A gente segue de olho na situação da Venezuela após a ação militar que foi conduzida pelos Estados Unidos. Informação que a gente tem é que Nicolás Maduro é levado aos Estados Unidos, a princípio de barco. E a gente segue repercutindo toda essa ação militar.
Conversamos agora com o professor de Ciências Militares da Escola de Comando Maior, aliás, de Comando e Estado Maior do Exército, Sandro Teixeira. Professor, muito obrigada por nos atender. Uma boa tarde para você.
Queria começar falando sobre a natureza dessa operação, porque os Estados Unidos já vinham fechando o cerco na Venezuela há muito tempo, desde agosto, setembro, com os barcos ali na costa de Caracas e agora veio a incursão por terra. Que que a gente pode entender do formato que ela foi conduzida? >> Larissa, boa tarde a você, boa tarde a toda a nossa audiência.
Obrigada, Band News, pelo gentil convite. Ah, é uma operação clássica de, nesse momento, o que a gente tá vendo é uma operação clássica de operações especiais com utilização de inteligência. Então, eh, parte da estratégia do governo Trump de pressão gradual que foi sendo com foi aumentando a partir do a partir do meio do ano passado, com o deslocamento primeiro de alguns meios militares para Costa Rica, República Dominicana e algumas outras instalações americanas.
Depois a gente viu navios, depois a gente viu em outubro, novembro o porta-aviões, o o Gerald Fort sendo deslocado lá da Europa para essa área. Então todo esse pacote militar que tava sendo preparado, obviamente não ia ser utilizado apenas contra barcos ah de droga, apenas contra uma operação que seria uma operação de interdição de tráfico de drogas. havia claramente ali um componente de mudança de regime.
Entretanto, o que a gente também percebe é que o Trump ele é um diferente de outros presidentes americanos. Então ele procura utilizar a força de maneira muito rápida, muito decisiva e muito cirúrgica. Então, como a gente pode ver, essa operação, ela foi uma operação que procurou interditar o caminho eh de que qualquer oposição que a Venezuela pudesse oferecer a esse essa força de operações especiais que foi até Caracas, apreendeu o presidente venezuelano Nicolas Maduro e agora o leva a primeiro leva ele a um navio americano e agora desse navio ele vai ser levado aos Estados Unidos aí para o que já foi anunciado pela imprensa americana, segundo Trump, de que ele será julgado AD por autoridades americanas no direito americano.
Então essa ação nesse momento é uma ação de operações especiais com inteligência. Se ela vai ser uma ação maior, de maior vulto, a gente ainda vai ter que esperar um pouco. Houve uma declaração que ele deu agora poucos minutos atrás paraa Fox News, dizendo que se os leais a Maduro continuarem sendo leais, que eles também podem ter um dia muito ruim.
Então isso pode ser o prenúncio de uma segunda onda de ataques a diversas instalações do regime e a diversas figuras, como principalmente o presidente da Assembleia Nacional e ministro da Justiça, o Diado Cabedio e o ministro da defesa, que é o Vladimir Padrino Lopes. >> Professor, junto comigo aqui no estúdio tá o apresentador do jornal Band News, o Luís Megal, vai participar da entrevista junto com a gente. Megal, >> professor, boa tarde.
Prazer conversar com o senhor. Eh, como o senhor disse, eh, nesse instante nós temos muito mais perguntas do do que respostas, né? Mas para tentar esclarecer o nosso ouvinte e o que aconteceu nessa manhã, eh, os Estados Unidos realizaram um ataque do ponto de vista americano bem-sucedido, né, ao coração do regime, ao palácio Miraflores, conseguiram capturar rapidamente o presidente venezuelano.
E a pergunta que fica agora é: eh, a América do Sul está em guerra? Há uma guerra no nosso país vizinho e e nesse instante quem comanda Venezuela? Talvez isso tenha entrado, Megali, muito obrigado pela sua pergunta, no cálculo americano, é justamente o fato de que a vice-presidente está fora do país, ela está na Rússia.
