A minha leitura, né, e acho que a leitura que o estudo s da paz faz, é que é um governo que ele é muito focado ainda no policiamento ostensivo e que tem dado pouca ênfase no policiamento investigativo à polícia civil com a polícia judiciária. Nós estamos ainda debatendo, usar cada vez mais força e estamos percebendo que a inteligência não tá funcionando. Nós estamos percebendo inclusive que não tem uma Coordenação de inteligência de âmbito nacional. Aliás, âmbito nacional não tem coordenação nenhuma. você tem uma plataforma, um um ecossistema que é criado aí que coloca o policial
nesse nesse combate, né, numa guerra que é uma guerra que não traz resultados, que coloca ele em risco, ele morre mais e no final beneficia os os políticos que estão capitaneando esse discurso. Então há uma ilusão de que as grandes tropas de Caveirão, roupa camuflada que vai resolver o problema. Só que não, porque a hora que você li que foi roubado o seu celular, não é a rota que vai atender, é o batalhão da sua área. [Música] Olá, muito bem-vindos a mais um podcast dois pontos aqui no Estadão, toda quarta-feira, com um tema novo, com
relevância para o seu dia a dia. Hoje a gente vai falar sobre violência urbana e trazer alguns números aqui para entender O que é que esses números significam. Porque olha só, no caso especificamente do estado de São Paulo, em 2024, o estado registrou o menor número de roubos desde o início da série histórica em 2021. Mesmo assim, este número ainda passa de 193.000 roubos por ano. Por outro lado, também a gente vê um aumento percentual no nos casos de latrocínio, que é o roubo seguido de morte. foi superior a 20% esta alta. No ano passado,
o estado E a prefeitura da capital tem adotado algumas operações específicas, novas medidas. Um dos casos mais recentes e que tem sido muito propagado, especificamente na capital, é o uso do programa Smart Sampa, que a gente vai abordar também para entender de que forma essas imagens são usadas, como que isso ajuda de fato a combater a criminalidade urbana e qual o impacto disso para quem vê essas imagens. São várias abordagens para entender, Inclusive se tem ocorrido algum tipo de migração entre as áreas onde era havia um entendimento de que eram áreas mais violentas para outras
localidades. E por quê? Tema muito amplo, mas definitivamente com muito impacto para o nosso dia a dia. Para me ajudar aqui nesse trabalho hoje no Vodcast, tenho o prazer de receber Itítalo Lorreia, que é repórter da editoria de Metrópole, faz essa cobertura de polícia. Ítalo, muito bem-vindo. Obrigado, Rosan. É um prazer Estar aqui. Ítalo, que vai trazer inclusive todo um levantamento que ele fez junto aos órgãos do estado para ter os as estatísticas, né, os números oficiais que são os que são apresentados. E será que esses números oficiais eh eles condizem de fato com uma
realidade? Não estou falando que é porque estado esconde o número, não é isso não. Antes que alguém venha tentar fazer alguma leitura nesse sentido, mas é por causa e é é em razão da Subnotificação. Isso é outro ponto para abordar. Mas estamos com grandes nomes hoje aqui no estúdio para tratar esse assunto conosco. Eu tenho conosco Rafael Rocha, coordenador de projetos do Instituto Sou da Paz. Rafael, muito bem-vindo. Obrigado, Rosiano. Um prazer estar aqui com vocês. E também conosco aqui no estúdio José Vicente da Silva Filho, que ex secretário nacional de segurança pública, coronel reformado
da PM. Coronel, muito bem-vindo. Obrigado, Rosano. É um prazer estar aqui com vocês, né? Com o Rafael, o Ítro. São pessoas que estão cuidando há muito tempo dessas questões que assustam a população do Brasil de maneira geral. O que é que é motivo? Então, a primeira pergunta para vocês, para de fato assustar quem mora no estado de São Paulo quando a gente pensa na questão da violência urbana, o que vocês diriam que hoje é o maior problema da violência urbana em São Paulo? É o que assusta, Acho que em qualquer local, não é tanto o
homicídio. O homicídio é muito grave, claro, mas para cada homicídio você tem 150, 200 roubos registrados. e o roubo que está mais próximo da experiência da gente, a quantidade, a variedade de tipo de roupos assustam muito. Entremeado de eventualmente de alguns latrocínios, morte em roubos. Esse dia a dia com o roubo é o que mais assusta a gente realmente é o encontro com a pessoa maldosa tomando alguma coisa de você. É O que leva a uma grande sensação de medo na verdade. Sim, concordo com o coronário José Vicente. Acho que com dois adendos, né? O
primeiro é que ainda que a gente esteja, como Rosiana disse no início do programa, eh, com uma redução, ainda é um número muito alto, né? A gente tá falando de 113.000 roubos registrados, porque tem a subnotificação, né, na cidade de São Paulo, que dá mais de 300 roubos por dia na capital. E uma parte significativa Desses roubos são de aparelhos celulares. Então, também é um outro tipo de roubo, né? é um é algo que afeta a vida das pessoas no sentido não que um roubo de uma correntinha ou de um relógio não afete, mas ter
o seu celular roubado é uma exposição tanto da sua vida pessoal como também do acesso à suas contas bancárias, a aplicativos de mobilidade, transporte. Então, gera um impacto ainda maior do que quando, sei lá, pensar na década de 90 tinha um Boné, um tênis roubado. Claro que isso é ruim e tem que entrar nas estatísticas, mas tem um celular roubado causa um nível de transtorno que eu acho que hoje gera um temor maior na população também. Eu queria só dar um passo atrás, eu acho, para situar melhor quem tá nos assistindo também, pra gente pensar
o contexto da violência de rua que a gente tem aqui em São Paulo, né? Na pandemia, assim como em outros estados, eh, São Paulo teve uma redução de roubos e Furtos de modo geral, não só no estado como na capital. E aí em 2022, 2023, esses dados eles voltaram a a chamar atenção, assim, eh os roubos eles voltaram a subir em algum em algum sentido até retomando que se tinha antes da pandemia, os furtos também voltaram a subir. Só que ele para além disso, eles apresentaram um incremento assim até maior do que se tinha antes
da pandemia e mais do que isso, tinham outros elementos que passaram a assustar a População. Assim, o Pix, como bem o Rafael falou, ele abriu a possibilidade da do bandido ele fazer transferências assim que o celular fosse roubado. E e a gente passou a ver muitas dinâmicas distintas assim na cidade de falso entregador, de quebra vidro, de ganho de bicicleta. Então isso tudo foi gerando mais temor assim na população. De modo que isso também virou um enfoque assim não só do governo de São Paulo, mas da prefeitura que buscou incrementar eh o Policiamento nas ruas
por meio da operação delegada. E aí, seja por isso ou não seja por isso, é até um ponto para a gente discutir aqui, os roubos e furtos, eles caíram no ano passado. Assim, a gente teve uma uma redução, só que ainda assim teve um incremento de latrocínios, que na capital eles subiram um pouco mais de 20%, assim, foram 53 casos no ano passado em comparação com 43 em 2023. E aí a pergunta que eu queria deixar aqui também pra gente Aprofundar um pouco mais a nossa discussão é se o antídoto, se o mesmo antídoto que
combateu essa alta de furtos e de roubos que a gente teve a partir de 2023, que é justamente do policiamento ostensivo nas ruas, se esse mesmo antídoto ele funciona também para esses crimes mais violentos que porventura resultam ali em latrocínios, tentativas de latrocínio e acabam assustando a população, né? Olha que a gente observa de maneira geral que Quando você coloca uma estatística genérica de roubos, você está na verdade falando de um conjunto muito grande de variedade de tipos de roubos. São tipo de criminosos, tipo de local inclusive onde eles atuam. Então não existe o remédio
genérico para roubos de maneira geral, como se imagina. Vou espalhar policiamento que isso afeta. Porque nós temos, por exemplo, o o Fórum Brasileiro de Segurança Pública é um ótimo anuário que ele vai, pela lei de acesso à Informação, buscar informação específica sobre o roubo em comércio, em residência, transeúte de veículos, celulares. E daí você começa a perceber umas certas nuances de como isso acontece nos variados estados. Então, o recordista, por exemplo, em roubo de celular é o estado Amazonas. A gente tá se queixando aqui, mas lá é quase o dobro de São Paulo. E um
