar acuar de todos os modos os ativistas a nossa luta feminista é a luta de todos esses ativismos esse é o espírito desse manifesto portanto a resposta feminista aquela que nós precisamos da tem que ser a da aliança com todos os movimentos que estão buscando por justiça ambiental educação gratuita e de qualidade em serviços públicos santos habitação de baixo custo direitos trabalhistas e sistema de saúde gratuito e universal essas lutas são então lutas feministas e apenas nos associando a elas que a gente pode conquistar
tanto poder quanto uma visão uma visão mais ampla que seja capaz de desmantelar as relações sociais e também às instituições que oprime as mulheres no capitalismo o que nós queremos são mudanças estruturais a solidariedade então é a nossa arma mais potente e se as mulheres têm poder nessa luta se nós temos poder político é porque o nosso trabalho tanto remunerado enquanto não remunerado sustenta esse mundo daí a importância da nossa atuação 8 de março na greve internacional de mulheres temos uma provocação séria fazer se as nossas vidas não importam então que produzam sem nós que
precisam de nós viram que isso não é possível o coração desse manifesto repousando um diagnóstico bastante persuasivo e nos convoca a ampliar a nossa ideia do que é considerado trabalho o trabalho não se reduz ao trabalho assalariado mas ele diz respeito também ao trabalho não remunerado que permite a reprodução social esse tipo de trabalho ainda é desempenhado sobretudo pelas mulheres é evidente portanto que o capitalismo não inventou a exploração ea violência de gênero que já existiu em sociedades anteriores ou em sociedades disse que organizaram a sua produção e ainda organizam de outras maneiras o ponto
no entanto é que nós que vivemos em sociedades capitalistas estamos obrigados a pensar o modo pelo qual capitalismo e sexismo estão imbricados a tese das alturas é de que a opressão de gênero nas sociedades capitalistas está enraizada na subordinação da reprodução social a produção que visa apenas o lucro a reprodução social ela diz respeito justamente aquele tipo de trabalho realizado sobretudo que por mulheres que geralmente não remunerado e que está ligado a assimetria de gênero e que diz respeito àquelas atividades relacionadas ao que relacionadas a dar à luz relacionadas a criar as crianças elas relacionadas
a cuidar das crianças e dos jovens ou seja a todas aquelas atividades relacionadas à produção e à manutenção e à criação de seres humanos estamos portanto falando daquelas atividades que não se baseiam no imperativo do lucro mas que sustentam seres humanos como seres sociais seres sociais corporificadas que precisam não apenas de comida mais de cuidado de educação e de respeito e da vida em comunidade são atividades então desempenhadas por mulheres em geral sem remuneração que tornam as nossas duplas jornadas de trabalho extremamente exaustiva e mais exaustiva sá ainda para aquelas mulheres que não podem terceirizar
e pagar pelo cuidado das suas casas e das suas crianças ou seja as mulheres pobres e que não tendo como pagar pelo serviço doméstico são ainda mais exploradas por esse sistema no modo como eles lidam com o nosso trabalho o ponto aqui o capitalismo tenta ocultar o seguinte e é isso que a gente tem que gritar aos quatro anos ele tenta ocultar que o trabalho assalariado que visa a obtenção do lucro não pode existir sem o trabalho na maior parte das vezes não assalariado da reprodução social ou seja existe uma atenção senão uma contradição arraigada
no capitalismo que é produzida pela divisão entre obtenção de lucro e produção de pessoas o que acontece hoje nessa versão neoliberal do capitalismo é que a sociedade retira deliberadamente isso é um projeto ela retira deliberadamente toda a sustentação pública necessária às atividades da reprodução social e com isso ela esgota as próprias condições sociais e as capacidades sociais das quais ela depende essa é a contradição então a forma neoliberal tende a esgotar de maneira talvez nunca antes vista todas as capacidades individuais e coletivas para produzir os seres humanos e os laços sociais de que o próprio