Ah, a gente tem aqui nesse cenário a os duas figuras fortes do regime ainda na Venezuela, mas que, segundo algumas informações que ainda são difícil de difícil confirmação, teriam sido alvos de ataques, mas não foram atingidos o ministro da defesa e oado cabedion. Então aqui o que a gente tá vendo é quem agora define quem manda na Venezuela. É uma pergunta muito difícil de se fazer, porque se a vice-presidente na Rússia teria poder, mas só que ela não tem o poder que o ministro da defesa tem, nem tem o poder que o presidente da Assembleia Nacional tem.
Então, nesse momento, a gente pode inclusive estar vendo pelo cálculo americano, tirando o Maduro da equação, a uma possibilidade de uma luta entre esses três atores pelo poder, ou uma tentativa de acordo e transição pactuada, que é o que alguns analistas acreditam que os americanos estejam tentando fazer. Aí há quem diga até que mesmo que o Maduro teria sido entre aspas dado de presente para busca dessa transição pactuada e um novo governo que seria muito provavelmente a de Maria Corina Machado, mas ainda é uma conjectura e ainda é uma especulação. Agora, quanto ao fato de que a América Latina ou a América do Sul estar em guerra, ah, eu não acreditaria nisso numa análise pessoal.
Eu vejo muito mais como uma intervenção americana, não é a primeira na região, mas é dentro do colorário da nova estratégia nacional de segurança americana, que é justamente a de assegurar as Américas para os Estados Unidos. Então, atores que sejam não simpáticos aos Estados Unidos poderão sofrer ações desse tipo. Então, isso, na verdade, é um recado do Trump, não só para vários países da região, mas para outros países que estão observando a essa dinâmica, como por exemplo, o Irã.
que acabou de receber um tweet do Trump dizendo: "Olha, não atir nos seus manifestantes" e por aí vai. Então, há claramente uma percepção americana de usar a força para mudar se for de interesse deles. Então, esse que talvez seja o fator mais perigoso, mas não me parece que há no governo Trump uma disposição para fazer uma guerra ou sustentar uma guerra na Venezuela, não mais do que uma operação desse tipo, que é tirar o Maduro, talvez tirar algumas outras figuras do regime para permitir uma transição.
Então, talvez seja isso que a gente esteja vendo nesse momento. E esse regime de duas décadas, professor, é sustentado muito menos pela também, claro, pela eh pelo carisma de Di Hugo Chaves e pela mão forte de Nicolás Maduro, mas pelos militares, né? E como é que os militares eh eh venezuelanos entram nessa equação?
Quando o senhor fala de um prêmio a ser oferecido aos americanos, né, na na forma de Nicolás Maduro, esse é um prêmio que foi oferecido pelos generais venezuelanos, na sua visão, >> Megali, há a uma pelo menos duas ou três análises que já indicam isso, que você teria ali o início de uma possível transição pactuada e que o Maduro teria sido oferecido como um trunfo de negociação. É, o fato é de que realmente a operação americana, de certa maneira, ela foi espetacular no sentido de que conseguir capturar o conseguir capturar o presidente de um outro país a segundo rumores, dentro do seu palácio. Há uma outra série de rumores que diz que ele estaria dentro da principal base venezuelana, que é o Forte Tiuna, que fica em Caracas.
É um grande complexo militar. a sem dúvida, demonstra uma não só enorme capacidade americana, mas também uma fraqueza ou uma complacência venezuelana de quem guardaria Maduro. Então, nesse sentido, é possível sim que a gente tenha essa transição pactuada, mas além disso, Megali, há que se considerar que o poder que foi dado aos militares primeiro por Chavez e depois por Maduro, é muito grande para que ele seja desfeito apenas com bombas e mísseis americanos.