outro, uma outra localidade em termos nominais ou em termos percentuais, em termos Quantitativos mesmo, né? Eu tenho aqui, na verdade, eu tenho eu tenho as taxas que reflet melhor, porque o roubo de furto e roubo de celular foi juntando na é até difícil às vezes de especificar se é roubo ou furto de celular. Então misturando os dois itens fica melhor. Mas o Brasil tem uma taxa mé de 460. furtos e roubos por 100.000 habitantes. Quando você vai no Amazonas é 175, São Paulo é meia 666. Mas curiosamente um estado que é bem Apetrechado, como se
diz, de policiamento e tem mais que o dobro de policiais proporcionamento do São Paulo, que é não é estado, é unidade federativa, Brasília, Distrito Federal, ele tem muito mais roubo e fúo celular do que São Paulo. E curiosamente alguns estados têm se destacado pela baixa incidência de de crime de maneira geral, que é o estado de Goiás e Santa Catarina. Eles vêm com dado, não temos dado 2024 ainda, né? Anuário sempre tem um um certo atraso em na publicação de dos dados, mas é um é um dado relevante. Um outro fator que assusta bastante as
pessoas é o roubo transeúte, que nós não temos uma estatística dessa em São Paulo. O Rio de Janeiro tem e especifica mais os tipos de roubo do que São Paulo. A estatística deles é bem melhor que a de que a de São Paulo. Isso ajuda não só a gente diagnosticar ou sentir a temperatura dos crimes nos bairros, nas localidades, mas Também força a população a cobrar dos chefes policiais que estão ali no distrito policial, estão aí no batalhão da PM, porque a a transparência de dados também tem essa função muito importante, né? Eu tenho alguns
dados aqui que a gente pode falar depois a respeito de da reclamação que todo mundo acha que classe média alta reglamenta, né? reclam muito de tudo, mas na verdade eles têm razão aqui em São Paulo. A gente vai entender porquê. Bom, eh eu tenho concordo plenamente assim com essa ideia de que os crimes eles não são todos iguais. As soluções para esses crimes, né, as as políticas públicas que devem ser implementadas não são também não são as mesmas. E mesmo no caso de roubo, né, roubo de residência, você tem uma uma tipo de estratégia de
policiamento de vizinhança, para comunitário, enfim, já o policiamento na Cé para roubo de celular de trans. Eh, e isso me parece ser um ponto Que tem, a gente tem passou por algumas mudanças da pandemia, né, como o Ítalo pontou muito bem, a gente tem uma redução dos roubos eh e furtos porque as pessoas estavam dentro de casa. Depois quando as pessoas voltam a circular, né, 21 ali para 22, você já tem o PIC sendo implementado, tendo sido implementado, sendo adotado por boa parte da população. Então o celular ele deixa de ser um um aparelho que
ele tem um valor por si só. Ele também serve primeiro Como um portal, né, para que outros golpes, para que outras transações financeiras sejam implementadas. E as estratégias de policiamento no estado de São Paulo, me parece que elas não acompanham. a gente chega em 2023, né, com um novo governo que tem um foco muito grande no policiamento ostensivo, né, um da Polícia Militar, que é muito importante, evidentemente, e foi muito responsável por essa queda. Quando a gente isola a cidade de São Paulo, teve Uma queda no centro que foi muito maior do que a queda
no restante da cidade, né? Então, a gente tem uma redução dos roubos concentradas nos distritos policiais do centro, nas franjas, né, em alguns bairros da zona norte, da zona leste, da zona oeste, teve até aumentos, né, o caso de Pinheiros, por exemplo, a gente tem aumento de roubo. Na zona leste como um todo, a redução foi de 7%, enquanto que na cidade como um todo foi de 13, né? Então você tem mesmo reduções Variadas, porque as a minha leitura, né, e acho que a leitura que o estudo só da paz faz é que é um
governo que ele é muito focado ainda no policiamento ostensivo e que tem dado pouca ênfase no policiamento investigativo a polícia civil a polícia judiciária. Então, por que que eu tô falando isso? Porque esses crimes eles se tornaram mais sofisticados. Não é a pessoa que rouba uma correntinha e vende ele para derreter o ouro, né? A pessoa que rouba Um celular não vai ser aquela pessoa que vai acessar seus aplicativos bancários, que vai dar golpe nos seus familiares. Você tem toda uma rede que envolve laranjas, que envolve equipes para destravar esses celulares. A gente tô falando
de quadrilhas, de um um nível maior de organização do crime do que quando é roubado o meu relógio no no no sinal. Então, para isso é necessária investigação. O cara esse caráter eh desse tipo de crime, ele demanda uma Investigação mais sofisticada, né, que é o papel da Polícia Civil. Então, quando esse governo atual, né, da gestão Tarcísio escolhe eh por uma opção política no modelo de policiamento ostensivo muito focalizado, que que é é importantíssimo, né, repito, eh ele abre mão de outras estratégias que só agora tem sido recuperadas na na nossa leitura, né? É
quase como se tivesse um médico que recomenda antibiótico para tudo. Para várias coisas o antibiótico Vai funcionar, né? Mas para outras não. E acho que é um pouco disso que a gente tem falado, assim, acho que o os o roubo ele se tornou mais sofisticado, né? O não roubo em si, o roubo é o mesmo, né? Mas o que acontece após aquele roubo, as quadrilhas de receptação são mais sofisticadas hoje nesse crime do transeú que pode atingir a todos nós. Eh, essa questão do do roubo, só porque eu fiz essa abordagem no começo, eu queria
saber qual é a avaliação de vocês, se Vocês têm alguma estimativa. Eh, a gente falou aqui, ó, 193.658 roubos em 2024. Issos são os números que o Ítalo trouxe aqui. Esses da Esses são do estado. 193.658. 58. Isso são os dados da Secretaria de Segurança Pública, né? Com base nos dados da Secretaria de Segurança Pública. 193.000. Menor índice desde o início da série histórica. Imagina 193.000 Ros. Você pode projetar por 300.000. Então é isso que eu queria Saber, essa subnotificação. Se dá para fazer uma estimativa vida real, quanto que se pode imaginar que esse número
chegaria? Se eu puder fazer só um acréscimo antes, a gente teve esse menor número de roubos da série histórica, só que ao mesmo tempo, distritos aqui de São Paulo, como Pinheiros, que é um bairro de de classe média alta, teve o maior número de roubos da série histórica no ano passado, que era um número que era um ano de queda. Pinheiros teve 3500 roubos e nesse ano, em janeiro, continua tendo essa alta assim. Então assim, dá para se dizer que com o maior combate no centro da cidade, houve, por exemplo, um espalhamento do dos grupos
criminosos assim, que você tá migrando, né? Vou começar pela estimativa, então, e saber dessa migração, se dá para fazer aí uma estimativa de quanto que seria vida real esse esse número de roubos. É um problema muito sério é que nós não Fazemos com a regularidade que deveríamos ter a pesquisa de vitimização, vitimização, que é uma pesquisa de opinião que a gente tá habituado para Brasil. Você entrevista 2.000 pessoas, represento com 95% de certeza, mas a de vitimização para saber quantas pessoas efetivamente foram vítima de crime, não levaram ao conhecimento das autoridades, ela em termos de
Brasil de 70.000 pessoas, né? Só o IBGE faz isso. Ele andou fazendo um Pouquinho nessa questão. Eu fui visitar o Departamento de Justiça nos Estados Unidos e lá todo ano, a partir do dia 2 de janeiro, ele começa a fazer a pesquisa de vitimização nacional. O estado do Paraná tá fazendo esse ano. Eu até sugeri para uma pessoa do contato do Tarcido, tem que fazer São Paulo para conhecer a realidade dos dados. Claro, é necessário também apurar melhor as estatísticas que nós temos, porque o o número de homicídios que o Estado demonstra na sua estatística
é praticamente a metade da realidade. Nós temos uma vergonhosa estatística de mortes a esclarecer, que é uma das maiores taxas do Brasil. E esses crimes, essas mortes a esclarecer uma pesquisa do IP é cerca de 70% delas são homicídios. Então é um problema muito sério. Em 2021 você é declarado pouco mais de 2.000 mortes, que na verdade teve mais de 5.000. Eh, mas há uma outra questão importante, é que é necessário Verificar, no caso das grandes cidades, verificar os distritos policiais, qual é a realidade deles pela população deles, porque simplesmente dizer que o Pinheiros Pimeiros,
né, para pessoa de outras cidades, outros estados, é um típico bairro de classe média aqui da capital paulista, né? Média para média alta, na verdade tem muitos restaurantes, tem uma atividade gastronômica intensa, etc. Mas nós estamos, eu tenho percebido quando fui Buscar a checagem da taxa por população, que os bairros de classe média alta, Pinheiro, Jardim Paulista, ah, Perdizes e Birapuera estão com a taxa muito acima da média da capital. Uma capital que tem 96 roubos, mesmo com a deficiência de contar, vamos dizer que sejam esses roubos, 96 roubos por por 10.000 1000 habitantes. Pinheiros
