eu pensei partilhar convosco minhas preocupações e minhas angústias mas talvez também as minhas esperanças ligadas a esta coisa e esta coisa feita de gente para além das montanhas de rios de planí que se chama Moçambique essa gente que era 8 milhões quando ficamos Independentes em 75 sendo hoje é composta por 32 ou quase 33 milhões de pessoas todo pretérito quando a gente conjuga em português todo pretérito é passado mas nem todo o passado é [Aplausos] ultrapassado h passados que pela sua pujança e força ressuscitam de vez em quando nosso presente e nosso futuro condicionando guiando
e até criando problemas às vezes nós reabrimos tumbas de cadáveres enterrados mas não mortos que acabam suando nas nossas vidas o seu cheiro de morte de confusão de problemas e de dificuldades não sei onde começa Moçambique nem para onde começar para pensar nesta geografia geografia que se tornou humana e se foi multiplicando nos tempos e que hoje compõe ou é composta por 33 milhões de pessoas agora que eu estava na Europa por razões de saúde e encontrei um livro por acaso numa livraria que falava dos sete séculos de escravatura desde o século vi ao século
104 praticado em África e que era feita pelos árabes é uma parte da nossa história que ninguém conhece ninguém sabe e que nós falamos dela muito pouco ela incidiu muito sobre África ocidental que é Níger que é Malia hoje mas ela chegou aqui no Zanzibar influenciou e teve um impacto enorme em muitas das nossas populações aqui no interior daquilo que é Moçambique hoje do século X começou uma nova forma de escravatura tão horrenda e horrível como a precedente que durou cinco séculos oficialmente terminou em 1865 para os Estados Unidos os afro a desculpa os luz
brasileiros só terminaram em 1885 no mesmo ano em que em Berlim decidiram dividir os nossos espaços e criaram aquilo que se chama Moçambique Quando vocês vão em emban e vocês chegam no no barco que de emban vai para machis tá lá escrito aqui capturavam as populações até 1912 quer dizer que a escravatura não terminou em 85 se vocês vão à ilha de Moçambique no centro tem uma placa que fala de escravatura até 1926 se vocês vão para o interior de nampula encontram placas que falam de processo de escravatura até os anos 30 se um dia
forem para as reuniões ou para as maurícias vocês vão encontrar populações pretas escuras como nós que são chamadas Moçambique porque nós fomos a última parte do continente depois de termos começado a dar escravos os últimos escravos provinham da nossa zona chamavam-se mambi e chamam-se ainda hoje a essa população de moambique depis de 1985 100 anos um século foi o tempo do colonialismo depois da segunda guerra mundial eu vou ser muito curto na minha história nas minhas angústia nas minhas interrogações depois da segunda guerra mundial em 1948 em Nova York declararam-se os Direitos Humanos da segunda
geração decidiu-se que todos os povos do mundo tinham direito a ser Livres a se autodeterminar a ser Independentes todavia quando algéria disse eu quero ser independente a França fez guerra quando a Indochina que depois chamou-se Vietname decidiu ser independente a França fez guerra quando o Madagascar decidiu ser independente houve massacres então percebemos que esta palavra autodeterminação dos povos não era para nós mas nós queríamos esta autodeterminação para nós mas quando os franceses foram derrotados de ampu os americanos entraram em guerra a guerra deixou de ser de Indochina tornou-se do Vietname então percebemos que as nossas
guerras apesar de não querermos alinhar nas ideologias que então lutavam no mundo ocidental teriam que se fazer no quadro da Guerra Fria entre os capitalistas e Os Comunistas e assim foi todos os nossos países tiveram que se alinhar ou a esquerda ou a direito nós que falamos português tivemos o azar de encontrar um Salazar que contrariamente os ingleses e franceses não queria dar independências então tivemos que fazer luta de libertação Moçambique em Angola na Guiné Bissau em Cabo Verde e em São Tomé Precisamos de ajuda de alguém é uma contradição é que em 1948 o
ano de autodeterminação questionamentos angustiantes Portugal É admitido na Nato a Nato em teoria só podia admitir países Democráticos Portugal não era democrático era o único país não democrático Foi aí que começou o conflito em Moçambique eem Angola que vai trazer a guerra de 16 anos em 1967 depois de Eduardo mhan ter tido ajuda da parte dos Kennedys quando H guerra de seis dias em que Israel luta contra os árabes os americanos retiram o próprio apoio a pedido de Salazar e Moçambique Obrigado o afimo na altura obrigado a ir pedir ajuda à China e a União