é um poder que vai por toda a economia venezuelana. A boa parte dos governadores de província na Venezuela são militares de carreira, são generais venezuelanos ligados a Maduro. Então, mesmo que você queira fazer uma transição, você vai ter que trazer esses militares venezanos para conversar e fazer uma oferta com eles e negociar com eles, porque o outro caminho é uma guerra muito custosa, muito longa e que é impopular tanto na Venezuela quanto nos Estados Unidos.
Professor, mais cedo a gente repercutia com os especialistas em relações internacionais também e o professor Sidney Leite, que é doutor em relações internacionais, chegou a comentar um ponto muito parecido com o seu, que a questão de você tirar Nicolás Maduro, você tira a figura do ditador, mas a Venezuela permanece sobre questões militares com esse domínio militar. Acabou de sair um posicionamento da Maria Corina Machado. Eu vou ler e traduzir e a gente segue com a entrevista.
A Maria Corina Machado publicou um uma carta, ela publicou nas redes sociais, vou traduzir aqui para você. Ela começa assim: "Venezuelanos, chegou a hora da liberdade. " Nicolás Maduro a partir de hoje enfrenta justiça internacional pelos crimes e atrocidades que foram cometidos contra os venezuelanos e contra também os cidadãos de muitas outras nacionalidades.
Depois de não aceitar a saída que foi negociada, o governo dos Estados Unidos cumpriu a promessa de fazer a lei valer. Chegou a hora da soberania popular e da soberania nacional para que essas duas possam tomar conta, eh, com cuidar agora do país. Vamos colocar ordem, libertar os presos políticos, construir um país excepcional e trazer os nossos filhos de volta para casa.
Nós lutamos por muitos anos, entregamos tudo e valeu a pena. O que tinha que acontecer está acontecendo. Tá na hora de os cidadãos tomarem o controle.
Nós arriscamos tudo pela democracia no dia 28 de julho. Nós elegemos Edmundo Gonzales Urutia como o legítimo presidente da Venezuela, que deve assumir de imediato o mandato constitucional e seria reconhecido como o comandante chefe das Forças Armadas Nacionais para todos por todos os oficiais e soldados que a integram. Hoje estamos preparados para fazer valer a pena o nosso mandato e tomar o poder.
Devemos permanecer vigilantes, ativos e organizados até que a transição democrática esteja concluída. Uma transição que precisa da ajuda de todos. Para os venezuelanos que estão dentro do nosso país, vocês estão prontos para colocar em prática tudo que já tinham comunicado pelos canais oficiais.
Para os venezuelanos que estão no exterior, precisamos de mobilização, ativando os governos e cidadãos do mundo, aqueles que estão comprometidos desde já com essa grande operação de construção da Nova Venezuela. Nesse momento decisivo, recebam a minha força, confiança e meu carinho. Seguimos em Alerta e Contato.
Venezuela Será Livre, carta assinada pela Maria Corina Machado e publicada agora pelas redes sociais. Professor, na tua leitura, na tua análise, pelo que eu consigo entender, Maria Corina Machado comemorando, claro, e exigindo que, com esse movimento que o senhor falava que era necessário, que as forças militares também entrem de acordo para que eventualmente Edmundo Gonzales, o Rutia assumisse o poder. >> Sem dúvida, Varissa.
É o que fica muito claro aqui, eh, inclusive isso provavelmente tá sendo feito em coordenação com os Estados Unidos. A gente tem que lembrar que esse pronunciamento dela agora provavelmente foi coordenado, porque em alguns minutos a gente vai ter o pronunciamento oficial do presidente Trump, que vai ser às 11 horas de Washington, 1 da tarde aqui no Brasil. Então, muito provavelmente está sendo colocado essa questão e está sendo colocada essa questão pro regime.
Olha, eh, vocês têm uma possibilidade de escapada se vocês aceitarem negociar e aceitarem os resultados da eleição ah do a eleição de julho passada. A questão aqui então a ser colocada é se esses leais ao regime, se a retirada a desses leais ao regime, como Padrino Lopes, como Cabédio, permitiria essa transição ou se você vai ter ainda um esforço maior porque você ainda teria uma camada maior de leais a Maduro ou daqueles que vem que com a saída de Maduro eles só têm a perder e aí vão ferrar, vão firmar as suas posições. Então aqui é o cenário que a gente tá vendo e que a gente vai ver clareando mais nos próximos dias.