tem 200. Eu tô com uma colinha aqui. Pinheiros tem 296. É três vezes mais. Uhum. Mas perdizos também. Depois nós observamos Que os bairros de classe média média do Tucuruvi estão com a metade da taxa da capital. Tucuruvi, alta da Moca. E a classe mais bem da baixa para baixa, como o caso do Capão Redondo, por exemplo, aí no periferia cidado Tiradentes, eles estão pouco acima da média da capital, mas bem melhores do que os bairros de classe média alta. É interessante, né? Um bairro popular, Capão Redondo, Jardim Ângela, foi o bairro mais violento do
Brasil lá no Comecinho do ano 2000. E hoje o distrito aqui de Pinheiro, 14º distrito aqui da capital da Polícia Civil, ele tem uma taxa que é pratic 148% maior do que o Capão Redondo. Isso mostra realmente que há é uma necessidade muito grande de calibrar a ação do policial sem ficar falando dessas estatísticas porque estão devendo melhoria nesses locais. Não é só reclamação de classe média alta. Uhum. É, acho que isso que o Coronel José Vicente traz mostra um pouco isso. Acho que a gente precisa de estudos mais profundos para dizer que realmente houve
uma migração ou não, mas a gente tem indícios que esses bairros eles trazem eh duas, como se a gente colocasse dois incentivos, né? Um é uma população eh que tem recursos, que tá circulando, pedindo aplicativo, que tá indo em bares, restaurantes, tem uma vida noturna agitada, né? Você pode passar celular caro, você pode passar 11 da Noite ali, as pessoas estão com iPhone, né? Enfim, eh, e você tem um policiamento que, claro que existe policiamento em Pinheiros, eu trabalho lá, eu vejo polícia, mas é muito menos do que você vê no centro, porque eu acho
que a estratégia foi uma estratégia que em termos de política pública me parece que inicialmente ela acertada, que é o estado tem muitos roubos, mas esses roubos se concentram na capital e no centro da capital, então tem uma Saturação ali naquela região. Só que o que a gente vê depois de 2 anos é que o eh não vou nem falar as franjas porque não são periferias, são outros bairros fora desse centro mais imediato que estão sendo eh estão atraindo, entre muitas aspas, esses roubos, né? E que não, porque mesmo o roubo, como o coronel colocou,
é, você tem esse roubo que a gente pode colocar, né, assim, ah, é o cara que é usuário de droga no centro da cidade na SEC e rouba fio para Derreter o cobre. Esse é um roubo que realmente não vai sair do centro, né? Agora o cara que tá de moto com uma arma de fogo, sim, ele pode roubar no Santo Cecília, mas ele pode andar um pouco mais ir para Pinheiros, porque ele sabe que lá à noite ele vai ter o mesmo o mesmo movimento e menos policiamento, né? Então, extrapolando um pouco, tentando entender
um pouco a a racionalidade do roubo, que é um crime que diferente do homicídio, enfim, tem Outras racionalidades, o roubo segue uma certa racionalidade econômica, né? Assim, o cara vai tentar pegar o melhor telefone que ele consegue no lugar onde ele tá correndo o menor risco possível. E acho que esses bairros trazem um pouco isso, né? Acho que tem duas coisas interessantes também, Rafael. Você mencionou o a precariedade da eficiência investigativa da Polícia Civil. Isso é um problema geral no Brasil. Sim. O índice de esclarecimento de homicídio no Brasil é 39%. Nós temos alguns excessos
de de de competência, né? O Japão, Alemanha chega 95%, os Estados Unidos precariamente 60%. Mas aqui em termos de Brasília nós temos bons indicadores de Brasília que chega nessa faixa de até de 90%. Mato Grosso do Sul já teve nessa situação também Santa Catarina, mas nós temos o Rio de Janeiro, então Deus nos acuda, só 25%, né? Da na da Bahia 15%. Nós estamos falando do crime mais fácil de Esclarecer, que é o homicídio. Essa precariedade ser elevada a nível dos roubos, um levantamento feito sobre o roubo de veículos, apenas 3% desses veículos resultava em
inquérito aqui em São Paulo. Inquérito é uma peça de investigação, formalizar a investigação. Esse é um problema. Um segundo problema é que no Brasil, de maneira geral, nos últimos anos, tem observado isso, estão subvalorizando exageradamente a força, a potência de Prevenção do policiamento territorial. Esse que tá falando 14º distrito tem uma delegacia e tem uma companhia no batalhão ali, né? Porque a gestão mesmo nossa gestão do governo de São Paulo, como acontece no Rio de Janeiro, é tudo tropa especial, é BaEP, é rota. Hoje nós estamos com 20 unidades de especiais aqui no estado de
São Paulo, até a herança do governador Dória. E a gente percebe na hora das promoções por mérito aqui na na PM chega a 20% das promoções, A capitão major do coronel de pessoal oriundo do policiamento do patinho fake ao policiamento territorial. É esse que faz a prevenção desses bairros. Então há uma ilusão de que as grandes tropas de caveirão, roupa camuflada que vai resolver o problema, só que não, porque a hora que você li que foi roubado o seu celular, não é a rota que vai atender, é o batalhão da sua área. [Música] [Aplausos] E
em relação a essa migração, a gente tem sempre aquela discussão sobre a cracolândia, né? Consequentemente, com essa esse essa fiscalização, esse policiamento maior no centro, houve esse deslocamento específico da cracolândia. Vocês fazem algum alguma análise, algum estudo específico sobre a presença, né? Porque ela ficou móvel, cracolante agora não tá aquele lugar, ela ela vai migrando, por onde vai passando? Vocês já chegaram a traçar algum paralelo Sobre como que a incidência de crimes vai mudando também? Não, aqui dá para ver claramente que a a o índice de roubos na santifigéa, que é a região afetada pela
Cracolândia, é praticamente 10 vezes da capital. Realmente ali a coisa é é resultado direto. Mas tem um bairro próspero onde de vez em quando espalha, que é o bairro ali de Santa Sicília, já não é tão grave assim, é pouco acima e é metade de pinheiros, né? É 156 roubos por 10.000 habitantes. É. Bastante tolerável, mas a o o a concentração é grande. O espalhamento a gente não tem visto o efeito, não. Pouca gente se dá conta, mas na verdade o espalhamento é conveniente para o controle de cracolândas porque ele esse pessoal sai da o
os traficantes, os dominadores dos craqueiros, eles preferem juntos, que fica mais fácil de manter a influência sobre eles. Essa é uma experiência internacional que o pessoal leva em Consideração. Aí sim. É, o que eu acho que é que é importante é que tem que que eu tenho a gente tem batido nessa tecla, né, assim, a questão da cracolanja ela tem mudado, né? Primeiro mudou sua localização da Praça e Princesa Isabel, depois, né, na na Notham, depois da Praça Princesa Isabel, enfim, ela deslocou, para quem era de fora do São Paulo, ela tem sido deslocada e
hoje ela tá muito mais fragmentada do que ela já foi anteriormente. Mas é importante Perceber que, por exemplo, a Santa Efigênia, uma rua que é muito e conhecida como rua de comércio, que é a rua Goianases, elas continuam ali como pontos de receptação desses celulares, né? Você tem uma feira à noite ali informal de vendas de celulares que inclusive já passou na televisão, né, algumas vezes. Então você tem o o fluxo em si, ele claro que é importante ter acompanhamento, mas é acho que é mais importante porque se tem algo que se Permaneceu estável em
relação ao fluxo, eh é essa permanência desse desse campo de receptação ali que tá há mais de uma década naquela região, né? E e são conhecidos como ninhos de celulares. Assim, a gente tem, tava comentando antes da gravação, né? A gente tem alguns episódios onde quando as pessoas eh quando a rede social ainda era chamado de Twitter, as pessoas foram em um show ano pass ano retrasado, se não me engano, e elas tiveram seus seus Aparelhos celulares roubados e elas começaram a comentar nessa rede social, falar: "Ah, meu celular foi roubado, rastrei, tá na rua
Guanaianáis número 18". Ah, eu também. E começou aparecer várias pessoas se aglutinando nessa rede social na noite daquele show para comentar que o celular tava no mesmo lugar, né? Isso quer dizer o quê? De uma organização, assim, o de algo que tá além da cracolândia, né? Na cracolândia ela é uma questão para que é muito além Da segurança pública na na cidade hoje até no estado de São Paulo, sem cracolândias também na região metropolitana. Mas eu acho que é o que é importante ter em mente é que essa dinâmica de receptação e de organização, né?
