pessoa sem motivação, ela está sujeita a todos os dramas psicológicos do mundo. E que para você tirar uma pessoa de um drama psicológico, você precisa ter algo acima que a puxe, que dê a ela condição de ter garra para poder sair daquela, ter pelo que viver, ter algo maior a que dedicar à sua vida, ou seja, um idealismo que dê essa pessoa uma motivação pra vida inteira. Eu quero ser um ser humano verdadeiro.
E um ser humano verdadeiro faz diferença no mundo. Em última instância, eu quero mudar o mundo, um pouquinho que seja, porque eu existi. Isso é chamado de um idealista.
Um idealista é um cidadão que pode até se abater, pode até viver uma crise, mas ele vai sair dela. Sabe por? Quando ele abre os olhos pela manhã, que ele olha pro teto do quarto dele, ele vê uma boa razão pela qual continuar lutando.
Eu não vou deixar o mundo do jeito que eu encontrei. Eu não vou sair daqui do tamanho que eu era quando cheguei. Eu vou sair maior do que eu entrei.
E o mundo vai ficar um pouquinho melhor porque eu existi. Eu não desisto de fazer diferença. Então eu posso dizer para vocês que esse eu idealista que existe adormecido dentro de todos nós é de onde vem a nossa capacidade de sermos motivados e superarmos os dramas da vida, superarmos as adversidades, porque é algo que justifica até o último respirar, até o último momento, até o último sopro de vida é justificado por esse objetivo.
Se eu tiver um sopro de vida, nesse sopro de vida, eu vou procurar beneficiar o mundo de alguma maneira. Vou procurar dizer aquela palavra que alguém precisa ouvir. Vou procurar levar aquele consolo que aquela pessoa precisa receber.
Vou procurar conquistar aquele nível de sentimentos que eu gostaria de conquistar. Enquanto houver vida, eu estarei lutando para ser um ser humano melhor, para buscar esse ideal. Ou seja, uma pessoa que tem um ideal é uma pessoa que tem protagonismo, que tem movimento próprio, que não é empurrado pelas circunstâncias.
E aí ela começa a ter condições de realmente construir em si próprio qualquer coisa. Quem almeja os fins almeja os meios. Pensem que essa é uma geração, não preciso falar isso para vocês, todo mundo sabe, está nas estatísticas, uma geração que sofre de uma tendência a depressão, a melancolia coletiva.
Por será nós estamos motivados pelo quê? Nós vivemos pelo quê? É o que que nós buscamos, tá?
Então, a primeira coisa que a gente teria que se perguntar sobre esse tema é o que eu quero ser. Eu quero ser alguma coisa? Eu tenho uma meta que justifique toda a minha vida, algo que seja real, que não seja preso a coisas, a circunstâncias, a situações, algo que dependa apenas de mim?
Esse é o elemento fundamental pra gente começar a discutir quando fala desse assunto. Eu acho que se todos os seres humanos, eu sempre dou um exemplo, deixa eu dar esse exemplo para vocês, eu acho que deixa mais claro o que eu estou querendo dizer. Eu tenho aqui um vaso de flores em cima de uma mesa que tem três pernas.
Aí eu resolvo fazer uma experiência. Eu vou cortar as pernas dessa mesa. Eu corto a primeira perna.
É muito provável que a mesa já trema e derrube o vaso no chão e se espatife. Vamos dizer que eu corte essa primeira perna, ele ainda consiga amparado ali na parede, escorado na parede, ele ainda consiga ficar de pé. Muito inseguro, mas ainda fique.
E aí eu vou e corto uma próxima perna. Aí não tem jeito. Aí vai tudo pro chão e esse vaso se espatifa, não é verdade?
Agora, se antes disso eu fizesse um furo aqui nesse teto, ele colocasse um daqueles ganchinhos de samambaia, de planta, tá? Bem fincado, bem preso, e colocasse ali uma correntinha, alguma coisa que prendesse esse vaso, de tal maneira que ele estaria só roçando na mesa, mas o ponto de apoio dele está lá em cima. Eu vou e corto uma perna da mesa.
Que que acontece com o vaso? Nada. Vou e corto duas.
Que que acontece com ele? coisíssima nenhuma. Eu posso cortar todas as pernas da mesa e ele fica de pé porque ele só roça a mesa.
O ponto de apoio dele está acima. Agora parem para imaginar qual é o nosso ponto de apoio. Nós temos circunstâncias que nos prendem ao mundo, ou seja, uma profissão, amigos, uma situação financeira.
Digamos que essas são as três pernas da minha mesa. A vida vem e corta uma dessas pernas. Eu tenho um rompimento, sei lá, um divórcio, já é uma coisa forte na minha vida.
Muita gente já desequilibra aí. Se além disso a vida vier e cortar mais uma perna, ou seja, minha vida financeira também entra num caos, a maioria das pessoas se espatifa. Maioria das pessoas não vai conseguir estar de pé.
Mas já houve na história homens que passaram por situações onde todas as pernas da mesa dele foram cortadas e permaneceram de pé. Onde é que estava o ponto de apoio dessas pessoas? acima, tinham um ideal, tinham algo que eles queriam conquistar como seres humanos, queriam chegar lá.
E, portanto, independente das circunstâncias materiais, eles roçam o mundo, mas não dependem do mundo. E por isso, seja lá o que for que aconteça, se mantém de pé e saem do outro lado maiores do que entraram. Seja, a primeira coisa que a gente tem que considerar do ponto de vista do querer é querer ser de fato.
Querer ser um ser humano completo, pleno, é a melhor coisa que podemos querer ser. M.