Mas sem dúvida a pressão americana agora adquire e eh número máximo eh eh nível máximo, porque o recado é muito claro. Se nós conseguirmos capturar Maduro, a principal autoridade do país, na madrugada de sexta para sábado, imagina quem nós não poderíamos conseguir ah capturar. Então, sem dúvida, agora também a gente deve estar vendo nas altos cuturnos, nas alta, na alta cúpula do regime, uma sensação de que a todos sabem a posição de todos e todos podem ser eventuais alvos dos Estados Unidos.
todos eh inclui nós, professor, quando a gente fala eh dos recursos naturais brasileiros, quando a gente interpreta ali aquela eh aquela frase aparentemente sem sentido, né, do vice-presidente Jade V de que a Venezuela terá de devolver o petróleo roubado dos Estados Unidos. Que petróleo roubado dos Estados Unidos? Se a Venezuela, que é dona do maior eh da da da maior quantidade de petróleo do planeta, na visão americana, roubou durante toda sua história o petróleo dos Estados Unidos, eh potencialmente qualquer coisa que esteja aqui no Brasil pode eventualmente pertencer aos Estados Unidos também sob, professor, ou é muito alarmismo a gente se incluir nessa nessa ameaça?
Veja, Megali, eu acho que nesse momento o o discurso é muito voltado, muito calibrado para Venezuela a e para outros atores na região que são considerados por esse grupo dirigente do partido republicano que circula e orbita em torno do Trump. Ah, e aí principalmente eh eh a figura que deve ser muito bem colocada agora não é nem o Jane Vent, você lembra do tweet dele? Isso é muito bom pra gente poder a a reforçar essa análise.
Mas o grosso dessa operação é muito o o anseio e o desejo do Marco Rúbio, porque na visão dele, enfraquecer a Venezuela agora e conseguir fazer uma mudança de regime abre espaço para que ele consiga fazer o seu alvo a o seu outro alvo na região que é Cuba. e ele como descendente de cubanos que foram perseguidos pelo regime dos Castro. Sem dúvida tirar a Venezuela da capacidade de apoiar a Cuba seria um grande trunfo pra região e um grande trunfo para enfraquecimento de Cuba e a possibilidade de uma abertura de regime em Cuba também.
Eh, no caso de eh eh a questão de que o petróleo roubado é uma leitura um pouco torta, mas muito comum desse grupo do partido republicano, uma vez que a a única companhia americana e nesse momento uma das pouquíssimas estrangeiras que pode explorar petróleo na Venezuela é a Chevron. E uma das coisas que tá na gênese dessa crise que a gente tá vendo hoje é o fato de que quando Maduro começou a reivindicar o exequibo da Guiana, ele também reivindicava a faixa de exploração de petróleo da Guiana, que é explorada também pela Chevron dos Estados Unidos. Então, com isso, ele causou um enorme eh problema de exploração, um enorme incômodo que naturalmente isso gerou resposta do governo americano, que sempre é muito proativo quando você mexe com os interesses não só geopolíticos e energéticos americanos, mas os interesses das grandes empresas americanas.
Então, eh, ele acabou dando um passo maior do que ele podia achar, ah, que podia dar e acabou dando um passo maior, ah, e acabou colhendo a, a tempestade que ele não viu, que ele plantou. Então, nesse cenário, eu não veria tanto essa ação quanto ao Brasil ou quanto a outros países da região. Agora, há declarações fortes de Trump.
Ele deu uma declaração agora dizendo que a algo tem que ser feito em relação a presidente do México e ele já vem tendo uma campanha de pressão em cima de Gustavo Petro. Isso indica que ele faria uma ação desse tipo contra Gustavo Petro ou contra eh Cláudia Schembal do México? Não, mas o fato é de que ele tem um elemento de retórica, ele tem a ameaça do uso da força agora como uma ameaça crível pros países da região.