capitalismo necessita isso ela faz sobretudo pela retração dos serviços públicos isso a gente também tem visto de maneira muito gritante no brasil atual gerando uma crise sem precedentes que também nos alerta para uma crise estrutural do capitalismo contemporâneo onde é que está a nossa esperança em si a narrativa do capitalismo fosse simplesmente aquela em que a obtenção de lucro subiu julga a produção de pessoas então o sistema podia declarar a sua vitória acontece que não acontece que a história do capitalismo é também formada por lutas por vidas dignas por vidas com significado que não se
reduzem ao ganha pão são necessárias quando temos em nome da reprodução social queremos inverter este é o ponto queremos inverter a ordem de prioridades do sistema capitalista queremos estabelecer a primazia da produção de pessoas sobre a obtenção de lucros queremos portanto reorganizar a relação entre produção e reprodução com arranjos sociais que priorizem a vida das pessoas e os vínculos sociais e tem muita gente lutando por isso pessoas em que em frentes diversas e cientes das diversas formas de sujeição sustentam ainda assim uma mesma utopia autopia de uma forma nova de organização social é isso que
nos confere claro a pecha de radicais por que sustentamos com muito orgulho a idéia de que precisamos de mudanças estruturais mudanças estruturais que sejam capazes de afetar a maioria das pessoas então nós temos sim nós temos aspirações utópicas e sem elas não teríamos motivação pra agir e somos sim críticas de qualquer feminismo que se acomode sem crítica ao capitalismo ea político neoliberal dominante não é sem razão portanto que as há todas desse manifesto terminam lembrando o radicalismo feminista dos anos 70 que questionava com as lutas anticoloniais ante bélicas e anti racistas e com forte inspiração
utópica a base estrutural na ordem existente as autoras encerram um manifesto lembrando as feministas negras na sua luta anticapitalista e anti racista elas que foram responsáveis por produzir análise extremamente sofisticadas das relações de poder e profundamente reveladoras sobre a intersecção entre gênero raça e classe a edição feita pela boitempo do manifesto acerta em convidar tália petrôni prefacial o livro porque tá lira introduzisse potente manifesto com carolina de jesus chamando as feministas para o enfrentamento sério com a intersecção entre gênero raça e classe sem a qual o feminismo no brasil não faz sentido ali nos diz
que o nosso feminismo precisa ser real precisa ser palpável para a maioria das mulheres brasileiras ele precisa ser popular ele precisa ser verdadeiramente emancipador e para isso ele precisa assumir um compromisso prático político e teórico com todas as mulheres por isso é que nós temos que reforçar a idéia abstrata de gênero a universalização de uma ideia ou de um padrão de mulher ou a priorização de uma forma de sujeição em detrimento das outras e precisamos sim assumir a perspectiva de diversidade uma diversidade de lutas que são complementares e que visam a mesma coisa priorizar os
seres humanos se isso nos opõe ao feminismo liberal eu acho que isso é muito importante de se dizer nesse contexto e no modo pelo que pelo qual o debate anda acontecendo no brasil se esta pauta nos opõe ao feminismo liberal ela também nos opõe a um feminismo ou a uma luta e uma compreensão de origem marxista quando ela esquece que nem classe nem a classe trabalhadora nem a humanidade são entidades abstratas e diferenciadas homogêneas e sobretudo quando o marxismo se esquece que a universalidade não pode ser alcançada quando nós ignoramos as diferenças entre as pessoas
o que nos une então não é a idéia abstrata e homogênea de classe e assim é preciso rechaça terminantemente a idéia não raramente sustentada por pessoas auto consideradas de esquerda de que o feminismo e o anti racismo nos separam ao invés de nos unir se não nós estamos juntos nessa luta e é por isso que a solidariedade é a nossa arma e assim nós queremos apontar para a precariedade extrema da oposição simplória entre política e identitária e política de classe a gente não pode em hipótese alguma referendar essa dissociação e nos limitarmos a um campo
de luta a u [Música]