que o café faz parte da nossa vida, isso você já sabe. Mas você sabe quais são as origens dessa planta? Como que ela se tornou tão importante e tão popular pros nossos tempos?
Meu nome é Gustavo Gaiofato, sou professor historiador e eu tô aqui para te convidar para embarcar junto comigo nessa jornada para conhecer mais a respeito dessa bebida que moveu economias, financiou impérios e que hoje é bebida em todo o planeta. Hoje nós vamos falar do [Música] cafezinho. Reza a lenda, que é a origem do café tem seu início como uma história um pouco mitológica.
Conta-se que lá pelo século IX um pastor estava pastoreando as suas cabras no monte da Etiópia, quando ele percebeu que uma de suas cabras voltou bastante saltitante, serelepe e alegre depois de ter comido umas frutinhas de um arbusto que aquele pastor não conhecia. Esse pastor que reza lenda chamava-se Caldi, resolveu experimentar esse fruto. E o resultado não foi outro.
Ele passou a noite em claro fazendo várias atividades que ele antes se cansava bastante. A notícia a respeito do poder estimulante dessa frutinha se espalhou e alguns monges no monastério local resolveram experimentar ela para poder aguentar a vigília noturna das rezas que aconteciam todas as noites. Esse costume que nasceu com essa história lendária vai acabar se espalhando por todo mundo e hoje faz parte integral das nossas vidas em diferentes momentos e em diferentes lugares.
Seja quando você acorda para tomar aquele café antes de trabalhar ou aquele cafezinho da tarde com um bolinho de vó ou mesmo o café para poder aguentar os turnos do trabalho noturno. A verdade é que o café se tornou uma bebida muito importante e fundamental pra história da humanidade. Mas para além das origens míticas e lendárias, existem uma série de eventos e acontecimentos que acabaram permitindo com que o café pudesse chegar até nós da maneira de como a gente o conhece hoje.
Mas muito além do mito que você acabou de ouvir, o café tem uma origem ancestral que data de muito tempo. Cientistas acreditam que a planta tenha origem entre 1. 600.
000 anos atrás. Os primeiros registros arqueológicos onde ela foi encontrada foram nas montanhas da Etiópia. Um país que fica na costa oriental do continente africano.
Uma pesquisa recente publicada na revista Nature sugere que o café Arábica, essa espécie que a gente conhece, tenha sido fruto da fusão de duas outras espécies, o café canéfora e o café eugeneioides. Existem registros dessa planta desde o século VI, mas foi entre os séculos XV e X, mais de 1000 anos depois que ela vai alcançar o patamar que a gente conhece hoje. É nessa época que são encontrados os primeiros registros de cultivo, armazenamento e processamento do café.
Os primeiros sinais desse cultivo foram encontrados no atual Yemen, um país que fica na Península Arábica e que, por isso, vai acabar dando nome a essa espécie que a gente conhece hoje como café arábica. Antes de se tornar essa bebida que a gente conhece, o café era consumido de diversas maneiras, em diferentes locais, em diferentes tempos. Mas vai ser no século XV que a gente vai ter os primeiros registros da primeira casa de café que será aberta, a primeira especializada no tema, na cidade de Meca, também na Península Arábica.
E foi por volta do ano de 1600 que as primeiras sementes de café foram contrabandeadas e levadas para outros lugares para serem cultivadas. Mas por que que essa planta foi contrabandeada? Naquela época estavam acontecendo as grandes navegações, um período muito importante paraa história mundial, em que as burguesias europeias começavam a expandir o seu alcance comercial, buscando exatamente esses produtos que tinham um alto valor no mercado de luxo do continente, eram as especiarias, os metais preciosos e outros itens que eram muito difíceis de serem encontrados.
E o café era um deles. Lembra daquelas sementes que eu falei que foram contrabandeadas lá por volta do século X? Acredita-se que essas primeiras sementes tenham sido levadas pelas companhias de comércio holandesas para o país que a gente conhece hoje como Sriilanca.
Ele fica ali embaixo da Índia e ele já foi conhecido como Seilão e foi uma colônia muito importante de produção do café para o comércio internacional. Conforme a popularidade do café foi crescendo e a sua demanda no mercado europeu também, a sua produção passou a ser exportada para cada vez mais lugares. Então os europeus com as suas companhias de comércio e com todos os seus negócios vão levar o café para regiões como o Caribe, a Guiana e inclusive o Brasil.
