Vender o que todo mundo vende é como tentar gritar num estádio lotado. Ninguém vai te ouvir. Já o negócio nichado é como você falar no ouvido de alguém que quer te ouvir.
Deixa eu te contar uma coisa que eu aprendi apanhando durante os meus 40 anos em negócios físicos e digitais. Tem negócio que já nasce morto, só não recebeu atestado ainda. Eu já abri alguns desses negócios, mas hoje eu vou te falar três desses negócios que jamais eu abriria e três que eu abriria.
E o primeiro negócio que eu não abriria são essas lojas genéricas que vende um pouco de tudo. Quando eu digo genérico, existe a loja genérica em qualquer segmento. Loja de roupas genéricas, loja de utilidade genérica, vende de tudo, loja de presentes, loja de perfumaria, ferramentaria.
Sabe quando eu falo genérico? é que a pessoa abre um negócio dentro daquele segmento e vai colocando tudo que é produto daquele segmento, sem foco, sem uma estratégia elaborada, sem algo pensado, vende de tudo um pouco, não vende para ninguém, não tem um caminho definido e tem um monte aí, é só você sair na rua que você vai ver um monte de loja sem cliente, só o dono, o sócio, a família ou um que outro funcionário escorrado no balcão ou se escondendo. atrás de uma prateleira porque a loja tá vazia.
Isso é na rua, isso é no shopping e isso também é no Instagram. Tá cheio de lojinha, uma igual à outra. Abrir esse tipo de negócio, esse tipo de loja, é entrar numa guerra que já tá perdido na largada.
Concorrência infinita, margem apertada ou margem nenhuma, aluguel subindo, cliente não tem fidelidade nenhuma. Se o teu público, se o teu cliente é aquele que por R$ 5, R$ 10 vai comprar em outro lugar, você não tem cliente fiel, você não tem diferencial, seu negócio não vai se sustentar. Você briga com shopping, briga com marketplace, briga com o concorrente do bairro, até com o influenciador vendendo roupa e qualquer objeto em live.
No fim do dia, o que salva para você é cansaço, estoque parado, dinheiro travado em produto e boleto vencendo. Nesse tipo de negócio, você vive de desconto, briga por preço e ainda ouve do cliente: "Ah, o fulano, tal lugar, tá vendendo mais barato, então eu passaria longe desses tipos de negócio. " Segundo tipo de negócio que eu não abria, comércio físico de rua, dependente só do fluxo da rua, sem nada digital e sem recorrência nenhuma.
Esse é o tipo de loja que abre a porta e tem que acender uma vela e rezar junto. Reza para alguém entrar, se chover, não vende, se tiver jogo, não vende. E se abrir um concorrente mais bonitinho do lado, perde cliente.
E no fim do mês você só vê aquele custo fixo indo embora. aluguel, funcionário, conta de luz, imposto, taxas, que acaba não sobrando nada ou ainda dá prejuízo. E quando dá certo, muitos comércios desses tgí entre 2, 5%, que é muito baixo.
Qualquer erro de compra, qualquer queda nas vendas, qualquer aperto de crédito, você vai financiar o negócio como indo pro banco, pegando crédito pessoal, cheque especial. É horrível depender de sorte e de clima para vender. Esses tipos de negócios físicos sem um híbrido, mas com estratégia no digital, tem uma roleta russa.
Terceiro negócio que eu não abriria é esses negócios de modinha com ticket baixo e operação tudo no manual. Sabe aquele produto que viraliza e sai todo mundo correndo atrás para vender? O preço despenca em menos de 2 meses e o cliente some na mesma velocidade que apareceu, mas você entra empolgado, compra estoque, monta a operação e meses depois tá torrando tudo para fazer caixa.
Além disso, ticket baixo com atendimento manual é um problemão. Você atende um por um, responde direct WhatsApp, faz orçamento, manda link, no fim do dia trabalhou igual condenado e o lucro não paga o risco. Eu aprendi dessa forma.