Então fica muito claro aqui que ele tá fazendo esse ataque também para mostrar pra região, olha, ou vocês estão com os Estados Unidos ou vocês vão seguir pelo caminho do Maduro que tentou andar pela via da China e pela via da Rússia. E olha o que aconteceu com ele. Então aqui também tem uma mensagem muito clara e direta pra região, assim como também uma mensagem muito clara e direta paraa China e Rússia.
Olha, eu estou disposto a usar o poder para resolver aquilo que na palavra do secretário de nas palavras do secretário de defesa americano, Pitfer, está na hora de recuperar o nosso quintal. É uma mensagem para nós da América Latina terrível de ouvir, mas é a visão que se tem Washington da região. >> É, sob esse ponto de vista da Guiana, realmente a gente consegue encontrar pelo menos algum lastro, né, com a realidade dessa dessa fala do Nicolás Maduro do petróleo roubado dos Estados Unidos.
Eh, o senhor usou o termo tempestade? Eh, professor, isso me remeteu a 2003, março de 2003, quando da operação tempestade do deserto. O senhor vai lembrar?
Eh, numa noite de domingo para segunda, as bombas começaram a ser despejadas eh no Iraque numa cena televisionada impressionante, né? A cidade inteira com explosões espalhadas ali por todos os cantos eh naquela noite barra madrugada de de segunda-feira. Eh, e recentemente, conversando com o professor Leonardo Trevisã, com o nosso correspondente Eduardo Barão, eu fiz a mesma pergunta aos dois.
Quando ocorresse essa tão anunciada operação americana na Venezuela, o que a gente veria seria isso, seriam bombas caindo sobre Caracas, o que parecia até então algo impensável. E foi exatamente o que ocorreu nessa madrugada, uma cena que remete muito àela da da invasão do Iraque, claro, operações de naturezas diferentes, mas aquela também tinha como objetivo depor eh um ditador. Isso aconteceu e aí o Iraque, enfim, transformou-se no que transformou-se em um lugar muito mais instável depois daquilo.
Eh, duas perguntas em relação aos equipamentos utilizados naquela época. Eh, o que que quais foram as bombas lançadas hoje sobre Caracas? Qual é o potencial destrutivo eh desses foguetes que foram lançados?
Eh, porque até agora a gente não tem, né, um saldo de mortos, por exemplo. Sabemos que que a estrutura petrolífera não foi atingida, né, Larissa? >> Foi preservada.
A informação que a gente tem por parte do governo da Venezuela, imprensa americana também. A estrutura petrolífera foi completamente preservada dos ataques. Foi atingida uma base militar em Caracas e também regiões que não são militares, regiões civis.
Mas o governo da Venezuela não traz balanço no número de mortos feridos e também nem qual foi o tamanho do estrago, quantos prédios derrubados, quantas equipes empenhadas no resgate. >> É aí duas perguntas então de natureza bem diferente, professor. primeira eh, em relação aos equipamentos que foram usados nessa madrugada e seu potencial destrutivo e a segunda sobre a possibilidade de de eh essa intervenção causar uma grande instabilidade na América do Sul, a exemplo do que aquela passou a causar no Oriente Médio.
Megali, é muito bom você lembrar da ação americana no Iraque em 2003. Por quê? Eh, quando os americanos têm esse tipo de operação, eles empregam uma coisa que a gente chama na doutrina militar de doutrina de choque e pavor.
Ou seja, você emprega um poderio massivo ah no primeiro momento da operação para causar inclusive a paralisia do seu inimigo, não só por você destruir infraestruturas críticas, eh rádio, defesas antiaéreas, atacar centros de comando e controle, mas também pela intensidade dos ataques. Você cria, procura criar na mentalidade do seu oponente, na mente do seu oponente, dos militares oponentes, aquela coisa de será que vale a pena resistir ou é melhor eu me render? Então, até mesmo essa questão que a Larissa ressaltou muito bem, o fato de que a gente não tem nenhuma comunicação oficial do venezuelano de mortos, feridos, locais atacados, indica o fato de uma certa paralisia do governo.