Você sabia que o primeiro lugar que vai receber a semente de café no Brasil é o estado do Pará? Mas essa é uma informação que a gente vai trazer no nosso próximo vídeo, em que a gente vai dedicar um episódio inteiro para falar sobre a importância do café pra história brasileira. Enquanto isso, eu quero te apresentar a apoiadora desse projeto, o Clube de Assinatura da Vero Café.
Se você acompanha as lives, você já sabe da qualidade dos cafés da Vero Café, mas hoje eles têm uma oferta especial para você que tá assistindo a esse episódio. Mas antes disso, eu quero explicar como que a Vero Café funciona. A Vero Café, basicamente é um clube de assinatura que vai conectar pequenos produtores de café em diferentes regiões do Brasil a você, consumidor final.
A partir dessa conexão, você consegue ter acesso a um café que é produzido com a mais alta qualidade e garante também a continuidade de um sistema de produção sustentável e que permite que essas famílias possam continuar vivendo do seu plantil. Como esses cafés são selecionados todos os meses, isso significa que os sabores, sensações e experiências também serão únicos mês a mês. Já teve café com toque de torta de maçã?
Já teve café com toque de cana de açúcar, com toque de pudim. Os sabores são muitos e você pode conferir todas as oportunidades que a Vero Café tem lá no site deles. Dá uma olhadinha no link aqui na descrição e não se esquece de usar o cupom especial que a gente tá disponibilizando para vocês.
Então, se você quiser ter uma experiência diferenciada no consumo do seu café e ainda promover uma rede de economia sustentável, não deixe de conhecer o clube de assinatura da Veroca Café. Então, conforme o café foi se popularizando, o volume das suas exportações também começou a crescer muito dentro do continente europeu. E assim como em MECA, alguns estabelecimentos, algumas casas de café começaram a abrir na Europa e a primeira delas, acredita-se, que tenha sido aberta na cidade de Belgrado, atual capital da Sérvia, em 1522.
É verdade que Belgrado fazia parte do império turco otomano, mas considerando sua posição geográfica, a gente pode dizer que essa foi a primeira casa de café no continente europeu. Conforme o contato dos europeus com esses mercadores orientais aumentava, o interesse pelas especiarias, incluindo o café, também aumentava. Isso vai acabar fazendo com que outras casas de café comecem a nascer em cada vez mais cidades europeias.
Em pouco tempo, cidades como Oxford, Amsterdam, Londres, Paris passarão a ter as suas próprias casas de café, em que as pessoas iam se reunir constantemente para tomar um cafezinho e para discutir e debater sobre os temas mais importantes daquele momento. Na Inglaterra do século X7, por exemplo, esses estabelecimentos vão ter uma importância fundamental, especialmente porque nesses espaços não havia distinção de classe social de quem o frequentava. A regra para poder participar dessas discussões e desses debates era de manter esse nível de igualdade.
E a única coisa que custava era justamente o preço de um cafezinho. E foi graças a essa dinâmica que novas ideias começaram a circular com um movimento cada vez maior pelas cidades europeias. ideias essas que debatiam não só as questões candentes e importantes de cada região, mas que também muitas vezes vão questionar a própria ordem do poder político que existia na Europa.
A gente tá falando do século X7, um tempo em que o absolutismo era o regime político dominante na Europa e passava a ser enfrentado por questionamentos de uma classe social que começava a ganhar cada vez mais poder. famosa burguesia que usava desses espaços das casas de café para expor suas ideias e as contradições do regime político que os prejudicava. Eventos como a Revolução Gloriosa de 1688 e a Revolução Francesa de 1789 são a prova viva de que essas ideias, circulando cada vez mais só puderam ganhar essa capilaridade graças às casas de café.
Mas para além desses eventos políticos, existe um outro muito importante e que alterou para sempre a nossa relação com a realidade, na qual o café tem um papel fundamental e esse evento era a revolução industrial. Algumas mudanças muito importantes aconteceram nesse período, uma introdução à máquina a vapor e o crescimento desenfreado de todas as cidades que ganhavam cada vez mais trabalhadores que vinham trabalhar nas fábricas que tomavam conta das paisagens. Naquela época era muito comum que os trabalhadores bebessem cerveja diluída em água para poder aguentar um dia de trabalho.
Mas conforme o café foi se popularizando cada vez mais, o hábito de beber cerveja aguada foi substituído pelo consumo do café. A bebida começou a ser associada a maiores rendimentos no trabalho, à atenção e ao cumprimento das longas jornadas que caracterizaram a revolução industrial, em que os operários trabalhavam 10, 12, 14, 16 horas por dia. Imagina aguentar tudo isso sem um míero cafezinho?