Negócio que não te dá margem para errar, não paga o teu tempo e ainda depende de modinha das redes sociais, não merece meu capital, nem o seu. E agora que eu já falei dos negócios que eu não abria, vamos pra parte boa. Quais são os três modelos que eu abriria agora em 2026?
Primeiro negócio que eu abria, serviço digital inxuto para resolvedor de empresa ou comércio local. Pode ser gestão, tráfego, marketing, financeiro, conteúdo, implementação de sistema. O foco é simples, parece complicado, mas não é.
Você resolve o problema real de quem já fatura e cobra uma mensalidade recorrente desde abrir um Google Meu Negócio, implementar um sistema de gestão RP, uma loja virtual, uma landing page, serviços de posts, registro de domínio, criação de e-mails, todo esse negócio digital. E hoje tem ferramentas que fazem isso quase que de forma automática, assim, você mexe poucas coisas e a inteligência artificial faz o resto. Porque eu gosto desse modelo, porque o custo fixo é baixíssimo.
Você não precisa de ponto comercial, não precisa de estoque, não precisa de capital de giro gigante, você só precisa de processo, conhecimento e disciplina. O que você aprende aí em poucos meses? E quando você vende um serviço desses B2B da sua empresa para outra empresa, não é consumidor final, você consegue ticket mais alto, previsibilidade de receita, com mensalidades e a possibilidade de escalar com processos e equipe remota.
Em vez de brigar no varejo por 2, 3, 5% de margem, você constrói uma carteira de clientes que te paga todo mês. Segundo negócio que eu abria, operação de delivery além da comida, conectando negócios locais com o consumidor final. Delivery não é novidade, mas a cabeça de muita gente quando fala em delivery só pensa em comida.
Eu tô falando de delivery de mercado, de farmácia, de petshop, papelaria e escritório e outros serviços rápidos. Você pode montar uma operação que organiza essa logística, cuida de atendimento, integra com aplicativos, monta assinaturas, monta combos. Você não precisa ser dono de todo estoque.
Você só precisa ser o cérebro, o operador. O consumidor quer conveniência. Ele não quer sair de casa para comprar aquilo que ele pode pedir em dois cliques.
Negócio que entrega conveniência com operação bem desenhada tem muito espaço agora em 2026 e vai continuar tendo muito espaço. De novo, foco em processo, tecnologia e margem. Não é sair entregando tudo para todo mundo, é desenhar o modelo que fecha aí com a calculadora.
Então vamos pro terceiro negócio que eu abria. Negócio nichado, com margem ao e menos concorrência. Saúde, bem-estar, tecnologia de nicho e soluções sustentáveis.
Por que esse nicho? Porque nele você foge das guerras de preço, você entra em segmento que os clientes enxergam mais valor e aceitam pagar mais caro por soluções específicas. E aí pode ser produto, pode ser assinatura, pode ser serviço.
A lógica é sempre a mesma. resolver uma dor clara de um público muito específico, com proposta de valor, que não é o mais barato, é o melhor para esse tipo de público. Em vez de vender qualquer coisa para qualquer um, você passa a vender a solução certa para quem realmente precisa.
Isso muda teu ticket, tua margem e teu stresse. Para empreender tem que perceber uma coisa, não é sobre ter medo, é escolher a batalha que matematicamente faz sentido para você. Os três negócios que eu não abriria hoje tem uma coisa em comum, dependem de um fluxo imprevisível, tem margem estreita e exige um capital que fica travado aí em estrutura ou estoque.
E os três que eu abriria tem outro padrão, baixo investimento físico, o uso da tecnologia e foco em recorrência com possibilidade de escalar sem explodir o custo fixo. Empreender no Brasil é difícil, que a coisa parece que vem piorando, que é mais tributos, mais impostos, mais exigências para um público que não está preparado para empreender. Para tudo tem faculdade, mas para você aí tirar um CNPJ, abrir o seu negócio, não é exigido nada.
E se você chegou até aqui e quer que eu destrinche mais modelos de negócios que eu considero mais inteligente para você começar hoje, comenta aqui embaixo lista 2026 e comenta também qual o negócio que você abriu, já teve experiência e nunca mais abria. E qual você abriria se fosse começar hoje?