Ou seja, a paralisia do governo vai além do fato de que você tirou o o máximo líder dirigente. Agora, nesse momento, talvez as principais lideranças do regime, elas fizeram declarações de vídeo, mas elas sumiram. Elas não estão dando ordens, elas não estão preocupadas em fazer a a máquina do estado continuar.
A gente tem relatos de que a tropas estão nas ruas em Caracas. Ah, mas são relatos também mostrando de que no cenário de que parece que muito mais foi uma ação ah tocada por lideranças menores, lideranças eh de médio a baixo nível na hierarquia venezuelana do que da alta cúpula, porque inclusive você vê uma certa descoordenação. Então, o que a gente pode estar vendo são os efeitos ah bem-sucedidos desse ataque americano no sentido de que os líderes venezuelanos estão pensando agora, será que eu parto para fazer um acordo?
Será que eu fico na minha posição? Eles estão calculando qual é o estado de coisas nesse momento. Então, o que a gente tá vendo muito claramente é isso.
E a ideia utilizada é essa. E para você fazer isso, aí eu vou responder a segunda parte da sua pergunta. você tem, você utiliza munições de precisão.
Basicamente o que a gente viu foi a utilização de Meston Marrock, a algumas bombas de precisão lançadas por caças F35. Mas além disso, a gente já tem uma série de vídeos que mostram também que as Forças Armadas Venezuelanas, elas foram pegas completamente de surpresa de helicópteros nos céus de Caracas utilizando armamento. Você só utiliza esse tipo de helicóptero de ataque, Luiz Megali, quando você tem uma certeza de que o seu oponente não pode disparar nenhum armamento antiaéreo contra você.
Então, chegou-se a esse ponto. Os americanos literalmente tiveram um céu de brigadeiro e penetraram no na nos céus de venezuelanos com grande capacidade e impunes, sem nenhuma defesa aérea venezuelana ativada e puderam atacar os seus alvos a Belazer. Então aqui a gente teve inclusive a utilização de metralhadoras e canhões de tiro rápido de helicópteros.
Você já tem diversos vídeos disso aparecendo em redes sociais, ou Instagram ou no antigo Twitter e por aí vai. Então isso mostra a capacidade americana de fazer o ataque, de procurar os seus alvos e também a capacidade que foi feita nas ações de inteligência. A gente tem que lembrar que no início do ano o Trump autorizou a CIA a realizar operações contra o regime venezuelano.
Isso deve ter envolvido também a busca e aquisição de fontes de inteligência humana, até mesmo para saber os locais dessas lideranças do regime e aquilo que era de mais importante no regime que deveria ser destruído no caso de um ataque como esse. >> Professor, já quase encerrando com o senhor, agradeço muito o teu tempo, tua disponibilidade e a gente teve agora a pouco o posicionamento do Edmundo Gonzales. Ele compartilhou aquela publicação que a gente leu aqui da Maria Corina Machado e disse assim: "Venezuelanos, agora são horas decisivas.
Precisamos estar prontos pra grande operação de reconstrução da nossa nação". Há muitos meses, o Nicolás Maduro vinha dando entrevistas, dizendo que estava treinando civis, enviando militares para várias regiões do país para que os civis tivessem treinados para, se preciso, pegar em armas, combater as forças americanas. Que que a gente espera das próximas horas que podem realmente ser decisivas pro futuro da Venezuela?
O que a gente deve esperar nas próximas horas, Larissa? E aí fica mais claro ainda que é primeira Marina Corina Mateado dizendo que o presidente que deve assumir é o Edmundo Gonzales, depois o Edmundo Gonzales e a gente tá a 10 minutos do pronunciamento do Trump. Então fica muito claro aqui que é um movimento coordenado e o que a gente deve ver nas próximas horas é ver se o regime venezuelano vai implodir ou se ele vai partir para uma transição pactuada nesse cenário.