Porque o o cara que é usuário de craque que rouba o celular e vende ele por R$ 300, eh ele pode ser preso ali e é importante que ele seja responsabilizado, mas não vai resolver o problema de roubos celulares na cidade De São Paulo, né? O que vai resolver é ir nesses ninhos de celulares que finalmente esse ano a gente teve duas grandes operações da Polícia Civil, se chamando de operações big móbil mobile, né? Eh, teve uma que agora em março que prendeu 10.000 celulares roubados. Isso faz muito mais impacto, né, em termos de roubos
do que ehem em relação à cracolândia em si atuar junto ao usuário, né, desmontar essas redes. E aí eu encerro eh esse momento para falar Assim o o quanto que isso tem e o quanto que a gente dá pouca atenção, né, assim como o coronel José Vicente comentava em relação à PM, né, desse policiamento que é cotidiano, que é o policiamento de área, né, não necessariamente da rota. Acho que um pouco acontece isso com a polícia civil ultimamente, né? Então a gente tem acompanhado, acho que vocês devem ter visto no carnaval desse ano em São
Paulo, mas em outras capitais também, né? Os policiais civis Fantasiados pegou um cara com seis celulares. Isso é bacana. Mas assim, o trabalho da polícia civil é investigar essas redes, não é tá ali na ponta necessariamente, né? A gente teve um caso aqui em São Paulo que o o departamento de homicídios do DHPP estava num bloco e pegando ladrões celulares. Será que não tinha outro policial para fazer isso? Será que não tinha policiais militares, né, descaracterizados ou outros policiais Civis que fossem? Porque e esse trabalho na ponta, né, assim, ele é importante, mas a polícia
civil, ela é especializada na investigação, ela pode fazer escuta, ela pode acompanhar, né, traçar esse quem tá no fluxo vendendo droga e que tá receptando celular para vender para fulano, pra quadrilha que manda os celulares, alguns deles para países da África, né, por meio do porto de Santos. é uma investigação muito mais complexa, né? E a gente não dá atenção e o mérito E aí fica dando espaço, né? A policial tava tava infiltrado no bloquinho. Não, essa não é a solução desse desse problema, né? Na minha opinião. É, aproveitando só rapidamente essa fala do Rafael,
quando a gente conversa com delegados com atuação no centro da gestão Tarcío de Freitas, eles batem muito na tecla reincidência, né, dos criminosos que atuam no centro, de que eles são soltos e voltam a praticar crimes por lá, enfim. E em meio a isso Também cresce uma pressão por parte desses delegados e outras autoridades do próprio secretário Guilherme Derrite para revisão da legislação em relação a isso, para endurecimento das penas, para evitar que esses criminosos voltem para as ruas e enfim o e para diminuir o que eles chamam de enxugar gelo da polícia, né? Eu
queria entender o que que vocês entendem assim, se isso de fato traria algum benefício para esse combate da criminalidade, não só no centro, mas em Outras regiões da cidade, ou se seria um discurso, enfim, um discurso que não teria tanto efeito na prática. Não, nós precisamos atualizar o instrumental da da da penal nosso porque já uma proposta foi encaminhada, lembro que o governador de São Paulo estava liderando a sua movimentação em Brasília justamente para ah dar uma condição de obrigar o juiz na audiência de custódia aprender o indivíduo depois de reiteradas ações criminosas. Nós estamos
vocês na Imprensa estão noticiando toda hora sujeito tem 60 passagens, 80 passagens. Não é que ele entrou numa catraca da porta da delegacia, é que ele cometeu um crime, foi preso em flagrante, foi levado a diência de custódia e o juiz achou que não era o caso das nossas prisões lotadas e volta pra rua roubar o próximo celular. Eh, ele é o primário ainda porque não foi condenado, mas é o crime reiterado. Então isso é necessário Brecar com isso porque tá muito barato. Uma outra a gente chama o custo do crime, né? Se se o
custo de cometer um crime for mais elevado, ele pode ser um fator de contenção, sim. Uma outra medida que vai deve sair um pacote do governo federal que tá acuado, tá nas cordas, como se diz aí, pela pressão da segurança pública e até por sugestão do secretário nacional de segurança pública, o o promotor Sarahuba, né, foi aqui chefe do Ministério Público Paulista. E uma das medidas também é ampliar a pena para a recepitação. Então, a receptação tem uma pena baixinha de 1 a 4 anos de, né, de prisão e isso acaba virando um estímulo para
pegar o celular, pegar o carro roubado, furtado e e tantas outras coisas. Então é necessário e cortar aí um mal, não pela raiz, né, mas pela pela copa, que é o a parte de cima da receptação. Então atualizar a nossa legislação, ela é importante sim, assim Como estão propondo, deve sair em breve para a uma uma punição bem mais gravosa, como diz os juristas, para os casos de crime organizado da tipo mafioso que tá crescendo no país. vai comentar. Tá redonda tá redondo. Eh, a gente tem também uma atuação da Polícia eh civil no estado
de São Paulo, alvo já de muitas críticas, eh especialmente nos últimos dois anos, houve muita crítica em relação à violência da polícia em São Paulo. É, de Que forma, na avaliação de vocês, essa atuação da polícia em São Paulo está reverberando de fato num combate à criminalidade? Olha, a violência da polícia é uma preocupação muito grande, que nós percebemos que quanto mais inteligência você usa no sistema de de segurança, menos força você vai ser necessário. Nós tivemos no início do governo Tarcísio da no ano 2023 um incremento muito forte da letalidade policial, principalmente em operações
da Baixada Santista. E a suposição é que estaria combatendo o crime organizado. Só que em 3 anos do trabalho só de Ministério Público com policiais militares que estão disponíveis ali, eles chegaram a prender mais de 2000 membros do PCC sem dar um tiro, chegaram a condenar mais de 600 sem dar um tiro, recolher mais de R$ 2 milhões deais estava na mão dos Criminosos. Então essa esse tipo de trabalho eh não é necessariamente com mais força que você resolve os problemas. Nós vemos as ações violentíssimas da polícia do Rio de Janeiro, que acabou até recebendo
uma intervenção meio estranha do da Suprema Corte, mas a matança da da das polícias, das duas polícias do Rio de Janeiro não impediu o incremento, não só da dos indicadores, que até não estão tão mal assim, mas a expansão de áreas dominadas Pelo crime no Rio de Janeiro. tem quase 300 comunidades dominadas por milícias, mais umas 800 comandad pelo comando vermelho no Rio de Janeiro são populações submetidas a a tiranos dessa localidade. Então não é a força que resolve. Então essa é uma questão muito importante, porque nós estamos ainda debatendo, usar cada vez mais força
e estamos percebendo que a inteligência não tá funcionando. Nós estamos percebendo inclusive que não tem Uma coordenação de inteligência de âmbito nacional. Aliás, âmbito nacional não tem coordenação nenhuma. Eh, o governo vem lavando a mão há muito tempo de que isso é problema dos estados, mas a droga que passa pela fronteira e que trafega pelo país, é um problema nacional, problema federal. E essa coordenação não existe. E quando chega nos estados vai para pra violência explícita. Mas não é só São Paulo e Rio de Janeiro. Quando nós pegamos os dados 2022 para 2023, acontece umas
surpresas que praticamente quase triplica a letalidade policial do Mato Grosso do Sul e do Mato Grosso. Duas localidades que era até de bons resultados, com baixíssima letalidade, que é o caso do Distrito Federal, Santa Catarina. El quase dobraram a letalidade policial de 22 para 23. Quando isso acontece, você sabe que entrou um governante ou novo chefe da polícia fal: "Agora nós vamos pro pau." A hora que dá um sinalzinho Verde pr pra polícia, a polícia descamba. Que foi a operação escudo aqui basicamente, né? No estado de São Paulo. Foi análoga. Sim. E no Rio de
Janeiro, o secretário agora tem o novo secretário da segurança do Rio de Janeiro, que no começo do do governo passado, í lá, já tiraram a secretaria da segurança. Então hoje nós temos três secretaria, secretaria da PM, Secretaria de Polícia Civil, Secretaria da Segurança. E o secretário dia 7 de fevereiro, lembro Até dessa da data, ele fala: "Ó, infelizmente nós vamos ter que conviver com a dura realidade que teremos morte de inocentes." Caramba, como assim? Não é para ter morte de inocente, né? Mas o Rio é campeão de de morte inocente. Um ponto que eu acho
