Eu estava aqui conversando com o meu amigo Chaves sobre essa dupla sertaneja de hoje, a Dupla Vermelha. É que, na realidade, eu sei por que trair é mal. Eu sei, eu sei que, quando eu traio, antes de tudo, eu me traio.
Eu sei que, ao fazer isso, eu estou destruindo meu caráter. Eu sei que eu vou ter que engajar no mundo de muita mentira, de muita conversa fiada, de muito engano, se eu não quiser ser flagrado por olhos humanos que vão desconstruir o meu ser. Eu sei também que, ao fazer isso, eu quebrei um pacto de dimensões espirituais com a minha mulher, que tem um vínculo de amor.
Amor é um vínculo espiritual, é uma aliança espiritual. Eu violei o espírito dessa aliança e violei a confiança que essa aliança encarna, e estou fazendo algo que tem o poder de matar a alma da outra pessoa que me ama, que me quer bem. E, mais do que isso, eu estou também usando alguém, apenas usando.
Mesmo que eu diga que, afetivamente e fisicamente, eu tenho uma paixão, mas é uma utilização. Porque, se não fosse um uso, eu correria todos os riscos de trazer isso para a luz. Então, se é na sombra, é uso.
Eu uso e estou também degradando a alma de uma pessoa, porque, assim como eu degrado a minha pelo exercício disso, eu degrado a dela. Eu reforço a degradação do serzinho dela, assim como eu a coloco na mesma situação que eu estou, de ferir aqueles que nela confiam. Você viu que, até agora, eu não falei em Deus.
Não falei em Deus; só falei no mal que faz ao homem. Deus nunca estabeleceu mandamentos para o homem que não fossem para o bem do homem. Deus nunca estabeleceu um mandamento que fosse para o bem de Deus.
Você entendeu? Todo mandamento de Deus é para o bem do homem. Nenhum mandamento de Deus é para o bem de Deus.
Tudo que Ele diz tem a ver comigo e com você. Se eu não traio, Deus não fica mais forte; se eu traio, Ele não enfraquece. Agora eu vivo as consequências, independentemente de ser flagrado ou não.
O flagrante da minha consciência deflagra dentro de mim processos irreversíveis de desconstrução humana, pessoal, com todas as implicações desses outros riscos calamitosos. Então, se você, porventura, pergunta: "mas por que esse assunto? " Esta é a razão pela qual isso destrói o ser.
Isso vai pastorando a alma, vai produzindo cinismo, vai desfigurar a gente, vai colocando a gente em mundos paralelos, vai nos aliando ao pai da mentira, nos tira da possibilidade de viver a vida do tipo "sim, sim; não, não". Portanto, o que disso passa já vem carregado de toda a doença do maligno, adoece o espírito, adoece a alma, adoece a mente, fragmenta o caráter, rouba a energia, cria em nós uma outra fonte de comunicação. É uma degradação profunda que você, na sua alienação, não percebe, mas um dia você vai enxergar.
Espero que o dia seja hoje, que você receba esse flagrante do Espírito Santo, que você leve um susto do Espírito Santo. Queria que o Espírito Santo assustasse a gente, que a gente se enxergasse não apenas como aquele que foi flagrado, exposto, mas o flagrado encoberto, apedrejados, terrivelmente dramaticamente infernos do deflagrador, do divulgador prazeroso, do detetive furtivo acerca da alma do outro que ainda não se enxergou e é mais podre do que aquele que foi um flagrado exposto e sofre vergonha pública. Mas esse outro que vai atrás e quer trazer a juízo já virou diabo e não sabe.
A mulher adúltera ainda é uma mulher humana; esse outro que quer apedrejar já é um diabo, já virou um ser desumano, embora escondido sob o manto da religião, sob o disfarce da piedade, que, nesse caso, eu chamo de peidade. Não é piedade; é peidade dos pedrosos apedrejados.