Soviética será por isso que em 69 Eduardo mhan vai ser assassinado o que que aconteceu para que em 1972 África do Sul a Rodésia e Portugal assinassem o acordo da alcora acordo da alcora era um acordo que juntavam as forças para impedir que os nossos países aqui na região ficassem Independentes os nossos problemas começaram em 75 porque reclamamos proclamamos uma república socialista a verdade que quero vos transmitir das minhas angústias ficamos Independentes em junho de 75 e em fevereiro de 76 para os mais novos que não sabem em fevereiro de 76 já estávamos de novo
em guerra o exército su africano bombardeou uma zona de Beira uma refinaria de gás e petróleo depois bombardearam chicala quala aqui e mapai na zona de Gaza era o início de uma guerra que ia durar 16 anos chamou-se civil mas ela acabou quando a guerra entre as potências Terminou quando eles já não tinham mais nada a se disputar porque uma parte tinha perdida então a guerra chamada civil em Moçambique terminou Ela matou muita gente ela destruiu muitas infraestruturas ela criou muitas inimizades fomos aos acordos de Roma mas prestem atenção nós fomos aos acordos de Roma
como derrotados aimo não ganhou a guerra 16 anos a renamo não ganhou a guerra 16 anos e Moçambique não ganhou a guerra de 16 anos nós fomos a Roma onde nos impuseram condições FMI Banco Mundial os grandes vencedores e disseram que a partir daquele momento nós deixávamos de ser socialistas porque o socialismo tinha chegado ao fim e tínhamos que rimar na única ideologia que existia e essa ideologia era o liberalismo econômico era o capitalismo ficamos capitalistas só que esse capitalismo ou com esse capitalismo Nós perdemos o nosso contrato social deixamos de pensar que éramos 20
milhões na altura que éramos 32 milhões e começamos a concentrar o pouco de riquezas ou quase nada que tínhamos nas mãos de algumas pessoas começamos a perder de vista aquilo que é a razão do nosso percurso desde as primeira escravatura árabe a segunda escravatura Europeia o colonialismo as nossas lutas as nossas batalhas que era para sermos Livres Independentes iguais em termos de possibilidades para todos e cada um eu quero vos dizer que em Moçambique não falta peixe também não falta na tanzania Angola os peixes precisam de se alimentar talvez não falte peixe porque é muito
sangue de cadáver Talvez o número de homens e mulheres das nossas terras deitadas foras fuziladas o que se matavam para não cair na escravatura era tanto tanto e tanto que o peix pode faltar no ocidente Aqui não falta há muita gente que morreu há muita gente que sofreu para chegarmos um dia a ser livres e independentes e construímos um país quando chegamos a independência recaí em novas guerras quando nos impuseram acordos como o Banco Mundial e o FMI Quero repetir Nós perdemos de vista o nosso contrato social e hoje estamos a fundar na maior das
mais controversas e mais perigosas guerras que um país pode ter hoje estamos a entrar de facto numa guerra civil numa guerra entre nós as pergun as pessoas tentam saber quem tem razão Eu acho que isso não é pergunta importante as pessoas tentam saber quem tem culpa acho que essa pergunta não faz sentido eu penso que temos que buscar a todo custo é recuer a nossa unidade como sociedade para continuarmos este longo duro penoso caminho de reconstruirmos um espaço para que possamos ver como homens Nós E possamos deixar aqueles que vão vir depois de nós uma
oportunidade de ser homens e ver em paz eu penso que a palavra mais importante do nosso vocabulário nosso dicionário devia ser Moçambique Moçambique para além das partes para além dos partidos para além das províncias para além das etnias para além das raças para além das divisões para além de tudo aquilo que possa nos fazer mal às vezes a dor cega Às vezes a dor não nos permite olhar paraa frente e fazer escolhas sobre o que é mais importante a dor cega de tal maneira que provoca ódio provoca contraposições divisões e metem-nos a matar uns aos
outros a massacrar nos quarteirões nos bairros nos suburbios e nas províncias e quanto mais pessoas matamos quanto mais morrem mais Mártires temos e mais vontade de Vingança temos quanto mais pessoas morrem mas nos dividimos quanto mais nos concentramos a matar entre nós o gás não parou de sair em Cabo Delgado não parou nemum dia de sair em Cabo Delgado Elon musk não parou nenum dia de ter o grafite de balama não há um dia em que os peixes não são Pescados no alto mar em que aqueles recursos que nós precisávamos para ajudar as nossas crianças