importante de comentar é que no ano passado São Paulo teve uma crise intensa de violência policial com vários casos em sequência que colocaram em cheque o trabalho da Polícia Militar aqui de São Paulo. O caso símbolo foi aquele em que o policial arremessou um homem do alto de uma ponte. Aquela imagem é assustadora. Sim. Naquela época, o próprio Tarcismo reconheceu que o discurso adotado até então muitas vezes era problemático para chancelar de fato atuação policial e, enfim, abrir precedente para uma atuação mais agressiva e e com uma letalidade maior. A minha dúvida é se esse
caráter mais imbativo da polícia, ele também não pode Resultar em um caráter mais imbativo da das próprias quadrilhas e gangs, assim, de terem o pensamento de se a polícia vai pro tudo ou nada, a gente também vai pro tudo ou nada. E como a gente viu no caso do ciclista no entorno do Parque do Povo, Víor Medrado, ele foi morto antes de ter qualquer, antes do bandido pedir o celular, antes do bandido, antes de esboçar qualquer reação, assim, então na avaliação, principalmente sua assim, Rafael, nesse momento, é isso pode ser Um resultado desse dessa alta
letalidade, dessa postura da polícia de São Paulo? Bom, então antes eu vou voltar, acho que é uma boa pergunta, vou voltar pra pergunta da Roseana, que é sobre se essa se essa violência policial, nesse se uso é excessivo da força que a gente tem, principalmente 23, 24, né, com o início do governo Tarcísio, eh, se isso impacta os indicadores. A gente tem visto que não, né, os homicídios aumentam, aumentam 1%, Cai 1% aqui, a violência contra a mulher tem aumentado, disparado, né, estupro, feminicídio, tem aumentado bastante no estado. É, mas o que eu acho que
é mais que às vezes fica, enfim, concordo com o coronel eficiente, né? Acho que a gente tem operações de inteligência, investigação. Quando você já tá na numa operação na baixada há dois meses, o cara que é o cabeça do PCC, ele não tá mais lá, né? Assim, o cara tem recurso para sair de lá, evidentemente, você vai Pegar ali, é o cara que já teve uma passagem do sistema prisional, que tá trabalhando catã latinha, que foi, eu tô falando casos evidentes, de pessoas que foram mortas pela polícia, casos reais, né, assim, morador de rua, pessoas
situação de rua, você, claro, teve morte também, né, de confronto, mas o Ministério Público fez várias denúncias de execuções, né, eh, da operação escudo e da operação verão. E e por que que eu tô falando isso? Porque esse tipo de Política pública de segurança, esse tipo de abordagem, né, como o coronel coloca, fala agora nós vamos para cima, ele coloca é ruim para todo mundo, você não abaixa os indicadores. A população da Baixada tava aterrorizada, a gente fez várias idas lá junto com o antigolvidor, né, o Claudinho Silva. Eh, a população tava aterrorizada, que além
das dezenas de mortes, né, lembrando que as duas operações, escudo e verão na Baixada, só ficaram atrás do Carandiru em termos de Letalidade da Polícia do Estado de São Paulo. Então, a população, evidentemente, aterrorizada. E aí quando você vai olhar os números de mortes de policiais, elas também aumentaram, né? Quando a gente olha nas mortes de policiais em serviço, em 23 e 24 somadas, comparado com 21 e 22, elas aumentaram 400%, né? Os policiais morreram quatro vezes mais. eh, né, assim, em comparação com os dois anos anteriores do governo Tarcísio. Então, Essa essa inclusive na
operação escudo foi uma eh acho que eu posso falar aqui uma operação vingança, a primeira vez que morreu um policial da rota em mais de 20 anos em serviço. Então, você tem uma uma política que ela é ruim paraa população. Ela é ruim pra população tanto em relação a indicadores em geral, como a população que tá sendo efetivamente atingida ali. Ela é ruim para policial que tá na ponta, porque os policiais vão fazer uma operação num Terreno que eles não conhecem, de uma maneira atabalhoada, sem inteligência. E é bom só pro só pros políticos que
fazem uso dessa. Então a gente teve casos de mortes policiais no início do ano passado que o ex-presidente Bolsonaro esteve no enterro para fazer fala, que o Tarcísio fez fala contra pesquisadores. Então você tem uma plataforma política, a gente lembra, perdão, foi o Derrit que fez essa fala dos pesquisadores. E mas o Tarcis Falando pode ir pra ONU, pode ir pro Rai que parta. Você tem uma plataforma, um um ecossistema que é criado aí que coloca o policial nesse nesse combate, né, numa guerra que é uma guerra que não traz resultados, que coloca ele em
risco, ele morre mais e no final beneficia os os políticos que estão capitaneando esse discurso. É, antes de entrar na tua resposta, é por isso que eu quis trazer mesmo isso, porque como que reverbera essa história? Porque é Isso, o discurso que é feito e que é utilizado desse aumento da da violência policial é o discurso político, que não significa que fica muito claro na na nas respostas de vocês aqui. Você vê uma coisa interessante, Roseno, que o morre o policial, ele ele filmou a morte dele, praticamente, errou na ação, foi uma uma ação ousada.
Ele podia devia estar aí junto na parede num local de ele foi de peito aberto sozinho. Bom, daí vem a Operação, uma retalhação, operação escudo, puxando o que quiser. Mas 31 PM se suicidaram. Foi feito o quê? Uhum. Tem operação escudo para para suicídio. Então é necessário rever inclusive as condições de trabalho desses indivíduos. Claro, o suicídio é é uma série de fatores que leva pessoa num situação extremada dessa, problemas familiares, financeiros, etc, etc. Mas problema de trabalho também pesa muito. Os policiais nossos estão numa escala, Uma escala que vem de de longa data, que
é uma das escalas mais estúpidas que tem trabalhar 12 horas. O ser humano, depois de 8 horas, ele começa a entrar numa fase de deficiência, de tomada de decisão, de qualidade, de ações que preciso de de calibragens mais refinadas de de reação. E essa é uma dura realidade. E o que que tá sendo feito? E nós estamos observando isso. Então, ah, o bandido matou um, nós vamos fazer uma retalhação. E os 30 que se mataram. Então é um indicador importante, assim como dos bairros que estão carentes aí de melhoria substancial, dos padrões de segurança, dos
roubos, etc. os baixos que nós mencionamos aqui, é necessário fazer alguma revisão nas estratégias da condução da segurança. Não é só na caiu 38% roubo no centro, não é só isso. A função da da de todo o aparato de segurança é qualidade de vida da de uma uma sociedade, uma comunidade. E isso tá sendo severamente eh deteriorado na nos Últimos tempos, não só em São Paulo, né? Bem na verdade. Sobre essa pergunta do Ítalo, eu não consigo dizer ainda, né? se a letalidade policial tem relação, não acredito que não tenha, porque eh o que a
gente tem que mas que é um fenômeno que o coronel Vicente pode até falar melhor que eu, mas que eu já vejo, inclusive eu sou de Minas, né? Via em Belo Horizonte, vejo em todos os estados que é o o camarada vai cometer um roubo, o bandido ele tá armado, ele vê que ele Abordou um policial e aí muitas vezes você tem uma uma execução ali porque com medo da represa que ele vai sofrer por ter abordado uma pessoa na rua. abordei o ítalo. Eu descobro que pego a carteira funcional, pego sua arma. Aí muitas
vezes isso vira um latrocínio. Você tem dois delegados foram mortos recentemente assim, né? Você tem um escalonamento da violência, né? O que seria um roubo. O cara na hora ele fala: "Putz, ele é um policial, me dei mal, então mata o Cara". Então eu acho que nesse talvez aí tenha uma uma relação, mas eu acho que isso é algo que já acontece antes. Então não vejo isso. O que para nós assim é nós sou da paz, a gente olha bastante esses dados. O que tem chamado atenção é que os latrocínios na cidade de São Paulo
eles têm aumentado a participação da arma de fogo, né? Você tem latrocínios que hoje 75 hoje 24 75% dos latrocínios na cidade função com armas de fogo. Em outros anos já foi 62, 63%. Então acho que o que eh acho que tem questões aí, né, assim que que vão além dessa questão só da arma, mas a disponibilidade da arma de fogo, ela tá muito hoje a gente tem um Brasil, né, as capitais muito mais armadas em 2025 do que a gente tinha em 2017. Isso é um fato, é muito mais fácil. as armas. Tem pesquisas
que mostram que o custo de uma pistola caiu, porque antes conseguir a arma era muito mais difícil. Eles conseguem por C, enfim, não cabe aqui, Mas você tem acesso facilitado a essas armas, então isso também torna esses roubos mais potencialmente. Antes o cara roubava com simulacro de arma de fogo, às vezes fingindo que tava com a arma, agora já tá com a arma mesmo, né? É só um detalhe, tem um psicólogo americano, Stanton Seiminal, o nome dele. Ele trabalhou com presos, criminosos, violentos, mais de 40 anos presídios americanos. Ele diz o seguinte: "Quem mata, ela