Então aqui é algo na minha avaliação pessoal, eu espero que seja uma transição pactuada pelo bem do povo venezuelano, a a que a gente não tenha uma tragédia humanitária na América Latina e aí com isso a gente veja ainda mais tristes cenas de sofrimento dos venezuelanos, como a gente já tem visto, mais de 8 milhões de venezuelanos que emigraram do país fugindo desse terrível regime que se estabeleceu lá. Então, ah, espero que haja uma certa transição pactuada para que você possa ter uma melhor situação para o povo venezuelano e uma melhor situação nesse sentido também de reconstrução do país. Mas o fato é de que as próximas horas aí a 48 horas vão ser decisivas no fato de que a gente vai ver a a posicionamento dessa cúpula venezuelana chavista que ficou no país, o posicionamento da Dels Rodrigues que está na Rússia, se ela vai ficar lá ou se ela retorna e o posicionamento dos americanos quanto a questão de pressão que eles vão fazer sobre essas lideranças e o que vai sair disso.
Então são momentos decisivos que a gente tá vendo agora, >> professor. É só mais uma vai na esteira da resposta do senhor. Eleições limpas, uma redemocratização venezuelana.
1989 da Venezuela com candidatos de todas as matizes ideológicas, eventualmente até um chavista concorrendo ali dentro do princípio da democracia de que todos podem tentar. Eh, o senhor enxerga essa possibilidade no horizonte ou é um pensamento utópico demais para um país que acaba de ser invadido pelos Estados Unidos? Veja a Megali só com muita concertação entre os países da região para apoiar uma eleição.
Nesse sentido, a Venezuela vai precisar de muito apoio de Colômbia, de Brasil, de Chile e de outros países da região para que ela possa organizar um pleito desse nível e que ela possa também fazer uma reconstrução. a gente tá falando de um país que, inclusive, para comprar eh produtos de uso básico, um papel higiênico, por exemplo, depende de importação. Tamanha é a destruição da indústria venezuelana ah durante o chavismo.
Então, sem dúvida, ela dependeria muito da ajuda dos países vizinhos. Isso é um papel que talvez seja muito importante pro Brasil agora de tomar a liderança desse processo. A liderança desse processo não será feita pelos Estados Unidos.
Os Estados Unidos estão interessar do governo que ele considera hostil a ele. Ele não tem o interesse em estabelecer uma governança, em estabelecer um novo estado venezuelano. Fica claro que o interesse aqui é tirar um adversário, não é criar necessariamente um novo aliado que seja ah democraticamente livre, com uma economia capaz.
fic o que a gente tá vendo muito claramente aqui é um um uma tentativa nesse cenário por parte dos Estados Unidos. Agora, paraa reconstrução da Venezuela, ela vai depender muito do nosso apoio enquanto região. Então, os países da região vão ter que se unir.
Só que o problema é que a gente tá no momento de fragmentação regional. Então, talvez a gente tenha que ter um mentalidade aqui, talvez mais de estado, pensando no bem-estar da região, ah, do que ah, em necessariamente em afiliações ideológicas ou partidárias para que a gente possa ter uma Venezuela livre e com isso, uma região ah num melhor sentido. >> Conversamos aqui na Band News FM com o Sandro Teixeira, ele que é professor de Ciências Militares da Escola de Comando Estado Maior do Exército.
Professor, agradeço muito o teu tempo, tua disponibilidade para nos atender. Não garanto, falei mais cedo pros professores de relações internacionais. Talvez a gente volte a te acionar nos próximos dias.
Muito obrigada pelo teu tempo. Bom trabalho aí para ti. >> Muito obrigado a você, Larissa Almegali.
Muito obrigada a t nossa audiência. A gente fica à disposição. Muito obrigado.
Um ótimo sábado a todos vocês. >> Para você também. M.