nas escolas os nossos doentes nos hospitais na reconstrução de infraestruturas e do crescimento do nosso país não são levado por outros a violência e o ódio cegam e fazem-nos esquecer o que é o mais importante O mais importante é Moçambique e para ter este Moçambique temos que nos reconciliar entre nós esta devia ser a palavra deordem na cabeça e no coração de cada um de nós por quanto mal nos tinhamos feito por quanta dor possamos ter os homens que conseguem avançar na vida são aqueles que conseguem priorizar o futuro dizer que no Altar do Futuro
podemos e devemos sacrificar todos os passados e todas as dores nós precisamos de paz nós precisamos de nos reencontrar nós precisamos para ter paz para ter um reencontro precisamos de justiça vou terminar com isto qualquer filósofo que se respeite qualquer teólogo que se respeite qualquer estudante de direito que se respeite como são alguns colegas dentre nós H um momento ou no outro da própria existência estão com confrontados com esta ideia de Justiça Aliás o direito fez da Justiça A base fundamental da construção de toda a arquitetura do seu Grande Edifício de leis de constituições e
de direito positivo que nós conhecemos cada filósofo que se respeite tem uma sua definição de Justiça às vezes justiça é fazer pagar e confunde-se às vezes Justiça confunde-se com Vingança confunde-se com ódio confunde-se com a necessidade de ver o outro a sofrer fazê-lo pagar pelo mal que nos fez eu costumo chamar a justiça uma mulher uma costureira o que que faz uma costureira uma costureira pega numa agulha pega fios de diferentes e com muita paciência e tenacidade co junta cores junta tamanhos e faz uma camisola que nos aquece nos tempos de inverno quanto mais fio
ela mete mais A camisola é quente e quanto mais cores ela mete mas a camisola é bonita a justiça não tem ser Vingança não tem que ser fazer pagar não tem que ser fazer mal não tem que ser impedir a felicidade ou a sobrevivência de outros tem que ser uma capacidade de pegar fios dispersos irmos cozendo cozendo com as nossas diferenças coendo com as nossas alteridades coendo com cores diferentes com etnias diferentes com partidos diferentes com sensibilidades diferentes só assim se constrói um país só assim se permite que a população de um país possa estar
junto e possa crescer por isso nós fizemos formações diferentes nós fomos estudar engenharia é a maioria dos nossos estudantes Nós estudamos ciências humanas e sociais estudamos direito e parecia que a nossa missão fosse de fazer crescer Moçambique praticando com ética e deontologia como vocês leram aqui aquilo que aprendemos e disseram vocês na leitura a última palavra era prob da humanidade e pro moambique parece que essa fosse a Nossa vocação mas hoje subra uma vocação mais urgente sermos costureiros curarmos moambique participarmos a fazer com que a reconciliação do nosso país volte que a paz volte e
Que ela possa progredir Essa é a condição para nossa existência é a condição para nosso crescimento é a condição para deixarmos um futuro àqueles que V de vir depois de nós eu queria vos sugerir isto aou terminar que a palavra deordem [Música] nas vossas cabeças e corações fosse Moçambique por cima de tudo e de todos por cima das partes que a palavra guia fosse esforço de reconciliação que isto que nos custar esforço pela paz não importa a quantidade nidade esforço que temos que fazer esta é a condição para nós vivermos sobrevivermos crescermos Esta é a
condição para ligarmos aquelas famílias que nos trouxeram que estão atrás mas aquelas famílias que estão em frente que vamos construir alguma coisa algum espaço alguma possibilidade de se realizarem encaminhar-se em direção a felicidade então a universidade não dá diplomas dá missões quando nós vos damos um diploma é como quando a gente dá carta do condução a quem frequentou a escola de condução e a gente diz Para Ele tens aqui a carta de condução não é para guardares a carta de condução no armário é para conduzir ninguém faz a carta de condução para deixar no armário
é para pegar no carro e conduzir e quanto mais conduz mais prática tem aos diplomas que nós vos distribuímos hoje essa missão científica que vocês assumiram eu quero vos sugerir uma segunda missão a missão de costurar o país de costurar Moçambique nas cabeças nas inteligências e nos corações A começar por vocês mesmos é aqu eles estão próximo de vocês espero de vocês que sabam ser bons profissionais espero de vocês que sabam ser costureiros que participem a costurar Custe o que custe este Moçambique para nós e para aqueles que vão vir depois de nós obrigado C
[Música] [Aplausos]