não mata sem querer. A pessoa Tá com disposição de matar lá latente nesse indivíduo com um mecanismo precário de contenção da sua agressividade. Então não precisa a polícia tá mais brava pro sujeito atirar, não. Havendo um pouco mais de estímulo, não só aí briga de trânsito também. Ah, um cara um bom cidadão, matou sem querer, ficou nervoso. Ele estava com disposição de matar sim. E com arma de fogo. E com arma de fogo disponível. Aliás, interessante, no ano 2023 foi o maior volume de de armas liberadas aí do que todo o governo Bolsonaro. Não é
não era para ter controle. Uhum. É um um uma liberalidade assustadora. E agora tá com esse embrolho aí que ficou de passar pra Polícia Federal. A polícia federal não tem capacidade de gestão, mal consegue cuidar de si mesmo e vai cuidar dessa essa encrenca das armas que tá tentando pegar do exército e vai ser outro nó complicado. Deram um prazo, acho que até Junho, né, para para fazer a transferência. Vai ser complicado mesmo isso aí. Eh, volta pegando novamente aqui a questão de São Paulo, é, continuando, né, que a gente tá falando mais de São
Paulo, vez por outro a gente traz um dado mais nacional, mas assim, falando bem da questão de São Paulo e aí focando em capital, agora com essa mais nova polêmica, é a polícia municipal, eu queria uma avaliação de vocês sobre essa possibilidade de uma atuação da polícia Eh eh municipal eh na capital eh com base em experiências que vocês conhecem Brasil e mundo afora. De que forma isso vai ter algum efeito real ou mesmo vai terminar gerando algum risco a mais? Porque a gente tem que pensar inclusive na capacitação desses profissionais. Então eu já trago
os dois vieses aí para vocês. É, eu acho que um dos aspectos você já mencionou que é o problema de incrementar risco para os GCMs que passariam a ser policiais, Vãousar um pouco mais sem ter o preparo para essa ousadia, né? Eh, lembrando que eu não sei a capacitação, capacitação em São Paulo até que é é boa, é razoável, mas o padrão estabelecido pela Sená foi treinamento 496 horas. A Polícia Militar de São Paulo é um treinamento de 2600 horas e o supervisor, que é o sargento, tem mais um ano de treinamento, o tenente são
4 anos e para aí vai. Não é tão simples, né? Tirar uma uma plaquinha E botar uma outra no peito. Mas o que preocupa muito, inclusive é a expansão disso pelo Brasil. Eu estava ontem num debate, tinha um promotor fal promotores mal conseguem cuidar de 54 polícias e mais mais as polícias penais agora, né? Polícia civil, polícia militar. Imagina as centenas que tem no estado de São Paulo. Eu tava vendo uma uma cidade do do Conceição do Araguaia na no Pará, fica 940 km da da capital de Belém. Eles estão com um contingente de de
até até Peguei aqui um contingente enorme de de guardas Conceião do Araguaia. 317 guardas vai transformar em policiais longe do do das estruturas de Ministério Público e tem outras, né? uma cidade de PJUca tem 100.000 habitantes, tem a mesma quantidade de guardas municipais que São Bernardo no Campo aqui, que tem 800.000 habitantes, oito vezes mais habitantes. Então pode ser um deus do sacudo. Nós estamos falando de São Paulo, mas esse é um Problema de todo o Brasil e o pessoal não tá avaliando adequadamente essa história. E uma outra questão, já viu polícia opcional? Ah, se
você quiser, pode ter polícia. Como assim? A construição estabelece todo estado até uma polícia civil, uma polícia militar. A município, há critério, se quiser você põe uma guarda municipal. Se quiser vai ter uma polícia. Existe polícia opcional. Nunca vi isso na no mundo onde passei conhecido um dezeno de país de Polícia. Aí é, eu acho que uma uma coisa que tem ficado claro para quem trabalha com prevenção com segurança pública e prevenção há uns anos, né? Acho que coronel José Vicente certamente também se lembra de uma época em que as guardas eram vistas como uma
grande promessa da da presença do município na segurança pública do viés preventivo, né? boas experiências. Inclusive aqui em São Paulo, né, em São Bernardo, você tinha uma uma a Guarda Civil Municipal, ela Era uma promessa de um fazer um trabalho que não seria igual da PM, né? O trabalho da PM é importante, o trabalho da Polícia Civil é importante, tem um outro trabalho preventivo adequada as necessidades daquele município, né, assim, atuando junto a políticas de prevenção, muitas vezes estaduais, municipais, você seria ali um ente que que uma força que teria uma um outro tipo de
função. Hoje, passados 20 anos desse debate, o que a gente vê é que os Municípios tentado recriar criar uma polícia sua, né? polícia para chamar de sua e que segue os mesmos modelos da Polícia Militar com menos treinamento, como Rosian e e Coronel José Vicente colocam, o que eu acho que é arriscado, né? Porque é difícil alcançar um nível de um nível de maturidade institucional, de treinamento que a Polícia Militar do Estado de São Paulo, do estado de Minas tem. Isso é demora, é um processo, né? Eh, então a gente tá criando polícias a Que
que muitas vezes replicam os elas estão a a grande intencionalidade delas é replicar o trabalho, né, ou ampliar o trabalho que é fornecido pela Polícia Militar, sendo que a potencialidade dessas guardas era oferecer outro trabalho, era trabalhar, né, junto com as comunidades, com as escolas, tentar entender as questões do município, tentar fazer uma entrada ali onde muitas vezes a Polícia Militar não consegue na interação com a comunidade em algumas Comunidades mais difíceis. Isso, eh, acho que foi perdido. E no na questão de voltando pros roubos, né, no pensando na cidade de São Paulo, não me
parece que a transformação numa numa polícia municipal vai fazer uma grande diferença, né? Porque o que a gente tem visto eh, acho que o o se eu pudesse falar um resumo da minha fala aqui desde o início do programa, é, a gente precisa também de outro. O policiamento ele tem que ser ostensivo e também tem que ser Investigativo. E a gente não faz isso no Brasil. O o coronel colocou, né? Acho que a polícia civil ela é ela é muitas vezes o patinho feio, não só no estado de São Paulo, em vários estados brasileiros. E
a gente tá recriando uma polícia que ou recriando, né, criando uma polícia que se vê muito parecida com a Polícia Militar, mas que vai ter as mesmas limitações para lidar com esses roubos cada vez mais complexos, né, com redes, com quadrilhas, com envio do Celular pro envio pro exterior, com criação de fake, com e sequestro relâmpago para fazer Pix. Não é só a PM ou a Polícia Municipal que vai resolver isso, né? Mas sabe uma coisa interessante foi aqui a todo esse projeto que estão nas câmaras, esse projeto que está nas câmaras eh para colocar
como polícias municipais, eles não estão considerando a incluir isso dentro de um contexto de prevenção que o município tem uma potência muito grande De fazer isso. Então, a nenhum projeto que eu vi tá colocando assim: "Vamos criar a Polícia Municipal, um Conselho Municipal de Segurança Pública". deveria ter, né, para chamar a sociedade, a cidade para discutir essa questão e estão desarticulando de certa forma uma série de iniciativas de prevenção. Por exemplo, aqui na capital nós temos cerca de 20 centos de mediação de conflitos, que é importantíssimo, pode devia ter 200, justamente para se antecipar o
Agravamento de tensões que estão nas comunidades, aqueles conflitos, né, que acaba gerando briga até mortes. Com vi muito isso num projeto que fiz em Diadema. Então, eh, essa desarticulação de simplesmente vou criar uma polícia de reação ao crime, mostrar fuzil, viu? Tu li um vídeo aí de um de um guarda municipal de Arapongas do Paraná. Somos a primeira guarda municipal a comprar no fuzil 756. Para que isso? Uma farda, né? Todo Poderoso. A Guarda Municipal de Campinas já comprou um caveirão, um caminhão blindado. Vai entrar em combate na favela. Então, estão indo para um caminho
muito errado, eh, desviando de enorme potencial de prevenção social, educacional nas periferias da cidade, onde as tensão estão, onde estão os grupos vulneráveis, porque quem vai sofrer da violência somos nós aqui de Pinheiros. Nós sofremos um tanto, mas a violência maior, principalmente os Homicídios, acontece nas periferias. E é um problema, não é só de São Paulo, evidentemente todos os grandes centros urbanos. Nós pouco falamos da Bahia, que é o estado mais violento, mais a violência mais estúpida possível tá na Bahia. E a polícia que menos prende, a polícia que não tem problema de de vaga