Difícil, né? Graças a essas alterações econômicas, a produtividade vai se elevar em patamares nunca antes vistos, o que vai, inclusive permitir com que o capitalismo, na forma de como a gente o conhece hoje, pudesse ser estabelecido. As mudanças provocadas pela revolução industrial vão elevar os patamares de produtividade a níveis nunca antes vistos na história da humanidade.
Ao mesmo tempo, a pobreza entre os trabalhadores cresce cada vez mais. Mas uma parte importante dessa engrenagem é que vai colocar o café nesse lugar de atur principal está em uma das substâncias que compõe essa planta, a famosa cafeína. A cafeína atua como um estimulante no sistema nervoso central e ela reduz a fadiga e aumenta o nosso estado de atenção.
Isso acontece porque a cafeína bloqueia os receptores de adenosina, um neurotransmissor que induz ao sono e ao relaxamento. E é por isso que depois que você toma uma xícara de café às 6 da tarde, geralmente você não consegue dormir. E eu digo geralmente porque às vezes você consegue.
Com esses receptores de adenosina bloqueados, o nosso cérebro entra num tipo de modo turbo e ele meio que corta o seu cansaço, garantindo que você permaneça acordado, ainda que você esteja bastante cansado. E foi graças a essas características que hoje a gente associa o café a atividades como o estudo, o trabalho e todas essas que estão relacionadas de alguma maneira com o rendimento. E para manter a alta produtividade da classe trabalhadora, especialmente naquele momento da revolução industrial, litros e litros de café foram necessários para fazer isso possível.
Afinal de contas, quem nunca precisou fazer aquela jar de café para entregar um trabalho que tá chegando no prazo, para estudar para uma prova ou para alguma atividade que você deixou pra última hora? Só não vai deixar pra última hora de assinar o clube da Vero, hein? depois perde o cupom de desconto e fica triste.
Assim como o chá, tabaco e o álcool, o café vai est no rallas substâncias psicoativas que vão ser incentivadas a serem consumidas na era do capitalismo industrial. Com uma economia focada na produtividade, uma substância como essa se torna muito importante para que os trabalhadores permaneçam ativos em longas jornadas, como é até os dias de hoje. E durante o século XIX, momento em que o capitalismo vai se assentando e vai se articulando em todo o mundo, a produção e a exportação de café vai acabar ficando legada a um determinado conjunto de países.
Então, os países da América Latina, do Caribe, da África, da Ásia, do Oriente Médio vão acabar se responsabilizando pelo processo de plantil e de venda desse café para a Europa, que seria responsável pelo refinamento e pelo processamento final desse produto. Essa relação revela pra gente o esquema que o capitalismo opera até os dias de hoje, que é esse esquema de centro e periferia, em que alguns países serão responsabilizados pela produção desses produtos de maneira primária, muitas vezes com baixo valor agregado, enquanto outros se tornarão especialistas no refino, garantindo assim o controle tanto da produção quanto dos lucros que serão envolvidos nesse processo. Vale você lembrar, a Suíça não produz um pezinho de café, mas ao mesmo tempo é o país que detém o controle de várias empresas que controlam a produção do café.
E é por isso que diversos empresários, latifundiários, países, companhias de comércio vão investir pesado para poder manter esse esquema de centro periferia funcionando. Mas o que que esse esquema significa? Na prática, ele significa um processo de concentração de terras, mão de obra escravizada ou extremamente barata, monoculturas voltadas paraa exportação e um permanente processo de dependência.
É assim que países como o Brasil se tornaram tão importantes na produção e na popularização do café. E no nosso caso particular, uma importância tão grande e tão sensível que vai alterar para sempre os rumos da nossa história. Mas para saber mais sobre como essa bebida alterou os rumos da nossa história, fiquem ligados no segundo episódio da nossa trilogia especial sobre o café Brasil, a valiosa joia do café mundial.
Então, se você gostou desse vídeo, não se esqueça de curtir, de compartilhar com aquela pessoa que você sabe que vai gostar de ouvir uma história maneira sobre o café e também não deixe de se inscrever no canal. Além disso, não perca a oportunidade de conhecer o Clube de Assinaturas da Vero Café e ter todo mês na porta da sua casa um café para lá de especial para você poder tomar com quem você gosta. Então fiquem ligados porque na próxima semana teremos um novo episódio dessa que é a trilogia mais eletrizante da internet.
Muito obrigado por ter assistido até aqui e até a próxima. Yeah.