prisional na Bahia, que a polícia não prende, prende pouquíssimo, das maiores taxas de de prisões do Brasil e e nós estamos realmente sem aquilo que Deveríamos ter uma grande coordenação nacional. Isso aí fica muito evidente, como um exemplo que chega mais à mão assim do prefeito Juliane na Nova York, que fez toda a campanha liderando a minha prioridade da segurança. Quantos governos que a gente não tá vendo isso? levantando uma bandeira e procurar atrair as atenções e as soluções. Essa grande uma grande liderança para isso vai necessário para Coordenar os esforços para não ter governador
chiano. Eu vou fazer uma lei. Não, calma aí, gente. Vamos fazer junto, né? E isso tá faltando. Sobre essa discussão das guardas, Coronel, tem um componente importante também, que nos últimos anos todas as formas de violência contra a mulher, elas cresceram, não só em São Paulo, mas no restante do Brasil. E é um tipo de violência que se dá principalmente dentro de casa, assim, segundo apontam Os últimos estudos, não é uma violência que se combate com policiamento ostensivo, com mais guardas nas ruas, assim, e muitas guardas eh estavam se empenhando em tentar auxiliar, né, mulheres
que têm medida protetiva para justamente tentar fazer um trabalho extra ao que é feito pela própria Polícia Militar. assim, se não me engano, o Santo André eh criou um aplicativo para as mulheres poderem acionar uma espécie de botão do pânico Assim para se defenderem de de quem seriam os autores desses crimes, assim. Então, tinha um movimento nesse sentido, mas agora com essa com essa resolução da STF, de certa maneira isso abre um precedente, assim, segundo especialistas que eu ouvi recentemente, pro uso dessas guardas como uma plataforma política também, né? Porque o quando você coloca o
policiamento ostensivo, você consegue vender aquilo como o seu policiamento, a sua cidade vai ser político, né? Nós Temos a nossa polícia municipal e pode acontecer um, como nós conhecemos a política brasileira, daí o pessoal começa a reclamar que está aumentando a violência no município X. O vai fal vai pedir pro governador ou pro prefeito? Já pedia aumento de efetivo da P, o governador fala, pede pro seu prefeito, você tem uma polícia municipal, ele que resolva. Vira mais um jogo de empurra, né? É porque até porque e na década de 90, 1995, mais ou menos, o
Brasil tinha 540.000 policiais militares. O ano passado caiu para 369.000. Nós perdemos aí uns 150.000 policiais aqui no estado de São Paulo, de 2012 para 2024, nós perdemos 10.000 policiais militares, porque os governos tucanos deixaram de renovar o estoque dos policiais que estavam aposentando. Então nós estamos com um déficit brutal. Tínhamos 92.000 policiais, estamos com 82.000, mas você tira 8.000 bombeiros, São 74.000, tá? é a menor taxa de de proporcional à população do Brasil hoje é PM São Paulo e tem os melhores resultados de segurança também, né? Um aspecto interessante. A princípio pareceria um contracenso.
O que é que explica a lógica aí pra gente deixar claro? Porque a polícia acabou aprendendo a fazer mais com menos, né? racionalizar o emprego da tropa, o uso do dos sistemas de mapeamento criminal Para definir os pontos de de de disposição do policiamento. Isso foi um aspecto extremamente importante. O Centro de Inteligência da Polícia Militar aqui em São Paulo, o CPM, não é um centro de inteligência do crime organizado, é centro de inteligência para verificar a questão das constâncias dos pontos que requeriam mais o trabalho do policiamento. Isso é feito através do registro BO,
mas a PM desenvolveu uma Solução engenhosa aqui em São Paulo. As ligações do 190 vão mudando o mapa. Pera aí. Estamos roubando o celular na Paulista com Augusto. Mudou para Lameda Santos com padre Manuel. Então o o o patrulhamento ele acaba ficando muito dinâmico, né? Então a esse é um aspecto interessante. Estados com muito mais recurso, até como o Distrito Federal, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro tem proporcionamento de 30% a mais efetivo que São Paulo. Só que é o que acontece, Amazonas tem 10% efetivo à disposição de monte de órgãos. Rio de Janeiro
tem 2700 PMs fora da polícia. Uhum. Dá fazer quatro batalhões. Sim. E acho que São Paulo também teve uma questão que que é estrutural, enfim, né, que São Paulo não foi atingida por esse choque de facções que a gente teve, por exemplo, na Paraíba, no Ceará, né? Estados, em relação ao crime contra a vida, principalmente, eh, tiveram picos, né? A Gente teve 2017, foi 70.000 homicídios no país, a grande maioria no norte, no nordeste, perdão, e já com espraiamento pro pro norte, né? São Paulo, nesse ponto, eh, é um estado que, por você ter uma
hegemonia de uma facção há muitos anos já, né, a facção originária daqui, eh também em relação aos crimes contra a vida, você tem um um a última década em São Paulo foi muito também muito eh foi muito menos tumultuada do que a gente teve em estados do Nordeste e hoje Estados do Norte, né? É. E e nesse caso ainda, já que vocês tocaram na facção criminosa, a gente tem visto também um momento muito específico em São Paulo sobre a atuação de facção criminosa. E neste exato momento, né, teve aquele crime que chocou, eh, que é
o do delator da facção, mas que também tava totalmente ali enrolado, né, na na criminalidade. Eh, vocês veem alguma saída em relação ao crime organizado? Eu digo para combater esse crime organizado Aqui em São Paulo, porque é um crime transnacional, assim, olha, o o se a gente tem uma dificuldade da polícia em fazer investigação desse crime comum, crime organizado, a dificuldade existe também. Há uma deficiência. Eu vi recentemente o governo tá fal contratamos mais 3.000 policiais da Polícia Civil e dá um treinamento dois meses é treinamento de vigia de banco. Só para você capacitar um
indivíduo para Fazer um treinamento para investigação de homicídio, você precisa uns 3s meses só para isso, para ampliar um pouco a capacidade vai muito mais além, além do sujeito não absorver valores típicos de uma instituição policial, n? Isso aí não não é formação, é uma captação mínima, ruim. E uma outra questão é que é necessário um trabalho de inteligência das três grandes entidades, que é PM, Polícia Civil e a Polícia Federal. E além de órgãos que estão disponíveis para ajudar nesse processo. O COAF, por exemplo, em 2023, o COAF expediu 12.000 resposta, né? Um rif,
um relatório de investigações financeiras a pedido das polícias, só desses 12.000, 5000 da Polícia Federal que pede toda hora. As polícias estaduais não pedem. Então, 7.000 para 27 polícias. Então nós estamos atrasados em fazer o acompanhamento. Quem tá chegando mais próximo disso, tem chegado mais próximo É o Ministério Público, que é outra entidade que tem que trabalhar juntos. O Ministério Público tem uma vantagem que ele está muito próximo do juízo para pedir o mandado de de busca apreensão, mandado de prisão. Então essa articulação, se não for refinada, inteligência é cooperação. Se ela não for refinada,
nós vamos perder a guerra. O que nós estamos assistindo hoje, na verdade, o Rosean Rafael Ítalo, é que o crime organizado Está, ele tem esse varejinho aqui, claro, da droga, etc, né? Um pouco do celular, mas ele tá ganhando muito mais dinheiro com a droga e entrando em atividades onde ele vai levar o dinheiro para ganhar dinheiro na atividade normal. Poxa, gasolina, uma estimativa e tem mais de 1000 postes de combustível na mão do PCC aqui no estado de São Paulo. Sim. Bom, a estimativa baseada em quê? Então é necessário investigar para saber quais são,
quem está por trás Disso. E onde tem crime organizado, tem polícia na folha de pagamento, né? Temos mais dois minutinhos só, mas vamos fazer um giro e eu não quero encerrar sem fazer uma uma indagação a vocês sobre o Smart Sampa, porque é uma aposta muito grande que está sendo feita eh nesse projeto eh e fazendo tem sido feitas várias comparações internacionais, inclusive, né, sobre como que esse tipo de trabalho é é realizado. Vocês estão confiantes assim de de zer a 10, eu vou Sair na provocação assim de zero a 10 sobre o quão importante
vai ser esse esse projeto Smart Samp em São Paulo. Qual nota vocês dariam? Bom, Ran, acho que pra sociedade civil tem muito pouca transparência sobre esse projeto, né? a gente vê muita propaganda e poucos dados, uma metodologia ainda não tá muito claro para nós. O que nós temos de comparação e aí acho que a gente tem que eh partir do que já existe, são projetos de reconhecimento facial em algumas Capitais, principalmente Nordeste, né? A gente tem em Salvador, eh em Recife, que mostra um viés racial muito forte, né? A gente teve um caso icônico aí
do de um jornalista negro que na partida do esporte, se não me engano, num jogo de futebol, ele passa pelo reconhecimento, fica preso durante quase dois dias, né? faz uma matéria sobre isso, depois é entrevistado. Isso é relativamente recorrente. A gente tem uma série de indicadores, né, e tem pesquisadores no Brasil extremamente qualificados, tem mostrado com pesquisas nacionais, internacionais que ainda existe um viés racial muito forte nesses nesses instrumentos de reconhecimento facial. Eu não consigo dizer especificamente sobre smartpa porque a gente só vê uns números assim, o prisômetro e aí coloca o número lá e
v uma propaganda, um post, prendemos fulano. Claro que se for mais uma ferramenta que se ela funcionar do jeito como ela é propagandeada, pessoas Que estão com mandado de prisão aberto, enfim, eh ou que tão alguma medida protetiva de violência contra a mulher tá sendo eh infligida, eh, claro que isso é importante, esse tipo de mecanismo se vier somar, interessante, mas a gente tem dois pés atrás devido às outras experiências que a gente tem no Brasil. A gente não tem tecnologias que eu conheça de reconhecimento facial nesse volume de empreendimento, né, numa capital inteira, no
centro expandido de Uma capital, que não tenham muitos desses desses eh esses hits equivocados, né, assim, que fala que é uma pessoa e é outra pessoa e coincidentemente sempre essas duas pessoas são negras. Então, eh fico um pouco apreensível com Smart Sampa, a gente tem que entender melhor, né? a prefeitura também não tem sido transparente, mas acho que em breve a gente vai ter, né, notícias aí para bem ou para mal do funcionamento dessa ferramenta. Complemento a pergunta aqui Pro senhor e em relação a isso, porque, por exemplo, sempre fica dúvida, por que que esse
tipo de trabalho de reconhecimento funciona tão bem em cidades como Londres e aqui não funcionaria? Já joga provocação também? Olha, eu eu conheci a Polícia Metropolitana de Londres tem uma estrutura policial, inclusive com muito mais policiamento, proporcionamento população do que São Paulo tem, né? Mas o aspecto importante é seguido do nota Três para pro Smart Sampa no conjunto de z0 a 10, qual é a a capacidade de resposta que isso tem? Na verdade, o governo do estado tem um um sistema chamado Murar que tá coletando câmaras de todas as cidades que estão se relacionando nesse
grande sistema. ele vai poder fazer o reconhecimento facial, que não é essas essa brastemp, como falava antigamente, porque ele tem uma curácia de 80%, alguma coisa assim. Então erra Muito, mas essa não é a questão. Mas aqui na cidade de São Paulo prenderam que 2.000 pessoas. Só que as abordagens das polícias prenderam mais de 30.000 criminosos procurados com mandado de prisão em aberto, porque o policiamento ninguém nada, não é? Esses artefatos ajuda, mas não eh não substitui, não superam o trabalho preventivo da polícia. Abordar suspeita em locais onde eles eles eh a o contexto de
suspeição Tem levado a 30.000 prisões só na capital. Isso é um aspecto importante que tem que ser mencionado, é tomar cuidado que a questão achar que essa tecnologia vai suplantar o esforço humano. O grande investimento que qualquer polícia do mundo faz é no capital humano. Treinamento, nós falamos inteligência é explorar melhor a capacidade humana de investigar, se posicionar poltron preventivo na sua Capacidade de relacionamento com a sociedade, na nos esforços de prevenção social. Afinal de contas, até um um pé, um programa pé de meia, ele pode ajudar na prevenção, mas um manter o jovem evitar
evasão escolar, a dupla jornada escolar, perí escola de período integral ajuda a segurança. Então todos esses fatores precisam ser dialogados melhor, que o nosso esforço não é correr atrás do bandido, é fazer o possível para que eles não hajam melhorar a qualidade de Vida numa sociedade com menos preocupação com segurança. É isso. Querem fazer mais alguma consideração final? Ítalo? Não. Tá tranquilo. Vamos lá, então. Agradeço o debate super rico. Eu agradeço muito a vocês. Muitos pontos de reflexão aqui pra gente pensar e analisar. Vou deixar a sugestão para daqui a um tempo, passa um ano
que seja, né? Já deixo aqui com a produção. Acho que a gente é um assunto que a gente tem que revisitar sempre para fazer de novo Essa análise de números e ver o que que tá sendo colocado. A gente tá com esses programas novos e aí vão dar resultado. Qual é o resultado? O que que deu certo? O que que deu errado? Eu acho que é uma algo que precisa ser visto sempre, né, pra gente não cair meramente em discursos políticos, que foi um dos pontos que a gente viu tanto aqui. Então, super agradeço. Ítalo
Loré, repórter da editoria de Metrópole, que faz toda essa cobertura de polícia. Muito obrigada. Eu que agradeço pela pelo debate, pela pauta, pelo debate, pela produção. Ítalo fez assim, gente, vocês tem noção o material que ele me mandou aqui, cheio das tabelas, com todos os percentuais maravilhosos. Agradeço também Rafael Rocha, coordenador de projetos do Instituto Sou da Paz. Muito obrigada, Rafael. Obrigado, Rosean Ítalo, Coronel José Vicente, a conversa muito boa. E coronel José Vicente da Silva Filho, que é Execretário nacional de segurança pública. Muito obrigada. Obrigado, Rosan, pela oportunidade de debater com o Ítro, com
o Rafael, com você também. esse grande e urgente tema da segurança pública vai ficar por muito tempo, infelizmente, na pauta prioritária dos debates e a ver como é que vai ser ano que vem, porque é um dos é o tema prioritário da população e aí vem eleições, aí esse tema vai tá em pauta. Vamos ver, ó, aqui, quer ver? Já vem um Tema bom pra gente já pensar pro ano que vem, é quando chegarem as propostas dos candidatos, né, daquelas propostas da das candidaturas pra área de segurança. Já fica um tema aí sugerido. Vocês tm
algum tema também? escreve aí que a gente já aproveita e já pega a dica. Mas eh eh coronel Zé Vicente, já no finzinho do programa, mas a gente tava conversando aqui antes, a gente sempre faz a menção a ele pelo cargo da da Secretaria de Segurança Pública, Ex-secretário nacional eh da segurança pública, mas o senhor tem uma atuação enorme agora também, tá, né, que não tá não tá em casa olhando somente a TV, não, ele tá com uma atuação específica ainda na área. Então, por favor, já vou fazer esse esse complemento de cargos aqui. É,
eu faço parte do conselho da Escola de Segurança Multidimensional da Universidade de São Paulo. ela tem proposto e feito uma um número considerável de de cursos para Policiais, não só no Brasil, para toda a América Latina, até alguns países da Europa e da África, acabaram se inscrevendo para para os cursos da dessa escola. É um trabalho, ele é liderado pelo professor Leandro Piquê, que é um, além de um grande professor, é um empreendedor nessa área, das especialistas em análise de muita qualidade sobre a segurança pública do país. Então, sugiro procurar conhecer Mais essa escola nossa
aí. Então, se quiserem dar inclusive endereço, os links, fica pros dois aí que a gente já põe na na nossa descrição do programa. Quer indicar algum link, algum perfil para ser olhado vocês dois? Uhum. para quem quiser olhar, acompanhar o a página do Instituto S da Paz, a gente coloca nossas publicações, né? A gente tem publicado muito sobre letalidade policial no estado de São Paulo, mas também a questão da violência armada no País como um todo, né? Viés de raça, de a gente publicou agora eh dia 8 de março sobre o recorte da violência armada
de gênero, né? Eh, então seguir nossos trabalhos, nossas publicações e é isso. Joia, super agradeço a vocês aqui. Claro, agradeço sempre a você que nos acompanha toda semana podcast dois pontos, sempre com dois convidados, com dois pontos de vista, não precisam ser necessariamente antagônicos, podem ser complementares, porque o importante é a Gente parar, refletir e ajudar você também a ter um próprio ponto de vista sobre cada um dos temas debatidos aqui, que tem impacto no nosso dia a dia, na nossa vida. Muito obrigada, até a próxima semana. Aproveita, aponta a câmera do celular aqui pro
nosso QRcode, assina o Estadão com desconto para ter acesso inclusive a um monte de reportagem especial do Itítalo Loré, todo o material exclusivo, vários dados. Aliás, o Estadão tem feito e eu vou Pedir até pra produção também deixar aí o link. Eh, tem na página, no site sempre uma atualização sobre os pontos de mais violência em São Paulo, o tipo de de violência que tem ocorrido. É um monitoramento paraa segurança pessoal, né? É um complemento ali, um trabalho, é um serviço, é uma grande prestação de serviço. Então fica aí também a dica. Super agradeço. Curtiu,
gostou, dá seu like, compartilha com outras pessoas, chama outras pessoas para virem assistir Esse programa também para discutir um tema tão relevante. Até semana que vem. [Música]